História Hasu no hana - A Flor de Lótus - RivaMika - Capítulo 2


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Armin Arlert, Eren Jaeger, Historia Reiss, Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Armin, Attack On Titan, Eren, Levi, Mikasa, Rivamika, Romance, Universo Alternativo
Visualizações 132
Palavras 3.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Atualizando em menos de 48h por motivos de afliceta.
Bati meu record em palavras por capítulo!

Capítulo 2 - A semente que germina no lodo


Levi acordou tarde e sem nenhuma vontade de levantar da cama. Isso seria um comportamento completamente anormal de sua parte se não fosse a ressaca de um garrafa de vinho inteira tomada as pressas no dia anterior. Já desligara dois alarmes no celular quando percebeu que ignorar o terceiro era ilógico, obrigando-se a levantar e tomar uma ducha fria para colocar a cabeça em ordem. Saiu do banheiro enrolado da cintura para baixo pela toalha, indo pegar os outros dois envelopes dos restaurantes restantes para dar uma olhada e programar a semana. Um só abriria a partir das 19h e o segundo estava aberto o dia todo, menos nos dias de feriado, como seria dali a dois dias.

Ele estava ali mas a cabeça não.

Conferiu o relógio de pulso, vendo que eram quase 11h da manhã. Poderia passar na filial de sua editora antes do almoço e depois se encaminhar para o restaurante da noite anterior no meio da tarde, onde estaria mais vazio e ele teria uma melhor oportunidade de analisar para poder escrever uma crítica decente. Depois disso, tiraria o resto do dia de folga e quem sabe poderia conhecer algum lugar interessante da cidade, ou ao menos procurar algum lugar decente para beber.

 

Eram 16h quando Levi chegou em frente ao restaurante, abrindo a porta para entrar. Estava vazio e um outro atendente, que não a menina bonitinha da noite anterior, estava limpando as mesas e repondo hashis e guardanapos. Ele pareceu surpreso ao ver um cliente naquele horário, se adiantando. Enrolou-se e derrubou a vassoura no chão, causando um estampido.

- Boa tarde, senhor! - exclamou, recolhendo a vassoura do chão - Estamos fechados para manutenção, mas se o senhor puder aguardar um instante…

- Tudo bem, Connie. Eu o atendo - a voz feminina veio detrás do sushi bar e Mikasa levantou a bancada que separava os dois ambientes, secando a mão em um pano de prato preso ao seu avental - Por favor, fique a vontade, senhor…?

- Levi - ele respondeu, um pouco surpreso em ser recepcionado por ela.

Mikasa estava natural, os cabelos presos da mesma forma do dia anterior mas sem a faixa vermelha, com a franja levemente sobre seus olhos, mas agora vestia uma blusa que cobria apenas um de seus ombros, o outro exposto pela manga caída, além de calças jeans com as barras dobradas e sandálias simples. Por cima, um avental branco decorado com algumas gueixas e cerejeiras, extremamente delicado. Ele a encarava e agora ela percebia que reconhecia aquele olhar da noite anterior. A garota estendeu a mão, o cumprimentando.

- Mikasa - ele apertou sua mão, percebendo o quanto estava fria. Podia ser o tempo lá fora ou apenas o fato de ela estar preparando algo lá dentro, mas a temperatura de sua mão realmente o surpreendeu - O senhor se incomoda de ser atendido em meu balcão?

- Não, de forma alguma.

- Fique a vontade então - ela disse, passando para o outro lado do sushi bar - O senhor aceita algo para beber? Sake, um suco? Chá, talvez? Temos algumas variedades.

- Um chá preto está bom.

- Certo. Já volto.

A jovem sumiu através de uma portinha que dava para a cozinha. Enquanto isso, ele retirou seu casaco, apoiando sobre o banco ao seu lado. Posicionou-se bem de frente a estação, separado apenas por um vidro que, em pé, ia até a altura dos ombros da atendente. Reparou que na parede de trás havia um espelho de ponta a ponta e que, através dele, podia ver todo o balcão de preparação dos alimentos. Lá dentro estava tudo impecavelmente organizado por gavetinhas, balcão limpo, em ordem. Quanto mais olhava, mais ele se surpreendia e isso o incomodava. “Tudo em ordem com a higiene. O vidro impede resíduos humanos na comida e o espelho garante transparência com os clientes quanto à preparação da comida. Ela pensou em tudo”, refletiu mentalmente, admirado.

