História HATErs - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fãs, Haters, Irmãos
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Palavras 2.102
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Alguns avisos:
* História com conteúdo cômico.
* Às vezes foge do politicamente correto.
* Haverá romances sim, mas isso pode demorar um pouco.
* O principalmente objetivo de HATErs é divertir. Seus comentários são bem-vindos. Não deixem de apoiar esse autor carente!
Boa leitura, amores!

Capítulo 1 - Lar Amargo Lar


Terminava de fechar a mala quando ouvi gritos no corredor. Minha mãe tentava disfarçar a inevitável saudade que sentiria de mim com pose de cabrita insonsa. Eu já ia chamá-la de Bruna Marquezine pra ver se ela colocava alguma expressão no rosto.

- Eu tô vendo a hora de tu perder esse ônibus e desistir de se mudar. – falou com ares de estressada ao chegar no meu quarto.

- Eita, soltaram os bezerros?

- Os bezerros, não sei, mas a minha chinela tá quase soltando na tua cara, moleque.

- Já tô pronto. Chamou o táxi?

- Chamei. Tem certeza que não quer que eu vá até a rodoviária contigo não?

- Mas eu não já disse que não é necessário, mulher? Vai só gastar dinheiro com esses táxis que tão cobrando até nossas peças íntimas.

- Do jeito que tu é lesado, é capaz de pegar o ônibus errado e parar na casa de Cristo.

- Mas a casa de Cristo é no céu. Eu vou pegar ônibus, não jatinho. O imprestável do meu pai nem pra me mandar esse mimo pra me buscar.

- Olha como fala com o seu pai, atrevido. Se eu souber, Eduardo, que tu tá desrespeitando o pessoal daquela casa, tu volta é com o cu batendo na estrada de terra.

- Agora virou a defensora daquele senhor? É só ele me dar abrigo, que você já estende um tapete pro homem. Tava querendo se livrar de mim mesmo, né?

- Já te criei por dezoito anos da minha vida. Tu acha que é alguém fácil de aguentar? Agora anda que o táxi já buzina. Vamos carregando essas malas lá pra fora.

- Deixa que eu levo. Não quero que sua coluna esfarele quando colocar a mão na alça da mala.

- Calado peste, antes que eu costure sua boca e você precise aprender a língua dos sinais pra se comunicar.

Dona Lavínia pegou uma mala mesmo com minha recomendação. Ela que teria que se virar depois pra pagar seus Calcitran B12 e Ômega 3. Levamos a mala pra porta da casa. Dei uma última olhada no meu quarto. Os riscos na parede, a maioria versos de músicas da Miss PhiPhi, a maior cantora viva que habita esse planeta.

Tentei segurar o choro, mas só me causou um mal estar na garganta pior que quando você come açaí pela primeira vez. Minha mãe berrou avisando que o táxi tinha chegado. Não sei porquê, mas corri e acabei me batendo num vaso que minha mãe desde que eu era criança tinha e ficava na sala.

- Que barulho foi esse? – minha mãe olhou pra dentro de casa, mas eu tapei sua visão.

- Dei um grito de alegria que finalmente vou sair desse lugar.

- E desde enquanto você grita assim?

- Ô auge, mulher. Agora vai implicar até com o meu grito? Me dá um abraço que eu já tô indo e da próxima vez que tu me ver, vai ser na televisão.

- Só se for anunciando sua prisão. Inclusive, cuidado com as amizades que vai arranjar. Não quero saber de filho meu metido com droga.

- Quem tinha planta de maconha no quintal de casa era a vovó.

- Ai, cala a boca. Vem cá. – minha mãe me sufocou num abraço. – Se comporte e obedeça ao seu pai e a sua madrasta também. Estude muito, viu? É pra isso que tu tá indo pra lá. Se eu souber que você tirou nota baixa, eu retiro esse seu cérebro de vento e coloco outro no lugar.

- Tá, também te amo, velha. – Dona Lavínia acertou uns tapas fortes nas minhas costas e nos afastamos do abraço.

- Quer apanhar na frente do motorista? Vai logo que o moço já tá esperando a muito tempo e você fica aí fazendo palhaçada.

- Tudo bem, já tô indo. Vê se não arranja nenhum GP pra te arrancar grana enquanto eu tô fora.

- O que é GP?

- Gentil pastor.

