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História Hate That I Love You - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


⚠️ AVISO: Linguagem excessivamente inapropriada no capítulo.⚠️
Oi gente!
Não sei o que tenho na cabeça para postar de madrugada.
Boa leitura! ❤❤❤❤

Capítulo 18 - Um erro de merda.


Fanfic / Fanfiction Hate That I Love You - Capítulo 18 - Um erro de merda.

"Você consegue sentir a desonestidade
Está em sua respiração,
Enquanto você passa por tudo com indiferença.
Mas até isso é um teste.
Constantemente consciente de tudo.
Meu ouvido solitário,
Prensado contra as paredes do seu mundo."

 

 

— Ei. Fala comigo, por favor. Não foi ruim como imaginamos. Quer dizer, foi péssimo para mim. Eu estou fodido. Mas qual a novidade?

Ouço Justin sussurrar enquanto estou sentada no sofá do apartamento de Scooter. Justin está agachado no chão. Eu estou com a cabeça enfiada entre as pernas. Mas honestamente? Queria enfiá-la em um buraco de avestruz.

— Você está salva. Será que pode desmanchar esse bico e falar comigo, Anne Marie? 

Deus! Que ilusão pensar que eu poderia ter paz e sossego após o que aconteceu hoje naquela praia. Isso não existe quando Justin Bieber está por perto.

— Fala comigo. Por favor, pequena.

Com licença. Alguém pode avisar Justin Bieber que não sou pequena? Eu tenho 1,73m.

— Scooter já vai chegar. — Justin continuava. — E você sabe como ele é. Acho que nós dois deveríamos combinar o que dizer. Sobre o fato de que beijei você na boca. 

Meu Deus.

Meu deusinho redentor. Tenha piedade de mim.

Scooter deve querer minha cabeça em uma bandeja de prata. Nunca mais serei capaz de o olhar nos olhos. O homem depositou sua confiança em minhas mãos e o que fiz? O apunhalei pelas costas duas vezes. Primeiro, fiz o seu protegido ter uma crise de ansiedade. Depois, fiz o próprio Scooter ter uma crise de ansiedade.

 Pois com certeza Scooter Braun ficou muito ansioso ao ver um vídeo meu com o Justin, em que estamos nos beijando na praia em plena luz do dia na maior promiscuidade.

 Queria muito deixar Scooter feliz. Pois tenho a ingênua necessidade de deixar as pessoas felizes. É da minha natureza imbecil. Além disso, eu sentia que devia um favor a Scooter, pois fui condescendente com Justin quando ele roubou o carro do empresário.

— Melanie, eu estou aqui. Percebeu isso? A gente pode conversar?

Justin colocou a mão sobre o meu joelho e, por reflexo, imediatamente afastei a minha perna, rejeitando o seu toque. Será que assim está claro que não quero falar com ele? Justin não consegue calar a boca por três míseros segundos. Não consiguia ouvir meus próprios pensamentos.

— O que foi? Melanie, fala comigo. Por favor. O que eu fiz?  

Céus. Ele não vai parar.

 Ergui minha cabeça desnorteada, encontrando os olhos angustiados de Justin. Respirei fundo e perguntei friamente:

— Bieber, o que você quer?

— Conversar com você. — Murmurou. 

— Fala.

— Scooter sabe que é você comigo no vídeo, Mel. 

— Bieber. Eu sei que Scooter sabe. E agradeço pela caridade de beijar a minha boca. — Fui ácida e sarcástica. — O segundo cara a ter coragem de fazer isso. Eu só beijei você e o Chris a porra da minha vida inteira, sabia? Afinal, quem mais iria querer beijar uma órfã bipolar?

 Retruquei com péssimo humor. Justin levantou as sobrancelhas, surpreso.

— Não gosto quando você fala Bieber. Está brava comigo? — Quis saber, preocupado. Porra, ele ainda pergunta? Franzi o cenho, perdendo a paciência. E quem é ele para exigir algo de mim? O chamo como quiser.

— Eu não gosto quando você diz Anne Marie. E você diz a porra do tempo todo. Oh, a vida não é justa, não é? — Ri ironicamente. — Pelo contrário. Ela é injusta para caralho.

