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História Hear Your Silence - Yoonseok - Capítulo 20


Escrita por:


Notas do Autor


sem revisão e sem nada porque eu tô atrasada.
boa leitura

Capítulo 20 - Ato 1 - XVII


-Não esquece de ver quem são, Tae! –Namjoon gritou da cozinha, as mãos ocupadas com a louça –Se for uma magricela oxigenada, um cara bombado e um ruivo que muito provavelmente está com uma roupa extravagante, pode mandar entrar!

-Eu escutei! –A voz abafada gritou pela porta.

Taehyung riu com o comentário e posicionou o rosto no olho mágico a sua altura, reconhecendo as pessoas exatamente como tinha descrito.

Sabia que Namjoon era especialista em comportamento, mas preferia pensar que era um tipo de mágico. Abriu a porta, todo encolhido para as três silhuetas superiores.

Não que fossem realmente, mas dançarinos têm naturalmente uma postura poderosa.

Fizeram jus à essa postura, Hoseok nas mesmas cores neons, Jungkook com jeans justa, coturnos altos e a camisa de botões meio aberta, Lalisa com um vestido curto e justo. Preto, porém, brilhoso demais.

Em suma, tudo o que a visão exigente de Taehyung não estava acostumada a ver.

Todos ficaram parados, esperando uma reação qualquer do anfitrião que não tinham a menor ideia ser deficiente e que, além disso, não disse nenhuma palavra além de os observar atentamente.

A ordem de Namjoon foi atender a porta, o restante ele não sabia fazer! Ainda mais envolto entre tantas cores fortes.

-Taehyung, não é? -O ruivo extravagante tomou um passo à frente com o típico sorriso e entregou uma caixa para o menino –Trouxemos isso para você. Yoongi me disse que gosta muito de doces.

Taehyung hesitou antes de pegar a caixa bem lentamente e, ao perceber chocolates amargos, sorriu grande.

O garoto tinha cabelos cor de fogo. Ele também gostaria de poder pintar o cabelo de algo forte assim.

Envolto em seus pensamentos, não percebeu que ficara olhando para ele sem dizer nada.

-Ótimo, os amigos dele são todos estra... Ai! –Jungkook foi interrompido quando Lisa esmagou seu pé sem tirar o sorriso do rosto.

-Tudo bem, querido? -Ela deu um passo confiante a frente e se acocorou sobre os tênis brilhantes para ficar na altura dele.

Taehyung fitou seus olhos grandes e logo os abaixou para os joelhos, assustado. Ela era bonita demais, era deselegante ficar olhando para meninas bonitas demais. Se atrapalhava todo em pensamentos quando via uma.

-Seu amigo chamou a gente para jantar na sua casa, nós precisamos entrar para isso... podemos?

-Podem sim –A voz grave surpreendeu os três que, inconscientemente, esperavam algo que combinasse com a postura submissa, quase infantil.

-Licença... –Um atrás do outro eles entraram pelo corredor estreito, encontrando no fim dele Namjoon secando as mãos e Yoongi sentado, na frente de um tabuleiro de xadrez com peças aparentemente desordenadas.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Taehyung largou o chocolate sobre a mesa e voltou a jogar com Yoongi.

O platinado sorriu leve e acenou para eles.

-Boa noite, senhores! –Namjoon apareceu da cozinha com um sorriso nunca visto antes. Na destra um pano e na canhota uma garrafa escura -Eu e Yoongi estávamos tentando ter uma conversa amigável, mas Taehyung aprendeu mais rápido que eu.

-Ah, é¿ -Um tanto sem graça, Hoseok externou qualquer grunhido em resposta depois do silêncio constrangedor que ficou.

Ele esgueirou os olhos até Taehyung mais uma vez. Céus, um cadeirante. Imaginava tudo menos isso quando Yoongi falava, sempre tão bem de Taehyung.

-Vocês aceitam um vinho¿ Estava apenas os esperando para abrir.

-Só um minutinho –Antes da resposta, Hoseok ergueu o indicador e riu sem graça -Nós vamos comemorar alguma coisa?

O médico franziu o cenho, um pequeno sorriso lateral evidenciado pela covinha direita.

Hoseok estava na defensiva, corajoso por estar junto dos amigos. Observar essa postura seria realmente interessante.

-Meu jovem, nunca espere um motivo especial para beber vinho. Vão querer¿

-Eu não bebo. Muito obrigada. –Falsamente educado, o dançarino uniu as mãos.

-Eu bebo! –Lisa, que estava mais para trás, ergueu a mão e passou na frente de todos -Passa para cá.

O médico riu enquanto despejava o líquido em ondas sobre a primeira taça.

Lisa não é uma pessoa difícil de lidar, o que lhe dava abertura para perguntar mais sobre o que quisesse saber.

Ótimo, por enquanto, tudo sob controle.

-Jeon?

