História Harry Potter e o Mistério dos Black-Harmione - Capítulo 52


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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Andromeda Tonks, Bellatrix Lestrange, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Lilá Brown, Lord Voldemort, Luna Lovegood, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Neville Longbottom, Nymphadora Tonks, Parvati Patil, Poppy Pomfrey (Madame Pomfrey), Ronald Weasley, Rúbeo Hagrid, Sirius Black, Ted Lupin
Tags Bellatrix Lestrange, Harmione, Harmony, Harry, Harry Potter, Hermione, Hermione Casal, Hermione Granger, Hermione Se Apaixonam, O Mistério Dos Black, Sirius Black, Ted Lupin, Teddy Lupin
Visualizações 83
Palavras 4.151
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi amores. Obrigada a todos. Passando rapidinho para deixar mais um capítulo. O tempo aqui está muito corrido, mas quando der, volto para conversar melhor com vocês. Obrigada a todos.

Capítulo 52 - Os Novos Planos


A manhã de quarta-feira começou um tanto ensolarada. O céu límpido revelava um azul resplandecente. O clima ameno da primavera tornava-se cada vez mais aconchegante.

Após o café da manhã, os jovens foram outra vez à Hogwarts, buscar o restante de seus pertences que haviam ficado na escola, já que decidiram não retornar mais aos estudos. Peasegood os acompanhou, como era de costume, apenas para garantir que nada sairia do controle.

De todos os modos, a lareira liberada pela professora McGonagall, era um meio de transporte seguro e rápido. Muito melhor que as longas viagens na carruagem, reconheceram.

No Castelo, a maioria dos alunos já haviam entrado em aula. Harry sentiu-se pesaroso, pois desejara muito poder conversar com Ron, pelo menos um pouquinho. Sentia falta do amigo perto deles.

Recolheu suas coisas que haviam ficado no quarto e enfiou-as na mala que levara. Não eram muitas, já que um bocado levara para sua casa antes.

Quando desceu para o Salão Comunal, Hermione já o esperava. Sentada perto da lareira, parecia meio distante, distraída. Deixou a mala no chão e sentou-se perto dela, acolhendo-a em um abraço.

-Livros é tudo o que você guarda naquele quarto? - Indagou, lançando um olhar à mochila aberta em cima do sofá. Ela abriu um meio sorriso.

-Eu já havia levado todas as minhas roupas… Esses foram apenas os que sobraram aqui.

-Ah, minha Mione… - Riu-se - Tem certeza de que não quer mesmo voltar para cá? - O silêncio dela foi seguido de uma breve ansiedade pela parte de Harry, mas ela logo meneou a cabeça, confirmando.

-Eu amo esse lugar, realmente… Nunca me senti tão em casa - Contou, fitando-o - A mansão Tonks nunca me acolheu… E na casa dos Granger's, sempre me senti fora de lugar. Como se aquela família não me pertencesse. Ou eu à ela… - Harry encurvou os lábios, admirando os olhos castanhos dela - Mas aqui, você e Ron me fizeram saber o que é realmente uma família. Aqueles que sempre estão ao nosso lado, independente do que aconteça…

-A mesma coisa acontece comigo - Ele sorriu.

-Mas eu não quero deixar Ted. Agora, ele é mais importante que tudo. Quero ficar ao lado dele…

-Eu sei, meu amor - Aproximou-se e tocou os lábios dela, de leve - Se é o que você quer, então eu te apóio! Eu também, só quero ficar ao lado de vocês dois!

Ela também dedicou a ele, um breve sorriso. Abraçou-o com força e aspirou o perfume que tanto amava, emanado de sua pele macia. Sim… Se estivesse ao lado de Harry e de Ted Lupin, estaria feliz. Tudo ficaria bem ao lado deles, tinha certeza. Os amava imensamente.

Permaneceram abraçados por alguns longos segundos, até que ouviram sons de passos nas escadarias. Quando viraram-se para ver quem chegava, avistaram uma Gina Weasley, um tanto séria.

