História HCW - mitw - Capítulo 8


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Categorias Felipe "Febatista" Batista, Felipe Z. "Felps", João Victor Negromonte Queiroz "Jvnq", Rafael "CellBit" Lange, TazerCraft
Personagens Felipe "Febatista" Batista, Felps, João Victor Negromonte Queiroz "Jvnq", Mike, Pac, Personagens Originais, Rafael "CellBit" Lange
Tags Aloid, Cellps, Jvtista, Mitw, Yaoi
Visualizações 232
Palavras 5.027
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus parcimônias
Tia Maah aqui novamente
Espero que cêis gostem dessa caralha <3

Capítulo 8 - 8. Ache o segredo que te esconda do frio.


Fanfic / Fanfiction HCW - mitw - Capítulo 8 - 8. Ache o segredo que te esconda do frio.

POV. — Alan F. [Sábado 29/04]

Depois de muita dificuldade em selecionar o que levar pra porcaria do hotel e depois fechar uma mala pequena demais para as coisas que peguei, tentei ao máximo não me estressar mais do que já estava. Juro que se o Felps não tivesse me convencido de ir mais cedo, eu desistia de ir pra esse hotel e jogava tudo pro vento levar, mesmo não querendo decepcionar o Mike em me ausentar do seu aniversário.

A única coisa que passava pelo meu corpo era ódio, o mais puro e genuíno ódio por alguém que tive que deixar passar a noite na minha casa, até porque a chuva que caía lá fora não facilitava que ele fosse logo embora.

— Alaaaaaaan! — pela milésima vez, ouvi a voz de Void me chamando e apenas continuei a ignorá-lo.

— Você vai ter que voltar a falar comigo algum dia. Sabe disso, né? — novamente tentou puxar algum assunto, fazendo com que minha única reação fosse sentar na cadeira em frente ao computador e revirar os olhos enquanto o ligava.

— Se você não voltar a falar comigo eu nunca mais saio da sua casa. — utilizou isso de argumento, e pela primeira vez em muito tempo, tive vontade de respondê-lo.

— Ah, mas vai sair sim, senão eu chamo a polícia. — respondi baixo, pela falta de uso da voz, porém mantendo uma tonalidade nada amigável.

— Ah, você vai chamar a polícia pra mim? Que bonitinho. — debochou da minha cara, como se fosse um filhote de cachorro ameaçando um leão.

— Você é ridículo, babaca e idiota. — o respondi ainda em tom baixo, interiormente querendo me matar por não apenas ignorá-lo.

— E você tá sendo exagerado demais. — respondeu-me com desânimo, continuando a rolar por minha cama.

— Exagerado, Lucas? EXAGERADO?! — me virei para ele com uma clara indignação no rosto, mas desisti de discutir vendo aquela cara se fazendo de inocente em minha direção.

Claro, porque deve ser muito exagero não querer ser tratado como um pedaço de bosta de cavalo que as pessoas jogam nas plantas.

— Eu já falei que você às vezes parece uma franga? — sorriu pra mim, esperando que de alguma forma isso tivesse certo efeito em mim.

Continuei ignorando, respirando fundo para não me descontrolar mais ainda.

— Deita aqui, tá frio. — disse enquanto colocava a mão na cama, como uma forma de me chamar.

— Ah, agora você se preocupa comigo? — respondi em completa descrença, tendo um aperto no peito me acompanhando.

— Não, eu quero mais que você se foda. — falou da forma mais fria possível, trazendo-me um choque de realidade.

Abaixei a cabeça e girei a cadeira para frente do computador, começando a sentir meus olhos arderem e o nariz começando a ficar mais sensível. Foi algo tão idiota de se dizer, que misturado à briga do dia anterior e toda a mágoa que me acompanhava, foi o suficiente pra me fazer começar a chorar.

 

— É BRINCADEIRA, ALAN! PUTA QUE PARIU! — a frase dita em tom alto me fez ouvir junto com ela alguém saindo da cama com o barulho de passos correndo até mim.

