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História Harry Potter, but a little different - Capítulo 11


Escrita por: MioneRavenclaw

Notas do Autor


Hum... tenham uma boa leitura rsrs.

(recapitulando, se chegar em 20, eu vou postar 7 dias seguidos)

Capítulo 11 - A Predição da Profa. Trelawney


Fanfic / Fanfiction Harry Potter, but a little different - Capítulo 11 - A Predição da Profa. Trelawney

 Até o tempo parecia estar comemorando; à medida que junho se aproximava, os dias foram desanuviando e se tornando quentes, e só o que as pessoas tinham vontade de fazer era passear pela propriedade e se largar no gramado com vários litros de suco de abóbora gelado do lado, e talvez jogar uma partida descontraída de bexigas ou apreciar a lula gigantesca nadar, sonhadora, pela superfície do lago.

Mas isso não era possível. Os exames estavam às portas e em lugar de se demorarem pelos jardins, os alunos tinham de permanecer no castelo, e tentar obrigar o cérebro a se concentrar em meio aos sopros mornos de verão que entravam pelas janelas. Até mesmo Fred e Jorge Weasley tinham sido vistos estudando; estavam em vésperas de fazer o exame de N.O.M.s (Níveis Ordinários em Magia).

Eu estava indo falar com Ayla então ouvi um farfalhar à janela e uma coruja entrou com um bilhete bem seguro no bico.

– É do Hagrid – disse para mim mesma, abrindo o bilhete. – É o recurso de Bicuço, está marcado para o dia seis. Ele mandou para o Harry também. 

– É o dia em que terminamos os exames – disse Ayla vindo para perto de mim.

– E eles vêm aqui para o julgamento – disse, continuando a ler o bilhete. – Alguém do Ministério da Magia e... e o carrasco.

- Mas assim parece que já decidiram!

– É, parece – disse lentamente.

Então parei para pensar, e tive a terrível sensação de que a Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas já tivera a opinião formada pelo Sr. Lúcio Malfoy. E o filho da mãe do Draco, que andava visivelmente moderado desde a vitória da Grifinória na final de quadribol, nos últimos dias parecia ter recuperado um pouco da sua antiga arrogância ridícula. Malfoy tinha certeza de que Bicuço ia ser eliminado e parecia satisfeitíssimo consigo mesmo por ter provocado tal efeito. E o pior de tudo era que nós não tínhamos tempo nem oportunidade de ir ver Hagrid, porque as novas e rigorosas medidas de segurança continuavam em vigor.

A semana dos exames começou e um silêncio anormal se abateu sobre o castelo. Que foi horrível, já não gostava de fazer os exames normais, fora de Hogwarts, aí eu entro em um livro e ainda preciso fazer os exames dele! Os alunos do terceiro ano saíram do exame de Transfiguração na hora do almoço, na segunda-feira, cansados e pálidos, comparando respostas e lamentando a dificuldade das tarefas propostas, que incluíra transformar um bule de chá em um cágado. Hermione nos irritou ao comentar que seu cágado parecia mais uma tartaruga, o que era uma preocupação mínima diante das preocupações dos demais.

– O meu tinha um bico no lugar do rabo, que pesadelo...

Eu ri.

– No final, o meu continuava com uma pintura de salgueiro estampada no casco, vocês acham que vou perder pontos por isso?

- Mione... Não se preocupe com isso! - disse.

Depois de um almoço apressado, eu voltei direto para cima para fazer o exame de Feitiços. Hermione estava certa; o Prof. Flitwick realmente pediu feitiços para animar. Depois do jantar os alunos voltaram às salas comunais, não para relaxar, mas para começar a estudar Trato das Criaturas Mágicas, Poções e Astronomia.

Hagrid aplicou o exame de Trato das Criaturas Mágicas na manhã seguinte com um ar de preocupado; seu coração parecia estar longe dali. Providenciara uma grande barrica com vermes frescos para a turma e avisou que para passar no exame, os vermes de cada aluno deveriam continuar vivos ao fim de uma hora. Nessa hora eu ri por dentro, pelo menos era só isso, e não fazer algo mais complicado. Uma vez que os vermes se criavam melhor quando deixados em paz, foi o exame mais fácil que qualquer aluno teve de prestar, o que também deu a mim bastante tempo para conversar com Hagrid.

