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História Heartbeat (VKook) - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Olá personas!
Estou num horário razoável hj shejejekek nada mais que minha obrigação.
Fiquem com esse cap que foi bem demorado de escrever. Tentei passar através dele, impressões e sentimentos de pessoas que sofrem/já sofreram bullying. Espero mesmo ter conseguido fazer algo de boa representatividade.
Enfim, a música de hoje se chama First Time, Day6 (sério???)
Link nas notas.
Boa leitura.

Capítulo 15 - Capítulo 15 - Livre pra Viver



(JK)


Quando acordei, estava com o corpo entorpecido. Eu olhei o rosto de Taehyung, tranquilo. Ele suspirava a cada respiração, ainda me abraçando enquanto deveria estar tendo bons sonhos. E por falar neles, nos sonhos, nossa ultima noite deve ter sido um.

Acreditar que tudo realmente aconteceu, que eu finalmente o tive em meus braços, como sempre quis desde que me apaixonei, parecia um conto de Fadas. Mas foi real e eu sabia, pois lembrava de cada gesto feito por suas mãos, em meu corpo. Lembrava de sentir suas unhas curtas, que enfeitam suas mãos elegantes, me arranhando devagar. Me lembrava dos sons, que sua boca fazia, enquanto eu quase desmaiava de tanto prazer, sob si. Lembro de ter beijado sua boca de tantos jeitos e tantas vezes, causando um torpor misturado a uma agitação, que me deixavam perfeitamente confuso enquanto eu sabia que naquela noite, ele seria meu.

Kim Taehyung já era meu. Talvez seja arrogância o que vou dizer agora, mas eu sempre soube que ele era meu. Meu amigo, que me acolheu, me protegeu, me ajudou, quando todo o resto do mundo parecia não se importar. Meu companheiro, que acreditava em mim, me incentivava a seguir meus sonhos e me guiava, sempre que podia, para o caminho certo. Meu amor, que me beijava com carinho, devoção, paciência e ousadia. Meu namorado, a quem entreguei de vez meu corpo, mente e coração. Eu tenho orgulho de dizer que aquele rapaz lindo, que dormia ainda enroscado a mim, tranquilo, era meu namorado.

Permiti que meus dedos tocassem com carinho e deleite a tatuagem de suas costas, arrastando minhas digitais por cada pena da Fênix, que estava ao meu alcance. Aquele pássaro, era a essência livre e revolta do meu namorado. Representava todas as vezes em que ele teve que renascer, após ter sua alma e coração amassados, destruídos. Seja por raiva, rancor, tristeza, impotência, eu sabia que Taehyung tinha muitas feridas, que cicatrizavam conforme ele ia se encontrando no mundo, definindo seu lugar. Estar a seu lado nisso, era mais que perfeito para mim. Porém, em nosso mundo real, as coisas nem sempre são como esperamos e eu sabia que tudo poderia ruir.

Meu pai, aquele cara chato de quarenta e poucos anos, que nunca me apoiou, ouviu, ou sequer conversou verdadeiramente comigo, iria fazer de tudo para nos separar caso soubesse sobre o namoro, a banda, ou todo o resto. Ele com certeza, teria vergonha de mim e jamais aceitaria Taehyung, apenas por ele ser um garoto. Contudo, eu não deixaria que meu pai me privasse de mais nada. Incluindo, meu amor. Suspirei alto, quando inconscientemente, apertei Taehyung com meus dedos, fazendo ele acordar aos poucos e me olhar:

“Bom dia meu amor...”- sua voz de sono, era a melhor melodia do mundo. Sorri imediatamente, quando seus olhos sonolentos pousaram sob meu rosto, me encarando.

“Bom dia amor... dormiu bem?”- perguntei. Ele concordou com a cabeça, enquanto apoiava a mesma no meu peito, me abraçando. Ainda estávamos praticamente sem roupa alguma, cobertos apenas pelos lençóis. O calor de seu corpo era o suficiente para me esquentar naquele final de Outono.

“Me sinto novo... acho que seu amor me curou.”- ele brincou e eu ri bonito, quando depositei um beijo em seus cabelos de fogo.

“Acho que nos curamos juntos meu amor. Mas... temos que ir. Meus pais, eles devem estar muito bravos comigo.”- acabei dizendo, mesmo que meus braços estivessem segurando Taehyung com força.

