História Harry Potter e o Presente da Morte - Tomarry - Capítulo 9


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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Bellatrix Lestrange, Blásio Zabini, Draco Malfoy, Fred Weasley, Gregory Goyle, Harry Potter, Hermione Granger, Jorge Weasley, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Minerva Mcgonagall, Narcissa Black Malfoy, Neville Longbottom, Pansy Parkinson, Poppy Pomfrey (Madame Pomfrey), Remo Lupin, Ronald Weasley, Rúbeo Hagrid, Severo Snape, Sirius Black, Tom Riddle Jr., Vincent Crabbe
Tags Harry Potter, Magia, Romance, Romance Gay, Shounen Ai, Tom Riddle, Tomarry, Viagem No Tempo, Wolfstar, Yaoi
Visualizações 886
Palavras 4.240
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá meus bruxinhos sonhadores, como vocês estão?

Finalmente chegou o capítulo que todos esperavam, o retorno do nosso amado Lorde das Trevas!!!!

Não vou enrolar aqui não, pois sei que vocês querem ler o capítulo, então tenham uma boa leitura!

Até as notas finais <3

Obs: Imagem de capa meramente ilustrativa.

Capítulo 9 - Tom Riddle


Fanfic / Fanfiction Harry Potter e o Presente da Morte - Tomarry - Capítulo 9 - Tom Riddle

Yule foi mais interessante e divertido do que eu pensara, nunca tinha comemorado um feriado bruxo de verdade e Sirius fez questão de seguir a tradição ao pé da letra, mesmo que tivéssemos que correr e quebrar a cabeça para comprar os ingredientes necessários em cima da hora.

No dia seguinte, como havia falado, fui com Sirius até o Banco Gringotes reivindicar seu título de senhorio e sua guarda sobre mim, além de fazer uma checagem nele para ver se não tinha nenhuma compulsão ou bloqueio em seu corpo. Nunca se sabe. Para minha felicidade e alívio, Sirius estava limpo, não havia nada com ele, o que significava que o mesmo apenas estava desinformado e tinha sido manipulado por Dumbledore a sua vida inteira.

Entretanto, uma coisa não queria sair da minha cabeça. Sirius poderia não ter compulsões ou bloqueios, mas e Remus? Ele nunca falou que era meu padrinho e havia feito a adoção de sangue comigo. Isso era muito estranho, não podia ser seu jeito normal de ser, não depois do que vi nas minhas memórias do passado.

Só podia suspirar resignado e esperar até que Remus aparecesse, penso que não irá demorar para a notícia chegar até ele e o mesmo vir correndo nos encontrar, pois sei que o faria.

Outra coisa que ocorreu depois do julgamento de Sirius foi pedidos incessantes de Rita Skeeter para uma entrevista, porém nem eu e nem Sirius queríamos isso. Meu padrinho já estava se estressando com sua insistência e eu também, então peguei um pergaminho e uma pena e comecei a escrever uma carta “amigável” para Rita.

Cara Sra. Skeeter,

Venho por intermédio desta carta lhe informar que tanto eu, Harry Potter, quanto meu padrinho, Sirius Black, não iremos conceder uma entrevista para o Profeta Diário. Queremos ficar fora dos holofotes e prezamos por nosso espaço pessoal, creio que a senhora consegue compreender isso.

Caso não consiga, um passarinho me contou que a senhora possui a forma de um besouro como animago e não é registrada no Ministério da Magia. Além do quê, usa disso para obter informações sigilosas. Se não me engano, é ilegal ser um animago não registrado e a pena pode ser uma passagem só de ida para Azkaban!

Como disse antes, não iremos conceder uma entrevista. Mas adoraria que no futuro pudéssemos entrar em contato novamente, você poderá se beneficiar muito de mim se for minha amiga. Do contrário… 

Atenciosamente,

Harry J. Potter.

Coloquei um feitiço de sigilo na carta, no qual apenas o destinatário poderia ler, e entreguei para Edwiges levar, não sem antes fazer um carinho em suas penas e dar migalhas de pão para ela comer.