-Eu aceito também. Pouco, por favor –Esticou a mão também, sem mover-se um único passo para frente. Como quem alimenta um animal perigoso à distância segura.

Este, talvez, desconfiado até o último estante.

Ao fim dos cumprimentos, Taehyung soltou uma risada grave enquanto voltava a arrumar as peças do tabuleiro para a posição inicial.

-TaeTae –Namjoon chamou e imediatamente ele parou no lugar. -Já cumprimentou as visitas?

-Ah sim. Boa noite pessoal, fiquem à vontade, com licença. –Disse e voltou a atenção para as peças, indiferente.

Os novos visitantes estranharam o comportamento, mas ninguém teve coragem de perguntar.

-Vamos nos sentar? -O médico disse antes de tirar o celular do bolso e segundos depois o de Yoongi vibrar sobre a mesa.

Ele observou a mensagem e negou antes de apontar para o tabuleiro.

A expressão estava séria, como sempre, porém algo bem sutil nos olhos dele indicava que não queria se juntar à mesa com eles.

-Yoongi não vai jantar conosco agora, vêm depois –O médico exalou devagar o ar –Vamos lá.

Acompanharam o médico até a sala de jantar, com a mesa já posta de forma bem elegante, o que não estavam acostumados.

Quer dizer, o cara que mora numa quitinete e outro que mora num porão não poderiam estar menos acostumados.

O silêncio e a estranheza do ambiente sofisticado deixaram os três visitantes confusos sobre, primeiro, onde se sentarem, na mesa longa de oito lugares.

Por fim, acabou Hoseok tomando as rédeas da situação quando escolheu uma das cadeiras próximas do meio da mesa, com Lisa a seu lado e Jungkook sentando-se do outro lado.

-Então, vamos começar com calma. O que vocês estudaram? Me contem um pouco sobre vocês –Namjoon começou a fala, montando em um prato pequenas porções na bancada que separava a grande mesa e a cozinha.

-O senhor provavelmente já pesquisou a respeito, não foi? -Foi Jungkook quem disse, arrumando-se na cadeira confortável até demais.

-Guacamole e pão de grãos, aproveitem –Caminhou até a mesa com uma tábua de pães e na outra uma tigela com alguma pasta verde – E não. Eu os convidei para jantar, a ideia é que nos conheçamos melhor. Afinal vocês têm me ajudado muito com o Yoongi.

Depois de mais um breve momento de silencio, finalmente Lisa o quebrou.

-Bom, eu sou professora de dança, formada em balé clássico. –Lisa foi também a primeira a se servir e assim que provou um sabor bem conhecido atiçou a língua. –Isso é... castanha?

-Excelente paladar, senhorita –Namjoon se sentou também, inesperadamente na cadeira de frente para Hoseok –Imaginei que tivessem vidas bem ativas então montei um cardápio com bastante proteína e pouco açúcar. E você, Jungkook?

-Ah, eu me formei em fisioterapia recentemente. Pretendo me especializar ainda. –Ele ainda tinha as mãos unidas sobre a mesa, não tocou em nada.

-Devo dizer que está fazendo um trabalho excelente com Jimin. –O médico também recheou seu pão e levou aos lábios -Que área pretende se especializar?

-Eu pensei em esportiva –Levado pelo incentivo, também se serviu e Hoseok foi logo atrás -Mas, depois de Jimin, a neurofuncional é uma opção a se considerar, ela é... complexa e muito interessante.

-Tudo relacionado ao cérebro é muito interessante. –Sorriu para ele -E você, Hoseok?

-Eu terminei a escola e trabalho com dança, nada demais. –Disse rápido, antes de encher a boca e evitar mais pergunta.

-Como é? -Lalisa praticamente bateu na mesa –Você está estudando fotografia. Vai ser um excelente fotógrafo daqui a alguns anos.

-É, claro –Engoliu a força -Tem isso, mas ainda não terminei. 

Imediatamente Namjoon lembrou de Yoongi lhe dizendo que Hoseok tinha recentemente desistido da faculdade.

Então quer dizer que ele sabe mentir...

-Orgulhe-se das coisas que gosta de fazer –Apontou para Hoseok com um pãozinho -Mesmo que sejam bem simples. Afinal, você está aprendendo e não os outros.

-Pois é, o Jungkook sempre incentiva isso. Mesmo que não entenda nada sobre o que os pacientes dizem, ele escuta com atenção. Acho isso muito fofo.

Mesmo que fosse um adulto, a frase atingiu o personal em cheio.

Então Lisa o observava em segredo?

-Interessante, conte mais sobre isso, Jeon. –O médico apoiou o rosto no braço.

-É difícil dizer –Deu de ombros -É como se eu ficasse muito feliz com pessoas falando sobre o que elas gostam.

-O entusiasmo te fascina?

O médico olhou fixamente para ele, com uma aura atenciosa de metalinguagem.

Ele entendia o que o personal sentia porque, quando mais novo, sentia o mesmo.

