História Heartless - Capítulo 5


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Categorias Wanna One
Personagens Daehwi, Guanlin, Jihoon, Jinyoung, Woojin
Tags Panwink
Visualizações 217
Palavras 3.932
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey gente, saindo hoje mais cedinho o capítulo ^^ ♡

Eu tô suuuuper feliz por vocês estarem gostando dessa fic e por estar alegrando os panwink shippers ^^ Não achava que eu ia conseguir fazer bem uma fic deles, mas cá já estamos no cap 5 com muito desenvolvimento ainda pela frente!

Espero que vocês estejam tão apaixonadinho por esse jihoon do mato assim como eu tô dokdpkfopkfok boa leitura ♡

Capítulo 5 - Magia


Fanfic / Fanfiction Heartless - Capítulo 5 - Magia

Quando acordei na manhã seguinte, sentindo dores de cabeça que mais eram pela quantidade de pensamentos que tive ontem do que pela meia garrafa de vinho que bebi, fiquei um bom tempo contemplando o teto do quarto e pensando sobre tudo.

Mas, todas as minhas conclusões sempre chegavam ao mesmo resultado: Eu queria proteger o Jihoon e garantir que ele vivesse bem daqui para a frente, mesmo que ele nunca pudesse saber o que é sentir felicidade. Eu não podia mudar tudo o que havia acontecido com ele durante todos esses anos de solidão, mas eu podia me esforçar para que os próximos fossem confortáveis como ele merecia.

Porque eu sabia, desde o começo, que ele não era má pessoa.

- Guanlin – ouvi a voz da minha mãe do outro lado da porta e duas batidas – Daehwi está aqui.

Me vesti depressa e escovei os dentes antes de ir recebe-lo. Daehwi já era de casa, praticamente parte da minha família, então ele sempre ficava muito à vontade por aqui. Quando cheguei na sala, ele estava brincando de montar uma casa de blocos coloridos com o Tanlin.

- Seu irmão é muito inteligente – ele falou e sorriu – Ele vai ser muito bem-sucedido na vida.

- Espero que ele queira substituir o meu pai – respondi – Porque eu não tenho a menor vontade de fazer esse tipo de trabalho.

- Talvez ele vá – Daehwi respondeu e olhamos para o meu irmãozinho, que fazia uma torre com todos os blocos da mesma cor.

Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu ainda sentia algumas pontadas na cabeça. Levantei para pegar um copo de leite e esperei que ele dissesse o que estava fazendo aqui, porque ele obviamente queria alguma coisa.

- Não vai perguntar o que eu estou fazendo na sua casa as 9 da manhã? – ele falou por fim.

- É algo que eu não vou gostar de saber, né? – perguntei e dei uma risadinha.

Daehwi suspirou.

- Você pode ir comigo no povoado vizinho? Minha mãe quer que eu entregue uma encomenda lá, mas você sabe que eu morro de medo de atravessar aquela ponte sozinho – ele fez bico – E o inútil do Jinyoung tá ajudando os pais e não pode ir comigo.

Franzi a testa e suspirei também, me sentindo preguiçoso mesmo tendo acabado de acordar. Não era muito longe, mas a pé a gente ia levar umas duas horas para ir e voltar. Eu tinha pensado em passar na delegacia e levar algo para o Jihoon comer, mas meu amigo estava lá fazendo bico e me implorando e eu simplesmente não podia dizer não, não depois de toda a ajuda que ele me deu ontem com o lance do cabelo. Além do mais, meu pai tinha ordenado que os policiais alimentassem o Jihoon, então fome ele não ia passar.

No fim, acabei indo. O caminho que fazíamos até o povoado vizinho era bem bonito; na infância, eu e meus três amigos costumávamos ir seguidamente até lá, entregar as encomendas que a mãe do Daehwi fazia. A estrada era toda ao lado de um grande rio, que a gente atravessava por uma ponte no meio dele – a ponte que o Daehwi tinha medo – para chegar ao outro lado. O sol estava brilhando no céu e fazia tanto tempo que eu não andava pela natureza assim que até me senti abençoado por ter escolhido acompanha-lo.

