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História Hate me (Jinkook) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Mais um capítulo, espero que gostem!

Capítulo 3 - Terceiro


Jungkook não deu notícias por duas semanas inteiras.

Não atendeu as ligações, não respondeu as mensagens, Jungkook sumiu.

Não queria ser invasivo a ponto de ir ao dormitório, ou esperar perto da sala de aula, mas eu estava preocupado e ele não estava me dando escolhas.

— Pensando no garoto? — Namjoon perguntou sentado na minha cadeira da escrivaninha. Ele me olhava por cima dos óculos de grau.

Ajeitei minhas pernas em cima da cama e dei de ombros.

— Tenho certeza que tudo que comprei já acabou, eu mesmo teria comido tudo aquilo em três dias.

— Mas você come por cinco pessoas Hyung. — revirei os olhos.

— Amanhã darei um jeito de falar com ele, eu sei que Jungkook não vai pedir nada por conta própria, mesmo eu querendo acreditar que ele me ligaria por qualquer outro motivo.

Yoongi, sentando ao meu lado, fez um movimento rápido com as mãos me fazendo olhar para si.

— Não deve ser fácil deixar o orgulho de lado para pedir algo pra outra pessoa, por mais desinibida que se seja, ainda mais Jungkook sendo tímido como é. — Namjoon tinha razão, como sempre.

Yoongi mais uma vez dedilhou mais uma sequência de notas, ele não prestava atenção na nossa conversa, estava repassando a apresentação do recital de formação, seus ombros estavam tensos e ele mexia os dedos como se tocasse o piano, mesmo que ele apenas mexesse os dedos no ar.

Yoongi era muito dedicado, sabíamos que ia dá tudo certo, ele era o melhor, mas ele sempre dizia que nada estava feito até estar feito. Os treinos eram mais importantes que a própria apresentação.

Hoseok entrou sem fazer barulho, sorriu pra mim e para Namjoon e fez uma reverência, como sempre muito educado.

— Ele está tenso — falou sobre Yoongi que não olhou para si, Hobi rodou por trás de mim e Yoongi e o abraçou por trás sentando também no colchão, imediatamente Yoongi relaxou e seus dedos pareceram ficar mais leves.

Tae, Hobi e Yoongi eram a parte heterossexual do nosso grupo, Tae vivia sofrendo pelos cantos por causa da namorada que estava em Los Angeles fazendo parte da graduação em língua inglesa, Hoseok tinha uma filha de três anos, mas ela morava com a mãe, a ex-namorada de um relacionamento de cinco anos, e ele via a criança nos fins de semana quando a mãe não resolvia proibi-lo de ver a pequena Sooyong sem motivo nenhum.

Mas para falar a verdade Hoseok e Yoongi viviam com trocas de carinho nada discretas, claro que não falávamos nada porque era errado estereotipar um comportamento entre amigos, mas era impossível não desconfiar que rolasse algum sentimento a mais entre os dois.

— Você vai ao meu recital? — Yoongi cochichou para Hoseok, mas como eu estava perto pude ouvir.

— Claro que vou, eu nunca ia deixar de ver você se apresentando hyung — Hoseok apertou mais o abraço envolta de Yoongi e ouvi o som do beijo em seu ombro descoberto, Yoongi se aconchegou, parecendo pequeno nos braços que o rodeavam.

Olhei discretamente para Namjoon e ele fingia que olhava o celular, mas estava sorrindo porque também estava escutando.

Não era fácil segurar aquela vela "sete dias sete noites", mas pelos amigos a gente faz qualquer coisa.

Não sei se eles não conseguiam admitir o que estava acontecendo, ou simplesmente estavam deixando rolar, em qualquer uma das opções nós respeitamos e ajudamos quando foi necessário.

Jimin chegou depois de alguns minutos me deixando segurando vela para mais um casal.

— E Jungkook? — Ele perguntou sentado no colo de Namjoon apoiando meu notebook nas pernas, vasculhando o aplicativo atrás de um bom filme para assistirmos.

— Sem notícias, vou atrás dele na segunda.

— E já admitiu pra si mesmo que está gostando dele? Quero dizer romanticamente. — Jimin não tinha travas na língua.

Todos os olhos voltaram-se para mim, e de repente eu queria que um míssel teleguiado caísse sobre o teto.

— Por que está dizendo isso?

— A qual é Hyung, você está fazendo esse esforço todo pelo garoto e vem me dizer que não está sentindo nada por ele? Ou querendo nada a mais — Foi Namjoon quem disse. Levantou a sobrancelha sugerindo algo que não gostei.

