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História Harry, O Ravenclaw - Capítulo 65


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Notas do Autor


Oi! Uma revisão, apenas! Esse foi o meu capítulo mais longo e todos entenderão ao lerem. Como prometi, voltamos a Hogwarts e pretendo que tudo aconteça muito rápido, intenso e dramático. Espero que gostem! Me deixem saber!
Com esse capítulo chegamos e ultrapassamos um milhão de palavras! estou muito feliz e adoraria sua revisão para comemorarmos juntos.
Até mais, Tania

Capítulo 65 - A Batida do Coração


Capítulo 64

 

Na terça-feira o planejamento de ano novo se iniciou. Mais uma vez, a família estava comparecendo a festa dos Coltons e, desta vez, sua tia e Duda foram convidados. Harry deixou a família decidindo os detalhes e se concentrou nos importantes compromissos que tinha antes da volta para Hogwarts.

Serafina estava indo e vindo da casa de sua tia, auxiliando com as entregas das doações, mas, ainda encontrou tempo para testá-los sobre o conteúdo do último semestre. Professor Bunmi os intimou a passar uma tarde inteira em Oxford, onde ele analisou, corrigiu e debateu os seus estudos trouxa, leituras, relatórios e deveres. Com Serafina, Dudley não foi incluído, mas com o Prof. Bunmi sua presença foi requisitada e Neville folgou.

Ainda, ele e Neville se prepararam para a reunião com os administradores das Fazendas Potters. O encontro foi no primeiro andar da GER, onde estavam estabelecidos os Escritórios Blacks. Remus, que havia se tornado o contador de todas as renovadas Fábricas Blacks e não apenas da fábrica têxtil, tinha seu próprio escritório ali e Harry o cumprimentou com um abraço. Eles conversaram brevemente sobre a Mansão Potter e como Harry amou tudo, além de toda a diversão que teve no campo de quadribol e na piscina natural.

— Sirius me ensinou a mergulhar e não dei barrigada como um certo alguém. — Provocou Harry e Remus corou sorrindo. 

— Sim, nadar não é um dos meus talentos. — Respondeu ele tímido.

— Eu adoro, prefiro mais do que voar ou mesmo cavalgar, que também é bem legal. — Disse Neville que estava ansioso para conhecer Stone Waterfall.

— Se tivéssemos tempo, adoraria levar todos para a Mansão, mas, teremos que esperar o verão. — Disse Harry e, neste momento Sirius entrou apressadamente.

— Estou atrasado? — Perguntou sorridente.

— Não. Nós viemos com o Sr. Falc e nos adiantamos porque ele tinha algumas coisas para resolver bem cedo. — Disse Harry e o elevador voltou a se abrir com os dois administradores.

Francisco Andrade era alto, branco e tinha cabelos pretos lisos e cumpridos presos em um rabo de cavalo e uma barba preta farta e bem aparada. Usava jeans, botas e camiseta, Harry pensou que ele parecia um vaqueiro hippie. Seu aperto de mão era firme e sua voz serena, na verdade, serenidade e amabilidade irradiava dele e Harry supôs que alguém em contato com a natureza seria do tipo zen.

Faith Summer era o oposto, ela também era branca, mas baixinha, loira e cheia de energia ansiosa. Seu aperto de mão era firme e agitado, sua expressão séria, quase tensa e seus ombros se mantinham erguidos como se tentasse parecer mais alta. Harry gostou dos dois, mas, enquanto um parecia viver em eterna paz, o outro parecia angustiantemente ansiosa. No entanto, pareciam se dar bem e Harry teve a impressão que gostavam de trabalhar juntos, o que o agradou muito.

— Sr. Potter, Falc nos contou que a ideia das Feiras foi do senhor e passei o último mês debruçada sobre os números. — Disse Faith direta, assim que se sentaram na mesa de reunião.

— Srta. Summer, apenas Harry, por favor. Eu posso ser seu chefe, mas sou muito jovem para ser chamado de senhor, além disso, toda essa formalidade é desnecessária. — Disse Harry suavemente.

— Bem, se vamos ser informal, pode me chamar de Faith, então. — Disse ela sorrindo, mas ele só durou um segundo, séria e tensa, Faith continuou. — Em teoria, as Feiras de vendas estão ultrapassadas, cada vez mais o mundo segue na direção de grandes shoppings, hipermercados, alimentos rápidos e industrializados. Existem alguns nichos em que as Feiras ainda se mantêm vivas e com relativo sucesso. Cidades pequenas ou vilas rurais, por exemplo e comunidades naturalistas que estão crescendo a cada dia devido à preocupação com contaminação dos alimentos por agrotóxicos químicos. E, felizmente, no mundo mágico temos uma cultura que é uma combinação disso tudo e nos permite acreditar que as Feiras poderão ser um sucesso.

— Ok. — Harry absorveu essas informações. — Porque tenho a sensação de que existe um, mas, em seu discurso?

— Essa impressão se dá por causa dos custos. — Faith disse e olhou para Falc e Sirius.

— Harry, os investimentos iniciais com a contratação e abertura de todas as 18 fazendas foram astronômicos. — Disse Falc preocupado. — Estamos pagando um salário razoável, mas, acima do mercado, estamos comprando sementes naturais de alta qualidade e a produção seguirá a linha natural.

— Sempre foi assim que minha família produziu, sem magia para acelerar o crescimento dos alimentos. — Harry disse com firmeza. — Não mudarei isso e entendo...

— Desculpe, Harry, mas acredito que não entenda. — Faith disse parecendo muito ansiosa, talvez por interrompê-lo, discordar dele ou pelas coisas negativas que pretendia dizer. Ou, talvez, fosse tudo isso junto. — Esse são apenas algumas das despesas esperadas, ainda tem os custos inesperados que não sabemos nada porque..., bem são inesperados. Temos a construção e manutenção das Feiras, mais empregados para o trabalho de venda e temos que pensar em propaganda e tem que ser uma pesada. A novidade pode ser interessante, mas poderá não atrair os clientes a ponto de tirá-los de sua rotina, viver uma aventura rural e, ainda, comprar produtos muito mais caros. Os custos de divulgarmos os benefícios de se comer alimentos naturais poderão extrapolar em muito a possiblidade de lucro. O que quer dizer que, em poucos meses, podemos ter toneladas de alimentos e não ter para quem vender ou até vendê-los, mas, sem lucro algum.  

Harry se recostou na cadeira e a analisou pensativo, mas, antes de responder, olhou para Francisco.

— O senhor concorda com a Faith, Sr. Andrade? — Perguntou curioso e viu seus olhos castanhos escuros brilharem de diversão.

— Eu serei sincero em dizer que não entendo nada de números, além de que, dinheiro e lucros pouco me interessam. — Disse Francisco suavemente. — Por favor, me chame de Francisco, gosto da ideia de sermos informais. Sobre sua pergunta, Harry, acredito que Faith está certa em dizer que temos um problema, mas, não penso que isso deve nos impedir de realizar o que pretendemos. Apenas, temos de ser criativos e encontrar uma solução. Mudas enxertadas, por exemplo, algo muito utilizado em meu país, que tem muitas bocas para alimentar e pouca comida. Se tem algo que nos torna criativos, é a fome.

Harry acenou engolindo em seco e desviou o olhar quando Neville perguntou antes dele.

— O que são mudas enxertadas?

— Mudas enxertadas são aquelas que passaram pelo processo de enxertia, que é uma técnica frequentemente utilizada em mudas frutíferas e sementes por diversos motivos. Desde acelerar o crescimento da muda, facilitar sua propagação, criar resistência a ambientes em que têm dificuldades em se desenvolver, até para restaurar plantas que foram danificadas. — Explicou Francisco em seu tom sereno, mas os olhos brilhando de prazer por falar sobre o que amava.

— Mas como é feito? — Neville estava ávido para aprender.

— Esse procedimento é a união de tecido de duas plantas diferentes que continuam seu crescimento como se fosse uma única planta. Sendo a planta que servirá de base para a nutrição mineral e o sistema radicular denominada de cavalo ou porta-enxerto. Já a planta que se deseja reproduzir pelas suas características nobres é chamada de cavaleiro ou enxerto podendo ficar exatamente em cima ou na lateral, dependendo da técnica escolhida. O cavaleiro formará a copa e frutificará, também é responsável pela fotossíntese essencial para a sobrevivência da planta.

— Uau! Isso é incrível. — Disse Neville entendendo tudo o que era dito, os outros acenaram levemente confusos, Sirius e Falc franziram o cenho. — Quaisquer tipos de plantas podem ser utilizados?

— Antigamente e entre os trouxas, é mais comuns plantas frutíferas e ou árvores, mas os bruxos brasileiros desenvolveram técnicas para o enxerto de sementes também. — Contou Francisco com um grande sorriso. — As espécies escolhidas para a enxertia devem apresentar características físico morfológicas similares, sendo, preferencialmente, da mesma família e gênero com base em sua classificação botânica. Essa seleção é essencial, contudo não exclui a possibilidade de que a enxertia seja feita entre espécies de famílias e gêneros diferentes

— E isso acelera a produção dos alimentos naturalmente? — Harry perguntou antes que o amigo fizesse mais perguntas.

— Sim, é um procedimento natural e acelera a produção dos alimentos, na verdade, se feito corretamente deve diminuir 30% o tempo para a colheita. — Francisco respondeu.

— Isso é incrível, mas acelerar a produção em 30% só nos permite ter, mais rapidamente, alimentos caros que precisam ser vendidos porque não podemos preservá-los magicamente por muito tempo sem comprometer o sabor e nutrientes. — Disse Faith séria. — E, isso não impede que eles sejam caros.

— Com mais produto no mercado o preço cai naturalmente, Faith, isso até eu sei. — Francisco disse com um sorriso.

— Não o suficiente para sermos competitivos com os produtores já estabelecidos. — Faith insistiu.

— Mas nós venderemos nossos próprios produtos, por isso as Feiras, para que eles não sejam revendidos e encarecidos. — Harry apontou. — Essa é uma solução, Francisco tem outra e nós temos algumas ideias também. Tenho certeza que, se encontramos soluções criativas e inteligentes, poderemos baratear os alimentos.

— Bem, eu fiz alguns cálculos e percebi que os nossos maiores gastos são com pessoal, a folha de pagamento é astronômica. — Faith pegou uma pasta. — Fiz um relatório e acredito que podemos diminuir os custos com o corte de pessoal.

— O que? — Harry se indignou na hora.

— Até estarmos estabelecidos no mercado, Harry. Não podemos acelerar a produção com magia, mas podemos fazer muitos outros trabalhos nas fazendas com ela e, assim, diminuir o número de funcionários. — Faith disse objetivamente. — O potencial da Feira é enorme e, no futuro, contrataremos esses e mais ainda mais pessoas, mas acredito que, agora, esses cortes seriam indispensáveis para o sucesso das Fazendas.

— Faith... — Falc disse acenando negativamente. — Isso...

— Nunca irá acontecer. — Disse Harry com certa frieza. — O objetivo todo de reabrir as fazendas é para gerar empregos e acabei de contratar todas essas pessoas...

— Se tivesse contratado um administrador antes de fazer isso, ele não permitiria esse movimento, pois veria que, para o estabelecimento das Feiras no mercado, essas contratações são uma péssima decisão. — Disse Faith direta e Harry suspirou, estava começando a perceber que não gostava de ser interrompido.

— Faith, daremos um jeito, pensaremos em outras soluções, na verdade, temos algumas ideias, mas não demitirei aquelas pessoas. — Harry disse a encarando com firmeza. — Eu me encontrei com cada uma delas, apertei suas mãos, conversei sobre o futuro. Eles estão todos esperançosos e motivados, não vou traí-los e jogá-los fora, só porque as coisas estão difíceis.

— Eu entendo. — Faith disse erguendo a mão em autodefesa. — Eu sou má, os administradores são sempre maus porque não pensam em ajudar ninguém, mas, esse é meu trabalho, Harry. Isso é uma empresa e não uma ONG que faz caridade, se não cortar pessoal, as chances de sucesso e, por consequência, os lucros, diminuem...

— Chega. — Harry disse com ainda mais frieza. — Preste atenção, que bom que é boa em seu trabalho e espero que use o seu talento para nos encontrar soluções para economizar, lucrar e crescer, mas, também quero que seja e pense além, em pontos importantes como, por exemplo, preservação da natureza e qualidade de vida no trabalho para os empregados. Existem muitas empresas e chefes por todo o mundo, Faith e cada um tem uma definição de sucesso. Vou lhe dizer apenas uma vez, a minha definição não é o lucro, para mim isso é apenas uma consequência que, acredito, poderemos alcançar e trabalharemos para isso. Sem sacrifícios. — Harry a viu empalidecer e depois corar levemente, mas não se arrependeu. — Minha família é muito rica e posso lhe contar a história de cada um dos meus antepassados, sobre como eles ajudaram a construir o mundo mágico e aumentaram nossa fortuna. E, eles fizeram isso ajudando outras pessoas e nunca exploraram ou abandonaram ninguém. Isso não mudará comigo como o chefe da Família Potter. Entendido?

— Sim, lamento. — Disse ela muito ansiosa.

— Não precisa se desculpar, é o seu trabalho e duvido que essa será a última vez que discordamos. — Harry disse sorrindo. — Como eu disse, temos algumas ideias, mas antes, quero discutir os custos de propaganda.

— Oh! Eu tenho os números, os gastos com anúncios de jornais, rádios, folhetos, cartazes serão bem altos, infelizmente. — Disse ela lhe oferecendo um relatório, que Harry abriu e leu brevemente, felizmente era bem concisos, afinal, eram praticamente só números.

— Ok, são altos, até porque você propõe uma overdose de anúncios e folhetos. — Harry disse surpreso.

— Bem, como disse antes, precisamos convencer as pessoas a mudarem suas rotinas, comprarem em outro lugar. Não estamos falando de um novo sapato ou vestido, alimentos são algo que uma família consome em grande quantidade e, por isso mesmo, as compras são basicamente semanais. — Faith apontou com inteligência. — O nosso público alvo está costumado a comprar em um lugar e de uma maneira, portanto, precisaremos convencê-los que comprar em uma Feira no campo é o que eles querem e precisam, assim, os faremos escolher pela mudança.

Harry acenou entendendo que a competente administradora se adiantara e fizera muitas pesquisas sobre o Marketing das Feiras. Sr. Edgar lhe dissera que Faith era perfeita para administrar as Fazendas e Feiras, Harry estava começando a entender o porquê.

— Ok, existem dois pontos que acredito ajudarão com esses custos. — Harry disse e, tirando o cartão que Falc lhe entregara mais cedo, estendeu-o a Faith. — Nós temos nossa própria gráfica para a impressão de todos os materiais de propaganda que as Feiras precisarão com o custo básico, ou seja, pagaremos apenas pelo valor dos materiais usados, papel, tinta e assim por diante. Abrimos a empresa há 3 semanas no mundo trouxa, já estamos produzindo e, em breve, estaremos trabalhando no mundo mágico também.

— P&R Graphic? — Faith disse surpresa. — Você abriu sua própria gráfica para poder economizar com os custos de propaganda? Isso é brilhante! E ainda poderá ter lucro com uma nova empresa!

— Essa é a ideia. — Harry disse sorrindo e olhando para Sirius que sinalizou positivo. — Como tínhamos pressa, nós entramos em contato com a GER e apresentamos o projeto, eles também ficaram muito animados com a ideia de terem sua própria gráfica, pois têm gastos exorbitantes com material de impressão para as novas lojas do Beco. Eles fazem muitos folhetos, catálogos para os clientes levarem para casa, cardápios e tal. Assim, a GER concordou com uma sociedade e compramos uma gráfica já existente no mundo trouxa com todos os equipamentos necessários, pessoal especializado e um gerente muito competente. Também alugamos 2 prédios da GER no Beco que estão sendo reformados e, em breve, teremos a P&R Magic Graphic, a filial mágica da empresa.

— Nossa! — Faith tinha os olhos arregalados e iluminados.

— Estamos procurando funcionários com conhecimento na área e que sejam bruxos com interação no mundo trouxa, mestiços ou nascidos trouxas. — Falc disse objetivamente. — A GER tem um departamento de contratação de funcionários, assim, deixamos isso por conta deles e estamos focando na reforma dos prédios e aquisição dos equipamentos.

— Todos os nossos trabalhos serão feitos com materiais reciclados e reciclaremos nosso próprio papel, por isso que precisamos dos 2 prédios. E, a filial trouxa já começou a expansão para abranger a área de reciclagem que está em grande crescimento no mundo trouxa. — Completou Harry com um sorriso.

— Bem, Faith, acredito que poderá ficar mais otimista agora. — Disse Francisco muito impressionado.

— Preciso refazer essas contas.... — Disse ela parecendo frenética enquanto recalculava tudo. — Sim... em teoria, devemos ter uma economia de... 45%! — Seu sorriso era de puro espanto. — Isso não resolve tudo, claro, pois é apenas os custos com propaganda, mas... 

 — Bem, sobre isso, acredito que podemos reduzir os números na produção também. — Harry disse ansioso para expor suas ideias. — Neville e eu temos algumas ideias, estamos pesquisando maneiras de melhorar os adubos naturais para que eles acelerem a produção e tornem os alimentos mais fortes.

— Sim. — Neville sorriu timidamente. — Estamos fazendo um projeto na escola que tem como objetivo melhorar os adubos e nos focamos nos naturais.

— Os adubos ou poções que induzem magicamente os alimentos não nos interessam, claro. — Harry disse suavemente. — Estivemos também estudando tipos de terras, as que tem mais nutrientes e como podemos combinar com os adubos que estamos produzindo.

— Espere. — Francisco parecia interessado, mas confuso. — Nós compramos os adubos naturais e preparamos a terra com cuidado para o plantio, vocês acreditam que desenvolveram técnicas melhores?

— Bem, ainda estamos em fase de testes e serão alguns meses antes de termos respostas. — Harry olhou para o Neville, os dois decidiram não falar nada sobre as Hecatitas. — Mas estivemos pesquisando métodos mágicos e trouxas, nos surpreendeu em como os trouxas estão evoluindo. Como dito por Faith, existem uma comunidade naturalista crescendo no mundo trouxa e seus métodos de plantio e proteção dos alimentos orgânicos são muito inteligentes.

— O que pensamos foi em unir os métodos, mágicos e trouxas, para avançarmos ainda mais. Por exemplo, no mundo mágico, os adubos e suas matérias primas são conservados em sacos de estopa claro, mas, no mundo trouxa, eles ficam em sacos pretos ou verdes escuros, pois foi descoberto que ao ficarem em sacos escuros se conservam mais porque estão menos expostos ao sol. — Neville como sempre estava em seu elemento. — Terras pretas, por exemplo, foi descoberto que elas têm um grande número de material orgânico, isso as tornam a melhores terras para plantar e com o custo benefício melhor, porque se utiliza menos adubos por metro quadrado... — Ele continuou explicando em detalhes cada aspecto que eles descobriram nos últimos meses, as deficiências e descobertas de cada mundo.

— Muito interessante. — Francisco anotou algumas coisas e autores que eles mencionaram terem lidos. — Unir os métodos trouxas e mágicos, claro, isso é muito esperto porque os trouxas são muito inteligentes. No Brasil, não é incomum ir ao mundo trouxa em busca de conhecimento, vivemos de maneira muito simbiótica e não tão separada como aqui no Reino Unido. No entanto, não tinha me ocorrido pesquisar os novos métodos que os agrônomos e cientistas trouxas estão descobrindo.

— No mundo todo tem coisas novas e esse conhecimento está disponível para nós. — Harry disse com entusiasmo. — Também decidi que produziremos nosso próprio adubo orgânico, quero que estufas sejam construídas e que a combinação dos métodos trouxas e mágicos sejam unidos para produzir os melhores adubos, que nos ajudarão a produzir os melhores alimentos e em um tempo mais competitivo.

— Isso é brilhante! — Faith disse e pegando seus papeis começou a fazer contas outra vez. — Sim, sim, se produzirmos os adubos com matéria prima disponível nas fazendas podemos ter uma grande redução nos custos, pelo menos 20%. Harry, com tudo isso, me sinto um pouco mais otimista. — Ela sorria mais livremente e Harry retribuiu.