-É isso, exatamente. –Jungkook não conseguiu evitar sorrir, quase constrangido -Eu só não sei achar as palavras exatas. Como entendeu?

-Ter uma formação em medicina sem conhecer ao menos brevemente as características de comportamento humano é inviável. –Deu de ombros.

-Que pena que nem todo mundo pode aprender isso. –Lalisa acrescentou

-Esse é o detalhe, a falta desse conhecimento gera a maioria dos problemas entre as pessoas. Meu trabalho, como psiquiatra, é solucionar esses problemas e, como médico, diminuir a dor.

-A maioria dos médicos sequer liga para os pacientes. –Foi a vez de Hoseok dar de ombros, o olhar baixo para a comida.

-Nesse caso o profissional lida apenas com carne e não com gente, essa pessoa provavelmente não merece a profissão e eu garanto, ao menos no hospital que direciono, basta um paciente piorar e o médico está fora.

-Eu acho o seu trabalho uma causa nobre. –Lisa começou, quase envergonhada em dizer -É preciso um tanto de coragem.

-Nem tanto. A maioria de nós não pensa em coragem quando escolhe. Pensa no dinheiro ou no fato de não precisar mecher com corpos abertos. –Puxou uma risada -Diminuir a dor de alguém aé mais fácil do que parece. Só é preciso ter uma cabeça muito forte pra não usar esse poder para causa-la também, e muitas vezes eu falho.

Assim que terminou, um grito alto seguido de risadas e palmas preencheu a sala.

Yoongi se jogou para trás, ao perder a dama num movimento impensado.

-Eu gostaria muito de perguntar sobre o garoto –Jungkook apontou para trás.

-Verdade. –Lalisa deu mais uma mordida no pão antes de continuar -Me desculpe, mas ele tem algum disturbio?

-Lalisa –Hoseok rangeu os dentes e a chutou por baixo da mesa.

-O que? É obvio que ele não é normal!

-Taehyung foi diagnosticado com um transtorno grave, mas não importa, eu discordo. As vezes ele ensina até a eu como se comunicar.  

Nesse momento Yoongi estalou os dedos, chamando a atenção de todos e apontou para o tabuleiro com uma feição derrotada.

Xeque-mate, pela quarta vez. E ele não estava deixando o garoto ganhar.

-Acho que está na hora do prato principal –Namjoon sorriu, com Yoongi se levantando para ajudar Taehyung a subir na cadeira de rodas.

Em pouco tempo um alimento peculiar foi posto à mesa na frente dos visitantes. Uma carne desconhecida bem temperada, coberta com molho de limão e ao lado de um purê de legumes com couve roxa

Lisa, sempre adepta a novas oportunidades inspirou o cheiro bom e logo deu a primeira garfada, gemendo em satisfação.

Taehyung, sem muito alarde, começou a comer. Yoongi fez o mesmo, mas, pelo visto, parecia ser um prato que não gostava muito.

Jungkook não queria parecer mal-educado, mas, como sempre muito curioso, passou a prestar atenção no formato da fibra da carne, tão semelhante à da estrutura humanoide. Então inflou os pulmões, um tanto receoso se deveria expor sua hipótese.

-Porque escolheu carne de macaco?

Discretamente, sentiu o corpo de Hoseok arquear em uma gorfada discreta.

-Para de comer, isso é uma pessoa, eu tenho cert... –Sussurrou para Lisa, mas parou assim que a percebeu na quarta garfada cheia.

-Nada em especial, imaginei que nunca tinham provado. Reconheceu o cheiro¿

-É, eu vi algo parecido na faculdade –Se conteu a responder apenas isso, receoso de verdade que o estômago sensível de Hoseok cometesse uma gafe inesquecível.

-Eu agradeço, mas não precisa esbanjar o que é caro para nós. –Delicadamente, o dançarino arredou a cadeira para trás.

-Na verdade é mais barato que carne de segunda, dependo do fornecedor. São animais bem fáceis de reproduzir, tirando que, são pragas nessa região. O preparo que é sofisticado. –Namjoon já cortava grandes pedaços e pesava os olhos em deleite-Me desculpe se fiz uma má escolha, para o meu paladar, parece ótimo.

-Não, que isso. É uma oportunidade, né, gente? –Jungkook pegou os talheres e direcionou um olhar torto a Hoseok –Eu nunca experimentei.

-É uma carne barata também porque as pessoas têm medo de contrair HIV ou algo assim –Taehyung soltou com naturalidade entre uma garfada e outra.

Jungkook travou o alimento por um segundo na boca.

-Não se preocupem, acompanho a criação dos animais de perto, isso seria impossível.

Hoseok grunhia quietinho e Yoongi tocou seu antebraço estranhando o comportamento.

-Meu deus! –Taehyung primeiro ergueu a cabeça e olhou para os lados, depois em um solavanco, passou o corpo para a cadeira e sumiu para seu quarto.

