História He is (not) perfect - Capítulo 30


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Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Kiba Inuzuka, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shino Aburame, Toneri Otsutsuki
Tags Abandono, Colegial, Hinasasu, Jpop, Luud-chan, Naruto, Popstar, Sasuhina, Sasuhinabr, Slowburn
Visualizações 557
Palavras 7.086
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olaaaár, nenéns, adivinha só quem tá aqui, quarenta horas depois de atualizar o capítulo, editando as notas de forma decente? Pois é né. Aqui estou. HAHAHAHAHA

Geeeente, eu estou muito, muito feliz com o resultado da fanfic, chegamos a 900 comentários e a mais de 1k de favoritos e eu quase não posso acreditar que conseguimos! Nunca pensei que essa história faria tanto sucesso e tudo isso é por causa de vocês! Então, só posso agradecer. Obrigada de todo o meu coração!

Como devem ter percebido, infelizmente, eu ainda não consegui responder todos os comentários de vocês. Eu tô numa rotina muito louca, corrida, com a última semana da faculdade, e pra quem acompanha minhas outras fics, devem ter percebido o quanto eu ando escrevendo e atualizando, né? Então, peço desculpas e um voto de confiança pra que não desistam de mim e não fiquem chateados. Eu sempre leio tudo com muito amor e carinho, e pretendo responder assim que eu desafogar um pouco, ok? Obrigada pela compreensão. ♡


Agradecimentos a: NilmaUchiha, Marz12, fernandoolilima, Gi_Mi, Ladora, AmysChan, Andra2, Mariaclara484, _Android-Chan_, Raiora, Hime_dos_uchiha, GatiMatsushita, AnaAGarrafinha, _Skyfall, StellaSilveira7, MariaPark, Otaku-Blue, Ketlen-chan, Sayuri777Yume, PamelaA, valdineia, Carolcookies, nanamiraculousa, bentis, Biatin, Kimtaejink, Hyuga-Uchira, Yuki_Hikari, Danyste, Anna_Criss, Sofy193, Leleinuzukaa, Lia_sama, Hosuky_Tenko. Gente, muito obrigada por todo carinho e apoio, vocês são demais, só cheguei até aqui por conta de todo apoio e carinho que vocês vêm me dado ao longos desses três anos. Obrigada de todo o meu coração. ♡ Dou as boas-vindas aos novos leitores, sintam-se em casa e super à vontade pra sempre dizerem o que acharam. ♡

Também, tenho o prazer de dizer, que HINP foi revisada e está toda nos conformes, bem formatada, e espero que sem erros. Quem quiser reler, vai encontrar a fic toda bonitinha. ♡

O capítulo foi revisado, porém, eu estava MORTA de sono, irei revisar novamente quando tiver a oportunidade. É isso, boa leitura e até as notas finais!

Me sigam no Instagram: @devilwishess, aqui estou postando referências, músicas, os famosos aesthetics do tumblr, então convido todos vocês a darem uma olhada. ♡

Capítulo 30 - Capítulo 29: Conselho


HE IS (not) PERFECT

29: Conselho

 

— Você deveria ir com esse, Hina, ficou perfeito em você — Ino-chan elogiou assim que eu saí do provador. Estava experimentando roupas para a festa no hotel daqui algumas horas.

— Você acha? Eu estou em dúvida entre esse e o azul — perguntei com sinceridade, me olhando mais uma vez no espelho. Estava usando um vestido preto de alças que marcava minha cintura e acentuava os meus seios, ia até os joelhos, o decote era quadrado e havia detalhes dourados.

— Esse está muuuuuuuuuuito mais bonito do que o azul — Sakura-chan opinou assim que saiu do provador, ela também estava usando um vestido, mas era bem mais ousado do que o meu.

— Concordo com a testa, acho que o azul é muito garotinha, se é que você me entende. — Levantou do puff que estava sentada e andou até mim, afastou meu cabelo do meu ombro, jogando-o para trás e ajeitou as alças do vestido no lugar. — Você está linda nesse, confia em mim.

Me olhei no espelho outra vez e dei uma volta só pra ter certeza que seria esse o vestido, já fazia um tempo desde que eu tinha comprado algo para mim mesma e acabei cedendo ao luxo de comprar algumas peças novas. Principalmente por não ter trazido nada bom o suficiente para uma festa, me rendi aos caprichos das minhas melhores amigas e acabamos aqui no shopping.

— Vou vestir a minha roupa, vou ficar com esse mesmo — disse por fim e já entrei no provador. Já dentro dele, consegui escutar Ino-chan dizer:

— Vamos, testa, só falta você. Ainda temos que ir no salão, esqueceu?

Ri um pouco do ânimo de Ino para fazer todas essas coisas que envolviam se embelezar, admitia que eu também gostava um pouquinho, era bom sair da rotina de vez em quando. Sem contar, que estava ajudando a distrair minha mente bagunçada.

Eu tinha vindo o caminho inteiro de Nara até Kyoto pensando sobre Sasuke. Escutá-lo ao vivo foi muito melhor do que qualquer coisa que eu tinha imaginado, e ele me fez perder o fôlego a cada música que cantava. Havia aquela doçura e paixão que eu amava ver nele e que conseguia alcançar o coração da pessoa mais fria. Mas nada me preparou para a última música.

Uma pessoa muito importante na vida dele.

Juro que pensei que era para mim... Tive a arrogância de pensar que era pra mim. Fantasiei com a possibilidade de Sasuke estar apaixonado o mesmo tanto que eu estava por ele, que as coisas não fossem complicadas e não envolvessem os sentimentos de outras pessoas além dos meus. Porém, tudo caiu por terra quando ele admitiu na entrevista que não era pra mim, não tinha a ver com a garota do dia dos namorados. Senti meu coração afundar ainda mais no meu peito, enquanto Sakura-chan comemorava por saber que ela tinha uma chance.

Sabia que não aconteceria nada de bom assim que vi Sasuke chegando no hotel, desde aquele momento eu me sentia inquieta e mal conseguia me concentrar nas minhas próprias tarefas. Fiquei me perguntando o que ele estava fazendo ali, considerando que tinha um show para organizar.

