História Harry Potter e os Livros do Futuro - Capítulo 17


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Categorias Harry Potter
Personagens Alastor Moody, Alice Longbottom, Alvo Dumbledore, Alvo Potter, Angelina Johnson, Arthur Weasley, Astoria Greengrass, Carlinhos Weasley, Cedrico Diggory, Cho Chang, Colin Creevey, Cornélio Fudge, Daphne Greengrass, Dênis Creevey, Dino Thomas, Dominique Weasley, Draco Malfoy, Fílio Flitwick, Fleur Delacour, Franco Longbottom, Fred Weasley, Fred Weasley Ii, Gina Weasley, Gregory Goyle, Gui Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Hugo Weasley, Jorge Weasley, Kingsley Shacklebolt, Lílian Evans, Lílian L. Potter, Lino Jordan, Louis Weasley, Luna Lovegood, Marlene Mckinnon, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Molly Weasley II, Narcissa Black Malfoy, Neville Longbottom, Nymphadora Tonks, Padma Patil, Pansy Parkinson, Parvati Patil, Pedro Pettigrew, Percy Weasley, Personagens Originais, Remo Lupin, Ronald Weasley, Rose Weasley, Roxanne Weasley, Rúbeo Hagrid, Scorpius Malfoy, Severo Snape, Sibila Trelawney, Simas Finnigan, Sirius Black, Ted Lupin, Tiago Potter, Tiago S. Potter, Victoire Weasley, Viktor Krum
Tags Harry Potter, Lendo O Futuro
Visualizações 113
Palavras 8.005
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiii!!!
Como estão?
Eu sei que demorei, DESCULPEM. Vou deixar-vos ler o capítulo descansados. Só uma coisinha:
FW - Futuro
Fleur - Presente
Boa Leitura.

Capítulo 17 - No Alçapão


Hogwarts - 1994

P.O.V. Narradora

- Acabou o capítulo. - Informou Lilu fechando o livro.

- Ótimo. - Disse Dumbledore. - Quem deseja ler, agora? - Ast levantou a mão. O Diretor levitou o livro até ela que agradeceu e abriu-o na página certa.

- No Alçapão. - A voz dela soou forte e clara. A luz apareceu e com ela veio uma mulher loira de olhos azuis.

- O meu nome é Fleur Delacour-Weasley. Tenho 42 anos e sou mãe da Victoire, da Dominic e do Louis. - Ela não tinha o sotaque francês muito acentuado mas notava-se que não era britânica. A versão mais nova da loira levantou-se da mesa dos Ravenclaw e perguntou:

- Avec qui ai-je épousé? (Eu casei-me com quem?) - A mulher loira riu-se.

- Nous avons épousé Bill Weasley. (Nós casamo-nos com o Bill Weasley.) - A mais nova deu uma pequena risada voltando a sentar-se. O Weasley mais velho olhava para as duas Fleur espantado. Os outros Weasley mais Harry e Hermione deram palmadinhas nas costas de Bill. FW fez sinal aos três filhos que se levantaram e apresentaram-se novamente.

- Como vocês já sabem, o meu nome é Victoire Delacour-Weasley. Estou noiva do Teddy. - Bill fulminou Teddy que se encolheu sobre o olhar do futuro sogro. Victoire clareou a garganta e continuou. - Tenho 20 anos, fui dos Ravenclaw e sou professora de Poções. Os meus pais são Bill Weasley e Fleur Delacour-Weasley. - Fleur e Bill ambos se levantaram e abraçaram a futura filha. Vic voltou a sentar-se ao lado do noivo e FW incitou a segunda filha.

- Como é óbvio, o meu nome é Dominic Delacour-Weasley. Tenho 16 anos e sou dos Gryffindor. Os meus pais são Bill e Fleur Weasley. - Disse a ruiva revirando os olhos. Ela foi abraçada pelos futuros pais. FW deu um empurrãozinho ao último filho.

- O meu nome é Louis Delacour-Weasley e tenho 12 anos. Como a Vic, eu sou dos Ravenclaw. Obviamente, os meus pais são Bill Weasley e Fleur Delacour-Weasley. - Bill e Fleur abraçaram-no e depois sentaram-se na quinta mesa com os outros.

- Quem está a ler? - Perguntou FW.

- Eu. - Diz Ast levantando a mão.

- Então contínua, chéri. - Respondeu a francesa.

No futuro, Harry nunca conseguiria lembrar muito bem como conseguiu prestar seus exames enquanto esperava Voldemort irromper a qualquer instante pela porta. Contudo os dias foram se passando lentamente e não havia dúvidas de que Fluffy continuava vivo e bem seguro atrás da porta trancada.

Fazia um calor de rachar, principalmente na sala das provas escritas. Os alunos tinham recebido penas novas e especiais para fazê-las, previamente encantadas com um feitiço anticola.

- Não sei porque é que dão sempre essas penas. - Começou Jay.

- Até parece que não confiam em nós. - Comentou Sirius.

- Se o Padfoot fosse meu aluno eu também não confiaria nele. - Responde James. Sirius levanta-se e começa a correr atrás de Prongs. Remus, ao ver aquilo, pede a Collin a câmara emprestada e tira uma foto.

Houve exames práticos também. O Prof. Flitwick os chamou à sala de aula, um a um, para verificar se conseguiam fazer um abacaxi sapatear na mesa. A Profa. Minerva observou-os transformarem um camundongo em uma caixa de rapé e conferiu pontos pela beleza da caixa, e os descontou quando a caixa tinha bigodes. Snape deixou-os nervosos, bafejando em seu pescoço enquanto tentavam se lembrar como fazer a poção do esquecimento.

Harry fez o melhor que pôde, tentando ignorar as dores lancinantes que sentia na testa e que o incomodavam desde a ida à floresta.

- Não é um bom sinal. - Diz Lilly nervosa. James sentou-se ao lado dela e passou o braço pelos ombros do seu lírio.

Neville achou que Harry estava com uma crise de nervos provocada pelos exames, porque Harry não conseguia dormir, mas a verdade é que seu antigo pesadelo o mantinha acordado, só que agora estava pior que nunca, pois havia nele uma figura encapuzada que pingava sangue.

Lilly estremeceu e encostou-se mais a James.

Talvez fosse porque eles não tinham visto o que Harry vira na floresta, ou porque não tinham cicatrizes que queimavam na testa, mas Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a Pedra quanto Harry. A lembrança de Voldemort sem dúvida os apavorava, mas não os visitava em sonhos, e estavam tão ocupados com as revisões que não tinham muito tempo para pensar no que Snape ou qualquer outro podia estar aprontando.

O último exame foi de História da Magia. Uma hora respondendo a perguntas sobre velhos bruxos gagás que inventaram caldeirões automexíveis e estariam livres, livres por uma semana maravilhosa até saírem os resultados dos exames. Quando o fantasma do Prof. Binns mandou-os descansar as penas e enrolar os pergaminhos, Harry não pôde deixar de dar vivas com os colegas.