Instintivamente, ambos se levantaram. Por um momento, Harry imaginou que a ruiva fosse passar por eles, ignorando-os, como da última vez. Mas, ao invés disso, Gina estagnou, cruzou os braços e os encarou.

-Onde vocês dois estiveram? - Indagou, sem pudor algum - Não acredito que estavam fugindo de mim!

Harry imaginou que ela parecia muito mais brava do que jamais vira. Engoliu saliva e olhou Hermione, que também o fitou, de igual modo, indecisa. Decidiu contestar.

-Não estávamos fugindo, Gina! Hermione e eu estávamos na mansão Black, porque já não vamos retornar para Hogwarts.

-O quê? Por quê? - Ela tentou disfarçar o tom surpreso, mas os amigos a conheciam demasiadamente bem.

-Porque Hermione precisa de um tempo para processar algumas coisas que estão acontecendo...

Foi o único que ele contestou, sem intenção de delongar a conversa. Não é que quisesse ter segredos com Gina, mas não acreditava ser o momento oportuno para contar tudo que acontecera nos últimos tempos. Afinal de contas, a ruiva não estava inteirada de absolutamente nada.

A garota voltou a fechar a expressão, descontente.

-Não tente me enrolar, Harry Potter! Vocês acham que eu vou engolir essa história de que está acontecendo alguma coisa? A única coisa que está acontecendo e isso eu sei bem, é que vocês dois - enfatizou as últimas palavras - estão me enganando e eu quero saber há quanto tempo! - Vociferou, quase avançando sobre os dois. Apenas manteve a compostura, por se lembrar dos anos de amizade que mantiveram. Todavia, encontrava-se estarrecida, abismada pelo beijo que presenciara entre a melhor amiga e sua paixonite de infância, o rapaz que ainda amava, reconhecia. Naqueles meses, imaginou que Harry estivesse namorando. Ele havia se apaixonado por outra garota, como o próprio lhe afirmara. Não obstante, jamais lhe passara pela cabeça que, essa garota, fosse Hermione Granger. Quando é que eles decidiram lhe enganar dessa forma? Sentia-se apunhalada pelas costas. Hermione sempre lhe garantiu que nada havia entre Harry e ela. "Somos como irmãos", ela disse a vida toda.

-Gina, por Merlin… - Hermione pediu, num tom suplicante - Eu sei que precisamos conversar, mas esse não é o momento… Não assim!

-É mesmo? E então quando é o momento? Aliás, quando é que seria o momento ideal para vocês me contarem esse… - Ela comprimiu os lábios, muito chorosa. Não queria chorar. Segurou-se - Relacionamento nada amigável?

-Não queríamos ferir você ou Ron…

-Ah! - Ela bravejou, colocando as mãos na cintura - Então você afirma que estão juntos há muito tempo?

-Não! - O garoto praticamente gritou, apressado. Mas a ruiva tornou a interrompê-lo.

-Há quanto tempo?

-Isso não importa agora! Hermione e eu nunca traímos vocês! Nunca tivemos um compromisso! - Interpôs.

-Mas sempre soube do meu amor por você! - Lamentou novamente, com a voz embargada - Você sempre soube, Hermione… Desde pequena gostava do Harry. E você sempre me disse que não tinham nada… Nunca imaginei que fosse mentir para mim dessa forma!

Ambas se fitaram com os olhos transbordantes em lágrimas. Havia muita dor refletida em cada um deles. Uma nutria mágoa, revolta, incertezas. A outra, sentiu, mais que nunca, o remorso abater com força. Hermione desviou o olhar e não tolerou permanecer alí, nem mais um segundo. Correu do Salão Comunal, deixando as lágrimas caírem.

Harry fez menção de ir atrás da namorada, mas Gina o segurou.

-Me responda! Há quanto tempo estão juntos?

-Para com isso, Gina! Está ficando louca? Por que disse essas coisas para Hermione?

-Porque é a verdade! Vocês dois nos enganaram! A Ron e a mim! - Ela não gritava, mas falava em um tom bastante ríspido. Harry, no entanto, a enfrentou de igual modo.

-Pode ser. Pode até ser que tenhamos errado em, um dia, dar esperanças a vocês dois. Mas não pode nos acusar de traição! Isso nós nunca fizemos! Nunca estivemos comprometidos com vocês dois!