-O que se diz quando sai da mesa, Kim Taehyung!

-Com licença! –Gritou, ao longe.

Pela incontável vez, todos ficaram se olhando, sem motivo.

-Se me permite, tem como ser um pouquinho mais específico sobre o que há com ele? –Jungkook perguntou.

-Ele só é diferente. Abençoado com algum tipo de um transtorno de personalidade. Pode ser esquizotípico, antissocial, dupla personalidade ou obsessivo compulsivo. É muito difícil dar laudos a respeito.

-Autista leve ou tdah, já tentou? –Lalisa Chutou. –Ele teria direito a tratamento especial em muita coisa.

-TDAH sem chance, ele é muito concentrado. Tem um emocional melhor que o da maioria das pessoas e se vira muito bem sozinho, mesmo sem as pernas. A respeito do autismo, eu suspeitei porque ele é muito bom com pintura, mas a única característica é a dificuldade para interação social, que acaba logo que cria confiança. Ele só vê o mundo do jeito dele.

Yoongi estalou os dedos, pedindo atenção e então começou a gesticular.

-E aí Hobi, o que é? –Foi Lalisa que, ansiosa, perguntou

-Ele disse que o garoto é especial. De tanto conviver com Namjoon, aprendeu a ler pessoas. Ele sabe o que elas sentem quando nem elas sabem direito... Doutor, trouxe um de seus pacientes para casa?

-Ah, Yoongi não te contou? –Quase no fim do prato, o médico limpou os lábios com um lenço -É meu primo de segundo grau.

O silêncio que se fez na mesa foi ainda mais constrangedor que os todos os outros anteriores.

-Com licença, eu vou no banheiro. –Hoseok, sem nem tocar no prato, se levantou e saiu.

-As pernas dele estão fortes, não é cadeirante desde que nasceu, certo? –Jungkook, com uma sobrancelha arqueada, perguntou.

-Bem observado, Jeon. Foi o... –Namjoon grunhiu para conter a fala -O acidente.

Taehyung voltou para a sala empurrando rápido a cadeira e com um pequeno pássaro no colo.

-Ah Tae, mais um? –Namjoon parecia realmente estressado com a situação

-Não tenho culpa que a mãe deles é irresponsável!

-Enrole-o em uma toalha, depois eu o coloco no ninho. –Desviou o olhar para o prato -Agora estamos jantando.

-Eu posso ir com ele, já acabei. –Lisa largou o pano sobre a mesa e se levantou –Com licença.

Diferente do esperado, Taehyung arredou a cadeira ainda mais para longe e protegeu o pássaro no peito.

-Ei, eu não vou te machucar. –Ela sorriu, mas ainda sim não recebeu um olhar em resposta.

Porque Tae olhava para Namjoon, quase pedindo ajuda.

-Pode ir.

O cadeirante percebeu as pernas magras dando passos sutis em sua direção, leves e pouco barulhentos.

Lhe lembravam os paços de Kaori.

Logo, diante de seu olhar baixo, uma mão delicada, adornada por anéis e uma cor vibrande nas unhas foi oferecida a ele.

Receoso como nunca, ele a segurou com força e levou bem lentamente pelo corredor até seu quarto.

Namjoon, como uma espécie de irmão orgulhoso, estava maravilhado.

-Oh, esse é o seu quarto, então? –Foi o que ela disse, mesmo sem a luz estar ligada -Muito lindo. 

-O ninho é ali –Apontou para a janela onde, na caixa do ar condicionado, gravetos mal organizados fizeram um pequeno vão para a ave cair –Coloca ali, por favor.

Lisa abriu a janela de correr e se ajoelhou para dispor o animal ali, notando um outro filhote no ninho.

Discretamente, olhou em volta. O quarto decorado em tons pastéis, contrastando com a quantidade de quadros espalhados com tons variantes de vermelho marrom e preto.

-Você gosta de pintar? -Assim que terminou, girou nos joelhos e se sentou na cama.

-Não sente aí, vai desarrumar meu cobertor –Ela teve a mão puxada com força até que estivesse de pé.

-Me desculpa, eu... –Ela pensou em qualquer justificativa, mas a expressão dolorida de Taehyung e uma das mãos apoiada nas costas disse mais sobre ele, com isso, as pinturas estranhas pararam de ter importância.

A forma como puxou a mão de Lisa poderia ter o machucado.

-Você sente dor nas costas?

O outro assentiu, fazendo uma careta

-Deixa eu ver se posso fazer passar, hum? -Os olhos felinos a fitaram de baixo, depois focaram na mão delicada e cheia de adereços na frente dele. -Você precisa deitar na cama e eu vou fazer uma massagem nas suas costas, é rapidinho.

-Não quero. –Se afastou, em direção à porta -Joonie já faz isso em mim toda semana.

-E não resolve? -Ela o acompanhou, admirada pela dualidade da rudeza de palavras, mas educação em dar espaço para que passasse primeiro pelo corredor.

