História He Is Just a Killer, Right? Wrong. - Capítulo 3


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Categorias Five Nights at Freddy's
Personagens Jeremy Fitzgerald, Mike Schmidt, Personagens Originais, Phone Guy, Purple Guy, Springtrap
Tags Five Nights At Freddy's, Jeremike, Purple Guy, Purplephone
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Palavras 5.531
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esses dias eu tenho finalmente chegado no melhor ponto dos meus estudos, onde eu não preciso passar noites e mais noites apenas focando em algo esquecendo tudo o que está ao redor. Sentia muita falta de escrever, e principalmente da história que eu criei sobre um jogo de computador. Eu ainda quero muito dar o final que essa história merece, mesmo que eu tenha pensado que o final já foi dado na outra história com o Jeremy de personagem principal. No entanto, ainda assim, quero que todos saibam da história de William e como tudo ficou após aquele final aparentemente feliz.
Quero agradecer muito a todos os que esperaram até agora para que eu lançasse esse capítulo (o que, sinceramente, não era o que eu merecia), e eu presenteio vocês com o capítulo que talvez também não seja tão feliz assim..
boa leitura sz

Capítulo 3 - Scott


Fanfic / Fanfiction He Is Just a Killer, Right? Wrong. - Capítulo 3 - Scott

Mais um dia de um trabalho duro para o mais profissional funcionário, Scott, que tentava o máximo que podia continuar seguindo com sua vida mesmo com a grande quantidade de fios brancos que apareciam em seus cabelos e denunciavam que sua morte estaria ainda mais próxima. 

E, de acordo com seus hábitos de vida, Scott começava aos poucos a acreditar que não viveria por mais muito tempo. Não que ele se importasse, obviamente. Havia perdido aquele do qual mais amava. Ele se foi. E, mesmo que seu jovem Scott que ainda mantinha por dentro tentasse o convencer de que ele era uma pessoa ruim e que Scott poderia viver bem melhor sem ele, essa não era a verdade. 

Ele foi o único que conseguiu induzir Scott para que vivesse uma vida longe das linhas retas, uma vida de riscos. 

Scott gostava disso. 

.   .   .

Um copo cheio da bebida mais barata, deixando pequenos rastros molhados no balcão daquele boteco. Um boteco que fosse o mais distante possível de Mahogany. Um bar era tudo que William conseguia ter naquele instante, após ter deixado a pobre mulher sem respostas, sem saber o que poderia ter acontecido com quem ela conhecia e gostava, ou quem ela pensava conhecer. 

O sentimento de culpa vinha em momentos mais inoportunos, e, dificilmente, ele chegava a partir. Ainda que as bebidas e as risadas que os amigos ao seu redor lhe davam, sua cabeça sempre estava em outro lugar. A pele negra cheia de cicatrizes, marcas causadas pelo seu pai, fazia até com que as garotas que chegavam vez ou outra pensassem que ele era um lutador ou algo do gênero. Como consequência, William se tornou o mais sexy do lugar. Foi a única conquista que teve a vida toda. 

— E aí, cara — o rapaz rechonchudo de pele escura se aproximou de William com um jornal nas mãos, chamando a sua atenção. Eles eram amigos mais próximos ali, mesmo que o rapaz nem soubesse o nome real de William mas o outro soubesse o dele — Então, tem um lugar bem legal para 'tu' arranjar um ganha-pão, se liga — anúncios de emprego. O negro achava que isso nem existia mais. Mas talvez, após um bom tempo, William podia ter finalmente uma oportunidade. 

Uma pizzaria. O anúncio de emprego era para que William trabalhasse em uma pizzaria, de segunda a sexta, provavelmente sozinho, enquanto apenas servia para vigiar o local e garantir que a segurança chegasse a ele. O salário era razoável, e William poderia viver muito bem com ele. Para ele, já era muito. 

— Se eu não me engano, eles aceitam até pessoas que não têm nenhuma experiência. É a chance de uma vida melhor, cara — William sorriu de canto, chegando a concordar — Nesse domingo, duas horas da tarde, vai ter uma reunião lá. Você tem que ir se quiser garantir sua vaga. 

William estava finalmente determinado a fazer isso. Estava, enfim, determinado a fazer algo. Sua mãe cristã acreditaria ali que aquele era um plano de Deus, e de que William conseguiria um bom trabalho, amigos, e a esperança de um futuro melhor. 

William não iria decepcioná-la. 

.   .   .