– Bicucinho está ficando um pouco deprimido – contou o ele, curvando-se sob o pretexto de verificar se o meu verme ainda estava vivo. – Está preso em casa há tempo demais. Ainda assim... depois de amanhã a gente vai saber se vão julgar a favor ou contra...

Eu tive exame de Poções naquela tarde, que foi até bom comparado com outras pessoas. Depois veio o exame de Astronomia à meia-noite, na torre mais alta do castelo; História da Magia na quarta-feira de manhã, em que escrevi tudo que Florean Fortescue me contou sobre a caça às bruxas na Idade Média, enquanto desejava ter ali na sala sufocante um daqueles sundaes ou qualquer coisa refrescante. Na quarta-feira à tarde foi a vez de Herbologia, nas estufas, sob um sol infernal; depois voltei mais uma vez à sala comunal, estava imaginando que no dia seguinte, naquele momento, os exames finalmente teriam terminado.

Quando eu vi o antepenúltimo exame, na quinta-feira pela manhã, foi Defesa Contra as Artes das Trevas. Era o Prof. Lupin preparara o exame mais incomum que eu já tinham feito; eu estava pensando o que passou na cabeça do Lupin para fazer algo tão cansativo. Era uma espécie de corrida de obstáculos ao ar livre, debaixo de sol, em que tínhamos que atravessar um lago fundo o suficiente para se remar, onde havia um grindylow; em seguida, uma série de crateras cheias de barretes vermelhos, depois um trecho de pântano, desconsiderando as informações enganosas dadas por um hinkypunk, e, por fim, subir em um velho tronco e enfrentar um novo bicho-papão.

– Excelente, Pietra – murmurou Lupin quando eu desci do tronco, sorrindo. – Nota máxima.

Eu fiquei por ali para ver a nota dos exames dos meninos. Ayla e Harry foi bem também. Ron foi bem até chegar a vez do hinkypunk, que conseguiu confundi-lo e fazê-lo afundar até a cintura em um atoleiro. Hermione fez tudo perfeitamente até chegar ao tronco em que havia o bicho-papão. Depois de passar um minuto ali, a garota saiu correndo aos berros.

– Hermione! – exclamou Lupin, assustado. – Que foi que aconteceu!

E era exatamente o que estava me perguntando.

– A P... P... Profa. McGonagall! – ofegou Hermione apontando para o tronco. – Ela disse que eu levei bomba em tudo!

Demorou um tempinho para Hermione se acalmar. Quando ela finalmente se recuperou do susto, nós voltamos ao castelo. Quando vimos o que os aguardava no alto das escadas.

Cornélio Fudge, um pouco suado sob a capa de risca de giz, se achava parado ali contemplando os terrenos da escola. Assustou-se ao ver o Harry.

– Olá, Harry! – exclamou. – Acabou de fazer um exame, suponho? Chegando ao fim?

– Sim, senhor – disse o Harry. Eu, Ron e Mione paramos sem jeito um pouco afastados.

– Belo dia – comentou Fudge, lançando um olhar ao lago. – Que pena... que pena...

O ministro soltou um profundo suspiro e olhou para Harry, eu olhei para os dois meio incomodada.

– Estou aqui em uma missão desagradável, Harry. A Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas exigiu uma testemunha para a execução do hipogrifo louco. Como eu precisava visitar Hogwarts para verificar o andamento do caso Black, me pediram para cumprir esta tarefa.

– Isso quer dizer que já houve o julgamento do recurso? – interrompeu Ron, adiantando-se.

– Não, não, foi marcado para hoje à tarde – respondeu Fudge, olhando, curioso, para Ron.

– Então, talvez o senhor não precise testemunhar nenhuma execução! – disse Ron corajosamente. – O hipogrifo talvez se salve!

Antes que Fudge pudesse responder, dois bruxos saíram pelas portas do castelo às costas do ministro. Um era tão velho que parecia estar murchando diante dos olhos deles; o outro era alto e forte, com um bigode negro e fino. Eu então conclui que eram os representantes da Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas, o velho bruxo apertou os olhos na direção da cabana de Hagrid e disse com voz fraca:

– Ai, ai, estou ficando velho demais para isso... Duas horas, não é, Fudge?