– Foi muito mais fácil do que pensei – comentou Hermione, quando eles se reuniram aos numerosos alunos que saíam para os jardins ensolarados. – Eu nem precisava ter aprendido o Código de Conduta do Lobisomem de 1637 nem a revolta de Elfric, o Ambicioso.

- Tu aprendeste isso? - Perguntou-lhe Remus. Mione corou.

- Não sabia se podia sair no exame. - Murmurou ela.

Hermione sempre gostava de repassar as provas depois, mas Ron disse que isso o fazia se sentir mal. Assim, caminharam até o lago e se sentaram à sombra de uma árvore. Os gêmeos Weasley e Lee Jordan faziam cócegas nos tentáculos de uma lula gigantesca, que tomava sol na água mais rasa.

– Acabaram-se as revisões – suspirou Ron, contente, esticando-se na grama. – Você podia fazer uma cara mais alegre, Harry, temos uma semana inteira até descobrir se nos demos mal, não precisa se preocupar agora.

Harry esfregava a testa.

– Eu gostaria de saber o que significa isso! – explodiu aborrecido. – Minha cicatriz não para de doer, já senti isso antes, mas nunca com tanta frequência.

-Vai até à Madame Pomfrey, tenho a certeza que ela pode te dar uma poção para a dor. - Disse Lillian apertando James nos seus braços.

– Procure Madame Pomfrey – sugeriu Hermione.

– Eu não estou doente – respondeu Harry. – Acho que é um aviso... significa que o perigo está se aproximando...

- Óh Merlim! - Exclamou Lilly. James abraçou ela com mais força. Ele também estava preocupadissimo, Harry só tinha 11 anos não devia estar a se preocupar com Voldemort.

Ron não conseguiu se preocupar, estava quente demais.

– Harry, relaxe. Hermione tem razão, a Pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por aqui. Em todo o caso, nunca encontramos nenhuma prova de que Snape tenha descoberto como passar por Fluffy. Ele quase teve a perna arrancada uma vez, não vai tentar outra tão cedo. E Neville vai jogar Quidditch na equipe da Inglaterra antes que Hagrid traia Dumbledore.

Harry concordou, mas não conseguiu se livrar da sensação que o atormentava de que esquecera de fazer alguma coisa, algo importante. Quando tentou explicar o que sentia, Hermione disse: 

– Isso são os exames. Acordei a noite passada e já tinha lido metade dos meus apontamentos sobre Transfiguração quando me lembrei que já tínhamos feito a prova.

- Isso também me aconteceu no quinto ano, quando estava a estudar para os N.O.M.'s. - Informou Moony.

Harry tinha certeza de que a sensação de inquietude não tinha nada a ver com os estudos.

Acompanhou com os olhos uma coruja planar pelo céu azul em direção à escola, uma carta no bico. Hagrid era o único que lhe mandava cartas. Hagrid jamais trairia Dumbledore. Hagrid jamais contaria a ninguém como passar por Fluffy... jamais... mas...

- O ovo de dragão! - Dizem Lilly e James levantando-se de um salto. Prongs olhou para o seu lírio com um sorriso malicioso no rosto.

- Já pensamos juntos, lírio. - Lillian revirou os olhos mas sorriu levemente. Eles voltaram a sentar-se e Ast continuou.

Harry pôs-se de pé de um salto.

– Onde é que você está indo? – perguntou Ron sonolento.

– Acabei de me lembrar de uma coisa. – Estava branco. – Temos que ver Rubeus agora.

– Por quê? – ofegou Hermione, correndo para alcançá-lo.

– Vocês não acham um pouco estranho – disse Harry, subindo, às carreiras, a encosta gramada – que o que Rubeus mais quer na vida é um dragão, e aparece um estranho que por acaso tem ovos de dragão no bolso, quando isso é contra as leis dos bruxos? Que sorte encontrar Rubeus, não acham? Por que não percebi isto antes?

- Ótimo raciocínio, Potter. Vais ser um ótimo Auror. - Disse Kingsley Shacklebolt a Harry. Este agradeceu.

– Do que é que você está falando? – perguntou Ron, mas Harry, correndo pelos jardins em direção à floresta, não respondeu.

Hagrid estava sentado em um cadeirão na frente da casa: tinha as pernas das calças e as mangas enroladas e descascava ervilhas em uma grande tigela.

– Olá – disse, sorrindo. – Terminaram os exames? Têm tempo para um refresco?

– Temos, obrigado – disse Ron, mas Harry o interrompeu.

– Não, estamos com pressa, Rubeus, preciso lhe perguntar uma coisa. Sabe aquela noite que você ganhou o Norberto? Que cara tinha o estranho com quem você jogou cartas?

– Não lembro – respondeu Hagrid com displicência –, ele não quis tirar a capa...

Quase todo o Salão bateu com a mão na testa deixando Hagrid corado.

Viu os três fazerem cara de espanto e ergueu as sobrancelhas.

– Não é nada de mais, tem muita gente esquisita no Cabeça de Javali, o pub do povoado. Podia ser um vendedor de dragões, não podia? Nunca vi a cara dele, ele não tirou o capuz.

Harry se abaixou ao lado da tigela de ervilhas.

– O que foi que você conversou com ele, Rubeus? Chegou a mencionar Hogwarts?

– Talvez – disse Hagrid, franzindo a testa, tentando se lembrar. – É... ele me perguntou o que eu fazia e eu respondi que era guarda-caça aqui... Depois perguntou de que tipo de criaturas eu cuidava... então eu disse... e disse também que o que sempre quis ter foi um dragão... então... não me lembro muito bem... porque ele não parava de pagar bebidas para mim... Deixa eu ver... ah, sim, então ele disse que tinha um ovo de dragão, e que podíamos disputá-lo num jogo de cartas se eu quisesse... mas precisava ter certeza de que eu podia cuidar do bicho, não queria que ele fosse parar num asilo de velhos... Então respondi que depois do Fluffy, um dragão seria moleza...

– E ele pareceu interessado no Fluffy? – perguntou Harry, tentando manter a voz calma.

– Bom... pareceu... quantos cachorros de três cabeças a pessoa encontra por aí, mesmo em Hogwarts? Então contei a ele que Fluffy é uma doçura se a pessoa sabe como acalmá-lo, é só tocar um pouco de música e ele cai no sono...

- Tu não devias ter lhe dito isso. - Censurou Lillian. Hagrid corou.

Hagrid, de repente, fez cara de horrorizado.

– Eu não devia ter-lhe dito isto! – exclamou. – Esqueçam que eu disse isto! Ei, aonde é que vocês vão?

Harry, Ron e Hermione não se falaram até parar no saguão de entrada, que parecia muito frio e sombrio depois da caminhada pelos jardins.