Senti meu corpo sendo abraçado com força, trazendo-me a sensação de querer chorar ainda mais. Tive vontade de tirar ele de perto de mim, mas não encontrei muita força pra isso.

— Desculpa, vai... Eu vou arrumar as coisas. — Void disse ainda me abraçando, causando certo conforto pelo carinho que me dava.

— Você nem se esforça pra arrumar. — falei em meio ao choro, demonstrando o quanto isso me incomoda.

— Eu só queria que você entendesse que eu ainda não tô’ pronto pra assumir a gente. — e finalmente voltamos no assunto que tanto nos fez discutir ontem.

 — Eu entendo que você não tá pronto... Eu só não entendo o porquê de nem os nossos amigos poderem saber disso. — parei um pouco de chorar, e entre pausas fui conseguindo falar a frase.

— Eu realmente não consigo enxergar outro motivo que não seja você ter vergonha de mim. — ao perceber que ele não respondeu, continuei a falar.

— Eu não tenho vergonha de você. — disse após me dar um lento beijo na bochecha.

— Ah, parece muito ter. — soltei o comentário em voz baixa, o fazendo respirar fundo.

— Eu só tenho medo... — continuando a conversa em um tom quase inaudível, finalmente pude ouvir uma confissão verdadeira dele.

— Você tem é medo de ser quem você realmente é. E você sabe que eu tô’ certo. — respondi de uma forma fria, começando a sentir o abraço que ele me dava ir se afrouxando.

— Eu vou tomar água. — Lucas disse e logo se soltou completamente de mim, abrindo a porta de meu quarto e quase imediatamente a jogando de volta, causando um enorme barulho feito pelo impacto.

Claro que talvez seja idiota de minha parte jogar na cara dele que ele simplesmente tem medo de ser gay, mas é algo que ele tem que aceitar e parar de dar desculpas. Por muitas vezes ele já trouxe em questão o argumento de que o Jv e o Batista nunca falaram pra ninguém sobre eles, mesmo todo mundo sabendo; mas a diferença nisso tudo é que se você for até eles e perguntar, eles mostram total sinceridade e respondem com naturalidade. Já o Sr. Void, sempre que é perguntado, nega tudo e ainda faz questão de reforçar a total heterossexualidade machucada que ele tem.

— VOID! — gritei de meu quarto após perceber zero movimentação no resto da casa.

Sabendo que isso é algo que tem certo poder sobre ele e que o mesmo não sabe lidar bem com as coisas, decidi ir atrás dele. Abri minha porta e a deixei aberta atrás de mim, indo calmamente em direção à cozinha.

— Ah, agora o machão vai se esconder pra chorar? — falei ao vê-lo parado no meio do cômodo com um copo d’água na mão enquanto olhava para o nada.

— Eu não tô’ chorando. — respondeu, ao mesmo tempo que caminhava lentamente até mim.

Me encostei no balcão dali, enquanto o esperava fazer o que tivesse em mente. A única reação dele foi continuar andando até mim, ao fim depositando o copo no local em que eu me escorava.

— Eu te prometo que eu vou sair do armário. E quando eu sair, eu vou te levar junto comigo. — ouvi-o dizer essa frase, soltando um involuntário sorriso de satisfação.

— Ah, eu não preciso sair. Se eu ainda tô’ nele é por sua causa. — fui sincero em responder, mas não esperei uma resposta dele.

Decidi esquecer, pelo menos por agora, a raiva que ele havia me dado. Peguei em sua camiseta e puxei carinhosamente para que ele me abraçasse de novo, não demorando muito para ter o contato novamente.

— Para de brigar comigo. — a voz de vítima dele se fez presente, me dando uma vontade de enfiar minha mão naquela cara cínica dele.

— A gente pode ir pra cama agora? Tá realmente frio. — falei quando comecei a sentir o piso gelado tomar conta de meus pés descalços.

Não tive uma resposta em voz, apenas senti o abraço se desfazer enquanto ele pegava em minha mão, puxando-me de volta para onde viemos.