-Não, mas alongo todos os dias. Logo vou voltar a andar.

-Sente falta de andar?

-Não.

Com respostas cada vez mais curtas, Lisa decidiu que era melhor se calar.

-Que bom que voltaram –Namjoon sorriu de volta, se levantando -Meu repertório de sobremesas não é muito grande. Então eu preparei salada de frutas vermelhas, vão querer?

-Não, eu já estou satisfeita, obrigada. –Lisa abanou com a mão sorridente.

-Eu também, mas guarda para o garotão aqui que vai precisar mais para ficar forte. –Jungkook bateu com o indicador a lateral da cadeira de rodas, ao seu lado

Secretamente, Tae ficava muito feliz em receber atenção, mesmo que não pudesse responder à altura.

Yoongi percebeu na expressão fechada de Hoseok como ainda estava com fome. Inclusive lembrando como gostava de frutas após as refeições. 

Rezava que acabasse logo e que Namjoon não tivesse feito tudo isso de propósito.

-Bom. Vamos para a sala, é mais confortável e eu posso vigiar o Tae fazer o que faz de melhor.

-Eu posso beber vinho enquanto pinto? –O menino travou a passagem dele, sorridente como as visitas ainda não tinham visto.

-Pouquinho, pode.

-E chocolate? –Arregalou ainda mais os olhos em meio a ansiedade –A Lisa, o Jungkookie e o Hoseok me trouxeram chocolate de presente.

Namjoon pensou em alguma justificativa, mas por fim, acabou expirando pesado.

Diante disso, Yoongi mais uma vez estalou os dedos e gesticulou uma frase bem curta.

-Ele disse que a ideia foi dele.

-Está bem. Mas só alguns! Senão você –Tae já tinha dado meia volta –Minha nossa...

Primeiro foi Hoseok que não conseguiu segurar o riso, segundos depois Hoseok e os outros estava com ele.

-Acho que achei o calcanhar de aquiles do seu primo, doutor. –Jungkook brincou, se acomodando no sofá.

-Nem pense nisso, é bem possível dele logo pedir para morar com você!

Logo vieram ainda mais risadas. Em menos tempo ainda, cada um tinha encontrado uma posição confortável para conversar. Até mesmo Hoseok e seu inquebrável hábito de sentar no chão, puxou Yoongi para junto de si e agora conversavam sozinhos.

Taehyung estava na segurança de seu quarto, pintando e Jungkook, que acompanhava Lisa saiu brevemente para atender o celular, por isso ela foi até a cozinha, onde o médico já adiantava a louça.

-Então –Ela chamou sua atenção –Quer dizer que seus amigos inseparáveis eram uma criança, um músico, um enfermeiro e um asperger?

Ele abaixou o prato e direcionou o olhar para um ponto fixo, refletindo.

-É. –Respondeu simples e voltou o que estava fazendo –Não tenho certeza do que Taehyung é. Asperge é muito abrangente.

Na verdade, essas descrições nunca foram levadas em conta, eles se davam bem e isso bastava. Mesmo que os assuntos as vezes divergissem, eram em cinco. Um completava o outro. O médico ajudava Seokjin a estudar, este aconselhava muito bem Jimin que era inseparável de Yoongi, que acalmava Taehyung, que vivia alimentando o ego de Namjoon sempre fazendo perguntas interessantes e criando paradoxos.

Cada um com suas próprias limitações, eles se equilibravam. E bastava.

O médico sentiu tanta dor quanto os outros, mas preferiu senti-la sozinho em casa, por isso talvez parecesse frio. Taehyung não foi da mesma forma, e era a primeira vez que o via minimamente confortável com alguém.

-Inclusive, ele está sexualmente afim de você.

-Que absurdo –Lalisa bateu os lábios, os braços cruzados e as costas apoiadas na pia, ao lado de Namjoon.

-Tae ficou bem inseguro depois do que aconteceu e você é a primeira pessoa estranha que ele consegue olhar nos olhos.

-É como falar com uma criança –Ela deu de ombros e negou – Tem que ter jeito.

-Não é todo mundo que tem jeito. –Jogou o pano de prato no ombro dela –E paciência. Taehyung não é fácil quando quer.

-Hobi também não! –Ela puxou o primeiro prato e se pôs a secar -Ele deve ter déficit de atenção ou alguma coisa assim.

-Não gosto desse termo, não para Hoseok. -Lisa sequer teve tempo de questionar -Termos para pequenas divergências de um padrão de comportamento servem apenas para justificar serem... errados. É um rótulo, como dizer a eles que têm doenças sem cura. Prefiro dizer que tem especificidades, que são peculiares. Entende?

Namjoon se encostou na curva da porta com o rosto virado para a sala, Lisa, em silêncio, lhe fez companhia do outro lado.

 -E seu amigo é bem peculiar. Sabia? –Olhou para ela, por um momento –Gostaria muito de poder estudar a mente dele.

