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História Hate That I Love You - Capítulo 16


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Notas do Autor


Boa leitura! ❤

Capítulo 16 - O fim acabou de chegar.


"Amar você é difícil
 Estar aqui é ainda mais difícil.
Você assume a direção.
Eu não quero mais fazer isso.
É tão surreal
Não consigo sobreviver.
Se isso é tudo que é real."


(Lana Del Rey, High By The Beach.) 
 

 

Melanie 

 

 

Não. Isso não pode estar acontecendo comigo. 

Justamente comigo. 

Andando de um lado para o outro: é tudo o que estou fazendo há 2 horas. Quase abrindo uma cratera no chão!

Eu não sei direito o que aconteceu depois que o elevador abriu. Não cheguei a tempo de ver. Precisei descer mais de dez lances de escadas até chegar ao saguão do prédio. Mas parece que Justin infartou. Quer dizer, não foi de fato um infarte, pois jovens de 23 anos não sofrem um ataque cardíaco. Justin sofreu um ataque de ansiedade. 

Claustrofobia, Melanie. Ele tem claustrofobia. Isso quer dizer que sente medo de lugares fechados. De confinamento. É um medo legítimo que precisa ser respeitado. É por isso que Justin evita elevadores. E o que você faz, sua estúpida? Abandona o garoto sozinho em um elevador. Tudo bem que foi apenas por 1 minuto. Mas bravíssimo. Palmas para mim! 

O prêmio de completa idiota do ano é exclusivamente meu. 

No mísero minuto que ficou sozinho, Justin sofreu um ataque de ansiedade no elevador. Pelo que soube, ele apertou vários botões de uma única vez e o elevador parou. As pessoas o filmaram quando ele finalmente saiu. E o coitado estava passando realmente muito mal. A pressão dele disparou. Alguns até ficaram eufóricos por estarem respirando o mesmo ar que Justin Bieber.

Mas acho que Justin não estava respirando naquele momento.

E um funcionário do prédio ligou para o Scooter. E chamaram uma ambulância. 

E é apenas o que eu sei. Não vi mais Justin.

E tampouco quero vê-lo. 

Justin deve estar com um ódio mortal de mim. Scooter disse que ele não saía do apartamento há 8 dias e agora há um vídeo de Justin Bieber sofrendo um ataque de ansiedade circulando pela internet. E o nome dele está em 1º lugar no twitter.

Por causa do que eu fiz.

- Então você pediu mesmo os 100 mil? E o Bieber simplesmente aceitou? - Alexander perguntou, enfiando algumas pastilhas de hortelã na boca. Como o próprio contou na fatídica noite em que nos conhecemos, meu irmão mora em New York.

Sim, eu estava em Nova York. Não foi dessa vez que consegui ir para Los Angeles. 

Dois meses depois de tudo o que aconteceu em Atlanta, Justin sumiu da minha vida novamente. E eu não deveria ter ficado surpresa, mas fiquei. Passei fevereiro inteiro tentando, porém ele não atendia as minhas ligações. Até que entendi o recado e desisti de telefonar. E de repente, Scooter ligou para mim. Ele estava desesperado, disse que Justin estava recluso em seu apartamento, em uma crise depressiva. E que nos últimos dias, não estava mais comendo.

Foi de partir o coração escutar o desespero de Scooter. E eu sabia o que é ficar preocupado com Justin Drew Bieber. E convenhamos que, para ligar para mim, o empresário devia estar mesmo sem opções. Scooter soube pelo próprio Justin que eu também estava a par da história da depressão. Então pediu que eu viesse, para tentar conversar com o garoto. 

E o que eu fiz?

Eu vim. Menti para minha mãe. Pois não podíamos contar para ela sobre a depressão de Justin.  

Então vim para Nova York tentar falar com Justin Bieber.

E acontece que foi tudo um fracasso, como sempre. 

Eu briguei com Justin. 

Em um elevador.

E depois o deixei sozinho nesse mesmo elevador.

