História Haunted Colors - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Visualizações 2
Palavras 1.420
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção Adolescente, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Atrasos a parte, mais um capítulo aí pra vocês ^-^

Capítulo 7 - Azul


Intervalo. O horário antes tão aguardado agora era o menos apreciado. Afinal de contas, palavras agora eram as armas mais perigosas.

Eu estava recostado numa parede mais ao fundo do pátio tomando uma lata de refrigerante. Enquanto isso eu observava os outros jovens tentarem de forma até um pouco triste manterem uma conversa por mais de dez minutos.

“Ah, olha só. Um Branco. Parede, parede, pa-... É, ele não viu a parede.” pensei distraídamente enquanto tomava um último gole da latinha e a amassava, logo após arremessando-a em uma lixeira próxima “três pontos, yay.” Bocejei, um instante depois eu tinha minha faca em mãos. A lâmina, no pescoço de Kathy que tentou chegar sorrateiramente por uma janela ao meu lado.

-Ah, é você. - guardei a faca vendo-a sorrir para mim mesmo com uma faca afiada no pescoço. Coragem ou estupidez? Eis a questão.

Hehe - Ela riu. - Só estava me perguntando o que você fazia aqui sozinho.

-Ainda não entendeu que eu gosto de ficar sozinho? - Respondi ainda encarando as pessoas no pátio. Em um canto uma garota chorava. Sara Curtis se não me engano. Azul. Algumas vezes eu e Roman brincávamos que aquele era o “Canto da Sara.” Interpretação livre. Afinal ela estava lá praticamente todos os dias, e todos os dias que estava lá, sempre estava chorando.

-Na verdade não. Afinal você anda sempre com o Roman. E até agora não fez nada pra me impedir de te seguir, além claro, de reclamar. - a garota então sorriu faceira enquanto se esforçava para subir na janela e se sentar sobre ela.

Suspirei quando ela me mandou um olhar pidão e a ajudei a subir e se sentar. Ela corou um instante e completou apressada: - Não é minha culpa se sou menor que a janela e ela é mais alta desse lado.

-Os dois lados são iguais. - respondi enquanto bocejava mais um vez e voltava para meu lugar. - E além disso, você queria que eu fizesse oque? Te ameaçasse com minha faca? Não é como se fosse fazer algum efeito. - Conclui.

Kathy sorriu mais uma vez. - Tem razão. - disse voltando-se agora para o pátio enquanto distraídamente balançava os pés, que por acaso estavam a apenas alguns poucos centímetros do chão. Quando notei isso não consegui conter um sorriso. Aquela malandra havia fingido. - Antes que eu esqueça. Você fica trocando a sua faca de bolsos sempre?

-Que? - perguntei sem entender, agora a olhando.

-Sua faca. - ela apontou para a ponta do cabo que saía para fora de meu casaco. - Ela não estava na sua mochila?

-Ah, isso. Sim. Se eu deixo no casaco fica incomodando nas minhas costas quando coloco a mochila, então eu troco. - Respondi sacando a faca e girando-a distraídamente nos dedos. A lâmina reluzia a luz do sol e o peso dela em minha mão quase me fazia ter paz. E isso as vezes me assustava.

-Aí quando chega aqui você troca de volta? - ela parecia realmente estar abismada com aquilo.

-É ue. - respondi apenas. Kathy se calou por fim.

Silêncio de novo. Chequei as horas e já estava quase terminando o intervalo, mas assim que me movi para começar a me dirigir para sala, algo me fez parar. Olhei em volta. Silêncio. Olhei para Kathy e ela me olhou de volta, ela também havia notado. Silêncio demais. Olhei para os outros em volta, todos pareciam tão confusos quanto nós. Ninguém ousava falar ou fazer algum movimento brusco. Até que por fim percebi o que estava me incomodando e lentamente comecei a apertar com mais força o cabo da faca que já estava parcialmente embaiada e a retirá-la novamente. Lá estava, no canto dos meus olhos, Sara Curtis.

E então pouco a pouco os outros foram notando também, todos se movendo com o máximo de cautela possível e se afastando dela. O motivo? Sara Curtis havia parado de chorar. Em suas mãos, sangue. Sangue? De seus olhos.

-Scream… - Kathy murmurou.

Quando olhei para ela, a mesma saltou sobre mim, suas mãos em meus ouvidos.