Afton pôs-se a se vestir mais formalmente para que mantivesse uma boa impressão. Era a primeira vez em tempos que se importava com isso de verdade. Poderia ser o primeiro emprego decente que arranjaria, então William tentaria ao máximo agir como mais um funcionário normal e não chamaria a atenção de modo ruim, e, para que também evitasse que coisas ruins acontecessem, focaria mais em seu trabalho do que em outros funcionários. 

A sala de reuniões dos funcionários — sejam eles veteranos ou que estavam tentando conquistar uma vaga — estava um pouco mais cheia do que William esperava, mas, para sua própria sorte, nunca teve medo de qualquer concorrência que fosse. 

— Boa tarde, senhores. É um prazer imenso tê-los aqui — um homem de traços asiáticos e roupas extremamente formais entrou no local, com uma pilha de papéis para que fossem largados em uma mesa. 

Quando todos tiveram a noção de que aquele rapaz seria o que teria maior voz naquela sala, todos passaram a escutar atentamente. Com exceção de William, que, tinha sempre a mania estúpida de prestar atenção nas coisas erradas, e, essa coisa errada era o próprio rapaz. William prestava mais atenção nele do que qualquer outra coisa, e percebia até o seu próprio nervosismo disfarçado de confiança e autoridade.

Assim que se aproximou a sua vez de ter a voz, William falou maravilhosamente. Mesmo que não tivesse prestado atenção em todo o lenga-lenga anterior, ele ainda conseguia conquistar a atenção dos outros, inclusive daquele rapaz de olhos puxados. Ele até sorria em alguns raros momentos em que William fazia piadas curtas, apenas para mostrar que não era tão robótico como parecia ser. 

— Certo, iremos manter contato com vocês assim que a nossa decisão estiver feita — todos se recolhiam da sala de reunião aos poucos, William praticamente fingia que estava fazendo o mesmo, mas apenas enrolava para que tivesse um momento pra que conversasse com ele a sós. Ele organizava os seus pertences e também estava prestes a deixar a sala, até que Afton o interrompeu rapidamente, antes que isso ocorresse. 

— Oi, Scott — o outro se surpreendeu, e antes que ele perguntasse como sabia de seu nome leu o próprio crachá preso no uniforme e revirou o olhar — Que reunião, hein? Consegui sentir de longe o seu nervosismo — Scott arregalou os olhos, enquanto William sorria tentando esconder o quão cínico era. 

— Nervoso? Sim! Não! — William ergueu uma sobrancelha — Eu não.. eu não estava nervoso, eu só estava.. confiante ao extremo! Pode ser confundido com nervosismo — Scott empilhou suas coisas nos dois braços, as aproximando para perto de si. 

— Não, na verdade eu acho que são duas coisas completamente diferentes — William continuava sorrindo abertamente, mostrando todos os seus dentes de modo com que parecesse mais sincero, e não trazesse mais constrangimento ao outro. 

— Sim, eu sei, mas.. — Scott disse baixo, mas depois voltou com sua postura e se distanciou de William, para que alcançasse a porta — Enfim, esqueça, eu vou manter contato com você, senhor David, se é isso que deseja saber. 

— Não, não, eu só.. queria dizer que você foi ótimo — Scott arqueou as sobrancelhas — Sabe, você liderou muito bem. Não houve motivo para que ficasse nervoso. — Scott sorriu de modo cordial, não como um amigo próximo, mas sim como uma pessoa educada. 

— Obrigado, David. Agora volte para casa, não há mais necessidade de ficar aqui — ''casa.'' William suspirou. Realmente, não havia motivos para estar ali, mas também não havia motivos para que ficasse naquele bar. David era um bom disfarce, mas se havia uma coisa que ele não conseguia esconder, era a sua frustração eterna. 

— Certo. Até depois, eu espero. 

.   .   .

Não levou tanto tempo para que William fosse chamado para trabalhar em seu primeiro dia na pizzaria. Sua carisma e sua suposta seriedade e paciência para exercer uma função da qual nunca exerceu antes chamou a atenção de todos os seus superiores, inclusive de Scott. A possibilidade de Scott ter sido um dos que concordaram para que William, ou melhor, para que David fosse contratado, trazia um sorriso involuntário para seus lábios. 

O lugar não era cinco estrelas no ponto de vista de qualquer um que entrasse ali em seu primeiro dia, mas para William, era bem melhor do que qualquer coisa que esperasse. A simplicidade já era uma velha amiga, e com isso, não esperava por coisas enormes que pudessem o receber. Mais uma coisa da qual ele não se importava de fato. 