— Bom, porque precisamos acreditar no que estamos fazendo. — Harry olhou para Sirius e Falc que também sorriam. — Acredito que precisamos tomar algumas decisões sobre as Feiras e como as divulgaremos. Decidi que eu devo dar uma entrevista, antes da inauguração, e promover os nossos produtos naturais de alta qualidade.

Isso surpreendeu seu padrinho, Falc e Neville.

— Você tem certeza? — Falc o questionou.

— Harry, não precisa fazer isso... — Sirius protestou.

— Preciso sim, são minhas fazendas e minhas Feiras, minhas ideias, meus funcionários. — Harry disse com firmeza e percebeu o olhar confuso de Faith e Francisco. — Eu não gosto de usar minha fama para promoção pessoal ou coisas assim, mas, acredito que neste caso é diferente. Eu sou o herdeiro Potter, Sirius e eu temos planos de voltar a frequentar a sociedade bruxa, promover festas e bailes. Aceitaremos convites e, como disse a Sra. Clark uma vez, são nas festas que se fazem negócios e não nas salas de reuniões. Quero participar da promoção das Feiras e dos nossos produtos naturais e, se isso levar mais pessoas a se tornarem nossos clientes ou apenas visitarem as Feiras na inauguração, tudo bem para mim. — Harry olhou para Sirius e Falc. — Estaremos ofertando bons produtos por bons preços e ajudando o mundo mágico a crescer, não é promoção pessoal ou com o objetivo único de obter lucro.

— Eu concordo. — Falc disse e Sirius acenou. — Se estiver disposto, acredito que é algo positivo e justo de se fazer.

— Precisamos apenas receber os clientes com muito carinho e competência, pois assim, voltarão e as Feiras serão um grande sucesso. — Disse Harry e viu a Faith fazendo mais cálculos.

— Hum... minhas estimativas para os custos com marketing diminuem em pelo menos mais 30% se Harry Potter for a cara das novas Feiras. — Disse ela concentrada. — E, isso é uma estimativa, pode ser mais, precisaremos agir com muita inteligência. Entrevistas nos jornais e nas rádios às vésperas da inauguração e, claro, o seu comparecimento no dia será muito importante.

— Se Harry for participar de todos esses compromissos, a inauguração terá que ser no verão. — Falc opinou.

— E, se for no verão precisaremos de produtos disponíveis em grande quantidade. — Sirius disse e olhando para Francisco, continuou. — Quais são as estimativas para a colheita dos produtos?

— Fim da primavera teremos 75% de todos os tipos de produtos colhidos e 100% até meados de agosto. Temos também alguns produtos da estação, que só serão colhidos no outono e inverno, claro, mas esses são minoria. — Francisco explicou serenamente.

— Será que se iniciarmos imediatamente a produção do nosso adubo, com as melhorias técnicas e de qualidade, não poderíamos colher 100% de todos os diversos alimentos que produzimos até o fim da primavera? — Harry questionou suavemente.

— Sim, mas isso não seria inteligente, na verdade, o ideal é termos produtos que são colhidos em tempos diferentes. — Francisco explicou. — Se colhermos 100% de todos os produtos, teremos que acreditar que venderemos tudo na inauguração ou duas semanas depois das Feiras estarem abertas e me parece mais inteligente colhermos os produtos em um esquema de tempos, assim sempre teremos alimentos frescos.

— Claro! — Neville disse sorrindo. — Se cada uma ou duas estufas forem colhidas a cada duas semanas, sempre haverá produtos para abastecer as Feiras, porque a temperatura nas estufas se mantem o ano todo.

— Sim, já iniciamos assim, plantando em tempos diferentes e temos um esquema de tempo de 6 meses, mas talvez, com suas ideias, poderemos reduzir esse tempo, teremos mais produtos e variedades, além de qualidade. — Francisco sorriu e parecia muito animado, ainda que se mantivesse totalmente zen.

— Bem, precisamos chegar a uma data, então... — Falc se inclinou e a reunião prosseguiu por mais uma hora enquanto definiam datas e planejavam os detalhes.

— Sem querer ser pessimista, Harry. — Disse Faith do seu jeito tenso. — Acredito que precisaremos de uma gerente que cuide só das Feiras, sabe, da logística e dos funcionários. Assim, posso me focar na administração financeira das Fazendas e Feiras.

— Parece justo, afinal temos um gerente em cada fazenda. — Disse ele e olhou para o Sr. Falc. — Um gerente para todas a Feiras é o suficiente?

— São apenas seis Feiras e elas têm uma carga de trabalho consideravelmente menor do que uma fazenda, assim, acredito que um gerente é suficiente. — Respondeu Falc e todos concordaram.

— Mas, precisamos de pelos menos um assistente. — Faith disse ansiosa. — Não precisamos de uma secretária para cada um, mas, se tivéssemos uma, poderíamos dividir entre nós dois e o gerente das Feiras.

— Ok, isso é bom, mais duas vagas de empregos são bem-vindas. — Disse Harry contente. — E sobre o mercado em Hogsmeade? Temos algum avanço?

— Sim. — Sirius foi quem respondeu. — Descobri que a casa dos gritos e terrenos adjacentes pertencem a Hogwarts que, claramente, não os utilizam, assim, pretendo fazer uma oferta. Estou apenas pesquisando os valores do mercado imobiliário na região, mas, sinceramente, acredito que poderemos comprar por um bom preço.

— Quem vende? Dumbledore? — Neville perguntou suavemente.

— Não, essa é uma decisão do conselho de governadores e acredito que eles estarão dispostos a vender e reverter o dinheiro em melhorias para Hogwarts. — Sirius parecia animado.

— E sobre o Sr. McNash?

— Não o procuraremos até que tenhamos efetuado a compra e com um projeto sólido, Harry. — Explicou Falc seriamente. — Não sabemos de sua reação e não podemos permitir que nossos planos vazem. Na verdade, é fundamental mantermos as Feiras e o mercado em Hogsmeade em segredo o maior tempo possível.

— Sim, pois seria terrível se a concorrência descobrisse e saísse na frente, fazendo Feiras em suas fazendas ou algo assim. — Disse Faith com expressão pessimista.

— Bom, vamos manter o sigilo até que comecemos a divulgação. Apenas, espero que consigamos inaugurar o mercadão ao mesmo tempo que as Feiras. — Disse Harry e os viu acenar, pois esse movimento era o ideal. — E como estão as fazendas? Tudo indo bem com a produção e pessoal?

— Sim. — Francisco respondeu e Faith acenou, seus ombros ficando mais tensos. — Temos gerentes e trabalhadores muito competentes, animados e dispostos.

— Sim, eles são incansáveis e tem realizado um excelente trabalho, Francisco estipulou algumas metas e eles cumpriram com folga. — Disse ela e Harry sorriu, porque Faith não conseguia disfarçar que algo não estava tão bem.

— Mas? — Ele questionou levantando a sobrancelha.

— Oh! Não é nada demais... — Afirmou ela corando levemente.

— Bem, é alguma coisa, ou não estaria tão tensa. — Disse Harry suavemente.

— Ela está sempre tensa e ansiosa, Harry, já ofereci para lhe ensinar meditação e yoga, mas Faith se recusou. — Francisco disse divertido e sereno.

— Eu mal consigo ficar sentada em uma reunião com meu chefe sem perder minha mente, imagine fazer meditação. — Faith considerou com uma careta.

— Pois acredito que deveria tentar, a meditação foi uma das melhores coisas para mim, ajudou a controlar meu temperamento, com os pesadelos e concentração. — Harry afirmou e viu seu olhar surpreso. — Agora, me conte o que a está incomodando, como poderei ajudar se não souber o que é?

— Bem, o problema não é o que e sim, quem. — Disse ela e olhou para Francisco que acenou. — Tivemos alguns problemas com um dos gerentes...

— Ah! Deixa eu adivinhar! O Sr. Graham, gerente da Fazenda Godric não gostou de vocês. — Harry disse cruzando os braços e olhando para o Sr. Falc com as sobrancelhas.

— Sim, exato. — Faith e Francisco pareceram surpresos. — Infelizmente, ele não parece muito disposto a seguir novas ideias, quer fazer do seu jeito.

— Conseguimos contornar por enquanto e acredito que, com paciência, poderemos mostrar a ele que nossas ideias são o melhor para a Fazenda. — Disse Francisco serenamente e Harry se perguntou se ele, alguma vez, perdeu a calma.

— Duvido, Francisco, por mais que queira ser otimista, conheço tipos como o Sr. Graham e ele não mudará. — Harry disse irritado. — Aposto que não gostou de vocês porque são jovens, porque Faith é mulher e você, estrangeiro.

— Bem, isso resume bem a situação. — Disse Francisco o olhando com atenção. — Já tinha percebido sua inteligência, Harry, agora percebo que também é um bom conhecedor do ser humano.

— Bem, como disse o Francisco, por enquanto, estamos contornando a situação... — Faith fez uma careta, antes de admitir. — Francisco é um monge e está lidando com isso, na verdade, tenho evitado o Sr. Graham sempre que possível.

Harry não disse nada e voltou a encarar e Sr. Falc, que suspirou cansado.

— Eu sei, entendi. — Falc ergueu a mão em autodefesa. — Prometo que estarei atento a situação e, se necessário, conversarei firmemente com o Sr. Graham.

— Você também teve problemas com ele, Harry? — Neville perguntou.

— Sim, além de me ignorar e me tratar como uma criança de 5 anos, Sr. Graham praticamente chamou meu pai de punk preguiçoso e inconsequente. — Harry explicou e viu o rosto do amigo escurecer. — Por mim o teria demitido, mas...

— Eu acredito que ele é um gerente competente e, como você disse, acabamos de contratar e até que um problema maior que antipatia surja, devemos mantê-lo. — Falc falou seriamente. — Mas, prometo ficar atento. Ok?

— Ok. — Harry bagunçou os cabelos. — Se a situação se complicar, podemos aposentá-lo ou lhe dar outra função, não precisamos despedi-lo.   

— Combinado. Bem, chegamos a uma data para a inauguração das Feiras e avançamos na organização. — Disse Falc com suas próprias anotações. — Uma secretaria me parece uma ótima ideia.... Então, mais alguma coisa?

Todos acenaram negativamente e se despediram. Neville e Harry foram levados por Sirius para almoçar no The Bar, onde pediram um grande e gordo hambúrguer com bacon. Falc voltou ao trabalho, pois tinha que organizar os documentos para a reunião com o Sr. Brand.

— Isso é incrível. — Disse Neville encantado com o lanche.

— Sim. Os trouxas tem uma comida fantástica. — Disse Sirius e olhando para o afilhado, comentou. — Achei que foi muito bem na reunião, gentil e firme, Francisco e Faith ficaram impressionados e confiantes.

— Tenho a impressão de Faith nunca se sentirá confiante sobre nada na vida. — Harry brincou e eles riram. — Estou aprendendo muito, com o Sr. Chester, Sr. Falc, mesmo a Sra. Clark e todos os associados e, claro, com o Sr. Edgar. Preciso que todos os funcionários e, principalmente, meus administradores entendam que lucro não é nosso objetivo principal.

— Eu acho que isso é algo que não precisa se preocupar, todos os seus empreendimentos serão lucrativos, não tenho dúvida sobre isso. — Disse Sirius pensativo. — Eu que preciso de tempo para pensar em expandir os meus negócios, Edgar tem muitas ideias, mas, com a GER, ele admite que não tem conseguido mais do que administrar minhas Fábricas.

— Bem, contrate um segundo administrador ou um gerente de projetos... — Harry olhou para o relógio do pulso e suspirou. — Por falar nisso, preciso ir se quiser terminar a reunião com a Sra. Clark antes do chá com o Sr. Brand.

— Ok, acompanho você. — Sirius disse se levantando e pagando a conta.

— Eu usarei o flu da recepção. — Neville disse sorrindo. — Pretendo passar a tarde com meus pais, Harry e estarei presente para as assinaturas mais tarde. OK?

Harry acenou e eles se separaram, Sirius o deixou em frente a reconstruída Editora Aprilis e lhe desejou boa sorte.

Sra. Clark o recebeu imediatamente e Harry ficou feliz ao ver que era só os dois. Essa primeira reunião não seria focada em números, por isso, Harry não trouxe o Sr. Falc.

— É maravilhoso revê-lo, Harry, você me parece muito bem. — Disse ela gentilmente depois que a secretaria lhes serviu um suco.

— A senhora também. — Harry disse sorrindo e se perguntando se deveria elogiar seu vestido, corando um pouco acrescentou. — Na verdade, a senhora sempre parece muito bonita.

Sra. Clark riu e gesticulou com a mão.

— Galanteador. Tenho pena das meninas em um ou dois anos, estarão caindo aos seus pés.

Harry corou ainda mais com ao pensamento assustador.

— Estava muito ansioso por nossa reunião desde que recebi sua carta, Sra. Clark. Sinto-me muito orgulhoso e feliz com a publicação do trabalho da minha mãe e espero que possamos tornar isso uma realidade. — Disse Harry decidindo se manter em um assunto seguro.

— Eu também. Desde que li o livro soube que era uma obra especial e queria muito ter a honra de publicar. — Sra. Clark parecia emocionada. — Quando abri a Editora no mundo mágico, sabia que, por ser nascida trouxa, teria pouco lucro, mas, quis fazer isso mesmo assim porque, queria a chance que ajudar pessoas talentosas que não tem oportunidades. E, um trabalho tão incrível feito por uma mulher tão especial, jovem e talentosa como Lily Potter é ainda mais do que eu esperava, Harry. Me sinto verdadeiramente honrada.

Harry acenou emocionado também.

— Minha mãe era muito especial e talentosa, Sra. Clark e tenho certeza que aonde está, ela aprova a publicação dos livros. — Harry pousou o copo na mesa. — No entanto, eu quero mais do que publicar seus livros, quero transformar o seu trabalho em um marco, que faça parte da história dos estudos de Poções e, principalmente, que traga benefícios ao mundo mágico.

— Isso é muito bonito de você e acredito que podemos fazer tudo isso. — Sra. Clark acenou para o livro. — O conteúdo por si só, é o principal fator, mas também faremos um excelente trabalho com a edição, publicação e divulgação. Quero que conheça o Mestre de Poções, Sr. Edward Connor, se gostar dele, o que acredito que acontecerá, poderemos contratá-lo para ser o editor técnico. Basicamente, ele classificará as poções como descrevi em minha carta, autentificará as correções de sua mãe, o que será legalmente necessário, pois um Mestre de Poções precisa apoiar as descobertas de Lily. Ele também pode escrever uma explicação técnica sobre a classificação das poções em 4 livros diferentes e fazer a finalização do último livro com as profissões que exigem um NEWT em Poções.

— Ok. — Harry acenou pensativo, ter um Mestre de Poções abalizando os livros de sua mãe lhe parecia muito inteligente, além de legalmente obrigatório.

— Seu nome, caso ele exija pode aparecer na capa como um colaborador e apenas isso, ele não seria apresentado como autor ou coautor do livro. — Esclareceu ela suavemente. — Também pensei em chamar um Mestre em Herbologia para abalizar e fazer o mesmo trabalho do Sr. Connor, no livro sobre ingredientes de poções. A edição técnica do sumário de ingredientes poderá ser feita pelos dois Mestres. — Harry voltou a acenar concordando. — Por último, pensei em fazermos um Prefácio em cada um dos livros. Convidamos alguns bons amigos de sua mãe para dizer algumas palavras sobre ela, falar sobre suas amizades, sua personalidade, como uma espécie de homenagem.

Harry acenou e sua mente pipocou as pessoas que se sentiriam felizes em fazer essa homenagem.

— Ok. Eu gosto de tudo.

— Sobre a divulgação, acredito que devemos fazer com muita delicadeza e bom gosto porque não quero, de maneira alguma, explorar a memória da sua mãe vulgarmente. — Disse a Sra. Clark com sensibilidade. — Claro que o fato de a autora ser Lily Potter, terá um impacto, gerará comentários, reportagens e vendas, naturalmente, mas não forçaremos ou focaremos nisso e sim na pessoa talentosa que ela era e sua obra fantástica.

— Isso é importante para mim, Sra. Clark, depois de tudo o que aconteceu com toda a história absurda dos livros falsos sobre mim e minha vida, não quero que tudo vire um circo sobre uma pessoa morta. — Harry disse e apertou as mãos, tenso com o pensamento. — Gostaria que o tema e a energia que passemos na divulgação seja sobre a vida dela, sua personalidade e talento. Quero que foquemos... — Harry hesitou e seus olhos brilharam com lágrimas. — Ela recebeu sua carta aos 11 anos, descobriu que era uma bruxa e veio para o mundo mágico cheia de sonhos e esperança. Ela aprendeu magia e minha mãe amava aprender, ela fez amigos e se apaixonou, se tornou mãe e deu a vida dela por mim, para que eu sobrevivesse. Assim, minha mãe não morreu completamente naquela noite, Sra. Clark, ela ainda vive, em mim, em sua obra e na realização dos sonhos de jovens estudante nascidos trouxas. É nisto que devemos focar, na vida e nos sonhos realizados.   

Sra. Clark acenou emocionada e usou um lenço para limpar os cantos dos olhos elegantemente.

— Isso é muito bonito e verdadeiro. Acredito que devemos acrescentar um segundo Prefacio com algumas palavras suas sobre a sua mãe, como uma nota de agradecimento e declaração de amor. — Disse ela com um sorriso suave. — Repetimos a mensagem em todos os livros e também podemos fazer isso, focar nos nascidos trouxas, em suas esperanças e sonhos quando vem ao mundo mágico. A história de sua mãe é a mesma de milhares de bruxos e será uma homenagem bonita.

Sra. Clark lhes pediu água e um chá, depois que a secretaria saiu, voltaram as questões.

— Bem, temos que considerar o que faremos para o livro se torne acessível para os estudantes do mundo mágico, assim, mesmo que não estiverem na lista de Hogwarts, farão parte das compras dos estudantes. — Disse ela objetiva. — Temos gastos básicos, os editores técnicos são um deles, a gráfica e a divulgação, além de, claro, a possibilidade de uma margem de lucro para a Editora e você, mesmo que pequena.

— Adorei a ideia de usar os livros do Harry, o Aventureiro, acredito que reciclar é o melhor a se fazer com esses livros. Quanto livros foram recolhidos ao fim da campanha? — Harry perguntou ansioso.

— Muito mais do que esperávamos, porque recebemos os livros particulares, os das livrarias de todo o Reino Unido, até mesmo algumas do continente. — Harry arregalou os olhos surpreso. — Sim, recebemos uma visita da França e eles fizeram questão de devolver tudo sem exigências de compensações. Parece que pretendem, eles e muitos outros, processarem a Editora Charmel, os donos estão escondidos e a empresa nunca voltou a abrir. A própria editora nos enviou os livros que estavam na gráfica e tudo somado chegamos a um total de 164 mil cópias.

— Nossa! — Harry arregalou os olhos chocado. — Mas, pensei que tínhamos apenas 18 mil no começo.

— Sim, mas as pessoas esperaram a confusão se acalmar e depois começaram a vir constantemente, além disso, muitos pais esperaram seus filhos chegarem de Hogwarts para as férias. — Explicou a Sra. Clark. — Antes do Natal o número de livros dobrou rapidamente, pois as pessoas queriam o dinheiro para gastarem nas novas lojas. Isso sem falar dos estoques das dezenas de livrarias.

— Isso é incrível, acredito que devemos ter recolhido quase tudo e isso me deixa feliz. — Harry suspirou satisfeito. — Quantos livros da minha mãe podemos fazer ao reciclar todos esses do Harry, o aventureiro?

— A estimativa é de pelo um terço, Harry e esses são números incríveis, claro, projetando que os livros serão o sucesso que esperamos. — Disse ela animada.

— Bem, eu tenho algumas ideias. — Harry disse e a Sra. Clark acenou o incentivando. — Eu gostei muito da ideia de termos algumas pessoas escrevendo um prefácio nos livros, falando sobre a minha mãe e tenho alguns nomes. Sobre quem poderia ser o Mestre de Herbologia para abalizar o livro de ingredientes, poderíamos convidar a Prof.ª Sprout e pedir a ela que faça o prefácio nesse livro também.   