— Você tem que ir pra casa arrumar suas coisas. — falei no meio do caminho, me lembrando que ele nem tinha pensado em arrumar a mala ainda.

— Para de me expulsar daqui. — ouvi a frase misturada com uma risada leve, me fazendo soltar um sorriso.

— Dessa vez não é te expulsar, você tem que se organizar. Esqueceu que a gente sai amanhã? — travei na porta do quarto, esperando que ele me desse mais atenção com isso.

— Desde que eu tenha uma cueca, você e uma garrafa de pinga tá tudo ótimo. — Void disse, logo segurando meu rosto com ambas as mãos e me dando um selinho.

A pequena parte de mim que ainda gritava para que eu o mandasse embora no meio da chuva que ainda existia, mas a decisão de esquecer isso no momento me causava um bem muito maior. Então, aproveitando a ausência de stress, abracei-o pela cintura e fiquei aproveitando enquanto ele me dava uma sequência de pequenos beijos, que aos poucos amenizavam o frio presente no ambiente.

Caminhamos até a cama, nos aconchegando um no outro, fazendo com que eu acabasse deitado abraçando o corpo dele.

— Dá meu celular, por favor. — falei após perceber que estava ao lado dele.

Queria dar uma olhada no grupo feito para o aniversário do Mike, para ver se já tinham decidido qual o presente que daríamos, sendo uma questão ainda em aberto.

— Por que a Maethe tá te mandando mensagem? — Lucas repentinamente falou, fazendo-me perceber que enquanto eu me perdia pensando, ele estava mexendo no meu celular.

— Porque ela é minha amiga e eu converso com ela ainda, ué. — respondi com simplicidade, levantando o olhar para poder observá-lo melhor.

— ELA É SUA EX E VOCÊ VAI CONVERSAR COM ELA?! — falou elevando o tom de voz, ficando com uma expressão clara de alguém totalmente emburrado.

— Agora você decidiu que vai ficar com ciúme? — questionei com um tom risonho, tendo vontade de rir mais ainda com a expressão indignada dele.

Recebi o celular em minha mão, e mesmo o pegando, ainda me mantinha prestando mais atenção nele, que havia virado o rosto raivoso para o outro lado.

— Você é que vai ficar emburrado agora? — perguntei cinicamente, com o sorriso o mais debochado possível no rosto.

— Eu quero dormir. — fui praticamente ignorando, recebendo essa falsa resposta enquanto ele fechava os olhos.

— Beleza, então já que você não quer conversar comigo, eu ligo pra ela pra a gente poder conversar mais. — falei com naturalidade, aguardando a reação dele com isso.

— Alan, você é sujo! — seus olhos abriram e seu rosto se virou para me olhar, recebendo uma calorosa expressão de vitória perante o mundo.

— Eu sou seu namorado e você conversa mais com ela do que comigo. — Void começou com seu drama idiota, fazendo a voz sofrida que usa quando faz isso.

— Ah, e como você sabe? — questionei o óbvio, sabendo que era só mais um drama dele.

— Sabendo. — respondeu simples, não me dando tanta atenção.

Deixei o celular de lado e permaneci o encarando, esperando que ele acabasse com o drama e o ciúme desnecessário, já que faz mais de dois anos que eu e ela terminamos.

— Eu vou pra casa arrumar minha mala. — ele foi tentando fazer com que eu me soltasse dele, na falha tentativa de levantar da cama.

— Você não sabe arrumar uma mala. — falei a pura e simples verdade, acabando com o argumento raso dele.

— Tem tutorial na internet pra tudo, eu aprendo. — respondeu rápido, continuando a tentar se levantar.

— Void, sossega aí e para de drama. — me cansando de segurá-lo na cama, tentei logo colocar um fim nisso.

Enfim ele decidiu ficar quieto na cama, mas ainda com a mesma cara de bosta, se recusando a parar de ser idiota.

— Mas é sério, agora eu quero dormir. Passar a noite inteira te enchendo o saco foi cansativo. — após a confissão do crime passado, seus olhos novamente se fecharam, dando um silêncio ainda maior pro local.