“Eu não quero soltar meu namorado Jeongguk-ssi. Acho que temos um problema.”- ele brincou e eu ergui seu rosto. Beijei suas bochechas, a pontinha de seu nariz, e depositei um beijo firme em sua boca, sentindo a maciez daqueles lábios lindos.

“Nem eu, quero soltar o meu namorado. Mas o dia amanheceu hyung... e você, precisa ensaiar para o festival. De qualquer forma... temos que ir.”- Taehyung fez um bico emburrado, levantando e sentando-se na cama. Ergui meu tronco e fiquei olhando cada movimento seu.

Ele se espreguiçou, fazendo um barulho engraçado, depois levantou, ainda usando sua boxer preta. Colei meus olhos a si apenas para guardar na memoria a perfeição que ele era. Vi a tatuagem, os músculos de suas costas, o contorno de seu bumbum apertado naquela peça intima curta demais. Ele era descomunalmente lindo e eu jamais saberia lidar com isso. Suspirei alto mais uma vez e ele virou, para me encarar e dizer:

“E você, não vai levantar?”- eu ri e disse:

“Estou cogitando a ideia de pedir para você voltar para cá...”- ele riu bonito, tomando o rumo que o traria de volta a cama. Vi ele engatinhar até mim, lentamente, me olhando nos olhos, até se aproximar o suficiente para colar nossos rostos, enquanto ele segurava meu queixo. Fechei meus olhos enquanto ouvia ele dizer, bem baixo:

“Você quer a rodada que fiquei devendo ontem?”- sorri malicioso e o puxei para meu colo, fazendo ele me envolver com suas pernas, como já havia feito tantas outras vezes na noite passada.

“O hyung acordou com pique agora?”- sussurrei também, enquanto beijava seu pescoço. Ele pendia a cabeça para o outro lado, me dando mais acesso. Simplesmente perfeito.

“Acho que tudo não passou de um sonho, então, quero repetir só para ter certeza que aconteceu.”- acabei rindo. Éramos tão parecidos em nossos pensamentos, que parecia brincadeira.

“E se perdermos nossos horários?”- eu quis saber. Mas não era como se eu ligasse realmente.

“Não existem horários quando estamos juntos. O mundo para Jeongguk-ssi.”

Tomei sua boca em outro beijo e ali, foi o fim de qualquer argumentação. Taehyung tinha razão. Nosso mundo parava toda vez que estávamos juntos.


(...)


Quando estávamos no carro dele, indo até o bairro onde ficava minha casa, suspirei, fazendo ele me notar:

“O que foi?”- Taehyung quis saber.

“Eu... acho que terei problemas quando chegar.”- acabei confessando meu medo a ele.

“Acha que seu pai pode te bater de novo? Por que se ele fizer isso, Jeongguk, me desculpe, mas eu arrebento ele.”- Taehyung disse isso com uma determinação que me fez sorrir. Era adorável.

“Ele não vai ir tão longe de novo, tenho certeza. Minha mãe e ele devem ter conversado, por isso, ela me pediu desculpas antes do Baile. Mas isso, nem de longe vai evitar um castigo maluco Tae.”- ele suspirou e disse:

“Me ligue assim que conversar com eles. Ficarei preocupado.”

Eu assenti ainda o olhando e depositei uma de minhas mãos em sua perna. Queria demonstrar que estava tudo bem, mesmo que de fato, não estivesse.


(...)


“Você é um inconsequente!”- meu pai gritou, quando entrei na sala de jantar, onde todos costumavam tomar café juntos aos finais de semana, nos dias em que fingíamos ser uma família normal.

“Bom dia pai.”- murmurei, cabisbaixo. Teríamos outra discussão.

“Por que sumiu Jeongguk? Eu fiquei preocupada!”- Minha mãe comentou, aflita. Eu infelizmente, sabia que era verdade, o que ela estava dizendo.

“Eu disse que talvez não dormiria em casa mãe.”- foi meu primeiro argumento de defesa.

“E você acha que o único problema é esse Jeongguk?”- minha mãe disse, exasperada. Olhei seu rosto e não pude evitar a confusão.

“O que mais aconteceu?”- meu pai riu amargo após a minha pergunta.