- Deixa de coisa, menino. Entra logo nesse carro antes que eu não deixe você ir mais.

- Será que terá espaço pra mim daqui a alguns meses. Você tem cara de quem vai adotar quatrocentos gatos. Tchau, velha!

 - Avise quando estiver no ônibus.

- Pode deixar.

Entrei no banco do carona e o motorista me olhou estranho. Minha bagagem (olha que chique dizer isso, gente) já havia sido colocada no porta-malas. O velho barrigudo com um olho maior que o talento da fracassada da Cady Cherry – melhor nem citar o nome desse encosto – deu partida no carro com uma risadinha que me fez querer dar um murro naquela pança.

Durante o caminho até a rodoviária fiquei olhando aquelas paisagens tão comuns, mas que nunca pareceram tão novas. Até um outdoor desgastado me fez sentir uma nostalgia incrível. Na minha cabeça, eu estava numa cena de novela ao som de Love By Grace. Nem parecia que eu odiava aquele inferno em terra onde não existia homens possíveis e era cercado de gente mais falsa que a Flávia Alessandra.

Cheguei na rodoviária e fui a procura do meu ônibus. Já estava pronto para fazer minha entrada triunfal e deixar aquela cidade empoeirada de uma vez, mas o que aconteceu realmente? O ônibus já estava saindo. Corri e comecei a jogar os braços pra cima tentando fazer sinal pro motorista de que eu precisava entrar naquela coisa.

Após uns quinze segundos fazendo todos os movimentos de líderes de torcida possíveis, o motorista parou o ônibus e abriu a porta para que eu entrasse. Tive que levar minhas bagagens comigo e quando entrei, todo mundo olhava pra mim. Coloquei o melhor olhar de superioridade que pude e ia seguir desfilando até as cadeiras finais, mas com o peso da mala, só conseguir me arrastar e tentar me segurar pra não cair enquanto o ônibus segui viagem.

Fiquem olhando pela janela durante parte do caminho até a parte em que coloquei meus fones pra tocar e dormi. Estava tocando Sandy. Acordei com alguém mexendo no meu corpo. Abri os olhos e desejei ser cego. Um homem horrível estava na minha frente. Eu olhei pro resto do ônibus e estava tudo vazio. Dei um grito, pois já pensei que seria abusado.

- Nós chegamos já.

- No inferno?

- Ãn?

- Não é nada. Obrigado por me avisar.

- Quer ajuda com as bolsas?

- Bagagens. Sim, você pode levar essas duas. – eram as únicas que eu tinha levado.

O homem feio – não mais horrível, porque coração bom diminui a feiura – carregou minhas bagagens até pararmos na rodoviária. Eu agradeci com um sorriso que era o bem mais valioso que ele deve ter recebido naquele dia. Próximo passo: encontrar o traste do meu pai.

Não foi muito difícil. O homem acenava pra mim com uma alegria que achei que tinha virado celebridade entre a terceira idade. Fui até ele e não esperei ele falar um “a”, já fui entregando minhas bagagens pra ele carregar.

- Já tá quase ligando pro seu celular. O ônibus parou há um tempo, todo mundo saindo e nada de você descer.

- Acabei dormindo. Um moço me acordou.

- Por isso tá com a cara amassada assim.

- Então você dormiu por anos, né? – o senhor deu uma risada como se meu intuito fosse fazê-lo rir.

- Vamos? Meu carro tá lá fora. Ou você prefere comer algo aqui? É um pouco caro, mas não tem problema.

- Podemos ir. Não estou com fome.

- Como foi a viagem?

- Eu dormi, não ouviu?

- Acho que você precisa descansar um pouco mais, assim vai melhorar o seu humor.

Eu acabei de ser chamado de mau humorado? Como esse homem esperava que eu o recebesse após ele simplesmente me abadonar quando eu era uma criança? Engoli a ofensa, pois não gosto de gastar minha criatividade com quem não merece. Segui ele até o carro e já estava tirando meu celular e implorando pro Luciano Hulk que fizesse um programa do Lata Velha com aquele senhor.

O carro era uma verdadeira velharia. Sentei no banco de trás, muito desconfortável e apenas desejei ter muito sono para dormir não me submeter aquela experiência. Mas algo conspirava contra mim naquele dia, algo terrível. O carro simplesmente parou e não andava mais.