Aceitei que ele realmente queria descansar, porém ainda pensativo sobre quando toda essa coisa escondida acabaria. Poxa, é algo que incomoda de se viver, mas fazer ele desconstruir a ideia de não se aceitar por completo é uma das coisas mais complicadas da situação toda.

 

POV. — Mikhael L. [Sábado 29/04]

Pela primeira vez em bastante tempo eu estava calmo. Pude respirar em paz novamente, aproveitando cada parte do alívio que senti pelo Pac não me odiar, e aparentemente nem ter percebido a minha idiotice acumulada no momento do abraço. Porém, eu prometi que voltaria, e isso me deixou com certo embrulho no estômago, fazendo-me pensar como continuaríamos a conversa e qual rumo ela tomaria, já que eu gostaria de passar um bom tempo sem ter aquele tipo de emoção e preocupação novamente.

Tayr ainda me observava enquanto eu estava grudado ao celular, aparentemente me analisando pra poder falar alguma merda de novo.

— Eu acho que vou embora. — falei com simplicidade, me levantando calmamente da cama.

— Como sempre sem nada de “Ai, Tayr, obrigado, você é realmente lindo, obrigado por ser o meu melhor amigo que sempre tá disponível pra mim mesmo quando eu não mereço.” — a voz irônica do Tayr foi ecoando pelo local, causando-me uma verdadeira vontade de rir.

— Obrigado, Tayr. — resolvi agradecer, só pra amenizar a ideia dele de que eu não merecia ajuda, só por ter falado com o Batista primeiro.

— Vê se lembra de mim primeiro da próxima vez. — fez questão de me lembrar disso, usando uma expressão totalmente debochada no rosto.

— Você é tão exagerado que eu só falei pra ele do Pac estar chorando, não contei nada sobre... você sabe. — relembrei que não havia nada demais nisso, já que eu só pedi uma ajuda com o que fazer.

— Aposto que você pensou em ir nele primeiro, mas pelo menos o Batista não sabe que você tá apaixonado. — Tayr voltou com a conversa idiota, trazendo-me um pouco de raiva com a afirmação.

— Vocês sempre acham que eu tô’ apaixonado. — utilizei o argumento da recorrente ocorrência da ilusão deles, que em 99,9% das vezes é uma afirmação completamente errada.

— É, isso é verdade, você ganhou. — ele reconheceu a derrota, me fazendo sorrir com isso.

— Eu quase esqueci. Consegui o número da recepcionista. — em um novo assunto, Tayr soltou um grande sorriso, que me deixou um pouco surpreso.

— Você teve a cara de pau de ir atrás dela? — perguntei ainda com minha expressão surpresa, o vendo apresentar cada vez mais sua felicidade.

— Eu esperei ela não estar mais ocupada, tudo bem? E eu acho que vai dar certo. — Tayr disse com confiança, sendo cada vez mais comovido pela emoção.

— Boa sorte. — falei com toda a sinceridade dentro de mim, esperando que pelo menos dessa vez ele conseguisse encontrar alguém legal pra estar com ele.  

— Obrigado. E agora eu acho que você tem que ir embora, né? — Tayr me recordou disso, me levando a levantar mais rápido da cama.

— Eu ia começar todo aquele drama de você estar me expulsando do seu quarto, mas eu realmente tenho que ir. — sorri em sua direção, recebendo o mesmo ato de volta.

Caminhei até a porta e a abri, deixando um tchau silencioso enquanto estava a fechando do outro lado.

Claro que eu ainda me mantinha feliz pelo Pac ter conversado comigo, mas o crescente embrulho no estômago me deixava mal, me fez questionar com que cara eu chegaria no nosso quarto, especialmente por não saber como continuar a conversa. Foi especialmente nisso que fui pensando até que a porta do elevador se abrisse no oitavo andar, me deixando nervoso quando saí pelo corredor em busca do quarto de número 24.

