História HEAL - (COPHINE) - Capítulo 43


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Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Elizabeth "Beth" Childs, Krystal Goderitch, Personagens Originais, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Cophine, Cosima, Delphine, Lesbicas, Orphan Black
Visualizações 160
Palavras 3.111
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, LGBT, Mistério, Orange, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, lindezas <3
Xeru e uma ótima leitura ❤😘

Capítulo 43 - Não grite comigo!


Fanfic / Fanfiction HEAL - (COPHINE) - Capítulo 43 - Não grite comigo!

Delphine costumava ouvir música enquanto corria, mas nessa manhã sua mente estava distraída. Cosima estava sobrecarregada; isso era óbvio. Não tinha o hábito de levantar cedo e, pela sua cara de cansaço, estava acordada havia horas. Talvez não devessem ter convidado a família para uma visita antes da palestra dela. Delphine nunca recebera mais de uma ou duas pessoas de cada vez e, mesmo nessas ocasiões, contava com a ajuda de uma empregada e de uma conta bancária que lhe permitia levar seus hóspedes para comer fora. Delphine se lembrou de seu próprio tempo em Harvard. Na época, as férias nunca eram um verdadeiro descanso, pois sempre havia trabalho a fazer, línguas para aprender e provas para as quais se preparar. Era um alívio ser professora titular. Ela não trocaria de lugar com Cosima por nada. Ainda mais sabendo que costumava lidar com as pressões da pós-graduação bebendo, cheirando cocaína e transando com C… Delphine tropeçou e foi jogada para a frente quando o bico do seu tênis ficou preso na calçada. Ela se ajeitou depressa e recuperou o ritmo, forçando-se a se concentrar em seus passos. Não gostava de pensar nos anos que passara em Harvard. Desde que tinha voltado a morar em Cambridge, suas experiências com as drogas lhe voltavam à mente com tanta clareza que, às vezes, ela poderia jurar que sentia a cocaína entrando pelas suas narinas. Quando dirigia pelo campus da universidade ou entrava em um dos seus prédios, sentia uma fissura tão intensa que chegava a doer. Até ali, com a graça de Deus, havia resistido. As reuniões semanais nos Narcóticos Anônimos sem dúvida tinham ajudado, assim como as consultas mensais com uma terapeuta. E além disso, é claro, havia Cosima. Se Delphine tinha de fato entrado em contato com um poder superior em Assis, no ano passado, Cosima era seu anjo da guarda. Ela a amava, a inspirava, tornava sua casa um lar. Mas ela não conseguia se livrar do medo de que o Céu lhe havia sorrido apenas para ganhar tempo antes de tirá-la dela. Delphine mudara em vários sentidos desde a época em que Cosima era sua aluna. Porém ainda não conseguira abandonar a crença de que não era digna de uma felicidade duradoura. Como a própria terapeuta alertara, ela sempre caía no mesmo padrão de autossabotagem. Siobhan, sua mãe adotiva, morrera de câncer cerca de dois anos antes. Sua morte prematura simbolizava quanto a vida é curta e incerta. Se ela perdesse Cosima… Se tivesse um filho com ela, jamais a perderia, uma voz baixa e serena sussurrou em seu ouvido. Delphine acelerou o passo. A voz tinha razão, mas não expressava o principal motivo para ela querer ter um bebê com Cosima. Queria uma família com filhos uma vida cheia de riso e da certeza de que ela poderia consertar os erros cometidos pelos pais biológicos. No entanto, ela não dividia esses conflitos internos com a esposa. Cosima tinha muitas preocupações e ela detestaria lhe causar mais. Ela se preocuparia com seus vícios e medos, e Delphine já a fizera sofrer muito. Enquanto corria pelo familiar trajeto de sua antiga vizinhança, ela se perguntava por que Cosima estaria tão abatida mais cedo. Tinham passado uma noite incrível juntas, celebrando o amor no pomar e depois na cama. Quebrou a cabeça tentando descobrir se havia feito algo que a magoara. Mas o sexo entre as duas tinha sido, como sempre, tão apaixonado quanto carinhoso. Havia outra possibilidade e Delphine se amaldiçoou por não ter pensado nela antes. Cosima sempre demonstrou certa ansiedade por voltar a São Francisco. Um ano e meio atrás, seu ex-namorado, Style, invadira a casa do pai dela e a atacara. Pouco depois, a atual namorada dele, Maddy, tinha confrontado Cosima em um restaurante, ameaçando divulgar fotos obscenas dela caso a queixa de agressão não fosse retirada. Cosima conseguira convencer Maddy de que não seria vantajoso para ela divulgar as imagens, pois também comprometeriam Style. O pai dele era senador e estava concorrendo à Presidência, e Maddy trabalhava na campanha. Na época, Delphine guardara para si suas dúvidas quanto ao sucesso de Cosima nessa questão. Ela sabia que, uma vez que uma pessoa tomava gosto pela chantagem, ela sempre recorreria a essa mesma tática.