Mostrei meu olhar de desaprovação para o idiota do Justin. Afinal, ele está agindo como se estivesse tudo bem. Quando não está. O empresário dele sabe que estávamos trocando carícias. Postaram a merda de um vídeo!

— Melanie. —  Ele pôs a mão sobre o meu joelho de novo. —  Que tal você ouvir o que tenho a falar?

— Que tal você morrer? — Quando vi já tinha soltado, por impulso. Vi os olhos de Justin entristecerem. Seu semblante caiu.

— Melanie, não precisa falar assim comigo. 

— Oh, feri os seus sentimentos? — Questionei com indiferença. — Não está acostumado com as pessoas falando a verdade na merda da sua cara? Pois é, eu falei. Agora você pode calar essa porra dessa boca? Sai de perto de mim, que caralho.

— Qual é o seu problema? — Perguntou magoado. — Que merda, Anne Marie. Eu também sou humano. Você sabia disso? Sou de carne e osso como você. Quem é você, afinal? É sério, você usa uma máscara? Você diz que quer ficar comigo, que é apaixonada por mim, pede para eu acreditar no seu amor e depois simplesmente fala para eu morrer?

— Cara, você acha que a sua vida é ruim? Você não tem noção de como está difícil aqui.

— Está difícil para você? Para mim também! Nunca vai perceber isso? É o meu nome que está afundando. É a mim que estão criticando, estão acabando comigo. E quer saber? Não vou reclamar. Eu mereço. Sei que mereço o que está acontecendo. Mas sabe quem não merece nada disso? Selena.

— Ótimo. — Cuspi com desprezo ao ouvir o último nome que precisava ouvir no mundo. — Então vai ficar com ela, porra! Vai ficar com a Selena!

—  Eu queria. Queria muito, Anne Marie. — Ele sorriu falsamente. Estava triste. — Selena é exatamente a pessoa com quem eu queria estar agora. Eu deveria estar atrás dela. Deveria estar pedindo perdão para a única pessoa que é a vítima nessa situação. Mas estou aqui com você. Eu não deveria estar. Não preciso de ninguém para falar assim comigo. Quem você pensa que é para apontar os meus erros desse jeito?

Não o respondi. Ainda estava brava demais com tudo o que aconteceu. Não conseguia controlar a minha ira.

Ouvimos o barulho de porta abrindo. Mas felizmente não é Scooter. É a porta do banheiro que ficava no fim do corredor que foi aberta, indicando que Alexander estava voltando para a sala.

É. Eu tirei o meu irmão da aula na faculdade para vir ficar comigo. E ele veio, pois é um bom irmão.

— Você tinha mesmo que chamar esse esquisito? — Justin resmungou, levantando-se. Ele analisou Alexander com aquele seu maldito olhar de superioridade. Depois passou por mim, cruzando a sala e sumindo na varanda.

Coloquei minha cabeça entre as pernas de novo. Alexander jogou-se ao meu lado no sofá.

— Cara! Você viu o olhar do Bieber? Assustador.

— Ele faz isso às vezes. — Respondi com a voz abafada.

— Eu senti que ele estava sugando a minha alma. 

— Devia estar mesmo, já que ele não tem alma.

— Desculpa. — Alexander disse, receoso. — Eu sei que você o ama, mas para mim ele não passa de um mimado.

— Ele é. — Concordei seca, deitando no sofá e cobrindo o rosto com uma almofada.

— Vocês foram criados juntos, não é? Como é que vocês conseguiram ser diferentes?

— Pattie nos criou com os pés no chão. — Dei de ombros. — E ela faz isso comigo até hoje. Tipo, a gente tem tudo, sabe? Mas Pattie faz com que eu saiba o valor das coisas. E ela quer que eu tenha uma vida normal. E com Justin também foi assim. É que... Acho que a fama pode mudar as pessoas. Ah, foda-se. Quero arranhar meu rosto.

— Você está bem? — Meu irmão indagou, parecendo preocupado.

— Eu quero rasgar essa porra de almofada com os meus dentes.

— Deve ser uma almofada cara.

— Sufoca a minha cara com ela até a morte, por favor? A minha outra opção é pular do prédio.

— Melanie. — A voz de Alexander estava carregada de repreensão.