O homem de bigode mexia em alguma coisa no cinto; eu olhei e vi que ele passava um dedo largo pela lâmina de um machado reluzente eu arregalei os olhos. Ron abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Hermione cutucou-o com força nas costelas e indicou com a cabeça o saguão de entrada.

– Por que é que você não me deixou falar? – perguntou Ron, aborrecido, quando entramos no saguão para ir almoçar. – Você viu? Já prepararam até o machado! Isso não é justiça!

– Ron, o seu pai trabalha para o Ministério, você não pode sair dizendo essas coisas para o chefe dele! – respondeu Hermione, mas ela também parecia muito contrariada. – Desde que hoje o Hagrid mantenha a cabeça no lugar e defenda o caso direito, eles não terão possibilidade de executar o Bicuço...

Mas eu sabia que Hermione não acreditava realmente no que estava dizendo. À minha volta, as pessoas falavam excitadamente enquanto almoçava, antegozando o fim dos exames àquela tarde, mas eu e imagino que Harry, Ron e Hermione também, estávamos absortos em nossas preocupações com Hagrid e Bicuço, não participávamos das conversas. O último exame era Adivinhação, exceto o da Hemione que era de Estudos dos Trouxas. Nós subimos a escadaria de mármore, juntos; Hermione nos deixou no primeiro andar e prosseguimos até o sétimo, onde muitos colegas já se encontravam sentados na escada circular que levava à sala da Profa. Trelawney, tentando enfiar na cabeça mais alguma matéria de última hora.

– Ela vai receber os alunos, um a um – informou Neville quando fomos sentar perto dele. O garoto tinha o seu exemplar de Esclarecendo o futuro aberto no colo nas páginas dedicadas à bola de cristal. – Algum de vocês já viu alguma coisa numa bola de cristal? – perguntou ele, infeliz.

– Não – respondeu Ron num tom distraído. Ele consultava a toda hora o relógio de pulso.

A fila de pessoas fora da sala foi encurtando aos poucos. Eu ficava imaginando o que aquela louca estava dizendo sobre as visões dos alunos. À medida que cada aluno descia a escada prateada, o resto da classe sussurrava: “Que foi que ela perguntou? Você se deu bem?”

Mas todos se recusavam a responder.

– Ela disse que foi avisada pela bola de cristal que se eu contar a vocês, vou ter um acidente horrível! – falou Neville, esganiçado, ao descer a escada em nossa direção, que agora tínhamos chegado ao patamar.

A Ayla já tinha ido, e tinha falado que ia para a sala comunal.

– Isto é muito conveniente – riu-se Ron. – Sabe, estou começando a achar que Hermione tinha razão sobre a professora – comentou ele indicando com o polegar o alçapão no alto –, ela é uma trapaceira, e das boas.

- Nem sabia... – disse ironicamente, Ron me olhou revirando os olhos.

- É – disse Harry, consultando o próprio relógio. – Eu gostaria que ela andasse logo, já são duas horas...

Parvati desceu a escada com o rosto radiante de orgulho.

– Ela disse que eu tenho o talento de uma verdadeira vidente – informou a nós. – Vi um monte de coisas... Bem, boa sorte!

A garota desceu depressa a escada circular ao encontro de Lilá.

- Pietra Miller. - chamou lá do alto a voz etérea que já conhecia. Eu olhei para os garotos e fui.

– Bom dia, minha querida – disse ela brandamente. – Quer ter a bondade de examinar o orbe... Pode levar o tempo que precisar... depois me diga o que está vendo...

Eu me curvei para a bola de cristal e olhei apertando os olhos, eu sabia que não viria nada, depois de uns minutos ela recomeçou a falar:

– Então! – estimulou a professora com delicadeza. – Que é que você está vendo?

O calor era insuportável e resolvi fingir.

- É... - pensei rápido em qualquer coisa do livro, já que ia acontecer mesmo. -, estou vendo uma casa, uma casa bem sombria...

- Hum... E o que tem nela, como ela é?!  – ela falou animada.

- Ela, hum, é escura, parece que o papel de parede está rasgado, tudo está velho.