Ela praguejou novamente, correndo a uma velocidade extenuante. Nunca contara a Cosima o que havia feito. Tampouco queria fazer isso agora. Mas, se ela estava preocupada com Style e Maddy, então talvez estivesse na hora de lhe contar a verdade… Quando Delphine voltou da corrida, Cosima ainda estava dormindo. Ela riu ao notar os pés descalços dela despontando por debaixo das cobertas. Cosima não gostava que seus pés ficassem quentes, então os colocava para fora enquanto mantinha o resto do corpo debaixo de vários cobertores. Inclinando-se sobre ela, Delphine cobriu seus pés e foi tomar um banho. Depois de se vestir, tornou a dar uma olhada nela, mas Cosima continuava dormindo. Desceu as escadas, pegou na cozinha as listas que ela fizera e seguiu para o Range Rover. Com alguma sorte, conseguiria fazer as compras e arrumaria uma faxineira antes que ela acordasse. Às onze da noite, Cosima finalmente desceu do segundo andar. Encontrou Delphine sentada na sala de estar, lendo. Ela estava em um sofá de couro, com os pés repousados sobre uma otomana.

– Ora, ora, vejam só quem apareceu. – Ela a cumprimentou, fechando o livro.

– O que está lendo? – Delphine lhe mostrou a capa. O caminho de um peregrino. – É bom?

– Muito. Você já leu Franny e Zooey, de J. D. Salinger?

– Há muito tempo. Por quê?

– Franny fica angustiada ao ler este livro. Foi assim que ouvi falar dele pela primeira vez.

– Do que se trata? – Ela pegou o exemplar, analisando a contracapa.

– É sobre um cristão ortodoxo russo que tenta descobrir o que significa o ensinamento bíblico de que devemos “orar sem cessar”. – Cosima arqueou as sobrancelhas.

– E?

– Estou lendo para descobrir o que ele aprendeu.

– Você está orando por alguma coisa? –

Delphine esfregou o queixo pensativa.

– Estou orando por um bocado de coisas.

– Como o quê?

– Que eu me torne uma boa mulher, uma boa esposa e, algum dia, uma boa mãe. – Cosima sorriu e tornou a olhar para o livro.

– Estamos todos em nossas próprias jornadas espirituais, imagino.

– Alguns estão mais adiantados do que outros. – Cosima largou o livro e se sentou no colo dela.

– Não concordo. Acho que perseguimos Deus até que Ele nos encontra.

– Como “O cão de caça do céu”, do poema de Francis Thompson?

– Mais ou menos isso.

– Uma das coisas que mais admiro em você é sua compaixão pela fragilidade humana.

– Também tenho meus vícios, Delphine. Eles só estão escondidos.

Ela correu os olhos pela sala, notando as marcas deixadas pelo aspirador de pó no carpete e os móveis recém-espanados. O ar recendia a limão e pinho.

– A casa está um brinco. Obrigada por arrumar alguém para limpá-la. Consegui adiantar bastante o trabalho hoje.

– Ótimo. – Delphine beijou-lhe os lábios  com ternura. – Como está se sentindo?

– Bem melhor. Obrigada por preparar o jantar. – Ela descansou a cabeça no ombro da esposa.

– Você não estava com muita fome quando levei a comida lá para cima. – Ela correu os dedos pelos cabelos dela.

– Mas acabei comendo depois. Encontrei um problema no meu artigo, então não consegui comer naquela hora.