– Temos de procurar Dumbledore – falou Harry. – Rubeus contou àquele estranho como passar por Fluffy e quem estava debaixo daquela capa era ou o Snape ou o Voldemort, deve ter sido fácil, depois que embebedou Rubeus. Só espero que Dumbledore acredite na gente. Firenze talvez confirme, se Agouro não o impedir. Onde é a sala de Dumbledore?

- Tu estavas... - Começou George.

- No final do primeiro ano... - Continuou Fred.

- E tu não sabias... - Continuou Prongs.

- Onde era a sala do diretor? - Acabou Sirius. Harry encolheu os ombros.

Eles olharam a toda volta, na esperança de ver uma placa apontando a direção certa. Nunca alguém lhes havia dito onde trabalhava Dumbledore, tampouco conheciam alguém que tivesse sido mandado à sala dele.

- Au! - Disse Fred.

- Assim vou me sentir ofendido. - Concordou George.

– Acho que teremos de... – começou Harry, mas inesperadamente ouviram uma voz do outro lado do saguão.

– Que é que vocês estão fazendo aqui dentro?

Era a Profa. Minerva McGonagall, carregando uma pilha de livros.

- Só esperem pela noite e invadam o terceiro andar. - Disse Sirius apoiando o queixo na mão.

– Queremos ver o Prof. Dumbledore – disse Hermione enchendo-se de coragem, pensaram Harry e Ron.

– Ver o Prof. Dumbledore? – a Profa. Minerva repetiu, como se isso fosse uma coisa muito suspeita para alguém querer fazer. – Por quê?

- Isso é porque é suspeito. Três crianças de 11 anos irem procurar o diretor na última semana de aulas. - Disse Marlene.

Harry engoliu em seco – e agora?

– É uma espécie de segredo – disse, mas desejou na mesma hora que não tivesse dito, porque as narinas da Profa. Minerva se alargaram.

- Nunca digas isso, especialmente á McGonagall. - Explicou Frank. Todos olharam espantados para ele.

– O Prof. Dumbledore saiu faz dez minutos – informou ela secamente. – Recebeu uma coruja urgente do ministro da Magia e partiu em seguida para Londres.

– Ele saiu?! – exclamou Harry, frenético. – Agora?

- Armadilha. - Disseram os Salteadores, os Gêmeos, Jay, Teddy e Fred II.

– O Prof. Dumbledore é um grande bruxo, Potter, o tempo dele é muito solicitado.

– Mas é importante.

– Alguma coisa que você tenha a dizer é mais importante do que o Ministro da Magia, Potter?

- Imensas coisas, incluindo Voldemort. - Respondeu Potter ignorando os calafrios que os outros sentiam ao ouvir o nome de Quem-Nós-Sabemos. Fudge olhou ofendido para ele. 

– Olhe – disse Harry, mandando a cautela às favas –, professora... é sobre a Pedra Filosofal...

- Nãoooooooooo, Harry. Não te entregues. - Disse Sirius fazendo drama. As pessoas riram.

Seja o que for que a Profa. Minerva esperava, certamente não era isso. Os livros que levava despencaram dos seus braços, mas ela não os apanhou.

– Como é que vocês sabem? – deixou escapar.

– Professora, acho... sei... que Sn... que alguém vai tentar roubar a pedra. Preciso falar com o Prof. Dumbledore.

Ela o olhou com uma mescla de choque e desconfiança.

– O Prof. Dumbledore volta amanhã – disse finalmente. – Não sei como descobriu sobre a Pedra, mas fique tranquilo, não é possível ninguém roubá-la, está muitíssimo bem protegida.

– Mas, professora...

– Potter, sei do que estou falando. – Curvou-se e recolheu os livros caídos. – Sugiro que vocês voltem para fora e aproveitem o sol.

Mas eles não voltaram.

– É hoje à noite – disse Harry, quando teve certeza de que a Profa. Minerva não podia mais ouvi-los. – Snape vai entrar no alçapão hoje à noite. Ele já descobriu tudo o que precisa e agora tirou Dumbledore do caminho. Foi ele quem mandou aquela carta, aposto que o ministro da Magia vai levar um choque quando Dumbledore aparecer.

- Concordo. - Disseram os do passado.

– Mas o que é que podemos...

Hermione perdeu a fala. Harry e Ron se viraram.

Snape estava parado ali.

- Fudeu! - Charlie deixou escapar.

- Charlie / Senhor Weasley! - Exclamaram Molly e Minerva respetivamente. Ele desculpou-se e Ast continuou.

– Boa-tarde – disse com suavidade.

Eles o encararam.

– Vocês não deviam estar dentro do castelo num dia como este – falou com um sorriso estranho e torto.

– Estávamos... – começou Harry, sem fazer ideia do que ia dizer.

– Vocês precisam ter mais cuidado. Andando por aqui assim, as pessoas vão pensar que estão armando alguma coisa. E os Gryffindor realmente não pode se dar ao luxo de perder mais nenhum ponto, não é mesmo?

Harry corou. Viraram-se para sair, mas Snape os chamou de volta.

– E fique avisado, Potter, se ficar perambulando outra vez à noite, vou providenciar pessoalmente para que seja expulso. Bom dia para vocês.

- Vocês precisão de um plano. - Disse Prongs. Padfoot concordou.

E saiu em direção à sala de professores.

Lá fora, nos degraus de pedra, Harry virou-se para os outros.

– Certo, isto é o que vamos fazer – cochichou com urgência. – Um de nós tem que ficar de olho no Snape, esperar do lado de fora da sala de professores e segui-lo se ele sair.

Hermione, é melhor você fazer isso.

– Por que eu?

– É óbvio – disse Ron. – Você pode fingir que está esperando pelo Prof. Flitwick, sabe, como é. – E fazendo voz de falsete: – “Ah, Prof. Flitwick. Estou tão preocupada, acho que errei a questão catorze b...”

- O pior é que o Roniquinho tem razão, amiga. - Suspirou Ginny para a Mione. A citada corou.

- Cala a boca, Ginerva. - Retrucou Ron.

- Ginerva, o teu c...

- GINERVA! - Molly interrompeu a filha.

- Ginerva não, mãe! - Lamentou-se a ruiva.

– Ah, cala a boca – disse Hermione, mas concordou em vigiar Snape.

– E é melhor ficarmos no corredor do terceiro andar – disse Harry a Ron. – Vamos.

Mas aquela parte do plano não funcionou. Assim que chegaram à porta que separava Fluffy do resto da escola, a Profa. Minerva apareceu de novo, e desta vez perdeu as estribeiras.

– Suponho que você ache que é mais difícil alguém passar por você do que por um pacote de feitiços! – esbravejou. – Chega de bobagens! E se eu souber que você voltou aqui outra vez, vou descontar mais cinquenta pontos de Gryffindor! É, Weasley, da minha própria casa!

Os Salteadores fizeram uma careta.

Harry e Ron voltaram à sala comunal. Harry acabara de dizer “pelo menos Hermione está na cola de Snape”, quando o retrato da Mulher Gorda se abriu e Hermione entrou.