— Ah, você chegou — Scott o recebeu assim que viu o seu carro parado no estacionamento quase deserto, na verdade, o carro que seu amigo havia emprestado para que tudo corresse bem como deveria — Você não precisava ter vindo tão cedo, David. — Scott trazia uma caixa nas mãos, e do jeito que a segurava e encarava William ao mesmo tempo, o mais novo funcionário suponhava que aquilo fosse para ele — Bem, mas já que está aqui, queira entrar, por favor. 

William deixou o veículo e acompanhou em silêncio o seu possível superior. Scott falava o tempo inteiro mas o outro não prestava muita atenção sobre o que se tratava. Só conseguia checar o seu comportamento, e como iria conseguir tirar proveito daquele homem que tentava ao máximo dar boas impressões. 

— Bom, nessa caixa contém seu uniforme e suas chaves. Assim que entrar, siga o corredor perto das escadas e encontrará o banheiro masculino, você pode trocar-se lá — William parou para analisar os seus mais novos pertences enquanto ele continuava a falar as coisas necessárias que todo funcionário novo deveria saber. 

Havia um uniforme de guarda-noturno com um crachá escrito ''Dave'', uma camisa de botões roxa-escura e uma calça social também da mesma cor. Junto com alguns suspensórios, também havia uma gravata borboleta preta. William riu baixo ao ver seu uniforme, provavelmente ficaria muito charmoso usando tais vestes. 

— Meu uniforme é roxo? — Scott virou o rosto para encará-lo, enquanto William comentava com sorrisos no rosto tentando ao máximo fazer com que o outro não se sentisse constrangido com sua presença — Uma cor bem diferente, huh?

— Bom, as outras cores de uniformes, como a minha por exemplo — Scott apontou com o olhar para suas próprias roupas, que eram azuis —  não estavam disponíveis no momento. Eu espero que não se importe. — O uniforme era muito bonito, pelo menos no seu ponto de vista. William nunca pensou que teria um uniforme de um trabalho de verdade, até com um crachá de acompanhamento, por isso mesmo, não reclamou nem um minuto. Mesmo que houvesse um nome que não fosse nem um pouco igual ao seu escrito nele. 

— Está tudo bem, eu gosto dessa cor. — William sorriu satisfeito e pegou seu uniforme dobrado, indo em direção ao banheiro masculino para que se trocasse. As chaves que vinham junto do uniforme possuia a entrada de cada uma das salas que existiam na pizzaria, e William sabia a partir dali que teria uma longa jornada para descobrir todo o local e toda a sua história.

William sentia-se bem mais confiante vestindo aquele uniforme, longe de suas roupas e jeans surrados que chegava a vestir quase todos os dias. Já fazia muito tempo que não cortava seu cabelo, e teve ideia disso quando se olhou no espelho grande que estava próximo a pia. Na verdade, já fazia muito tempo que ele sequer se olhava no espelho. Nunca pensou estar com um rosto tão cansado, e, mesmo sem entender, se perguntou o que Scott teria achado de sua aparência. 

Antes que ele fizesse mais observações, Scott entrou no banheiro com um ar de distração, parecendo nem perceber que ele estava ali encarando o seu próprio reflexo. Ele trazia um balde com alguns produtos de limpeza, facilitando o trabalho de seja lá quem estivesse por vir daqui a algumas horas. Até quando ele estava sozinho com si mesmo, ele tinha uma expressão séria. 

— Então quer dizer que nós vamos trabalhar juntos — William se preocupou mais com a aparência do que antes assim que vira seu próprio reflexo, e assim que Scott entrou. Não poderia ser algo normal, porque a última vez que fez isso, foi quando conheceu Mahogany — Vai levar um bom tempo para que eu atinja o seu potencial. 

— Talvez não — Scott jogou as luvas anti-bacterianas dentro do balde e encostou-se na parede do banheiro, a medida em que encarava William pelo reflexo do espelho. Ele tentava esconder seu cansaço, mas parecia que ele estava acordado há uns bons dias — Digamos que eu vou trabalhar dentro, e você fora. Pode ficar mais fácil de entender. 

— Deve ser legal ter o seu próprio escritório! 