– Posso ajudar? – Ela tirou os óculos, pousando-os em cima do livro.

– Não. Não quero que as pessoas achem que você é o cérebro por trás da minha pesquisa.

– Não era isso que estava oferecendo. – Delphine pareceu ofendida.

– Preciso fazer isso sozinha. – Cormier torceu o nariz.

– Acho que você se preocupa demais com o que as pessoas pensam.

– Tenho que me preocupar – disse ela com rispidez. – Se apresentar um artigo que pareça escrito por você, todos vão notar. Elizabeth Childs já vem espalhando boatos a nosso respeito. Shaun me contou. – Delphine fez cara feia.

– Elizabeth é uma piranha invejosa. A carreira dela está andando para trás, e não para a frente. A Colúmbia a obrigou a se matricular no mestrado em filosofia. Eles se recusaram a aceitá-la no programa de doutorado. Já conversei com a chefe do departamento. Se Elizabeth nos difamar, o risco é todo dela. – Ela se remexeu na poltrona. – E quando você andou falando com Shay?

– Ela me mandou um e-mail depois da conferência de que participou na UCLA. Foi onde viu Beth e ficou sabendo dos boatos que ela estava espalhando.

– Você nem me deixou ler seu artigo. Se bem que já discutimos tanto Guido que tenho certeza de que sei o que vai dizer. – Cosima roeu a unha do polegar, mas ficou calada. Delphine a abraçou mais forte. – Meu livro ajudou em alguma coisa?

– Ajudou, mas estou seguindo uma linha diferente – respondeu ela, evasiva.

– Isso pode ser uma faca de dois gumes, Cosima. A originalidade é bem-vista, mas às vezes métodos consagrados são consagrados por um motivo.

– Vou deixá-la ler o artigo amanhã, se você tiver tempo.

– É claro que terei tempo. – Delphine começou a acariciar as costas dela. – Na verdade, estou ansiosa para lê-lo. Só quero ajudar você, não prejudicá-la. Sabe disso, não sabe?

– Claro. – Cosima tornou a beijá-la, antes de se aninhar em seus braços. – Só estou preocupada com o que vai achar.

– Serei sincera, mas de um jeito construtivo. Eu prometo.

– Não poderia pedir mais do que isso. – Cosima sorriu para ela. – Agora, preciso que você me leve para a cama e me alegre. – Delphine estreitou os olhos, pensativa.

– E o que devo fazer para alegrá-la?

– Afastar os problemas da minha cabeça me seduzindo com seu corpo nu.

– E se eu não estiver pronta para ir para a cama?

– Então acho que terei que ir sozinha. E talvez me alegrar por conta própria.

Ela se levantou e se espreguiçou, olhando de esguelha para Delphine. Num piscar de olhos ela estava atrás dela, erguendo-a nos braços e correndo em direção às escadas.

***

– Você não pode apresentar isto – disse Delphine, entrando no escritório na tarde do dia seguinte com uma impressão do artigo de Cosima nas mãos. Ela ergueu os olhos da tela do laptop, horrorizada.

– Por que não?

– Você está errada. – Delphine largou as páginas e tirou os óculos, atirando-os em cima da mesa. – São Francisco vai buscar a alma de Guido da Montefeltro depois que ele morre. Já discutimos isso. Você concordou comigo. – Cosima cruzou os braços, na defensiva.

– Mudei de ideia.

– Mas é a única interpretação que faz sentido!

Cosima engoliu em seco, balançando a cabeça. Delphine começou a andar de um lado para outro em frente à mesa dela.

– Nós falamos sobre isso em Belize. Pelo amor de Deus, eu lhe enviei uma ilustração da cena quando estávamos separadas! Agora você vai aparecer diante de uma sala cheia de pessoas e dizer que não foi assim?

– Se você tivesse lido as notas de rodapé, veria que… – Ela parou de andar e se virou para encará-la.

– Eu li as notas de rodapé. Nenhuma das suas fontes vai tão longe. Isso não passa de mera especulação.

– Mera especulação? – Cosima se levantou. – Encontrei várias fontes confiáveis que concordam com grande parte do que digo. A professora Catherine gostou do meu artigo.

– Ela é boazinha demais com você. –  Cosima ficou boquiaberta.