Algumas horas depois recebi uma resposta de Rita e a mesma anunciava estar mais do que feliz em ser minha amiga, dizendo também não ter problemas em não conceder uma entrevista. Também me pediu para manter sigilo sobre sua forma animaga ilegal, como se fosse um segredinho apenas nosso.

Pude apenas rir enquanto queimava a carta, não iria lhe responder, a deixaria ansiosa um pouco. Conforme os dias passassem, ela perceberia que eu não entreguei seu segredo e estávamos de acordo.

O tempo acabou passando rápido, logo as férias de inverno tinham acabado e eu devia voltar para Hogwarts. Sirius, mesmo não gostando de multidão, insistiu em me levar até a plataforma 9 ¾  para pegar o Expresso de Hogwarts e confesso que senti meu coração aquecer com isso. Sempre sonhei com um momento assim, onde não tivesse que ir sozinho até a estação e agora estava acontecendo. Necessitou muito do meu autocontrole para não chorar de emoção no dia, aquilo era algo que realmente tocava em uma velha ferida.

As pessoas na plataforma olhavam para nós e comentavam, já estava acostumado com isso, então conseguia ignorar, mas Sirius estava claramente desconfortável com toda essa atenção indesejada.

— Está levando tudo? — ele perguntou quando paramos próximos ao trem.

— Sim, padrinho.

— Não está esquecendo de nada?

— Não.

— Tem certeza?

— Sirius. — Ri nasalado balançando a cabeça negativamente. — Não é como se fosse meu primeiro dia indo para Hogwarts, tenho tudo o que preciso comigo, se eu tiver esquecido alguma coisa você pode me mandar por correio ou peço para Tink me trazer.

— Okay, okay. — Suspirou assentindo. — Apenas… é a minha primeira vez nesse negócio de paternidade.

— Acredite quando eu digo que você está indo bem. — Sorri. — Você vai para o Largo Grimmauld?

— Sim, preciso organizar a casa e quero arrumar um lugar realmente meu. Você irá morar comigo, não é?

— É claro, mas irei transitar entre o Largo Grimmauld e a mansão Peverell.

— Tudo bem. — Assentiu. — Agora vá antes que perca o trem.

— Padrinho, ainda falta meia hora para a locomotiva sair. — Sorri divertido.

— Não importa, anda logo — falou me apressando. — Boa sorte, Harry — murmurou bagunçando meu cabelo.

— Tchau, Siri.

Rimos, acenamos um para o outro e entrei no trem. Como da primeira vez, peguei o último vagão da locomotiva, no mais extremo da área da Sonserina. Por alguns minutos apreciei a tranquilidade que era estar sozinho, até que a porta da cabine foi aberta brutalmente e Draco correu para dentro, sendo seguido logo atrás por Crabbe e Goyle.

— Você soltou Sirius Black! — o loiro exclamou sentando ao meu lado.

— Não, quem o soltou foi o júri, apenas entrei com o pedido para liberdade. — Sorri divertido e ele revirou os olhos.

— Você entendeu. Por que não contou para nós? Achei que confiasse na gente. 

— E eu confio.

— Draco não gosta de ficar no escuro — murmurou Gregory observando o loiro, que apenas o fuzilou com o olhar.

— Sinto muito, quis fazer surpresa. Além disso, queria ter certeza que tudo ocorreria bem. 

— Nós entendemos, Harry, e não te julgamos. Draco que está apenas fazendo drama — disse Vincent me encarando.

— Eu não estou fazendo drama! — Malfoy falou ofendido.

— A gente chama ele de Loira Dramática — Greg disse rindo, ignorando completamente a cara irritada do amigo.

— Vai se fuder!

Apenas balancei a cabeça negativamente, não aguentando e me juntando a sua risada, fazendo Draco ficar ainda mais irritado. E durante todo o trajeto até Hogwarts ficamos azucrinando o loiro, além, é claro, de eu relatar para os três como foi todo o processo para libertar Sirius e seu julgamento.

Durante a última semana de férias eu havia me tornado ansioso, com Sirius agora livre meu foco estava totalmente em Tom e não via a hora de trazê-lo de volta. Pensei que essa ansiedade passaria assim que chegasse em Hogwarts, mas foi só me sentar na mesa da Sonserina junto com meus amigos para ouvir o discurso de volta as aulas do diretor que minha ansiedade foi até o pico!

