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História Heartbreaker - Capítulo 1


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Notas do Autor


olá, amores! essa é a primeira fanfic de Simple Plan que posto aqui no site, apesar de não ser a primeira que escrevo, então espero que gostem e me digam suas opiniões ao longo dela!

se cuidem e boa leitura! 💙

Capítulo 1 - Engatilhado


Fanfic / Fanfiction Heartbreaker - Capítulo 1 - Engatilhado

"A banda Simple Plan acaba de chegar ao Canadá! Após serem recebidos por uma multidão de fãs no aeroporto da cidade de Montreal, os garotos canadenses que estão em tour desde novembro parecem estar a caminho de suas casas, para tirar um tempo para si por esses seis dias de folga antes de sua próxima viagem de continuidade à turnê do álbum lançado em novembro, "Still Not Getting Any".

De qualquer forma, as perguntas que a mídia e também as fãs mais enlouquecidas pelos cinco carismáticos rapazes têm feito-se com essa nova parada da banda em turnê mundial são todas sobre os status amorosos de alguns deles: que Jeff Stinco mantém-se firme com France Turgeon e que Pierre e Chuck estão solteiros após seus respectivos términos com a modelo Wave Gagnon e a italiana Ashley Massaro, todos sabemos, mas as perguntas que realmente não querem calar são sobre os outros dois canadenses: o guitarrista Sebástien Lefebvre e o baixista David Desrosiers.

Sebástien está ou não de volta com Jamie Hunger? Afinal, após seu término com Serena Arenhart, o canadense e a húngara engataram num relacionamento que teve fim no ano passado, depois do qual os dois foram vistos juntos algumas vezes, mas sem qualquer declaração oficial sobre o assunto. E quanto à Desrosiers? Estaria ele em mais um affair que acabará sem grandes desenrolares, como há dois anos atrás com Rachel Lancaster, ou ainda encontrando-se às escondidas com Ali Barone, mesmo após o término sem explicações do casal em janeiro desse ano? O que nos resta é aguardar por qualquer notícia e às fãs, torcer para ..."

Subitamente, certa mão de dedos finos tocou o controle remoto perdido em algum lugar sobre o chão amadeirado, desligando a tela de tamanho mediano imediatamente. Antes que pudesse voltar a jogar o pequeno aparelho em qualquer lugar ao seu lado, Serena levantou-se com uma das mãos na câmera que carregava em seu pescoço e passou a mão pelos fios castanhos que caíam por suas costas, quase que impulsivamente, para só então mirar as íris esmeralda na poltrona ao seu lado e atirar o objeto ali. Com um suspiro leve, levou uma das mãos ao bolso da calça jeans, onde descansou-a por um segundo antes de virar-se para o cenário de parede azul turquesa em que antes concentrava-se completamente, procurando livrar-se da série desgastante de pensamentos que há muito não ocupavam-lhe a cabeça.

-Allie, diga à Catherine que estamos prontas. - pediu, esboçando um leve sorriso nos lábios tingidos em cor de vinho, procurando distrair-se dos pensamentos que começavam a apossar-se de sua mente antes concentrada, enquanto virava-se para encarar a menina de cabelos claros e curtos mais ao fundo do ambiente, para só então testar sua câmera mais algumas vezes, antes do ensaio fotográfico que deveria começar em poucos minutos, como fazia, depois de certo tempo na profissão, mais do que numa mania constante do que numa prática metódica.

Enquanto tinha um dos olhos no foco do pequeno quadrado da máquina fotográfica que fazia moradia em suas mãos, manteve sua mente alinhada momentaneamente com seus afazeres, numa tentativa de tapar a efervescência crescente em seu peito, como um incendiário desavisado de seu próprio veneno tenta apagar o incêndio à sua volta. Afinal, o que isso sequer significava agora? Depois de tantos anos, como a mulher crescida que deveria ser, aquela ira e mágoa enraizadas no seu âmago não pertenciam-lhe mais: aquele era um assunto que deveria deixar de imortalizar e ocupar espaço em sua consciência - bem como o nome que vinha atrelado à ele. Exceto, é claro, pelo fato de que, por vezes, tal tarefa ainda não era tao bem executada quanto gostaria. 