-Tem certeza que não nos deu miolos para a gente comer? -Namjoon abaixou a cabeça num riso sem som –Hobi diz que você é o Hannibal, estou começando a concordar.

-Eu garanto que não, as embalagens estão na geladeira, pode confiscar –Ele cruzou os braços, ainda olhando para a sala finalmente cheia de pessoas. –Olha para ele, se divertindo tanto.

-Olha, doutor. Eu não sei o que aconteceu naquele dia e agora conhecendo você e Yoonie não acredito mais no que o noticiário disse –Ela humedeceu os lábios antes de continuar –Vocês seriam incapazes de matar seus amigos. Taehyung te ama e isso está escrito em cada frase dele... Mas ainda não sei da verdade.

-Não posso te falar, me perdoe. Talvez um dia, quando Taehyung superar esse trauma ou quando Jimin for adulto e responder sobre seus atos.

-E por você? Não responde por seus atos?

 -Não posso depor, tenho dezenas de processos contra mim e Seokjin não está mais entre nós. Qualquer coisa que disser, você não tem o dever de acreditar.

-Yoongi me contou do tiro. Hoje mesmo, enquanto você atendia Hoseok. –Ela disse receosa em receber alguma punição.

Mas não. A expressão do médico continuou a mesma.

-É algo que ele não conseguiria guardar sozinho, fico feliz que se preocupe comigo, mas me admira que tenha falado para você – Na última frase, o rosto bem marcado se virou para ela.

Lisa até poderia julgar ofensiva, mas de certa forma, já estava acostumando com o jeito insensível.

Como o próprio disse antes; Cada pessoa tem peculiaridades.

-Ele –Pigarreou pelo olhar profundo que recebia –Ele está me ensinando filosofia agora, conversamos bastante a respeito e em uma de minhas perguntas acabou... saindo.

-Não há problema –Voltou olhar para frente -Contanto que não saia da sua boca. Senão eu posso aderir algumas características de Hannibal Lecter.

-Não vai. Eu garanto. –Ela sorriu lateral.

Eles ficaram mais algum tempo em silêncio vendo momentaneamente as atenções serem trocadas. Jungkook sumiu para o quarto de Taehyung e, do outro lado, Yoongi fazendo malabarismos com as mãos para Hoseok.

-Já que você é tão bom psiquiatra comportamental assim... –Lisa começou, em tom zombeteiro

-Agradeço pela parte que me toca, senhorita.

-Me diga uma coisa: Hobi está mesmo afim do Yoongi ou é impressão minha?

-Achei que conhecesse ele a vida toda –Foi o melhor que pôde dizer para fugir do assunto que estava começando a lhe assustar a algum tempo, logo em seguida, virou a taça de vinho dentro da boca.

O dançarino não era o único habituado a empurrar sentimentos garganta abaixo.

-Eu conheço, mas você estudou para isso, pode ter mais certeza.

Diante da insistência, o peito do médico se inflou e o sorriso terno diminuiu até se tornar uma expiração pesada.

Ele olhou para os dois, direcionando o olhar para o mesmo lugar que Lisa. Estavam brincando, inertes em seu próprio mundo e contando piadas em sinais que ninguém mais entenderia.

-Imagina alguém entrar em uma briga com você. ­–Sem esconder o sorriso, Yoongi gesticulava.

-Eu sou uma pessoa pacífica e medrosa, isso seria impossível.

-É que o jeito que você me segurou hoje foi bem... possessivo, imagina pegando uma briga com alguém!

Hoseok precisou de um piscar inerte antes de pensar em uma provocação a altura.

-Tem uma varanda aqui ou um quarto de hóspede para eu testar meu jeito possessivo?

A resposta foi um pequeno guardanapo atirado com força no peito dele.

E então a conversa acabou entre ainda mais risadas.

-Acho que desde o primeiro dia. – O médico exalou a frase junto com o ar dos pulmões –Hoseok é todo quebrado por dentro. Temo muito do que essa relação pode causar.

-Mas Yoongi não é hetero?

-Sim ele é. Eu sou também. Mas somos humanos e temos desejos. Eles suprem, simultaneamente, carência de atenção e ego inflado, tirando que sexo é uma só necessidade fisiológica... Hoseok é sim um homem muito atraente, não posso punir Yoongi moralmente se acontecer.

A frase ficou matutando alguns segundos na cabeça da bailarina. Sexo é uma necessidade fisiológica. Alguém que pensava como ele. A primeira pessoa que não a puniria pelos seus atos e soubesse.

A testa da bailarina se contraiu e ela voltou a encostar na parede de braços cruzados observando Hoseok de pernas cruzadas fazendo expressões faciais das mais variadas enquanto gesticulava majestosamente com as mãos.

A visão do dançarino se dividiam entre o sorriso gengival enorme e os olhos em formato de linha, quase inexistentes. Hoseok faria isso por qualquer pessoa, a função na terra dele é fazer os outros felizes. Mas Namjoon tinha razão.