E após isso, liguei aos prantos para Alexander. E foi assim que meu irmão ficou sabendo que eu estava na mesma cidade que ele. 

- E ele também repetiu que nunca vou ter o seu amor, Alexander. E que eu vim apenas para tentar ficar com ele. Acha mesmo que eu merecia ouvir essas palavras saírem da boca de Justin? 

Perguntei com indignação. Podia sentir minhas mãos suadas. 

- E ele duvidou de novo do meu amor. De novo! Amanhã é o aniversário da morte do meu pai. E eu menti para minha mãe. Eu deveria estar com ela. Deveríamos estar sentadas e abraçadas no sofá, revendo fotos antigas. Deixei Pattie sozinha e vim para Nova York. Por Justin.

- É isso o que não entendo. O que a fez vir atrás dele aqui em Nova York, Melanie?

- Scooter pediu. - afundei os ombros, revelando o segredo de Justin. - Justin tem depressão. E pelo que Scooter, o empresário dele, estava contando comigo. É uma depressão grave. Tipo... Profunda. Daquelas que quando a pessoa está em crise ela não quer comer, ou sair de casa... 

- Nossa. - meu irmão ficou boquiaberto. - Por essa não esperava. Uau. Não imaginava. 

Suspirei profundamente, encostando a cabeça na parede e a batendo repetidas vezes.

- E ele não quer tratar. - acrescento aflita. - Ele engole umas pílulas e só! 

- Você também engole pílulas e só.

- Eu vou ao psiquiatra todo mês, Alexander. Justin não quer ir ao médico. Não quer psicólogo. E quem pode garantir que ele está tomando mesmo as pílulas? Isso não é efetivo. Então o empresário dele, o Scooter Braun, pediu para eu vir tentar conversar com ele. Pois Justin está em uma crise depressiva. Mas você não pode contar para ninguém. - suplico. - Por favor.

- Não vou. Até fiquei mal pelo Bieber agora. 

- Eu fico mal por Pattie. - minha voz está embargada. - Ela não merece ter um filho depressivo e outra filha com transtorno bipolar.

- O mundo adoece a gente, Melanie. - Alexander diz reflexivo.

- Alexander. - o chamo entristecida. - Como ele pôde duvidar do meu amor? Você não acha que tudo o que eu faço por Justin é prova irrefutável do amor incondicional que sinto por ele?

- Do que adianta eu responder? - meu irmão deu de ombros. - Você não iria acreditar. Melanie, a única pessoa que deve acreditar no seu amor é a mesma que duvidou dele. Justin Bieber.

- Alexander, eu sabia que Justin é claustrofóbico. É assim desde criança. E caçoei da fobia dele. E o deixei sozinho depois dele concordar em dar 100 mil dólares para mim. Acha mesmo que Justin vai acreditar no meu amor? Até eu estou desacreditada. Eu devo ser obcecada por ele. Isso não deve ser amor. Deve ser uma doença. 

- Cara, eu ainda não acredito que o Bieber concordou em lhe dar todo esse dinheiro. Ele é louco? 

- Eu também não. E eu não queria de fato o dinheiro. - explico. - Perguntei para testar a sua hipótese. Achei que ele fosse recusar. Mas para minha surpresa, Justin aceitou. 

- Então está comprovado agora? - Alexander sorriu vitorioso. - Acredita que ele é louco por você?

- Na hora eu entrei em parafuso. Achei que você estivesse certo. E berrei na cara dele. Chamei o Bieber de mentiroso, pois ele não tinha coragem de assumir que supostamente gosta de mim. Mas agora percebi que ele não pode gostar mesmo. Justin não deve querer olhar na minha cara, depois do que fiz.

- É. Você fez uma grande sacanagem com ele.

- Justin vai ferrar comigo bonitinho, Alexander. Com certeza. E minha mãe já deve estar sabendo de tudo que fiz aqui em Nova York. Provavelmente estou de castigo até os 21 anos.