Batia minha perna incessantemente embaixo da mesa e mordia meu lábio inferior, perdido em pensamentos. Quando eu poderia ir atrás da pedra? Hoje a noite? Amanhã? Daqui uma semana? Tem que ser antes do Quirrell… 

— Você está bem? — Draco perguntou tocando o meu ombro.

— Sim. — Movi meu olhar para ele. — Estou apenas cansado — falei, o que não era uma mentira, há algumas noites não tenho dormido direito, sempre em busca de mais conhecimento e com a cabeça fervilhando sobre pensamentos em relação a Tom.

Só agora eu percebia o misto de emoções que me acometia devido a isso, nervosismo; excitação; medo… E se nada der certo? 

Quando todos começaram a jantar, eu comi apenas uma fruta e informei que voltaria ao dormitório primeiro, estava cansado e queria ficar um pouco sozinho. Os meninos ficaram um tanto preocupados, eram realmente bons amigos, mas não me impediram e logo estava deixando o Salão Comunal, não sem antes passar próximo a Neville que estava sentado na extremidade esquerda da mesa da Grifinória e cumprimentá-lo.

Assim que entrei no quarto me joguei na cama e afundei a cabeça no travesseiro. Precisava pensar quando pegaria a pedra. Ela já estava escondida no Espelho de Ojesed e precisaria apenas passar pelas provações dos professores.

Eu queria hoje ir pegá-la… será que estava muito cedo?

Rolei na cama de um lado para o outro, tentando decidir o momento perfeito, até que virei de lado e fiquei de frente à cobrinha de pelúcia. Por algum motivo eu não lembrava como a ganhei, apenas um dia ela surgiu no meu berço e tinha um cheiro bom, muito bom… vetiver e orvalho. Definitivamente, alguém colocou um feitiço para que o cheiro durasse por um longo período de tempo.

Acariciei a pelúcia por um momento e tomei uma decisão. Iria hoje mesmo pegar a Pedra Filosofal e Dumbledore que se foda!

Esperei até a madrugada e quando os meninos estavam nos braços de Morfeu em suas devidas camas, peguei minha capa da invisibilidade e deixei as masmorras, me esgueirando na calada da noite pelo castelo.

Todo o processo tinha sido fácil, então não passou nem quarenta minutos e lá estava eu atravessando as chamas e avistando o Espelho de Ojesed. Suspirei animado. Finalmente obteria a pedra.

Parei em frente ao espelho, fechei meus olhos e limpei a mente. Esse era o último desafio para obter a pedra. Querer possuí-la, mas sem realmente desejá-la. Pensei no motivo ao qual me trouxe até aqui, meu maior desejo era ressuscitar Tom. Mesmo se não obtivesse a pedra, encontraria outra forma de trazê-lo de volta. Eu precisava dele, eu queria ele, eu teria ele.

Quando abri meus olhos, meu reflexo no espelho sorriu para mim com a Pedra Filosofal estendida em sua mão. Ele moveu o braço e colocou o objeto no bolso, senti o peso da pedra no mesmo instante e sorri de volta. Agradeci meu reflexo, mesmo que a ação parecesse irracional, e fiz meu caminho de volta ao dormitório da Sonserina, feliz em ter conseguido cumprir mais um dos meus objetivos.

Na manhã seguinte, acordei animado e isso não passou despercebido pelos meus amigos. Eles me indagaram o porquê de estar assim, sendo que claramente na noite passada eu estava abatido, então apenas disse que uma pessoa muito importante estava voltando.

No resto do dia, eu fiquei pensando em como atrair Quirrell até a Câmara Secreta para que eu pudesse falar com Tom sem me preocupar em ser pego por Dumbledore ou outra pessoa. Aguardei até que quarta-feira chegasse e quando tive minha primeira aula de DCAT na semana, assim que ela terminou, peguei meu dever que tinha enrolado para finalizar, coloquei um bilhete dentro e levei até a mesa de Quirrell.

Não esperei para vê-lo encontrar a mensagem, apenas dei minhas costas para ele e deixei sua sala. O bilhete dizia que eu sabia de seu segredo, na verdade, sabia de tudo e era para ele me encontrar dentro da Câmara Secreta dez minutos após a meia noite. No final, assinei com meu nome.