Eu me senti ofendido, independentemente se estivesse sentindo algo ou não, eu ajudaria de qualquer forma, não era com a intensão de ter algo em troca, muito menos com uma intensão sexual, se era isso que ele estava tentando insinuar.

— Sabe que está me ofendendo, eu estou ajudando ele por que quero ajudar, porque ele precisa, se o visse como eu vi com certeza ia querer ajudar também.

— Isso foi muito feio Joonie, você é amigo do Hyung há muito mais tempo que eu, sabe que ele não é assim — Jimin ralhou me defendendo.

— Tudo bem, me desculpa, talvez eu tenha usado as palavras erradas.

Embora eu tenha ficado com raiva, isso me fez refletir sobre o que eu estava fazendo e o que estava sentindo, será que eu estava confundindo as coisas? Me perguntei se eu era essa pessoa ruim que estava ajudando porque havia outro sentimento por trás.

Uma pergunta girou pela minha cabeça: Se fosse qualquer outra pessoa eu ajudaria?

A resposta era sim, claramente sim.

Mas eu sentia algo a mais por Jungkook? E só a pergunta fez meu coração pulsar mais pesado.

— Vocês fizeram o Jin Hyung entrar em crise — Hoseok acusou, bastou isso para melhorar o clima e todos rirem.

Nessa noite Tae não veio, estava difícil reunir o grupo todo, era final de semestre, cada um tinha sua própria preocupação e pendências para resolver.

Pensei a noite toda sobre o que fazer em relação a Jungkook. Ao mesmo tempo que eu não queria insistir se ele não queria ter mais contato comigo, eu também sabia que o Jeon não ia me procurar por conta própria.

(...)

Eram 7:25 da manhã, eu estava na porta do dormitório desde as seis. Ou Jungkook não tinha dormido em casa, ou ele estava atrasado, a aula começava às 7:30.

Vários alunos saiam de seus quartos  com pressa por já estarem atrasados também, mas Jungkook não dava sinal de vida.

Ouvi quando finalmente as chaves fizeram barulho lá dentro.

Ele saiu e não me viu, se virou para trancar a porta e eu cheguei mais perto.

— Você não cumpriu sua promessa. — Jungkook deu um pulo e as chaves caíram das suas mãos perto do meu pé, peguei e girei as duas únicas chaves presas a um chaveiro de unicórnio de pelúcia entre os dedos.

— Hyung... — Seus olhos grandes e assustados deram lugar a uma feição de raiva — Você me assustou, o que está fazendo aqui?

— Se Maomé não vai até a montanha... Quero conversar.

— Eu estou atrasado — tentou pegar a chave da minha mão e eu recuei. — Hyung eu tenho que ir. — Quase cedi por ele ter me chamado de Hyung, mas tinha que ser forte.

— Almoça comigo hoje, eu só quero saber como você está, só isso. Vou te esperar no restaurante azul, à esquerda do bloco de aulas.

— Tudo bem, eu vou, agora me devolve a chave.

Neguei com a cabeça, ele aceitou com muita facilidade apenas para se livrar de mim. — Essa é minha garantia que você vai aparecer. Tchau Jungkook.

Ele foi embora bufando de raiva, esperei alguns minutos e entrei no dormitório, não me senti tão culpado já que ele não tinha um companheiro de quarto, mesmo minha consciência me dizendo que era errado bisbilhotar seu pequeno lar.

A cama estava desarrumada, ele com certeza acordou atrasado, fui até o guarda-roupas que estava com a porta aberta, a maioria das blusas eram brancas e algumas poucas pretas ou cinza, não haviam tantas peças, fechei a porta sem olhar mais, fui para a cozinha e o que imaginei realmente tinha acontecido, o armário estava vazio, abri a geladeira e havia uma caixa de leite e outras besteiras, nada que servisse mesmo pra alimentar uma pessoa.

Então eu tinha uma missão até a hora do almoço.

Fui ao mercado e fiz compras, resolvi que era melhor fazer o almoço do que ir ao restaurante, sabia cozinhar muito bem, meu pai era chefe de cozinha e ele e minha mãe eram donos de restaurantes, cresci entre as panelas e temperos.

Quando voltei para o dormitório mandei uma mensagem para Jungkook falando sobre a mudança de planos, ele tinha uma hora e meia antes da aula da tarde, dava tempo de vir comer e voltar. O garoto ainda tentou questionar minhas mensagens, mas não respondi, como eu estava com as chaves ele não tinha escolha.

No horário esperado ouvi batidas na porta. Corri pra abrir e claro que era ele, fumaçando de raiva.