Caminhei pelo grande corredor, ao lado do meu irmão. Espiamos pela janela. Do lado de fora, havia uma quantidade absurda de fotógrafos.

- Que loucura. - Alexander comentou, surpreso com aquele mar de gente atrás do Bieber.

- Alguém deveria chamar a polícia para prender esses paparazzis. - falo, ajustando a persiana da janela. - Estão bloqueando a passagem de pessoas que realmente precisam entrar. 

Isso mesmo. Hospital. Eu e Alexander estávamos na sala de espera. Scooter estava com o Justin no consultório do médico. A crise de ansiedade do Bieber foi séria, disseram que ele ficou muito agitado. 

Realmente não sei o que estou fazendo nesse hospital. Justin não deve querer ver minha cara nunca mais. 

Por alguns segundos, achei que tudo tinha acabado para mim e pensei em pedir para algum médico injetar uma dose letal de morfina nas minhas veias, assim que eu terminasse de beber o meu achocolatado. 

Mas lembrei que não posso morrer antes de ir conhecer o Shawn Mendes. 

Enquanto Alexander e eu observávamos os fotógrafos, Scooter abriu a porta do consultório, com uma expressão nada amigável no rosto. O médico que estava atendendo Justin saiu folheando alguns papéis. 

- Entre aqui, Melanie. - o empresário de Justin diz para mim. Olhei receosa para Alexander, que pôs a mão no meu ombro em um gesto solidário. 

- Eu já vou. Ligue caso precisar, tudo bem? 

- Obrigada.

Abraço meu irmão carinhosamente. E então caminho devagarzinho até Scooter, olhando para o chão.

Entrei no consultório, sentindo meu corpo arrepiar-se devido à baixa temperatura.

Justin estava sentado sobre o leito, entretido com um cubo mágico nas mãos. Mas geralmente Justin é excelente com cubos mágicos, e observei que ele parecia estar sofrendo para resolver aquele. Ele virava as peças devagar, como quem nunca tinha feito isso antes na vida.

- Ele está drogado. - Scooter explicou para mim a razão da lentidão motora de Justin. Arregalei os olhos. -  O medicaram na ambulância para conseguirem acalmá-lo. O médico disse que o efeito passaria em 3 horas.

Senti ainda mais culpa. O drogaram por minha causa. 

- Como ele vai passar pelo mar de fotógrafos medicado desse jeito? As pessoas são maldosas, irão dizer que ele foi para o hospital por usar drogas ilícitas, ou algo assim. - fico preocupada. Scooter olha para mim como quem já pensou a mesma coisa.

- Estou esperando o motorista chegar aqui no hospital. Ele vai nos aguardar no estacionamento do subsolo. Assim poderemos sair.  - esclareceu. Assenti, achando perfeito. Scooter é o tipo de homem que sempre está um passo à frente de todos.

 De repente, o empresário olhou decepcionado para mim.

- Melanie. O que aconteceu?

Arrasada, dei a única resposta possível:

- A gente discutiu. De novo. Ele ficava dizendo para eu voltar para Atlanta.

- E como Justin foi parar no elevador sozinho?

- Justin é teimoso! Veio correndo atrás de mim depois que eu saí e... 

- Quando pedi sua ajuda para tirá-lo de casa, não significava que queria que o mandasse para o hospital. Não queria que ele acabasse com uma crise de ansiedade.

- Foi um imprevisto, Scooter. - choraminguei. - Um incidente. Eu fiquei brava pelo que ele disse. Justin foi muito cruel comigo. 

- Ele também é cruel comigo, Melanie. - Scooter está triste, assim como eu. - Mas você tem que entender que muito do que ele diz, não é ele que está dizendo. Não é o Justin. É a depressão.

- Às vezes parece difícil separar. - desabafei. 

- Eu sei. Mas você precisa pensar nisso. Precisamos ser fortes. Ele está doente. Lembre, não é o Justin, é a depressão.