– Sinto muito, Harry! – lamentou-se. – Snape saiu e me perguntou o que eu estava fazendo, então disse que estava esperando Flitwick, e Snape foi buscá-lo, e me mandei, não sei aonde ele foi.

– Bom, então acabou-se, não é? – disse Harry.

- Nunca! - Exclamou James.

- A esperança é a última a morrer, ouviste Harry? Nunca percas a esperança. - Para a surpresa de todos, quem falou foi Lilly.

Os outros dois olharam para ele.

Estava pálido e seus olhos brilhavam.

– Vou sair daqui hoje à noite e vou tentar apanhar a Pedra primeiro.

– Você ficou maluco! – exclamou Ron.

– Você não pode! – disse Hermione. – Depois do que a Profa. Minerva e Snape disseram? Vai ser expulso!

– E DAÍ? – gritou Harry. – Vocês não percebem? Se Snape apanhar a pedra, Voldemort vai voltar! Vocês não ouviram contar como era quando ele estava tentando conquistar o poder?Não vai haver Hogwarts para nos expulsar! Ele vai arrasar Hogwarts, ou transformá-la numa escola de magia negra! Perder pontos não importa mais, vocês não entendem? Acham que ele vai deixar vocês e suas famílias em paz se Gryffindor ganhar o campeonato das casas? Se eu for pego antes de conseguir a pedra, bem, vou ter que voltar para os Dursley e esperar Voldemort me encontrar lá. É só uma questão de morrer um pouquinho depois do que teria morrido, porque eu nunca vou me aliar aos partidários da magia negra! Vou entrar naquele alçapão hoje à noite e nada que vocês dois disserem vai me impedir! Voldemort matou meus pais, estão lembrados?

James e Lilly sorriram tristes para o filho.

E olhou zangado para eles.

– Você tem razão, Harry – disse Hermione com uma vozinha fraca.

– Vou usar a capa da invisibilidade. Foi uma sorte tê-la recuperado.

– Mas ela dá para esconder nós três? – perguntou Ron.

– Nós... nós três?

– Ah, corta essa, você não acha que vamos deixar você ir sozinho?

– Claro que não – disse Hermione com energia. – Como acha que vai chegar à Pedra sem nós? É melhor eu dar uma olhada nos meus livros, talvez encontre alguma coisa útil...

– Mas se formos pegos, vocês dois vão ser expulsos também.

– Não se eu puder evitar – disse Hermione, séria. – Flitwick me disse em segredo que tirei cento e vinte por cento no exame. Não vão me expulsar depois disso.

   - Uau, Hermione. - Os do passado estavam estupefactos com a inteligência da garota.

Depois do jantar os três se sentaram, nervosos, a um canto do sala comunal. Ninguém os incomodou; afinal nenhum aluno dos Gryffindor tinha mais nada a dizer a Harry. Esta era a primeira noite que isto não o incomodava. Hermione folheava seus apontamentos, esperando encontrar um dos feitiços que queriam anular. Harry e Ron não falavam muito. Pensavam no que estavam prestes a fazer.

- Bom, pelo menos a Hermione está lá para impedir que eles se matem. - Suspirou Líllian. Mione corou. Harry e Ron concordaram com Lilly fazendo a Mione corar mais.

A sala foi-se esvaziando, à medida que as pessoas iam se deitar.

– É melhor apanhar a capa – murmurou Ron, quando Lee Jordan finalmente saiu, se espreguiçando e bocejando. Harry correu até o dormitório às escuras. Puxou a capa e então seus olhos bateram na flauta que Hagrid lhe dera no Natal. Meteu-a no bolso para usá-la em Fluffy, não se sentia muito animado a cantar.

E correu de volta ao sala comunal.

– É melhor vestirmos a capa aqui para ter certeza de que cobre nós três. Se Filch vir os pés da gente andando sozinhos...

– O que é que vocês estão fazendo? – perguntou uma voz a um canto da sala. Neville saiu de trás de uma poltrona, agarrando Trever, o sapo, que parecia ter feito uma nova tentativa para ganhar a liberdade.

- Neville! - Resmungaram algumas pessoas. Harry, Ron e Hermione sorriram para o amigo, que devolveu envergonhado.

– Nada, Neville, nada – respondeu Harry, escondendo depressa a capa às costas.

Neville olhou bem para aquelas caras cheias de culpa.

– Vocês vão sair outra vez.

– Não, não, não – disse Hermione. – Não vamos, não. Por que você não vai se deitar, Neville?

Harry olhou para o relógio de parede junto à porta. Não podiam se dar ao luxo de perder mais tempo, Snape talvez estivesse naquele instante mesmo tocando para adormecer Fluffy.

- Ou já ao pé da Pedra Filosofal. - Comentou Sirius.

– Vocês não podem sair – disse Neville –, vocês vão ser pegos outra vez. Gryffindor vai ficar ainda mais enrolada.

- Neville, não estás a ajudar. - Disse Marlene nervosa.

– Você não compreende – disse Harry. – Isto é importante.

Mas Neville estava claramente tomando coragem para fazer alguma coisa desesperada.

– Não vou deixar vocês irem – disse, correndo a se postar diante do buraco do retrato. – Eu... eu vou lutar com vocês.

– Neville – explodiu Ron –, se afaste desse buraco e não banque o idiota...

- Não o chames de idiota! Ele só está a tentar fazer a coisa correta. - Defendeu-o Frank.

– Não me chame de idiota! Acho que você não devia estar desrespeitando mais regulamentos! E foi você quem me disse para enfrentar as pessoas!

– Foi, mas não nós – respondeu Ron, exasperado. – Neville, você não sabe o que está fazendo.

Ele deu um passo à frente e Neville largou Trever, o sapo, que desapareceu de vista.

– Vem, então, tenta me bater! – disse Neville, erguendo os punhos. – Estou esperando!

Harry voltou-se para Hermione.

– Faz alguma coisa – pediu desesperado.

- Não disse? Sem a Hermione eles estariam mortos. - Comentou Líllian.

- É verdade. A nossa querida Mione é claramente o cérebro da operação. - Disse Fred rindo.

Hermione se adiantou.

– Neville – disse ela –, eu realmente lamento muito.

Ela ergueu a varinha.

– Petrificus Totalus! – falou, apontando para Neville.

- Eu realmente sinto muito, Nev. - Disse a menina sorrindo tristemente para o amigo.

- Não há problema, Mione. Eu realmente estava a ser um empecilho. - Respondeu ele abanando a mão como se não fosse nada.

Os braços de Neville grudaram dos lados do corpo. As pernas se juntaram. Com o corpo inteiro rígido, ele balançou no mesmo lugar e, em seguida, caiu de cara no chão, duro como uma pedra.

Hermione correu para desvirá-lo. Os maxilares de Neville estavam trancados de modo que ele não podia falar. Somente os olhos se moviam, mirando-os aterrorizados.