Pensamentos tolos.

Só queria deixar pra lá, de verdade, fingir que nada tinha acontecido. Que nosso beijo nunca aconteceu e seguir em frente. Era melhor assim.

Terminei de vestir minha roupa e peguei os cabides com as roupas que eu tinha escolhido levar e deixei o restante pendurado no provador. Pelo jeito, tinha me perdido por tempo demais nos meus próprios pensamentos, já que Sakura e Ino-chan já me esperavam do lado de fora, sentadas nos puffs. Abriram um sorriso caloroso assim que me viram e fomos para o caixa pagar.

Depois disso, fui no salão e me permiti tomar conta de mim um pouco. Sakura-chan insistiu que ficasse por conta dela e como sempre, perdi a batalha antes mesmo de tentar convencer ela que não precisava. Já tinha vários meses que eu estava devendo para mim mesma uma hidratação e um corte nessas pontas duplas no meu cabelo, o que o cabelereiro acabou fazendo no final das contas. Uma manicure dedicada fez minhas unhas com cuidado e agradeci por ela não ter me arrancado nenhum bife no processo, lavar louça com os dedos machucados era horrível. Também me maquiaram no salão e fiquei toda bonequinha, como Ino gostava de dizer.

Peguei um uber junto com as meninas para o hotel, já era quase oito horas da noite quando chegamos. O tempo tinha passado voando, mal tinha reparado que já tinha anoitecido até pisar para fora do shopping, o que de certa forma, me deixou aliviada, já que isso significava mais tempo sem um certo alguém invadindo meus pensamentos.

Não pude deixar de notar como Ino e Sakura estavam inquietas, a festa deveria ser algo realmente importante e empolgante para as duas ficarem tão excitadas com algo simples.

— Vamos trocar de roupa, porque a festa já deve ter começado sem a gente! — Ino-chan saiu correndo para segurar a porta do elevador vazio que tinha começado a fechar. — Boraaaaaaaaaaa!

Dei uma corridinha para acompanhar as duas e dali dava para escutar as batidas animadas de uma música que tinha acabado de começar a tocar. Cantarolamos juntas e saímos rindo até chegar no quarto. Coloquei meu celular no carregador e liguei para ver se tinha mensagens importantes, havia algumas de Neji e outras de Hanabi.

“O seu avião sai 12h de segunda-feira. Tem certeza que dá tempo de você chegar em casa e ir para o aeroporto? Confirme, ok? Porque se você ver que não vai dar tempo, podemos trocar para mais tarde.”

Confirmei o horário, já tinha calculado o tempo que levaria de Kyoto até Konoha, e o trajeto de casa até o aeroporto. No final das contas, Hana preferiu deixar para ir visitar Neji-nii-san em outra ocasião, além da perna quebrada, na semana seguinte começaria seus testes e ela optou por ficar e estudar. Não iria julgá-la, porque teria feito o mesmo em seu lugar. Não pude me demorar muito vendo as mensagens enviadas por Hanabi, já que Ino não parava de nos apressar para se trocar logo.

Vários minutos depois, já estávamos no salão da festa. A música que tocava animava a pista de dança e eu já podia ver vários colegas se acabando de dançar, enquanto outros enchiam a cara de ponche. Eu já tinha sido alertada sobre a bebida batizada e preferi ficar só no meu refrigerante, diferente de Sakura-chan, que a primeira coisa que fez ao chegar foi encher um copo todinho. E adivinha? Nenhum sinal dos professores vigiando a “pequena” festinha. Surpresa eu não estava.

Deixei minha timidez de lado e aproveitei para dançar algumas músicas clássicas (tipo Thriller, do Michael Jackson) junto com Kiba-kun e Shino-kun — sendo que esse último apenas balançava a cabeça e batia o pé no chão, enquanto Kiba dançava como se a vida dele dependesse disso. Ino-chan se juntou a gente quando começou a tocar uns kpop que ela gostava e que sabia a coreografia de cor e salteado.

Eu já estava suada e com sede quando resolvi parar um pouco e beber água. Ino veio junto comigo e sentamos em uma das mesas. Belisquei um salgadinho que alguém tinha servido, enquanto observava o movimento animado dos meus colegas. Olhei em volta procurando por Sakura-chan, já fazia um tempo que eu não a via e considerando o tanto que ela estava bebendo, achei isso preocupante.

— Onde está a Sakura-chan? — perguntei ao chegar perto de Ino, já que a música alta impedia que eu falasse normalmente.

— Eu não sei! — Ino gritou. — Deve tá andando por aí!

— Acho melhor eu ir atrás dela e ver se está tudo bem, vai que ela passou mal por aí por causa do ponche batizado? — disse já me levantando da cadeira.

— Tá bom, você tá com o seu celular aí? — questionou e balancei a cabeça negativamente. — Poxa né, Hina. Devia ter trazido, assim se ela voltasse eu já te mandaria mensagem avisando pra você não ficar procurando por aí igual besta.

— Tudo bem, relaxa, eu já volto!

— Não demora! — pediu.

Me afastei do salão da festa a procura de Sakura-chan, o primeiro lugar que fui foi aos banheiros próximos de onde a gente estava, tudo que encontrei foram outras garotas retocando maquiagem e conversando animadamente sobre ter trocado beijos, enquanto outras planejavam algo mais intenso. Não pude evitar que o sangue subisse para as minhas bochechas ao escutar isso, mas ignorei e continuei minha jornada na busca pela minha amiga.

Meu segundo destino foi as áreas comuns como outros salões, elevadores e na recepção. Também não a encontrei e já comecei a ficar preocupada. Até me dar conta que havia um jardim nos fundos. Sai por uma porta grande de vidro e respirei o ar gelado da noite, senti minhas bochechas ficarem geladas e abracei o meu próprio corpo, o clima estava mais frio do que lá dentro e tremi um pouquinho. Andei alguns metros até perceber que havia um labirinto podado na minha frente.

Sorri e toquei algumas flores com a ponta dos dedos, distraída, eu realmente adorava flores! Fiquei um pouco parada até escutar algo se mexer na vegetação, foi só então que me dei conta que tinha perdido o foco total e que deveria continuar procurando por Sakura-chan. Entrei no labirinto, mas parei no mesmo instante, a cena na minha frente me paralisou completamente.