— Essa é uma ótima ideia. — Sra. Clark pegou uma elegante caneta e fez algumas anotações. — Quem mais você sugere?

— Bem, para o primeiro livro, acredito que seu professor de Poções, nosso atual professor, aliás, Horace Slughorn. — Harry a viu acenar e anotar. — Ele me disse em diversos momentos que mamãe era sua aluna preferida e foi o Prof. Slughorn quem lhe ensinou os primeiros passos em Poções e acompanhou toda a sua carreira escolar.

— Isso é brilhante, aposto que ele terá lindas palavras a dizer sobre Lily e seu talento. E, iniciarmos com seu prefácio parece verdadeiramente inteligente e simbólico. — Disse ela sorrindo brilhantemente.

— Bem, depois, pensei que uma das amigas da minha mãe poderia falar algo sobre a amizade. Infelizmente, suas melhores amigas estão mortas ou desaparecidas, mas, tem duas pessoas que eram boas e queridas amigas dela, Maria MacDougal e a Sra. Serafina, que acredito poderiam ser escolhidas para escrever esse prefácio com propriedade. — Harry disse e a viu fazer mais anotações.

— Podemos pedir as duas, como um prefácio com duas assinaturas. — Disse ela e acenou com varinha para um livro da prateleira. — Veja, aqui neste livro temos isso. O primeiro escreve algumas linhas e assina, abaixo, temos outra pessoa que escreve seu próprio dizer e sua assinatura.

— Eu gosto, gosto muito e, isso resolve o próximo livro. Eu estava em dúvida entre os dois melhores amigos do meu pai na escola e que se tornaram família para minha mãe também, ao longo do tempo. — Harry explicou suavemente. — Meu padrinho, Sirius Black e Remus Lupin. Eles amavam minha mãe e a conheciam muito bem.

— Perfeito. E o último livro? — Ela continuou a anotar.

— Seu professor preferido e grande amigo, Filius Flitwick. — Disse Harry sorrindo e sabendo o quão honrado ele estaria por fazer parte deste projeto.

— Ora, isso parece muito simbólico, um professor no início, duas amigas e dois amigos no meio e, encerrando, outro professor. — Seu sorriso aumentou. — Maravilhoso, Harry.

Ele acenou e sorriu concordando, pois lhe parecia perfeito.

— Também gostaria de tentar incluir os livros na lista de Hogwarts, Sra. Clark. — Harry continuou. — Com a nova Associação de Pais, mudanças estão ocorrendo na escola. Temos novos zeladores, professores, disciplinas, atividades e, acredito que isso é só o começo. Serafina, é a Diretora da AP e uma das mudanças que eles propõem é a atualização do currículo de Hogwarts, além de mais disciplinas.

— Isso é fantástico! O currículo está além de atrasado e, se o Ministério for flexível quanto ao conteúdo ensinado, eles poderão introduzir alguns bons livros a nova lista. — Sra. Clark estava pensativa. — Infelizmente, os melhores livros são muito caros devido as taxas impostas para as edições e publicações que não seguem as censuras do Ministério. No entanto, se reduzirmos o valor final dos livros da sua mãe, poderemos solicitar que eles sejam indicados na lista, isso seria uma grande vitória, Harry.

— Bem... — Harry hesitou e sua expressão mudou sutilmente, se tornando mais determinada. — Não pretendo pagar as taxas extras ou permitir que os livros sejam censurados, Sra. Clark.

— O que? — Ela se mostrou surpresa.

— Pretendo usar todo o meu poder e influência para cancelar essa lei absurda. — Harry se inclinou para a frente. — Sr. Falc entrará com uma medida judicial solicitando que tenhamos o direito de publicar os livros sem censura ou taxas abusivas e acredito que vamos ganhar.

— Harry... — Ela parecia desconcertada.

— Está na hora, Sra. Clark, de lutarmos mais efetivamente e de dentro do Ministério, da Suprema Corte Bruxa para termos nossos direitos assegurados. Será uma briga dura e gostaria que a senhora me apoiasse. — Harry falou firmemente.

Ele esperou enquanto ela refletia, seu apoio era importante, mas Harry não deixaria de lutar por isso. Era uma questão de honra, não acatar essa lei absurda quando publicasse o trabalho de sua mãe, mas, ainda mais importante, era iniciar a luta contra as leis discriminatórias impostas ao mundo mágico. Harry acreditava que era o momento de iniciar essa caminhada, aproveitar que os ventos estavam favoráveis depois do ataque ao Beco e vencer essa primeira batalha. Muitas outras viriam depois e os nomes Potters, Blacks, Boots e Longbottom se uniriam para combater cada uma dessa leis.

— Estou surpresa, claro, mas, a perspectiva de lutarmos e mudarmos essa lei absurda... — Sra. Clark estava sem fôlego. — Seria incrível, Harry, absolutamente a realização de um sonho.

— Bem, vamos fazer isso, então, Sra. Clark, já temos um não e precisamos lutar por um sim. — Harry disse com um grande sorriso. — Eu também pensei que deveríamos colocar alguns desenhos nos livros.

— Desenhos? — Sua expressão se tornou pensativa.

— Sim, como os livros de Mason, sei que é ele quem faz seus próprios desenhos, mas, pensei que poderíamos encontrar um artista que fizesse nos livros da minha mãe também. — Harry pegou o livro de poções atual. — O livro de poções que utilizamos atualmente tem os erros que já conhecemos, mas também é enfadonho e com um texto confuso. Sei que pagar um desenhista seria um custo a mais, mas, acredito que valeria a pena, pois isso tornaria a aprendizagem mais interessante para os alunos.

— A questão não é apenas o desenhista, Harry, mas, ao acrescentarmos desenhos aos livros, aumentaremos os números de páginas e, isso, tornará os livros mais caros. — Disse Sra. Clark seriamente. — Se, em cada livro acrescentarmos 30 ou 40 páginas, gastaremos mais papel reciclado e, se acabar os que temos, precisaremos comprar mais. Também aumentaremos os custos na gráfica porque, o aumento do número de letras e desenhos, ampliará o seu serviço e gastos de materiais.  

— Oh... — Harry acenou pensativo. — Hum, bem, eu não quero encarecer demais os livros, principalmente, se não vencermos a disputa judicial, mas, gostaria de fazer algo assim. Primeiro, não precisa ser muitos desenhos, apenas algo que torne o livro mais interessante e ajude efetivamente os alunos como, por exemplo, a imagem da cor que a poção deve ter. A senhora não sabe como é difícil essa definição, azul cerúleo ou azul translúcido, verde musgo ou verde lamacento, branco perolado ou branco suave. — Harry fez um gesto com as mãos exemplificando sua própria frustração e a Sra. Clark riu divertida.

— Sim, eu me lembro disso, nunca era muito claro. — Ela o encarou com um brilho diferente. — As correções da sua mãe ajudam neste aspecto também, mas acredito que o seu objetivo é outro, certo?

— Sim. Claro que os primeiros e segundos anos se beneficiariam grandemente dos desenhos, mas, os anos mais velhos já teriam conhecimento o suficiente para não ser necessário. Principalmente se tiverem um bom professor. — Harry gesticulou e passou a mão pelo livro da sua mãe. — Apenas, quero que seja especial, que se torne um dos livros favoritos dos alunos, que os façam adorarem Poções e se divertirem ao prepará-las. As poções devem ser feitas com responsabilidade, mas, não tem porque não ser divertido e prazeroso. Acredito que se minha mãe pudesse ter se tornado a professora de Poções de Hogwarts, não haveria um aluno, em toda a escola, que não amasse suas aulas. — Harry se emocionou outra vez e pigarreou para afastar o bolo em sua garganta. — Desculpe, estou sendo tolo, sei que provavelmente é bobagem...

— Não, não é não. — Disse ela e apertou sua mão com carinho. — Ela é sua mãe, você a ama e quer homenageá-la de maneira épica, que marque a história.

— Sim. — Ele apertou sua mão de volta em agradecimento. — Ela era incrível, Sra. Clark, não falo isso porque era minha mãe, sabe. A senhora pode perguntar a qualquer um e eles lhe dirão como maravilhosa, bondosa e talentosa Lily Potter era. Se tivesse vivido, mamãe teria feito coisas incríveis para ajudar o mundo mágico, aposto que já teria criado novas poções.... Ah! Já lhe contei que ela também tinha um diário com novos feitiços? Todas criações dela! — Disse Harry com um sorriso orgulhoso.

— Ora! Não, você não me contou. — Disse ela sorrindo e incentivando a contar mais.

— Sim, ela também planejava publicar quando tivesse feitiços suficiente, mas... — Harry passou a mão pelos cabelos, ansioso. — Sua intenção era criar feitiços para ajudar os nascidos trouxas a se adaptarem ao mundo mágico e também para facilitar a vida no dia a dia. Ela tinha até a ideia de propor ao Ministério fazer uma lista de feitiços de baixa complexidade que poderiam ser permitidos, aos estudantes nascidos trouxas, usarem durante as férias. Sabe, feitiços de limpeza, de preservação dos alimentos, de climatização e temperatura, de costura e até de beleza e higiene.

— Isso é um projeto brilhante e tão pensativo da parte dela querer ajudar os nascidos trouxas, seus companheiros. — Sra. Clark também se emocionou. — Mesmo se não houverem feitiços suficientes para um livro, adoraria publicá-los se quiser. Você tem razão, Harry, em querer tornar sua obra inestimável e inesquecível.

Harry acenou e suspirou cansadamente.

— Sim, acredito que mais à frente, eu gostaria disso. Pretendo criar alguns novos feitiços também, já comecei na verdade e, talvez, possamos publicar o meus e os dela juntos no futuro. — Disse Harry com um sorriso suave.

— Espere. — Sra. Clark pareceu outra vez desconcertada. — Você está criando feitiços? Aos 12 anos? — Harry acenou timidamente. — Sua mãe ter alguns feitiços além dos livros de poções é impressionante, mas, alguém na sua idade.... Harry, tenho certeza de que é algo inédito.

— Bem, não é nada demais, realmente, Sra. Clark, foi apenas um feitiço e meio sem querer, sabe. — Disse Harry constrangido. — Professor Flitwick me disse que minha mãe era uma artesã de feitiçaria, que são bruxos com afinidades em Feitiços e Aritmancia, estudiosos que, com muita pesquisa, são capazes de criar ou modificar um feitiço.

— Fascinante. Lembro-me dessa aula, eram dois os tipos de bruxos com essa capacidade, o artesão e o criador, se não me engano. — Disse ela ao se lembrar de suas antigas aulas. — Você herdou o talento de sua mãe?

— Bem, sim, mas, eu sou um criador. — Explicou Harry.

— Ora! Mas eles são muito raros... quer dizer que você criou um feitiço por pura necessidade? — Sra. Clark estava entusiasmada.

— Modifiquei, na verdade. — Harry sorriu e passou mão pelos cabelos, tímido. — Eu precisei que o feitiço fizesse algo diferente, mais avançado, vamos dizer, e ele fez. — Ele não podia esconder sua empolgação. — Eu já o dominei e agora estou tentado pensar no nome perfeito, depois, Prof. Flitwick me ajudará a registrá-lo no Ministério.

— Incrível! — Sra. Clark bateu palmas de animação. — Meus parabéns meu querido e, por favor, assim que tiver registrado, adoraria que me informasse mais sobre esse feitiço modificado.

Harry acenou sorrindo e corando levemente.

— Combinado. Bem, sei que isso é além, mas, minha ideia com os desenhos é que eles sejam mágicos — Harry disse suavemente. — Não precisam ser todos, mas pensei que podemos colocar um gatilho mágico em alguns e, ao tocarmos com a varinha na imagem, ela se move e mostra como é o jeito certo de picar ou amassar ou mexer e assim por diante. Isso tornará a imagem mais interativa, os alunos gostarão muito e a técnica mais difícil da poção poderá ser vista visualmente por eles, repetidamente.

— Muito interessante. — Sra. Clark o olhou pensativa mais uma vez. — Você não está muito preocupado com lucros, não é mesmo?

— Não, concordo com a senhora que o lucro pode ser reinvestido em algo importante, na verdade, cada centavo que ganhar com esses livros já tem um destino. — Harry disse convicto. — No entanto, isso não é tão importante como fazer um trabalho brilhante com o incrível trabalho da minha mãe, Sra. Clark.

— Muito bem. — Ela sorriu suavemente. — Você me deu muito o que pensar e analisar, muitas pesquisas e contas para fazer, projetarei dois cenários com as taxas do Ministério e sem elas, com a perspectiva realista de que podemos perder. — Ela disse mais séria e Harry acenou. — Assim que tiver os valores, custos e lucros, enviarei lhe um relatório detalhado. O mais importante agora, é encontrar um desenhista e descobrir quantas páginas a mais acrescentaremos a cada livro. Depois, levaremos para a gráfica que estará reciclando os livros, Harry, O aventureiro...

— Na verdade, Sra. Clark... — Harry sorriu como o gato que engoliu o canário. — Eu abri uma gráfica a 3 semanas. Percebemos que teríamos muitos custos com propagandas para projetos futuros da Fazenda Potter e decidimos que uma gráfica seria um grande investimento. Sr. Falc é o advogado da nova empresa, a GER, e está sempre em contato com o seu administrador, Sr. Schubert, assim, quando tivemos a ideia, apresentamos o projeto para ele. — Harry sorriu ainda mais. — Imagine que eles gostaram e aceitaram ser nossos sócios!

— Isso... estou muito chocada. — Ela parecia meio sem palavras.

— Sim. Ainda não abrimos no mundo mágico porque nosso prédio, alugamos dois prédios da GER no Beco, estão sendo reformados, mas já estamos trabalhando no mundo trouxa. — Harry pegou um cartão e estendeu. — A P&R Graphic trabalha apenas com papel reciclado, de maneira ecologicamente consciente e, em breve, a P&R Magic Graphic estará em funcionamento neste endereço.

— Incrível. — Disse ela pegando o cartão. — O que está propondo exatamente? E o que significa a sigla?

— Potter e Revel, que é o nome da GER. Eles gostaram muito da ideia de serem sócios de uma gráfica, já que estão gastando muito com catálogos, folhetos e cardápios nas novas lojas. Assim, podemos ter nossos pedidos com preços de custo e economizar, além de termos a possibilidade de lucro com outros clientes, claro. Sr. Schubert, eu o conheci brevemente, ficou muito empolgado, principalmente porque atuaremos no mundo mágico e trouxa. — Harry explicou o que Edgar, Falc, Sirius e ele tinham combinado mais cedo. — Portanto, a P&R cobrarão da Editora Aprilis para a impressão dos livros de Lily Potter somente o custo de material. — Harry a viu exclamar e colocar a mão na boca completamente assombrada.

— Harry! Isso... sem esses custos.... — Sra. Clark estava emocionada e sorrindo ao mesmo tempo. — O custo de material, mas, se estamos dando o material mais caro, o papel, isso quer dizer...

— Que cobraremos apenas pelo custo com tinta ou qualquer outro material utilizado, Sra. Clark e, já disse ao meu gerente que, qualquer pedido da Editora Aprilis terá um desconto de 20%. — Harry disse com firmeza e, internamente, pediu desculpa pelas mentiras, pois, na verdade, ele pedira a seu administrador, o Sr. Edgar que repassará a ordem para o futuro gerente P&R Magic Graphic.

— Eu.... Harry, o que... — Sra. Clark se levantou subitamente e lhe deu um grande e forte abraço.

Harry corou e agradeceu por estar mais acostumado com abraços.

— Não é nada demais, Sra. Clark, apenas a coisa inteligente e certa a se fazer. — Disse ele com um sorriso tímido.

— Precioso garoto. — Ela disse acariciando seu cabelo e, se inclinando, lhe beijou a bochecha, Harry corou mais vermelho. — Isso é muito mais que inteligente e correto, é extremamente brilhante e generoso.... Eu... não conheci a sua mãe, mas tenho certeza que ela sente muito orgulho de o ter como seu filho.

E, para Harry, isso era todo o elogio necessário. Seu sorriso enorme e passo leve o acompanhou até a saída, quando entrou na GER e, discretamente, usou o flu para voltar ao Chalé Boot.

Algumas horas depois, Fred e George também chegaram ao Chalé pelo flu. Sr. Falc escrevera ao Sr. e Sra. Weasley pedido que liberassem os gêmeos do castigo por apenas algumas horas, pois eles eram necessários em uma reunião com um antigo amigo de Fleamont Potter. A carta estava cheia de meias verdade, Sra. Weasley entendeu que Harry convidara os amigos para conhecerem e conversarem sobre magia e quadribol com um grande bruxo alemão que foi amigo de seu avô.

— Ainda não entendo porque eles querem vocês dois lá, quer dizer, Fred e George, vocês nunca demostraram interesse em teoria mágica ou antiga. — Disse ela meio inconformada.

— Mãe, nossas notas melhoraram muito, somos muito bons em Poções e Feitiços. — Disse George defensivo. — Fred é incrível em Runas e eu sou muito bom em Aritmancia também.

— Sim e, esse Sr. Brand, é mais que um estudioso de magia, Harry o contatou porque queria saber mais sobre o seu avô e nós ficamos interessados, mas, quando soubemos que ele era um batedor profissional, que jogou a Copa do Mundo pela Seleção Alemã, nosso interesse triplicou. Harry, então, nos convidou, mas, com o castigo, nem mencionamos nada. — Disse Fred, que tinha recebido uma carta do Harry explicando o que era para ser dito.

— Sim, mas o Sr. Falc se comprometeu em nos observar de perto e nos devolver assim que o chá terminar. — Acrescentou George. — Sem diversão ou confusão.

— Ok, Fred. — Disse ela distraidamente para o George. — Se tem quadribol envolvido, claro, faz mais sentido e seu pai também não vê problema já que um adulto os acompanhará, mas, se ouvir que nos envergonharam de novo, ficarão de castigo até o fim do verão. Entenderam?

— Sim, mãe. — George disse humilde e saiu da cozinha com o irmão e um grande sorriso.

Seu pai quis saber a verdade, pois percebeu que algo na carta era meio confuso, eles contaram e viram seus olhos brilharem com as ideias. Além de muitas perguntas, Arthur deu muito apoio e até algumas sugestões aos filhos que se sentiram aquecidos por como ele acreditava neles.

Assim, apesar do castigo, eles conseguiram comparecer a importante reunião com o Sr. Brand que os esperavam para o chá da tarde. Sr. Rodolfo Brand vivia em um casarão no Condado de Cornwall, perto da cidade de Tinworth e com uma vista bonita para a praia.

— Bem-vindos. — Sr. Brand os recebeu com um sorriso animado, ele era alto e troncudo, como um bom batedor deveria ser, cabelos brancos compridos até os ombros e olhos azuis bem clarinhos. — Estava muito ansioso por conhecê-los desde que ouvi sobre vocês pela primeira vez.

— Nós também, Sr. Brand. — Disse Harry sorrindo ao se sentar no sofá da sala de estar com Hermione e Terry. Os gêmeos se sentaram em outro sofá com Sirius e o Sr. Falc e o Sr. Brand ficaram com as poltronas.

— A sua casa é linda, Sr. Brand. — Disse Hermione e olhando a vista. — E, a vista para a praia, no verão deve ser ainda mais lindo.

— Parem com esse negócio de Sr. Brand, apenas me chamem de Sr. Rodolfo, é menos formal. — Disse ele e, então, uma jovem entrou com um carrinho de chá. — Ah, esta é minha filha, Verena. Obrigado, querida.

— De nada, papai. — Disse a jovem que parecia ter idade para ser neta do Sr. Brand, com no máximo 15 anos.

Eles fizeram as apresentações e ela pareceu um pouco desconcertada por conhecer o Harry, mas disfarçou bem e, depois de servi-los, pediu licença e deixou a sala.

— Minha menina mais nova, um anjo e o que nos impediu de ficarmos loucos, minha esposa e eu. — Disse ele com um olhar nostálgico.