Quando Mikasa retornou trazia consigo dois pequenos copos de cerâmica tradicionais com ideogramas, entregando um branco para seu cliente por cima do vidro e ficando com o outro, bebericando um gole. O cheiro foi a primeira coisa que percebeu ao segurar seu copo, o forte aroma de chá preto prensado feito com folhas naturais. Ele sabia disso, porque era sua bebida preferida. Em casa mesmo ele possuía todos os equipamentos para poder fazer seus chás como gostava e aquele certamente fora preparado por alguém que conhecia.

- Eu não o adocei. Devo…?

Mas ele já estava bebendo, o latejar de sua cabeça pela ressaca parecendo dar um alívio. Estava muito, muito bom. Há dois dias ele bebia toda porcaria que as pessoas costumavam chamar de chá e estava apelando para café expresso para suprir a vontade. Ela o observou, franzindo o cenho achando graça da atitude do outro. Pousou seu próprio copinho na bancada em um canto, esperando que ele terminasse sua bebida.

- Estava bom?

- Sim. De verdade - e isso era um grande elogio.

- E então, o que eu posso preparar para o senhor?

- Me chame de Levi. Apenas Levi está bom.

- Ce..certo. Prazer em conhecer então, Levi - ela esboçou um leve sorriso, enquanto posicionava a faixa vermelha em sua testa, prendendo a franja. Depois, ela se abaixou e abriu uma geladeirinha, pegando alguns cubos de gelo e colocando sobre um pano na bancada. Ele podia observar tudo por conta do espelho, mas fazia de forma discreta. Ela cobriu o gelo com o outro lado do pano, pousando as duas mãos sobre o objeto - O que gostaria de comer?

Levi entendeu na hora o que ela estava fazendo. Usava o gelo para deixar suas mãos frias e não afetar a temperatura dos alimentos durante o preparo. Parecia uma coisa simples, mas era algo muito inteligente. Ele sabia que na verdade isso poderia ser implicância de sua cabeça mais do que uma questão cultural (porque afinal, ele admirava algumas chefs internacionais, como uma russa e uma italiana, a quem dera as melhores estrelas), mas era algo que até hoje o impedira realmente de dar boas notas a restaurantes orientais com chefs mulheres. Ele se perdeu em pensamentos enquanto observava a cena, até que ela retirou a mão de cima do gelo e deu leves toques em um pano limpo, secando-as.

- Levi?

- Desculpe - ele disse, bebericando o resto do chá - Seis duplas de sushis, sendo duas de polvo, duas de salmão e duas de peixe branco.

- Certo. Só um instante, por favor.

A medida que ela ia preparando os alimentos, ele podia perceber sua agilidade e que não levava mais de três segundos em cada bolinho de arroz e que o corte do polvo, apesar de seu material, era cirúrgico. Estes detalhes, estas nuances, além do fato das mãos de Mikasa se moverem com naturalidade e suavidade, o deixou impressionado. Quando ela o entregou, o prato decorado com tiras de pepinos muito finos, previamente cortados, além de um ramo de salsa, tornavam a comida convidativa aos olhos.

- Bom apetite! - ela disse, na expectativa de que ele provasse, discretamente o observando. O homem tinha mesmo uma aura séria, da mesma forma que na noite anterior. Mas agora, enquanto degustava sua comida, parecia um pouco mais relaxado e isso a confortou. Enquanto ele comia foi até a cozinha, voltando com outro copinho, estendendo para ele mais um chá, que aceitou de bom grado.

- Obrigada pelo chá. Estava tudo muito gostoso.

- O que me diz de eu o oferecer sashimis? Tem uma receita nova que estou querendo experimentar, iria oferecer para degustação hoje a noite. Cortesia da casa.

Ele a olhava agora com um interesse diferente. Ela parecia se divertir na cozinha e esse encanto com a comida chamava sua atenção.

- Claro. Afinal, cortesia não se nega - ele respondeu, os cotovelos apoiados sobre o balcão, as mãos em frente aos lábios, observando - Acrescente também atum semi, se possível.

- Claro, só um instante.

Ela voltou a pousar as mãos sobre o gelo, deixando algum tempo e depois bebericando seu chá. Retirou da geladeira um pote e dele, um peixe em cor rosa escuro. Ela desenrolou-o do plástico filme, espalhando o granulado verde que estava em cima da peça limpando-a, depois cortando três sashimis, intercalando-os com duas fatias de laranja. Ele achou curioso, mas estava aguardando sem comentários. Ela dispôs em um pequeno pires, passando para ele por cima do vidro.