- Você ficou muito mexido com a história do Jihoon não ter um coração, né? – Daehwi comentou de repente.

- Acho que fui egoísta por um segundo – respondi – Quis que ele pudesse gostar de mim como um amigo também, mas depois percebi que não precisa ser assim.

- Não precisa? – Daehwi ergueu a sobrancelha.

- Não, ele não está escolhendo não ter sentimentos por mim... Ele não pode ter – disse a ele o que tinha concluído – Mas, eu posso gostar dele e querer protege-lo como um amigo sem esperar nada em troca, né?

Daehwi pensou por um tempo e então olhou para mim e sorriu.

- Não sei, é magia – ele deu de ombros – Qualquer coisa pode acontecer.

- Magia negra – o corrigi.

- Ainda é magia.

Paramos em frente à ponte e Daehwi deu uma recuada, nervoso. Fazia calor agora e era possível ouvir as cigarras próximas a nós. Eu peguei em sua mão, assim como sempre fazia, e dei coragem a ele.

- Venha, eu não vou soltar a sua mão – falei.

- Eu tenho tanto medo – ele suspirou, chateado – Você sabe que eu caí daquela ponte quando era criança...

Daehwi temia poucas coisas na vida dele, mas carregava o trauma de ter se afogado após cair de uma ponte quando tinha uns 3 ou 4 anos. De lá para cá, sempre precisávamos segurar em sua mão quando ele precisava atravessar uma ponte.

- Vem aqui então – disse e me agachei, para ele subir nas minhas costas – Seus pés nem vão precisar tocar no chão.

Daehwi deu um sorrisinho e assentiu com a cabeça, subindo nas minhas costas. Graças a deus ele era leve, porque eu não era do tipo forte. Ele colocou as mãos ao redor do meu pescoço e parecia muito mais calmo agora.

- Uau, o mundo é muito legal aqui de cima – brincou.

Eu ri e atravessei a ponte com ele nas minhas costas, tentando andar o mais depressa possível. Quando finalmente chegamos do outro lado, Daehwi percebeu que todo o caminho até o vilarejo estava repleto de flores cor-de-rosa.

- Não parece magia? – ele perguntou quando eu o coloquei no chão – Momentos como esse, nossa amizade?

- Magia? – perguntei confuso.

- É, depende da forma como você vê – ele sorriu.

Fiquei pensando no que ele queria me dizer e se aquilo tinha a ver com o Jihoon, se eu precisava ver sua mágica de forma diferente. Será que eu não estava sendo otimista o suficiente?

 

 

 

 

Quando voltamos duas horas mais tarde, me separei do Daehwi na entrada do vilarejo e fui direto para a delegacia. Eu ainda estava pensando nas palavras que meu amigo havia me dito e achei que devia abordar toda a existência do Jihoon de forma mais positiva mesmo. Porém, assim que cheguei na porta, um dos policiais me pegou pelo braço e quase me arrastou para dentro.

- Onde você estava? Estamos quase malucos! – ele disse.

- Eu... Tive que fazer uma coisa... – respondi confuso – O que houve?

- Esse garoto – o policial respondeu e apontou para a direção da cela do Jihoon – Ele está chamando o seu nome por mais de uma hora. Agora que começou a falar, não para mais!

Ele estava... Chamando o meu nome?

Caminhei depressa até a cela e vi que, diferente de todas as vezes, hoje Jihoon estava de pé e segurava nas barras de ferro, parecendo agitado. Assim que me viu, seus olhos se arregalaram e ele quase sorriu.

- Jihoon... – falei confuso – O que aconteceu?

- Guanlin... – ele apenas disse o meu nome, com os olhos fixos em mim.

Será que ele sentiu falta do café da manhã que eu sempre trazia e por isso ficou chamando o meu nome?

- Desculpa, você queria comida? Eu tive que sair e acabei não trazendo nada – respondi com sinceridade.

- Tudo bem – ele falou, parecendo calmo agora – Eu comi.

Ele comeu...?

Mas, então o quê?

“Magia?