– O que foi que você fez com ele? – sussurrou Harry.

– O Feitiço do Corpo Preso – respondeu Hermione, infeliz. – Ah, Neville, me desculpe.

– Tivemos de fazer isso, Neville, não temos tempo para explicar – disse Harry.

– Você vai entender mais tarde – disse Ron, enquanto passavam por cima dele e se envolviam na capa da invisibilidade.

Mas deixar Neville deitado imóvel no chão não parecia um bom presságio.

- Porque não é. - Disse Alice preocupada com o filho.

No estado de nervosismo em que estavam, cada sombra de estátua lembrava Filch, cada sopro distante do vento parecia o Peeves assombrando-os. Ao pé do primeiro lance de escada, encontraram Madame Nor-r-ra, esquivando-se sorrateira quase no alto.

– Ah, vamos dar um pontapé nela, só desta vez – cochichou Ron no ouvido de Harry, mas Harry balançou a cabeça. Enquanto subiam cautelosamente contornando a gata, Madame Nor-r-ra virou os olhos de lanterna para eles, mas não fez nada.

Não encontraram mais ninguém até chegarem à escada para o terceiro andar. O Peeves se balançava a meio caminho, soltando a passadeira para as pessoas tropeçarem.

– Quem está aí? – perguntou de repente quando se aproximaram. E apertou os olhos negros e malvados. – Sei que está aí, mesmo que não consiga vê-lo. Você é um vampiro, um fantasma ou um estudante nojento?

E ergueu-se no ar e flutuou, tentando ver alguém.

– Eu devia chamar o Filch, eu devia, se alguma coisa está andando por aí invisível.

Harry teve uma ideia repentina.

-Isso nunca é bom. - Comentou Ginny implicando com "O Eleito".

- Eii! - Harry olhou ofendido para ela. - As minhas ideias são sempre fantásticas! - As pessoas gargalharam com a desculpa do rapaz. Harry cruzou os braços amuado com um beicinho enorme na boca. Ginny riu-se.

- O bebê ficou chateado? - Perguntou ela com voz de criança despenteando os cabelos de Harry. Quase todo o Salão ria com a interação deles.

- Eu vou me vingar. - Murmurou ele ao ouvido dela. Ginny arrepiou-se toda. Harry deu um sorriso satisfeito.

– Peeves – disse num sussurro rouco –, o barão Sangrento tem suas razões para andar invisível.

Peeves quase caiu, em choque.

Recuperou-se a tempo e saiu planando a trinta centímetros dos degraus.

– Desculpe, Sua Sanguinidade, Sr. Barão, cavalheiro – disse untuoso. – Falha minha, falha minha, não o vi, claro que não, o senhor está invisível. Perdoe ao velho Peeves essa piadinha, cavalheiro.

– Tenho negócios a tratar aqui, Peeves – crocitou Harry. – Fique longe deste lugar hoje à noite.

– Vou ficar, cavalheiro, pode ter certeza de que vou ficar – prometeu o Peeves, erguendo-se no ar outra vez. – Espero que os seus negócios corram bem, Barão, não vou perturbá-lo.

E partiu ligeirinho.

- Genial, pai! Tenho que experimentar! - Disse Jay maravilhado.

- Como é que é, James Sirius Potter? - Perguntou Gin levantando uma sobrancelha.

- Nada. - Respondeu Jay rápido demais.

– Genial, Harry! – cochichou Ron.

Alguns segundos depois, estavam lá, no corredor do terceiro andar – e a porta já fora aberta.

– Bom, aqui estamos – disse Harry baixinho. – Snape já passou por Fluffy.

A visão da porta aberta por alguma razão parecia causar neles a impressão do que os aguardava. Debaixo da capa, Harry se virou para os outros dois.

– Se vocês quiserem voltar, não vou culpá-los. Podem levar a capa, não vou precisar dela agora.

– Não seja burro – respondeu Ron.

– Vamos com você – disse Hermione.

O trio de ouro sorriu entre si e deram um high-five no alto. As pessoas sorriram com aquilo e desejaram ter uma amizade assim. James olhava orgulhoso para o filho.

Harry empurrou a porta.

Quando a porta rangeu baixinho, chegaram aos seus ouvidos rosnados surdos. Os três focinhos do cachorro farejaram furiosamente em sua direção ainda que o bicho não pudesse vê-los.

– O que é isso nos pés dele? – sussurrou Hermione.

– Parece uma harpa – respondeu Ron. – Snape deve tê-la deixado aí.

– Ele acorda no momento que se deixa de tocar – disse Harry. – Bom, aqui vai...

Levou a flauta de Hagrid aos lábios e soprou. Não era realmente uma música, mas às primeiras notas os olhos da fera começaram a se fechar. Harry nem chegou a tomar fôlego.

Lentamente, os rosnados do cachorro cessaram – ele balançou nas patas e caiu de joelhos, depois estirou-se no chão, completamente adormecido.

– Continue tocando – Ron preveniu a Harry enquanto saíam de baixo da capa e deslizavam para o alçapão. Sentiram o bafo quente e fedorento do cachorro ao se aproximarem de suas cabeçorras.

– Acho que vamos conseguir abrir a porta – disse Ron, espiando por cima do dorso do cachorro. – Quer entrar primeiro, Hermione?

- O cavalheirismo dos Gryffindor, não é mesmo, Weasley? - Perguntou Malfoy rindo maldoso com os Slytherin.

– Não, eu não!

– Tudo bem. – Ron cerrou os dentes e passou com cautela pelas pernas do cachorro. E abaixando-se puxou o anel do alçapão, que se abriu.

– O que é que você está vendo? – perguntou Hermione, ansiosa.

– Nada... só escuridão... não tem como descer, teremos que nos jogar.

Harry, que continuava a tocar a flauta, fez sinal para atrair a atenção de Ron e apontou para si mesmo.

– Você quer ir primeiro? Tem certeza? – disse Ron. – Não sei qual é a profundidade dessa coisa. Dá a flauta para Hermione manter Fluffy adormecido.

Harry passou a flauta a ela. Naqueles minutinhos de silêncio, o cachorro rosnou e se mexeu, mas no instante que Hermione começou a tocar, ele tornou a cair em sono profundo.

Harry passou por cima de Fluffy e espiou pelo alçapão. Não viu nem sinal de fundo.

Baixou o corpo pelo buraco até ficar pendurado pelas pontas dos dedos. Então olhou para Ron no alto e disse:

– Se alguma coisa acontecer comigo, não me siga. Vá direto ao corujal e mande Hedwig ao Dumbledore, certo?

- Meu Merlim, Harry. Não me digas uma coisa dessas. - Lilly ventilava-se com a mão.

– Certo.

– Vejo você daqui a pouco, espero...

E Harry soltou os dedos. Um vento frio e úmido passou rápido por ele, que foi caindo, caindo, caindo e...Pam. Com um baque engraçado e surdo ele bateu em alguma coisa macia. Sentou-se e apalpou à volta, os olhos desacostumados à escuridão. Parecia que estava sentado em uma espécie de planta.