— Não é tanto, a sua função é bem mais fácil, eu garanto — Scott chegou a encarar fixamente o novo funcionário pelo reflexo, parecendo perdido com suas lembranças — Você não sabe o que nós temos de passar quando estamos no escritório. — assim que William se calou, Scott viu que pôde ter despertado a curiosidade dele, decidindo mudar de assunto — Eu acho que.. o roxo fica melhor em você do que o azul — Scott sorriu e William o encarou boquiaberto, enquanto ele deixava o banheiro masculino com passos calmos. 

Há pouco tempo atrás William pensava que estava exatamente igual a um morto-vivo, mas ele logo aparece e lhe prova do contrário. Era muito difícil receber elogios ultimamente, e isso foi o bastante para que ele nem se olhasse no espelho em momento algum, mas aquele simples elogio conseguiu se tornar especial por alguma razão. 

Talvez só quisesse impressionar o seu novo chefe. 

.   .   .

Mesmo quando esteve distante de Mahogany, William nunca sentiu-se tão solitário como se sentiu naquela pizzaria, fazendo seu trabalho noturno. Não estava assustado mesmo que estivesse escuro como uma caverna, mas ainda assim, sentia-se sozinho o bastante para que checasse em cada sala se havia alguém. 

Sua ideia brilhante foi visitar o seu mais novo amigo que sempre se concentrava bastante no seu trabalho, quando não havia nenhum William ou David por perto para incomodá-lo. Mas, infelizmente, teria logo ali. William pôs seus olhos em uma das câmeras e acenou. Quase conseguiu sentir o susto de Scott, mesmo que não desse pra ver. 

— Oi!

Nem pensou direito, sendo logo puxado para que entrasse na sala de vigia junto de seu colega. O escritório, para William, era um milhão de vezes mais bonito do que o resto da pizzaria onde passava a maior parte de seu tempo. Scott estava suando muito, como se estivesse fugindo de algo, ou.. bem, algo que apenas a mente suja de William pensaria. 

— Você não pode ficar me assustando desse jeito! Ficou maluco? — William suspirou, primeira bronca logo no primeiro dia, não era nada bom. De qualquer modo, tentou sorrir novamente para ele. 

— Eu não queria te deixar sozinho, japa!— Scott revirou o olhar, impaciente e sem acreditar que ele estava ali mesmo —  Estava muito escuro, provavelmente se você fosse sequestrado eu nunca iria saber! Seria melhor eu te fazer companhia pra te ajudar, não acha? 

— Ah, por favor, eu não sou tão asiático assim — Scott basicamente não ouviu nada do que foi dito nos últimos três segundos além da palavra ''japa'', dessa vez, foi William que revirou os olhos sem acreditar. 

— É claro que é, Scott! Você tem os olhos meio puxados, uma pele meio amarelada — William se ergueu para que pudesse analisar melhor as feições de Scott, apoiando uma mão na coxa dele enquanto o encarava, nem tendo noção do quão desesperado ele estava. 

— David, eu estou no meio de uma vigia, você não pode se mover dessa forma perto de mim! — Scott afastou levemente a tela de vigia para que focasse no homem que não tinha nenhuma noção do perigo naquele instante — Volta para o seu lugar, David. Agora. 

— M-Mas.. 

— Eu não preciso da sua ajuda. — William abaixou o olhar, em meio àquelas palavras sérias. — Vá logo, por favor — Scott agora poderia ter certeza de que seu colega de trabalho era mesmo um maluco, que preferia ter medo do escuro do que trabalhar sozinho. 

— Eu fui na lanchonete, você quer um sanduíche? — Scott parecia ter certeza de que William não iria notar as suas risadas, mas ele conseguiu, e também teve de conter as suas. 

— Não, Dave. Eu não quero. Agora, por favor, volte ao trabalho. Você é de minha responsabilidade, e eu não quero que nada aconteça com você, entendeu? — William assentiu rapidamente com a cabeça, deixando logo após o escritório de Scott e correndo para que voltasse ao seu posto. 

A medida em que tentava não chamar a atenção com seus próprios passos pela pizzaria, observando as folhas rabiscadas por crianças nas paredes, William podia ter certeza de somente uma coisa o tempo inteiro. 

Era a primeira vez em que ele sentiu uma vontade verdadeira de rir, em um bom tempo.

.   .   .

William chegou até a se esquecer de que tinha uma foto de Mahogany em sua carteira. Uma pontada de dor pela saudade chegou, e quase sentia-se arrependido por tê-la deixado. Mas, algo dentro de si, fazia com que todos acabassem se afastando no fim. Alguns diziam que era algo que dependia de seus atos, mas William acreditava que nasceu com essa maldição. 