— Que tipo de brincadeira é essa? Você invadiu a minha casa, que porra que você está fazendo? — Jogou a mochila com mais ódio que o necessário em cima da cama. Não respondi, esperei ele se acalmar, vi que olhou ao redor, a casa estava arrumada e limpa, e o almoço estava sobre a mesa. — O que você fez?

— Para o almoço? Filé de frango com legumes e arroz, gosta?

— Seokjin, não é isso que eu estou perguntando.

— Eu sei — Peguei sua mão e achei uma surpresa ele me deixar segura-la, o puxei para a mesa — mas é isso que importa agora.

Ele sentou e eu servi para nós dois, sabia que ele me encarava enquanto eu arrumava tudo antes de comer, mas preferia não ligar para evitar começar uma discussão sem fundamento.

— Melhor comer logo antes que esteja atrasado. — Peguei um pedaço de cogumelo e mastiguei devagar saboreando, estava ótimo, Jungkook nem tocou na comida.

— Estou esperando você me dizer que raios é tudo isso.

— Eu falo se você comer.

— Estou cheio das suas condições.

— É melhor estar cheio de comida pra não desmaiar e perder mais uma prova. — ele riu sem vontade, sabia que se pudesse jogaria toda a comida na minha cara, mas escolheu colocar na boca e olhar pra mim, pra me mostrar que estava comendo e que eu devia cumprir com minha parte do acordo.

— Eu fiquei esperando você ligar ou responder alguma mensagem, eu pensei que tínhamos um acordo, mas você sumiu. Eu imaginei que você estava com a alimentação péssima novamente e quis acreditar que no meio disso tudo você esqueceu de ligar, resolvi vir averiguar se você estava vivo já que nem nos corredores eu vi você, peguei sua chave, entrei, confirmei que eu estava certo e você só estava comendo porcaria, fui no mercado, fiz o almoço e estamos aqui. Satisfeito?

Ele não disse nada.

Nosso almoço foi resumido a silêncio.

Jungkook repetiu duas vezes, eu estava satisfeito por ele estar comendo bem. Quando acabou pegou meu prato e o seu, levou para a pia.

— Deixa que eu lavo, você vai perder a aula se demorar mais. — foi como se ele não tivesse escutado, lavou tudo que estava sujo com paciência, ele já estava atrasado para a aula da tarde também. — Jungkook, é melhor você ir.

— Não vou ter aula agora. — disse de costas para mim, a voz grave e impaciente, arrumou toda a louça no escorredor de pratos em uma pilha de equilíbrio duvidoso, mas que de uma forma misteriosa com certeza não ia cair.

Eu andei atrás de si quando ele foi para perto da porta, já tinha entendido que ele estava com raiva e não queria falar, me surpreendi quando ele indicou a outra cama e me mandou sentar, sentou na sua própria cama de frente para mim.

— Antes que você fale alguma coisa — eu disse tentando me adiantar no seu discurso de ódio — eu sei que estou errado em entrar aqui sem permissão, mas eu só quero ajudar você, você nem precisa gostar de mim, nem precisa falar comigo, e mesmo que você continue me odiando eu vou continuar querendo fazer algo por você, vou continuar vendo em você o aluno empenhado que eu fui no passado com esperança que você tenha um ótimo futuro.

— Estou com medo. — ele disse de repente, várias coisas vieram à minha cabeça. Medo de não conseguir terminar a faculdade pela dificuldade financeira, ou pela dificuldade do curso, medo por estar longe da família, medo de mim.

— Medo de quê? Me conta, nos conhecemos desde que você chegou nessa universidade, eu sei que não somos tão próximos, mas Jungkook você pode me falar, pode dividir essas coisas comigo.

Ele soltou a respiração e negou com a cabeça.

— Nada, não é nada.

— Você tem certeza? — ele mexeu a cabeça em afirmação, não tinha nenhuma certeza no modo que ele agiu. Eu ia esperar o momento que quisesse conversar sobre isso. — Tudo bem... Está com raiva de mim, não é?

— Não — Olhou para ao redor e depois para suas pernas balançando — na verdade estou um pouco — sorriu e acabei sorrindo junto. — mesmo assim obrigado, eu não estou acostumado a ter ninguém cuidando de mim e desde que saí de Busan não é normal ter alguém tão próximo. Eu não falei com vc esse tempo porque... — Ele suspirou olhando as mãos —, eu sou grato pelo que está fazendo e não sei como retribuir.