– Tudo bem! – gritou para a claridade do tamanho de um selo lá no alto, que era o alçapão aberto. – A queda é macia, pode pular!

Ron seguiu-o imediatamente. Caiu esparramado ao lado de Harry.

– O que é isso? – Foram suas primeiras palavras.

– Sei lá, uma espécie de planta. Suponho que esteja aqui para amortecer a queda. Venha, Hermione!

- Não tenha a certeza sobre isso. - Comentou a Professora Sprout.

A música distante parou. Ouviu-se um latido alto do cachorro, mas Hermione já pulara. Ela caiu do outro lado de Harry.

– Devemos estar a quilômetros abaixo da escola – comentou.

– É realmente uma sorte que esta planta esteja aqui – disse Ron.

– Sorte! – gritou Hermione. – Olhem só para vocês dois.

Ela se levantou de um salto e lutou para chegar à parede úmida. Teve de lutar porque, no momento em que chegou ao fundo, a planta começou a se enroscar como as gavinhas de uma trepadeira em volta dos seus tornozelos. Quanto a Harry e Ron, suas pernas já tinham sidobem atadas por longos galhos sem que eles notassem.

- Visgo do diabo. - Disse Lillian.

- Mas isso não é uma planta que se dá no primeiro ano? - Perguntou uma aluna dos Ravenclaw. Lilly franziu a testa.

- Por acaso, é sim. - Respondeu Lilly. Ela olhou para a Professora Sprout com curiosidade.

Hermione conseguira se desvencilhar antes que a planta a agarrasse para valer. Agora observava horrorizada os dois meninos lutarem para se livrar da planta, mas quanto mais se esforçavam, mais depressa e mais firme a planta se enrolava neles.

– Parem de se mexer! – mandou Hermione. – Sei o que é isso. É visgo do diabo!

– Ah, fico tão contente que você saiba como se chama, é uma grande ajuda – resmungou Ron, tentando impedir que a planta se enroscasse em seu pescoço.

– Cala a boca, estou tentando me lembrar como matá-la! – disse Hermione.

– Bom, anda logo, não consigo respirar! – ofegava Harry, lutando com a planta que se enroscava em torno de seu peito.

– Visgo do diabo, visgo do diabo... o que foi que o professor Sprout disse? Gosta da umidade e da escuridão...

– Então acenda um fogo! – engasgou-se Harry.

– É... é claro... mas não tem madeira... – lamentou-se Hermione, torcendo as mãos.

- E aqui, caros colegas, temos um exemplo do que acontece quando a Hermione é mais lerda do que o Harry. - Começou Fred com voz de locutor.

– VOCÊ ENLOUQUECEU? – berrou Ron. – VOCÊ É UMA BRUXA OU NÃO É?

– Ah, certo! – disse Hermione e, puxando a varinha, sacudiu-a, murmurou alguma coisa e despachou um jato daquelas chamas azuis que usara em Snape contra as plantas. Em questão de segundos, os dois meninos sentiram a planta afrouxar e se encolher para longe da luz e do calor. Torcendo-se, ela se desenrolou dos corpos dos meninos, que puderam se levantar.

– Que sorte que você presta atenção às aulas de Herbologia, Hermione – disse Harry, quando se juntou a ela ao pé da parede, enxugando o suor do rosto.

– É – comentou Ron –, e que sorte que Harry não perde a cabeça numa crise, “não tem madeira”, francamente.

- É, porque só o Harry e a Hermione pensavam. O Ron, coitado, a planta deve ter lhe afetado o cérebro. - Provocou Ginny. Ron preferiu não responder.

– Por ali – disse Harry, apontando um corredor de pedra que era o único caminho que havia.

Só o que podiam ouvir além de seus passos eram os pingos abafados da água que escorria pela parede. O corredor começou a descer e Harry se lembrou de Gringots. Com um sobressalto, lembrou-se dos dragões que, segundo diziam, guardavam os cofres-fortes no banco dos bruxos. Se topassem com um dragão, um dragão adulto... Norberto já fora bastante ruim.

- Aí, meu Merlim! - Lilly estava muito nervosa e tentava se ventilar com a mão. Todos tentaram se chegar mais para ao pé de Ast. A tensão era palpável no Salão.

– Você está ouvindo alguma coisa? – Ron cochichou.

Harry apurou os ouvidos. Um farfalhar acompanhado de ruído metálico parecia vir de um ponto mais adiante.

– Você acha que é um fantasma?

– Não sei... para mim parecem asas.

– Há luz à frente, estou vendo alguma coisa se mexendo.

Chegaram ao fim do corredor e depararam com uma câmara muito iluminada, o teto abobadado no alto. Era cheia de passarinhos, brilhantes como joias, que esvoaçavam e colidiam pelo aposento. Do lado oposto da câmara havia uma pesada porta de madeira.

– Você acha que nos atacarão se atravessarmos a câmara? – perguntou Ron.

– Provavelmente – respondeu Harry. – Eles não parecem muito bravos, mas suponho que se todos mergulhassem ao mesmo tempo... Bom, não tem remédio... vou correr.

Tomou fôlego, cobriu o rosto com os braços e atravessou a câmara correndo. Esperava sentir bicos afiados e garras atacando-o a qualquer minuto, mas nada aconteceu. Alcançou a porta incólume. Baixou a maçaneta, mas a porta estava trancada.

Os outros dois o seguiram. Fizeram força para abrir a porta, mas ela nem sequer se moveu, nem mesmo quando Hermione experimentou o seu feitiço de Alohomora.

- Não vai ser assim tão fácil. - Comentou Flitwick.

– E agora? – perguntou Ron.

– Esses pássaros... não podem estar aqui só para enfeitar – disse Hermione.

Eles observaram os pássaros voando no alto, brilhando – brilhando?

– Eles não são pássaros! – Harry exclamou de repente. – São chaves! Chaves aladas, olhe com atenção. Então isso deve querer dizer... – E olhou à volta da câmara enquanto os outros dois apertavam os olhos para enxergar o bando de chaves no alto. – É, olhe! Vassouras!

- Apanhar uma chave alada para o melhor seeker do século. - Disse James igualmente desconfiado. Dumbledore sorriu misteriosamente.

Temos que apanhar a chave da porta. Mas eram centenas!

Ron examinou a fechadura.

– Estamos procurando uma chave bem grande e antiga, provavelmente de prata, como a maçaneta.

Cada um apanhou uma vassoura e deu impulso no ar, mirando o meio da nuvem de chaves.

- Odeio voar. - Disse Hermione estremecendo.

- Nós sabemos. - Dizem Harry e Ron ao mesmo tempo.

Tentaram agarrá-las mas as chaves encantadas fugiam e mergulhavam tão rápido que era quase impossível apanhar uma.