— Sentimos muito pelo que aconteceu com o Junior, Sr. Rodolfo, ainda estávamos em Hogwarts quando aconteceu e não conseguimos nem ir ao seu enterro. — Disse Sirius sincero.

— Obrigado, obrigado. — Seu rosto de entristeceu e ele pareceu bem mais velho. — Perdê-lo daquela maneira foi horrível, o pior momento da minha vida. Morávamos em Londres, então, e este ano fará 17 anos que meu garoto se foi. — Seus olhos pareciam assombrados e carregados de tristeza. — Sabe, quando deixamos Berlin, eu tinha 15 anos e senti que chegar a Inglaterra era um recomeço maravilhoso. Eu estava cheio de esperança e acreditei que o meu nome e meu pai não poderiam me fazer mais nenhum mal. Herbert Brand, para a minha vergonha, era um dos comandantes de Grindelwald, o seguiu e participou de todas aquelas atrocidades. Em 45, com a prisão de seu líder e o fim da guerra, meu pai acabou morto ao tentar resistir a prisão e nós ficamos para sermos perseguidos e discriminados pela comunidade bruxa de Berlin. Minha mãe não aguentou, pegou a mim, minha irmã e imigramos para uma nova vida, mas, então, um dia, alguém bateu em minha porta. Ele era bonito, educado e gentil, quase persuasivo em suas palavras e elegância. Estava buscando seguidores, apoiadores, patrocinadores para seus planos e exército.

— Voldemort. — Disse Harry e ninguém na sala estremeceu para a surpresa do Sr. Rodolfo.

— Sim, ele, pessoalmente. — O velho homem suspirou tristemente. — Já tínhamos ouvido sobre ele, claro, começou com rumores, notícias de ataques aqui ou ali, nada muito concreto, como se as pessoas temessem falar a verdade em voz alta. Ou, não confiassem em não serem mortos por ousar falar e, aos poucos, tudo foi piorando e piorando. Em 76, era o ano, as notícias eram de que os nascidos trouxas estavam se escondendo, nos anos seguintes, eles começariam a fugir do país, mas, naquele momento, eu não tinha grandes preocupações. Quer dizer, minha esposa era nascida trouxa, mas éramos muito discretos sobre isso devido aos preconceitos, Junior tinha terminado Hogwarts e minha filha, Evellyn, estava no último ano. Quando Voldemort, simplesmente, bateu a minha porta me pedindo, como um Lord, para conversarmos tomando um conhaque, tinha certeza que ele mataria minha esposa, mas, ela não estava em casa. Lembro-me de rezar durante toda a conversa para que ela não chegasse, nunca pensei em pedir por Junior também.    

Todos ouviam e poderiam imaginar a cena, ainda que fosse difícil acreditar em um Voldemort educado e gentil. Fred e George estava meio pálidos e tristes, pois não podiam deixar de pensar em seus tios, mortos a tantos anos.

— Mas, descobri que Voldemort nem se importava com minha esposa, o motivo de sua visita era porque ele sabia quem era o meu pai e queria me recrutar para a causa. — Sr. Rodolfo bebeu o chá esquecido que havia esfriado. — Recusei e expliquei que não compartilhava das crenças do meu pai e que me envergonhava de ser seu filho. Tinha certeza que Voldemort se zangaria e me mataria, era muito possível perceber o quão poderoso ele era, mas, ao em vez disso, ele riu. — O velho parecia espantado e os outros também, menos Harry que levantou a sobrancelha.

— Ele acharia hilário a sua coragem, em face a morte, de enfrentá-lo. — Disse Harry e o viu acenar.

— Sim, ele me elogiou por minha coragem e disse que gostava disso, que isso me tornaria um bom servo, principalmente, porque tínhamos o ódio aos nossos pais em comum. Achei que ele insistiria, mas não fez isso, apenas disse que me daria um tempo para pensar e lembrar que, ao escolher não o seguir, eu estaria no lado oposto do vencedor da guerra e, então, seria tarde demais. Acredito que ele partiria, mas, Junior chegou e seu olhos brilharam de interesse em recrutá-lo, disse: “Talvez seja uma tradição não seguir os passos dos pais”.

— Mas Junior recusou. — Disse Sirius, sabendo que seu amigo Gryffindor jamais aceitaria o convite.

— Sim. Hoje, vejo que Voldemort o provocou, Junior não foi respeitoso, mas, conseguiu se controlar e manter a cabeça fria, acredito que o maldito não gostou de ser rejeitado suas vezes. Ele disse que me daria a honra de manter meus filhos mestiços, desde que limpasse meu lixo e matasse minha esposa.

Todos empalideceram, mesmo cientes de que isso era comum na guerra.

— Junior se enfureceu e sacou a varinha, tentei detê-lo, mas, aconteceu tão rápido, ele nem teve tempo de lançar um feitiço quando a maldição da morte o atingiu e meu filho estava morto no chão. — Seus olhos brilharam com lágrimas e ele pegou um lenço para enxugá-las. — Lembro-me de me ajoelhar e segurá-lo, enquanto Voldemort saia, rindo e dizendo, “Garoto tolo”.

Todo ficaram em silêncio absorvendo a tragédia sem sentido e triste de uma vida tão jovem perdida.

— Devo-lhe e aos seus pais, Harry, agradecer por livrar o mundo de Voldemort e por fim aquela guerra. — Disse ele suspirando. — Quando acabou, voltamos para a Inglaterra, mas compramos essa casa, Verena era bem novinha, ela fará 14 anos em breve e amou crescer aqui. Meus netos, filhos de Evellyn, também adoram visitar o vovô e se divertirem na praia.

— Verena não é bruxa? — Sirius perguntou, pois desconfiou quando a conheceu e viu o homem sorrir.

— Não. Acredita? — Seu sorriso aumentou. — Depois que perdemos Junior, minha esposa insistiu em termos outro filho, não para substituir, mas, para preencher aquele vazio absurdo. E, quando Verena nasceu, ficamos chocados ao perceber que ela não tinha nenhuma magia e isso nos pareceu um sinal, sabe.

— Um sinal? — Hermione perguntou confusa.

— Sim, de que deveríamos continuar a viver mais no mundo trouxa que no mágico, como fizemos enquanto estávamos escondidos fora do país. — Disse ele dando de ombros. — Eu já tinha me adaptado e, por Verena ter que viver no mundo trouxa, acabou se tornando meu mundo também. Evellyn se casou com um bruxo, colega de Hogwarts, e seus dois filhos são bruxos, claro, mas ainda jovens e ansiosos para irem para Hogwarts em alguns anos.

— Sua esposa? — Harry perguntou ao perceber que ele não a mencionava no tempo presente.

— Ela morreu, a 5 anos. — Disse ele tristemente e não entrou em detalhes, talvez, por ser ainda muito doloroso. — Me deixou minha Verena para me fazer companhia e partiu cedo demais.

— Sentimos muito. — Falc disse consternado, ele apenas conversara com o homem pessoalmente uma vez e não sabia de sua viuvez.

— Obrigado, obrigado. — Disse ele e assoou o nariz.

— Voldemort não está morto. — Harry disse bruscamente porque, afinal, não havia como enrolar o assunto e viu o homem o encarar com espanto e empalidecer. — Ele está vivo e tentando recuperar seu poder, físico e moral, digamos assim.

— O que? Mas..., isso não é possível... — Sr. Rodolfo gaguejou chocado.

— Eu o encontrei a 6 meses e ele está bem vivo, ainda que fraco, tentou me matar outra vez e não conseguiu, mas Voldemort não parará até conseguir retomar seu corpo e poder. Uma nova guerra acontecerá no futuro, Sr. Rodolfo e desta vez será muito pior, acredito. — Harry viu a tensão na sala duplicar e Falc parecia desconcertado com sua atitude.

— Você poderia ter sido mais gentil com a notícia, Harry — Disse Sirius, colocando em palavras o que todos pensavam.

— Não existe como ser gentil sobre a verdade, principalmente, essa verdade. — Harry disse e encarou o Sr. Rodolfo que parecia incrédulo. — Lamento se fui muito brusco, mas não tem como falar sobre isso com delicadeza.

— Mas... isso, não pode ser verdade.... O Ministério e Dumbledore disseram que ele estava morto... — Ele parecia quase implorar para que concordassem.

— Nós o vimos também. — Disse George muito sério. — Não em boa forma, é verdade, mas bem vivo e assustador.

— E, nós vimos a lembrança da luta, Sr. Rodolfo. — Disse Falc e o homem empalideceu ainda mais. — O senhor está bem?

— Sim, sim. Apenas... — Ele passou as mãos trêmulas pelo rosto e cabelos tentando se acalmar. — Pensei que esse pesadelo tinha terminado, não compreendo como ele pode estar vivo e porque todos mentiriam sobre isso.

— Penso que o Ministério e Dumbledore, diante do que aconteceu no Halloween e o completo desaparecimento de Voldemort, chegaram à conclusão de que ele estava morto. — Sirius disse com certa amargura. — Mas duvido que fizeram uma profunda investigação, assim como não fizeram sobre mim, antes de me jogarem em Azkaban.

— Não podemos anunciar a verdade para todos, como gostaríamos, geraria pânico e boa parte não acreditaria, mas estamos passando a informação para todos com quem conversamos e acreditamos que precisam saber e aceitarão a verdade. — Explicou Harry suavemente.

— Sim, mas a ideia é sermos mais gentis, Harry e não causar um infarto nas pessoas. — Disse Falc erguendo a sobrancelha esquerda.

— Não, não. O menino está certo, não tem como dar essa informação gentilmente, é preciso dizer e pronto. — Sr. Rodolfo parecia ainda mais velho e cansado. — Não consigo pensar em viver este pesadelo de novo e, agora... minha filha, Verena, sem magia para poder se defender.... E, os meus netos? Eles estarão indo para Hogwarts em alguns anos e estarão em perigo mortal, não é mesmo?

— Na última guerra, Hogwarts era um dos lugares mais seguros, Dumbledore sempre protegeu os alunos e não há porque acreditar que não seria assim outra vez. — Falc disse tentando tranquilizar o pânico do homem. — Sobre sua filha... bem, Voldemort ainda não voltou e pode demorar anos para que aconteça, entrar em pânico agora não me parece produtivo.

— Quando acontecer, Sr. Rodolfo, lhe enviarei uma carta avisando no segundo que me for possível e, então, poderá partir ou se esconder. — Disse Harry em tom de promessa.

— Obrigado, obrigado. Suponho que não podemos fazer nada além disso, esperar e nos preparar. — Disse Sr. Rodolfo arrasado. — Tomarei providências para deixar o país rapidamente assim que receber seu aviso, Harry, desta vez, não esperarei pelo pior.

Todos acenaram e o silêncio se prolongou por alguns instantes de reflexão.

— Mas, sei que não vieram aqui para ouvir histórias tristes, lamento muito ter me perdido nas lembranças.... — Ele voltou a soar o nariz e suspirou tentando se recompor.

— Não precisa se desculpar, Sr. Rodolfo, todos temos histórias tristes e perdas na guerra. — Harry disse com um sorriso solidário.

— Verdade, verdade. Bem, mas vamos falar sobre o projeto de vocês e porque querem comprar a patente do espelho comunicador do meu filho. — Disse ele tentando se focar no ponto principal da visita.

— Bem... — Harry olhou para os amigos e, rapidamente, todos entraram no jogo.

A reunião durou mais de duas horas, porque eles tinham muito o que mostrar, suas experiências, números, projeções e apresentar o que, exatamente, eles pretendiam fazer com a patente do espelho. Sr. Rodolfo se recuperou completamente e fez dezenas de perguntas, seu interesse era claro, ter certeza que eles estavam levando a sério o projeto e que o trabalho de seu filho não seria esquecido ou deturpado. O único avanço não mencionado foram as Hecatitas.

No fim, ele apertou a mão do Harry satisfeito com o projeto e os valores, que além da compra da patente, incluía 5% da MagiTec para a família Brand.

— Isso me deixará tranquilo quando morrer, saberei que meus descendentes tem um bom apoio para o futuro. — Disse ele suavemente quando assinou o contrato que o Sr. Falc preparou rapidamente. — Tenho certeza que a MagiTec será um grande sucesso e estou muito orgulho que meu filho os ajudará com isso, mesmo estando morto a tantos anos, seu legado ainda vive.

Harry sorriu e concordou, pois sentia o mesmo em relação aos livros da sua mãe, os projetos de quadribol do seu pai e as Fazendas dos seus avós e antepassados.

Com a assinatura do contrato, Sr. Rodolfo chamou a filha para comemorarem e lhes serviu um vinho élfico de safra antiga.

— Estava guardando para uma ocasião especial e essa me parece perfeita. — Disse ele com um grande sorriso. — Meio cálice para as crianças e nada mais. Minha avó sempre dizia que meio cálice faz bem para o coração e não frita o cérebro! — Ele gargalhou e todos o acompanharam.

Harry achou o vinho delicioso e percebeu pelas expressões de seus amigos que eles também gostaram muito.

— Você é o garoto da história, o que matou o assassino do meu irmão? — A voz tímida e suave soou a sua direita e Harry olhou para Verena Brand.

Ela era mais alta que ele e muito magra, seus olhos azuis clarinhos como os do pai e cabelos loiros platinados, presos em uma trança.

— Sim, sou o garoto da história, mas foram meus pais quem desapareceram com Voldemort. — Respondeu ele suavemente.

— Oh, sim! Papai leu sobre isso no Profeta. — Disse ela corando um pouco. — Você vai a Hogwarts, não é? — Seus olhos brilharam ao perguntar.

— Sim, todos nós, na verdade. — Disse ele gentilmente.

— Meus sobrinhos também irão em alguns anos. — Seus olhos grandes e expressivos se entristeceram. — Meus pais nunca se importaram por eu ser um aborto, mas.... Eu teria gostado de ser uma bruxa e ir a Hogwarts.

— Seus pais estão certos. — Harry disse com firmeza. — Não há nada de errado em não ter magia e isso não a define, Verena.

— Como assim?  — Ela perguntou confusa.

— Quero dizer que você não é um aborto, você é Verena Brand e, entre outras coisas, é um ser humano. E, é isso o que importa. — Disse Harry suavemente.

— Mas... você não gosta de ter magia? — Ela perguntou confusa.

— Sim. — Harry foi sincero. — Mas, existem coisas mais importantes, Verena.

— O que? — Ela o desafiou erguendo o queixo.

— Amigos, amor, família... — Harry olhou pela janela, para o mar e suspirou. — Eu daria minha magia em um estalar de dedos, para ter meus pais de volta.

— Sinto muito. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Foi muito difícil quando a mamãe se foi também. Ela me teve muito mais velha que o normal, sabe, por isso nasci sem magia e sua saúde ficou muito frágil ao longo dos anos até que seu coração parou de bater.

— Também sinto muito. — Harry disse gentilmente. — No entanto, você tem seu pai, irmã e sobrinhos, um dia terá sua própria família e isso é o que importa. Além disso, você pode fazer coisas extraordinárias sem ser uma bruxa, Verena.

— Posso? — Seus olhos se arregalaram e Harry percebeu o quão jovem parecia, apesar de ser mais velha que ele por quase 2 anos. Talvez seus pais a tenham protegido demais.

— Sim, apenas, encontre o seu caminho e lugar no mundo, Verena e faça a sua própria magia, realize grandes coisas e, mais importante, seja feliz. — Harry sugeriu, esperando que o velho conselho de Dumbledore fosse seguido desta vez.

O grupo voltou para o Chalé pouco depois e Harry se sentiu muito aliviado por vencerem esta etapa. Tinha a sensação que com as Hecatitas e a patente de Brand, eles avançariam rapidamente na direção do intercomunicador.

— Fred, George, a razão para pedir ao Sr. Falc que escrevesse a seus pais pedindo permissão para virem, foi porque temos novidades. — Disse Harry quando entraram todos na biblioteca.

— O que? — Fred questionou surpreso.

— Pensei que apenas estavam livrando nossa barra para irmos à reunião. — Disse George surpreso.

— Não, ainda que isso era importante também. — Disse Hermione com um grande sorriso. — E, não que vocês merecessem depois do que aprontaram. — Ela ficou séria, mas seus olhos ainda brilhavam de diversão.

— Ok, então, porque nos quiseram aqui? — Disse Fred, não querendo entrar no assunto sensível.

— Qual a novidade? — George parecia muito interessado.

— Bem, Neville e eu estamos fazendo algumas pesquisas sobre como aumentar o crescimento das plantas e... — Harry contou em detalhes sobre as descobertas da Hecatitas, sem mencionar Diona, é claro.

— Uau! E, você acredita que essas pedras especiais podem nos ajudar com o intercomunicador? — George perguntou.

— Sim, vejam. — Harry tirou uma Hecatita especial de sua bolsa. — Essa já é uma Hecatita Especial, ela tem as runas e modificações criadas por Mylor a quase 500 anos. Estive estudando o Grimoire nos últimos dias, até que encontrei os feitiços que são utilizados para manusear a pedra depois que ela sofreu as modificações. Por exemplo. — Harry pegou sua varinha e acenou enquanto dizia. — Dychweldya. — O brilho acinzentado do feitiço envolveu a pedra purpura. — Isso limpa qualquer gravação da pedra. Agora, vou acionar a gravação e vocês dois falam alguma coisa. Ok? — Harry não esperou que concordassem antes de acenar a varinha. — Theafoni.

Ele ergueu a pedra e os dois arregalaram os olhos.

— O que quer que falemos?

— Qualquer coisa. — Disse Harry dando de ombros.

— Já sei! — Disse Fred e começou a cantar. —Hagwarts, Hogwarts. Oh, querida Hogwarts!

George logo o acompanhou e eles cantaram o hino de Hogwarts. Harry e os outros se seguraram para não rir.

— Ok, está bom. — Disse ele e rapidamente acenou a varinha. — Sfragida Magea. Esse feitiço sela a pedra e mais nada é gravado, além de manter o som ficar inativo até o acionarmos. Agora, essa é a parte complicada, porque se acionarmos sem nos concentramos na altura do som, não ouviremos nada, apenas os animais, como acontece lá na Montanha Ken e nas Hecatitas normais. Entendem?

— Sim. — George acenou. — Mas que língua é essa?

— O primeiro feitiço de limpeza está em galês, mas os outros dois foi feito em grego. Deu um trabalhão traduzir e pronunciar corretamente. — Disse Harry irritado. — Queria que todos pudéssemos tocar no Grimoire, isso nos ganharia tempo.

— Eu também. — Disseram Terry e Hermione ao mesmo tempo, depois trocaram um sorriso.

— Mesmo se isso fosse possível, o feitiço não seria tão eficaz se não fosse usado por alguém da família. — Disse Falc lendo alguns documentos. — Quando patentearmos e deixar de ser um feitiço familiar, todos poderão utilizá-los sem problemas, ainda que não poderão tocar no Grimoire.

— Ok. Agora, escutem. — Harry fechou os olhos e se concentrou, exigindo que o som fosse audível para ele e seus amigos. — Datgelu Sain. — E o som saiu da pedra purpura.

— O que quer que falemos?

— Qualquer coisa.

— Já sei!

—Hogwarts, Hogwarts, oh querida Hogwarts

Vem nos ensinar

Quer sejamos velhos calvos

Quer moços de pernas raladas

Temos as cabeças precisadas

De ideias interessantes

Pois estão ocas e cheias de ar

Moscas mortas e fios de cotão

Nos ensine o que vale a pena

Faça lembrar o que já esquecemos

Faça o melhor, faremos o resto

Estudaremos até o cérebro se desmanchar

— Ok, está bom

— Brilhante! — Disseram os gêmeos ao mesmo tempo.

— Exatamente o que pensamos. — Disse Hermione ansiosamente animada. — Mas precisamos reverter a magia, porque não precisamos de um gravador e sim que a pedra leve o som de um ambiente ao outro.

— Ela pode ser a substituta do grafite que é tão caro e, agora, com a patente, se a fizermos funcionar como o espelho, estaremos a um passo do intercomunicador! — Disse Fred com um sorriso de rachar a cara.