-Então por que não contaram que estavam juntos? Foi por ela que você não quis namorar comigo?

-Sim! E se algum dia escondemos alguma coisa de vocês, foi porque não queríamos vê-los sofrer. Esperamos bastante tempo, para que vocês esquecessem os sentimentos que tinham.

-Ha! Você só pode estar brincando, Harry! Como acha que esqueceria? Digo pelo menos por mim… Eu te amo desde que era uma criança! Acha que um sentimento de tanto tempo poderia ser esquecido tão facilmente?

-Quando eu te disse que estava gostando de outra garota, você me disse que compreendia...

-Eu até tentei compreender, Harry. Te juro que tentei. Mas com Hermione? Ela era minha melhor amiga! E você é o melhor amigo do meu irmão!

Harry suspirou profundamente e passou as mãos pela cabeça, tenso. Fitou a ruiva e pensou por alguns instantes. Nunca haviam discutido daquela forma.

-Você está muito dolorida, Gina... Assim não vamos chegar à lugar algum…

-O que quer dizer com isso?

-Que você precisa colocar a cabeça no lugar primeiro… Só assim poderemos conversar!

-Eu? - Indagou ironicamente - Hermione nem sequer se atreveu a conversar comigo! Fugiu como uma covarde!

-Ela está passando por problemas, não está com cabeça para lidar com mais um! - Rebateu, já sentindo-se irritado.

-Mesmo? E o que seria agora? Decidir qual amigo usar?

-A mãe dela morreu! - Ele gritou, interrompendo-a. Gina calou-se de imediato, meio boquiaberta.

-Ah… Eu não sabia… - Contestou, segundos depois, diminuindo a agressividade da voz.

-Pensei que sua mãe houvesse contado - Harry também acalmou-se, notando o quanto havia mexido com a garota. Gina meneou a cabeça.

-Eu não vejo minha mãe há algumas semanas. Ela sabia?

-Sim… Bom, ela nos ajudou em tudo. Mas, olha… De verdade, esfria a cabeça e depois conversamos, tudo bem? Eu preciso encontrar Hermione agora.

A ruiva apenas assentiu, sem fitar o rosto dele. Intimamente, certa vergonha começou a invadí-la. Jamais pensou fazer um escândalo. No entanto, a raiva falara mais alto naquele instante. Viu Harry caminhar e dirigir-se à saída. Mas antes que ele saísse pelo buraco da mulher gorda, ouviu-o novamente.

-Hermione e eu nunca quisemos magoar vocês, de verdade. Espero que acredite em nós…

Quando o quadro fechou-se, ela finalmente deixou com que as lágrimas caíssem. Correu em direção ao dormitório e afogou a cabeça no travesseiro, externando toda a angustia daquele momento, lembrando-se de tudo que Harry lhe dissera.

O garoto, por sua vez, dirigiu-se para a Sala Precisa. Hermione gostava demais da floresta deles. Sabia que ela estaria alí.

Quando entrou, avistou-a sentada defronte ao lago. Aproximou-se devagar e abraçou-a pelas costas. Ela não chorava, mas estava muito pensativa.

-Estava com saudades desse lugar, não é? - Cochichou no ouvido dela. Hermione volteou a cabeça e o olhou com ternura.

-Muita...

-Eu também! Nosso lugar…

-Conversou com ela? - Indagou, após longos instantes em silêncio, onde apenas admiravam o lago.

-Mais ou menos… Gina está muito ressentida.

-É, deu para perceber… Mas ela tem razão, Harry - Fitou-o com os olhos inundados.

-Não diga isso! Gina apenas está com a cabeça fora de lugar. Ela não pensa realmente o que disse.

-Mas se pensar, ela tem toda razão. Eu sempre soube o quanto ela te amava…

-E eu sempre soube o quanto Ron te amava - Contestou, encurvando os lábios - E mesmo assim, me apaixonei por você. Não mandamos em nossos sentimentos… Por favor, não se culpe por mais isso. Não quero te ver triste por mais esse acontecimento.