É, depende da forma como você vê”

As palavras do Daehwi soaram em meus ouvidos e eu só consegui pensar que tinha mesmo que ver o Jihoon por outra perspectiva, não apenas como o garoto sem sentimentos. Sim, ele podia não saber o que é ter sentimentos ou não ter um coração que batia no peito, mas ele confiava em mim e queria que eu ficasse ao lado dele.

E hoje, provavelmente, ele sentiu minha falta.

Jihoon se agachou e então juntou uma pedra do chão, colocando-a na minha mão.

- Jogo – falou.

- Quer jogar? – perguntei e dei um sorrisinho.

Ele assentiu com a cabeça e ficou animado quando eu entrei na cela para jogar com ele. Continuamos o nosso jogo favorito, o jogo da velha, e ele jogou da mesma forma que da outra vez: sem se importar com vitórias ou derrotas, apenas esperando pela próxima jogada. Fiz uma nota mental para não esquecer de trazer outro jogo da próxima vez, embora ele parecesse se divertir muito com esse aqui.

Podia ser que Jihoon gostasse de passar um tempo comigo tanto quanto eu gostava de passar com ele?

Minha mente ainda estava cheia de pensamentos, mas meu coração se sentia aquecido naquele momento. Era magia, como Daehwi mesmo disse. Momentos como esse.

- Você é ruim – ele disse, depois que eu perdi 5 partidas em sequência.

- Obrigado por jogar na minha cara que você é mais inteligente do que eu – fiz bico e peguei a pedra da mão dele para desenhar um novo tabuleiro.

Quando terminei o desenho, entreguei a pedra novamente na mão dele, para que ele iniciasse uma nova partida. Porém, naquele momento, Jihoon estava sorrindo na minha direção, um sorriso sincero e caloroso.

Seu primeiro sorriso.

- Isso é felicidade – falei e sorri também – Esse momento aqui e agora.

- Felicidade? – ele arregalou os olhos.

Assenti com a cabeça, mas achei que era melhor não dar a ele muitas complicações agora.

- Eu vou te derrotar dessa vez, então é melhor você jogar logo – provoquei.

- Nunca – ele revidou e colocou uma bolinha no tabuleiro.

Era felicidade, definitivamente era.

Ele apenas não sabia como nomear aquilo.

E aquela era a minha perspectiva, minha forma diferente de ver a situação.

 

 

 

 

Joguei com o Jihoon por horas, até faltar espaço no chão para fazermos um novo tabuleiro. Foi então que um dos policiais me avisou que meu pai estava me esperando no escritório dele para falar comigo, e eu senti que meu belo dia estava prestes a mudar.

Quando cheguei lá, meu pai estava sentado na cadeira dele como sempre. Porém, ao lado dele estava um homem que eu não conhecia, mas me recordava de ter visto alguma vez...

Ah sim, era o tal pesquisador que tinha vindo para cá atrás do pássaro raro e acabou ocasionando toda aquela confusão. Ele era um homem bem jovem, tinha cabelos louros compridos na altura dos ombros e usava óculos. Parecia uma figura importante e fiquei me perguntando o que ele poderia querer comigo.

- Nós finalmente encontramos o pássaro – meu pai disse depois de nos apresentar, parecendo orgulhoso, embora só estivesse pensando no dinheiro mesmo.

- Isso é bom... Eu acho – respondi confuso.

- Mas, meu caro amigo Brunnet – esse era o sobrenome chique do pesquisador – me fez uma proposta muito interessante – meu pai deu um sorrisinho e eu senti que vinha algo ruim.

Eles querem o Jihoon.

Eu senti como se tivesse sido esfaqueado no peito pelo meu próprio pai.

O pesquisador, o tal do Brunnet, sabia obviamente tudo sobre a história do Jihoon, já que tinha acompanhado toda a confusão de camarote. Ele então ofereceu uma boa quantia em dinheiro – e, quando digo boa, digo quase o triplo do que havia oferecido pelo pássaro – ao meu pai, para levar o Jihoon com ele para a cidade.

Segundo as palavras do próprio homem “não havia lugar para uma criatura tão especial quanto ele nesse vilarejo e seria bom que ele pudesse viver na cidade grande”. Ele prometia oferecer a ele um lugar para ficar e jurou diante de mim que cuidaria dele.