— Desculpa! — Exclamei trêmula, ao ver que tinha feito mais uma piada imbecil.  — Eu estou quase colocando um ovo de tanta ansiedade e nervosismo. Eu estou fodida, porra. Fodida! Minha vida acabou.

— Melanie, não foi ruim assim. — Meu irmão tentava transmitir paz e serenidade. Ele sempre mantém a cabeça fria em crises. Por isso precisava dele por perto. — Eu assisti ao vídeo. Tem literalmente 5 segundos. E é impossível identificar que é você. Só dá para ver que Justin Bieber está beijando uma garota. Quem é a garota? Ninguém sabe.

— Sabemos que não é Selena Gomez, pois ela estava do outro lado da cidade. Vão descobrir que sou eu!

— Melanie, você estava deitada. Não dá para te ver.

— As pessoas descobrem tudo. É questão de tempo até a minha cara de vadia do Justin Bieber estar exposta em todas as redes sociais.

— Não foi ruim assim. — Alexander insistia. — Você sabe que eu não minto para você, Melanie. Pode acreditar, é impossível. Ninguém vai pensar que é você.

— Caralho! — Voltei a colocar a almofada sobre o meu rosto. — Depois de tudo ainda tenho que lidar com essa porra de vídeo?

— Você quer olhar pelo lado bom? — Meu irmão comentou, aparentando estar positivo.

— Que lado bom existe em ser exposta como uma destruidora de namoros? 

— A destruição do namoro. — Ele riu. — Depois desse vídeo, o namoro do Bieber provavelmente acabou. Ele está solteiro. Acho que agora está livre para você.

— Oh. — É tudo o que respondo, sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas. Olho para o meu irmão, profundamente deprimida. — Não está. Depois que nos beijamos... Pedi uma chance para Justin na praia. Disse que ele estava apaixonado por mim.

Alexander abre a boca, perplexo.

— Nossa Melanie. Como você é direta. 

— Eu vivo sob o efeito de fortes medicamentos, Alexander. — Ergui as sobrancelhas, assustada.  — Ai caralho.

— O que é?

— Eu não tomei as minhas pílulas. Esqueci. — Corro até minha bolsa, pegando meus remédios e os engolindo. Alexander observa em silêncio. — Não posso esquecer de engolir essas merdinhas.

— O que acontece?

— Caso eu não tome as minhas pílulas?

— É.

— Fico irresponsável. Inconsequente. O meu humor pode variar de pessoa mais feliz do mundo para pessoa mais triste que está no fundo do poço recebendo cafuné da Samara.

— Samara?

— Do filme "O chamado". A menina do poço. 

— Oh.

— Mas o problema é ter algum gatilho e eu entrar em crise. Esse é o problema.

 — Entendi. Então não as esqueça, por favor.

— Enfim. — Volto ao assunto. — Eu pedi uma chance.

— E o que Justin disse?

— Ele negou. Falou que sou iludida e que não está apaixonado por mim. Por alguns minutos pensei que estivesse. Mas não está. 

Afundo meus ombros, colocando a mão na garganta, onde sentia que um dos remédios estava.

— Oh. Que situação.

— E Jelena é como a porra de um ioiô.

— Um ioiô?

— Eles vão e voltam o tempo todo. — Expliquei, fingindo que estava de fato jogando um ioiô. — Você pensa que essa porra de Jelena acabou, que está morta e enterrada com 50 toneladas de concreto e de repente você abre o instagram e descobre que não. Que você é uma fodida do caralho, condenada ao fracasso e que o homem que você ama nunca vai amá-la de volta.

— Você está falando muitos palavrões. — Alexander observou, incomodado. Franzi o cenho.

— Qual o problema, porra?

— É que você não é de falar muitos palavrões assim. E parece estar agressiva também.

— Agressiva? Você não viu o que acontece comigo quando estou em uma crise bipolar. — Respondi cinicamente.

— E não quero ver.

— Eu falo muitos palavrões quando estou no auge do meu nervosismo. — Respiro fundo, tentando parar. Não queria assustar meu irmão. — Desculpa Alexander. Pela minha boca suja.

— Tudo bem. Então Justin e Selena reatam com frequência?

— Eles não conseguem ficar longe um do outro. Deve ser mesmo amor verdadeiro. — Ri com desgosto. —  Isso é justiça cármica. Eu fiz a merda de tentar separar duas almas gêmeas e agora estou recebendo do destino o que mereço.