- Vocês sabem que eu estou escutando tudo, não é? - Justin entrou na conversa, com um tom arrogante, sem desviar os olhos do cubo mágico. A fala dele estava lenta, devido aos medicamentos. Scooter suspirou. - Eu disse Scooter. Avisei que essa menina não deveria estar aqui. Ela não trás o caos consigo, ela é o caos.

- Melanie vai embora amanhã. - Scooter o informou. - Pattie irá buscá-la no aeroporto.

 Chego perto de Justin. Que raivoso, não olhava para mim.

- Você está bem? - sussurrei preocupada. 

- Eu estou drogado.

Sinto a angústia abater-se no meu peito.

- Desculpa Justin. Não fiz por mal.

- Tudo bem. - ele simplesmente deu de ombros.  - Eu desculpo você.

Okay, por essa eu não esperava. Isso foi resolvido rápido demais. O radar de perigo no meu cérebro acendeu imediatamente.

- É sério? - estou muito surpresa. Achei que ele fosse mandar eu ir para puta que pariu.

- Sim, Melanie, você está perdoada.

- Obrigada. - é tudo o que consigo dizer, ainda suspeitando. 

- De nada.  - Justin sorri de repente, com graciosidade e dignidade, como um verdadeiro príncipe. 

Acho que é a droga no sistema dele que o está fazendo agir assim.

Precisamos drogá-lo mais vezes.

Brincadeirinha.

Scooter parece aliviado pela resolução do conflito. E eu também. Estava esperando um puta esporro do Bieber, com direito a Justin jogando na minha cara que sempre fez tudo por mim, desde que éramos crianças e que não passo de uma garotinha ingrata que nunca reconheceu os sacrifícios dele em prol da minha felicidade e bem-estar. 

- Scooter, pode nos dar 1 minuto?

Justin pediu sério ao empresário. Não olho na direção de Scooter, mas a porta do consultório foi aberta e fechada logo em seguida, indicando que ele saiu.

Ficamos apenas eu e o Bieber, no familiar silêncio mortal que às vezes instalava-se entre nós. Justin conseguiu resolver um lado do cubo mágico. Decido romper o sossego:

- Justin, eu realmente não queria...

- Cala essa boca, Melanie.

Vociferou, cheio de ódio. Arregalo os olhos. 

Sabia! Justin não concede perdão facilmente! Ele é rancoroso demais para isso. 

- Posso estar drogado, mas continuo com raiva. E saiba que você não está perdoada. Apenas fingi que sim. Pois Scooter está péssimo por ter trazido você para Nova York, ele está achando que o que houve comigo foi culpa dele. E não quero que ele sinta mais culpa ou fique enchendo a porra do meu saco. Então, quando estivemos em frente às outras pessoas, vou fingir que estamos em paz. E você finja também. Especialmente para os... Foto.. Fotógr...

Ele fecha os olhos, bufando frustrado. Parecia ter esquecido a palavra. O menino estava muito drogado mesmo. 

- Fotógrafos?

- Sim. Os fotógrafos desse circo que você armou. Aliás, isso é o que você sabe fazer de melhor, não é? Fingir. Você é uma fingidora barata, Melanie. 

Ele levou dois minutos para conseguir dizer tudo aquilo. Mas, conseguiu.

E com uma dicção perfeita, devo acrescentar.

Pisquei repetidas vezes, olhando-o desapontada. Queria chorar como uma menininha.

- Então eu não estou perdoada?

Justin volta a olhar para o cubo mágico, indiferente:

- Não. - diz impiedosamente. -  Odeio você. Vagabunda.

Encarei-o incrédula.

- Justin! Também não precisa falar assim. Eu apenas queria...

- Não comece, Melanie. - cortou-me rispidamente.

- Não começar?

- Com alguma declaração de amor ridícula para mim. Não quero esquecer que estou com raiva pelo que fez comigo naquela porra de elevador. Cretina ordinária. 

- Então é isso o que você acha do meu amor, Justin? Que ele é ridículo?

- Não foi o que eu disse. Eu falei que...