Tudo o que eu menos queria era falar alguma coisa idiota que o fizesse se sentir mal novamente, então fiz questão de ir respirando fundo até o quarto, acalmando o resto de mim, especialmente tentando controlar a coisa estranha na barriga, que sempre me ocorria quando eu ficava nervoso.

Ao chegar na porta, pensei uns 2 segundos e a abri, observando calmamente o interior do quarto, vendo uma pequena criatura sentada na cama e completamente enrolada no cobertor.

— Oi! — falei animado, o vendo sorrir pra mim após isso.

— Tá com frio? — perguntei enquanto fechava a porta atrás de mim, dando ênfase ao fato de ele estar todo encolhido naquele tecido branco.

— Eu decidi tomar outro banho, daí quando eu saí tava bem mais frio do que antes. — se explicou enquanto eu caminhava até a cama.

De forma alguma eu conseguia esconder o meu sorriso, simplesmente por achar fofo o jeito que ele se encontrava.

— Eu demorei tanto que deu tempo até de você tomar banho? — questionei em um tom risonho, o fazendo rir com minha frase.

— Ah, você nem demorou tanto. Já faz um tempinho que eu tomei banho, e também foi bem rápido. — terminou de se explicar, dando um pouco de espaço para que eu me sentasse ao seu lado.

— Quer? — ele levantou os braços em minha direção, como se me oferecesse o cobertor. Parecia puramente uma criança, usando sua proteção como um grande capuz, ao mesmo tempo que se enrolava no mesmo.

— Ah, não... Eu não tô’ com tanto frio assim. — respondi com uma expressão completamente boba, sem entender direito o que me acontecia naquele momento.

— Tudo bem. — foi a resposta que ele deu, em seguida se encolhendo mais ainda no objeto e abaixando a cabeça.

Ele parecia, de alguma forma, estar com mais vergonha do que normalmente, porém ainda conseguia se comunicar.

Eu queria muito dizer que ele ficava fofo envergonhado, mas já tinha sido humilhação demais pra minha consciência enrolada em um dia só, e eu com certeza iria acabar falando alguma merda.

— Seu rosto... Tá menos vermelho. — após um tempo até longo demais o observando, decidi falar o que era mais perceptível.

Ele não respondeu, apenas levantou a cabeça e ficou me observando, causando uma troca de olhares ainda mais desconfortável por conta do silêncio.

— Tem alguma coisa aqui. — falei enquanto me aproximava mais dele, ao perceber um detalhe diferente em seu rosto.

— O quê? — perguntou, desfazendo completamente minha frase de momentos atrás, ganhando uma coloração mais vermelha nas bochechas.

Aproximei minhas mãos de seu rosto e o virei carinhosamente pro lado, tocando cuidadosamente na “coisa estranha” que eu havia visto. Talvez ele tenha sentido um pouco de dor, já que quando fiz isso, segurou meu pulso com certa firmeza, o afastando um pouco, porém logo deixando eu me aproximar novamente.

— Você se arranhou. — após concluir isso vendo um risco avermelhado na bochecha dele, decidi o comunicar, apenas pra não parecer que eu fiz isso completamente em vão.

— E sua mão tá gelada. — falou acompanhado de um leve sorriso e os olhos ainda fixos em mim.

A mão que ainda segurava meu pulso subiu um pouco e passou a segurar a minha, retirando-a lentamente de perto do rosto dele. A mão direita dele, que ainda continuava livre, foi de encontro à esquerda, que segurava minha mão, fazendo com que a minha ficasse no meio das duas, fazendo-me sentir uma aconchegante sensação de calor.

— Desculpa. — sorri e me desculpei, concluindo que o afastamento anterior dele não havia sido por dor, e sim simplesmente pela minha mão gelada.

Mesmo aos poucos conseguindo esquentá-la, o resto de meu corpo ganhou calafrios, que começaram a realmente me deixar com frio, ou pelo menos com uma sensação ilusória dele.

Tive um pouco de vontade de pedir o cobertor a ele, mas o modo que ele se enrolava me deu um bloqueio de fazer isso, considerando que ele estava mais necessitado do que eu.