Como DCAT tinha sido a última classe do dia, fiquei com Draco estudando no Salão Comunal da Sonserina, mal as aulas tinham voltado e os professores já estavam passando trabalho. Precisava fazer um ensaio sobre as mandrágoras e porque seu grito era tão poderoso ao ponto de afetar os bruxos para entregar na próxima aula de Herbologia, todavia, minha ansiedade me deixava com a cabeça na lua, sem ânimo ou paciência para fazer um trabalho como esse.

— Está afim de jogar Guerra Sombria? — perguntei ao loiro enquanto enrolava o pergaminho e guardava a pena.

— Você já terminou seu ensaio? — ele me indagou erguendo uma das sobrancelhas.

— Irei terminar depois.

— Harry.

— Não estou com cabeça para isso agora, vamos fazer outra coisa, por favor — implorei fazendo beicinho, depois de anos em convívio com a Hermione acabei aperfeiçoando essa técnica, se conseguia arrancar coisas dela quem dirá dele.

— Okay então. — Sorri feliz. — Por que não começa me contando o que te aflige tanto?

Repousei a cabeça na mesa e grunhi frustrado, não era isso o que eu queria.

— Se não percebeu, eu quero uma distração — murmurei com a voz abafada.

— Talvez conversar sobre isso te ajude. — Permaneci em silêncio. — Tem haver com essa pessoa que está voltando? — Assenti lentamente. — Você parecia feliz na segunda-feira de manhã com essa notícia.

— E eu estou feliz, é só quê… — Suspirei erguendo a cabeça e olhando Draco nos olhos. Naquelas íris azuladas eu conseguia enxergar toda a preocupação genuína que ele tinha comigo. Não sei como consegui o tratar tão mal no passado, se eu tivesse aceitado seu pedido de amizade no primeiro dia de aula talvez não precisasse voltar no tempo.

Malditas compulsões.

— É só quê… 

— Estou nervoso, pois ele volta hoje a noite. Porém, só poderei passar um momento de qualidade com ele nas férias e já ficamos tanto tempo separados.

— Você gosta dele? — Arregalei meus olhos na sua direção. — O quê? Temos 11 anos, não 6. É normal que comecemos a gostar de outras pessoas de uma forma romântica.

— … Sim, eu gosto dele.

Por algum motivo me senti ligeiramente envergonhado, era a primeira vez que admitia que gostava de Tom em voz alta e ainda por cima para a versão mais nova de Draco. Ah, quando ele descobrir quem é, como será sua reação?

— Ele vai ficar aqui por muito tempo?

— Pra que tantas perguntas?

— Só me responda. — Bufou e revirei meus olhos.

— Vai, ele está se mudando para cá definitivamente.

— Então não precisa se preocupar que daqui há apenas alguns meses vocês poderão ficar juntos. Não é como se ele fosse embora depois disso, vocês terão muito tempo para passar ao lado um do outro no futuro.

Assim que ouvi suas palavras fiquei surpreso, Draco parecia ser muito maduro para sua idade.

— É verdade. Obrigado. — Sorri e ele acenou com sua cabeça.

Depois daquilo acabei ficando mais tranquilo, apesar do nervosismo insistir em aparecer conforme os ponteiros do relógio andavam. Quando deu o toque de recolher, esperei os meninos dormirem, troquei de roupa, peguei minha capa da invisibilidade e sai do quarto, rumo ao banheiro do primeiro andar.

Parei em frente a entrada da câmara, olhei ao redor e rezei internamente para que Murta não aparecesse, então sibilei em parseltongue e a passagem começou a se abrir. Felizmente, Murta não apareceu e logo pulei dentro do túnel, usando um feitiço no final para não cair de mal jeito no chão.

Caminhei pelos túneis até chegar na sala aberta, memórias do meu segundo ano em Hogwarts me atingiram, eu devia ter deixado o basilisco por um fim em Ginevra e o diário trazido Tom de volta à vida.

Um movimento no canto dos meus olhos atraiu minha atenção, virei a cabeça para o lado e vi um gigantesco corpo escamoso verde escuro se arrastar pelo chão. O basilisco.