Arregalei os olhos. Conheceria a dona desses cabelos cor de rosa em qualquer lugar e também... O rapaz alto com olhos tão intensos e escuros como a noite mais escura. Sasuke e Sakura estavam se beijando bem na minha frente. Senti meus olhos arderem e havia essa dor dilacerante tomando conta do meu peito de tal forma que respirar parecia difícil. A sensação era a mesma de quando a gente caí de um lugar alto de costas e fica um tempo com falta de ar. Havia algo entalado bem no meio da minha garganta.

Sasuke notou minha presença nesse instante e olhou para mim parecendo assustado, para só depois afastar Sakura-chan. Não consegui conter as lágrimas que desceram, sem permissão, pelo meu rosto. Repeti para mim mesma que eu precisava me mexer, sair dali agora mesmo, e só assim meu corpo reagiu e eu corri para longe.

Corri sem saber para onde ia e entrei no hotel, continuei meu caminho pelas escadas, sentindo o ar faltar. Eu não deveria estar me sentindo assim, Sakura-chan estava tendo a chance dela e pelo jeito, Sasuke tinha aceitado os seus sentimentos. Eu deveria estar feliz por ela e não tão triste como estou agora. Ela não tinha desistido, lutou até o fim para alcançar Sasuke e estava recebendo sua recompensa. Ela merecia.

Ela o amava.

Então por que eu não conseguia ficar feliz por ela?

Eu era tão má a esse ponto?

Acordei antes de todo mundo, por sorte, já que o despertador não tinha nem chegado a tocar. Agradeci mentalmente, porque assim ninguém veria meu rosto amassado de sono e meus olhos vermelhos e inchados por conta do tanto que eu tinha chorado antes de apagar por completo.

As garotas ainda dormiam quando eu sai da ducha rápida e me vesti, já arrumando minhas coisas para ir rápido para o ônibus. Desejava entrar e voltar a dormir só para não ter que escutar sobre como Sakura-chan e Sasuke agora seriam um casal perfeito. Uma hora eu a felicitaria por ter conseguido, mas não agora.

Encontrei Kurenai-sensei no corredor enquanto arrastava minha mala. Recebi um olhar interrogativo.

— Hinata-chan, o que você está fazendo acordada tão cedo? Ainda não é hora de ir.

— Eu sei — respondi. — Só estou adiantando as coisas pra quando chegar a hora eu ter certeza que não esqueci de nada. — Não era tudo mentira.

— Você parece cansada, tem certeza que não quer dormir mais um pouco? Ainda temos tempo — sugeriu, mas balancei a cabeça em uma resposta negativa. — Hmm, então, que tal eu liberar o acesso ao ônibus e você tirar uma soneca lá dentro?

— Aceito! — respondi mais entusiasma. Quanto mais rápido eu pegasse no sono outra vez, melhor, me pouparia de tanto...

Kurenai-sensei me ofereceu um sorriso singelo e a segui para fora do hotel até o estacionamento onde nosso ônibus estava estacionado. Ela abriu o bagageiro para mim e coloquei minha mala ali, depois que a porta estava aberta, subi segurando minha bolsa perto de mim e escolhi um banco bem lá no fundo para me aconchegar. Tirei meus fones de ouvido e procurei uma música no celular que me agradasse e me ajudasse a dormir, depois que fiz isso, dei uma olhada na minha galeria de fotos e parei justamente na de Sasuke, ele com o rosto todo rabiscado.

Um sorriso tomou conta dos meus lábios quando me lembrei do dia em que a irmã dele dobrou o tamanho de suas sobrancelhas e eu ajudei ele a limpar tudo depois. Só que o sorriso morreu assim que me lembrei do beijo — não o nosso, o deles. Suspirei e larguei o celular, focando meu olhar através da janela. Eu esperava que depois de uma semana longe de toda essa bagunça, quando eu voltasse estaria totalmente renovada, quase como se fosse outra pessoa.

Com isso em mente, fechei os olhos e adormeci, minutos depois.

Tudo ocorreu como eu tinha planejado: dormi a viagem inteira de volta para a Konoha, me despedi rápido de todo mundo antes de correr para o metrô e ir para casa e adicionar mais coisas a minha mala e outras em uma mochila, depois correr mais um pouco e ir para o aeroporto. Precisei fugir do olhar interrogativo de Ino e mal consegui encarar os olhos de Sakura-chan, me senti aliviada ao perceber que Sasuke não voltou de ônibus conosco, provavelmente estava junto com Suigetsu-san. O que me poupou do desconforto que seria encará-lo depois do que aconteceu.

Eu não consegui dormir nada no avião, então foram longas quatro horas de viagem em que eu aproveitei para estudar e ler um pouco. Quando cansei, fiquei olhando através da pequena janela, admirando as formas engraçadas das nuvens tão pertinho. Isso fez com que eu me lembrasse das férias de verão ao lado de Neji-nii-san, em que deitávamos no chão e ele ria da minha criatividade em imaginar formas nas nuvens e ele me contava histórias maravilhosas sobre o folclore japonês.

Não via a hora de encontrá-lo. Queria tirar os pés do chão por alguns dias e aproveitar um pouco essa semana para clarear minha cabeça, meus pensamentos. Quando desembarquei, Neji-nii-san me esperava no portão, eu o vi bem antes que ele me visse, ele parecia inquieto, olhando o tempo inteiro as horas no relógio de pulso e para os lados, e então, finalmente para mim.

Meu coração bateu inquieto ao encontrar seu olhar sobre mim, me senti aliviada em poder encontrar alguém que eu amava tanto. Corri na direção dele, arrastando minha mala e o resto das minhas coisas sem me preocupar com o fato de estar parecendo uma louca. Quando o alcancei, larguei tudo no chão e me joguei em seus braços, abraçando-o forte.

Nii-san cheirava a colônia masculina, me lembrava o aroma de terra molhada depois da chuva, isso de alguma forma me trazia conforto, estar ali, com ele. Depois de alguns segundos que pareceram uma eternidade, me afastei dele só o suficiente para poder olhar em seus olhos e sorri.