— Eu tentei até ligar o ar, mas não tava funcionando direito. — Pac continuou explicando a situação, que me fez perceber que o quarto do Tayr e do Cellbit tinham uma temperatura bem mais aceitável.

— Agora além do banheiro disputado a gente também tem um ar quebrado. — fiz minha conclusão meio desanimado, lembrando meramente da dor nas costas que eu ainda tinha um pouco.

— Tem um roxo nas minhas costas. — aparentemente tendo a mesma memória que eu, Pac se recordou de quando caímos no banheiro.

— Agora parando pra pensar, eu realmente te causei muito mal em menos de 2 dias. — sorri um pouco triste, contabilizando que ele não estaria com o hematoma se eu não houvesse decidido ir brincar com ele no banheiro.

Decisão essa tomada pelo impulso, já que minha racionalidade passou bem longe de mim quando eu decidi fazer isso.

— Ah, não faz drama. Primeiro que o machucado some, e segundo que você não ia ter como saber que eu ia virar uma criança chorona do nada. — Tarik pareceu estar levando as coisas completamente numa boa, aumentando o sorriso que me direcionava e dando um tom de brincadeira a cada parte da frase.

— Você tá bem? — decidi que não fazia mal perguntar, era algo que no fundo eu ainda queria saber.

— Uhum. — afirmou ainda de forma infantil, fazendo um gesto positivo com a cabeça.

— Certeza que só não tá falando isso porque não quer confiar no Mike? — dei início a uma conversa em que me referia a mim mesmo em terceira pessoa, acompanhando a expressão feliz dele.

— Ah, mas eu confio no Mike. É um cara legal. — respondeu com naturalidade, continuando a fazer gestos positivos utilizando a cabeça.

— Eu acho que o Mike fica feliz com isso. — continuei me referindo a mim em terceira pessoa, fazendo ele rir de forma baixa, mas que me causou um alto nível de alguma coisa dentro de mim, que eu de jeito algum saberia como explicar o que era.

Deixei um momento de silêncio no quarto, parando pra refletir um pouco. Parte de mim se sentia meio em dívida com ele, já que enquanto eu sabia algo muito importante pra ele, ele continuava sabendo apenas coisas que eu verdadeiramente não me importava tanto que fossem expostas pra todo mundo. Talvez o sentimento meio de culpa que veio até mim tenha mudado algo na minha percepção, me trazendo uma memória triste da vida, relembrando que era algo que eu nunca tinha conseguido dizer pra um amigo meu.

— No sério agora... Eu posso te falar uma coisa? — desfiz todo o sorriso e animação que vinha de mim, ganhando talvez uma expressão triste demais pra uma coisa tão boba.

— Claro. — e assim como eu, a antes expressão feliz ganhou uma mudança, no caso dele se tornando algo completamente confuso.

Com ele parecia mais fácil. Talvez pelo pouco tempo de convivência e por considerar que ele não iria se preocupar tanto, parecia mais fácil de contar.

— É que tem uma coisa que eu nunca contei pra ninguém... E claro que pode ter tido gente desconfiando, o que é normal, mas eu mesmo nunca decidi ir em alguém e expor essa coisa. — fui falando calmamente, esperando que não me enrolasse nas palavras e falasse algo confuso demais.

— Pra ser sincero, é que eu nunca consegui, mesmo achando uma coisa boba que eu tenho. — decidi voltar atrás no quesito de ser uma “decisão”, já que tudo dentro de mim sabe que na verdade foi só falta de coragem em me abrir com alguém.

— Tá, agora você conseguiu me deixar curioso. — Pac disse, porém o rosto dele exalava muito mais uma preocupação do que verdadeiramente uma curiosidade, o que quase me fez voltar atrás na decisão de conversar com ele.

— É que eu só... Eu simplesmente... Tipo, é que... — fui tentando falar, mas as falhas me fizeram respirar fundo e fechar os olhos, tentando recuperar a concentração.