— Não fale assim. Parece que você é a única errada da situação. E não é. — Alexander põe sua mão sobre o meu ombro. — Justin também está errado. Além disso, amor verdadeiro? Ninguém trai o amor verdadeiro.

— Arg! — Passo as unhas de leve na pele do rosto. — Como deixei isso acontecer comigo?

— Não quero parecer o sabichão. Mas uma praia, Melanie? Realmente não achou que iriam ser flagrados? Deu sorte de não ter como reconhecer você. As pessoas estão acabando com o Justin na internet.

— Olhando em retrospecto, a praia foi burrice. — Admiti. — Mas eu não penso. Não penso quando estou com Justin. E além do mais, a praia realmente parecia estar vazia. A gente não viu ninguém. Os guarda-costas dele também não.

— Vocês não viram quem filmou vocês?

— Ninguém viu.

— Será que usaram um drone?

— Não sei. — É quando lembro da mensagem que recebi. E o motivo pelo qual havia chamado Alexander para me encontrar no apartamento de Scooter. — Mas eu queria mostrar isso para você.

Pego meu celular, abrindo a conversa do Whatsapp. Alexander levanta as sobrancelhas, estarrecido.  

— É aquele cara?

— É aquele cara.

— Você disse que ele sumiu.

— Ele voltou. — Digo angustiada. — O que vou fazer?

— Você acha que ele postou o vídeo?

— É muita coincidência ele ter enviado essa mensagem 5 minutos depois do vídeo ter sido publicado, não é?

— É mesmo. — Meu irmão concordou pensativo.

— Okay. O bizarro? Suponhamos que foi ele. Esse rato de esgoto postou apenas 5 segundos do vídeo e fodeu somente com o Justin. Ele poderia ter fodido comigo. Então qual é a dele? Qual é a lógica?

— Ele diz na mensagem que é seu único amigo.

— Oh certo. O rato é meu amigo? Acha que a intenção dele foi foder apenas o Justin? — O encaro incrédula.

— Não sei qual é a intenção dele, Melanie.

— Será que foi um aviso? Tipo: “Faça o que eu quero. Ou vou foder com você também.” E o que ele quer?

— Não tenho como responder.

— Ou será que é alguém que odeia o Justin?

— Se for alguém que odeia o Bieber, isso dificulta muito para nós.

— É. Isso coloca metade da população mundial na nossa lista de suspeitos. — Ironizo.

— Coloca.

— Oh meu Deus, Alexander! Será que ele tem algo pior sobre mim? Será que ele vai publicar aquela foto? Que merda ele quer de mim?

— Queria ter a resposta, Melanie.

— Preciso descobrir quem é esse babaca, Alexander! — Ponho as mãos no rosto, desesperada. — Ele pode ter um vídeo completo do que houve na praia. Ele pode me expor. E a minha mãe? Pattie vai morrer de desgosto se ela descobrir que eu sou a pessoa com quem Justin traiu Selena!

Meu irmão suspirou, segurando meu telefone em suas mãos. Então vira-se para mim.

— Melanie, você pode deixar o seu celular comigo?

— Com você?

— Tem algo nesse celular que seja muito íntimo e que eu não possa ver?

Dou risada, envergonhada.

— Têm umas 2.000 fotos do Justin Bieber. O que faz a sua irmã parecer uma psicopata obcecada.

— Não parece. Eu esperava que houvesse umas 5.000 fotos do Bieber aqui. Então você está abaixo da minha classificação de psicopata. É só uma boba apaixonada mesmo. — Riu também.

— Não posso discordar. Mas o que você quer com o meu celular?

— Eu tenho um amigo que estuda informática. O cara é muito bom. Vou pedir a ajuda dele. Para gente tentar descobrir alguma coisa. 

— Isso iria demorar? Preciso voltar para Atlanta amanhã.

— Pode levar alguns dias. Eu vou até Atlanta quando terminar e lhe entrego o celular.

Suspirei, roendo as unhas. Que alternativa eu tinha?

— Tudo bem. A gente pode tentar.

— Se eu não conseguir nada, precisamos entregar o seu celular para a polícia, tudo bem?