“Ontem, a polícia veio aqui. Eles estavam atrás de você, pois aparentemente, você se envolveu numa briga no Baile. Os garotos que bateu Jeongguk, ficaram mal e acabaram indo parar no hospital. Queriam levar você a cadeia, mas eu disse que você era menor de idade. Eles me advertiram dizendo que ficariam de olho em você. Isso tudo, é culpa das más companhias com quem está andando. Você é um arruaceiro Jeongguk!”- senti meu rosto se nublar de raiva graças a tudo que ele disse. Meu pai não sabia de metade da história, mas já me julgava o pior ser humano do mundo, como sempre.

“Pai... a briga só aconteceu, porque eles queriam me bater!”- ok, eu menti levemente quanto a isso. Na verdade, estavam batendo em Kim Taehyung, meu namorado.

“Você sempre diz isso! Mas, é mentira! Você gosta de brigar Jeongguk, admita.”- ele me acusou e foi suficiente para que meus olhos se nublassem com lágrimas. Acho que deixei algumas delas escaparem enquanto dizia:

“Você já ouviu falar sobre bullying pai? Ouviu dizer que isso é uma droga de prática feita por jovens de todo o mundo, em qualquer escola? Ninguém gosta de brigar, mas as vezes, você precisa se defender. Quando se é alvo de bullying, seu dinheiro, não é nada. Nem sua força física. Muito menos, seu status. Por anos, eles implicavam comigo e eu apenas me defendia, tentando em vão, não apanhar sozinho. Pois ninguém, nunca me defendeu, nem vocês, que são meus pais! Se vocês me conhecessem, não me culpariam. Tentariam entender por quê sempre briguei tanto na escola. Mas hoje, eu tenho amigos e eles me defendem! Essas más companhias, são as pessoas que realmente se importam comigo.”- eles me olhavam chocados, pois eu chorava. Meu rosto estava vermelho e eu sentia meus olhos arderem graças ao descontrole.

Por anos, eu guardei aquelas palavras que estavam engasgadas na minha garganta. Liberta-las, foi como tirar um peso enorme do meu coração, das minhas costas. E o olhar deles sob mim, era impagável, diferente de tudo que já vi.

“Você está de castigo. Vá para o quarto.”- meu pai estava abalado, era visível. Mas sua postura, era a mesma. A mesma que vi durante anos, me fazendo sentir que ninguém no mundo me amava.

Não precisei ser arrastado por ele daquela vez. Apenas dei as costas e sai, andando enquanto sentia meu corpo ficar fraco, graças a tristeza. Queria apenas chorar, me trancar no quarto e chorar até adormecer. Meus pais não eram o que eu pensava, eram piores. E eu, estava sozinho. Mesmo que não estivesse mais sozinho na vida, estava sozinho naquela mansão enorme, fria e solitária, como sempre estive. Preferia mil vezes, estar numa casinha pequena, ou naquele barracão, com ele. Preferia estar em seus braços, onde o mundo parecia me acolher, mesmo que o mundo, fosse o mundo dele.

Chorei. Chorei muito.

E liguei para ele:

“Hyung...”- consegui dizer, quando ele atendeu.

“Jeongguk-ssi, você está chorando?”- era nítido que sim, mas do mesmo jeito, ele perguntou, preocupado.

“Eu estou de castigo... de novo. Vem me buscar, por favor... precisamos fugir!”- acabei fungando, enquanto falava.

“Está de dia agora Jeongguk... você pode esperar anoitecer ao menos?”- pensei no que ele disse. De dia, seria muito mais arriscado.

“Sim... enquanto isso, arrumo minha mala.”- aposto que Taheyung arregalou seus olhos marrons quando me ouviu dizer aquilo, pois houve uma pausa considerável até ele dizer:

“Mala? Está realmente indo embora agora?”- eu funguei e disse:

“Sim. A meses, estou planejando isso. Mas agora, juntei dinheiro suficiente e... eu tenho você. Você pode me ajudar.”- Taehyung suspirou audivelmente, então respondeu:

“Ok, quando anoitecer, vamos fazer como fizemos da outra vez. Tente ficar bem por enquanto, ok?”

“Tudo bem amor. Obrigado.”

“Eu amo você.”

“Também amo você.”

Suspirei quando desliguei e abracei minhas pernas. Queria apenas ele ali, comigo, enquanto eu me sentia só mais uma vez.