Nos últimos dois anos, após formar-se na faculdade de Fotografia, Arenhart, apesar de suas viagens constantes em detrimento de sua profissão, morava ainda em sua cidade natal, dentro dos limites do Canadá, mas não mais com os pais. Aliás, havia aproveitado-se da tão esperada libertação para a universidade - em conjunto a outros fatores um tanto mais delicados e desagradáveis - para mudar-se para um lugar só seu e deixar para os fins de semana e datas inevitáveis a visita à moradia de infância, onde enfrentaria por menos vezes a sensação que revirava-lhe o estômago ao enfrentar a vista privilegiada de uma vizinhança em especial e sua excessivamente atualizada vida pessoal, que agora era-lhe extremamente inoportuna. 

Não que pela vida toda houvesse reclamado de tão condição, muito pelo contrário: quando mudou-se para aquele bairro em específico, com seus nove anos de idade, Serena viu e aceitou com graça toda a nova vizinhança de amigos que agora tinha, inclusive e em especial aquele que, sem seu conhecimento, viria a ser algo mais - e nesse "mais" incluem-se tantos outros quanto podem-se acrescentar conforme as mudanças que o tempo traz. Com o passar das semanas e meses, ter a janela da sala voltada para a frente da casa tão simples quanto a sua passou a ser motivo de animação pela manhã e demora para voltar ao lar no anoitecer, e é claro que tais coisas passaram a tornar-se cada vez mais gritantes e frequentes, até que todo o afeto ganhasse nome próprio e ações características. Porém, quase tão logo quanto nutriu-se cuidadosamente o relacionamento e aproveitou-se com gratidão a proximidade, esse mesmo desfez-se em tantos pedaços quantos o fizessem impossível de juntar-se outra vez, e o privilégio tornou-se fardo numa questão de mudança das cores no céu - assim como a mágoa que ainda carregava consigo, mesmo distante do tempo e lugar em que ela havia, um dia, sido tragicamente nutrida.

No entanto, distante da realidade que havia deixado em algum lugar de sua memória e de volta à sua atual, como uma fatalidade a que toda boa distração momentânea há de render-se em algum momento, Serena enfim era retirada de suas distrações com o ambiente externo para voltar, de fato, ao seu trabalho, com a modelo cujos passos acabavam de ecoar no ambiente em que encontrava-se. Neste mesmo, porém a algum isolamento dali,  o toque silencioso do telefone celular noutro canto do ambiente soou por uma única vez, indicando a chegada de uma mensagem que, naquele momento, não seria vista por aquela a que era destinada, mas que ainda assim, seria seguida de uma pequena série de outras, digitadas pelos dedos ágeis da mulher de cabelos escuros do outro lado da tela. 

Rachel Lancaster, a dona de tal prática e características específicas, enquanto ocupava-se em confirmar o encontro profissional que teria mais tarde, ainda naquele dia, com a fotógrafa que ainda não conhecia pessoalmente - e cujo emprego era na mesma editora que o seu -, recostava-se à porta amadeirada que acabava de fechar com o impulso do próprio corpo, dentro do quarto de hotel que ecoava em vazio e no qual passaria ao menos algumas horas dos próximos dias de sua viagem. Pensou, enquanto fitava imóvel a tela iluminada do aparelho, no cronograma mental que havia feito para os dias que seguiriam-se, no que dizia respeito ao próprio trabalho, o que automaticamente a fez suspirar em simultaneidade com o cerrar dos olhos, torcendo para que aquele aumento significativo em suas responsabilidades rotineiras - que, costumeiramente, já eram muitas - corresse exatamente conforme os próprios planos. Era algo pelo qual costumava torcer todos os dias - já que ser uma redatora chefe em uma editora de tamanha importância exigia bons planejamentos e execuções ainda mais impecáveis de si mesma - mas sobretudo naquela viagem, naquele evento do qual trataria, tudo - inclusive o pedido aos céus que ecoava em sua mente agora -, deveria ser cuidado em dobro. 

Tendo finalizado com seus pensamentos, deslizou rapidamente o aparelho para dentro do bolso de sua jeans escura e moveu-se, enfim, para o centro do quarto - caminho entre o qual fez uma breve parada para alcançar o controle do ar condicionado e ligá-lo, refrescando-se do leve calor que fazia-se do lado de fora, como pedia a primavera recém chegada daquele ano. Passou os olhos pela decoração razoavelmente sofisticada à sua volta e enfim pousou a mala de viagem sobre a cama de casal à sua frente, desfazendo o fecho feito pelo zíper preto, enquanto passava por sua mente previamente cansada a ideia de procurar por seu livro - um de seus favoritos, por sinal - que descansava em algum compartimento por ali e que havia trazido para distrair-se por aqueles dias, em momentos livres como aquele, quando não estivesse ocupada demais cuidando do próprio trabalho- como era raro que não estivesse nos últimos tempos. 