— Senti sua falta — disse, meus dedos presos na jaqueta dele.

— Eu também, Hina. É uma pena que Hana não possa ter vindo junto com você. — Neji pegou a minha mala jogada no chão e eu catei minha mochila.

— Sim, mas tenho certeza que terá outra chance pra que ela venha — murmurei andando lado a lado com ele. — Eu tenho tanta coisa pra te contar!

Ele me olhou por um instante e pareceu me analisar, como se procurasse algo que indicasse que havia algo de errado comigo. Apertei os lábios em uma linha reta e franzi o cenho, sem parar de andar.

— Pelo jeito, não são coisas boas — arriscou. Senti a ameaça de lágrimas voltar.

— Mas tem coisas boas também — tentei amenizar sua evidente preocupação. — Podemos falar disso depois? Não agora, por favor.

— Tudo bem — concordou sem discutir, o que eu achava admirável da parte dele, respeitar meus sentimentos dessa forma, por mais preocupado que estivesse.

Já fazia muito tempo desde a última vez em que eu estive em Tóquio, minhas lembranças eram falhas, entretanto, eu tinha a impressão que a cidade tinha mudado bastante. Neji dirigiu em silêncio, enquanto eu observava atentamente os prédios gigantescos do centro, os mercados, passamos pela Tokyo Tower e me peguei completamente admirada pelo seu tamanho enorme.

Estávamos entrando em uma área residencial, um pouco afastada da bagunça da cidade grande, com várias mansões diferentes quando nii-san quebrou o silêncio ao perguntar:

— Você está com fome? — Parecia que meu estômago tinha o escutado, já que resolveu se pronunciar por ele mesmo antes que eu sequer pensasse direito sobre o assunto. Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. — Parece que sim. Tem coisas que não mudam.

— Eu não faço ideia sobre o que você está falando — resmunguei, emburrada, o que arrancou uma risada baixa dele.

— Meu pai está nos esperando para comer, ele está de folga hoje, quer muito te ver — falou tudo de uma vez.

— Também quero ver o tio Hizashi. — Neji arqueou uma sobrancelha e parou o carro em frente do enorme portão branco que dava entrada para sua casa. — Eu sei que nossos pais são gêmeos, não me olhe assim, você entendeu o que eu quis dizer! — exclamei.

— Eu sei, Hina.

— Então por que você está rindo de mim? — quis saber, cruzando os braços.

— Não estou rindo de você, boba, só é bom te ter por perto. Me lembra de quando éramos crianças. É isso — explicou. — Mas agora olha só pra você, é uma mulher feita.

— Desde quando você é tão nostálgico? — inquiri, desconfiada.

— Foi só algo que veio na minha cabeça de repente. — Deu de ombros, o que foi o suficiente para dar o assunto como encerrado.

Depois que nii-san estacionou o carro, não pude evitar de ficar impressionada assim que coloquei os pés para fora do veículo. Já na entrada havia um jardim bem cuidado, cheio de grama bem verdinha, flores, com direito a uma fonte e um chafariz! Um longo arco separava o jardim da enorme construção que a mansão era, e segui meu primo pela trilha de pedras claras até entrar na casa.

— Vamos colocar suas coisas lá em cima primeiro, depois descemos. Você quer tomar um banho antes de comer, algo do tipo? — perguntou, sendo super atencioso, como sempre.

— Eu estou bem, não precisa se preocupar. Vamos logo.

Ele assentiu e subi as escadas junto com ele, andando em seu encalço. Cumprimentei alguns empregados no caminho e continuei andando pelo corredor dos cômodos até nii-san parar em uma das últimas portas. Eu o ajudei a abrir, já que ele carregava minha mala e dei de cara com um quarto que era do tamanho da minha casa inteira.

Isso me lembrava da época em que eu e Hanabi vínhamos para cá nas férias e embora tivéssemos quartos para nós duas, a gente sempre se enfurnava no quarto do nii-san com sacos de dormir e ficávamos os três no mesmo lugar. Bons tempos. Como se estivesse lendo meus pensamentos, nii-san disse:

— Acho que agora estamos velhos depois para dividir o mesmo quarto.

Sorri.

— É, parece que sim, uma pena... — Suspirei. Antigamente as coisas pareciam tão mais simples do que agora. — Tempos que não voltam.

Ele deixou minha mala em cima da cama com dossel e eu coloquei minha mochila ali também, deixando tudo dentro do quarto, inclusive meu celular. Mais cedo eu tinha desinstalado o aplicativo de mensagens, disposta a me afastar pelo maior tempo possível das novidades — instalaria de novo quando voltasse para Konoha. Se alguém — que não fosse Sasuke ou Sakura-chan — precisasse falar algo importante comigo, poderiam me ligar.

Ainda na companhia do meu primo, fizemos o caminho até a sala de jantar em um silêncio confortável, de vez em quando ele olhava pra mim, como se estivesse tentando desvendar algum tipo de segredo. Dava para perceber que ele estava preocupado comigo, talvez até ansioso para que eu contasse o que tinha acontecido. Assim que passei pela porta, vi tio Hizashi sentado em uma das cadeiras, ele fazia palavras cruzadas. Levantou assim que notou nossa presença.

— Hinata-chan! — Ele abriu os braços e me ofereceu um abraço, que não hesitei em aceitar. Titio era igualzinho ao meu pai. Quer dizer, quase, já que papai tinha mais fios brancos por conta do estresse, mas se não fosse por isso, seriam a mesma pessoa. Titio afagou minha cabeça com carinho. — Como você cresceu!

— Obrigada! — Senti minhas bochechas quentes e por um momento expulsei a dor do meu coração, dando lugar a uma quentura confortável. Era o sentimento de ser extremamente querida por alguém. — Acho que o senhor está dez anos mais novo, não me lembrava da sua pele estar tão juvenil! —- brinquei.

— Olhe só para isso, Neji! Hinata está zombando da minha velhice! — Neji riu baixinho e revirou os olhos, me juntei a ele. — Saiba que eu sou um coroa muito disputado por aí!