- Hmmm... 

E... Tem, tem, um homem, um menino com um rato... - pensei se eu parasse por ali ou continuasse, então continuei. - Esse rato... é... se transformou em uma pessoa. 

- Hum, é... interessante, mas só isso?

Depois fiquei mais uns minutos inventando coisas bobas, para ela não suspeitar tanto.

- Tá Miller, interessante, pode sair.

- E aí? – perguntou Harry.

- Eu tive que inventar né. – sussurrei. – Vou esperar vocês aqui.

– Ronald Weasley. A Profa. Chamou.

Finalmente, uns vinte minutos depois, os enormes pés de Ron reapareceram na escada.

– Como foi? – perguntou Harry se pondo de pé.

– Bobagem. Não vi nada, então também inventei alguma coisa. Acho que a professora não se convenceu, embora...

– Encontro você na sala comunal – murmurou Harry quando a voz da professora chamou “Harry Potter!”.

  Depois de poucos minutos eu cheguei perto da escada, e escutei uma voz baixa mas estranha, então pensei "Agora deve ser quando a professora está estranha...".

 Harry desceu a escada de corda, depois descemos a circular, pensativo...

- O que foi Harry?

Ele parou e começou a falar:

- A professora, disse de uma forma estranha “ Hoje a noite o Lorde das Trevas está sozinho e sem amigos, abandonado pelos seus seguidores. Seu servo esteve acorrentado nos últimos doze anos. Hoje à noite, antes da meia-noite... O servo vai se libertar e se juntar ao seu mestre. O Lorde das Trevas vai ressurgir, com a ajuda do seu servo, maior e mais terrível que nunca. Hoje à noite... o servo... vai se juntar... ao seu mestre...”

- Credo!

Ele continuou parado.

- Vamos Harry, continuar andando. – disse colocando as mão nas costas para tentar empurrar ele.

- Tá, Pi. 

- Você vai pra sua sala? - perguntei olhando para ele.

- Sim, eu acho.

- Eu vou até lá com você...

Quando entramos na sala e eu fiquei na entrada Ron veio correndo junto da Hermione.

- Harry! Bicuço perdeu. – falou com uma voz fraca.

O bilhete de Hagrid, desta vez, estava seco, sem lágrimas derramadas, contudo sua mão parecia ter tremido tanto ao escrever que o texto era quase ilegível.

Perdemos o julgamento do recurso. Vão executar Bicuço ao pôr do sol. Vocês não podem fazer nada. Não desçam. Não quero que vocês vejam.

Hagrid

– Temos que ir – disse Harry na mesma hora. – Ele não pode ficar lá sozinho, esperando o carrasco!

– Mas é ao pôr do sol – disse Ron, que estava espiando pela janela com o olhar meio vidrado. – Nunca nos deixariam... principalmente a você, Harry...

- Que se dane, onde está sua capa Harry? - disse rápido.

Harry contou que a deixara na passagem da bruxa de um olho só.

– ... se Snape me vir por ali outra vez, vou entrar numa fria – terminou ele.

– É verdade – concordou Hermione, se levantando. – Se ele vir você... Como é mesmo que se abre a corcunda da bruxa?

– A gente dá uma pancada e diz: “Dissendium” – disse Harry. – Mas...

Hermione não esperou o resto da frase; atravessou a sala, empurrou o retrato da Mulher Gorda e desapareceu de vista.

– Ah, não acredito que ela tenha ido buscar! – exclamou Ron, acompanhando-a com o olhar.

- Nossa! - disse impressionada.

- Dito e feito. Hermione voltou quinze minutos depois com a capa prateada dobrada com cuidado sob suas vestes.

Nós quatro descemos para jantar com todos os alunos, mas não voltamos às Torre da ao terminar.

Harry levava a capa escondida na frente das vestes e tinha que manter os braços cruzados para esconder o volume. Entramos sorrateiramente numa sala vazia no saguão de entrada e ficamos escutando, até ter certeza de que o lugar ficara deserto. Ouvimos as últimas duas pessoas atravessarem o saguão correndo e uma porta bater. Hermione meteu a cabeça fora da porta.