— Sim, essa é nossa ideia, mas, a Hecatita e, principalmente, as Hecatitas especiais precisam ser protegidas. Vocês entendem o perigo que os animais correriam se elas caíssem nas mãos de caçadores, por exemplo? — Harry disse muito sério e viu suas expressões se fecharem também quando acenaram. — Além disso, elas pertencem a mim e não podem ser usadas em outro projeto em que eu não estiver envolvido.

— Oh! Sim, claro. — George acenou entendendo e batendo em Fred que demorou um segundo para acenar também. — Precisa que assinemos um contrato de sigilo?

— Sim e um de não compartilhamento de segredos sejam por terceiros ou por si mesmos. — Disse Falc enquanto terminava de compor o contrato e relê-lo.

— O que? —Fred ficou confuso.

— Quer dizer que não podem utilizar as Hecatitas ou seu conhecimento para projetos pessoais ou passar a informação para outras pessoas. Basicamente, não podem fazer espionagem industrial. — Explicou Harry objetivamente.

— Eu até entendo que não podemos fazer nada disso, é bem óbvio. — Fred apontou curioso. — Mas não podemos pesquisar as Hecatitas, estudá-las para outros usos?

— Sim, com minha autorização e, desde que entendam que qualquer ideia, projeto ou descoberta pertence a todos nós, sócios da MagiTec. E, se por um acaso, for algo não relacionado a MagiTec algumas burocracias teriam que ser superadas. — Harry tentou explicar. — Assim, como não podemos usar o espelho sem sua patente, o mesmo vale para as Hecatitas, portanto, vocês precisariam da minha autorização. E, se der minha autorização, negociarei, como fez o senhor Brand, mas, como não pretendo vender, me tornarei sócio de suas descobertas. Entendem?

— Sim. — George acenou muito sério. — Ok, então, se tivermos alguma ideia, conversamos com você antes de estudar a pedra e negociamos. Se for relacionado a MagiTec, podemos pesquisar sem problemas?

— Exatamente. — Falc respondeu e estendeu um contrato para cada um. — Porque esse contrato mágico os autoriza a isso e também os impede de vazar informações sobre as Hecatitas ou utilizá-las para projetos paralelos. Leiam com atenção, levem para seus pais, Terry, você pode assinar porque eu concordo com os termos, mas, Hermione, Fred e George, assinem e me enviem depois que registrarei junto com a patente das Hecatitas. Ok?

Hermione acenou e guardou o documento na bolsa depois que Harry o assinou, mas Fred e George juntaram suas cabeças e começaram a ler. Ninguém os interrompeu e, 10 minutos depois, eles se olharam e acenaram.

— Preferimos assinar aqui, Sr. Falc e Harry, não temos como esconder da mamãe e ela não concordará, na verdade, apenas o papai sabe o que estamos fazendo e sei que ele aprovaria o contrato. — Disse George e, em segundos, ele e o irmão assinaram.

Harry também assinou os documentos e apenas Hermione decidiu mostrar aos pais.

— Essa é a cópia de vocês. — Disse Falc devolvendo aos gêmeos seus contratos.

— Hum... seria possível enviar para o papai guardar para nós, Sr. Falc? — Disse George e Fred acenou. — Mamãe anda pegando em nosso pé, não podemos arriscar caso ela queira nos revistar.

— Ok. — Falc acenou e guardou os contratos. — Diga a ele que levarei pessoalmente ao The Bar hoje à noite.

— Obrigado. — Fred disse suavemente.

— Quando planejam contar a ela sobre a MagiTec? — Harry perguntou preocupado com tantas mentiras, foi isso que os colocou em problemas a menos de duas semanas.

— Nunca, se pudéssemos. — Respondeu Fred dando de ombros. — Quando formos maiores de idade é o mais seguro.

— No entanto, estamos tentando fazer o que nos aconselhou, nos comportar e seguir as regras. — Explicou George e o irmão fez uma careta. — E, melhorar nossas notas, assim, não chamamos a atenção e ganhamos sua confiança. Temos esperança que em breve, poderemos contar a ela e mamãe entenderá.

Harry acenou entendendo seu plano e por suas expressões esperançosas, rezou para que desse certo.

— Estou atrasado? — Neville entrou pela porta apressadamente. — Minha avó recebeu visitas para o chá e tive que fazer presença para sempre.

— Não está atrasado para o jantar, Nev, e acabamos de assinar os contratos, mas você pode assinar o seu também. — Disse Terry olhando para o pai que pegou mais um contrato.

Harry e Neville o assinaram rapidamente, ele também não quis levar para a avó e o Sr. Falc levou os gêmeos para a Toca antes do jantar.  

Os compromissos tornaram os últimos dias de férias um grande borrão de reuniões e mais reuniões. Ele passou duas horas aprendendo e discutindo seus investimentos com Chester e seus advogados trouxas. Sua visita a GER, o andar da GER, durou muito mais do que o planejado, pois todos queriam cumprimentá-lo, agradecê-lo e contar sobre as novidades que estavam realizando. Dizer que ele sabia de tudo, pois o Sr. Edgar lhe enviava relatórios, pouco adiantou e, felizmente, Harry acabou salvo por seu administrador.

— Ufa! — Harry disse e depois riu. — Eles estão tão empolgados!

— Sim, todos estamos, Harry. — Edgar apontou para a mesa onde Falc e Sirius já esperavam. — Faz 12 dias que abrimos as novas lojas e as vendas estão explodindo. O pessoal do financeiro está maravilhado e temos pedidos empilhados de pessoas querendo alugar uma das lojas e iniciar novos negócios, como lhe disse que aconteceria.

— Sim, mas só temos 8 prédios sobrando e teremos que fazer uma pesquisa bem detalhada sobre quem nos associar. — Disse Falc sorrindo. — E, temos novidades.

— Sim, Harry, sei que anda super ocupado e hoje é Réveillon, mas precisamos discutir isso rapidamente. — Disse Edgar com um sorriso ansioso.

— Sem problemas, a festa é só a meia noite mesmo. — Disse Harry brincando. — E, eu também queria falar com vocês. O que aconteceu?

— Recebemos uma carta do Sr. Eric Abbott, sobrinho de Tom. — Disse Edgar com expressão carregada. — Ele encontrou nossa proposta de compra do Caldeirão Furado entre os documentos do tio e nos escreveu perguntando se ainda temos interesse no pub.

— Ele não pretende administrar o Caldeirão? — Harry perguntou surpreso.

— Não. Na verdade, como ele explicou em sua carta, com as mudanças no Ministério, demissões e remanejamento de pessoal, Sr. Abbott foi promovido a Chefe do Departamento de Transportes Mágicos — Contou Edgar e Harry acenou.

— É um cargo alto e ele parece bem empolgado com a promoção e novo salário. — Explicou Falc e Sirius fez uma expressão irônica.

— O que? — Harry se mostrou confuso.

— Eric é casado com uma nascida trouxa e trabalha a anos como assistente do Chefe do Setor de Regulamentação do Flu que é um dos Subdepartamentos do Departamento de Transportes Mágicos e, de repente, se torna o Chefe de todo o Departamento. — Sirius explicou irritado. — O que isso lhe diz?

— Que alguém, provavelmente o Ministro, o promoveu para mantê-lo feliz, não dar entrevistas ou expor o Ministério por causa da morte do tio. — Harry respondeu pensativo. — Bem, se ele for competente e merecer o cargo, era injusto que o fato de se casar com uma nascida trouxa o impedisse de ser promovido. E, queríamos comprar o pub ou ao menos parte dele. Qual a proposta dele?

— Ele quer vender todo o pub e pede 30% a mais do que oferecemos, mas nos permite manter o nome, Caldeirão Furado. — Contou Falc e não parecia contente.

— Isso é muito. — Harry disse, pois estava familiarizado com os preços dos prédios no Beco. — Mesmo antes da reinauguração, o pub não valia tudo isso, agora vale menos porque perdeu valor graças a concorrência. Certo?

— Certíssimo. E o movimento caiu muito, por causa dessa concorrência e a aparência do lugar, que todos sabemos precisa ser completamente revitalizada. — Edgar falou suavemente. — Nem ao menos tenho certeza que precisamos do nome porque, talvez, manter o lugar como um pub não seja o ideal.

— Seria uma concorrência ao The Bar, Coffee & Life, La Giacinta e, talvez, o The True também. — Disse Falc pensativo. — E, se mantivermos a pousada, seria uma concorrência ao The Magic.

— A concorrência não me preocupa, afinal esses estabelecimentos são todos concorrentes entre si e estão indo bem. — Harry disse pensativo. — Se fizéssemos algo exclusivo ou diferente, atrairíamos um tipo especifico de pessoas que podem não estar consumindo em nenhum desses lugares por alguma razão. The Magic, por exemplo, mesmo os quartos mais baratos podem não caber no orçamento de uma família grande ou pobre.

— Poderíamos manter a pousada, depois de reformada, claro, por um preço mais acessível, algo mais familiar e simples, diferente do The Magic que é mais luxuoso. — Disse Falc.

— E, ao em vez de um pub, poderíamos ter apenas uma cozinha para servir os hóspedes? — Sirius questionou, mas ninguém gostou da ideia.

— E se fizéssemos algo exclusivo, como disse o Harry, talvez, algo temático? — Sugeriu Edgar.

— Temático? — Harry perguntou curioso.

— Sim, algo rústico, por exemplo, com uma decoração de fazenda ou algo do tipo. — Disse ele, mas ninguém se empolgou. — Ok, então, precisamos pensar em algo que o mundo mágico realmente precise, algo que não temos ou que temos, mas podemos fazer melhor.

— O problema de fazer algo que não temos, é que introduziremos algo novo, da cultura trouxa e já fizemos isso por todos os lados. — Disse Falc objetivamente. — Me parece um grande risco seguir nesta direção.

— Bem, existe algo que acredito os bruxos e bruxas iriam gostar. — Disse Sirius sorrindo. — Eu tinha pensado em fazer uma na Travessa do Tranco quando tivesse acabado a OP, quer dizer, em poucas semanas, serei o dono de dezenas de prédios naquela área e precisaremos pensar no que faremos com tudo aquilo.   

— O que você tinha pensado, Sirius? — Harry perguntou.

— Bem, meu primeiro pensamento foi fazer uma boate. — Sirius tinha um grande sorriso animado.

Falc gemeu e Edgar levantou a sobrancelha.

— Sirius, pensei que a ideia era transformar a Travessa do Tranco e tirar sua reputação desagradável? — Questionou Falc preocupado.

— É uma boate, Falc, não um bordel. — Sirius disse exasperado. — Será um lugar com música ao vivo, um bar com bebidas, mesas, pista de dança, para os jovens e, não tão jovens, irem dançar e paquerar. — Sirius gesticulou para Edgar. — No mundo trouxa eles são tão comuns e fazem o maior sucesso.

— É verdade e acredito que fazer uma boate ao lado do The Magic seria incrível porque ofereceríamos mais um entretenimento aos hóspedes e turistas. — Disse Edgar empolgado. — Teríamos que fazer uma decoração de muito bom gosto, moderna e jovem, as cores e luzes devem passar luxo e não a vulgaridade de um bordel ou a simplicidade de um pub.

— Realmente? — Falc parecia cético e Sirius gargalhou.

— Você já esteve em uma boate, amigo? — Ele perguntou.

— Bem, não, mas... — Falc iniciou o argumento.

— Nada de, mas, cara, vamos organizar uma noite na cidade e lhe mostrarei o que quero dizer. — Sirius sorriu com malícia. — Aposto que quando ver sua garota dançando na sua frente, mudará de ideia bem rápido. — Sirius voltou a rir e Edgar o acompanhou.

— Eu não vou a esse tipo de lugar desde que as crianças chegaram, mas, a minha garota, ficará muito feliz quando a convidar. Assim, me incluam neste programa. — Disse Edgar sorridente.

— Ok. Se Serafina concordar, estou dentro. — Falc levantou a mão se rendendo.

— Bem, agora que vocês já programaram uma boa diversão enquanto estou em Hogwarts fazendo deveres e mais deveres, o que faremos em relação aos possíveis hóspedes que precisam de quartos mais baratos. — Harry apontou e depois sinalizou na direção do Travessa. — Poderemos fazer uma pousada na Travessa depois? Aliás, o que faremos com tantos novos prédios?  

— Bem, primeiro, tenho a intenção de ficar com alguns para mim e abrir alguns negócios divertidos, como uma academia mágica, por exemplo. — Disse Sirius animado. — O resto, venderei a GER e vocês poderão encontrar negócios e se preocuparem com eles.

— Temos uma longa pilha de possíveis negócios e ela aumentará, aposto, mas, temos tempo para pensar nisso em outro momento. — Disse Edgar e olhando para o Harry. — E, podemos fazer uma pousada com quartos a preços mais acessíveis, algo simples e familiar como dissemos. Acho que o ideal seria a pousada ficar mais longe do The Magic e já que usaremos o Caldeirão para a boate, podemos pegar os primeiros prédios da Travessa, depois do Gringotes, e fazer algo assim.

— Eu não gosto da ideia de nada temático, mas, acredito que algo campestre e com preços acessíveis seria muito legal. — Harry suspirou. — Bem, acho que compraremos o Caldeirão, então, mas não pelo preço pedido pelo Sr. Abbott.

— Com certeza, não. — Disse Falc e fez algumas notações. — Não se preocupe que negociaremos com ele e chegaremos a um preço justo. O que você queria conversar conosco?

— Ah! Quero que comprem o time de quadribol Kestrels de Kenmare para mim. — Respondeu ele calmamente como se pedisse um novo tênis.

— O que? — Falc perguntou surpreso.

— O antigo time dos O’Hallahans? — Sirius questionou curioso. — Porque?

— Além de ser o antigo time da minha família? — Harry perguntou e sorriu. — Encontrei alguns planos do meu pai, vocês sabiam que ele não queria ser jogador de quadribol ou auror?

— Sim. — Sirius ficou muito sério. — Ele disse que, depois da guerra, queria trabalhar com a Liga de Quadribol, mas, não com o Departamento de Jogos Mágicos. James sempre dizia que era preciso mudar muitas coisas e que pretendia tentar realizar essas mudanças.

— Exatamente. — Harry se empolgou e rapidamente fez um resumo das ideias de seu pai. — Para ele era algo muito importante e seu plano inicial era comprar o Kenmare para iniciar o projeto.

— Foi por isso que James comprou 30% do time? Ele provavelmente tinha a intenção de comprar mais e se tornar o acionista majoritário. — Disse Falc pensativo.

— Na verdade, ele queria o time todo e eu o quero também, Sr. Falc, assim, por favor, negocie o melhor preço e o compre para mim. — Pediu Harry calmamente.

— Harry, isso é um grande e caro gasto, além disso, nenhum de nós entende de quadribol o suficiente para sermos donos de um time. — Falc expôs com cuidado. — Precisa ser administrado como qualquer empresa, decisões, aquisições, contratos e manutenção dos funcionários. E, quanto aos aspectos esportivos, eu nem saberia exemplificar.

— Ok. Eu entendo, mas esse é um projeto de longo prazo e é um investimento, não gasto. — Harry disse firmemente. — Neste momento, os lucros podem não ser significativos, ainda que suponho que eles existam ou não haveria times de quadribol. No entanto, quando realizarmos todas as mudanças que meu pai projetou, os lucros serão bem altos. Sobre a parte administrativa, contratamos um administrador, não muito diferente do que fizemos até agora. — Disse ele apontando para Edgar que acenou. — E, sobre a parte esportiva, aprenderemos e contrataremos pessoas qualificadas. Kenmare já deve ter uma boa equipe e tenho algumas outras pessoas que pretendo que trabalhem para nós. Trevor, meu capitão, tem interesse em ser médico ou fisioterapeuta esportivo e sonha em trabalhar em um time de quadribol, ainda que saiba que provavelmente só terá oportunidades no mundo trouxa. Ele está no último ano e é um expert em quadribol, não apenas o jogo, mas a estrutura também. Como um Ravenclaw, Trevor é muito inteligente e um estudioso do esporte e condicionamento físico.

— Podemos ajudá-lo com a faculdade e ele pode estagiar no time na área de preparação física e desenvolvimento esportivo. — Apontou Edgar e fez algumas anotações. — Qual é o sobrenome dele?

— Pickford. — Disse Harry suavemente. — Seu pai é um bruxo nascido trouxa, mas nunca conseguiu trabalho no mundo mágico, assim ele montou uma oficina mecânica e vive no mundo trouxa. A mãe dele era de alguma família antiga, mas, eles os renegaram, assim Trevor não fala sobre isso. Ele é um bom amigo e capitão, leal e trabalhador, além de muito inteligente e dedicado, nunca coloca quadribol a frente dos nossos estudos.

— Ok. Acho que entendi sua ideia. — Sirius disse pensativo. — Você pretende se cercar de pessoas confiáveis e competentes em áreas diferentes para administrar o time, ao mesmo tempo, lutará pelas mudanças necessárias no Ministério.

— Exato. E, outra pessoa que me ajudará com isso, como uma espécie de consultor, é o David, da Sports Company. — Explicou Harry calmamente. — David trabalhou por alguns anos no Departamento de Jogos Mágicos, sofreu muita discriminação e viu todos tratando o esporte que ele ama como lixo. Eu conversei com ele, sem grandes detalhes, e perguntei se estava disposto a me ajudar, David me disse que fará o que for para dar uma lição naqueles idiotas. Suas palavras. — Harry disse divertido. — Mas, ele não quer abandonar a loja, assim, poderemos consultá-lo, pois terá muita informação interna e, talvez, alguns contatos.

— Isso é bom. — Edgar fez outras notações e Falc suspirou.

— Pelo jeito não poderei argumentar mais, não é? — Ele disse preocupado. — Teremos que falar sobre isso com Serafina, é algo muito importante para que ela e, mesmo sua tia, fiquem de fora.

— Pode falar e explicar, Sr. Falc, por mim tudo bem e, se recusarem meu pedido, apenas adiarei por alguns anos, pois assim que atingir a maioridade e assumir o controle da minha herança, comprarei o time e iniciarei o projeto do meu pai. — Harry expôs com simplicidade. — Gostaria de começar agora porque, como eu disse, será um projeto longo. E, estive conversando com o Sr. Chester em nossa última reunião e lhe fiz algumas perguntas sobre a melhor maneira de comprar uma empresa sem mostrar ao atual dono a importância da compra para nós e pagar uma fortuna por isso. E, também, como dissuadi-los de vender, se ele não quiser vender.

— Ok. — Falc pegou uma pena. — O que ele aconselhou?

— A primeira parte é mais fácil, principalmente, se houverem mais de um dono, pois nos aproximaremos do acionista mais vulnerável e compraremos dele. — Harry explicou. — Quer dizer, espero que sejam mais de um dono.

— Deve ser. Uma empresa grande como um time de quadribol dificilmente tem um dono só, a não ser que seja uma empresa familiar, o que não é o caso, porque ele já foi vendido pela família fundadora. — Disse Edgar pensativo.

— As regras mudaram sobre os times a alguns anos, não podem mais ser considerados propriedades familiares como Hallanon, por exemplo. — Falc contou. — Eu me lembro de ver um dos meus avós protestar sobre quererem transformar os times em empresas e lhes darem valores de mercados, pagar impostos e taxas, coisas assim.

— E o que isso significa para nós? — Harry perguntou curioso.

— Significa que os registros são públicos e podemos verificar quem é o dono ou donos. — Falc respondeu. — O que quer dizer que compraremos as ações do acionista que mais precisar de dinheiro ou parecer mais disposto a vender.        

— Exato. Essa estratégia nos leva para a segunda etapa, se comprarmos as ações, deixaremos as pessoas saberem e isso agitará o mercado. — Disse Harry sorrindo.

— O que quer dizer? — Sirius se mostrou confuso.

— Quer dizer que, se os outros acionistas descobrirem que uma parte da empresa foi vendida a um estranho, ficarão tensos, preocupados. — Edgar assumiu a explicação. — Eles especularão que em breve haverá mudanças, interferências e, talvez, elas não sejam positivas, o que faria o preço do time diminuir e suas ações se desvalorizarem.