— Eu acredito — declarei com sinceridade. — Vamos dizer que os homens Hyuuga dão o que falar, não importa a idade. — Eu sabia disso só pela forma que eu já tinha visto algumas funcionárias de onde meu pai trabalhava, babarem completamente nele, e ele nem notava. Com Neji então, eu nem precisava falar nada, não é?

Titio Hizashi riu também e todos sentamos na mesa. A comida já estava servida e senti minha boca salivar. Era uma refeição caprichada, com direito a tudo: arroz branco, sopa de miso, natto, nori, peixe grelhado, sunomono e chá verde. E se tinha algo que me fazia feliz, era comer bem! Aproveitei cada segundo da minha refeição, saboreando tudo com cuidado e sem vergonha nenhuma, embora fizesse alguns anos que eu não fosse ali, eles eram minha família e eu me sentia mais do que confortável com eles.

Ao acabar, ainda ficamos na mesa conversando por um tempo. Falamos sobre o futuro, como as coisas tinham mudado, sobre papai e sua teimosia, sobre Hanabi e sua determinação em estudar para ser a melhor e sobre mim. Quais eram as minhas expectativas? Meu maior sonho até agora? O que eu queria realizar?

Me toquei que não tinha a resposta para várias dessas perguntas. Foi inevitável e me lembrei de uma das inúmeras conversas que tive com Sasuke, em que ele me perguntara sobre os meus sonhos e eu também não tinha uma resposta, pensei que queria voltar a desenhar, mas não tinha feito nem um esforço para por isso em prática. Eu estava sempre vivendo e fazendo tudo em prol dos outros e isso não me incomodava de modo geral. Só que quando eu parava para pensar melhor, me perguntava o que eu faria quando Hana finalmente fosse pra faculdade? Quando papai estivesse feliz e estável com o que estava fazendo?

Eu iria continuar em trabalhos de meio-período, trabalhando em lanchonetes, restaurantes e lojas de conveniência? Afinal, eu me formaria ainda nesse ano e não iria trabalhar para Sasuke para sempre — e nem queria. Era assustador perceber que eu não tinha nenhuma perspectiva ou ambição pelo e para o meu próprio futuro.

Subi para o meu quarto um tempo depois, já tinha anoitecido. Nii-san prometeu me levar para passear pela cidade no dia seguinte, faríamos a semana do tour por Tóquio e admitia estar bem animada para isso. Tomei um banho quente depois de desfazer minha mala, ficando de molho na banheira por um tempo, me permitindo relaxar um pouco.

Tarefa que foi se mostrando impossível a cada minuto que passava, já que assim que eu fechava os olhos, minha mente me traía e esfregava na minha cara a cena de Sasuke beijando Sakura-chan. Dizem que mente vazia é oficina do diabo, então para tentar não pensar mais nisso, me ocupei até a hora de dormir assistindo o novo dorama do Naruto-kun na televisão.

Peguei no sono umas horas depois com a televisão ainda ligada.

Andar por Akihabara era incrível! Não era à toa que era conhecida como “Eletric Town”, havia tantas luzes brilhantes, sons distintos, prédios cobertos por enormes outdoors com personagens dos animes da estação e tantos fliperamas que eu não conseguia nem contar nos dedos! Kiba-kun iria amar esse lugar, desejei que ele pudesse estar comigo, Shino-kun também, para podermos disputar quem era o melhor no Tekken.

Um sorriso dançava pelos meus lábios e eu era incapaz de parar de sorrir, porque tudo parecia tão mágico e bonito. Nii-san fez questão de comprar algumas coisas para mim e como eu era incapaz de ganhar uma guerra de insistência, apenas aceitei seus presentes de bom grado. Fones de ouvido em formado de orelhas de gatinho, um gameboy antigo, alguns cartuchos de jogos perdidos para o meu videogame antigo — que eu mal podia esperar para jogar quando chegasse em casa — e alguns pôsteres de animes que gostávamos quando éramos crianças.

Já era de noite quando paramos para comer em um restaurante temático antes de irmos para casa. Começamos a conversar amenidades enquanto nossa comida não chegava, até que resolvi que era hora desabafar sobre alguns assuntos...

— Mamãe me procurou ainda naquele dia que você tinha me falado sobre ela — contei. Ele pareceu surpreso com minha revelação e franziu o cenho.

— Também te pediu dinheiro? — Balancei a cabeça, afirmando. — Você deu? — Afirmei outra vez. — Hinata! Ela te roubou!

— No começo eu não iria dar, o único dinheiro que eu tinha, era o que venho guardando para a faculdade de Hanabi há um tempo — tentei me justificar diante da sua expressão irritada. Eu sabia o que ele estava pensando, que eu era uma tonta. — Mas então ela apareceu toda roxa, dizendo que tinha apanhado. Não consegui dizer não, nii-san.

Abaixei os olhos para a mesa e brinquei com meus próprios dedos. Ouvi-o suspirar de forma pesarosa.

— Eu queria entender como ela teve estômago para enganar você dessa forma — disse com cuidado, chamando minha atenção pela forma que ele parecia escolher as palavras para não me magoar. — Como ela conseguiu olhar nos seus olhos e mentir? Não consigo entender. — Balançou a cabeça, incrédulo.

— Não sei — admiti. — Quis acreditar nela até o fim, nii-san. Mas no fundo eu já sabia que ela estava ali pelo dinheiro e não por mim ou por Hanabi. Só não queria enxergar. — Também suspirei e sorri, tristonha. — Eu fiquei esperando por aqueles momentos emocionantes de reencontro entre uma mãe e sua filha e não chegou nem perto de acontecer algo assim. Até o abraço dela era... Esquisito, como se não tivesse sentimento.

Vi Neji apertar os lábios e balançar a cabeça, não dizendo nada além de um:

— Sinto muito.

— Papai sabia o tempo todo — continuei. — Ela tinha me dito que tentou entrar em contato comigo e com Hanabi, mas que papai não deixou.

— Isso é uma completa mentira... — começou.

— Eu sei — interrompi. — Ele é orgulhoso, mas sei que nunca faria algo que machucaria a mim ou Hanabi por conta disso. Papai deixou que eu visse quem ela era com meus próprios olhos, que formasse minha própria opinião.