— Pode falar, tudo bem. — ao ouvir a frase dele, relembrei que minha mão ainda continuava envolvida pelas dele, e agora havia começado a receber algo além do aperto, recebia uma leve demonstração de carinho.

Novamente abri os olhos, e sem saber distinguir a razão certa de estar com o peito mais acelerado, resolvi soltar logo o que mantinha guardado dentro de mim durante tanto tempo.

— Você pode achar idiota... Mas é que eu nunca consegui achar felicidade de verdade, entende? Tipo, eu gosto de muitas coisas e tenho certeza absoluta que eu amo todos os meus amigos, mas tudo o que eu faço e que parece me deixar feliz nunca dura. Eu posso ficar muito tempo rindo com os meus amigos e falando qualquer coisa com eles, mas quando isso acaba ou quando eu paro um pouco pra pensar, eu percebo que na verdade não tem nada ali, eu só acabado me sentindo muito vazio com o tempo. Mas eu continuo tentando, e eu tento pra caralho fazer algo que vá me deixar feliz, mas eu nunca consigo ter sucesso nisso. Eu gosto bastante de ajudar todo mundo e ver gente feliz, mas sempre parece que eu não fiz o suficiente ou que eu na verdade atrapalhei. — talvez eu tenha falado rápido demais, mas ele me acompanhava fixamente em cada palavra, o que me fez concluir que ele acabaria entendendo.

— Isso não é idiota... Na verdade isso pode dizer muito sobre você, e é importante você falar disso com alguém. — após um breve momento de silêncio ele se pronunciou, deixando ainda mais perceptível a preocupação dele.

— Eu não me sinto muito bem em falar pra uma pessoa que eu não quero sair com ela porque eu sei que não vou achar graça ou que eu prefiro ficar no meu quarto olhando pro teto ou jogando algum jogo pela milésima vez só por ser mais fácil pra mim. — expliquei momentaneamente as coisas, observando ele começar a ficar pensativo.

— Sabe, ultimamente tem muita gente me perguntando o que eu quero de aniversário. E eu queria não achar estúpido dizer que a única coisa que eu quero de verdade é achar uma felicidade que dure. — decidi acabar com o silêncio, que estava começando a me incomodar.

— Ah, agora eu fiquei realmente com vontade de abraçar você. — Pac abriu novamente um sorriso, me dando um choque misturado de um calafrio no corpo, me deixando concluir sozinho que seria algo bom pra mim.

Eu não sabia como responder que queria um abraço, então a única coisa que consegui fazer sem cogitar a ideia de engasgar enquanto falava foi retirar minha mão que era acolhida por ele e levantar ambos os braços em sua direção, como alguém que aceitava que ele fizesse o ato.

Em poucos instantes ele compreendeu, ficando de joelhos na cama e no limite máximo que não o deixava se ajoelhar em cima de minhas pernas, estagnadas com a famigerada “posição de índio”. Não demorou muito para que aquele cobertor passasse a acolher nós dois em um abraço, quando ele subitamente me abraçou pelo pescoço, fazendo-me por impulso o abraçar pela cintura. O frio que eu tinha percebido antes agora havia sido totalmente cortado pelo calor do corpo dele, um calor que conseguiu envolver completamente meu corpo e tirou todos os calafrios presentes nele, mesmo que tenha conseguido manter a aceleração cardíaca e uns pequenos arrepios pela revelação misturada ao contato.

— Olha, já que você nunca falou isso pra alguém e agora a gente é amigo, você pode conversar comigo sempre que se sentir assim. — ouvi a voz dele rente ao meu ouvido, dando uma estranha potencialidade à minha sensação de aconchego.

— Então eu vou ter que falar muito com você. — o respondi enquanto apertava mais o abraço, aproveitando o momento para apoiar minha cabeça em seu ombro, conseguindo sentir um agradável cheiro vindo dele.

— Considere que eu sempre vou estar disponível pra você. — Pac falou mais baixo, porém pela proximidade eu ainda conseguia ouvir claramente.