- Justin, não quero ficar assim com você. Por favor. - juntei minhas mãos, em sinal de súplica. Meus olhos já transbordavam lágrimas. - Eu sei exatamente onde errei. Sei como errei em jogar na sua cara tudo o que joguei em Atlanta. O jeito como tratei você quando estávamos em Atlanta foi muito errado. Reconheço isso. E hoje também. Não deveria ter falado aquelas palavras severas para você. Eu sempre ajo por impulso. Desculpa! Eu não deveria ter saído do elevador e o deixado sozinho. Sei que agi como uma garotinha ingrata.

- Você é uma garotinha ingrata. - corrigiu-me. 

- Mas você fez pouco caso do meu amor de novo, Justin! - falo com a voz fanhosa, dramatizando. 

- Melanie. - repreendeu-me, para que eu não começasse com minhas declarações dramáticas, pois ele estava sem a menor paciência para tais.

- Você sempre faz pouco caso do meu amor por você e isso dói muito... - choramingo triste. - Você não precisa retribuir, mas também não precisa duvidar.

- Eu apenas não acho que esse amor seja real. - Justin diz, sem um resquício de compaixão. Desfazendo-se do meu amor novamente. Ele sempre desfaz do meu amor.

- Mas você não está no meu coração para saber! - grunhi nervosamente. - O amor é meu e eu sei o quanto ele é real! 

- Eu não quero brigar. - Justin decidiu. - Estou drogado. 

Silêncio esmagador de 30 segundos. 

- Posso abraçar você? - peço chorosa. - Justin, posso abraçar você?

- Não. Odeio abraços, você sabe. - respondeu insensível. É claro que ele não permitiria. Ainda mais sabendo que anseio abraçá-lo.  

- Por favor... 

- Eu quero ficar com raiva de você, Melanie. - informou entredentes.

É quando percebo algo. Um detalhe.

- Você não está com raiva de mim. - digo desconfiada, fazendo-o levantar as sobrancelhas.

- Não estou? - desafia, mas seu olhar vacila por um milésimo de segundo. E foi suficiente para mim. 

- Você está falando Melanie. Não Anne Marie. Então você não está com raiva de verdade. Deveria estar, mas não está raiva de mim. 

Em silêncio, Justin conseguiu resolver mais um lado do cubo.

Então suspirou.

Antes que ele falasse qualquer coisa, joguei meus braços ao redor do seu pescoço e o abracei com força. Ele ainda levou dez segundos para retribuir o meu abraço. Finalmente senti seus braços envolverem meu corpo, afagando minhas costas com suavidade, o que foi um verdadeiro alívio para mim. Justin estava sentado sobre o leito. E eu estava em pé, entre suas pernas. Suspirei, arrepiada com as sensações de ter seu corpo próximo ao meu.

- Eu não consigo ficar com raiva de você.  - confessou baixinho, lamentando. Agradeço a Deus por isso. - Você é a minha menininha. E a culpa do que houve não foi sua. Quer dizer, foi. Mas não totalmente.

- Não fiz por mal. Juro, Justin! Não fiz por mal. Eu só surtei e quando dei por mim, saí do elevador... E-eu... - lacrimejei, realmente arrependida das minhas atitudes.

Ele assentiu, como quem acreditava em mim.

- Eu não sou uma pessoa ruim. - Justin sussurrou de repente. Parecia triste. O apertei no abraço. - Não sou ruim, Melanie. 

Ele parecia estar tentando convencer a si mesmo daquilo. De que ele não é uma pessoa ruim.

- É claro que não. Você não é uma pessoa ruim, Justin. Você é uma pessoa maravilhosa, príncipe. Com um coração enorme. Um coração lindo. 

- E você é uma ótima mentirosa. - ele ri, com descrença.  Então Justin concluiu, abatido. - Eu preciso colocar minha vida nos eixos.