— Oi — uma voz calma ecoou atrás de si, de um japinha em especial que esteve lhe fazendo muito bem nos últimos dias — Namorada? — Scott indagou quando viu que ele estava segurando a foto, fazendo com que William a guardasse rapidamente em seu bolso, como da outra vez. 

— Costumava ser. Eu a deixei porque.. ela era muito para uma pessoa como eu — Scott puxou uma cadeira e se sentou perto dele, a sala de reuniões estava vazia. Era uma manhã nublada. Não havia motivos pra ficar. No entanto, William agradeceu por ter ficado naquele exato momento, pois Scott havia lhe dito algo que jamais esqueceria. 

— Você sempre será bom o bastante para amar alguém, Dave. Mesmo com que tudo ao redor faça parecer com que isso não dê certo, talvez em uma outra vida, vocês ficarão juntos para sempre — William sorriu envergonhado, ainda que também tivesse concordância — E, bem, acho que sinceramente é melhor você se livrar dessa foto. 

— Só não me livro porque eu que tirei.

— Você deveria tirar uma foto comigo também! Faz eu me sentir importante. — Scott sorriu, gabando-se por basicamente nada demais.

— Você é importante. Mas sinto muito, só tiro foto com pessoas que eu durmo. — William sorriu maliciosamente, olhando para um Scott boquiaberto ao ver suas intenções — Mas talvez não seja por isso..

— Meu Deus, cala a boca e tira logo essa foto! — a máquina fotográfica instantânea da pizzaria finalmente servia para algo, sendo aquela foto a que Scott sempre guardaria — Pronto, foi difícil?!

— Na verdade foi. Minha cara deu câimbra de tanto segurar o sorriso. — William continuou sorrindo, mesmo quando seu colega revirou os olhos.

.   .   .

— Posso saber onde você conseguiu esse rádio, senhor David? — Scott indagou com os braços cruzados, enquanto observava William pôr o rádio em cima de uma das caixas empilhadas no porão sujo — Pelo amor, pra que trazer isso, afinal? — ele ergueu as sobrancelhas e mordeu os próprios lábios. 

— Esse lugar precisa de mais diversão para os adultos! Apenas crianças podem pintar e bordar, e quanto a mim? — Scott conteve a vontade de soltar uma piada, que provavelmente faria com que o outro lhe desse um olhar mortal. 

— Podíamos nos divertir enquanto trabalhamos, o que acha disso? 

— Shh, shh, apenas escute — William aumentou o volume do rádio de modo com que ele pudesse escutar melhor a melodia que soava dele — Essa é uma das minhas músicas favoritas — o trabalhador mais recente começou a remexer seu quadril na tentativa de uma dança que era febre naquela época, enquanto Scott o encarava desacreditado. 

— Essa música é terrível, eu não gosto. 

— Então você tem um terrível gosto para músicas, meu amigo — Scott pareceu ofendido, enquanto se aproximava para olhar melhor o rádio velho, e tentar adivinhar quantos anos ele tinha — Quando você segue os passos de dança que vem na sua cabeça assim que escuta essa música — Scott o encarou intensamente, enquanto ele fechava os olhos e tentava aproveitar a música harmoniosa — Ela se torna ainda melhor — William ergueu a mão pra ele e sorriu, assim que abriu seus olhos escuros como a noite — O que acha? 

— Eu não vou dançar isso — Scott despertou de seus pensamentos e se dirigiu até as escadas, pronto para subi-las — E se quer saber de uma coisa, podemos sim nos divertir aqui, mesmo que ambos sejamos dois funcionários e não clientes — William sorriu desdenhoso e cruzou os braços fortes sobre o peito.

— Pode me dizer como? 

— Podemos.. — Scott ficou em silêncio por alguns segundos para pensar, enquanto focava no olhar de dúvida do outro, que sabia que ele não teria argumentos. Mais uma vez, William teve razão — Tem razão, não há o que fazer nessa bugiganga, mas podemos fazer algo bem interessante como trabalhar. 

— Você é um velho chato. — William gemeu. 

— Você é a única pessoa que eu deixo me chamar assim, definitivamente — Scott pegou os óculos para que conseguisse enxergar melhor aquelas letrinhas nos papéis, encostando-se nas escadas — Pra quem está aqui já faz mais ou menos três semanas, você está bem soltinho, não acha? — comentou sem tirar os olhos dos papéis. 

— A tendência é piorar — Scott mordeu o lábio, rindo, enquanto William rodopiava em algo que ele chamava de dança, mas estava longe disso. 