— Não podemos. — O interrompi grosseiramente, arregalando os olhos. Alexander franziu o cenho, suspeitando da minha reação.

— Melanie. Isso é chantagem. Essa pessoa perseguiu você. E enviou uma foto de um exame de corpo de delito, não foi? Não importa o que você fez. Essa foto é privada. Ele estava em posse de material sigiloso, possivelmente roubado. Isso é crime.

— Não podemos contar para a polícia, Alexander. — Repito, ignorando sua explicação.

— Melanie. — Alexander umedeceu os lábios. — O que foi?

Umedeço os lábios também.

— Quando eu disse que Justin indenizou a mulher que eu agredi... Indenizar não foi a palavra certa.

— O que houve? — Meu irmão estava preocupado. — Qual é a palavra certa então? 

Fechei os olhos, tomei todo o fôlego possível e o informei:

— Suborno. É a palavra mais apropriada.

Alexander não respondeu nada por 30 segundos. E olha que ele sempre tem uma resposta na ponta da língua.

— Como é? Mas a mulher concordou em receber o dinheiro?

— É. O suborno não foi para ela. A mulher não queria dinheiro, Alexander. Queria que eu fosse indiciada e internada por arrebentar a clavícula dela. Mas algumas pessoas que estavam cuidando do caso receberam para não prosseguirem. Até o advogado dela. Que a convenceu a aceitar um acordo.

— Melanie... Porra. Isso... Porra.

— Achei que falar palavrões não fosse legal.

— E não é legal. Desculpa. É que isso é pesado.

— Alexander. — Meus olhos estão marejados e desesperados. Podia sentir meu estômago revirado, querendo vomitar. Seguro em sua mão com força. — Eu tinha apenas 14 anos. Fiz uma merda. Justin fez o que pôde para que eu fosse protegida. Eu tenho que o proteger também. Não posso deixar que ninguém saiba que ele fez isso. E se quiserem remexer em um caso que já está quieto? Se essa história vazar, vai ficar horrível para imagem do Justin. A minha mãe vai sofrer. E eu não quero que as pessoas saibam o que eu fiz ou que pensem que sou louca.O mundo ainda é muito preconceituoso, ninguém vai ser legal com a minha doença. Por favor!

— Mas Melanie... E se você ficar para sempre na mão desse cara? Como vai viver assim?

— A gente vai dar um jeito. Por favor. — Suplico. — Primeiro podemos esperar o seu amigo. Ele pode nos ajudar.

O vejo soltar um profundo suspiro, antes de balançar a cabeça, concordando.

— Isso é loucura, Melanie.

Coloco as mãos no rosto.

— Alexander, tudo é uma loucura. Quando foi que a minha vida virou esse ônibus desgovernado prestes a bater em um muro e depois rolar por um precipício? Que caralho.

— Melanie, para de falar palavrão.

— Desculpa.

— De boa.

— Olha, falando em palavrões. — Suspirei, levantando-me cheia de remorso. — Eu disse vários para o Justin e fui uma babaca com ele. Vou pedir desculpas e já volto.

— É, peça desculpas mesmo. Eu ouvi tudo do banheiro. Pegou pesado.

Fico triste.

— Ele queria conversar e fui uma estúpida. Justin merece alguém melhor que eu.

— Ninguém é melhor do que você.

Meu irmão diz imediatamente. Forço um sorriso.

— Você é incrível, Alexander. É sério. Eu sou muito feliz por ter você na minha vida.

— Acho que eu precisava de uma irmã e você de um irmão. E deu certo. — Ele respondeu carinhosamente.

— Deu mesmo. — Concordei feliz. — Vou ver o Justin, tudo bem? Antes que Scooter chegue e acabe com o que sobrou da minha vida.  Já volto.

Cruzei pela sala, seguindo silenciosamente pela varanda, confirmando que Justin não estava ali. Concluí que ele só podia ter subido naquele terraço que Scooter contou que o Bieber estava usando como refúgio.

E eu estava certa. Mas não o encontrei de fato. Parei nas escadas. Enquanto as subia, ouvi Justin falando ao telefone com uma pessoa.

Mas não com qualquer pessoa.

Com Selena.