— Só você não vê que às vezes é tão teimosa quanto ele — pontuou, sério.

— Bem às vezes, vai — argumentei. — Quase nunca.

Dessa vez ele riu.

— Muitas vezes, Hinata. Não adianta negar, você é inacreditável, sério.

Uma garota vestida de maid se aproximou da nossa mesa para servir a comida, percebi como o rosto dela estava vermelho e ela não parava de encarar Neji. Prendi um sorriso, pensando em quantas garotas ele atraía com sua beleza singular e nem parecia ligar sobre o efeito que causava nelas. Ele não olhou nem uma vez pra ela, e a vi ir embora com uma expressão decepcionada.

Peguei um dos bolinhos fritos de polvo com meu hashi e comi com vontade.

— Por que você não namora, nii-san? — perguntei de repente.

Ele me encarou atentamente e pareceu pensar bem antes de responder:

— Acho que namorar é algo sério, ainda não encontrei ninguém que me faça ter vontade de ter esse tipo de compromisso.

— Então quer dizer que você sai por aí com as garotas sem compromisso nenhum? Não era o cenário que eu tinha em mente — provoquei-o com sucesso, já que presenciei um dos raros momentos em que ele corou.

— Também não é assim, Hinata — pigarreou. — Eu sei me divertir, sempre com responsabilidade.

— Você já se apaixonou por alguém? — questionei, bem curiosa.

— Já. — Percebi a tensão no corpo dele e resolvi que não tocaria mais no assunto a não ser que ele quisesse conversar comigo sobre isso. — E você?

— Não? — Tombei a cabeça para o lado, pega de surpresa, era difícil admitir o que eu sentia em voz alta.

— Por que você tá me respondendo como se estivesse me perguntando? — Arqueou a sobrancelha perfeita e eu ri.

— Eu não sei — admiti. — Podemos mudar de assunto? — pedi, por fim. Ainda não estava pronta para falar sobre Sasuke, só a leve menção do seu nome em minha cabeça fazia meu peito latejar.

Não falamos mais sobre isso pelo restante da noite, ele me levou de volta para casa assim que terminamos de comer. Estava feliz e satisfeita com o dia que tivemos, ao chegar em casa só tomei banho e retornei algumas ligações de papai e Hanabi para dizer que eu estava bem.

Cansada de ter andado praticamente o dia todo, não demorei a pegar no sono, dessa vez, sem a ajuda da televisão.

Senti o resto da semana passar voando. Dispensei prontamente a visita a museus e templos, porque isso me lembrava dos trabalhos escolares que eu iria precisar fazer quando voltasse para casa. Neji riu ao ver minha expressão contrariada quando ele proferiu “museu”. Por fim, acabamos indo em parques aquáticos, parques normais e em Shimokitazawa, onde assistimos performances de teatro, shows de artistas locais. Também comprei alguns livros para completar algumas das minhas coleções que não viam alguma novidade há um bom par de anos.

Já era domingo e eu voltaria para casa segunda-feira de manhã. Como última parada, nii-san me levou para um karaokê aberto fantástico. Eu me diverti muito assistindo as pessoas cantarem sem vergonha alguma — algumas tão mal que dava vontade de tampar os ouvidos — e se divertirem também com algo tão simples. Ficamos comendo, bebendo chá gelado, conversando e rindo das cantorias, até que alguém começou a cantar uma música bem conhecida por mim. Era uma música de Sasuke.

Senti meu corpo inteiro paralisar por alguns segundos e precisei respirar fundo algumas vezes para recobrar os sentidos. Neji não deixou escapar um segundo sequer da minha reação, e pela primeira vez durante a semana inteira, ele foi muito direto ao dizer:

— Você vai mesmo embora sem me contar o que realmente está acontecendo? — Desviei o olhar, não era atoa que eu era incapaz de esconder algo dele. Tanto que ele era o único a saber sobre meu trabalho para uma pessoa famosa. — Acha que eu não reparei nessa tristeza que não sai dos seus olhos mesmo quando você está se divertindo?

— Sou tão fácil de ler assim?

— Um livro aberto, Hinata — confirmou.

— Não sei por onde começar... — admiti.

— Pelo começo seria bom — sugeriu com uma pitadinha de zombaria, que eu resolvi ignorar.

— A pessoa famosa pra quem eu trabalho é Uchiha Sasuke — comecei, ainda incerta sobre o que eu deveria dizer. Eu tinha passado a semana inteira tentando tirar Sasuke dos meus pensamentos, e agora ele estava ali de novo.

— O cantor? — Confirmei com um aceno da cabeça. — Ele fez alguma coisa pra você? Se sim, eu juro que vou para Konoha e acabo com a raça dele! — Suas mãos já estavam cerradas em punhos e os olhos brilhavam em uma fúria cristalina. Segurei seus dedos entre os meus para acalmá-lo.

— Não foi nada disso, nii-san. Sasuke não fez nada pra mim — esclareci e ouvi ele soltar um suspiro de alívio.

— O que foi então? — Franziu o cenho, esperando que eu continuasse. Diante do meu silêncio, acrescentou: — Hinata?

— Eu estou apaixonada por ele. — Tive a coragem de dizer pela primeira vez em voz alta. O choro embargou minha garganta e eu precisei de um minuto para continuar falando sem derramar lágrimas: — Não sei como aconteceu, eu nunca tive a intenção, nii-san. Eu só queria ser amiga dele, porque ele era tão sozinho e estava sofrendo tanto... Só quis dar um ombro amigo.

 — Me parece o tipo de coisa que você faria sem pensar duas vezes — ele opinou, não havia julgamentos em sua expressão. — E então? Você se declarou para ele?

Balancei a cabeça em negação.

— Por muitos meses nós ficamos... Flertando, eu acho? Não sei mais — admiti. — Chegou uma hora que eu nem sabia mais o que eu estava fazendo, antes que eu percebesse, tudo que eu queria era Sasuke por perto e já não me incomodava quando ele me provocava me chamando de apelidos ou quando se aproximava demais de mim. — Engoli a saliva com dificuldade e me lembrei do dia da piscina. — Teve momentos que eu desejei que ele fosse além e não conseguia entender a razão por trás disso.