(...)


(TH)


Eu sempre soube que Jeongguk se prejudicaria após nossa pequena loucura. Mas o que eu podia fazer? Eu o amava e ele me correspondia. O que houve entre nós além de magico, foi reciproco. Não me arrependo, por ter brigado por ele. Briguei uma, duas vezes. Brigaria infinitas vezes se preciso for. Jaehyun e sua corja de amigos merecia aquela surra a um bom tempo e depois do que eles fizeram, mereciam até mais. Jeongguk sabia brigar e demonstrou isso me ajudando, enquanto eu estava literalmente nocauteado. Se não fosse ele, talvez eu tivesse ido parar no hospital no lugar de Jaehyun e Hyungjun.

Nossa briga deve ter repercutido a escola toda após a nossa saída, afinal, os dois foram encontrados desmaiados no banheiro. Eu e Jeongguk também não estávamos tão bem, mas é como se nosso amor tivesse realmente, nos ajudado a ficar melhor. No outro dia, eu estava apenas com uma certa dor no corpo, nos lugares dos socos mais fortes. E meu rosto, tinha um leve hematoma. Parecia que o tom arroxeado jamais deixaria minha pele, afinal, toda vez que um hematoma se recuperava, surgia outro no lugar para reativar o anterior.

Ensaiamos uma tarde inteira, em mais um ensaio geral naquela tarde de sábado fria. O festival de rock seria no domingo à tarde, então estávamos fervendo em expectativa e ansiedade. Era tudo ou nada e meu medo, era o de não dar conta na hora certa.

Quando acabamos, suspirei e sorri para meus companheiros.

“Boa galera! Estamos muito bons na música principal. E antes de mais nada, eu queria dizer que todos se esforçaram muito para esse festival. Obrigado, por cada ensaio, ideia e participação. Vocês são incríveis garotos! E daremos o nosso melhor amanhã também.”- Namjoon era um poeta, dizendo tudo aquilo!

Bastou que falasse, para fazer com que todos nós sorríssemos e nos abraçássemos, comemorando uma vitória incerta. Afinal, a maior vitória, era estar com eles, independentemente da situação.

Quando paramos de comemorar incessantemente, todos foram indo embora aos poucos. O dia, estava quase acabando, dando lugar a noite. Vi Jimin apoiar um de seus braços na cintura de Yoongi, surpreendendo esse, que estava de costas, ajeitando as pastas de música. Ele falou algo de maneira muito baixa a Yoongi e esse sorriu, concordando com a cabeça, antes de Jimin sair da garagem. O baixinho ainda me direcionou um olhar cumplice, que confesso, não captei de primeira. Mas ainda assim, sorri em sua direção. Yoongi então virou para mim e disse sorrindo:

“Você andou brigando ontem, não é?”- eu sorri pequeno. Mesmo que ele não tivesse ouvido nenhum dos rumores sobre a briga, meu rosto me entregava.

“Jaehyun armou um plano ridículo para me separar de Jeongguk. Tentou me bater e bem... quem apanhou foi ele, como sempre.”- Yoongi riu bonito e disse:

“Sabe, acho que esse cara tem um crush enrustido em você. Só isso explica a implicância dele.”- rimos juntos e eu comentei:

“Vira essa boca pra lá hyung... Jaehyun é um escroto.”- Yoongi concordou e depois me disse:

“Você e Jeongguk, estão juntos oficialmente agora?”- notei que ele estava feliz em perguntar aquilo, me surpreendendo um pouco.

“Oh, sim... ele me pediu em namoro ontem e eu aceitei.”- Yoongi assentiu e disse:

“Parabéns.”- sorri bonito. Meu coração estava leve e o dele, aparentava estar da mesma forma.

“Obrigado hyung.”- murmurei, sorrindo sem dentes.

“Sabe... eu gosto de Jeongguk. Ele cuida bem de você e é visível, o quanto ele gosta de você...”- sorri ao ouvir seu comentário.

“Você realmente gosta dele?”- perguntei empolgado. Yoongi assentiu.

“Sim. Bem, eu tenho que ir agora. Vou sair com Jimin. Mas antes, tome isso.”- ele estendeu o braço me oferecendo uma folha dobrada. A peguei e o abracei sem jeito.