— Oi princesa. Sou eu de novo. Já perdi a conta de quantas vezes já liguei para você. Liga para mim, por favor. Eu cometi um erro, eu sei. Foi um erro de merda. E não significou nada, Selena. Aquela porra não significou nada. Eu não estava pensando, estava com raiva! Raiva da nossa briga e de como tudo está ficando complicado entre nós. E quis descontar em você, o que foi injusto, foi uma merda. Foi mais uma das minhas atitudes inconsequentes. Mas a culpa não é sua por eu ser um babaca. Você é a minha garota. Selena, você é o amor da minha vida e eu quero passar o resto da minha vida com você, amor. Não importa o que aconteça, não importa o que digam isso não vai mudar. Espero que ainda queira saber disso. Você foi, você é, e sempre será o meu amor. Eu amo você. 

Ele estava chorando.

Justin estava chorando. Por Selena.

Um erro de merda.

É isso o que eu fui.

Um erro de merda.

Parecia que o chão foi aberto debaixo dos meus pés.

Justin não sentia atração por mim.

Ele não estava apaixonado.

Ele não é louco por mim.

E de repente eu percebi que eu nunca iria ter aquilo. Que eu nunca vou ouvir Justin Bieber dizendo que me ama. Eu nunca seria a garota dele, nunca. 

Meu Deus. — Resmunguei para mim mesma quando senti minhas pernas ficarem tão trêmulas que eu poderia cair ali. Desci as escadas em silêncio, sentindo as lágrimas rolarem como ácido pelo rosto. Meus olhos ardiam. Senti que as palmas das minhas mãos suavam incansavelmente. — Eu sou burra. Burra, burra, burra. — Sussurrei, distribuindo repetidos tapas na minha testa.

O nosso beijo na praia foi simplesmente por ele estar com raiva de Selena, pois eles haviam brigado.

E o primeiro beijo também, com certeza. Lembro que Justin disse no carro que ele e Selena estavam brigados.

O momento mais perfeito da minha vida não tinha passado de uma simples ação impensada para a pessoa que eu amava.

Eu fui um erro de merda.

— Melanie? O que foi? — Meu irmão veio até mim assim que voltei para a sala, ao perceber meu súbito estado de desespero. — Meu Deus, o que aconteceu?

— Alexander... E-eu... Eu... Não... — Eu estava aos prantos na sala. Não conseguia falar, apenas tremer. Mal conseguia enxergá-lo em meio às lágrimas. Alexander segurou meus braços, angustiado. 

— Fala comigo, por favor.

— Ele disse... No telefone... Justin... Eu escutei... — Minha voz estava rasgando a minha garganta. Engasguei com o choro e desabei. — Ele não sente nada por mim Alexander! Nada! Eu achei que ele pudesse estar gostando de mim... Como pude achar isso? Como? Ele disse que foi um erro de merda!

— Sinto muito. — Alexander envolveu-me em um abraço fraternal e consolador. — Você é demais para ele.

— Eu quero cortar a minha cara! — Exasperei, o assustando.

— Como é?

— Quero cortar a minha cara. O meu braço!

— Melanie, não! — Meu irmão estava abismado. — Você não vai fazer isso. Não vou deixar.

— Alexander... Está doendo. Parece que alguém pegou o meu coração... — Eu mais chorava e soluçava do que de fato falava. — E arrancou com as próprias mãos. Justin disse que eu fui um erro de merda. Que não significou nada. Ele ficou comigo como... Vingança. Estava com raiva da Selena. Eles brigaram e...

Eu não precisei terminar. Meu irmão entendeu tudo. Foi a primeira vez que eu vi Alexander com raiva.

— Melanie. Você precisa ficar longe desse cara. — Disse entredentes.

— Ai meu Deus, como pude pensar que eu tinha alguma chance? Olha para mim. Eu não chego aos pés dela!

— Melanie, você é maravilhosa. Justin faz mal para você. Muito mal. Você precisa ficar longe dele.

Então respirei profundamente, usando minha blusa para secar as lágrimas. O informei, com uma voz monótona:  

— Eu já estou bem. Desculpa. Foi um momento de raiva.

— Você deveria ir embora daqui. Você pode ficar comigo até amanhã, o que acha? Eu a levo para o aeroporto.

— Não posso virar as costas para ele, Alexander. — Digo chorosa.