– Boazinha demais? Imagino então que você ache que a professora Giordano me convidou para a conferência por mera caridade? – A expressão de Delphine se abrandou.

– É claro que não. Ela tem você em alta conta. Mas não quero que fique diante de uma plateia de professores experientes e apresente uma interpretação ingênua. Se tivesse lido meu livro, saberia que…

– Eu li o seu livro, professora Cormier. Você só menciona de passagem o texto que estou analisando. E aceita ingenuamente a interpretação consagrada, sem refletir se deveria confiar nela. – Delphine estreitou os olhos.

– Eu aceito a interpretação que faz sentido. – Seu tom de voz era glacial. – Nunca aceito nada ingenuamente. – Cosima bateu o pé, bufando de frustração.

– Você não quer que eu tenha minhas próprias ideias? Ou acha que devo repetir o que todos já disseram só porque sou uma reles aluna de doutorado? – O rosto de Delphine ficou vermelho.

– Eu nunca disse isso. Também já fui aluna, caso não se lembre. Mas não sou mais. Você poderia se beneficiar da minha experiência.

– Ah, aí está. – Cosima jogou as mãos para o alto, indignada, e saiu do escritório. Delphine foi atrás dela.

– Como assim, aí está? – Ela não se deu o trabalho de se virar.

– Você só está irritada porque vou discordar de você em público.

– Que bobagem.

– Bobagem? – Desta vez, ela se virou. – Então por que está me dizendo para mudar meu artigo para ficar de acordo com seu livro? – Ela pôs a mão no braço dela.

– Não quero que o artigo concorde comigo. Só estou tentando ajudá-la a não fazer papel de idi… – Ela se interrompeu de repente.

– Como é que é? – Cosima questionou, desvencilhando-se da mão dela.

– Nada. – Ela fechou os olhos e respirou fundo. Quando tornou a abri-los, parecia mais calma. – Se começar agora, pode conseguir reescrever o artigo a tempo para a conferência. Eu posso ajudar.

– Não quero a sua ajuda. E não posso mudar minha tese. Eles já publicaram o resumo no site da conferência.

– Vou ligar para Aryanna. – Ela lhe abriu um sorriso encorajador. – Ela vai entender.

– Você não vai ligar coisa nenhuma. Não vou mudar o artigo. – Delphine apertou os lábios em uma linha fina.

– Não é hora de ser teimosa.

– Ah, é sim. É o meu artigo!

– Cosima, preste atenção…

– Você está com medo de que eu faça papel de idiota. E que envergonhe você.

– Não falei isso. – Cosima lançou-lhe um olhar que parecia magoado, se não traído.

– Foi o que acabou de falar.

Ela entrou no quarto e tentou fechar a porta atrás de si. Delphine esticou a mão, segurando a porta no lugar.

– O que está fazendo?

– Tentando sair de perto de você.

– Cosima, pare. – Ela olhou ao redor, sem saber o que fazer. – Podemos conversar sobre isso.

– Não, não podemos. – Ela pressionou um dedo no peito dela. – Não sou mais sua aluna. Tenho direito às minhas próprias ideias.

– Não foi nada disso que eu falei. – Cosima a ignorou e andou em direção ao banheiro. – Cosima, mas que droga. Pare com isso! – gritou diante da porta. Cosima deu meia-volta.

– Não grite comigo! – Delphine levantou as mãos, como se estivesse se rendendo, e inspirou fundo.

– Desculpe. Vamos nos sentar e conversar.

– Não consigo conversar com você agora, não sem dizer algo de que vá me arrepender depois. E você também precisa se acalmar.

– Para onde você vai?

– Para o banheiro. Vou trancar a porta e evitar você pelo resto do dia. Se não me deixar em paz, vou para a casa do meu pai. – Delphine fez uma careta. Cosima não ficava na casa do pai desde antes de elas se casarem.

– E como pretende fazer isso? – Ela revirou os olhos.

– Não se preocupe, não vou deixar você sem carro. Chamarei um táxi.

– Não tem nenhum táxi na cidade. Você vai precisar chamar um de Sunbury. – Cosima lançou-lhe um olhar fulminante.