-Mas… Será que não fomos injustos permitindo com que nossos sentimentos se aflorassem? Talvez se não tivéssemos nos permitido ficar juntos… - Ele a silenciou com um dedo.

-Mione, meu amor por você já era tão grande, mesmo antes de te revelar isso. Jamais passaria… Mesmo que nunca tivéssemos ficado juntos - Confessou, acariciando o rosto dela - Não me diga que se arrepende do nosso.

-Não... Nunca, Harry! Por mais difícil que seja enfrentar Ron e Gina. Sabíamos que seria assim. Mas o meu amor por você também não passaria, jamais - Disse com convicção. Harry sorriu.

-Se pudéssemos voltar no tempo, eu faria tudo novamente, Mione. Porque se eu tivesse que escolher entre você e Ron, eu te escolheria, mil vezes, se fosse necessário. Eu nunca viveria sem você…

Hermione segurou a mão dele e o fitou com ternura. Compreendeu. Ele tinha razão. Por mais que doesse a culpa. Por mais que doessem as palavras de Gina. O relacionamento deles estava acima de tudo, porque não podiam abrir mão daquele amor. Se havia acontecido daquela forma, quem sabe fosse o destino? Quando tudo parecia trilhar rumos diferentes, eis que a paixão entre dois amigos floresce como mágica. Um amor que nunca imaginou poder existir entre Harry e ela, provando que nada é tão preciso que se possa imaginar. A vida é um completo mistério… O que lhes reserva o futuro? Somente lhes resta esperar.

A manhã seguinte começou mais tranquila. A pequena família parecia se reerguer, pouco a pouco. Logo cedo, conversaram longamente com Arnaldo, sobre todos os acontecimentos no Ministério que envolviam os comensais. Bem, apenas o que puderam, pois o obliviador precisou ausentar-se para o trabalho antes do almoço ser servido.

Já era quase hora do lanche quando Ted resolveu tirar sua soneca. Hermione, que estava muito cansada, acabou adormecendo também, deitada com ele na cama de seu quartinho.

No restante da tarde, Harry esperou por Peasegood, completamente ansioso por novidades. O homem chegou à mansão Black logo após o fim do expediente no Ministério da Magia. Arrancou seu grosso casaco de couro e o depositou no cabideiro, cumprimentando o garoto que o abordara logo no hall de entrada.

-Como passaram o dia?

-Bem.

-É mesmo? E Hermione?

-Está melhor. Brincando com Ted Lupin lá em cima - O garoto sentou-se no sofá, logo após Arnaldo ter feito o mesmo - E então, novidades no Ministério?

-Você quer dizer, no caso da Lestrange, suponho… - O homem riu.

-Bem, sim…

-Os Aurores registraram movimentação suspeita no local, hoje. Parece que nossas suspeitas são mesmo concretas, Harry.

-Então, se tudo der certo, ainda hoje Bellatrix será presa? - Ele não tentou esconder a empolgação. Peasegood assentiu.

-Eu espero que sim, Harry. Tenho muitas esperanças de que estamos no caminho certo desta vez.

-E você vai estar lá?

-Na operação? Bem, sim… Eu fui o obliviador escolhido para integrar a equipe. Você sabe… Para o caso de algo sair do controle e precisar intervir na memória dos trouxas.

-Sim. Principalmente porque é um rua bastante movimentada - O homem assentiu novamente - Você está ansioso? - Indagou ao notar o semblante preocupado do amigo.

-Ah, com certeza. Um bocado! - Arnaldo aspirou com força e fez uma pequena pausa, pensativo - Talvez seja a primeira vez, em muitos anos, que eu fique frente a frente com aquela louca.

-É, eu também tenho estado pensando nisso. Mas também tenho estado pensativo em algo mais.

-Em que?

-Azkaban, claramente, não segura Bellatrix.

-Isso é fato, Harry. Mas já estamos preparados para isso. Caso Bellatrix seja presa novamente, ou em perspectivas mais otimistas, "quando" ela for presa novamente, não a mandaremos mais para Azkaban - Ele explicou, decidido. Harry arqueou as sobrancelhas.