Levi olhou bem o prato, bem decorado como o primeiro, e levou o sashimi perto do rosto, para sentir seu aroma.

- Isso é...limão siciliano?

- Por que não tenta descobrir provando? - ela sugeriu, sorrindo pelo canto dos lábios, surpreendendo-o. Era um sorriso suave, despretensioso. Ele assentiu, levando a boca.

A profusão de sabores foi a primeira coisa que despertou. Havia um gosto cítrico, realmente era limão siciliano, mas também algo mais forte. Também alterava a consistência do peise mas, como fora preparado na hora, não estragava.

- Beterraba? - falou incerto, pela pouca probabilidade de ter acertado.

- Sim! Que paladar apurado! - ela estava surpresa, quase querendo que ele engolisse logo tudo. Aguardou que ele comesse a terceira fatia, para só então perguntar - O que me diz? Gosta? Forte? Azedo?

Ela parecia tão empolgada que ele não podia deixar de pensar em como parecia graciosa daquela forma.

- Coma um primeiro.

- Mas…?

- Coma. E eu dou minha opinião.

- Certo - ela preparou um para ela, deixando brevemente a laranja encostada antes de levar a boca. Estava com medo que estivesse ruim, embora achasse pouco provável. Parecia igualmente gostoso como quando ela testou a receita, mas isso a confundiu.

- E então, chef, gostou? - ele perguntou, de forma quase impertinente.

- Sim. Está como eu imaginei.

- E está gostoso mesmo. Você é a chef da casa, Mikasa Ackerman - ele falou, olhando fixamente para ela - Não precisa se preocupar com o que acharão se preparar todos os seus pratos como está fazendo com esses. Está sim, muito bom.

Ela parecia surpresa com o que ouviu. Um elogio daqueles de um desconhecido fez valer seu dia. E não qualquer desconhecido, mas um homem com aquela forma de olhar e falar a deixara sem palavras. Ela curvou o corpo levemente, num agradecimento.

- Muito obrigada. De verdade - e olhou-o, um olhar terno - eu vou… preparar seu prato.

 

Levi saiu de lá três horas depois, mais leve do que sentia-se há muito tempo. Conversaram durante toda a tarde praticamente. Ela lhe contou de como haviam montado o restaurante e ele lhe contara de suas viagens a trabalho, como estava sendo aquela e dos paladares que já provara. Quando quis saber o por quê os atendentes eram tão novos, ela lhe explicou que queria dar a chance para os mais novos, como deram para ela e Eren para que pudessem batalhar pelos seu sonho de construir o estabelecimento. Ela lhe perguntou sobre seu gosto por comida e ele lhe dissera, sem qualquer pudor, que quando novo chegara a passar fome em casa pois sua mãe ficara muito doente e não havia tido um pai para cuidar disso e por esse motivo valorizava tanto um bom prato.

Sem que ambos percebessem já pareciam se conhecer há tempos, só interrompendo o papo quando ela realmente teve de se preparar para o turno da noite por causa do movimento e ele atestou ter outro compromisso. Pagou novamente em dinheiro e despediram-se. trocando um último olhar, ele prometendo que voltaria no dia seguinte para tomar chá e conversarem.


 

Pela manhã, quando chegou na loja, Mikasa parecia realmente alegre e todos puderam perceber isso. Enquanto limpava um pacote que comprara especialmente para seu novo cliente, fruto de um lance especialmente bem usado no leilão de peixes mais cedo, ela se perguntava se ele gostaria do paladar. Também lembrara de comprar mais chá, pois percebeu como a bebida o agradava. Sentia-se boba, mas lembrar da presença de Levi a deixava satisfeita consigo mesmo como pessoa e como chef, além de lhe corar a face. Eren tentou convencê-la a contar mais sobre o estrangeiro, desconfiado de que algo ia estranho. Quando ele chegou ao restaurante já estava com movimento, então tudo o que soube foi pelo comentário que Connie lançara sobre “o cliente que conversara a tarde toda com Mikasa” e que Christa confirmou ter visto no dia anterior. Ele passaria o dia inteiro hoje no restaurante para ficar de olho nela, mesmo que ela lhe garantisse que poderia se cuidar sozinha.