— Olá — sibilei na linguagem das cobras. — Me chamo Harry Potter. Você tem algum nome?

— Faz muito tempo que não encontro um falante… — murmurou ignorando minha pergunta. — Você é herdeiro de Salazar?

— Não.

— Estranho, então como pode falar comigo?

O basilisco serpenteou para perto de mim e fechei meus olhos no mesmo instante que sua cabeça pairou sobre a minha.

— Você tem o cheiro do meu antigo mestre — disse, sua respiração fria indo contra o meu rosto, ele estava muito perto.

— Tom Riddle? — indaguei surpreso.

— Sim, o conhece? Ele veio com você? Está vivo? Assumiu o governo como planejava? Eu não sei porque ele nunca mais veio me visitar depois que fechou a câmara, confesso que fiquei muito triste com isso. Não consigo perceber direito a passagem do tempo, mas sei que já se passaram anos desde a última vez que nos vimos.

— Sim, eu o conheço e não, ele não veio comigo. Se ele está vivo, é um tanto complicado responder isso, mas depois dessa noite a resposta será sim. Infelizmente, Tom ainda não assumiu o mundo mágico, porém no futuro isso será diferente.

— Eu sinto emoções muito profundas quando você fala de meu mestre. Tom é muito importante para você?

— Bom… — Cocei a cabeça um tanto embaraçado. — Ele é o meu companheiro de alma.

— Ah, eu disse para meu mestre que ele não passaria o resto de sua vida sozinho e um dia encontraria alguém! — o basilisco exclamou animado. — Talvez seja por causa disso que eu sinta o cheiro dele em você…

— Talvez, mas creio que se deva ao fato de eu possuir um pedaço da alma de Tom dentro de mim. Sou uma de suas horcruxes.

— Sendo assim, por que não me olhas?

— Eu posso? — questionei surpreso e receoso.

— É claro.

— Não irei ser petrificado ou, até mesmo, morrer?

— Não, eu garanto.

Assenti e respirei fundo. Essa era uma das coisas mais malucas que iria fazer, mas para alguém que viajou no tempo… Lentamente, abri meus olhos, me deparando com uma imensidão amarelada fria e cativante.

— Viu, eu disse que nada iria acontecer. Você tem um pedaço da alma de meu mestre, sendo assim, pode me olhar nos olhos. E me chamo Dillen, a propósito.

— É um prazer Dillen, você é muito bonito.

— Obrigado e o prazer é todo meu.

Sorri para ele e conversamos mais um pouco, informei sobre meu plano de trazer Tom de volta a vida e como eu precisaria que ele ficasse escondido por um momento, até que tudo estivesse finalizado. Depois de um pouco de relutância, Dillen concordou com o meu pedido.

Quando ele se escondeu, lancei um Tempus e respirei fundo, já estava na hora.

Não demorou muito para passos ecoarem pelos canos e logo Quirrell apareceu, sua expressão era séria ao me fitar e se aproximou de mim a passos hesitantes. Olhou ao redor algumas vezes, como se conferisse se estávamos apenas os dois ali, então voltou a me observar.

— P-p-potter.

— Professor. — Acenei minha cabeça cordialmente em um cumprimento. — Não irei ficar enrolando, pois esse não é meu objetivo. Será que poderia retirar seu turbante, por favor.

— M-m-meu turbante?

— Sim, desejo falar com Voldemort, se não se importa.

— Eu quero conversar com o garoto — uma voz baixa e quebradiça soou.

— Mas, milorde, e se tudo isso for um plano de Dumbledore?

— Confie em mim quando digo que Dumbledore nunca entraria aqui. Agora, me mostre para o garoto.

Quirrell respirou fundo e hesitantemente desfez seu turbante, virando de costas para mim e revelando a parte de trás de sua cabeça, onde estava os últimos resíduos da alma de Tom fora de suas horcruxes.

— Olá, Harry.

— Olá, Tom — disse em parseltongue.

— Você pode falar na linguagem das cobras? — indagou surpreso, também mudando para tal idioma. Tinha me esquecido que nessa época ele ainda não sabia sobre tal fato, ninguém sabia, para falar a verdade. — E como sabe meu verdadeiro nome?