Respirei fundo, as lágrimas vieram sem a minha permissão e funguei para afastá-las.

— Desde o começo era errado, nii-san. Minha melhor amiga é apaixonada por ele e eu fiz tudo pelas costas dela. Não pude ser sincera, mesmo quando ela me perguntou diretamente se tinha algo acontecendo, se eu sentia algo... Eu neguei até o fim, sabendo que tinha algo errado, que não era normal a forma que eu me sentia sobre ele. — Nii-san me incentivou a continuar desabafando apertando minhas mãos entre as dele, em um gesto de conforto. — Eu atravessei a linha, passei do limite, eu... Ele... Nós nos beijamos e isso só piorou tudo, eu fiquei tão confusa que não sabia o que pensar. Quais são as chances de alguém como ele se apaixonar por mim?

— Todas — declarou bem rápido. Não pude esconder minha surpresa diante da sua resposta inesperada. — Acho que você faz muito pouco de si mesma, Hinata. Você é a pessoa mais bondosa e gentil que eu conheço. É linda, talentosa e esforçada, por quais motivos ele não poderia se apaixonar por você de volta?

Eu não tinha uma resposta para isso.

— Eu fugi depois do beijo, tenho o evitado desde então. Sasuke tentou conversar comigo, perguntou o que eu queria fazer, acho que eu estava aterrorizada com a ideia de magoar Sakura-chan e eu menti. Disse que preferia esquecer — contei. — Depois disso não nos falamos direito mais. Teve a viagem da escola e... — parei.

— E...? — me incentivou a continuar e as lágrimas vieram outra vez.

— Vi ele e Sakura-chan se beijando. — Segurei um soluço e Neji saiu da sua cadeira na minha frente e passou para o meu lado. Ele me rodeou com seus braços quentes em um abraço apertado, afundei o rosto em seu peito e chorei. — Foi como se meu coração se partisse em milhares de pedaços. Eu queria estar feliz por ela, por Sasuke ter aceitado os sentimentos dela, mas não consigo — falei entre lágrimas.

— Calma, Hina, calma. — Senti seus lábios em meu cabelo e fechei os olhos, respirando seu cheiro para tentar me acalmar. — Quando é que você vai parar de colocar os sentimentos dos outros acima dos seus? — Embora suas palavras fossem de alguém que estava repreendendo, o tom era cuidadoso. — Você percebe o que aconteceu?

— Na-não — gaguejei tentando parar de chorar.

— Você não foi sincera com o que sentia em nenhum momento, você se sacrificou sem nem ter dado uma chance para si mesma ou para ele. — Ele me afastou e limpou o rastro das minhas lágrimas, para depois me segurar pelos ombros com delicadeza. — Sei que Sakura é sua amiga de anos, mas você não pode anular o que você sente por causa de outra pessoa, Hina. Não é assim que se faz as coisas.

— Mas como... — Não consegui terminar. — Nii-san?

— Só você pode arrumar as coisas para você mesma. Independente se ele aceitou os sentimentos dela, você precisa colocar tudo em pratos limpos, senão nunca vai conseguir seguir em frente. Diga pra ele, seja sincera e respeite os sentimentos dele e, principalmente, os seus.

Funguei algumas vezes e o abracei outra vez. Talvez nii-san estivesse certo, eu tinha que parar de fugir e encarar de frente o que eu sentia. Eu conseguiria ficar feliz pelos dois depois de admitir que eu estava apaixonada por Uchiha Sasuke...

Para ele.

O voo de volta para Konoha foi mais cansativo do que eu esperava. A ansiedade estava me matando e eu só conseguia pensar em como eu falaria com Sasuke sobre tudo que eu estava sentindo. Não tive paciência para voltar para casa, em vez disso, fui direto para o apartamento dele. Era quase meio-dia e ele estaria na escola nesse horário, mas eu não me importava.

Preferia me distrair fazendo tarefas domésticas a ir pra casa e ficar ainda mais ansiosa em esperar pelo horário de trabalhar e encontrar Sasuke. Desci do táxi com dificuldade, arrastando minha mala depois de colocar a mochila nas costas. Entrei no elevador depois de cumprimentar Karui-san e cantarolei a música, como sempre fazia.

Ao chegar no andar, procurei pela chave da porta na mochila e a abri com o pé, arrastando minha mala para dentro do apartamento. Fechei a porta em seguida e assim que fiquei de pé novamente, depois de largar minha mochila no canto, percebi que não estava sozinha.

Sasuke estava parado de pé entre os dois sofás, ele segurava uma xícara com algo fumegante, chutei ser café. Nossos olhares se encontraram e eu prendi a respiração, não estava esperando encontrar ele justo agora, não tinha planejado as coisas dessa forma. Fiquei ali, parada, igual uma tonta, sem saber o que fazer. Observei-o deixar a xícara em cima da — nova — mesa de centro e vir na minha direção em passos comedidos e parar a alguns metros de distância. Ele estava uma bagunça total, com algumas olheiras, o cabelo grande demais e roupas largadas. Me perguntei se por acaso ele teve pesadelos com o irmão outra vez para estar assim.

— Você não atendeu minhas ligações — foi a primeira coisa que ele disse.

Fiquei calada por mais um instante antes de justificar:

— Não estava pronta para escutar sua voz.

Ele deu mais um passo na minha direção e eu recuei automaticamente, na defensiva.

— Por que não? — Sasuke enfiou as mãos dentro dos bolsos da sua calça de moletom e fixou os seus olhos escuros em mim de forma abrasadora. Senti meu interior tremer.

— Eu... — Engoli em seco, tentando reunir forças para continuar. — Eu vi você e Sakura-chan se beijando.

— Eu sei que viu, você saiu correndo de mim depois disso. — Tirou uma mão do bolso e enfiou os dedos entre os fios negros, parecendo impaciente. — Eu queria explicar o que aconteceu...