— Meu Deus — o outro se aproximou rapidamente e tirou os óculos de seu rosto, se inclinando atrás de Scott para que lesse o que estava escrito nos papéis — Pra sua sorte, hoje você vai ser meu colega de trabalho. Digamos que eles vão precisar que você esteja por perto para me ajudar, eles até colocaram outro no seu lugar. — William controlou fortemente os seus pulos de felicidade — Maas, se me perturbar como da outra vez, eu te mato, tá me ouvindo? 

O afrodescendente concordou com a cabeça rápido o bastante para que ele achasse a empolgação de William um exagero. De fato, ela chegava a ser. Nem mesmo Afton sabia porque gostava de trabalhar mais perto de Scott do que dos outros. Scott era sua fonte de inspiração e ele não tinha nem ideia disso, talvez, Scott tenha sido a única pessoa da qual ele admirou em muito tempo. 

— Bem, então esteja pronto. 

— Eu vou estar, Scottie! Vai dizer que não confia em um rapazinho como eu, que não faz mal a uma mosca sequer? 

— É claro que eu confio, Dave — Scott sorriu genuinamente, se preparando para que subisse as escadas e organizasse todo o resto da pizzaria — Acho até que está se tornando melhor do que eu nisso. 

— Isso seria impossível — o seu superior encarou William fixamente, enquanto tentava sem muito sucesso esconder um sorriso. Provavelmente ele ouvia esse tipo de elogio todos os dias, mas isso importava mais quando vinha dele, por algum motivo. Talvez seja porque William dificilmente admitia que alguém conseguia ser melhor do que ele em algo, ou simplesmente.. — Caramba, eu estou com falta de ar, acho que dancei demais, não é? — falou rindo. 

— Dave, eu.. — Scott desviou o olhar por uns instantes, depois voltando a olhar para ele e vendo que ele continuava sorrindo — Eu acho que eu deveria ir agora. 

— Era isso que ia dizer? — o afrodescendente riu e se aproximou dele, perto o bastante para que Scott se afastasse um pouco, não muito, pois não era bem isso o que ele queria — Parece que quer me dizer algo importante. — o tom de voz que ele fez ao dizer tais palavras fez com que Scott sentisse seu corpo estremecer — Você anda meio estranho, Scott. 

— Desculpa, eu.. não estive falando direito com você esses dias, é porque eu.. — Scott o encarou e esperou que ele adivinhasse o que estava em sua mente, mesmo que isso não fosse possível como ele imaginava. Mas, William sempre parecia conseguir decifrá-lo, então não poderia ser diferente agora, poderia? 

— Eu acho que consigo te entender agora. 

— Sério? Que bom. Sabe, eu não queria que você pensasse que eu estou escondendo alguma coisa ou algo do tipo e, sabe.. — William teve de reunir coragem para que fizesse o que estava prestes a fazer. Com a coragem que conseguiu ter, segurou o rosto dele com as mãos e o beijou. 

Diferente de todas as outras pessoas que beijou anteriormente, quando todas elas lhe lembraram Mahogany, Scott simplesmente não lhe lembrava ninguém. Ele era apenas o Scott. Quando o seu coração começava a se aliviar, William via que era exatamente disso que ele precisava, mesmo que fosse estranho aos olhos de qualquer um que visse. 

A primeira reação de Scott foi melhor do que ele esperava, quando ele abriu passagem para que aquele simples beijo que William só experimentava esquentasse. William puxou as pernas dele para que as envolvesse em sua cintura e sentou-se na primeira mesa que conseguiu sentir às cegas, enquanto sentia o melhor beijo de sua vida. Mesmo que tudo fosse mudar após sua decisão, William não se importou. Apenas queria senti-lo mais vezes. Apenas queria estar dentro dele. 

— Meu Deus — Scott se levantou rapidamente para que William pudesse perceber, por conta de sua mente que parecia ter se enchido de neblina e o impedisse de pensar direito — Isso é muito errado, caramba.. que merda foi essa? A gente quase ia.. 

— Você falando palavras feias? Que surpresa, Scott. 

— Isso não pode acontecer nunca mais. Porra, porra! Eu tenho uma namorada, David! — aquelas palavras foram o suficiente para que a consciência de William voltasse e ele franzisse o próprio cenho. 

— Namorada?! Então o que foi isso nos últimos trinta segundos?! 