— Isso os deixaria vulneráveis ou predispostos a vender as suas ações se recebessem uma proposta. — Acrescentou Harry. — Isso é uma aquisição agressiva, pois exige um pouco de manipulação de mercado e uma negociação dura, mas, pode dar certo. Chester também disse que o ideal, em uma primeira proposta, não importa quantos acionistas tem o time, é que um terceiro faça a compra ou tentativa de compra por mim, pois, se o nome Potter estiver envolvido, tudo fica mais complicado.

— Porque eles sabem o quanto você é rico? — Edgar perguntou.

— Não, porque eles saberão que o meu interesse é pessoal, que já tenho 30% do time e quero muito adquirir o resto. Isso encareceria a negociação e poderia se tornar inviável. — Disse Harry e os viu acenar entendendo. — Então, o que eu pensei, já que não precisamos agir agressivamente ou com pressa, é obtermos as informações sobre os acionistas e a GER se aproximará do mais vulnerável. — Harry disse apontando para Edgar. — O senhor negociará sem pressa ou mostrando muito interesse, dirá que o seu chefe quer ser dono de um pedaço de um time de quadribol, pois acha isso interessante e divertido. Pode até dizer que tem outros times dispostos a vender algumas ações e que o tal acionista estaria perdendo a oportunidade de vender as suas por um preço um pouco acima do valor de mercado. Não precisamos nem comprar a totalidade das ações se o cara não quiser vender, porque, depois, Sirius Black comprará mais um pouco de outro acionista e depois o Sr. Falc, como meu guardião, comprará mais um pouco de outro. Entenderam?

— Você quer ser o acionista majoritário. — Edgar constatou. — Se cada um de nós comprarmos, separadamente, de 7 a 10% de ações, você terá mais de 51% do time.

— Exatamente. — Harry sorriu animado. — Poderemos mudar de estratégia então e fazer a manipulação de mercado, espalhar que o time Kestrels de Kenmare está sendo vendido, que haverá mudanças e tal. Isso desestabilizará os acionistas que ainda tiverem ações, eles ficarão preocupados e, então, avançamos rapidamente sem lhes dar chance para raciocinar e pressionamos por mais algumas ações. Mais uma vez, não importa se não comprarmos tudo porque, depois disso, mudaremos de estratégia de novo e deixaremos vazar a informação que o dono da GER perdeu o interesse em ser dono de um time de quadribol e aceitou uma boa proposta feita por Harry Potter que, como já tinha 30%, se tornou o acionista majoritário do Kenmare. Posso dar uma entrevista bem interessante sobre como amo quadribol e tenho muitas ideias, realizarei muitas mudanças, que será tão divertido e blábláblá. — Harry falou em tom meio infantil e parecendo pouco inteligente, os três homens riram.

— Quem conhecer você não acreditará nesta entrevista, Harry. — Disse Sirius divertido.

— Bem, mas aqueles que estarão de posse das últimas ações não saberão disso e ficarão apavorados. — Harry acenou para Sirius. — Sirius Black, O Infame, pode corroborar e dizer algo bem pouco inteligente também, os acionistas ou o acionista ficará apavorado...

— Com razão. — Provocou Falc ironicamente.

— ... e quererá vender tão rápido quanto podemos assinar o cheque. — Harry encerrou seu plano com um sorriso brilhante. — Então? Acham que pode dar certo?

Os três homens o olharam entre divertidos, exasperados e admirados.   

— Com certeza. — Sirius,

— Possivelmente. — Falc,

— Faremos dar certo. — E, Edgar disseram ao mesmo tempo.

Com mais essa questão resolvida, Harry pode se concentrar na festa de ano novo na Mansão Colton que, como no ano anterior, foi um grande sucesso. Ele foi com Serafina buscar sua tia e primo, aproveitando para deixar Ffrind em seu quarto, escondido, pois pretendia apresentá-los a seu doce amigo no dia seguinte. 

Na Mansão, Petúnia ficou de boca aberta para o enorme número de pessoas famosas ou razoavelmente conhecidas e para a quantidade absurda de joias muito brilhantes e caras que as mulheres usavam. Harry a apresentou a Sra. Clark e as duas pareceram se dar muito bem, principalmente, depois de trocarem elogios.

— Você criou o menino mais doce e educado que já conheci. Meus parabéns. — Disse a Sra. Clark fazendo Harry corar outra vez.

— Ora. — Petúnia sorriu com orgulho. — O mérito é todo dele, acredite em mim. Sua revista, Épique, eu a amo, sou assinante e uma leitora ávida. Sempre foi uma maneira maravilhosa de conhecer partes do mundo para mim, como uma janela para a minha alma.

— Oh... — Emocionada a Sra. Clark apertou sua mão em agradecimento. — Bem, obrigada por me dizer isso, querida. Com exceção dos meus filhos, a revista é a criação da qual mais me orgulho.

Harry as deixou conversando depois disso e passou um tempo com Chester, que queria lhe apresentar a algumas pessoas.

— Você é um jovem muito rico, Harry e, um dia, fará negócios com alguns desses homens, assim, deve conhecê-los bem e, mais importante, permitir que eles o conheçam e não se esqueçam de você. Entende? — Disse Chester com a sobrancelha erguida e Harry sorriu com malícia.

— Entendi. Bem, vamos lá, vou adorar me tornar inesquecível.

Enquanto Harry usava sua inteligência e sarcasmo para divertir alguns homens ricos e pomposos, Petúnia e a Sra. Clark conversavam suavemente em uma saleta.

— Deve ter sido assustador fundar e administrar uma revista tão grande, principalmente, naquela época. — Disse Petúnia suavemente.

— Assustador? Bem, suponho que senti medo, mas, quando jovens, somos muito mais corajosos, eu penso. — Sra. Clark sorriu ao se lembrar daqueles dias distantes. — Minha vontade, determinação e ambição falou mais alto que o medo ou inseguranças, me deram a coragem que eu precisava para realizar algo como a Épique, em um tempo em que as mulheres mal tinham autorização para trabalhar.

— Mesmo hoje, as oportunidades e trabalhos disponíveis são classificados. — Acrescentou Petúnia.

— Muito verdade. E, naquela época, poderíamos ser enfermeiras, professoras e secretárias, mais nada. Hoje existem mais opções, desde que não invadamos os espaços masculinos ou pretendermos cargos de chefia. — Sra. Clark fez uma expressão irônica. — O homens são uma contradição, eles nos deixam administrar seu lar e educar seus filhos, mas nos acham inferiores para gerir uma empresa que, convenhamos, é muito mais fácil.

As duas riram, mas havia uma certa amargura nesta verdade injusta.

— De qualquer forma, o mérito não é apenas meu, Petúnia. Eu tive o apoio incondicional do meu marido, sabe. — Seus olhos brilharam de amor e saudades. — Ele me amava e teria me dado qualquer coisa que eu lhe pedisse, mas eu era atrevida e pedi sua confiança. Tinha certeza que diria não ou usaria minhas ideias e receberia todos os elogios e créditos, no entanto... — Ela suspirou e sorriu. — Meu querido Rob, abriu a revista e a deu de presente para mim, nunca duvidou ou questionou minhas decisões e nunca se arrependeu disso. Assim, é a seu amor que devo tudo o que conquistei.

— Isso é incrível. — Petúnia sorriu com a emoção da mulher. — Meu pai tinha essa fé em mim, mas... — Seus olhos brilharam com lágrimas pelo arrependimento. — Desculpe.

— Não se desculpe, minha querida, sei bem como é a dor das lembranças de quem perdemos e do que perdemos com eles. — Ela suspirou cansadamente. — Meus filhos agem como se eu fosse uma velha senil e incapaz, nunca me discriminaram por ser mulher, agora o fazem por ser velha. Sinto falto do meu Rob, todos os dias.

— Eu perdi meu pai muito antes de sua morte, por causa das escolhas erradas que fiz. — Disse Petúnia com um sorriso aguado. — Em um dia como hoje, onde pensamos no novo ano e no futuro, não consigo não pensar em meus fracassos. Mas, para mim o problema não é esse, sabe, reconheço que fracassei e estou ansiosa para recomeçar, mas, não sei por onde ou o que fazer comigo mesma.

— Divórcio? — Sra. Clark perguntou gentilmente.

— Sim, assinado a três semanas e nunca me senti tão livre e aliviada. — Petúnia sorriu e suspirou. — E, estou completamente perdida também. Quando me casei a 15 anos, abandonei a faculdade no meio e, agora, não sei se volto a estudar ou se apenas procuro um emprego qualquer.

— O que você queria fazer aos 20.... — Sra. Clark hesitou com expressão questionadora.

— 19 Anos. — Respondeu Petúnia rapidamente.

— Merlin, você era muito jovem, praticamente uma criança. Qual eram os seus planos, então?

— Eu planejava ser contadora como o meu pai e, antes de brigarmos, pretendia trabalhar com ele em sua empresa de contabilidade. — Petúnia disse suavemente.

— Ok. Mas, você não tem mais 19 anos, é outra pessoa agora e não precisa seguir ninguém, seu pai, seu ex-marido ou qualquer um. Você está livre, Petúnia, para conduzir a sua vida como quiser, a questão é. O que a Petúnia em minha frente quer fazer? — Sra. Clark perguntou suavemente.

Petúnia parou e refletiu, olhou para a Sra. Clark, uma bruxa, e pensou em sua longa vida, seus grandes feitos, suas conquistas, onde uma varinha nunca precisou ser acenada.

— Eu quero fazer minha própria magia no mundo. — Seus olhos brilharam de lágrimas quando entendeu, finalmente. — Quero realizar algo importante, quero ajudar as pessoas e fazer coisas boas. Esse mundo é o meu lugar e tudo bem, posso torná-lo tão mágico e especial quanto eu quiser.

— Bem... isso é muito doce. — Sra. Clark estava muito emocionada também. — Então, faça, minha querida, realize sua magia e torne o mundo melhor e mais bonito. Não permita que nada e nem ninguém, mesmo você, a impeçam.

Harry teve uma noite divertida, conversou e provocou muitos risos, comeu muito bem, se divertiu com seus amigos. Mandy estava presente mais uma vez e todos eles passaram a contagem regressiva rindo e se divertindo no jardim iluminado pelos fogos.

O dia seguinte, sexta-feira, o grupo se reuniria para um dia sem trabalhos ou problemas, visitariam o Aquário de Londres e o Hyde Park, mas antes, Harry tinha uma importante missão. Ele decidiu dormir na Evans House e não com os Boots em sua casa de Londres, assim, depois de sua corrida, Harry iniciou o café da manhã e esperou que sua tia e primo acordassem.

— Bom dia! — Disse ele quando os dois entraram sonolentos na cozinha.

— Como você pode estar sempre tão animado pela manhã? — Perguntou Duda bocejando. — Principalmente, quando fomos dormir tão tarde?

— Bem, não é tão cedo assim, Duda, já passa das 8 horas e eu estou acostumado a acordar cedo, aliás, você perdeu o treino hoje. — Disse Harry enquanto comiam sua deliciosa comida.

— Hupf... compenso amanhã — Disse ele no meio de outro bocejo. — Tenho o treinamento no Centro, lembra?

— Pensei que tiraria uma folga amanhã para escolhermos os objetos dos seus avós? — Petúnia apontou.

— Ah, sim, verdade. Bem, amanhã corremos o dobro no parque, então. — Disse ele dando de ombros.

— Combinado. — Harry respirou fundo. — Bem, quando estive em Hallanon, além de todas as coisas que fiz e que lhes contei, eu também ganhei um presente muito legal da minha tia Trissie.

— Verdade? — Duda se mostrou interessado. — O que é?

— Um minuto, vou buscá-lo. — Harry subiu rapidamente até o seu quarto no sótão e encontrou Ffrind brincando com o tapete felpudo. — Oi, garoto, vem cá. Olha, vou te apresentar a minha tia e primo, eles cuidarão de você por um tempo e preciso que cause uma boa impressão. Ok?

Ffrind o encarou com seus olhos castanhos chocolate muito doces e gentis, deu uma latida suave e lambeu sua mão. Harry desceu as escadas com seu filhote no colo e lamentou não poder levá-lo para Hogwarts, mas o perigo do basilisco era real e ele não arriscaria. Quando entrou na cozinha, seu primo já começara a lavar a louça, mas parou e arregalou os olhos ao ver o Setter irlandês.

— Oh... — Foi o que disse ao abrir a boca e voltar a fechá-la sem palavras.

— O que é isso? — Petúnia voltou a cozinha da lavanderia e parou subitamente ao ver o cachorro.

— Eu o trouxe e deixei escondido ontem, antes da festa. — Disse Harry timidamente. — Este é Ffrind, que quer dizer amigo em galês e ele é o meu mais novo companheiro.

— Harry.... — Sua tia parecia meio apavorada ao olhar para o filhote de pelo avermelhado.

— Eu sei, tia Petúnia, eu sei que a senhora não gosta de animais, cachorros, principalmente, mas Ffrind é diferente. — Harry ergueu o filhote até a altura do rosto e o virou de frente. Ffrind parecia saber que precisava impressionar porque imediatamente lhes deu um grande sorriso doce de língua de fora e olhar gentil.

— Ele é tão fofo. — Disse Duda o encarando meio apaixonado.

— Sim, ele é sim. — Harry sabia que precisava convencer sua tia, assim continuou. — Ele é um Setter Irlandês, porte grande, muito gentil e amigo, adora se exercitar, então, Duda, você pode levá-lo para correr com você no parque. Vocês farão companhia um ao outro e ele ficará feliz e saudável.... Ah, ele é um cachorro mágico, assim, muito inteligente, não precisa de coleira e guia, o ouvirá e seguirá sem problemas.

— Mas... ele ficará aqui? — Duda parecia confuso, surpreso e um pouco esperançoso.

— Sim, quer dizer, eu quero levá-lo comigo, mas, neste momento, é muito perigoso por causa do basilisco. — Harry o aproximou de seu peito protetor, ele já o amava e o queria seguro. — Se tudo se resolver, posso levá-lo depois da páscoa ou em setembro, mas, no verão, gostaria que Ffrind vivesse aqui conosco. No Chalé já tem o Kalil e pensei que esse garotão seria uma boa companhia para nós, aqui, na Evans House.

Neste momento, Ffrind latiu, balançou o rabo e sorriu mostrando que seria uma ótima companhia.

— Ele parece entender o que falamos. — Disse Duda encantado. — Posso segurá-lo?

Como ele parecia animado e ansioso, Harry concordou e lhe entregou Ffrind, que imediatamente abriu um sorriso bonachão, cheirou e lambeu sua mão. Duda riu divertido.

— Ele é tão doce, nada igual aos cachorros assustadores da tia Marge. — Disse ele encantado.

— Bem, acho que a história de que o dono faz o cão é verdadeiro. — Harry disse com sarcasmo mordaz. Duda riu ainda mais e Harry olhou para sua tia que observava a interação tensa e preocupada. — Tia, Ffrind é muito inteligente e não dará trabalho...

— É um animal grande, peludo, babão, Harry, a casa ficará toda suja... — Petúnia parecia aflita e Harry suspirou, pois conhecia muito bem a sua mania de limpeza, às vezes, ele tinha a sensação que era quase uma compulsão ou algo assim.

— Eu sei, mas... não precisa ser assim. — Harry pegou um livro sobre Setters Irlandeses. — Eu li sobre eles e a senhora pode ler por si mesma, eles não babam, seus pelos caem de tempos em tempos, mas, Sirius colocará um feitiço na casa que os fará desaparecer assim que caírem. Isso resolverá o problema da poeira também. — Ele apontou para a porta dos fundos. — Colocaremos uma portinhola de cachorros na porta e Ffrind terá uma área para suas necessidades no jardim que desaparecerão magicamente. Sua cama pode ficar na lavanderia e ele é muito inteligente, assim, não pulará nas visitas ou morderá os móveis.

Harry disse seu discurso de uma vez e, quando terminou, Ffrind latiu animado e olhou para sua tia em expectativa. Petúnia encarou os três pares de olhos, azul, marrom e verde, que esperavam seu veredito e suspirou profundamente.

— Ok. — Ela disse e Harry abriu um grande sorriso, Duda gritou e Ffrind latiu animado. — Estamos renovando essa casa e eu não a quero chata e normal, quero que seja um lar para nós três e para Ffrind.

— Obrigado, tia Petúnia. — E, pela primeira vez desde que era um garotinho, Harry tomou a iniciativa e a abraçou com força. — Ele será um bom companheiro, a senhora não se arrependerá.

Ffrind foi colocado no chão e pôs-se a explorar a casa animadamente, quando Sirius chegou e fez as adaptações mágicas, a sensação de todos era que ele sempre viveu na Evans House.                 

  Mais tarde, naquela manhã, Petúnia, Duda, Harry e Sirius, foram se encontrar com os Boots, Martin, Elizabeth e seus filhos, além de Mandy, seu irmão Rocco e seus pais. O grupo se encontrou na entrada do Aquário que ficava em um prédio lindo em forma de meia lua e arquitetura vitoriana. As crianças, Adam, Ayana, Tianna, Marvel e Rocco, estavam ansiosas para verem os tubarões, mas eles começaram com o corredor da Costa do Atlântico. Duda já tinha estado no Aquário em uma excursão pela escola que Harry não teve permissão de ir, mas parecia estar se divertindo mesmo assim. Com o Harry foi o mesmo, em meio as crianças, olhou assombrado para todos os peixes diferentes e coloridos, polvos, lulas, corais e, por algumas horas, ele foi apenas uma criança curiosa e encantada. O corredor de Recifes dos Tubarões foi o maior sucesso, ainda que assustador, principalmente quando Tianna tentou assustar o irmão mais novo dizendo que Marvel ganhou um prêmio para nadar com os tubarões e era obrigado a ir. O menino assustado começou a chorar e se agarrou no colo da mãe, até seguirem para o Reino dos Cavalos Marinhos.

Eles terminaram almoçando no próprio Aquário e depois foram para o Hyde Park para patinar, tomar chocolate quente e comer castanhas assadas, antes de se despedirem.

Harry, mais uma vez, ficou em Londres, pretendia passar essas últimas horas com sua tia e primo na Evans House e, no domingo de manhã, ela o levaria a King Cross.

Eles passaram o sábado tranquilo, arrumando o escritório do seu avô e dividindo as lembranças dele e da Sra. Evans. Sua tia Petúnia lhe mostrou o cobertor que ele usava quando foi deixado em sua casa, o que os emocionou muito e pediu para mantê-lo com ela como uma doce recordação. Harry concordou, sabia que teria muitas outras coisas de seus pais na Abadia, objetos e móveis que foram retirados do Chalé Iolanthe antes de ser destruído. No entanto, ele ficou com uma colcha de retalhos que sua avó fez, além de uma luminária de mesa antiga que ela tinha restaurado.

— Papai adorava ir as lojas de antiguidade ou de móveis usados, um dia, ela viu essa luminária em bronze com esses detalhes em madrepérolas e ficou encantada, mas papai não gostou porque os vidros estavam quebrados. — Contou Petúnia. — Mas, ela era teimosa e a trouxe para casa, conseguiu o material e fez esse mosaico de vidros coloridos. A luminária ficou parecendo um vitral e ainda mais bonito do que era originalmente, acredito. Até papai reconheceu isso.

Harry também ficou com os sofás do escritório de seu avô que era de madeira de ébano negra, o estofado bege precisava ser trocado e sua tia prometeu que estaria pronto quando voltasse. Ele escolheu a cor azul e pediu que fosse colocado em seu quarto, no sótão, onde faria uma pequena saleta. Seu avô também tinha muitos livros, quadros, caixas de rapé para os charutos que fumava de vez em quando e Harry escolheu os que mais lhe agradou. Duda, particularmente, ficou emocionado por poder ficar com uma caneta tinteiro preta e dourada com as letras, B. Evans, personalizadas. No entanto, o que mais os agradou foi encontrarem cartas antigas trocadas entre seus avós e entre eles e Lily em Hogwarts. Eles concordaram que isso deveria continuar com Petúnia e na Evans House, onde estariam mais seguras.

Harry mudou seu quarto também, acrescentando alguns móveis e objetos encontrados pela casa, mas, principalmente, os tesouros dos seus avós. Ele decidiu que Sirius estava certo, era a maneira como encarava esses objetos que importava e não os veria como fantasmas o assombrando e sim como lembranças de pessoas amadas.