— Como é? Melanie! — Alexander está revoltado e assustado com minha repentina mudança de atitude. — Você acabou de dizer que queria cortar o seu braço por causa dele...

— Eu falei por impulso. Não foi sério. Não posso virar as costas para alguém que precisa de mim.

— Justin precisa de você? Tem certeza disso?

— Ele está doente. Eu prometi que ficaria com ele até o fim.

— Melanie, não faz isso.

— Mas eu prometi. Eu disse até o fim.

— E sabe o que vai acontecer? Ele vai ser o seu fim, Melanie.

— Não precisa falar desse jeito. Ele não é uma pessoa ruim! — O defendo.

— Não estou dizendo que ele é ruim. Mas é um fato que ele usou você! E você fica aceitando as migalhas de atenção dele, e não percebe como o relacionamento de vocês é tóxico. É tóxico para os dois. Você precisa virar as costas para ele, Melanie.

 — Não posso virar as costas para alguém que precisa de mim! Eu não sou como a nossa mãe, Alexander! — Exclamei, com todo o meu ódio. Meu irmão ficou quieto por alguns segundos, decepcionado com o que acabei de dizer. Engulo em seco.

— É. — Alexander quebrou o silêncio. — Chega a ser triste.

— Eu sei. Mas não posso.

— Eu sou seu irmão. Apenas quero o seu bem. Entenda de uma vez que você é incrível! Você é maravilhosa. Até o Shawn Mendes ficaria apaixonado por você.

— Não ficaria não.

— Ficaria sim.

— Não ficaria, mas adoro você por dizer isso.

— Você pode contar comigo para tudo, Melanie. Não vou deixá-la.

— Obrigada. — Suspirei. — Eu já volto.

— Aonde você vai?

Encaro Alexander com um sorriso sem vida, antes de dizer:

— Terminar o meu relacionamento inexistente com Justin Bieber.

Não sei como achei forças para subir naquele terraço novamente. Justin estava sentado, olhando para os prédios. Com o telefone nas mãos. O mais triste é que ele estava sentado ao lado daquele canteiro de rosas que eu tinha mostrado. Sequer percebeu quando sentei também.

— Oi. — Murmurei, observando a sua expressão triste. Ele parecia estar inconsolável. — Está ficando frio aqui.

— Eu sinto muito. — Justin começou a dizer de repente, antes de mim. — Melanie, sinto muito pelo vídeo. Sei que você não aparece nele, mas é uma merda mesmo assim. E a gente correu um risco muito grande hoje. Sinto muito por ter submetido você a isso.

Abaixo a cabeça.

— Sinto muito pelo que houve ali na sala. Fui uma cuzona com você. Desculpa.

— Você estava brava. Tinha razão.

— Não tinha razão. E não há justificativa para magoar as pessoas daquele jeito. — Fechei os olhos, concluindo com dificuldade. — Eu escutei o que você disse para Selena. Eu ouvi a mensagem que você deixou para ela. Sobre ter ficado comigo ser um “erro de merda”.

Abri os olhos. Justin estava com um semblante triste.

— Por favor, não sinta ódio de mim, Melanie.

— Jamais poderia odiar você, Justin. — Falo com toda a sinceridade do meu ser. Justin suspirou. Coloquei a minha mão sobre a dele. — E vou ser sincera: magoou o meu coração de um jeito que nada nem ninguém jamais magoou antes. Mas é a vida. E ali eu entendi. Entendi de verdade. Acho que eu finalmente acordei. Estou cansada de amar você, Justin. E dessa vez estou falando sério. Eu não vou virar as costas para você. Pois quero o seu bem e acho que virar as costas para ti seria contraditório a tudo o que já falei. Mas você nunca mais vai ter o meu amor. Você desfez e duvidou dele inúmeras vezes, mais do que posso lembrar. Meu amor tem que ser de alguém que acredite nele tanto quanto eu. 

— Melanie...

— Eu sempre vou ser sua amiga. — Pigarreio quando a minha voz começa a embargar. Forcei um sorriso desanimado. — Eu quero que você seja feliz, Justin. Quero que você tenha tudo de bom nessa vida. E eu disse que estaria sempre com você, não é? Vou estar. Como amiga.

Justin sorriu, mas com profunda tristeza.

—  Você é um anjo. 