— Me pergunto o mesmo — Scott passou os dedos pelos fios de cabelo — Eu não sei porque isso aconteceu. Mas isso é uma merda totalmente errada. Já imaginou o que as pessoas ao redor vão pensar se descobrirem disso, David?! 

— Sinceramente Scott, nessa altura eu não me importo nem um pouco. 

— Pois deveria. Provavelmente foi a bebida que você me deu que me fez ficar louco o bastante para beijar você da forma que estávamos nos beijando. — William riu, mas dessa vez, ele não achou as palavras de Scott nem um pouco engraçadas. 

— Cala a boca, Scott. Sério. Cala a boca. Nunca pensei que conseguisse falar tanta merda de uma vez só. — William se levantou rápido e pegou tudo que lhe pertencia no porão. Não se importava se perderia o emprego, mas ele certamente não estava bom para trabalhar hoje.

— Isso não pode se repetir. 

— Quer saber? Eu acho que concordo com você, seu filho da.. — William suspirou, sem conseguir o xingar assim que o olhou de costas para ele. Somente subiu as escadas mais rápido que podia, saindo antes que mais algum funcionário o perguntasse o motivo de estar partindo quando seu turno ainda não havia sido encerrado. 

.   .   .

Ficar um tempo considerável em seu local de trabalho foi o suficiente para que William sofresse com alucinações, alucinações das quais não comentava com ninguém. E como poderia? Além de não querer olhar mais nos olhos de Scott que não passava de um retardado confuso, ninguém mais se importaria com suas fraquezas.

Passar um tempo nas ruas fez com que William tomasse maiores medidas de segurança, como trazer um canivete em seu bolso todos os dias sempre que estivesse fora do bar. Nunca havia usado de verdade, apenas intimidou as pessoas, mas começou a ter o hábito de cortar-se, cortar as próprias mãos de vez em quando. Ver o sangue que escorria pela pele negra o relaxava. Era como o paraíso. 

William pensava, cada dia mais, que era uma pessoa doente. 

— O que aconteceu com suas mãos? — a verdade viria querendo ou não, e quando ela chegou, passou primeiro por Scott. William tentava esconder qualquer sensação forte que queria escapar pelo seu peito sempre que via ele, sempre que ele falava, e sempre que ele se aproximava — Está me ouvindo? 

— Não aconteceu nada. 

— Está sangrando, deixa eu ver — Scott segurou a mão dele e olhou para os cortes, suspirando fraco — Eu vou pegar a caixa de primeiros-socorros. — William sorriu, revirando os olhos. 

— Que bela pessoa você é — Scott ignorou. Pegou vários curativos, cobrindo as palmas de ambas as mãos de William enquanto ele o encarava e tentava o atingi-lo de alguma maneira, seja com um olhar de desdém ou piadinhas que soltava. Mas, não adiantava em nada — Como vai o casamento? 

— Está terminado, David. Agora quer calar a boca e me deixar cuidar de você? — William puxou as mãos fortemente para ele, de modo com que quase empurrasse o outro — Vai continuar irritado por quanto tempo mais?! É só me falar, que eu marco no calendário o dia em que você vai deixar de ser um.. — Scott suspirou. 

— Você só precisa dizer. — William o encarou, com os olhos cerrados, esperando para que ele falasse todos os dias — Eu consigo perceber, Scott. Você só.. precisa dizer. 

Scott não demonstrou reação nenhuma. 

— Até, amigo. — William passou esbarrando em seu ombro, satisfeito em deixar a pizzaria assim que seu turno se finalizou. 

.   .   .

As paredes dos corredores possuíam riscos feitos com gizes de cera, obras de crianças bagunceiras que passavam mais tempo brincando do que comendo. William não poderia negar que também já foi uma criança, mas simplesmente não entendia bem, até porque, sempre foi uma criança muito quieta e introvertida. Scott, definitivamente, era bem menos paciente para que ajudasse com a limpeza. Mas, William tinha muito mais raiva guardada.

— Bom, pelo que eu consigo me lembrar, esse trabalho não é nosso! — Scott desabafava, com as sobrancelhas franzidas enquanto esfregava as paredes e aguentava o silêncio do outro — Não devíamos nem estar fazendo isso, não sei qual é a deles. 

William continuava esfregando as paredes, enquanto fingia não escutar todas aquelas palavras revoltadas de um branquelo com as mãos sujas. Quando havia terminado de limpar a sua parede, deixando-a melhor do que antes mas ainda assim não perfeita, sentou-se no chão decorado como um tabuleiro de xadrez. 