Era diferente.

Não ficaram conversando por muito mais tempo, logo Jungkook anunciou que precisava atender Park Jimin logo cedo e isso foi suficiente para alertar a todos do horário

-Bom, acho que essa é a nossa deixa –Hoseok se ergueu habilidosamente do chão e ajudou Yoongi a se levantar também –Obrigado pela janta, estava maravilhoso.

Disse o que usufruiu apenas da entrada...

–Deixa eu pegar uns potes para vocês lev-

-Não! –Hoseok abriu um sorriso depois de praticamente gritar –A gente agradece, não precisa mesmo.

Ninguém na sala precisava perguntar para saber que ele estava com medo de ser envenenado ou algo do tipo.

-Está bem, eu acompanho vocês até a porta.

O caminho foi lento, inclusive cheio de abraços de um Taehyung carente para com Yoongi. Logo, estavam todos para fora. Ao menos com alguém Yoongi doava abraços.

Após cumprimentos e mais agradecimentos, Jungkook escolheu ser o último a sair.

Percebendo a escolha o médico decidiu puxar assunto, visto que ele teria algo para falar.

-Gostei muito de você, Jeon. Me parece um profissional excelente.

-Eu agradeço mais uma vez, doutor. Só tenho mais uma dúvida, se me permite faze-la. -Jungkook ergueu apenas um dedo -Uma questão a respeito de Jimin ainda não encaixa no quebra-cabeça que montei sobre o acidente de vocês

-Ah, está investigando? -O tom surpreso sequer disfarçava o desdém –A polícia já esta fazendo um bom trabalho, mas se isso te diverte, pode dizer, adoraria te ajudar...

-Bem, o que aconteceu com você naquele dia?

Sinceramente, a pergunta pegou o médico de surpresa.

-Perdão?

-Você não encaixa. –Disse simplista.

Sim, de fato, ele não encaixava, mas o fato de Jungkook saber disso apenas por suas análises lhe dava crédito por ser um excelente investigador, Namjoon ficou realmente curioso sobre suas capacidades.

-Prossiga, por favor.

-Bem, Min Yoongi está surdo e com um ferimento grande na bacia. –Começou a contar pelo dedo mindinho –Ele precisava estar com o quadril erguido para o vidro atingi-lo com tamanha força, o que é impossível. Então, de alguma forma, ele tentou sair do carro e fora dele, perdeu a audição.

Depois da descrição exata do que aconteceu, Namjoon pensou seriamente que estava caindo em uma armadilha.

Mas calma. Ele tinha muito mais a dizer.

-Já Seokjin, está morto. –Passou para o dedo anelar –Como me disse, o laudo foi asfixia, suponho que tenha sido pressionado pelas ferragens, sem possibilidade de sair. Taehyung, assim como Yoongi, não bate... –Passou a contagem para o dedo central –Aquela lesão não seria causada com uma pancada só. Ele levou várias, o que supõe agressão.  Tirando isso ainda tem o fato de que Jimin também ficou preso no carro, deveria ter morrido assim como Seokjin, mas os efeitos colaterais dele foram quase completamente psicológicos. Compreende que cada um de vocês passou por algo muito diferente na mesma situação¿ E ainda mais: Você domina os assuntos sobre a mente e saiu completamente ileso.

-Está insinuando que eu provoquei o acidente?

-Não venha com chantagens, Namjoon –A técnica de desviar argumentação não funcionou. -Concorde comigo que um acidente de carro não teria consequencias tão diferentes para todos os envolvidos. Pelo bem de Yoongi e do tratamento de Jimin, eu estou implorando, me diz o que aconteceu! Você... Não tem nada, está limpo como se nem estivesse lá.

-Eu estava lá, e essa é uma história que você não deveria estar envolvido

-Mas por favor...

-Lisa não te contou? Ela já sabe.

Só a mensão do nome da bailarina já desnorteou Jungkook por alguns segundos. Se sentia levemente traído. Arrependido de não ter contado o que sabia para ela e ter acrecentado ainda mais na investigação.

-Você superou minhas expectativas, Jeon. E, sim, não foi um acidente. –O médico já desabotoava o blaser e começava o primeiro botão da blusa -Mas posso afirmar para você que eu e Yoongi fizemos de tudo para proteger os nossos. E eu vou provar.

Da camisa aberta té a metade, a grande marca cicatrizada de um leve buraco na pele.

Um tiro.

-Então vocês, na verdade, foram –Ele nem teve tempo de terminar.

-Atacados, é.

 Jungkook estava abismado, quase pedindo desculpas por ter feito tantos julgamentos errôneos.

-Se você e Yoongi estão sendo acusados e Taehyung é seu dependente, sobra apenas Jimin para comprovar a inocência de vocês.

-Não fique pensando muito nisso, deixa que eu...