– Tudo bem – sussurrou –, não tem ninguém... vamos vestir a capa...

Caminhando muito juntos para que ninguém nos visse, nós atravessamos o saguão na ponta dos pés, cobertos pela capa, e descemos os degraus de pedra que levavam aos jardins. Eu fiquei impressionada com o tamanho da capa, porque três já é demais agora quatro! O sol já ia se pondo atrás da Floresta Proibida, dourando os ramos mais altos das árvores.

Chegamos à cabana de Hagrid e batemos. O amigo levou um minuto para atender e, quando o fez, ficou procurando o visitante por todos os lados, pálido e trêmulo.

– Somos nós – sibilou Harry. – Estamos usando a Capa da Invisibilidade. Deixe a gente entrar para poder tirar a capa.

– Vocês não deviam ter vindo! – sussurrou Hagrid, mas se afastou para  podermos entrar. Depois fechou a porta depressa e Harry arrancou a capa.

Hagrid não estava chorando, nem se atirou ao nosso pescoço. Parecia um homem que não sabia onde estava nem o que fazer. Seu desamparo era pior do que as lágrimas.

– Querem um chá? – perguntou. Suas mãos enormes tremiam quando apanhou a chaleira.

– Onde é que está o Bicuço, Hagrid? – perguntou Hermione, hesitante.

– Eu... eu levei ele para fora – respondeu Hagrid, derramando leite pela mesa toda ao tentar encher a jarra. – Está amarrado no canteiro de abóboras. Achei que ele devia ver as árvores e... e respirar ar fresco... antes...

A mão de Hagrid tremeu com tanta violência que a jarra de leite escapuliu e se espatifou no chão.

– Eu faço isso, Hagrid – ofereceu-se Hermione depressa, correndo para limpar a sujeira.

– Tem outra no armário de louças – falou Hagrid, sentando-se e limpando a testa na manga.

Eu olhei para Ron e Harry e eles retribuíram o olhar.

– Tem alguma coisa que se possa fazer, Hagrid? – perguntei sentando ao lado de Hagrid.

– É, Dumbledore... – disse Harry

– Ele tentou. Mas não tem poder para revogar uma decisão da Comissão. Ele disse aos juízes que Bicuço era normal, mas a Comissão está com medo... Vocês sabem como é o Lúcio Malfoy... imagino que deve ter ameaçado todos eles... e o carrasco, Macnair, é um velho conhecido dos Malfoy... mas vai ser rápido e limpo... e eu vou estar do lado do Bicuço...

Hagrid engoliu em seco. Seus olhos percorriam a cabana como se procurassem um fio de esperança ou de consolo.

– Dumbledore vai descer quando... quando estiver na hora. Me escreveu hoje de manhã. Disse que quer ficar... ficar comigo. Grande homem, o Dumbledore...

Hermione, que andara vasculhando o guarda-louça de Hagrid à procura de outra leiteira, deixou escapar um pequeno soluço, rapidamente sufocado. Ela se endireitou com a nova leiteira nas mãos, lutando para conter as lágrimas.

– Nós vamos ficar com você também, Hagrid – começou ela, mas o amigo sacudiu a cabeça cabeluda.

– Vocês têm que voltar para o castelo. Já disse que não quero que assistam. Aliás, vocês nem deviam estar aqui... Se Fudge e Dumbledore pegarem você fora do castelo sem permissão, Harry, você vai se meter numa grande confusão.

Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Hermione, mas ela as escondeu de Hagrid, ocupando-se em fazer o chá. Então, quando apanhou a garrafa de leite para encher a leiteira, ela soltou um grito.

– Ron!... Eu não acredito... é o Perebas!

O queixo de Ron caiu.

– Do que é que você está falando?

Hermione levou a leiteira até a mesa e virou-a de boca para baixo. Com um guincho frenético, e muita correria para voltar para dentro da jarra, Perebas, o rato, deslizou para cima da mesa.

– Perebas! – exclamou Ron sem entender. – Perebas, que é que você está fazendo aqui?

Ele agarrou o rato que se debatia e segurou-o próximo à luz. Perebas estava com uma aparência horrível. Mais magro que nunca, perdera grandes tufos de pelos que deixaram pelado seu corpo, o rato se contorcia nas mãos de Ron como se estivesse desesperado para se soltar.