Mas não era à toa que Harry era o mais jovem seeker do século. Tinha um jeito para localizar coisas que os outros não tinham. Depois de um minuto trançando pelo redemoinho de penas, ele notou uma chave grande de prata que tinha uma asa dobrada, como se já tivesse sido apanhada e enfiada de qualquer jeito na fechadura.

– Aquela ali! – gritou para os outros. – Aquela grandona... ali... não... lá... com as asas azul-forte. As penas estão todas amassadas de um lado.

Ron precipitou-se na direção que Harry apontava, bateu no teto e quase caiu da vassoura.

– Temos que cercá-la! – gritou Harry, sem tirar os olhos da chave com a asa danificada. – Ron, você cerca por cima. Hermione, fica embaixo e não deixa ela descer, e eu vou tentar pegá-la. Certo, AGORA!

- Vais ser um ótimo capitão. - Diz Oliver piscando o olho para ele. Harry corou.

Ron mergulhou, Hermione disparou para o alto, a chave desviou-se dos dois e Harry partiu atrás dela; a chave correu para a parede, Harry se curvou para a frente e, com uma pancada feia, prendeu-a contra a pedra com a mão. Os vivas de Ron e Hermione ecoaram pela câmara.

Eles pousaram em seguida e Harry correu para a porta, a chave a se debater em sua mão.

Enfiou-a na fechadura e virou-a – deu certo. No instante em que ouviram o barulho da lingueta se abrindo, a chave tornou a alçar voo, parecendo agora muito maltratada depois de ter sido apanhada duas vezes.

– Estão prontos? – Harry perguntou aos dois, a mão na maçaneta da porta. Eles fizeram um sinal afirmativo com a cabeça. Ele escancarou a porta.

A câmara seguinte era tão escura que não dava para ver absolutamente nada. Mas, ao entrarem nela, a luz inesperadamente inundou o aposento, revelando uma cena surpreendente.

Estavam parados na borda de um enorme tabuleiro de xadrez atrás das peças pretas, que eram todas mais altas do que eles e talhadas em um material que parecia pedra. De frente para eles, do outro lado da câmara, estavam dispostas as peças brancas. Harry, Ron e Hermione sentiram um leve arrepio – as peças brancas e altas não tinham feições.

- Jogar xadrez. E por acaso, o Ron é um ótimo jogador. - Diz Sirius franzindo o nariz para a professora McGonagall. Ela simplesmente sorri misteriosa.

– Agora o que vamos fazer? – sussurrou Harry.

– É óbvio, não é? – falou Ron. – Temos que jogar para chegar ao outro lado da câmara.

Por trás das peças brancas eles podiam ver outra porta.

– Como? – perguntou Hermione, nervosa.

– Acho que vamos ter que virar peças.

Ele se dirigiu a um cavalo preto e esticou a mão para tocar seu cavaleiro. No mesmo instante, a pedra ganhou vida. O cavalo pateou o tabuleiro e seu cavaleiro virou a cabeça protegida por um elmo para olhar Ron.

– Temos que nos unir a vocês para chegar ao outro lado?

O cavaleiro preto confirmou com a cabeça. Ron virou-se para os outros dois.

– Isto exige reflexão – disse. – Suponho que a gente tenha que tomar o lugar de três peças pretas...

Harry e Hermione ficaram quietos, observando Ron refletir. Finalmente ele disse:

    – Agora não vão se ofender, mas nenhum dos dois é tão bom assim em xadrez...

– Não estamos ofendidos – interrompeu Harry depressa. – Diga o que vamos fazer.

– Bom, Harry, você toma o lugar daquele bispo e, Hermione, você fica ao lado dele substituindo a torre.

– E você?

– Vou ser o cavaleiro.

- Boa escolha. - Comentou Professora Minerva sorrindo para o ruivo, que corou.

As peças pareciam estar escutando, porque ao ouvir isso um cavaleiro, um bispo e uma torre deram as costas às peças brancas e saíram do tabuleiro, deixando três casas vazias, que Harry, Ron e Hermione ocuparam.

– No xadrez as brancas sempre jogam primeiro – explicou Ron, observando o tabuleiro. – É... olhem...

Um peão branco avançara duas casas.

Ron começou a comandar as peças pretas. Elas se mexiam em silêncio indo aonde eram mandadas. Os joelhos de Harry tremiam. E se perdessem?

– Harry, ande quatro casas para a direita em diagonal.

O primeiro choque de verdade que levaram foi quando o outro cavalo foi comido. A rainha branca esmagou-o no chão e arrastou-o para fora do tabuleiro, onde ele ficou deitado imóvel, de borco no chão.

– Eu tinha que deixar isso acontecer – disse Ron, parecendo abalado. – Assim você fica livre para comer aquele bispo, Hermione, ande.

Todas as vezes que eles perdiam uma peça, as peças brancas não mostravam piedade. Dali a pouco havia uma coleção de peças pretas inermes encostadas à parede. Duas vezes, Ron reparou, em cima do lance, que Harry e Hermione estavam em perigo. Ele próprio disparou pelo tabuleiro comendo quase tantas peças brancas quanto as pretas que haviam perdido.

– Estamos quase chegando – murmurou de repente. – Me deixem pensar... me deixem pensar...

A rainha branca virou o rosto vazio para ele.

– É... – continuou ele baixinho –, é o jeito... Preciso me sacrificar.

- NÃO! - A Senhora Weasley gritou.

- Merlim, mãe. Acho que fiquei surdo. - Reclamou Ron.

- Nem te atrevas, Ronald! - A Senhora Weasley quase gritou com o filho.

- Mãe, isto aconteceu há dois anos. Eu estou bem aqui. - Ron falou tentando acalmar a mãe.

- Isso não tira a tensão do momento! - Desculpou-se ela.

– NÃO! – Harry e Hermione gritaram.

– Isto é xadrez! – retorquiu Ron. – A pessoa tem que fazer alguns sacrifícios! Dou um passo à frente e ela me come, isso deixa você livre para dar o xeque-mate no rei, Harry!

– Mas...

– Você quer deter Snape ou não?

– Ron...

– Olhe, se você não se apressar, ele já terá apanhado a Pedra!

Não havia opção.

– Pronto? – perguntou Ron, o rosto pálido mas decidido. – Então vamos, agora, não se demore depois de ganhar a partida.

Ele avançou e a rainha branca o atacou. Golpeou Ron com força na cabeça com o braço de pedra e ele caiu com estrondo no chão. Hermione gritou, mas continuou parada em sua casa – a rainha branca arrastou Ron para um lado. Ele parecia ter sido nocauteado.

Molly abraçou Ron preocupada.

Trêmulo, Harry se deslocou três casas para a esquerda.

O rei branco tirou a coroa e jogou-a aos pés dele. Os meninos tinham ganhado o jogo. As peças se afastaram para os lados e se curvaram, deixando o caminho livre para a porta em frente. Com um último olhar desesperado para Ron, Harry e Hermione se precipitaram para a porta e para o corredor seguinte.