— Não precisa retribuir — então veio uma ideia a minha cabeça — Acho que tem uma forma até fácil. — Seu olhar se tornou curioso e eu ri por dentro, era tão fofo o modo como seu rosto se alongava, formava um pequeno bico e seus olhos se abriam mais.

— Pode falar.

— Só me chamar sempre de Hyung.

A magia foi quebrada e logo seu rosto estava com raiva. — Tudo bem — disse a contra gosto.

— E há outra forma...

— Ah lá vem.

Levantei de onde estava e sentei ao seu lado na cama me divertindo com sua revolta. Sentei com as duas pernas sobre o colchão, ele parecia impaciente por eu ainda não ter falado. Peguei sua mão novamente encaixando o seu dedo mindinho no meu.

— Agora, de mindinho, que é inquebrável, você vai me prometer que vai cumprir a outra promessa que fez para mim. — Jungkook ficou olhando para nossos dedos juntos, ele tomou iniciativa de juntar nossos polegares selando o acordo, era uma coisa boba, mas queria que ele levasse a sério.

Também passei um tempo olhando para nossas mãos juntas, não havia muita diferença, eram quase do mesmo tamanho, sentia um calor no peito ao mesmo tempo que um tremor. Fiz uma careta por perceber como meu peito parecia cheio daquele sentimento que eu abominei por muito tempo.

Olhei para seu rosto e encontrei seu olhar, eu tinha certeza que ainda estava com uma careta. Jungkook tinha acabado de sair das fraldas, não era possível que eu estivesse sentindo essa porcaria por alguém tão mais novo.

— Você já fez aniversário? — Perguntei com esperança de já ter acontecido, como se um ano a menos de diferença entre nós fosse melhorar alguma coisa.

— Já sim, estou com vinte. Quantos anos você têm Hyung? — ele também me olhava meio de lado com uma carretinha.

— Vinte e seis, faço vinte e sete mês que vem.

— Aish — Fez uma careta pior ainda e soltou minha mão — Você é quase um avô.

— Não exagera. — nós dois suspiramos juntos. Eu estava ferrado.

— Tudo bem, agora eu preciso fazer uma atividade para entregar amanhã. — Levantou e foi mexer na sua mochila jogada em cima da cama ao meu lado. Fiquei reparando melhor nele, a calça jeans destacando suas coxas grossas, a forma que ele estava curvado deixava evidente sua cintura fina, seu rosto ainda era de um menino, mas as formas mais destacadas e másculas do seu queixo e mandíbula já estavam aparecendo, Jeon Jungkook era lindo, e mais uma vez concluí que estava ferrado.

E ele tinha jeito que era hétero, e ficava com meninas mais novas. Gemi com a minha derrota na vida, nasci para ter sentimentos por quem só ia me ferrar ou por quem não se interessava por mim. Jungkook parecia as duas coisas.

Ele pegou seu material e sentou na mesa de estudos. Eu sabia que devia ir embora, mas ele não parecia incomodado com a minha presença, então continuei ali observando cada movimento seu.

— Acho que vou ter que ir para a biblioteca — Ele se levantou arrumando as coisas depois de algum tempo, eu estava quase cochilando deitado na cama — nem estou querendo te expulsar dessa vez — eu sorri, não sei porquê — mas preciso usar o computador pra fazer uma apresentação pra amanhã.

— Meu notebook está no carro, posso pegar pra você. — Ele pensou avaliando, a biblioteca central com acesso aos computadores não ficava tão perto, a sala de informática da faculdade de medicina a essa hora estava lotada de alunos, não era uma opção.

— Você não vai precisar hoje? Tenho muita coisa pra fazer — coçou a cabeça meio sem graça. — Você disse que estava terminando o TCC...

— Já terminei, posso emprestar sem problemas. E posso te ajudar se quiser.

— Tudo bem, vou aceitar dessa vez. — Andei até a porta e antes de sair  me virei pra ele — Ah e eu fiz uma cópia da chave pra mim.

— O que você... — Eu saí correndo antes que ele me acertasse algo que ouvi bater na porta atrás de mim com força. Eu estava sorrindo de orelha a orelha igual um idiota.

Desde esse dia passei a fazer visitas frequentes ao dormitório, às vezes com Jungkook em casa, às vezes quando eu sabia que ele não estava comendo bem ou precisando de algo e não queria pedir.

O ajudava com as atividades quando podia, e cheguei a dormi duas vezes no dormitório na cama do seu companheiro de quarto inexistente. Eu estava tão apegado a ele que era assustador. Continuamos brigando, mais que antes, mas a cada vez que eu  via seu sorriso aquele sentimento que eu odiava parecia aumentar ainda mais dentro de mim.



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