Quando Rivaille chegou a casa já estava com algum movimento, próximo a hora do almoço. Alguns estudantes estavam comemorando o feriado para descanso e aproveitaram para se reunir. Estavam em duas mesas, além de dois clientes sentados onde esteve ontem mas o lugar que ele ocupara no primeiro dia estava livre. Estranhou não ser Dormir mas Christa atendê-lo, visto que não era seu turno. Ela gentilmente o cumprimentou, sem conseguir evitar um sorriso de quem sabia algo que ele não sabia, mas disfarçando. Olhou de soslaio para Mikasa, o que fez a oriental ruborizar, obrigando-se a olhar para qualquer outro lado. A loira o encaminhou para o lugar. Ele então se acomodou, colocando a bolsa de seu notebook sobre a mesa.

- Tudo bem se eu trabalhar aqui?

- Claro, senhor! Nenhum problema. Gostaria de pedir algo?

- Sim. Um chá preto, por favor.

- Certo, eu já volto!

Ele ligou o computador, abrindo no arquivo que trabalhara na noite anterior. Depois que saíra dali, resolveu que deveria ir no restaurante que estaria fechado hoje o dia inteiro por conta do feriado. A experiência, porém, fora desastrosa. Comida que chegou fria, garçom que derrubara a bebida, sobremesa doce demais. Ficou tão descontente que se deu de presente fazer a crítica do Flor de Lótus, para relembrar o dia agradável. Agora, porém, ainda precisava falar sobre a péssima experiência da noite anterior e já que teria que trabalhar, podia fazer isso dali e que sabe, conversar mais tarde com a chef, quando o movimento diminuísse. Ele acenou para ela e ela respondeu, com um breve sorriso, ambos percebendo que ela estava ocupada e com uma promessa silenciosa de conversarem mais tarde.

Levi já escrevera praticamente quinhentas das oitocentas palavras que precisaria enviar para seu editor quando escutou o telefone tocar. Christa pediu desculpas, mas informou que ele não poderia atender ali e ele entendeu, pedindo que a pessoa na outra linha aguardasse enquanto ele ia para fora. Durante sua ausência, Mikasa conseguiu finalmente a chance que queria: havia preparado um prato especial com camarões, sendo uma dupla de sushis e alguns rolls com ingredientes novos. Ela aproveitou sua saída para levar pessoalmente o prato em sua mesa. Apoiou o prato com um novo copo de chá, pegando o antigo antes de se retirar. Porém, a tela do computador aberta a chamou a atenção e mesmo sabendo ser errado, a palavra “restaurante” a capturou. Enquanto lia, o choque de cada palavra fizera com que perdesse as forças na ponta dos dedos e deixasse o copo cair de sua mão, quebrando ao chegar ao chão. O barulho a tirou do devaneio que a leitura causara, levando-a a piscar algumas vezes. Abaixou-se para recolher e descuidadamente acaba cortando dois de seus dedos.

- Mikasa?

Eren se aproximou ao ouvir o barulho.

- Você se cortou? Me deixe ver.

Ela parecia aturdida e seu olhar marejado. Acreditava, de verdade, que aquelas palavras eram uma crítica ao seu restaurante.

- Está doendo? O que foi? - ele pegou sua mão, pressionando os dedos cortados contra um pano de prato, para parar o sangramento.

- Eu estou bem.

- Certo, mas… Christa - a menina se aproximou - poderia limpar isso aqui? Preciso fazer um curativo.

- Sim, deixa comigo. Tudo bem, Mika? - olhou preocupada a expressão triste.

Ela assentiu, se deixando levar para a cozinha por Eren.

Quando Levi retornou estranhou não ver a oriental no sushi bar, mas não comentou. Christa terminava de limpar próximo a sua mesa e o bonito prato, acompanhado do copo de chá que esfriava aguardava ao lado do seu computador.

- Aconteceu alguma coisa?

- A chef Mikasa lhe trouxe um prato, mas acabou deixando um copo cair. Creio que seja cortesia.

- Está tudo bem? - perguntou desconfiado.

- Sim, sim - a garota o olhava, tentando entender por quê sua chefe alterara tanto o comportamento de um momento para o outro, quando parecia tão alegre minutos atrás - Ela cortou a mão, mas Eren já está cuidando disso. Por favor, aproveite seu almoço.

Ele concordou, estranhando. Quando sentou, percebeu duas coisas: primeiro, o belo prato que estava ali. Era igualmente bonito como os demais, mas podia perceber o esmero com o qual fora preparado. E a segunda coisa, é que seu computador parecia estar com a tela um pouco mais curvada do que deixara. Tentou entender o motivo, mas não conseguiu ligar um motivo ao outro.