-E então?

-Bom, esses são assuntos confidenciais. Aliás, eu tenho te falado muito sobre assuntos confidenciais, isso não é bom para mim - Riu-se.

-Eu sei. Não vou insistir - Sorriu amigavelmente. Peasegood assentiu.

-Confio em você, Harry. Sei que jamais faria algo que pudesse me comprometer - O garoto assentiu.

-Obrigado. Prometo guardar segredo de tudo que me fala.

Peasegood realmente não se preocupava pelas informações que confidenciava a Harry. Naquele quase um ano de amizade, havia aprendido a enxergar o garoto além do herói que estimava antes de conhecê-lo melhor. Harry tornara-se um grande amigo e o apreciava como um pai aprecia o seu filho. E era recíproco. Harry também gostava da companhia do obliviador e confiava excessivamente nele.

Mas, apesar da tranquilidade de Peasegood quanto ao assunto de Bellatrix, o homem guardava um certo receio que não quisera compartilhar com Harry. Estava preocupado com a operação daquela noite. E se as coisas não saíssem como esperavam? Desejava, tanto quanto qualquer outra vítima, que a comensal fosse presa o mais rápido possível, principalmente depois da morte de Andrômeda.

Naquela noite, o homem mal jantou e encaminhou-se novamente para o Ministério. A partir dali, reuniria-se com a equipe de investigação para que o plano fosse colocado em prática.

Harry mal aguentava a ansiedade. Fitava o relógio passar lentamente, minuto a minuto, desejando que Peasegood pudesse voltar com uma boa notícia.

Precisavam pegar Bellatrix, principalmente agora. Lembrava-se, a cada momento, do olhar pérfido dela sobre Hermione. Não permitiria que aquela louca pusesse as mãos imundas em sua Mione, outra vez. Não evitou lembrar-se do ocorrido na mansão dos Malfoy's, no ano passado. Sentia uma latente raiva, sempre que se lembrava daquilo. Pobre Mione. Como ela deveria ter se sentido naquele dia? Sozinha, sendo torturada pela comensal que mais temia em sua vida, enquanto Ron e ele estavam presos no porão. Apertou as mãos, lembrando-se da angustia que sentira por ouvi-la gritar daquela forma. Tudo isso também o fazia pensar no quanto ela deve ter sofrido quando pequena, estando sob o domínio da tia.

Não. Nunca permitiria que Bellatrix voltasse a fazer-lhe mal. O Ministério precisava chegar até ela, o quanto antes.

Que tensão! O quanto desejava participar daquela operação e certificar-se, com seus próprios olhos, de que a maldita seria pega.

Pensou por vários minutos, matutando sobre uma ideia… Não faria mal visitar a Regent Street e ficar de vigília. Era uma rua muito movimentada, afinal. Seria apenas mais uma pessoa, no meio de tantas outras…

Sim! Estava decidido. Precisava ir até lá.

Cerca de uma hora depois, Hermione acabava de sair do banho. Vestiu-se com uma blusa de manga longa e um jeans. Penteou os cabelos molhados e sentou-se na cama, pensativa em todos os últimos acontecimentos. Ted Lupin estava dormindo e era naquelas horas, que se encontrava sozinha, os momentos em que, as lembranças da mãe, mais se intensificavam. Como estava sendo difícil… Havia passado doze anos longe dela, mas nunca imaginara que sua ausência pudesse doer tanto. Como queria ter lhe dito que a amava, que a perdoava por tudo.

-Hermione? - Hope Granger entreabriu a porta do quarto, espiando pela fresta. A pequena estava deitada de bruços na cama e não fez menção de responder a mãe adotiva. Alguns segundos mais tarde, a mulher decidiu entrar, caminhando em direção à menina. Agachou-se ao lado dela, acariciando seus cabelinhos cacheados - O jantar está pronto, meu amor. Vamos descer?

Mais uma vez, não obteve resposta da criança que nem se mexeu. Acreditaria que ela estivesse dormindo, se não fosse pelo choramingar baixinho que a pequena tentava esconder, de forma muito mal sucedida. A senhora Granger sentiu seu coração se afundar.