- Precisa, Justin. - concordo imediatamente, afagando suas costas. - Você precisa começar a cuidar dessa tristeza que existe em você. Antes que ela o consuma por inteiro, entende? Depressão é uma doença em que você não pode lutar sozinho. Precisa de ajuda. Precisa aceitar ajuda, Justin. E eu vou ajudar você, tudo bem? O Scooter também. Você não está sozinho, Justin. 

Justin ficou em silêncio. Nós ficamos em silêncio novamente. Mas dessa vez, é um silêncio gostoso e reconfortante.

Ele virou o rosto, deixando-o mais próximo ao meu pescoço.

- Melanie...

Ouço Justin sussurrar, fazendo seus lábios quentinhos roçarem no meu pescoço. Faz cócegas.Dou uma risadinha. 

- Oi? 

- Eu não consigo resolver essa merda de cubo mágico. - resmungou, parecendo muito bravo por isso. E deveria estar, pois ele é formidável com cubos mágicos. Mas sua reclamação acabou saindo de um jeito fofo e engraçado. 

- Percebi. - ri envergonhada. 

- Você quer sair? - Justin mudou o assunto subitamente.

- Para onde? - arqueei uma sobrancelha, tentando acompanhá-lo. 

- Tomar sorvete. - ele tinha a resposta na ponta da língua. 

SORVETE. Fui convida por Justin Bieber para tomar sorvete.

Meu coração acelerava cada vez mais. 

- Quero. - aceito, mesmo sabendo que isso não seria possível. É claro que não poderíamos simplesmente sair e tomar sorvete. 

Mais silêncio. Justin o quebra:

- Eu estou drogado.

Dou risada, mas com grande peso na consciência.

- Eu sei. Eu fiz isso com você. Desculpa.

Ele riu.

- Melanie.

- Justin.

- Eu estou drogado. - choramingou, caindo em si de sua péssima condição.

- Está. Eles precisaram medicá-lo para que ficasse calmo. Disseram que você estava muito nervoso. Desculpa por isso.

- Eu estou com vontade. - Justin trocou novamente o assunto, fazendo-me tentar acompanhá-lo novamente.  

Franzi as sobrancelhas, sem entender.

- Oi?

- Eu estou com vontade. - repetiu sussurrando. Como quem estava revelando um grande e obscuro segredo para mim, que ninguém mais poderia ouvir. 

- Vontade? De quê? -  timidamente, indaguei sem compreender nada. -  Vontade de tomar sorvete?

Justin riu malicioso e soltou a bomba sobre mim, sem a mínima dó:

- Estou com vontade de beijar a sua boquinha linda de novo, irmãzinha. 

Oh, céus. Ele não fez isso.

Ele não disse isso! 

Engulo em seco. Não movi um músculo. Queria gritar com Justin, para que ele parasse com essa brincadeira idiota em um momento como aquele. E ainda por cima chamando-me de irmãzinha. Mas paralisei. Continuávamos abraçados, com seus lábios perigosamente próximos ao meu pescoço. Acho que ele podia sentir meu coração bater rapidamente. Ainda bem que já estávamos em um hospital, pois eu certamente iria ter um ataque cardíaco a qualquer segundo, com aquela proposta insana de Justin Drew Bieber.

É. Definitivamente pessoas jovens podem sim infartar.

- Justin. Você está mesmo drogado. - tento disfarçar o nervosismo que acometeu cada célula do meu corpo.  

- Eu sei. - inesperadamente, ele subiu a mão pela minha nuca, prendendo-me ali contra o seu corpo. Mais concentrado no que pretendia fazer do que nas minhas palavras de repreensão. - Mas a parte boa disso, Anne Marie, é que você não vai precisar estragar o clima perguntando se estou sob efeito de drogas. - riu cínico. - Pois você já sabe que eu estou.

Eu precisava admitir, Justin é muito esperto. Ele não tem o mínimo de vergonha na cara quando quer algo.

- Eu posso? - quer saber, enquanto estou perdida em meus devaneios.

- Pode o quê? - faço-me de inocente mais uma vez. 