Conseguindo-o, dispensou a bagagem para o canto oposto do colchão sobre o qual deitou-se e enquanto ajeitava-se em função do travesseiro atrás de sua cabeça, dava início aos próprios pensamentos, condizentes com o contexto já conhecido do livro, como num ritual automático a ser feito sempre que apossava-se do tal objeto. Demoradamente, passou as pontas dos dedos por uma das folhas, cautelosamente, sentindo o toque da fina espessura, beirando comedidamente o cortante, antes de separar a contracapa final das últimas folhas com o dedo indicador, da qual um pequeno papel por pouco colado a uma tira invisível e ineficaz de fita caiu desavisadamente. Como reflexo, tomou o papel entre os dedos, dispensando por um segundo o livro no descanso de seu abdômen reclinado para atentar-se ao bilhete de que mal lembrava-se até tal momento - uma vez que havia muito tempo desde a última vez que havia lido a obra eternizada naquele conjunto de páginas, onde o mesmo situava-se tão bem guardado ao ponto de ser esquecido. Quando no alcance dos olhos, leu brevemente o que a letra escrita em preto deixara há muito tempo no papel já um tanto envelhecido: 

"Ei, aí está você. Espero que tenha encontrado isso logo. Quando encontrar, me mande uma mensagem (XXXX-XXXX). Estarei esperando, então não faça hora, certo?

P.S.: esse número é um grande segredo entre nós. Não pense em fazer nenhuma gracinha, está bem?

Com amor, 

D."

Ao fim das palavras claramente escritas com certa pressa, cujas letras e despedida não deixavam dúvida sobre seu remetente, a sensação da adrenalina subiu-lhe pelo esôfago, ativada pela memória que teve de tal dia, possuindo-lhe sorrateiramente os músculos enrijecidos e por pouco não chegando às pontas dos dedos. Um sorriso teria formado-se nos lábios corados, tivesse encontrado tal nota no momento certo - ou, ao menos, como pensava agora, não tivesse desenhado-se toda uma continuidade de circunstâncias totalmente opostas ao que a grafia carinhosa sugeria. Impulsivamente, numa questão de átimo, rasgou e atirou o papel - agora insignificante - contra o piso amadeirado ao seu lado esquerdo. Cerrou os olhos por segundos o suficiente para convencer-se de que aquilo não traria todos os pensamentos há muito guardados em seu consciente e antes que pudesse contar, já estava dispensando-os arduamente outra vez, como lembrava-se de ter feito em alguma data próxima após aquela que encontrava-se inscrita no verso do papel, agora cortado ao meio e jogado ao relento com toda a insignificância que esforçava-se para atribuir a ele.

Aquela não era uma história diferente de todas aquelas que perduram e são constantemente rememoradas com aflição, é claro. Mas, havia algo - que reconhecia e nomeava muito bem, por sinal, ainda que o mais secretamente quanto podia - em toda aquela situação, teórica e temporalmente deixada para trás, que fazia vir à tona o lado amargo de seu íntimo, o qual não agradava-lhe sentir e demonstrar, mas que, naquele cenário intacto nos últimos anos, parecia mais confortável do que aquele em que ameaçava manifestar-se qualquer mínima demonstração de afeto e/ou tristeza provenientes do desfecho quase incompreensível que havia dado-se entre ambos. 

Afinal de contas, havia de frisar aquilo em sua mente, já que não podia atirar tudo aquilo contra o rosto que um dia havia sido o seu favorito por certo tempo: não tivesse ele, o baixista com o qual compartilhou algumas semanas de memórias aparentemente irrefutáveis, escolhido as ações e os caminhos que escolheu, não tivesse ele subitamente esquecido-se de toda e qualquer sensibilidade entre ambos ao voltar para sua vida ocupada e envolver-se num novo relacionamento tão rapidamente quanto se conta um estalar de dedos e não tivesse ele tornado nada aquilo que potencialmente, poderia ter vindo a ser algo, aquela seria uma situação completamente diferente. E era evidente que já havia passado daquela fase: já havia superado o "romance" de poucas semanas e final digno de incompreensão, assim como aquele de olhos singulares que completava a outra extremidade deste. Mas, o sentimento que carregava em seu peito de que talvez nunca poderia perdoá-lo - e não que devesse-o tal coisa, mas era algo que pensava ser bom ter, na maior parte dos casos - por tamanha série de ações não condizentes com a aparência que havia deixado a ela, talvez pairaria para sempre em si como uma persistente questão obrigatória sem informações suficientes para a resolução.  


Notas Finais


beijos! 💙


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