— Eu me lembro de tudo.

— Memória eidética?

— Sim.

— Impressionante. Dumbledore deve nunca ter contado com isso.

— Ele contou, todavia, eu sou mais esperto. — Sorri convencido. — E sobre a linguagem, esse é um dos benefícios de ter um pedaço da sua alma.

— Uma horcrux? Mas, como?... O dia em que a maldição da morte pegou em você… — Assenti com a cabeça, louvando internamente seu raciocínio rápido.

— Sei que tem muitas dúvidas, porém isso é algo que poderei te explicar depois. No momento, o que realmente quero é… — Tirei do bolso de trás da calça a Pedra Filosofal. — Você tem procurado por isso, não?

— A pedra!

— Você sabe como usá-la?

— É claro que eu sei. — Ouvi-o bufar e sorri com isso.

— Que bom, pois eu não sei de nada. — Ri sozinho. — Como é o processo?

— Preciso absorver a energia da pedra no processo e a força vital de uma pessoa.

— Uma vida por outra vida — murmurei e ele parecia concordar com isso. — No momento, as pessoas que eu adoraria que morressem não podem ser usadas. E quanto a Quirrell?

— Eu tinha dito para ele que o deixaria vivo, mas não me importo de usá-lo. Na verdade, me poupará o trabalho de silenciá-lo. Entretanto, por que está fazendo isso Harry?

— Já disse, eu me lembro. — Sorri novamente. — Quirrell — chamei seu nome voltando a falar normalmente e o mesmo se virou para mim. — Pegue. — Joguei a pedra para ele.

O que assisti em seguida foi impressionante.

Assim que Quirrell pegou a pedra, Tom começou a murmurar palavras que não consegui entender e parecia assumir o controle do corpo. Quirrell tinha uma expressão de pânico conforme fumaça saía de sua mão, ele tentou jogar a pedra para longe, porém a mesma estava presa à sua pele.

— M-m-m-mi-milorde!

Tom o ignorou e continuou a recitar o feitiço. Aos poucos, a fumaça se tornou densa e começou a envolver Quirrell, impossibilitando-me de ver o resto do processo. Tudo o que presenciei foram os gritos de Quirrell conforme seu corpo parecia ser queimado e os murmúrios incompreensíveis de Tom.

Em nenhum momento deixei meu lugar, estava vidrado de mais em tudo aquilo, ansioso para ver quem eu tanto queria.

Quando o silêncio reinou, me aproximei devagar da névoa, lentamente ela começou a se dissipar e revelou um homem alto, de cabelos castanhos, olhos azuis e corpo esguio. Era similar a pessoa das minhas lembranças, só que maior e mais velho. Ele estava completamente despido, sua tez pálida e parecia que a qualquer momento iria cair.

— Tom — chamei e o mesmo ergueu a cabeça para me olhar, englobando-me em uma imensidão azul. Sentia como se um campo magnético me atraísse até ele.

— Harry. — Abriu um sorriso ao dizer meu nome, revelando seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.

Ele deu um passo na minha direção, mas seu corpo bambeou para frente e rapidamente me apressei para ampará-lo. Isso se provou uma péssima ideia. Não estava mais no meu eu de vinte anos, meu corpo era franzino e delicado, não possuía a força necessária para suportá-lo.

Resultado, ambos caímos no chão, porém Tom ficou sobre mim.

— Harry… — ele falou meu nome mais uma vez, antes de desmaiar em meus braços.

— Droga — murmurei tentando me sentar. — Tink! — gritei o nome da elfa enquanto pegava a capa da invisibilidade com dificuldade, era a única coisa que eu poderia usar para cobrir o corpo de Tom.

— O que o mestre deseja? — Tink surgiu alguns segundos depois ao meu lado.

Era tão grato pela magia dos elfos ser estranha o suficiente para quebrar as barreiras mágicas.

— Leve-nos para o meu quarto na mansão Peverell, agora!

Tink assentiu, parecendo entender a urgência da situação, e tocou em meu ombro e no topo da cabeça de Tom, que era a única parte visível de seu corpo, já que o resto estava oculto sob a capa. Não demorou para surgimos no lugar desejado e Tink me ajudou a repousar Tom na cama.