O quarto de sua mãe continuou igual. Petúnia e ele entraram juntos, observaram e tocaram os objetos com carinho e em silêncio, porque nada mais havia para ser dito.

— Doar, é o que eu quero fazer, tia Petúnia, acho que até estou pronto, mas não tenho tempo hoje e... — Harry disse baixinho.

— Está tudo bem, não há pressa. — Petúnia apertou seu ombro esquerdo com carinho. — No verão, com mais tempo e cuidado, nós cuidaremos disso, separaremos o que queremos guardar e doaremos o resto. Eu gostaria de fazer isso também e, na verdade....

Os dois deixaram o quarto fechando a porta atrás deles.

— O que? — Harry perguntou curioso.

— Bem, lembra-se que você me perguntou se eu pretendia voltar a estudar ou encontrar um trabalho? — Petúnia falou e parecia levemente ansiosa.

— Sim. — Harry não fez mais perguntas e esperou.

— Eu decidi que farei as duas coisas. Quero voltar a estudar e terminar o curso de administração, não sei se me especializarei em contabilidade ou outra área, não sou a mesma pessoa que era a mais de 15 anos, afinal. — Disse ela apertando as mãos.

— O mundo mudou também e talvez tenha algo novo no curso que lhe desperte o interesse. — Disse Harry e sua tia acenou. — E, onde pretende trabalhar?

— Bem, na verdade, eu não preciso de um salário porque, com o divórcio, fiquei muito bem com os investimentos e tal. Assim, decidi que farei trabalho voluntário em algumas ONGs e Abrigos. — Disse ela corajosamente e sorriu ao ver seu olhar espantado. — Eu sei, não combina nada comigo, não é? Mas, eu... preciso fazer coisas boas, quero ajudar pessoas e tornar o mundo um lugar melhor, mágico. Preciso fazer isso para me redimir pelos meus erros, preciso fazer isso para me perdoar e para me amar outra vez. Faz sentido?

— Sim. — Harry se engasgou e sorriu emocionado. — Eu também preciso fazer coisas boas, triplamente, por mim e por meus pais, assim o mundo não os perde totalmente.

Os dois se abraçaram fortemente e depois voltaram ao trabalho.

À noite, Sirius veio buscá-lo para jantar com ele, Remus, Maria MacDougal, Emmeline Vance e Denver. Harry estava ansioso por encontrá-los e conhecer a Chefe Auror, mas, infelizmente, não conseguiram encaixar em um momento anterior, pois todos estavam muito ocupados com os feriados e trabalho. Eles pegaram um trem para Battersea onde se encontrariam em um restaurante no Battersea Park que ficava em um píer a margens do Tamisa e tinha os melhores pratos de fruto do mar da cidade.

— Normalmente vamos a algum pub, mas, você não poderia entrar em um lugar assim. — Disse Sirius quando deixaram a estação e caminharam a beira do rio. — Espero que não se importe em conhecer a Denver com o pessoal presente, mas, pensei que seria mais descontraído assim.

— Não, não me importo. — Harry disse assoprando as mãos para esquentá-las, pois esquecera as luvas, Sirius acenou a varinha e o aqueceu, discretamente. — Obrigado. Gosto da Maria, da Vance e não as vejo desde o verão.

Eles foram os primeiros a chegar, Remus logo depois e eles aproveitaram para falar sobre a futura visita a Stronghold e os planos inicias para se reunirem com alguns lobos solitários ou grupos que viviam de maneira nômade nas florestas.

— Eu não deveria estar presente nessa reunião, Remus? — Harry perguntou preocupado.

— Não agora. — Ele respondeu. — Eles não confiam facilmente e me aproximar já será difícil. Quando iniciar o assunto, muitos se afastarão por pura incredulidade e tenho que escolher conversar com algumas pessoas de confiança, não podemos correr o risco de tudo isso cair nos ouvidos errados.

— O Ministério? — Harry perguntou curioso.

— Não. Os lobisomens não confiam no Ministério, Harry, jamais os informariam de nada. Estou falando dos lobisomens das trevas, como Greyback, mesmo que sejam cruéis e desumanos, poderiam se unir para tentar nos prejudicar. — Disse Remus seriamente.

— Isso quer dizer que sua missão é perigosa? —  Harry se preocupou na hora.

— Eu fiz isso muitas vezes na guerra, Harry, me aproximei, encontrei e me infiltrei nas matilhas, naquela época, tinha apenas palavras e promessas vazias, mas, agora... — Remus sorriu com esperança. — Além disso, tenho amigos que sei que posso confiar e que me ajudarão a me aproximar dos outros.

— Eu irei com ele sempre que for possível, Harry e, quando for necessária à sua presença, lhe avisaremos. — Sirius disse tranquilo. — Se tudo avançar como queremos, podemos marcar uma reunião na páscoa, talvez e... — Sirius levantou os olhos e sua expressão mudou para algo diferente e com um sorriso que Harry nunca viu antes. — Denver!   

Harry se virou e encontrou a Chefe Auror caminhando na direção deles. Ela tinha os cabelos marrons curtos, o que a deixava ainda mais alta e magra, seu rosto era fino e a pele levemente amendoada. Mas, o mais interessante eram seus olhos castanhos frios e diretos que combinavam com sua caminhada segura, a jaqueta de couro, calças jeans e botas. Se alguém lhe pedisse para descrever uma Chefe Auror da ICW, que era uma carrasca como treinadora e impressionara muito seu padrinho, Harry a descreveria exatamente assim, mas, ainda, ele ficou surpreso.

— Black. — Cumprimentou ela com suave indiferença.

— Que bom que pode vir. — Disse Sirius tentando diminuir o sorriso quente para algo mais descontraído. — Espero não ter estragado suas férias com o convite, mas Harry estava interessado em conhecê-la.

Harry se levantou e viu sua expressão de dúvida quando o encarou.

— Olá, Chefe Denver, é um prazer conhecê-la. — Ele estendeu a mão educadamente e apertou a dela com firmeza.

— Prazer em conhecê-lo, Potter. — Disse ela diretamente.

— Me chame de Harry, por favor. — Ele sorriu timidamente. — Sirius me contou muito sobre a senhora, Chefe Denver.

— Contou, é? — Disse ela erguendo as sobrancelhas para Sirius, o questionando sobre isso. — Pode me chamar só de Denver, deixe as formalidades para momentos formais.

— Denver, você se lembra do Remus, certo? — Disse Sirius tentando direcioná-la.

— Como poderia esquecer se passei umas 8 horas o interrogando não tem muito tempo. — Disse ela com ainda mais frieza.

— Como vai, Chefe Auror. — Disse Remus em seu tom gentil e olhar suave.

— Estou bem e espero que você esteja sendo um amigo melhor, Sr. Lupin. — Ela falou com acidez.

— Estou tentando e me chame de Remus, por favor. — Respondeu ele sem recuar, o que lembrou a Harry que Remus era um Gryffindor.

— Ok, me chame de Denver. — Eles se sentaram, Denver ao seu lado e Harry estava ansioso para lhe fazer muitas perguntas, mas Maria e Vance chegarem logo depois.

Os cumprimentos foram feitos, pois Denver não as vias desde a investigação e interrogatórios do ano anterior. O garçom apareceu antes que pudessem desfazer o momento de silêncio estranho e constrangedor, então, eles fizeram os pedidos das bebidas e entradas.

Logo depois eles preencheram o silêncio com conversa banal sobre o que fizeram nas férias, como foi o Natal e Réveillon de cada um. Maria ficou encantada sobre Hallanon e Vance parecia ter passado as festas sozinhas, o que Harry achou muito triste e solitário.

Denver se manteve mais silenciosa, respondendo apenas quando perguntada e Harry considerou que deveria ser difícil se enturmar com pessoas que já eram amigas e que, a pouco menos de um ano, ela investigara. Além disso, a solitária e amarga Vance, a doce e risonha Maria e o Remus, tímido e gentil, não combinavam nada com ela e sua atitude meio robótica. Sirius, a encarava o tempo todo e ela retribuía com um olhar duro, Harry percebeu que o padrinho a tinha chateado de alguma maneira e parecia tentar se justificar ou se desculpar nesta comunicação silenciosa.

Quando o garçom voltou, Harry fez inúmeras perguntas sobre os pratos do cardápio, depois que todos fizeram seu pedido, o assunto se manteve em comida e seu talento para cozinhar. Em seguida, seu talento para voar e o de seu pai, assim que ele foi mencionado, seus pais e as histórias sobre eles em Hogwarts começaram a pipocar e Harry suspirou meio decepcionado. Ainda não conseguira fazer uma única pergunta a Denver, e sua postura nada amigável, não ajudava. Finalmente, quando pediram a sobremesa, Denver perguntou diretamente.

— Bem e, afinal, porque queria me conhecer, Harry? — Sua expressão era quase irônica e ele não entendeu nada, mas aproveitou oportunidade e a encheu de perguntas.

Como era o treinamento auror na MACUSA? Era muito diferente do Ministério da Magia do Reino Unido? E a ICW, tinha um treinamento complementar? Viver em outro país era obrigatório como um auror da ICW? E os treinamentos físicos? Ela utilizava métodos trouxas? Artes márcias? Quais? Já pensou em usar arma de fogo trouxa? Ela lutava com espadas? Adagas? Katanas? Como era sua preparação física? Ela era magra e alta, como se mantinha em forma e forte, sem ganhar massa muscular? Como liderava sua equipe? Quando ela achava que poderia ou deveria pedir ajuda?

Os dois conversaram por toda a sobremesa e além, o grupo os deixou e foram para o bar do restaurante beber, conversar e ouvir música. Harry e Denver pediram uma segunda sobremesa enquanto continuavam conversando.

— Você queria mesmo me conhecer. — Disse ela quando Harry, finalmente, parou com as perguntas.

— Eu... sim, eu lhe disse isso. — Respondeu Harry confuso.

— Pois é, mas achei que era apenas uma desculpa de Black para me ver. — Denver deu de ombros e olhou na direção do bar onde Sirius gargalhava de algo dito por Vance. Harry a viu fazer uma careta.

— Porque ele precisaria de uma desculpa para te ver? — Harry estava perdido.

— É que, às vezes, os caras usam os filhos para... — Denver parou ao perceber o olhar verde brilhante e inocente que a encaravam. — Deixa para lá, eu me enganei.

— Ok. — Harry deu de ombros. — Denver, tem mais duas coisas que eu queria te perguntar, se estiver tudo bem.

— Pergunte. — Ela respondeu direta.

— Bem, como eu sei se devo ou não envolver outras pessoas em situações de perigo? Quer dizer, devo esconder delas e agir sozinho? Sabendo que é perigoso, devo protegê-los e os manter longe? — Harry perguntou e a viu pensar com cuidado antes de responder, ele gostava disso sobre ela, pois, a noite toda, Denver pesou as respostas com cuidado.

— Bem, cada situação é diferente da outra e essa não é uma resposta que você encontrará no livro de regras, Harry, pois não existe receita. Entende? — Ele acenou. — Se essas pessoas tiverem treinamento, se souberem se defender e escolherem ir, então, não está em seu poder impedir. Um Chefe é responsável por todos os seus aurores, mas, cada um, é responsável por si mesmo, eles escolheram estar ali e assumir os riscos. Agora, se estamos falando sobre uma situação de perigo mortal, o líder pode dar a ordem para a equipe se retirar e ir sozinho. Às vezes, esses momentos acontecem, mas eles não devem acontecer, Harry, porque um líder tem que confiar em sua equipe. Quando alguém comete um erro, eles erram com você, mas se o líder erra, então, ele errou com a equipe toda.

Harry acenou e suspirou, confiar em sua equipe. Sempre ia e voltava na mesma questão, confiança.

— Ok. — Disse ele pensativo.

— Qual era a outra pergunta? — Denver perguntou o olhando com atenção, o garoto parecia carregar o mundo nos ombros.

— Ah! Por um acaso, você não conhece, lá nos Estados Unidos, um lugar ou alguém que consiga o elixir restaurador de mandrágoras, não é? — Ele sorriu esperançoso.

— Sim. Devo conhecer algumas pessoas ou ter contato com outras. — Respondeu Denver displicentemente, Harry arregalou os olhos. — Isso é importante?

— Muito importante, Denver! Um caso de vida ou morte e poderia me ajudar a resolver tudo muito mais rápido, mas.... Teríamos que manter sigilo absoluto, ninguém pode saber e quando você receber, deve me levar imediatamente. — Harry parecia quase frenético e olhou na direção do bar. — Nem mesmo o Sirius pode saber, ele contará aos Boots e tudo sairá de controle. Você pode fazer isso? Conseguir o elixir, manter segredo e levar até Hogwarts quando chegar?

— Sim. — Disse ela o encarando. — Isso o ajudará em sua missão?

— Sim, com certeza e pode significar que ninguém estará mais em perigo. — Harry estava empolgado com a ideia de acordar Colin e Luna, eles lhe diriam quem era a garota controlada pelo objeto amaldiçoado, depois, eram só a seguir e emboscá-la na entrada da câmara

— Como levo para você? Por canais oficias? — Denver perguntou.

— Não, não, isso chamaria atenção. — Harry bagunçou mais os cabelos pensativos. — Já sei, quando estiver com o elixir, vá a Hogsmeade e pense em minha coruja, Edwiges, ela a encontrará e levará sua mensagem até mim. Depois, vá até a Casa dos Gritos, é uma casa velha e antiga na saída da cidade, seja discreta, feitiço de desilusão é o melhor para não chamar a atenção. Eu a encontrarei lá e poderá me entregar o elixir...

— Espere. — Disse Denver com a sobrancelha arqueada, era um bom plano e o garoto sabia dar ordens. — Eu entrarei com você na escola para te ajudar depois que acordar as crianças e descobrir o que precisa para deter o atacante.

— Você sabe sobre isso? — Harry perguntou surpreso.

— Está nos jornais, Potter, além disso, seu padrinho se preocupa com você e me contou sobre os ataques. — Disse ela simplesmente. — Imagino que espera conseguir a identidade do atacante com os petrificados.   

— Sim. — Harry hesitou em lhe dizer qualquer outra coisa. — É complicado, mas...

— Vou lhe dizer uma coisa, Harry. Se você tem um problema, resolva-o. Essa é a vida de um auror, encontrar uma solução para um problema e outro e mais outro, não tem essa de complicado. Entendeu? — Harry acenou e engoliu em seco. — Quando te levar o elixir, que pode levar umas semanas para chegar, se, eu o conseguir, entrarei em Hogwarts e o ajudarei a terminar essa missão. E, isso não é nada complicado.

Harry acenou e entendeu que pedir sua ajuda a tornava parte de sua equipe, de certa forma.

— Qual o seu plano B, caso não consiga o elixir? — Ela perguntou e era toda a líder.

— Descobrir o atacante, segui-lo a entrada da câmara, informar o Prof. Flitwick que chamará os aurores. — Harry respondeu diretamente.

— E, se precisar interferir, não puder pedir ajuda ou esperar por ela? Qual o seu plano C? — Denver questionou duramente.

— Chamarei um amigo elfo doméstico que está de sobreaviso e decidirei o melhor curso de ação. — Ele endireitou os ombros.

— Se houver um ataque antes disso, qual o seu plano? — Denver voltou a perguntar.

— Usarei meu treinamento para me defender e meus amigos, preciso esconder que sou um ofidioglota, tenho uma bolsa de poções preparadas para ferimentos e mordidas, além de espelhos em meus bolsos, uma adaga em meu tornozelo e posso enxergar de olhos fechados com a minha magia. — Respondeu ele e a viu acenar ao perceber que estava tão preparado quanto possível.

— Você confia em sua equipe, Potter? — Ela questionou e Harry foi sincero.

— Não.

— Sugiro que mude isso o quanto antes ou poderá perder um deles ou a sua vida. — Denver disse duramente. — Confiar, às vezes, significa deixar que eles escolham por si mesmos.

— Vou tentar... apenas, é...

— Complicado. Entendi, bem, descomplique. — Ela disse sem atenuar a mordida e Harry acenou.

O domingo amanheceu rápido demais, principalmente para Harry, que só voltou de madrugada, fato que deixou sua tia muito descontente. Eles caminharam para King Cross depois de um farto café da manhã e chegaram com meia hora de antecedência. Os Boots chegaram 10 minutos depois e Ayana e Adam lhe deram grande e longos abraços, dizendo que sentiram sua falta na despedida tradicional de irem para a cama de Terry ao amanhecer.

Remus apareceu junto com Sirius para as despedidas e lhe deu um abraço forte, prometendo manter contato sobre o seu projeto especial. Os Boots o abraçaram, sua tia, Duda e Sirius, até que Harry se sentiu esmagado, mas seu sorriso nunca morreu e ele não reclamou, pois os adorava.

Hermione e Neville se acomodaram e, alguns minutos depois, o trem partiu. Eles trancaram a porta para não correrem o risco de receberem a visita indesejada de Malfoy e seus gremlins, mas houve várias batidas de amigos e colegas para cumprimentá-los ou agradecer pelos presentes de Natal. Harry e o três amigos conversaram sobre muitas coisas relacionada as férias, a GER, a MagiTec, Hallanon e evitaram falar de Hogwarts. No entanto, assim que a noite caiu e o castelo se aproximou, o clima mudou e a tensão os envolveu.

— Estou com um mal pressentimento. — Terry suspirou olhando para a noite escura, chuvosa e fria enquanto o trem parava.

— Sim. O que podemos fazer? — Hermione sussurrou meio aflita.

— Ficar juntos, observar e lutar se necessário. — Harry disse e os olhou com firmeza. — Entendido?

Os três concordaram e eles caminharam para fora do trem na direção dos testrálios e das carruagens.

O plano era fútil, na verdade, porque nada poderia lhes preparar para o que veio a seguir.

Na manhã seguinte, eles acordaram de madrugada e foram treinar na Caverna do Maroto. Com exceção da corrida matinal, eles não tinham treinado durante as férias e estavam ansiosos por retomarem, Harry principalmente. Prof.ª Charlie os esperava com o grande sorriso de sempre e estava muito contente de poder voltar a gritar e bancar a treinadora carrasca depois do período de descanso, ainda que ela admitisse que não precisava gritar muito com esses 4.

Eles se dividiram para os vestiários para se trocarem, Neville resmungando que estava morrendo de saudades de nadar e que pularia na piscina depois da corrida. Terry concordou, mas, Harry disse que iria para a academia levantar alguns pesos.

— Preciso melhorar meu condicionamento. Meistr será mais duro esse semestre e não posso bufar feito um cachorro vel....

Comida, sinto o cheiro de carne fresca... mestre, me prometeu... tanta fome... preciso....

E, em um segundo, tudo mudou. Chocado, Harry percebeu que a voz vinha da parede. Dos canos!

— SAIAM! — Seu berro foi seguido pelo som assustador da pia voando e batendo na parede oposta, água esguichando para todos os lados. — Agora! Confringo! — O feitiço foi na direção dos armários que explodiram. — Depulso! Incendio Maximus!

Os três feitiços, que Harry lançou na direção da basilisco sem olhar, lhes deu tempo suficiente para Neville agarrar Terry e sair correndo do vestiário com Harry os seguindo um segundo depois.

— Para a porta! — Gritou ele os instigando.

— Hermione! — Gritou Terry desesperado e tentando ir para o outro vestiário, mas o basilisco silvou audivelmente se arrastando atrás deles e Neville o puxou para a direção da saída.

Charlie os encarou por um segundo, talvez, surpresa pelo barulho, a corrida, suas expressões, mas, antes que perguntasse...

— BASILISCO! — Berrou Harry esperando que Hermione ouvisse e se trancasse no vestiário feminino.

Charlie se virou na direção da porta e correu, com os meninos a alcançando rapidamente e, não mais do que alguns segundos se passaram enquanto venciam a distância para as portas duplas do outro lado da Caverna, mas.... Assim, que começaram a subir os degraus, a porta rangeu sinistramente e se moveu lentamente até se fechar.