E eu, graças a deus, não tenho mais 5 anos de idade.

- Mentira – falei sério, sentindo o sangue ferver dentro de mim – Você acha que eu não sei que você quer expor ele na televisão e fazer dele uma criatura de circo da qual você tirará um caminhão de dinheiro? – joguei na cara do homem, que me olhou surpreso.

- Isso não tem nada a ver com o que eu pretendo... – ele tentou se explicar.

- Mentira – falei de novo e olhei sério para o meu pai – Jihoon não vai a lugar nenhum, ele não é sua propriedade para vende-lo.

- Ele não pode ficar aqui, Guanlin – meu pai revidou.

- Por que não? Ele não faz mal a ninguém – disse, cerrando os dentes.

- Ele é um monstro, o lugar dele não é aqui, ele ficará muito melhor na cidade.

Ele estava maluco, completamente fora de si. Eu nunca tive brigas com o meu pai antes, é claro que nos desentendemos algumas vezes e que nosso jeito de pensar sempre foi muito diferente, mas eu nunca havia perdido o respeito por ele como estava perdendo agora. Eu estava tão bravo que nem mesmo conseguia olhar na cara dele.

Dei meu último recado, avisando que Jihoon não sairia do meu lado nem por toda a quantia do mundo, e me virei e saí da sala. Eu sei que meu pai e aquele homem não respeitariam a minha palavra, eles provavelmente tirariam o Jihoon daqui a força, então eu não tinha muita escolha a não ser leva-lo comigo.

Eu não estava pensando racionalmente quando corri até a delegacia apenas com a roupa do corpo e 5 trocados no bolso, decidido a fugir com o Jihoon. Não importava para onde, eu apenas tinha que tirá-lo de perto do meu pai e daquele homem, para que ele pudesse viver dignamente. Eu havia prometido a mim mesmo que ele teria uma vida boa agora e nada e ninguém iria se meter no meu caminho.

Entrei na delegacia e peguei as chaves da cela, sem dizer nada a ninguém. Os policiais correram atrás de mim, mas eu não tinha tempo para nenhum deles. Abri a cela e peguei um confuso Jihoon pela mão, que me olhava como se não entendesse o que estava acontecendo.

- Estamos partindo – falei.

Porém, antes que eu pudesse sequer sair de lá, meu pai apareceu junto com o maldito pesquisador. É claro, óbvio que meu pai imaginou que eu nem mesmo esperaria um segundo para escapar com o Jihoon. Ele me entendia muito bem.

Assim que os dois se aproximaram, coloquei o Jihoon atrás de mim e segurei firme em sua mão. Eu não sabia de onde tanta coragem estava saindo ultimamente, mas eu faria qualquer coisa para salvá-lo.

- O garoto vai conosco – meu pai disse, sério – Vocês todos podem apontar suas armas na direção deles.

Arregalei os olhos, mas nem mesmo sabia por que estava surpreso. Meu pai havia se tornado alguém que até mesmo apontava uma arma para o próprio filho.

- Mas, senhor... – um dos policiais disse o óbvio – É o seu filho.

- Apenas faça isso – meu pai ordenou, sério.

Todos os 5 policiais que estavam ao nosso redor apontaram suas armas em nossa direção. Jihoon continuava confuso atrás de mim e eu apertava sua mão com força.

Eu vou te salvar.

- Peguem o garoto – o pesquisador disse cheio de audácia, dando ordem aos policiais do MEU povoado.

- Não – revidei – Você não vai levar o Jihoon para a cidade, você não vai transformá-lo em uma atração de circo, vai precisar me matar primeiro para isso.

Assim que ouviu minhas palavras, a expressão no rosto do Jihoon mudou de confusão para raiva. Talvez ele não soubesse ao certo o que fariam com ele longe daqui, mas ele definitivamente sabia que aqueles em frente a ele não tinham boas intenções.

- Vamos lá Guanlin, eu não tenho o dia todo – meu pai resmungou.

Os policiais apontaram todas as armas em nossa direção, como se estivessem a ponto de atirar, embora eu soubesse que eles não o fariam. Nenhum daqueles homens iria atirar em mim, eles apenas queriam me assustar.