— Não sou.

— Você é a pessoa mais legal desse mundo, Melanie. Esse mundo fodido de merda.

— Eu não sou não. A pessoa mais legal do mundo certamente não deixaria alguém sozinho em um elevador sabendo que esse alguém tem claustrofobia. — Ri, tentando quebrar a tensão. Mas eu estava quebrada. 

— Você é a pessoa mais bondosa que eu conheço Melanie. E eu admiro você por isso. De verdade. 

— Obrigada. Você também é uma pessoa boa.

— Ainda posso ir para Atlanta com você amanhã? — Ele parecia estar com receio de que eu negasse. 

— É claro. É a sua casa. — Dei de ombros. —  Literalmente. Você que comprou ela para gente.

— É a nossa casa.

— Nossa casa. E talvez seja onde você deva estar agora. Com a sua mãe. — Umedeci os lábios, limpando a garganta. — Justin, posso falar uma coisa?

— Você pode falar o que você quiser.

— Eu acho que você está fazendo algumas coisas que normalmente não faria. Por causa da sua depressão. Sei que odeia falar sobre isso. Mas é o que está acontecendo contigo, Justin. Talvez pela questão da apatia, você disse que às vezes não sente nada, não é? Então pode ser que você esteja colocando a si mesmo em situações ruins para de fato sentir algo. Mesmo que essas emoções não sejam as melhores. Só que no final das contas, você acaba machucado e machucando outras pessoas também. Olha... Você precisa aceitar sua condição. Por mais que eu ou Scooter tentemos ajudar, você também precisa lutar. E eu sei que tudo isso que estou falando parece baboseira clichê saída de um livro de autoajuda e que na prática é muito mais difícil. Mas... Você não está sozinho. E sim, essa parte de não estar sozinho também é clichê. Mas é real. E sabe? Acho que deveria contar para Pattie. Ela é sua mãe e te ama mais do que qualquer pessoa nesse mundo. Até mais do que eu. A sua mãe merece saber.

— Eu...

 —  Agora, vou voltar. Aqui está fazendo frio e preciso ficar com Alexander.

Eu levantei antes que Justin pudesse falar comigo. Retornei o mais depressa possível para o apartamento, para não chorar na frente dele. Eu estava decidida: nunca mais derramaria uma lágrima por Justin Bieber. 

Como você está? — Encontro Alexander sentado no sofá, com seu celular nas mãos.

— Sinceramente? Sentindo que sou um lixo. Nada de bom nunca acontece na minha vida. — Jogo-me ao seu lado, derrotada. —  É impressionante. Seria cômico se não fosse trágico. 

— Melanie, quando é o seu aniversário mesmo? — Ele perguntou, com um sorrisinho de satisfação.

— 03 de janeiro. — Respondi indiferente. Odiava fazer aniversário.

— Certo! Acabei de comprar um presente de aniversário para você.

— Meu aniversário foi dia 03 de janeiro. Já passou. 

— Considere isso um presente atrasado. Ou muito adiantado, depende do ponto de vista. — Ele sorriu abertamente. — Você está preparada?

— Manda. — Dou risada, observando Alexander puxar o ar e fazer um clima de suspense. — Fala logo! Chega de altas emoções por hoje.  

— Em 2 semanas, eu e você iremos para um show aqui em New York.

— Legal. Mas dona Pattie não deixa a filhinha dela ir a shows, ela acha que é perigoso demais. Sabe que tem que convencer minha mãe, né? — Arqueei uma sobrancelha, desesperançosa.

— Não será problema. Eu até acho que ela vai deixar de primeira quando souber que eu também paguei por um Meet & Greet .

Meet & Greet? Você deve ser mesmo fã do artista.

— Para ser sincero... Não. — Meu irmão piscou para mim. — Na verdade, você é fã do artista.

— Alexander do céu. — Eu já estava preparada para dar o maior grito da minha vida, para que fosse escutado por toda a ilha de Manhattan, assim que eu ouvisse o nome que eu mais queria ouvir naquele momento. Meus olhos certamente estavam com um brilho resplandecente.— Alexander, o que você fez? Quem nós vamos ver?

Alexander riu.

— Vamos ver o Shawn Mendes.

 


Notas Finais


Obrigada por ler! ❤❤❤


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