— Não! — Gritou a Prof. ª Charlie e acenou com sua varinha tentando abri-la, mas nada aconteceu. — Quem nos trancou!? Abra! Abra, agora mesmo! Reducto!

Harry percebeu o que ia acontecer antes que acontecesse, a magia se refletiu na porta encantada com algum feitiço desconhecido e muito avançado, atingiu Charlie em seu braço de varinha e a jogou para traz toda a distância até bater no chão lá embaixo, depois dos degraus. O chão, que tinha o feitiço de amortecimento, não lhe causou danos, mas sua varinha, mão e braço estavam estraçalhados. O sangue se espalhou rapidamente formando uma poça vermelha escura.  

Sangue... sinto o cheiro de sangue... carne saborosa... fome, tanta fome....

— Fechem os olhos. — Ordenou o Harry com voz calma e fez o mesmo, mas, sua magia respondeu ao perigo, a adrenalina e na mesma hora tudo a sua volta estava sendo captado. Os seres vivos brilhavam na escuridão e Harry se forçou a respirar fundo, desacelerar o coração e pensar no próximo passo. — É uma armadilha e estamos presos.

Suas palavras caíram sobre eles por um segundo, a batida do coração.

— O que faremos? — Neville sussurrou, sabendo que Harry teria um plano.

— Charlie... — Terry disse angustiado. — Hermione...

— Não podemos fazer nada por elas, se concentre. — Harry disse e respirou fundo. — Eu sou o alvo, vou atraí-la, tentem dar a volta, peguem os espelhos em nosso vestiário, Hermione e se escondam no vestiário feminino. Tentem encontrar uma forma de sair, explodam a maldita parede. — Eles pareciam que iriam protestar, mas Harry não permitiu. — Vão! — E desceu os degraus escuros sem problemas, pois sua magia estava conectado a tudo a sua volta.

Harry sabia que a capa não adiantaria por causa do seu coração batendo, além disso, queria ficar muito visível. Saltando por cima de Charlie, ele parou por um segundo e acenou com a varinha.

— Desine Cruentamque. — Ele sabia que o feitiço para conter a hemorragia era avançado, mas, se desse certo, pelo menos um pouco, talvez a salvasse.  

— Ahhh! — Gritou enquanto corria na direção dos aparelhos da academia. — AHHH! — Berrou mais alto e se concentrando para não falar palavras em ofidioglossia.

O ser verde escuro como musgo podre era o único ponto que Harry conseguia ver e ele veio em sua direção muito rápido.

Caelitulue”! — Sua varinha disparou e acenou em todas as direções e Harry conseguiu fazer os feitiços em silêncio sem dificuldades, com sua magia o atendendo e seu talento se mostrando. — “Exsonoru”!

Os dois feitiços trouxeram uma rajada de luz cegante e uma explosão ensurdecedora que fizeram Freya sibilar furiosamente e recuar. Harry olhou para os amigos que ainda desciam as escadas com os olhos fechados, estavam lentos demais!

Devorar... matar o inimigo do mestre...

“Não hoje”! Harry repetiu as luzes e as explosões, com esperança que seria ouvido pelos professores ou zeladores. No entanto, Freya fechou os olhos e avançou com a boca aberta na direção que o coração palpitava deliciosamente, mas, Harry era muito rápido e saltou para longe, ergueu um dos aparelhos pesados com um movimento de varinha e...

Depulso”, pensou e o impacto na gigantesca basilisco foi ouvido.

Ahhhh... me feriu...

“Farei muito mais do que te ferir, a matarei se não for embora”, Harry pensou e, acenando para os halteres, duplicou o seu peso com o Auget Ponderus e os ergueu no ar, lançando-os com o máximo de força e usou a mão esquerda para acionar a luz cegante e obrigar Freya a fechar os olhos. Cada pancada foi seguida por um sibilo de dor e raiva da basilisco e Harry se permitiu olhar na direção dos amigos que não tinham vencido nem metade do caminho. Chocado, Harry percebeu que eles estavam em três, pois carregavam Charlie, cada um segurando um lado dela.

“Maldição”! — Gritou mentalmente e voltou a atenção para a basilisco.

Matarei você... comerei sua carne... pequeno inseto

Tenebronube”! — Imediatamente uma nuvem escura envolveu a cabeça de Freya a cegando. — “Exsonoru”! “Exsonoru”! — As explosões se repetiram e a basilisco se agitou desorientada pelo barulho e escuridão da nuvem.

Harry se distanciou e preparou mais halteres e outro aparelho, mas Freya recuou para traz tentando sair da nuvem escura e num segundo se moveu na direção oposta, onde estavam Neville, Terry e Charlie.

Faminta... sangue... carne... devorar todos... mestre mandou matar todos...

“Sim, mas ele ficará muito descontente se não me matar”!

— AHHHHHH! — Seu berro não fez efeito em Freya que continuou seu caminho rapidamente. — “Covarde”! — Abrindo os olhos brevemente, Harry encontrou o maior aparelho da academia e duplicou seu peso, o ergueu e correu em direção a energia mágica com o aparelho flutuando ao seu lado. — Ahhhhh! — Se aproximando rapidamente, ele não hesitou e soltou o aparelho em cima da basilisco que sibilou desesperada pela dor e se agitou freneticamente.

Harry percebeu o que aconteceria, mas não teve tempo para evitar, quando Freya usou toda a sua força muscular e jogou o aparelho para o alto, ao mesmo tempo, seu rabo o alcançou e ele se viu voando na direção da parede dos espelhos.

— Aresto Momentum! — Uma voz soou e Harry se sentiu desacelerar até pousar no chão acolchoado a um metro dos espelhos.

Ele olhou na direção da cor rosa queimada e marrom.

— Volte para o vestiário, Hermione! — Gritou e voltou a correr na direção da basilisco que foi detida e estava mais lenta pela dor, mas prosseguia na direção dos três corações suculentos.

Ele não chegaria a tempo, percebeu Harry com o coração apertado, não conseguiria! Onde estava a ajuda? Quanto tempo estava lutando?

— AHHHHH! — Seu berro e o desejo de estar lá eram tão intensos que um segundo depois, seu corpo se esmagou em um tubo e Harry apareceu ofegante ao lado dos três.

Respirando com dificuldade, só teve um segundo para pensar que era muito bom estar de estômago vazio antes de acenar sua varinha para Freya e lhe lançar luzes, explosões e fumaça enquanto agarrava um ombro azul escuro e o arrastava na direção do vestiário. Terry e Neville tinham ido pelo caminho depois da piscina e agora ela estava entre eles e a basilisco que sibilava em fúria.

— Mais rápido! Rápido! — Gritou Harry forçando-os e ouviu um baque quando Charlie caiu no chão.

— Não dá para ir mais rápido... — Neville ofegante voltou a agarrar as pernas de Charlie. — De olhos fechados.

— Eu vou guiá-los. — Harry voltou a agarrar o ombro de Terry que segurava o tronco de Charlie, mas não andaram mais do que dois metros quando ela tornou a cair. — Precisamos deixá-la!

— Não! — Disse Terry na mesma hora.

— Vou atrair a basilisco para longe...

— NÃO VOU DEIXÁ-LA! — Berrou Terry com determinação.

— Porra! — Harry respondeu furioso e continuou a lançar feitiços e desorientando Freya que estava cada vez mais perto da piscina. Onde estava a ajuda!?

E, então, a ideia mais louca de todas o alcançou e ele parou de tentar avançar.  

— O que? — Neville quase caiu ao ser parado bruscamente.

— Tive uma ideia. — Harry disse ofegante. — Neville, pode sentir a água? Mesmo sem vê-la?

— Sim. — Ele respondeu e sacou a varinha.

— Quando eu mandar, flutue o máximo de água, o mais alto que conseguir. Terry, flutue Charlie o mais alto que puder. — Harry não esperou por confirmação e, estendendo a mão esquerda, a colocou na água de energia azul perolada e deixou que toda a raiva, medo e injustiça o percorresse. — AHHHHHHHHHH! — Concentrando-se, exigiu que sua magia o atendesse e eletrificasse a água. A sensação foi a mesma de quando chocou Vernon, o percorreu, eletrificou o ar, sua pele se arrepiou e sua mão esquerda brilhou com uma luz prateada e um segundo depois, a eletricidade se espalhou pela água que pulsou e se agitou. — Agora!

— Wingardium Leviosa! — Neville gritou e um terço da água eletrificada da piscina flutuou a 6 metros de altura.

— Depulso! — Berrou ele e não esperou para vê-la atingindo a basilisco, apenas ouviu seus silvos de dor. Encontrando a energia de Charlie flutuando bem alto, Harry agitou sua varinha. — Depulso! — Ela voou na direção da parede dos espelhos. — HERMIONE! PEGUE-A! — Seu berro foi o mais alto até agora e eles esperaram um segundo, dois segundos, três segundos...

— Aresto Momentum! — A voz soou e todos suspiraram de alívio.

— Vamos! — Enquanto a basilisco desesperada tentava se afastar da água que lhe dava choque, Harry, Terry e Neville avançaram rapidamente na direção dos vestiários. — Vocês se trancam com a Hermione, a ajuda deve estar chegando...

— Que idiota eu sou! — Exclamou Neville de repente e apontando a varinha para si mesmo. — Sonorus! Ajuda! — Seu grito foi quase ensurdecedor. — Ataque na Caverna! Ajuda! Ajuda!

Mesmo com o som das explosões e dos pedidos de Neville que faziam seus ouvidos zunir, ainda foi assustador quando uma voz alta pareceu soar ao lado deles. Uma voz fria e cruel, que parecia vir de todos os lugares e soar dentro de suas cabeças. Mas, apenas Harry entendeu o que os silvos furiosos significavam.

— Mate-os! Mate todos eles, Freya! Estou sem tempo! A menina está acordando! Não poderei mais impedir que os professores escutem os sons, terei que partir! Mate-os e volte para a câmara! — Era Voldemort e Harry percebeu furioso que ninguém ouviu suas explosões até aquele momento.

 Terry, Neville e Harry tropeçaram desconcertados com a voz tão próxima, Hermione, que deixara o vestiário e alcançara Charlie, sem abrir os olhos, gritou e tapou os ouvidos. Freya, ainda mais raivosa e motivada pelas palavras do seu mestre, saltou na direção do grito, se afastando de vez da água eletrificada e sibilou com crueldade.

Matar... matar... matar....

Harry soltou-se dos garotos e correu, como nunca antes, enquanto gritava.

— Volte para o vestiário! Deixe ela e volte para o vestiário!

— Hermione! — Gritou Terry apavorado.

Mas, claro que, a Defensora, assim como o Cuidador, nunca deixaria alguém ferido para traz e Harry só teve uma escolha, uma ideia ainda mais louca que a anterior. Usando sua varinha, ele se impulsionou e voou pulando em cima da basilisco que se agitou furiosa e se distraindo do ataque. Harry sabia que não tinha muito tempo e tentou se agarrar com firmeza no couro frio e duro.

— Agora Hermione! Saia agora!

— Tenho que levá-la. — Gritou Hermione desesperada enquanto arrastava a pesada professora centímetro por centímetro.

— Não há tempo. — Berrou Harry.

— Eu ajudo! — Terry tentou correr de olhos fechados na direção do som, mas, apenas se colocou perto da basilisco que o acertou com o rabo e jogou voando dentro piscina.

— Droga! — Harry tentou pensar no que fazer e só lhe restou acenar a varinha e lançar a nuvem escura para cegá-la, mas a basilisco sabia onde ele estava e sua boca enorme veio em sua direção.

Harry saltou para traz, caiu no chão amortecido, rolou e se levantou a encarando.

— Sim, sim, vem para mim. — Sussurrou desesperado e voltou a atacá-lo com tudo o que tinha. — Todos vocês! Vão para o vestiário! Agora!

— Onde está a entrada? Estou perdida! — Hermione gritou em pânico.

— Use o espelho! — Terry gritou tendo saído da piscina com a ajuda do Neville e caminhando na direção de onde ouvia a Hermione.

— Não tenho um espelho! — Gritou ela de volta.

— Não! Hermione, a porta do vestiário fica ao lado da parede de espelhos! Use-a como referência! — Gritou Terry aflito. 

Hermione pareceu entender e voltou a arrastar Charlie, mas para o lado oposto do espelho.

— Para o outro lado! — Gritou Harry e a viu parar e depois se mover na direção dos espelhos.

Freya sabia que estava sem tempo e, desesperada, decidiu pegar ao menos um prêmio e voltar por onde veio. Quem estava mais perto era Harry, mas, era impossível alcançá-lo, assim, ela decidiu ir na direção de Hermione que estava cada vez mais perto da parede espelhada. Recuando, a basilisco se virou e Harry não teve tempo para nada além de gritar, pois elas estavam muito perto.

— Abaixe, Hermione! Abaixe! — Sua amiga se jogou sobre o corpo de Charlie e a basilisco bateu as presas na parede de vidro onde ela estivera a um segundo.

Os espelhos se espatifaram com um barulho ensurdecedor e despencaram sobre as duas e a basilisco que recuou se preparando para outro ataque.

— Incendio Maximus! — Gritou Harry tentando acertar seu rosto e a viu recuar sibilando de raiva.

E, neste momento, Charlie acordou subitamente, arregalando os olhos e gritando de dor. Hermione percebeu e abriu os olhos por um segundo a encarando e implorando.

— Feche os olhos... shhhhhh... tudo bem... feche os olhos.... — Mas Charlie estava confusa e em choque, seus olhos se arregalaram ainda mais e tentaram olhar em volta em busca do perigo. — Não! — Deitada sobre ela, Hermione virou seu rosto na direção da parede com os espelhos quebrados. — Feche os olhos...

Enquanto isso, Harry usava o último de sua energia mágica para tentar afastar a basilisco das duas na direção do vestiário masculino e Freya sibilava em fúria, pois estava com fome e queria um prêmio, pelo menos um.

Charlie ouviu o barulho dos feitiços, fogo, silvos e ficou desesperada, varinha, precisava de sua varinha, mas a tentativa provocou uma dor surda que a fez gritar.

— Ahhhhh!!! — Ela tentou afastar o peso de sobre seu corpo, mas não tinha forças.

— Não, Charlie, feche os olhos, feche os olhos. — Hermione disse desesperada, mas percebeu que a professora nem a ouvia em meio ao seu pânico e choque.

A basilisco sibilou e bateu na parede acima deles outra vez, mais espelhos caíram e Hermione percebeu o que tinha que fazer. Pegando um pedaço de espelho, ela o apertou com tanta força que cortou a mão e os dedos, mas nem sentiu. Empurrando o rosto de Charlie na direção do espelho, falou frenética.

— Olhe no espelho! Olhe no espelho! — Gritou tentando fazê-la obedecer e pareceu dar certo, pois a professora olhou para o espelho confusa.

Harry entendeu, finalmente, o drama que Hermione passava e se engasgou desesperado.

— Não, Hermione! Estupefaça ela! — Gritou e deu um passo a frente como se pudesse alcançá-la e detê-la.

Hermione ouviu e se sentiu uma idiota, sua intenção era soltar o espelho e sacar a varinha do pulso, mas, não deu tempo, pois, no segundo seguinte, olhos grandes, redondos e amarelados apareceram no pedaço de espelho que as duas encaravam e seus mundos escureceram.

Harry não sabia disso e estava quase sem forças, esgotado, Terry e Neville estavam mais perto da piscina, sem conseguir se aproximar de Hermione e Charlie, pois a basilisco e Harry estava no meio, bem entre eles.

— Terry, Neville, usem suas varinhas, apontem para a direção do nosso vestiário. Usem tudo o que aprenderam para desorientá-la, vamos! — Disse ele tentando manter a voz firme e falhando.

Seus amigos o atenderam e logo as explosões ensurdecedoras, luz cegante, fogo e mais feitiços foram jogados na direção de Freya que foi recuando e recuando até estar muito longe para pegar o seu prêmio. Furiosa e sibilando sua decepção, ela desistiu, entrou no vestiário e desapareceu no cano por onde entrou.

Harry parou, por um segundo, ouvindo seus silvos até que eles desapareceram completamente, sem conseguir acreditar que acabara. Terry e Neville continuavam a lançar magias sem saber que Freya se fora.

— Acabou. — Sussurrou ele, mas seus amigos não ouviram. — Parem! Ela foi embora. — Disse mais alto eles o atenderam.

Um ensurdecedor silêncio caiu sobre a Caverna, enquanto nenhum deles conseguiam acreditar completamente e abrirem os olhos. Então, o silêncio se estendeu além do que deveria e causou estranheza, um mal-estar se instalou na barriga dos três e, na batida do coração, todos abriram os olhos e procuraram por Hermione e Charlie. As duas estavam deitadas, Hermione de bruços sobre o corpo de Charlie, em silêncio, imóveis e rígidas.

— Não! — Terry gritou e correu na direção delas com Neville seguindo de perto.

Harry até queria, mas suas pernas não obedeceram e ele bambeou para frente e para traz, até elas cederam e ele caiu de joelhos no chão com o acolchoado azul. Harry olhou para o azul enquanto o ambiente girava, lembrando-se da primeira e divertida aula de dança que fizeram bem ali.

— Harry! — Gritou Neville preocupado, parecendo ter chamado seu nome mais de uma vez. — Você está ferido?

— Não... apenas cansado. — Respondeu ele com voz vacilante e viu que Terry parecia preocupado com o braço estraçalhado de Charlie que voltara a sangrar lentamente.

— Não sei como ela não sangrou até a morte ainda. — Disse Terry apertando um torniquete.

— Usei... um feitiço Potter... para... conter a hemorragia... — Disse Harry.

— Ok, funcionou. — Disse ele e Harry olhou para Hermione que havia sido deitada de costas e encarava o teto de olhos arregalados, assim como Charlie, ela estava, obviamente, petrificada.

— Hermione? — Sussurrou preocupado.

— Está bem, apenas petrificada. — Neville respondeu e pegou sua mão que estava enrolada em bandagens, mas, como continuava a sangrar, ele enrolou algumas novas.

— Accio bolsa de poções. — Sussurrou Harry e acenou sua varinha na direção do vestiário. Demorou mais do que o normal e ela voou em sua direção vacilante, mas chegou, e Harry a jogou para Terry. — Tem... ditamno e.... reposição de sangue

— Ok. — Disse Terry tranquilamente e Harry o achou tranquilo demais para o seu gosto.

Olhando para Neville, viu uma expressão de angústia e preocupação no rosto pálido.

— Porque ninguém veio ainda, Harry? Eu gritei sem parar e as explosões... — Ele parecia inconformado.

— Voldemort... fechou a porta e isolou o som... — Harry olhou para o relógio e percebeu que passou apenas 20 minutos desde que chegaram a Caverna. Como era possível!? Parecia que estavam lutando a horas!

— Foi isso, aqueles sibilos assustadores? — Terry perguntou suavemente enquanto fechava os inúmeros cortes de Charlie que foram causados pelos espelhos.

Ele já tinha lhe dado a poção restauradora de sangue e fechara os cortes na mão de Hermione que, felizmente, não tinha outros ferimentos. Harry acenou, observando como ele trabalhava rápido e calmamente.

— Você foi incrível, Harry...  

Uma pancada na porta interrompeu Neville e Harry olhou naquela direção apertando a varinha. Terry e Neville se levantaram de varinhas em punhos, mas, Harry nem conseguiu erguer a sua enquanto observava as portas duplas voarem pelo impacto do feitiço. Elas rodaram escada abaixo destruídas e Dumbledore apareceu seguido por dezenas de alunos da Hufflepuff, professores e os zeladores. Eles pararam, impactados pela destruição da Caverna e os encararam do outro lado, até que...

— Charlie! — Gritou Joe, descendo os degraus e correndo na direção deles.

— Aqui. — Disse Terry lhe estendendo uma poção energética. — Não quero que desmaie de exaustão mágica.

Harry não queria nada mais do que desmaiar e dormir por dois dias seguidos, mas, a tomou mesmo assim e se levantou enquanto o grande grupo se aproximava.

— Vocês estão bem? — Alguém perguntou e Harry olhou para Hermione, sentindo seu estômago se embrulhar.

— Não, não estamos não.            

 

  



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