-Leve Taehyung até a Dance With me. –Dessa fez foi ele que não deixou o médico terminar.

-O que? –Namjoon já fechava novamente a roupa.

-Jimin passou a evoluir nas investigações depois que teve mais contato com Min Yoongi. Se tiver contato com Taehyung, vai lembrar de mais coisas ainda!

Diante do silêncio do médico, ele continuou.

-Tenho mais alguns alunos paralíticos, não vou cobrar nada! Leve-o para brincar. Vai ser bom inclusive para os joelhos não ficarem parados!

-Claro, está bem. Eu vou pensar no seu caso. Hoje mesmo te dou uma resposta. –Sorriu, por dentro contrariado a envolver ainda mais aquelas pessoas em seus problemas.

-Jungkook? –A voz de Lisa soou cinco passos atrás dele. –Já está tarde, vamos. Até mais, TaeTae.

Namjoon finalmente olhou para trás e viu Taehyung com apenas metade do corpo no corredor e se escondendo assim que Lalisa lhe direioonou o olhar.

-Até mais –Dito isso, Jungkook girou nos calcanhares e saiu apressado.

Namjoon, quase como se estivesse sido aberto e revistado por dentro, fechou a porta com rapidez. Mas nem teve tempo de colocar os pensamentos no lugar; Tae, escondido precariamente, veio tão rápido quanto na sua direção.

-Joonie, Joonie –A voz grave o chamou, cada vez mais ofegante –Eu não me sinto bem!

-O que foi? Onde sente dor? -Ele se abaixou na frente do cadeirante e tocou os joelhos. Tentou buscar os olhos baixos dele, mesmo sabendo que seria uma tentativa falha.

-Meu coração... –Taehyung levou a mão grande ao próprio peito -Ta batendo muito rápido!

O médico riu nasal ao lembrar da bela mulher que mexeu com os sentimentos de TaeTae. Por fim, ergueu o corpo novamente e bagunçou os cabelos do outro.

-Vou fazer um chá e amanhã cedo você vai estar melhor, tudo bem? -Ergueu a voz por já estar indo para a cozinha, logo o cadeirante foi atrás dele e parou observando suas costas, reprimido.

Quando fazia isso, tinha algo a dizer.

Logo Namjoon se virou segurando a chaleira e, por um milésimo de segundo, conseguiu ver as írises castanhas antes que ele abaixasse a cabeça para o próprio colo.

-Tem mais alguma coisa que você gostaria de me falar? -Perguntou despejando o líquido em uma xícara–Aqui. Como que diz?

-Obrigado –Ele pegou a xícara, mas não tomou de imediato. Batucando os dedos no vidro interessado pelo som –Lisa é loira.

-Sim, Lalisa Manoban é loira, por que está me dizendo isso? -Namjoon se abaixou na frente dele novamente, desatando a gravata

-Loiro é bonito. –Finalmente levou o líquido aos lábios.

-Concordo –Sorriu, achando graça de tudo isso. Então o garoto continuou.

-Jin também estava loiro alguns anos atrás.

-Sim, estava –Um assentir de cabeça escondeu o leve incômodo na afirmação antes que levantasse para servir chá a si mesmo. -O que quer saber?

O médico sabia que, igual a ele, pouco a pouco Taehyung direcionava suas frases às perguntas que realmente gostaria de fazer. Por fim, o ponto crucial veio.

-Você foi namorado do Jin.

Namjoon se virou, as mãos e os quadris apoiados no balcão e um sorriso derrotado estampado na face.

Taehyung era seu orgulho, nunca mais ia contestar suas capacidades de observação, tampouco perguntar como ele chegou a essa conclusão.

Preferia deixar a resposta no ar.

-Vem cá, que tal a partir de amanhã você ir brincar um pouco na academia das nossas visitas? Tem pessoas iguais a você.

-A Lisa vai estar lá? –Perguntou descaradamente antes de tomar mais do chá.

Namjoon riu maior. Taehyung e sua espontaneidade poderiam ser inacreditáveis quando queriam.

-Acho que essa sua taquicardia é chocolate. Vai ficar sem chocolate por um mês!

-Nãooo! –Largou a xicara na bancada antes de girar a cadeira e roda-la rápido em direção ao seu quarto, parando apenas para pegar a caixa com bastantes bonboms sobre a mesa da sala.

Namjoon escondeu na mão uma risada forte.

Depois de tanto tempo de vida, se sentia feliz com as pequenas coisas.

Ainda não tinha paz, mas ao menos, com três dançarinos de classe média-baixa tinha aprendido a prestar atenção em Taehyung e seus detalhes.

Só isso, já o fazia se sentir um responsável melhor.


Notas Finais


E então. Ficou mais claro? o que acharam?
e agora, o JK tava sabendo mais do que a gente imaginava e a Lisa já sacou dos nossos Yoonseok.
agora é só treta e love!
kkkkkkkk
até a próxima, gente!


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