– E se ele...?

– Ele vai ficar bem – disse Harry, tentando convencer a si mesmo. – Que é que você acha que vai acontecer agora?

– Tivemos o feitiço de Sprout, o visgo do diabo. Flitwick deve ter encantado as chaves. McGonagall transfigurou as peças de xadrez para lhes dar vida. Faltam o feitiço de Quirrell e o de Snape.

Os professores citados concordaram com a cabeça.

Tinham chegado à outra porta.

– Tudo bem? – cochichou Harry.

– Vamos.

Harry empurrou a porta para abri-la.

Um fedor horrível entrou por suas narinas, fazendo os dois puxarem as vestes para cobrir o nariz. Os olhos lacrimejando, eles viram, deitado no chão diante deles, um troll ainda maior do que o que tinham enfrentado, desacordado e com um calombo ensanguentado na cabeça.

- O troll deve ser o do professor Quirrell. - Comentou Moony. Os outros acenaram em concordância.

– Que bom que não precisamos lutar contra este aí – sussurrou Harry, enquanto, cautelosamente, saltavam por cima da perna maciça do trasgo. – Vamos, não estou conseguindo respirar.

Harry abriu a porta seguinte, os dois mal se atreviam a olhar o que vinha a seguir – mas não havia nada muito assustador ali, apenas uma mesa e sobre ela sete garrafas de formatos diferentes em fila.

– É o de Snape – disse Harry. – O que temos de fazer?

Ao cruzarem a soleira da porta, imediatamente irromperam chamas atrás deles. E não eram chamas comuns, tampouco; eram roxas. Ao mesmo tempo, surgiam chamas pretas na porta adiante. Estavam encurralados.

– Olhe! – Hermione apanhou um rolo de papel que havia ao lado das garrafas. Harry espiou por cima do seu ombro para ler o papel:

O perigo o aguarda à frente, a segurança ficou atrás,

Duas de nós o ajudaremos no que quer encontrar,

Uma das sete o deixará prosseguir,

A outra levará de volta quem a beber,

Duas de nós conterão vinho de urtigas,

Três de nós aguardam em fila para o matar,

Escolha, ou ficará aqui para sempre,

E para ajudá-lo, lhe damos quatro pistas:

Primeira, por mais dissimulado que esteja o veneno,

Você sempre encontrará um à esquerda do vinho de urtigas;

Segunda, são diferentes as garrafas de cada lado,

Mas se você quiser avançar nenhuma é sua amiga;

Terceira, é visível que temos tamanhos diferentes,

Nem anã nem giganta leva a morte no bojo;

Quarta, a segunda à esquerda e a segunda à direita

São gêmeas ao paladar, embora diferentes à vista.

- Um desafio de lógica para a bruxa mais inteligente do século. - Comentou Marlene. - Deve ser o obstáculo do Snape.

Hermione deixou escapar um grande suspiro e Harry, perplexo, viu que ela sorria, a última coisa que ele tinha vontade de fazer.

– Genial – disse. – Isto não é mágica, é lógica, uma charada. A maioria dos grandes bruxos não tem um pingo de lógica, ficariam presos aqui para sempre.

– E nós também, não?

- Claro que não, tens a Hermione contigo. - Respondeu Sirius.

– Claro que não. Tudo o que precisamos está aqui neste papel. Sete garrafas: três contêm veneno; duas, vinho; uma nos ajudará a passar a salvo pelas chamas negras; e uma nos levará de volta através das chamas roxas.

– Mas como vamos saber qual delas beber?

– Me dê um minuto.

Hermione leu o papel diversas vezes. Depois passou em revista a fila de garrafas, para cima e para baixo, resmungando de si para si e apontando para as garrafas. Finalmente, bateu palmas.

– Já sei. A garrafa menor nos fará atravessar as chamas negras, rumo à pedra.

Harry mirou a garrafinha.

– Ali só tem o suficiente para um de nós. Não chega a ter um gole.

Eles se entreolharam.

– Qual é a que a fará voltar pelas chamas roxas?

Hermione apontou para uma garrafa arredondada na ponta direita da fila.

– Você bebe essa – disse Harry. – Agora, escute, volte e recolha o Ron, apanhe vassouras na câmara das chaves aladas, elas levarão vocês para fora alçapão e por cima de Fluffy.

Vão direto ao corujal e mandem Hedwig a Dumbledore, precisamos dele. Talvez eu possa segurar Snape por algum tempo, mas não sou páreo para ele.

– Mas, Harry, e se Quem-Nós-Sabemos estiver com ele?

– Bom... tive sorte uma vez, não tive? – falou Harry indicando a cicatriz. – Talvez tenha sorte outra vez.

A boca de Hermione estremeceu e ela correu de repente para Harry e o abraçou.

– Hermione!

– Harry, você é um grande bruxo, sabe?

– Não sou tão bom quanto você – disse Harry, muito sem graça, quando ela o largou.

– Eu! Livros! E inteligência! Há coisas mais importantes, amizade e bravura e, ah, Harry, tenha cuidado!

- O Chapéu Selecionador escolheu-te para os Gryffindor não para os Ravenclaw. - Disse Frank carinhosamente. - Isso significa que tens mais coragem que inteligência, mesmo que tu ainda não o saibas. - Hermione sorriu agradecida pelas palavras.

– Você bebe primeiro – disse Harry. – Você tem certeza de qual é qual, não tem?

– Positivo.

Ela tomou um demorado gole da garrafa arredondada na ponta e estremeceu.

– Não é veneno? – perguntou Harry, ansioso.

– Não... mas parece gelo.

– Vai logo antes que o efeito passe.

– Boa sorte... cuide-se...

– VAI!

Hermione virou-se e passou direto pelas chamas roxas.

Harry tomou fôlego e apanhou a garrafa menor de todas. Virou-se para encarar as chamas negras.

– Aqui vou eu – disse e esvaziou a garrafinha de um gole só. Era na verdade como se o gelo estivesse invadindo seu corpo. Ele deixou a garrafa na mesa e avançou; enchendo-se de coragem, viu as chamas negras lamberem seu corpo mas não as sentiu – por um instante não viu nada a não ser as chamas negras – então viu que estava do outro lado, na última câmara.

Havia alguém lá – mas não era Snape. Tampouco Voldemort.

- Era Quirrell. - Disse Moony confiante.


Notas Finais


Espero que tenham gostado.
Eu adorei os comentários!!! Vocês são os melhores! Em tão pouco tempo já temos 68 favoritos!
Se quiserem podem dar sugestões das personagens que vocês querem ver vindas do futuro ou para ler o próximo capítulo, eu adoro ler as vossas sugestões e opiniões.
Eu tenho outra fic:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/uma-rapariga-nada-normal-16448703
Dêem uma olhadinha.
Vou tentar não demorar tanto a postar o próximo.
Beijos.


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