— Eu já deveria ter te falado, Dave — Scott murmurou assim que levantou-se para que conversasse seriamente com ele, como já não conversava. Scott não se lembrava de uma vez que William o encarou tão fixamente, com os olhos ainda mais escuros — Eles vão.. te transferir, para uma pizzaria em uma outra cidade. Eles disseram que precisavam de um profissional por lá, pois é um novo estabelecimento e as coisas precisam se ajustar — Scott tentava não mostrar tristeza ao falar — Amanhã eles te levarão no local, então já pediram que você organizasse seus pertences para que.. 

William se levantou, em silêncio, ainda com a mesma expressão. Scott sentia ainda mais tristeza sendo encarado por ele, se lembrando daquela antiga sensação quando ele se aproximava assim tão perto como fez ali. 

William segurou o rosto dele com uma das mãos e deu um beijo demorado em sua bochecha, pegando a mochila que estava em um canto do corredor e dando uma volta pelo asiático para que fosse embora. Scott suspirou. Deveria brigar com ele agora, mas sabia que não era isso que queria. 

— Por que fez isso, Dave? — Scott não estava pronto. Não estava pronto para trabalhar sozinho, não estava pronto para não ouvir músicas as três horas da madrugada, não estava pronto para ficar sem comer torradas sempre que o turno acabava, mas estava menos pronto para que ele fosse. 

— Porque eu nunca mais quero ir embora bravo com você. 

.    .    .

Scott finalmente arranjara um momento em meio ao seu turno trabalhoso e cansativo para que fizesse uma ligação rápida, assim que descobriu o número de telefone de Jeremy Fitzgerald. Precisava ter contato com pelo menos uma pessoa que fosse conhecida. Apenas uma pessoa já seria o bastante para que não enlouquecesse de vez. 

''Alô?''

— Jeremy?! Meu Deus, já faz muito tempo, eu sei disso, mas.. eu precisava tanto falar com você, Cristo.. — o outro lado da linha ficou silencioso — Onde está o Mike? Até mesmo as pessoas que trabalham aqui agora querem saber.. sinceramente, achei que nunca mais fosse poder falar com vocês outra vez..

''M-Mike? Você está falando do Mike Schmidt? Bem.. ele morreu já faz sete anos. Me desculpa, posso saber quem está falando?'' 

Scott perdeu o ar. Como ele poderia estar morto, e de maneira alguma Scott saber? As informações atingiam sua cabeça como tiros, o suficiente para que ele sequer conseguisse manter-se de pé, procurando uma parede de tijolos onde pudesse apoiar-se pelo menos o bastante para não cair ali mesmo. 

''Alô?'' 

— É o Scott. — respondeu entristecido, de maneira com que fosse possível perceber até por uma simples chamada de celular. — Já faz muito tempo, mas.. eu acho que você se lembra. 

''Scott! Eu sabia que essa voz não podia ser tão desconhecida. Você poderia me visitar um dia desses, sabe, não seria ruim.'' 

Scott cobriu o rosto com uma das mãos, a qual não segurava o aparelho celular. Deixou com que seu corpo deslizasse livremente em direção ao chão, enquanto não conseguia conter os soluços para que não preocupasse o rapaz do outro lado da linha. 

''S-Scott? Você está chorando? Eu.. me desculpa, eu não queria te dar essa notícia dessa maneira, mas.. está tudo bem. Está tudo bem agora. Mike fumava muito, ele acabou ficando doente. M-Mas.. a vida é dessa maneira, entende? As pessoas simplesmente vão. Ele está em um lugar melhor agora, não se preocupe.. acho que ele está bem melhor do que eu.'' 

— Por que eu nunca estou por perto, Jeremy?! Por que nunca estou por perto quando tragédias acontecem?! — Scott conseguia sentir mesmo por telefone o quão triste Jeremy estava agora, por ter de reviver esses momentos com lembranças — Ah meu Deus, você está bem, Jeremy? 

''Eu estou bem, Scott. Está tudo bem. Me faça uma visita, eu te insisto. E-Eu.. eu tenho que ir, eu vou retornar a ligação quando você e eu estivermos melhor do que estamos agora.''

Antes que Scott protestasse, Jeremy finalizou a ligação. Scott, guardando mais culpa em um lugar que já não tinha mais espaço, tinha até se esquecido do quão vulnerável o garoto — que já não era mais um garoto — era a qualquer tristeza. 

Assim como Scott se tornou. 

.   .   .

 



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