Meu hyung parecia dez vezes mais iluminado e leve. Sorri, por me sentir feliz por ele. Tudo aparentava estar se ajeitando, finalmente. Resolvi então abrir o papel dobrado que ele me dera. Olhei por alto e notei que era uma letra de música, intitulada First Time. Corri meus olhos pela letra, que dizia:

Havia um tempo em que nós dois,

Acreditávamos que era o destino, mas, não.

A verdade é que, você era uma coincidência.

Que parecia ser o destino.

Naquele tempo sem você, sozinho,

Eu não fazia nada além de sofrer.

Mas agora, não mais.

Não vou te segurar mais.

Pela primeira vez, fui para um outro lugar.

Primeiro que você.

Eu digo adeus a você.

Pela primeira vez,

Eu vou ter um sonho diferente.

Eu digo adeus a você

E essas palavras, serão as últimas.

Havia um tempo, naquela época

Mesmo estando profundamente apaixonado,

Em um momento, a promessa do amanhã,

Se transformou em uma mentira

Quanto mais cultivei a dor, mais tempo você teve para fugir.

Quando isso aconteceu, não pude evitar, então, eu desisto.

E mesmo que eu olhe para aquele tempo,

Tão longe, eu não posso ter mais você.

Eu sei, você sabe, nós sabemos.

Eu vou deixar você ir.

Pela primeira vez,

Eu vou ter um sonho diferente.

Eu digo adeus para você.

E essas palavras, serão as últimas.

Sorri, ao ler tudo. Yoongi tinha entendido, afinal. Ficou tudo confuso e finalmente, estava claro novamente. Agora, eu podia sorrir, sem me culpar. Agora, eu podia respirar aliviado, sem sentir meu peito doer.

Então, o olhar cumplice de Jimin fez todo o sentido. E eu soube que eles iriam tentar, juntos, em busca de algo diferente. Talvez, o novo sonho que Yoongi falou fosse na verdade, um doce sonho, que ele viveria ao lado de Park Jimin, o garoto mais doce e amável que já tive a honra de conhecer.



(...)



Quando estacionei meu carro no mesmo lugar onde havia estacionado da ultima vez que nós fugimos, suspirei e liguei para Jeongguk:

“Amor, já estou aqui.”

“Que bom hyung! Já estou descendo.”- dessa vez, ele não me deu tempo de responder e logo desligou. Quando foquei minha visão no lugar onde eu sabia ser sua janela, vi ele atirar uma mala ao chão, que fez um baque mudo, e em seguida, suas pernas passaram, quando ele começou a descer sozinho. Isso mesmo, sem minha ajuda dessa vez, Jeongguk se arriscava, colocando os pés nos mesmos lugares de antes, que ele parecia ter memorizado. Eu estava com o coração na mão! E se ele caísse? E se morresse?

Esperei ele atravessar seu jardim e pular o muro, jogando antes, sua mala. Sai do carro e peguei a mesma, colocando-a rapidamente no porta malas e entrando de novo, para evitar que alguém me visse. Jeongguk entrou no carro um pouco depois que eu, depositou um beijo na minha bochecha e disse sorridente:

“Me saí bem, não é?”- não evitei minha cara de raiva e minhas palavras:

“Você é louco? Por que não pediu minha ajuda?”- vi ele fazer um bico enorme e me toquei que tinha gritado. Às vezes, muito raramente, eu era ignorante com quem não devia. Jeongguk deixou que lágrimas pequenas se formassem em seus olhos enquanto ele parou de me encarar. Me senti um monstro.

“Desculpe hyung.”- ele disse baixinho.

“Oh meu Deus, me desculpe! Eu não devia ter gritado... desculpe.”- comecei a beijar seu rosto seguidas vezes, até ele ir desfazendo o bico aos poucos, conforme eu ainda me sentia culpado.

“Não temos tempo... vamos logo.”- eu assenti a sua fala e dei partida no carro. Sabia que ele estava bravo comigo, por que eu merecia.

Achei por bem ficar quieto, enquanto pensava num lugar para irmos. Todos os meus locais secretos não pareciam uma boa ideia porque simplesmente, não tinham uma estrutura decente para receber um fugitivo igual a Jeongguk. Não pelo fato dele ser rico, mas por que ele precisava de uma casa, nem que fosse por uns dias. Para descansar e pensar se era realmente isso que ele queria. Somente um lugar me ocorreu e dirigi até lá, chegando no bairro já conhecido por Jeongguk.