No entanto, Jihoon não sabia disso.

Em uma fração de segundo, ele saiu detrás de mim e se colocou em minha frente, com uma expressão muito irritada no rosto.  Ele parou diante de mim, me protegendo como eu havia feito com ele, mas aquilo me deixou mais nervoso do que feliz, porque eu não podia confiar que ninguém atiraria nele.

- O que você está fazendo? – perguntei.

- Proteção – ele respondeu, abrindo os braços em minha frente, para que nenhum daqueles homens se aproximasse ou me machucasse.

Eu estava tão tocado por sua doçura que não percebi o que ele tinha feito, até que os policiais e o pesquisador começaram a gritar. Quando olhei para a frente, havia fogo subindo por seus sapatos.

A delegacia virou um pandemônio enquanto aqueles homens tentavam apagar o fogo que subia por seus corpos. Por um segundo, ninguém entendeu o que estava acontecendo, até que todos olhamos para o Jihoon. Ele trazia uma expressão séria no rosto, olhando fixamente para cada um deles.

Ele colocou fogo naquelas pessoas...

- O faça parar! – meu pai gritou desesperado, mesmo que ele tivesse sido poupado.

- Jihoon... – falei, nervoso com os gritos dos homens – Você pode parar agora...

Ele olhou para mim e então assentiu com a cabeça. O fogo cessou no mesmo instante, deixando todos apenas com os sapatos e a barra da calça destruídos.

- Se vocês tentarem encostar nele novamente, ele vai queimar vocês vivos por inteiro – ameacei, embora não soubesse se ele era capaz mesmo de algo assim – Estejam avisados.

O pesquisador olhou em nossa direção, irritado.

- Monstro – disse ao Jihoon, antes de dar as costas e ir embora.

Meu pai me lançou um olhar de desprezo e seguiu o homem para fora da delegacia.

- Estávamos apenas seguindo ordens... – um dos policiais falou, enquanto olhava para o sapato destruído.

- Eu sei, desculpa – lamentei sinceramente.

- O fogo foi legal – outro policial continuou – Assustador, mas legal.

Dei um sorrisinho e assenti com a cabeça. Ao invés de achar aquilo medonho, eu tinha achado incrível. Era como se Jihoon fosse um super-herói ou algo do tipo, com um poder legal.

Ok, na prática era porque ele era feito de magia negra e talvez aquele fosse algum padrão de defesa e ataque, mas não importava. O que importava era que ele tinha feito aquilo para me proteger.

- Obrigado por me proteger – disse, quando Jihoon se virou para me encarar.

- Você me protegeu também – ele respondeu.

- Eu sei, mas você foi mais legal – sorri.

Ele sorriu de volta para mim e eu não sabia se estava apenas me copiando, se ele apenas sorria porque tinha me visto sorrir, ou se ele genuinamente queria sorrir naquele momento. Mas isso também não importava.

Eu sabia que não podia mais mantê-lo sozinho naquela delegacia. Não era como se o pesquisador fosse voltar, mas eu tinha medo de que meu pai tentasse alguma coisa. Eu também não queria voltar para casa e ter que o ver, ficar sob o mesmo teto. Então o peguei pela mão e o levei para o único lugar que podíamos ir.

Enquanto andávamos rapidamente pela cidade, algumas pessoas olhavam confusas para o Jihoon, provavelmente por não o conhecerem já que todo mundo meio que conhecia todo mundo por aqui. Eu acredito que Jihoon parecia tão normal ao meu lado que ninguém sequer deve ter cogitado que ele pudesse ser o “monstro da lenda”.

Jihoon, por sua vez, olhou surpreso para tudo o que viu, se encolheu ao passar por um cachorro e ficou alucinado por uma bicicleta. Era tão bonito como cada pequena coisa corriqueira e normal para mim era como um mundo completamente novo para ele.

Fui até a última casa de uma rua sem saída, na qual eu passei boa parte da minha infância jogando bola e brincando de corrida. Lá havia uma casinha amarela toda decorada com flores vermelhas e cor-de-rosa, que também me era muito íntima.