-Por favor, querida. Eu não gosto de vê-la chorar. Sabia que fico bastante triste quando vejo uma criança chorando?

-Não quero jantar… - Escutou-a murmurar, sem tirar o rosto do travesseiro.

-Mas você precisa comer. Não quer crescer e ficar uma menina forte, inteligente? - Apenas viu-a dar de ombros - Hermione, por favor, não faça assim…

-Meu nome é Alyvia, senhora! - A pequena virou-se para ela, revelando seus olhinhos inchados. Hope dedicou-lhe um sorriso maroto, acariciando as pequenas bochechinhas vermelhas.

-Eu adoro o seu nome verdadeiro, minha princesa. Mas você sabe que precisamos te chamar de outro nome, verdade?

-Para que a tia Bellatrix nunca me descubra… - Ela contestou, suspirando profundamente, demonstrando-se chateada - Eu quero minha mãe.

A senhora Granger sentiu seus olhos inundando-se de lágrimas, mas tentou contê-las. Não queria que a menina a visse chorando.

-Eu sei, meu amor. Mas você precisa ficar aqui conosco, por um tempo, está bem?

-Quanto tempo?

-Bom, eu não sei bem… Até que prendam novamente a sua tia.

-Mas e se ela fugir de novo? Eu nunca vou poder voltar para casa? - Hope comprimiu os lábios, pensativa.

-Olha, eu prometo que você vai ser muito feliz nesta casa, independente do tempo que tenha que ficar aqui. Tudo bem? - A pequena fitou-a por longos segundos, indecisa. A mulher voltou a acariciar seu rostinho meigo - Sabia que você é muito linda? Jake e eu estamos muito felizes de que você esteja aqui com a gente.

A menina nada mais disse. Então Hope convidou-a outra vez para o jantar, alegando que a esperaria no piso inferior. Deu-lhe um beijo na fronte e saiu do quarto, dirigindo-se para a espaçosa e aconchegante sala de estar.

-Estou tão preocupada Jake. Já fazem mais de dois meses e ela ainda não se adaptou a nós - Lamentou, sentando-se ao lado do marido - Quase não sai daquele quarto. Não se animou nem mesmo com o gatinho que lhe demos de presente. Será que não estamos sendo bons pais?

Jake soltou o jornal que tinha nas mãos e olhou a esposa, puxando-a para um abraço.

No mesmo instante, Liv descia as escadas para jantar, quando escutou que falavam dela. Parou onde estava e pôs-se a ouvi-los, atentamente.

-Tenho certeza de que estamos sendo bons pais, minha querida. Mas precisas ter paciência. Não deve estar sendo fácil para ela. Se separou de sua família… Ela ainda é muito pequena.

-Fico tão angustiada por não conseguir fazer nada para animá-la. Só queria que ela conseguisse superar e ser feliz junto a nós.

-Ela vai, minha querida. Só precisamos dar um tempo à ela. Fazer o nosso melhor e ela vai nos amar.

-Assim espero, Jake. Esperei tanto para ter um filho, alguém para amar, cuidar. Eu não quero ter que me separar dela. Já aprendi a amá-la como minha filha - Confessou, assistindo um sorriso surgir nos lábios do marido.

Ainda nas escadas, Alyvia observou a senhora Granger, com o rosto meigo, banhado de lágrimas. Ela era adorável. Gostava da senhora Granger e também de seu marido. Eram sempre gentis, carinhosos e prestativos consigo. No entanto, ainda não aceitara-os como pais. Queria sua mãe verdadeira. Queria sua irmã. Queria voltar para casa e ficar junto da sua família, ainda que essa família não fosse como ela gostaria. Sentia tantas saudades… Pensara, várias vezes, em fugir daquela casa, tentar encontrar sua verdadeira mãe. Mas o medo a impedira. Tinha medo da tia Bella encontrá-la. Tinha medo de que sua mamãe não a quisesse mais. Se a quisesse, não teria deixado que a tia a levasse embora.