“Tem certeza que é uma boa ideia?”- ele me perguntou e eu dei de ombros.

“Não temos muitas opções ok? Por enquanto, vamos tentar aqui.”

Jeongguk assentiu, meio contrariado. Ele ainda estava bravo comigo. Mas não tínhamos tempo para pensar nisso. Descemos, eu abri o porta malas do Dodge e peguei sua mala preta. Cumprimentamos os mesmos caras que sempre ficavam de “guarda” na entrada do prédio e subimos. Paramos na porta 303, quando eu toquei a campainha.

“Olá?”- disse Yoongi. Ele usava uma bermuda preta e vejamos, uma regata branca. Despojado, afinal, estava em casa. Jeongguk estava tenso do meu lado, quase esmagando meu braço, pois o segurava firmemente.

“Olá hyung.”- eu murmurei, sem graça. Sabia que era uma péssima ideia leva-lo até ali, mas, qual era a outra opção melhor? O barracão? Jamais.

“O que fazem aqui? Com uma mala?”- Yoongi quis saber. Ele encarava a mim e a Jeongguk de forma alternada.

“Precisamos esconder o Jeongguk por um tempinho.”- eu disse. Yoongi franziu a sobrancelha, completamente confuso. Mas sua expressão não era nada amistosa.

“Esconder de quem Taehyung?”- ok, ele me chamou pelo nome. A coisa estava feia.

“Oh, olá meninos!”- Jimin brotou ao lado de Yoongi, apoiando um braço nos ombros dele, de forma carinhosa. Suas roupas eram semelhantes às de Yoongi, porém, Jimin estava sem camisa. Por um relance insano da minha mente, cogitei ter interrompido algo entre eles, afinal, era tarde da noite. De imediato, corei.

“Jimin-hyung!”- Jeongguk murmurou, animado, como se Jimin fosse sua salvação.

“Chame eles para entrar hyung.”- disse Jimin, diretamente a Yoongi.

“Mas Jimin-ssi... eles... nem deveriam estar aqui.”- Yoongi fez birra. Obviamente, tínhamos atrapalhado algo. Me senti envergonhado e ainda mais culpado.

“Deixa disso hyung. Os meninos são uma boa companhia.”- Yoongi nos olhou após a fala de Jimin, quando esse apoiou os dois braços em seus ombros, fazendo carinho nos cabelos azuis. Eram tão lindos juntos, que por Deus, quase vomitei arco-íris ao vê-los tão fofos.

“Entrem logo. E você, vai me explicar bem o que está acontecendo!”- ele apontou um dedo acusatório para mim e os dois nos abriram passagem. Jeongguk arrastava sua mala com dificuldade, mas quando me ofereci para ajuda-lo, ele negou. Jimin indicou um canto para por a mala e Jeongguk a colocou lá. Os dois sentaram no sofá de Yoongi e começaram a conversar, enquanto Yoongi acenou com a cabeça para mim, indicando que eu deveria entrar em seu quarto.

Lá, estava uma bagunça. Roupas dos dois, estavam espalhadas pela cama e chão. Desviei o olhar disso e tentei encarar apenas Yoongi.

“Que merda está acontecendo?”- quis saber meu hyung.

“Jeongguk, ele tem muitos problemas com os pais... você sabe. Da ultima vez que fugimos, foi por que seu pai o bateu e o trancou no quarto. Hoje, aconteceu algo semelhante, então fugimos de novo.”

Yoongi arregalou os olhos e disse:

“O pai dele bateu novamente nele?”- eu neguei, suspirando.

“Felizmente, não. Mas o trancou de novo e disse que só o soltaria, quando quisesse. Jeongguk está cansado disso hyung, então decidiu fugir de vez. Não vai mais voltar pra casa.”

“E o que eu tenho a ver com isso?”- essa com certeza, era a maior dúvida de Yoongi, desde que surgimos em sua casa.

“Bem... você sabe que todos os lugares secretos não são de fato, uma casa. E ele precisa de um lugar decente para passar alguns dias, até ir para um Hotel ou alugar algo. Jeongguk tem dinheiro para isso. Mas precisamos pesquisar ainda e você pareceu a solução mais viável.”- Yoongi bufou, passando a língua nos lábios, enquanto colocava as mãos na cintura.