- Beijar a sua boquinha gostosa, sua safada. - sondou com falsa inocência, sem o menor pudor. - Eu sei que você quer. Você quer beijar o seu irmãozinho, não quer? Veio para Nova York por isso, não veio?

Perguntou, embora já soubesse a resposta. 

- Justin...

- Não tem ninguém aqui, Melanie. Vai ser o nosso segredo. - ele declarou, manhoso e ao mesmo tempo irritado, cortando-me rapidamente, antes que eu oferecesse qualquer resistência. Justin falou como se a repentina presença de alguém fosse o real motivo pelo qual não poderíamos nos beijar naquele consultório médico. E não por todas as pessoas que trairíamos, ou o singelo fato de que sou apaixonada por ele, mas não é recíproco. Para Justin, é apenas um beijo. Para mim, há muito sentimento envolvido.

- Justin. - estou incrédula. Minha consciência teima em acertar aquele beijo. Todos os meus alarmes internos estão disparados, alertando-me para não fazer isso.  - Eu quero, mas...

- Eu queria ter beijado você no terraço.

Justin diz repentinamente. 

- Como é? - eu estava sonhando, flutuando, delirando.

Meu amor acabou de confessar que sentiu vontade de beijar a mim?

Jesus! Não é Justin.

É a droga.

- Quando você disse aquilo. Da rosa e dos espinhos. Eu queria ter beijado você até minha boca ficar dormente. Porra, queria beijá-la até você não conseguir mais respirar e implorar para eu parar de beijar você. - ousou declarar, totalmente sapeca, nada arrependido. 

Fiquei estupefata.

- O negócio da rosa? Justin! Você disse que odiou aquela baboseira clichê. - recuso a acreditar no que Justin está dizendo. É um truque. Com certeza.  

- Eu gostei do que você disse. Foi legal.  

- Justin, você ficou com raiva. Queria que eu fosse embora literalmente um minuto depois que comparei você com uma rosa.

- Você não entendeu? - ele está achando a maior graça da minha incredulidade e recusa em aceitar que alguém como ele poderia sentir vontade de beijar alguém como eu. - Eu fiz isso para não jogá-la naquele chão e beijá-la, Melanie.

Sou atingida por vinte segundos de total perplexidade.

- Caramba, Justin! 

- O que foi? 

- É o que o terraço teria sido um ótimo cenário para um beijo. As flores, o céu... - peguei-me sem fôlego, imaginando a cena belíssima e inesquecível que seria, poder beijá-lo naquele deslumbrante terraço. 

- E uma sala de hospital não é um bom cenário. Aqui só tem remédios e é tudo branco. - ele riu com desdém. - Eu escolho mal os lugares onde quero beijar você.

- Escolhe. - concordo com uma risada. - Por isso vou continuar abraçando você e passar essa oferta.

Falei aquilo com dor no coração. É claro que eu queria beijá-lo. Por Deus, desesperadamente.

É evidente que eu desejava beijar aqueles lábios suaves, perfeitos e rosadinhos.

Porém, mais evidente ainda foi a minha hesitação em fazê-lo.

Eu não podia. Ele é comprometido. E é meu irmão de criação.

Eu precisava colocar um fim àquela loucura, que jamais deveria ter começado.

Precisávamos encerrar essa conversa. O ouço suspirar.

O pior é que estávamos tendo todo aquele diálogo abraçados. E de repente, ninguém falou mais nada.

Achei que poderia continuar abraçada a Justin, em paz.

Mas achei errado.

Justin remexeu-se no braço. 

E então...

Ele beijou meu pescoço.

Devagar, quente e molhado. 

De um jeito inebriante.

A sensação de tê-lo beijando meu pescoço enviou arrepios para todo meu corpo. 

- Você é muito cheirosa. - sussurrou dengoso, inspirando meu perfume, seus lindos lábios suaves roçando na minha pele. Aquilo deixou-me vidrada, em êxtase. O calor tensionando todo o meu corpo. -  Deixa eu beijar você, vai? Vou fazer valer à pena.