— Vá chamar Sirius imediatamente — ordenei e a elfa logo desapareceu.

Não demorei em usar minha magia para detectar o que Tom tinha. Assim que imbuí minha magia em seu corpo, senti que a dele parecia acolher a minha e as duas cantavam em euforia. Apreciei a sensação por um momento, mas logo recuperei o foco e chequei seu estado.

Suspirei aliviado ao ver que não era nada demais, por um momento pensei que o feitiço tinha dado errado. Tom estava apenas com o núcleo mágico vazio, acho que o ritual necessitava de muita magia.

Assim que recuperei a compostura, Sirius surgiu com Tink dentro do quarto, sua expressão preocupada e confusa.

— Harry, o que aconteceu? Por que você não está na escola? — perguntou apressadamente, então seus olhos foram para a cama. — E quem é ele?

— Tom Riddle, mas você o conhece por Voldemort.

Seus olhos se arregalaram.

— Harry, não… 

— Eu sei que o você irá dizer, padrinho, mas garanto que a maior parte dessas coisas é mentira. Tom não é um santo e nunca vai ser, mas ele não é culpado da maioria das coisas que o acusaram. Dumbledore queria que as pessoas o odiassem.

— O que ele está fazendo aqui?

— Longa história, prometo contar tudo para você depois, padrinho. Agora, Tom está fraco. O que quero pedir a você, é que cuide dele durante os meses que ficarei em Hogwarts.

— Por que eu deveria? Não confio e nem conheço ele — murmurou cruzando os braços, me lançando um olhar afiado.

— Mas eu confio e sempre confiarei — disse convicto. — Ele é meu companheiro, Siri, meu predestinado.

Sirius não falou nada, ficou parado me olhando intensamente, parecia até que tinham lhe lançado um Petrificus Totalus.

— Padrinho — chamei e ele pareceu sair de seu transe.

— Seu predestinado? — Acenei positivamente.

— Lembra quando te disse que fui até Gringotes fazer um teste de herança e descobri tudo, inclusive minhas ligações mágicas? — Sirius assentiu. — Tom é uma delas, meu companheiro de alma.

— Ah, Harry — Suspirou. —, isso é muita coisa pra uma cabeça sã… Imagina a minha!

— Eu sei, padrinho, eu sei. Sinto muito por tudo isso estar acontecendo, mas não se pode viver no escuro para sempre. Tom é eu companheiro e no momento está fraco, até que ele se recupere preciso que você cuide dele, pois estarei em Hogwarts e incapaz de vir a todo momento.

Sirius suspirou e ficou em silêncio por alguns segundos, até que acenou positivamente com a cabeça.

— Tudo bem, eu.. eu farei o meu melhor.

— Obrigado, padrinho! — Abri um sorriso. — Ike.

— O que deseja, mestre? — o elfo perguntou surgindo ao meu lado.

— Traga-me uma poção restauradora de magia.

Ike desapareceu no mesmo instante e retornou pouco tempo depois com um frasquinho de vidro na mão. Entregou-me a poção e, delicadamente, despejei o líquido nos lábios de Tom.

— Acho que ele ficará desacordado por mais um tempo, será que podemos conversar agora? — Sirius perguntou após todo o frasco ter sido esvaziado.

— Claro.

Dei uma última olhada em Tom, deixei um aperto na sua mão, então levantei da cama e caminhei com Sirius para fora do quarto. Estava na hora de colocar mais pingos nos “i”s.


Notas Finais


E aí, gostaram?

Eu demorei pacas pra escrever esse capítulo, espero que tenha ficado a altura e agradado vocês! ^^ E aos que gostam de capítulos longo, de nada!

O que acharam desse Draco bom conselheiro? Tô achando esses meninos muito precoces, eu quando tinha 11 anos só me preocupava em tomar meu toddynho kkkkkkkkkk.

Tom está de volta, agora só falta o Remus aparecer e a família do Harry vai estar completa novamente!

Por hoje é só amorinhas, só sábado que vem eu trago um novo capítulo.

Beijos <3 <3 <3


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