— E só pra avisar, se você não me segurar eu vou muito cair em cima de você. — antes que eu pudesse falar algo ele deu um adendo, em um tom de voz risonho, me fazendo rir com isso.

Percebi que quando intensifiquei o meu aperto ele acabou perdendo um pouco do equilíbrio que mantinha nos joelhos, e agora praticamente estava quase caindo em cima de mim, sendo eu o único apoio que ele ainda tinha.

Cuidadosamente fui levando meu corpo mais a frente, no intuito de fazer com que ele conseguisse “aterrissar” melhor na cama, dando uma base de equilíbrio. Percebendo que havia feito isso, lentamente fui me desabraçando dele, só para me certificar que tudo prosseguia bem.

Durante o processo de afastamento, travei em certo ponto e fiquei analisando o rosto dele, ainda com um pouco da coloração avermelhada que eu tinha visto na primeira vez que nos abraçamos, inconscientemente nos deixando na mesma posição daquele momento. Do mesmo modo, com os rostos ainda com grande proximidade e um arrepio percorrendo o corpo, observei a expressão confusa no rosto dele, mas que parecia ter vontade de rir em seu interior.

Eu quis lutar e dizer pra mim mesmo que não queria beijar ele e que isso era só o meu corpo tendo reações na hora errada, mas ao sentir meu rosto esquentando novamente e a vontade voltando pra mim, tive novamente que me matar por dentro e segurar essa coisa estranha que surgiu dentro de mim, misturando a vergonha pela minha falta de consciência.

Exteriormente evitei olhar novamente pra boca dele, me matando pra focar apenas nos olhos e unicamente neles, não deixando nada me desviar. Porém, quando percebi uma breve desviada do olhar dele para baixo, tive que morder minha boca com certa força, para que eu não fizesse nada estúpido por impulso.

— Obrigado por não me deixar cair. — após nosso longo tempo em um silêncio gritante dentro de mim, ele acabou novamente fazendo aquele cômodo ter algum som, de certa forma me aliviando.

Seu rosto se abaixou por completo agora, era como se ele tivesse decidido do nada ficar olhando para as nossa pernas, enquanto finalmente percebi que ainda o segurava pela cintura, e que talvez fosse isso que ainda o prendesse perto de mim. Decidi soltá-lo de um lado, mantendo minha mão firme a ele apenas em um, percebendo que ele escondia uma vontade de rir enquanto estava com a cabeça baixa.

Eu não sabia mais o que fazer, aquilo tinha se tornado pra mim um momento completamente desconfortável, mas que ao mesmo tempo me dava vontade de rir, como ele.

— Agora eu fiquei com frio. — comentei isso com ele, que voltou a me olhar. Talvez houvesse um sentido duplo nisso, sendo um deles pela nossa “separação” e o outro finalmente por eu ter percebido a temperatura do ambiente.

— Agora você aceita o cobertor? — perguntou demonstrando seu sorriso, me olhando bem no fundo dos olhos.

— É... eu acho que aceito. — eu me enrolei até demais pra falar uma simples frase, mas acabei sorrindo sem um motivo aparente.

Eu estava aos poucos retirando minha outra mão dele, aceitando que novamente, por pouco, eu não tinha feito idiotice alguma. Porém, em um súbito movimento, senti a mão quente dele pegando ao lado de meu rosto, rapidamente me puxando pra mais perto de si. Eu não conseguia de forma alguma explicar o quão rápido meu coração bateu naquele momento, ainda mais quando recebi um longo beijo na bochecha, que me fez involuntariamente fechar os olhos com força, além de causar uma desregulação jamais vista na minha respiração. Minha reação básica era nenhuma, era basicamente não saber o que fazer e ficar paralisado, apenas o deixando permanecer ali quanto tempo ele quisesse.

 

Continua...


Notas Finais


Eh isto
Vlw pela leitura e volte sempre <3


Recado pro mundo: Void é muito amor da minha vida, sdds </3
~Tia Gab, volta a matar minha sede de Aloid, por favor ;-;


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