— Você não precisa — murmurei. — Eu fico feliz por vocês dois. Eu acho que venho entendendo errado tudo que aconteceu entre nós dois, interpretei mal e... Não é culpa sua. Eu me apaixonei por você — confessei sentindo o sangue subir para o meu rosto, fiquei orgulhosa de mim mesma por não ter gaguejado. — Sei que não é mais apropriado eu dizer esse tipo de coisa, ainda mais agora que você e Sakura-chan estão...

— Você o quê? — ele me interrompeu.

— Eu estou apaixonada por você, Sasuke — repeti. — Mas eu não espero que você me corresponda, eu só estou te dizendo para que possamos resolver isso, seguir em frente e continuar como amigos.

— MEU DEUS, CARA! — Sasuke urrou e levou as duas mãos à cabeça e começou a andar em voltas no mesmo lugar. Pulei de susto diante da sua reação. — Hinata, você é inacreditável! — Parou.

— Eu estou sendo sincera, Sasuke, não espero que...

— Você se escuta quando fala? — Havia algo no tom dele que fez com que eu me sentisse ofendida. — Como alguém tão inteligente consegue ser tão burra?

— Ei! — protestei.

— Puta que pariu, Hinata! — Jogou as mãos para o alto e acabou com a distância que nos separava, segurando meu rosto com firmeza. Meu coração falhou uma batida. — Eu estou apaixonado por você, porra!

Arregalei os olhos e senti minha voz sumir, minha cabeça girou e abri e fechei a boca várias vezes sem saber o que dizer.

— Ma-mas o beijo... — murmurei, totalmente perdida.

— Eu não beijei a Sakura, ela que me beijou. Eu não aceitei os sentimentos dela, Hina. — Seus dedos acariciaram minhas bochechas e um alívio tão grande, tão errado, me invadiu. — Você não entende? Eu achei que você entenderia assim que cantei aquela música. Era pra você.

— Você disse que não tinha a ver com a garota do cinema... — Minha cabeça ainda girava e eu me sentia zonza de uma forma esquisita, meu estômago revirava de um jeito engraçado.

— Era mentira, puta merda, Hinata! Era só pra eles esquecerem de vez aqueles boatos e eu poder ficar em paz com você!

Encarei Sasuke, surpresa pela declaração. Os olhos dele brilhavam, tão escuros como uma noite sem estrelas, ele me olhava de forma tão intensa que eu me sentia nua, exposta. Meu coração batia acelerado e uma explosão de sentimentos tomava conta de mim, algo entre medo, alívio, desejo e felicidade. Nem eu mais sabia o que era.

Segurei a mão dele no meu rosto e fechei os olhos, respirando fundo.

— Olhe pra mim, gatinha. — Atendi seu pedido. — Repita pra mim o que você disse antes.

— Eu estou apaixonada por você, Sasuke — sussurrei, dessa vez, sem medo, sem receios.

Sasuke sorriu, não era um sorriso que mostrava os seus dentes, mas era uma das coisas mais lindas que eu já tinha visto. Eu não recuei quando ele levou o meu rosto na direção dele e esmagou a boca contra a minha em um beijo bruto e cheio de sentimentos. Seus braços fortes me envolveram em um aperto gostoso, fazendo meu corpo quase se fundir ao dele, enquanto sua língua invadia a minha boca e me beijava de uma forma que deixaria minha calcinha molhada.

Ele ainda me beijava, quando seus lábios subiram da minha boca, pelas minhas bochechas, até chegar na minha orelha e ele dizer em um sussurro rouco, que fez com que cada poro do meu corpo se arrepiasse:

— Você quer namorar comigo?

Meu corpo parecia estar em chamas e minha mente completamente bagunçada, mas mesmo assim eu sussurrei a resposta para ele, nossos lábios se encostando:

— Só se você prometer me beijar assim sempre.


Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, devo dizer o quanto eu estou aliviada em depois de TRINTA capítulos, finalmente eles admitiram o que sente, se acertaram e vão ficar juntos. Quando eu pensei em escrever essa slowburn, não tinha planejado que seria tão slow assim também, askjsakjksajkjsaksja, me desculpam e agradeço pela paciência de terem chegado até aqui, KKKKKKKKKKKKKKKKK. GLÓRIA A DEUSSSSSSSSSS! Agora esses dois porra podem ficar juntos e se beijarem, treparem, todas essas coisas que casais fazem nas fics e que vocês adoram.

As perguntas de agora: e a Sakura? A Ino vai revelar pra Hina que já sabia de tudo? Como vai funcionar esse namoro, já que a Karin já tinha dito que o Sasuke não podia assumir um relacionamento? E o Toneri? Pois é, tantas perguntas que vamos ter a respostas nos próximos capítulos.

Muito obrigada para quem leu, eu estou feliz e satisfeita com o rumo da história, principalmente por saber que vocês também estão. Mais uma vez, peço paciência na resposta para os comentários, eu estou lutando pra escrever todas as fics e manter tudo organizado e ainda responder vocês. É MUITA coisa, então, paciência com essa humilde autora, certo?

Também, quero convidá-los a dar uma passada no meu perfil e olhar outras fics minha, eu fico bem chateada por ter outros projetos com tanto potencial, mas não ter a mesma visibilidade que HINP. Amo esse bebê, minha clichêzinha linda, mas ficaria muuuuuito agradecida se vocês dessem uma chance para os meus projetos mais sérios. Passem em Dark Paradise, Kings of the City, Oasis e me falem o que acharam, ia ser muito legal! ^3^


Temos um grupo no whatsapp, lá vocês podem interagir comigo e saberem mais quando as atualizações serão feitas, verem trechos das histórias antes de eu postar e, também, tirarem dúvidas. ♡ Além disso, agora, terá um amigo secreto dos meus leitores, e mais futuramente, um concurso de fanfics valendo brindes. Sintam-se à vontade para entrar e interagir! ^3^

GRUPO DO WHATSAPP: https://chat.whatsapp.com/EDT10ChzVi3FZr7y7Td8yr

E mais uma vez, me sigam no instagram @devilwishess.

ps: pra quem não quer participar do grupo ou do insta, me sigam, assim vocês não perdem as atualizações nunca, e também, olhem o meu último jornal que está o cronograma de atualizações pra esse mês.

Obrigada e até o próximo!


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