Quando Mikasa retornou ao serviço ela não olhou para ele, parecendo encarar sua bancada como se seu trabalho dependesse disso. Ele estranhou, mas esperou até que todos os demais clientes fossem embora para se aproximar.

- Você está bem? Soube que se cortou - ele começou, mostrando  preocupação na voz.

- Sim - ela estava com luva na mão machucada para não contaminar os alimentos, não o olhando.

- Não parece. Foi muito fundo? Talvez tenha que levar alguns pontos.

- Eu já disse que estou bem, obrigada.

Ele não entendia. Estava tudo bem no dia anterior. E ela havia lhe enviado a cortesia. Era isso. Precisava agradecer.

- Obrigado pelo prato. Os camarões estavam muito gostosos, não sei como agradecer.

- Então deles você falará bem, Levi Rivaille?

Ele ficou aturdido. Não havia falado seu sobrenome em momento algum.

- Como?

- Ou vai falar mal, assim como falou de todos do Restaurante?

- O que quer dizer?

- Eu já sei quem é você, por favor não me faça de idiota mais do que já fez. Sei que é Rivaille e que está escrevendo uma crítica sobre o restaurante.

A forma como ela o encarava demonstrava muito raiva, mas também frustração. Sentia-se iludida, trapaceada. Ele se fingiu interessado nela apenas para poder saber mais sobre o estabelecimento. Isso era inaceitável.

“Mas que merda, como assim?”. Ele se forçou a pensar e finalmente começou a juntar os pontos, entendendo.

- Você olhou meu computador?

- Por que? Não queria que eu descobrisse? Estava se divertindo?

- Ah, merda. Você entendeu tudo errado.

- Eu duvido muito!

Christa estava voltando para o sala quando escutou a discussão, trancando a porta da cozinha e fechando ela e Eren lá dentro.

- Christa?

- Espere aqui, Eren.

- Eles estão discutindo? - ele parecia querer se intrometer, mas ela não deixou, ficando na frente da porta.

- Por favor, deixe que Mika se resolva.

Eren ficou, contrariado, mas de ouvido atento.

- Mikasa, se me deixar falar…

- Não. Não quero escutar mais nada. E..ei, você não pode entrar aqui!

Ele foi ficando nervoso, irritado pelo mal entendido simples que estava causando toda uma confusão. Levantou o balcão, entrando no sushibar, encarando-a de perto, seus olhos se encontrando e nenhum dos dois querendo ceder e desviar.

- Mikasa, cale a boca um minuto e me escute, cacete.

- Como ousa me mandar calar a boca?! - Ela pelo jeito podia ser extremamente cabeça dura. Na raiva, ela bateu a mão machucada em cima da bancada, percebendo a grande besteira que havia feito, soltando um gemido derrotado. Mikasa apertou-a com a outra mão contra o peito.

Eles ficaram assim, medindo um ao outro com o olhar, até que Levi bufou, cansado. Se abaixou em frente a geladeira que a vira retirar o gelo na noite anterior, pegando um pouco e colocando em um pano.

- Só me deixa cuidar da sua mão e eu vou embora. Prometo.

Ela quis negar mas a mão realmente doía. Lhe estendeu a mão de forma reticente, que a tomou com delicadeza e tirou com cuidado a luva. A bandagem improvisada de Eren estava suja de sangue e quando ele retirou percebeu que o machucado foi grande, mas não era fundo. Corte de louça costumava ser mesmo um machucado que sangrava muito, ele estava cansado de ver aquilo acontecer. Colocou a mão machucada debaixo da torneira, deixando a água lavar o sangue até que parasse de sair, colocando o pano limpo sobre o corte e o gelo em cima.

- Deixe até que derreta tudo, depois coloque bandagem limpa. Deveria dar uns dois dias até voltar a trabalhar ou não vai cicatrizar direito.

Ela não respondeu, não conseguindo sequer olhar para ele. Eren apareceu, encarando a cena.

- Senhor, devo pedir que saia do restaurante.

- Eu já estava mesmo de saída.

Levi passou por debaixo do balcão, indo até sua mesa e guardando suas coisas, sendo observado pelos dois sócios. Ele deixou o pagamento na mesa, andando para a saída. Deu uma última olhada para Mikasa, saindo do restaurante sob uma garoa fina.

 


Notas Finais


Precisei alterar uma pequena parte, mas gostei muito do resultado final.


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