E foi quando aconteceu. Um urro, ensurdecedor, de dor e sofrimento ecoou. Eu e Kathy fomos instantaneamente lançados contra a parede ao tempo que todas as janelas do prédio explodiram simultaneamente. Os outros que estavam no pátio jaziam ajoelhados no chão, com os ouvidos cobertos pelas mãos. Eu sentia meus ossos vibrarem dentro do meu corpo e como se meus tímpanos fossem explodir. Meus olhos estavam focados em Sara que da onde estava ajoelhada, gritava em desespero, seus olhos saltados e sangue escorrendo dos mesmos, sua boca escancarada e as mãos sobre o peito. Demorou alguns segundos mas olhei para Kathy, ela sorria para mim com lágrimas nos olhos, das suas orelhas, um filete de sangue escorria. “Idiota.” Foi a única coisa que consegui pensar quando forcei meu corpo a se mover e também tapar os ouvidos da garota. “Idiota, idiota, idiota. Porque não tapou os seus?”

-HAHAHAHA!!!! - a risada de Vermelha surgiu em minha mente.

-O que é tão engraçado? - perguntei furioso.

-Ora John, não é óbvio? - Ela continuava a rir ensandecidamente. Eu conseguia sentir o desprezo em seu olhar, mesmo sob a franja. - Todos que se aproximam de você acabam se ferindo e às vezes até mesmo morrendo! MESMO QUANDO NÃO É VOCÊ QUE OS MATA!! ISSO NÃO É MARAVILHOSO?! - ela continuava a gargalhar enquanto ficava de pé e começava a correr e saltar de um lado para outro.

Me forcei a afungentar sua imagem de minha mente. Quando olhei novamente para Kathy ela já estava inconsciente, mas suas mãos ainda permaneciam sobre meus ouvidos.

-Não hoje. - falei entredentes e encarei Sara que ainda gritava incessantemente.

Todos os outros jaziam inconscientes no chão, apenas eu permanecia desperto, mas que ironia, não?

Me levantei com dificuldade, assim que fiz isso as mãos de Kathy escorregaram de sobre meus ouvidos e só então ouvi com nitidez o desespero de Sara Curtis. Comecei a caminhar em direção a ela, a força de seu grito me forçava para trás, tamanha era a pressão que meus ouvidos zuniam e eu podia sentir o sangue escorrendo deles. Pelo canto dos olhos Sara me observou. Assim que ela notou minha intenção o grito mudou. Ela se virou em minha direção e fui forçado ao chão. Com dificuldade observei aos arredores e vi que o grito não estava mais difuso, agora ele estava concentrado apenas em mim, o que o tornava por muitas vezes pior.

Urrei de volta e me forcei a ficar novamente de pé. Pelo menos os outros estavam seguros, isso, se ainda estivessem vivos. Eu esperava que sim. Eu queria que sim. Comecei a caminhar novamente, o chão sob meus pés rachava e minhas pernas tremiam a cada passada, mas eu não podia ceder. Se eu caisse ali, nada poderia garantir a segurança do restante.

Scream. Uma habilidade azul. Eu nunca havia presenciado, mas já ouvira falar. E já o ouvira. Era impossível não ouvir. Ele se espalhava por pelo menos um quarteirão com a mesma intensidade, e nos seguintes era possível ouvir seus ecos. Geralmente acontece durante um acesso de estresse extremo de um Azul, como um sistema de defesa, geralmente quando atacado ou quando o Azul se sente ameaçado. Dificilmente alguém sobreviveria o ouvindo tão de perto.

Eu continuei me aproximando e Sara começou a recuar, mas após alguns passos a parede a impediu. O que a teria feito se sentir ameaçada? Ninguém estava perto dela, ninguém havia falado com ela ou feito mal a ela. Por que aquilo tinha acontecido?

Cinco passos de distância. Meu nariz sangrava. Minha visão estava ficando turva. Eu queria ceder, cair e finalmente morrer. Queria desistir ali e finalmente ter paz.

-John! - ouvi uma voz ecoar. Mas como? Eu já não estava surdo? - John! - Ouvi mais uma vez. - John! Lute John! - “Kathy?” Pensei.

Não. Não era a Kathy. Por que eu havia pensado que era ela? De quem é essa voz?

Quatro passos.

-John você precisa continuar! - a voz falou novamente. Me forcei a me mover.

Três passos.

-Em frente John! Você tá quase lá!

Ah. Descobri.

Dois passos.

Então era você.

Um passo.

-Obrigada.


Finalmente alcancei Sara e tirando uma força que eu não sabia de onde vinha a soquei com força no estômago. Um segundo. Dois. Seus olhos começaram a se fechar assim como sua boca. O grito cessou com Sara Curtis inconsciente em meus braços. A coloquei com cuidado no chão e por um instante, antes de eu mesmo perder a consciência, pensei ter visto um sorriso em seu rosto. Deveria estar alucinando.


Notas Finais


Está um belo dia lá fora, não? ;D


Obrigado pela leitura,
Atenciosamente,
Red.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...