- É, nós vamos ter que empurrar. – falou aquele senhor se virando para trás para me olhar.

- O QUÊ? – juro que o meu grito foi digno de um high note da Christina Aguilera.

- Eu vou pedir ajuda pro pessoal que tá naquele bar.

Elizeu saiu do carro e vi que paramos em frente ao que parecia o centro da cidade. Ele falou algo para alguns homens que bebiam no bar, infelizmente nenhum deles parecia ser o meu futuro sugar daddy.

- Vem ajudar. – falou Elizeu quando se aproximou com mais dois homens. Um parecia ter trinta e outro uns 50.

- Eu não.

- Quer chegar logo em casa ou não? – o tom que ele usou foi tão ríspido que me fez sair do carro e cruzar os braços como se eu fosse uma criança birrenta, o que é exatamente o que eu sou.

- Você empurra aí atrás.

Fui para a parte de trás do carro e coloquei as mãos. Quando eles começaram a fazer força, eu apenas fingi e deixei que fizessem o trabalho completo. O carro voltou a funcionar e eu corri para entrar e fingi cansaço.

- Valeu filho, você é forte.

- Nem imagina o quanto!

Até finalmente chegarmos, o que demorou uns dez minutos, o carro não voltou a parar. Fiquei observando a casa por uns segundos após o senhor ter dito que havíamos chegados. Não era uma casa grande, mas parecia bem conservada por fora. Saí do carro e uma mulher abriu a porta. Era ela, a madrasta da Cinderela.

- Eduardo! Seja bem vindo a essa casa. – ela tinha uma animação tão estranha. Depois eu iria olhar no quintal se tinha algum pé de maconha.

- Obrigado! – forcei um sorriso sem dentes.

- Vem, fiz um bolo de laranja e já deve estar bom pra comer. – ela segurou minha mãe e foi me puxando para dentro da casa.

Eu olhava tudo com curiosidade. Os móveis eram típicos de gente brega, mas eu já imaginava que era assim. A única vez que falei com Valquíria por mensagem, praticamente tive que formular minhas frases por meio de emojis.

- Camilo, seu irmão chegou! – ela falou batendo na porta de um quarto que supus ser o dele. O meu meio irmão que eu nunca conheci pessoalmente e com quem praticamente nunca tive uma conversa de verdade. Como será que ele era? Legal, chato, louco como  a mãe?

Valquíria me fez sentar na cadeira e provar do bolo que ela tinha feito. Não vou mentir, estava bom sim. Meu pai apareceu com as minhas bagagens e levou para o que eu imaginei que seria o meu quarto. Camilo apareceu na cozinha com uma cara completamente indiferente. Naquele minuto eu imaginei que ele iria entrar no meu quarto a noite com uma faca e me mataria para ficar com a herança sozinho. Se bem que, qual herança ele teria? Aquele carro mais velho que a Madonna?

- Mostre a casa para o Eduardo. E depois venha comer um pouco de bolo. Você precisa sair daquele quarto.

- Tá bom. – falou ele seco. Eu me levantei para acompanhar a tour pela casa. Não ousei falar uma palavra, não gosto de ser tratado assim. Quem esse garoto pensa que é? Agora que a mãe falou que ele vive no quarto, já presumi que deve ser um desses nerds que não tomam banho e são viciados em LoL.

- Você já viu a sala e a cozinha. Aqui é o banheiro. Esse é o corredor dos quartos. O primeiro é dos meus pais. – ele abriu a porta e me mostrou o quarto que conseguia ser mais brega que o resto da casa. – O segundo é o meu quarto e o terceiro é o seu. Quer ver o meu quarto?

- Pode ser.

Galera, minha mãe já me falou uma vez que na vida passamos por muitas provações. Posso dizer que eu com certeza passaria por uma após o que vi naquele quarto. Meu coração disparou tão rápido que eu senti o momento de cair dura no chão. Eram pôsters e mais pôsters da Cady Cherry espalhadas por aquele quarto triste e que carregava uma energia muito negativa, eu senti.

- Mas o quê é isso? Um culto ao anti-cristo? – foi a única coisa que consegui falar.


Notas Finais


E aí, o que acharam? Não deixem de favoritar, colocar pra acompanhar e, claro, comentar. Espero vocês no próximo capítulo!


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