Provocou Justin, fazendo-se de inocente.

 Esse homem é impossível. 

- Não faz isso, Justin. - pedi chorosa, sentindo um arrepio e retraindo o ombro por reflexo. Justin percebeu que a minha pele ficou arrepiada e riu, muito satisfeito com o efeito que causou em mim. Ele levou seus lábios ao lóbulo da minha orelha, começando a mordiscá-lo e chupá-lo. Por Deus. Eu não sei como não morri.

 - Você diz uma coisa e depois faz outra. Por favor, não faz isso comigo. 

- Você também. Diz que não quer beijar seu irmão... - sussurrou, seus lábios quentes no meu ouvido. -Mas seu corpo denuncia você. Você está arrepiada com um simples toque dos meus lábios na sua pele, Melanie.

Gostaria que Justin compreendesse que eu quero beijá-lo.

A questão é que não posso. Não devo. 

- Justin. Não faz isso comigo. - imploro.

- Eu quero beijar você. - ele ignora minha súplica. A verdade é que eu já estava quase totalmente à mercê dos seus caprichos. Mais um pouco e eu quebraria, cedendo. 

- Justin. 

- Eu quero muito beijar você. - murmurou. Não pude ter certeza se foi isso mesmo o que ele disse, ou o que eu queria que fosse dito. A frase fora abafada pelos seus lábios imprensados  na minha pele. - E eu sei que você quer também. Aproveita. - sem oferecer nenhuma hesitação, fechei os olhos sentindo os lábios abrasadores de Justin beijarem meu pescoço novamente, lambuzando-o de saliva, sugando minha pele para o interior da sua boca quente. Seus lábios estavam quentinhos e molhados. Sua boca causava uma colisão térmica com a minha pele fria.

Por Deus, como eu queria. Queria beijar aqueles lábios suaves.

Naquele momento eu sabia de duas coisas:

Primeiro, eu amava aquele homem como ninguém jamais poderia amá-lo. 

Segundo, assim como a minha vontade de beijá-lo, a certeza de que eu estava algo antiético e imoral aumentava cada vez mais. Estar abraçada com Justin daquele jeito, naquele consultório, por tanto tempo... Aquilo já não era certo. Já não parecia um abraço normal entre irmãos, e eu estava consciente disso. 

Coloquei minha mão em sua nuca, fazendo carinho.

- Justin, não posso. Não podemos. Precisamos parar com isso agora.

Finalmente falei com firmeza. Justin afundou o rosto no meu pescoço e suspirou pesadamente, frustrado. Então parou. O abracei com mais força.

 - Mas prometo que vou estar sempre com você, Justin. - declarei carinhosamente. O amor que sinto por ele pulsando violentamente no meu peito. - Prometo que vou ficar com você até o fim. 

- Até o fim? - indagou desacreditado. 

- Até o fim. 

- O que é exatamente o fim, Anne Marie?

- Não sei. - ri. - Mas também vou resistir à vontade de beijá-lo até o fim.

- Oh. O fim estaria muito longe? - perguntou enquanto suas mãos acariciavam minhas costas. Minhas bochechas ruborizaram.

Foi quando escutamos a porta da sala abrir. 

- Com licença. Olá! - escutei uma voz a que há algum tempo não escutava. Ele também reconheceu. Soltei Justin imediatamente, virando de costas e cruzando os braços. - Posso falar com você?

Olhei para a parede, pois não tinha coragem de olhar para nenhum outro lugar. Apertei os lábios, incrédula. E comecei a chorar silenciosamente. Eu sabia perfeitamente quem havia acabado de entrar na sala.

Selena Gomez.

E foi quando percebi que o fim acabou de chegar. 

 


Notas Finais


Selena apareceu. ❤ Lembrando que ela é namorada do Justin! E o bonito todo abraçado com a Melanie... O que acham disso? Boa noite gente! ❤ Obrigada por ler!


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