A mãe do Daehwi atendeu a porta e me recebeu com seu sorriso caloroso de sempre, já que eu era um filho para ela, assim como Daehwi era um para a minha mãe. O pai dele também veio me receber, mas ambos ficaram nervosos quando viram quem eu trazia comigo.

Daehwi pediu para que sentássemos ao perceber que eu estava bem mais nervoso do que o normal. Ele trouxe um copo de água para cada um de nós e um pratinho de biscoitos, que Jihoon prontamente atacou quando eu disse que ele podia comer.

Enquanto ele se perdia em um novo sabor, comecei a contar a eles tudo o que havia acontecido, como meu pai tinha colocado os policiais contra mim e os planos do pesquisador para com o Jihoon. Os pais do Daehwi ficaram horrorizados com tudo e, ao final, eu supliquei para que nos deixassem ficar um pouco por aqui.

Daehwi foi mais além e contou aos pais tudo o que descobrimos com o senhor Lee no dia do aniversário do vilarejo, para que eles ficassem cientes do que Jihoon era e de que mesmo assim nós havíamos escolhido protege-lo, porque sabíamos que ele era bom. Ao final, ambos pareciam assustados, mas tinham confiado em nossas palavras. Até porque, durante toda aquela conversa tensa, Jihoon apenas havia comido biscoitos e contemplado os enfeites em cima da lareira da casa, como se fossem algo espetacular – e eram apenas animais de porcelana.

 - Você tem certeza sobre o... Fogo – o pai do Daehwi perguntou um pouco preocupado.

- Não se preocupe, ele apenas fez isso para me proteger – expliquei – Ele não vai causar nenhum problema aqui, eu prometo.

Marido e esposa se olharam por alguns segundos e então assentiram com a cabeça, aceitando que ficássemos por lá o tempo necessário. A única coisa que ela me pediu foi que pudesse avisar a minha mãe, para que ela não ficasse preocupada, e eu permiti. Minha pobre mãe não tinha culpa de nada, e meu pai provavelmente nem queria me ver, então eles não viriam me buscar agora, já que sabiam que podiam confiar na mãe do meu grande amigo.

Daehwi nos levou até o quarto dele e disse que iria providenciar alguns colchões para que pudéssemos dormi lá com ele. Ele estava muito animado quando saiu para buscar um chá e mais comida, algo que deixou Jihoon bastante feliz. Ou pelo menos parecia, já que eu ainda não sabia se seu estado de felicidade era mesmo como a nossa felicidade.

- Ei – falei quando sentamos na cama do Daehwi e Jihoon cravou seus olhos na imensa coleção de barbies que havia em uma prateleira, cada uma delas com uma roupa e um penteado feitos pelo próprio Daehwi – Quero te perguntar uma coisa.

Jihoon virou o rosto em minha direção e me encarou, esperando minha resposta.

- Por que você não usou esse... poder de fogo – disse, na falta de um termo melhor para me referir – quando eles te pegaram na floresta?

Ele negou com a cabeça, confuso.

- Eu não sabia – respondeu com sinceridade.

- Você não sabia que podia fazer algo assim? – perguntei surpreso.

Ele assentiu.

- Você aprendeu isso hoje? – insisti, achando aquilo muito maluco.

- Sim.

- Como?

- Eu não sei... – ele foi sincero novamente – Eu só queria te proteger.

Dei um sorrisinho e me senti muito bem novamente. Então ele tinha aprendido algo tão incrível como aquilo apenas para me proteger? O quão incrível aquilo era?

- Você não devia fazer isso – brinquei – Vai acabar conquistando o meu coração.

- Conquistando? – ele perguntou curioso.

Dei de ombros e mudei de assunto, já que seria impossível explicar algo como isso a ele. Na verdade, era até difícil explicar para mim mesmo o fato de eu gostar mais e mais dele a cada dia.

Não era fácil tudo o que eu estava passando, mas sentia que sempre que ele me protegia, sorria, ou até mesmo olhava para mim, tudo valia a pena.

E, dessa forma, nosso laço se tornava mais forte a cada dia.



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