– Sei disso, Delphine. Eu morava aqui, lembra? Você deve mesmo achar que eu sou uma imbecil.

Ela entrou no banheiro e bateu a porta atrás de si. Delphine ouviu o barulho do trinco girando. Ela esperou um momento antes de bater à porta.

– Kristal, Leonard e Daniel vão chegar a qualquer momento. O que vou dizer a eles?

– Diga que eu sou uma idiota. É óbvio.

– Cosima, me escute. Por favor. – Ela ouviu o som de água corrente vindo do lado de dentro. – Muito bem! – gritou. – Me evite, então. Nossa primeira briga e você se tranca no maldito banheiro. – Ela espalmou a mão contra a porta. O barulho da água parou de repente. Cosima ergueu a voz para ser ouvida:

– Minha primeira palestra e você me diz que ela é uma merda. E não por ser verdade, mas porque não está de acordo com você e com seu maldito livro!

Após um banho de banheira quente e demorado, Cosima saiu de lá. O quarto estava vazio. Ela se vestiu depressa e depois foi para o corredor. Caminhou de mansinho até a escada e aguçou os ouvidos. Convencida de que a casa estava vazia, foi até o escritório e fechou a porta com cuidado. Então sentou-se à mesa e, com um jazz suave como trilha sonora, voltou a trabalhar no artigo.

***

– Cadê a Cosima?

Krystal abraçou a irmãa antes de arrastar sua pequena mala e a do marido, Leonard, para dentro da sala de estar. Alta e esguia, usava calças cáqui e uma blusa branca com gola em V. Seus longos cabelos louros tinham um corte perfeito e estavam presos para trás pelos grandes óculos escuros na cabeça, mostrando seu rosto bonito. Poderia muito bem ter saído de um anúncio da Gap. A expressão de Delphine ficou tensa.

– Está trabalhando no artigo dela.

– Você avisou a ela que nós chegamos? – Krystal foi até o pé da escada. – Cos! Tire a bunda dessa cadeira e venha aqui!

– Krystal, por favor – disse seu pai, repreendendo-a antes de cumprimentar Delphine com um abraço.

Daniel tinha cabelos claros e olhos acinzentados. Era discreto e sério, e sua inteligência e gentileza geravam respeito em todos que o conheciam. Como não ouviu movimento algum no andar de cima, Krystal se virou para a irmã, estreitando os olhos verdes.

– Por que ela está se escondendo? –Delphine cumprimentou Leonard com um aperto de mão.

– Ela não está se escondendo. Não deve ter ouvido você. Seus quartos estão prontos e há toalhas limpas no banheiro social. Pai, se quiser, pode ficar no seu antigo quarto.

– O de hóspedes está ótimo. – Daniel pegou sua bolsa e começou a subir as escadas.

– Você e Cosima brigaram? – perguntou Krystal, lançando um olhar desconfiado para a irmãa. Delphine apertou os lábios.

– Você pode falar com ela lá em cima – desconversou Delphine. – Depois nos reunimos na varanda para beber alguma coisa. Vou fazer costeletas grelhadas para o jantar.

– Costeletas? Excelente. – Leonard deu um tapinha amigável nas costas de Delphine. – Eu ia parar para comprar cerveja no caminho, mas Krystal quis vir direto para cá. Vou buscar algumas e já volto.

Ele pegou as chaves do carro e estava prestes a seguir em direção à porta quando a esposa o deteve, balançando a cabeça. Delphine percebeu a troca de olhares entre Krystal e Leonard e decidiu que essa era a sua oportunidade de escapar.

– Vejo vocês no quintal daqui a pouco – disse, indo para a cozinha. Krystal balançou a cabeça para o marido.

– Elas estão brigadas. Vou falar com a Cos enquanto você fala com a Delphine. Depois pode ir comprar cerveja.

– Por que elas teriam brigado? – Leonard correu os dedos pelo cabelo escuro.

– Quem sabe? Talvez Cosima tenha reorganizado a coleção de livros dela sem pedir autorização.


Notas Finais


O negócio pegou fogo, e não foi no melhor dos sentidos 😉
Delphine vai ter que se virar nos 30 pra contornar essa situação. 😂😉
Cosima é pequenininha, mas é brava haha! AMEI ❤


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