– Tudo bem, Perebas! – tranquilizou-o Ron. – Não tem gatos! Não tem nada aqui para te machucar!

Hagrid se levantou de repente, os olhos fixos na janela. Seu rosto, normalmente corado, estava da cor de pergaminho.

– Aí vem eles... Eu, Harry, Ron e Hermione nos viramos depressa. Um grupo de homens descia os distantes degraus, à entrada do castelo. À frente vinha Alvo Dumbledore, a barba prateada refulgindo ao sol poente. Ao seu lado, caminhava, a passo rápido, Cornélio Fudge. Atrás dos dois vinha o membro da Comissão velho e fraco, e o carrasco, Macnair.

– Vocês têm que ir embora – disse Hagrid. Cada centímetro do seu corpo tremia. – Eles não podem encontrar vocês aqui... Vão agora...

Ron enfiou Perebas no bolso, e Hermione apanhou a capa.

– Eu vou abrir a porta dos fundos para vocês – disse Hagrid.

Nós o acompanhamos até a porta que abria para a horta. Vimos Bicuço a poucos passos de distância, amarrado a uma árvore atrás do canteiro de abóboras. O hipogrifo parecia saber que alguma coisa estava acontecendo. Virou a cabeça de um lado para o outro e pateou o chão nervosamente.

– Tudo bem, Bicucinho – disse Hagrid com brandura. – Tudo bem... – E se virando para mim, Harry, Ron e Hermione. – Vão. Andem logo.

Eu comecei a andar, e os meninos começaram a me olhar com uma cara estranha, mas eles não se mexeram.

– Hagrid, não podemos...

– Vamos contar a eles o que realmente aconteceu...

– Não podem matar Bicuço...

– Vão! – disse Hagrid ferozmente. – Já está bastante ruim sem vocês se meterem em confusão!

Eles não tiveram escolha. Quando Hermione jogou a capa sobre mim, Harry e Ron, nós ouvimos as vozes na entrada da cabana. Hagrid ficou olhando para o lugar de onde nós tínhamos acabado de sumir.

– Vão depressa – disse, rouco. – Não fiquem ouvindo...

E Hagrid tornou a entrar na cabana no momento em que alguém batia à porta.

Lentamente, numa espécie de transe de horror, eu, Harry, Ron e Hermione contornamos a cabana de Hagrid sem fazer barulho. Quando chegamos do outro lado, a porta de entrada se fechou com uma batida seca.

– Por favor, vamos nos apressar – sussurrou Hermione. – Não posso suportar, não posso suportar...

Nós quatro começamos a subir a encosta gramada em direção ao castelo. O sol ia se pondo depressa agora; o céu se tornara cinzento, sem nuvens, e tinto de púrpura, mais para oeste havia uma claridade vermelho- rubi.

Ron parou muito quieto.

– Ah, por favor, Ron – começou Hermione.

– É o Perebas... ele não quer... parar...

Eu olhei para ele, Ron se curvou, tentando segurar Perebas no bolso, mas o rato estava ficando furioso; guinchava feito louco, virava e se debatia, tentando ferrar os dentes nas mãos de Ron.

- Mas que rato hein! Disse ainda olhando para ele.

– Perebas, sou eu, seu idiota, é Ron.

Nós ouvimos a porta fechar às nossas costas e o som de vozes masculinas.

– Ah, Ron, por favor, vamos andando, eles vão executar o Bicuço! – murmurou Hermione.

– OK... Perebas, fique quieto...

Nós avançamos. Ron parou mais uma vez.

– Não consigo segurar ele... Perebas, cala a boca, todo mundo vai nos ouvir...

O rato guinchava alucinado, mas não alto o suficiente para abafar os ruídos que vinham do jardim de Hagrid. Ouviu-se um rumor indistinto de vozes masculinas, um silêncio e então, sem aviso, o som inconfundível de um machado cortando o ar e se abatendo sobre o alvo.

Hermione vacilou.

– Executaram Bicuço! – murmurou ela para Harry. – Eu n... não acredito... eles executaram Bicuço!


Notas Finais


A vontade de matar o rato é grande. kkk


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