“Tae, eu não estou querendo ser chato, tá legal? Mas de todos que estão nessa casa, eu e Jimin somos os únicos maiores de idade. E a casa, é minha. Se os pais dele chamarem a policia para procura-lo e o encontrarem aqui, advinha quem vai ser preso? Eu! E como será, com a banda? O festival é amanhã! É muito arriscado! E eu não sei se é uma boa ideia....”- ele tinha razão. Mas, o que eu podia fazer? Tinha que ajudar meu namorado.

“Hyung, eu sei que tudo é muito arriscado. Mas, eu preciso de você. Como precisei, por tanto tempo! Jeongguk não é sua obrigação, eu sei disso. Mas ele é muito importante para mim e não tem para onde ir. Não serão muitos dias, no máximo três. Por favor, deixe ele ficar.”- pedi, unindo minhas mãos, olhando nos olhos escuros de Yoongi.

Ele suspirou. Já estava cedendo mentalmente. Conhecia muito bem ele.

“Ok, tudo bem, ele fica. Ah, eu te odeio Kim Taehyung!”- ele me empurrou, enquanto eu tentava abraça-lo de modo afobado.

“Obrigado hyung, obrigado!”- eu dizia, enquanto Yoongi fazia cara feia e me repelia.

“Diga a ele que ele dormirá aqui. Vou fazer alguma coisa para vocês comerem.”- eu assenti ainda agradecendo e fui até a sala. Jimin e Jeongguk riam de algo. Pareciam estar contando segredinhos e isso me fez pensar que eles falavam de nós, eu e Yoongi.

“Vamos para o quarto Jeongguk-ssi.”- chamei. Jimin levantou num salto e disse:

“Vou ajudar Yoongi a fazer um lanche para vocês! Ele não sabe fazer nada!”- nós três rimos e ele saiu, indo para a cozinha.

Jeongguk ia pegar sua mala, mas me adiantei e peguei a mesma primeiro. Ouvi ele bufar atrás de mim e sorri. Quando entramos, coloquei a mala na cama e fui pegando as roupas espalhadas de Jimin e Yoongi, que se resumiam a camisetas e calças jeans. Jeongguk comentou:

“Acho que atrapalhamos eles....”- eu ri baixinho e concordei dizendo:

“Yoongi estava muito bravo, então, isso ficou obvio. Você também está bravo comigo, não é?”- segurei uma de suas mãos e o arrastei para a cama, me sentando junto consigo. Por sorte, ele não puxou meu toque.

“Eu... não gostei por que gritou.”- seus olhos escuros desviaram-se dos meus. Levei sua mão até minha boca e lá depositei um beijinho.

“Eu gritei, por que estava nervoso. Você desceu sozinho meu amor. E se caísse? E se você morresse? O que eu faria?”- ele sorriu levemente e me encarou.

“Eu não tinha muito tempo daquela vez hyung... e mesmo que você não estivesse me guiando, estava me vendo, me apoiando mesmo sem palavras. Deu tudo certo, viu? Estamos aqui agora. E eu fiquei chateado com o grito, pois todos gritam comigo, sempre. Não quero que você seja mais um a fazer isso.”- eu assenti. Ele estava certo. Provavelmente, Jeongguk fora criado a base dos gritos, por seus pais, assim como eu. E isso era horrível.

“Me desculpe por isso. Prometo tentar não gritar com você de novo. Mas prometa que não vai se colocar em risco a toa, tudo bem?”- ele assentiu e sorriu sem dentes.

“Ok, prometo hyung.”

Selei sua boca demoradamente, selando nossa paz. Sonhar em magoar Jeongguk era o maior pecado que eu poderia cometer. Nos separamos sorrindo, quando ouvimos:

“Vocês não conseguem ficar longe um do outro, nem por um segundo? Venham comer! Fizemos miojo!”- Jimin dizia aquilo de modo divertido. Então brinquei:

“E esse é o prato super elaborado que você e o Yoongi sabem fazer?”- Jimin sorriu e deu de ombros:

“Que culpa eu tenho se o hyung só come isso?”

Nós rimos e saímos rumo a cozinha. Estava dando tudo certo, pelo visto.


Notas Finais




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