Certo sentimento de lástima a abateu. Ainda era muito pequena para conseguir compreender a dor da senhora Granger. Não obstante, sempre recebia aquela onda de sentimentos alheios, de todos os que estavam à sua volta. Sentiu a tristeza de sua mãe adotiva, a incerteza, o desespero. Não era bom. Sentira-se terrivelmente angustiada.

No mesmo instante, um pequeno filhote peludinho passou por debaixo de suas pernas, miando e esfregando-se para receber carinho. Agarrou o amiguinho em seus braços e correu de volta ao seu quarto, choramingando.

Era sempre horrível a recepção dos sentimentos alheios. Detestava aquele "dom", como o medibruxo chamara.

Mas, ainda assim, reconheceu que era útil em alguns momentos.

A senhora Granger era muito legal e não merecia sofrer. Precisava fazer alguma coisa para que ela se sentisse melhor.

A partir daquele momento, a pequena Liv começou a enxergar o amor dos pais adotivos, rendendo-se pouco a pouco a uma união que duraria muitos anos. Levou bastante tempo para superar a separação de sua verdadeira família, de sua mãe. Acreditou, então, que jamais voltaria a sentir a falta dela, porque era impossível sentir mais saudades do que quando fora abandonada. Como estava errada… A vida, muitas vezes, em seus altos e baixos, nos pregam lições que jamais imaginamos, nos mostrando que nada é preciso. Tudo é transitório e mutável, até mesmo nossos sentimentos…

Hermione foi desperta de seus pensamentos por um grunhido na janela do quarto. Era sua coruja. Por onde ela havia estado? Com tudo que aconteceu, se esquecera completamente dela. Não a via há dias. Não se lembrava se ela havia ficado em Hogwarts ou se a levara para a mansão Black. Meneou a cabeça. Não importava. Na verdade, seus pensamentos logo se transformaram em preocupação, ao avistar um pergaminho enrolado na pata da ave.

Abriu a janela e deixou-a entrar. Desatou logo o pedaço de papel, sem importar-se com o estado da ave, que parecia faminta. Não soube o motivo, mas algo lhe dizia que não se tratava de boa coisa. Sua face tornou-se pálida, assim que leu o conteúdo do pergaminho.

-Céus! Não pode ser… - Balbuciou, assustada.

Em seguida, saiu da habitação, procurando por Harry. Ele precisava ajudá-la.

Enquanto isso, na Regent Street, Harry observava, de soslaio, o casarão que Peasegood indicara como ponto de encontro. Na verdade, o obliviador lhe dissera apenas o número da quadra. Mas não precisara procurar muito. Reconheceu dois membros do Ministério, assim que eles entraram na enorme casa. Não se preocupara em esconder-se. Sua velha capa da invisibilidade ainda era bem útil.

Esperou. Esperou minutos… Vários. Olhava atentamente para a casa, mas nada parecia acontecer. Logo, quase duas horas haviam-se passado e nada… Olhou seu relógio de pulso. Já eram mais de onze da noite. Peasegood dissera que, a hora do encontro, seria às 22:00 horas. Definitivamente, havia algo errado. Seu lado curioso e inconsequente pensou em entrar. No entanto, a responsabilidade adquirida nas últimas experiências, falara mais alto. Se o pegassem, era Arnaldo quem levaria os prejuízos. Não… O amigo lhe tinha muita confiança. Era melhor retornar para casa. Se a operação desse errado, com certeza não seria por falta de intromissão sua.

Momentos antes, por volta de dez da noite, Hermione entrou silenciosamente no quarto do sobrinho. Sem acender as luzes, caminhou até o berço do bebê e pôs-se a observá-lo com ternura. Uma lágrima escorreu por seu rosto.

-Meu pequeno… - Acariciou as mãozinhas pequenas de Teddy, contemplando-as - Eu te amo tanto, meu bebezinho. Se algo der errado hoje, só quero que me perdoe e saiba que eu te amo mais que tudo neste mundo. Você é minha única razão de viver! Mas ao mesmo tempo, eu daria minha vida por você, anjinho.

Ele dormia tão tranquilamente que pareceu esboçar um sorriso, talvez motivado pela voz doce de sua titia.



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