História Heat - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki
Tags Abo, Aniversário-do-naruto, Itachi Alfa, Itanaru, Lemon, Naruto Beta, Twoshot
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Palavras 3.916
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Fantasia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


* Naruto não me pertence, Kishimoto (otário) é o pai, pena.
* A arte da capa não é minha só fiz uma edição(zinha).
* omegaverse
* AlfaxBeta
* twoshot
* lemon
* revisão feita por mim, perdoem.
Narração do Naruto (Aniversariante)

Capítulo 1 - Capítulo 1


 

Heat

 

Então meu destino é esse mesmo, senhor universo? Se isso for consequência de alguma maldade feita na vida passada, por favor, reconsidere, pois é injusto eu ter que pagar nessa por algo que nem ao menos lembro de ter feito na outra.

Enquanto observava minha mãe dobrando minhas roupas com todo o carinho e cuidado do mundo e depois as colocando dentro da mala, só conseguia pensar em uma coisa: Malditos Hyuugas. E olha que não sou de guardar rancor, mas não consigo parar de amaldiçoá-los pela vida que tenho hoje. Vida essa que tinha tudo para ser perfeita como meu avô planejou antes do meu nascimento, mais precisamente depois que as previsões da velha Chiyo revelaram que o bebê no ventre de minha mãe era um menino. 

Na época a notícia causou comoção por todo o clã, pois era um acontecimento grandioso, vir ao mundo um Uzumaki homem. Finalmente um sucessor para Hashirama, eles diziam.

O concelho era taxativo quanto à sucessão naquele tempo, não aceitavam beta, nem alfa mulher e muito menos ômegas. Tinha que ser um alfa homem para liderar o clã e de preferência que fosse um Uzumaki legítimo. Por conta disso o clã vivia em constante tensão. 

Os Hyuugas faziam pressão, pois eles tinham muitos homens alfas com ótimos requisitos para liderar, mas o concelho era contra. Era preferível um Senju na falta de um Uzumaki ocupando o posto em vez de um Hyuuga. Todavia, um Uzumaki homem depois de duas gerações perdidas, para eles era como um presente dos Deuses. 

Só que não.

Para começo de conversa, nem alfa sou, sou beta, o erro já começa por aí. Mas antes mesmo do meu nascimento os planos do meu avô para o destino do clã já começavam a dar errado.

Tudo começou a partir do momento que os Hyuugas – infelizes – arquitetaram um golpe de estado. Foi logo após a notícia da gravidez da minha mãe, consequentemente a aliança entre os clãs se desfez e uma guerra sangrenta começou.

Nossas forças militares enfraqueceram, então Uzumaki Mito, grã-finíssima vovó, se aliou aos Uchihas, criando ao lado de seu líder – Uchiha Madara – uma nova aliança.

O clã Uchiha naquela época era conhecido por ser o mais afastado de todos, não se misturavam, não interagiam e não tinham aliança com ninguém. Eles eram autossuficientes e tinham um padrão de vida elevado. Ninguém gostava deles, tinham fama de malévolos e traiçoeiros. De acordo com os relatos da minha mãe, naquela época boatos circulavam por todos os cantos de que ômegas não eram aceitos na família principal daquele clã e que por isso todos os anos era feito um ritual a Deusa da fertilidade e ao Deus da vida – desde os ancestrais. Sendo assim os Deuses só concebiam ao clã Uchiha alfas ou betas.

Mais tarde descobri que não era nada daquilo e que tudo não passava de especulação, ao menos foi o que Sasuke garantiu. Havia sim ômegas na família principal, era um acontecimento raro, uma vez que naquele clã a grande maioria eram alfas ou betas, o que resultava em alfas matrimoniando com outros alfas e assim gerando mais alfas. Quando alguma notícia de que alguém da elite era diagnosticado como ômega, essa pessoa passava a receber cuidados estremos. Ômegas eram vistos e tratados como frágeis e só lhes era permitido atuar profissionalmente nas áreas da saúde e gastronomia, havia o lado obscuro do clã também, onde existiam ômegas que sofriam preconceito pesado e os que eram usados apenas para casar e copular.

Em suma, os boatos na realidade foram criados e espalhados pelo clã Hyuuga há muitos anos antes da guerra acontecer. Tudo devido a uma proposta feita pelos próprios Hyuugas e recusada pelos Uchihas de unir as duas forças militares. 

Acredito que nada acontece por acaso, para tudo existe um motivo. Digo, pelo que ouço da boca dos mais velhos, com os Hyuugas era tensão vinte e quatro horas por dia dentro do clã Uzumaki, já com os Uchihas é bem diferente, é cada macaco no seu galho, ou seja, eles lá no território deles e nós aqui no nosso.

Mas a gente se ajuda quando um precisa do outro. 

Voltando... Ninguém entendeu como minha avó, uma ômega, conseguiu fazer aliança com o clã mais difícil de todos os tempos. Vovô Madara me contou que os malditos Hyuugas haviam ameaçado destruir o Clã Uchiha no passado e que minha avó usou isso como argumento quando propôs aliança. E como líder, Madara tinha um clã à honrar e não permitiria que aqueles novos boatos se espalhassem. Já existiam boatos suficiente (e negativos) sobre o clã.

Depois de uma noite inteira refletindo e três dias tentando convencer seu concelho que não seria sábio deixar os Hyuugas soltos por aí, que o certo seria cortar o mal pela raiz antes que se tornasse irreversível, ele deu seu sim para a proposta da minha avó. Desta maneira a vovó retornou ao campo de batalha, com um sorrisão triunfante nos lábios e a cavalaria Uchiha logo atrás de si. 

Os Uchihas além de possuírem riquezas, tinham um exército forte que foi de grande ajuda na guerra. Sua força militar era o dobro da que os Hyuuga possuíam.

Receberam e acolheram em seu clã, Ômegas e crianças do clã Uzumaki que perderam suas casas para guerra, pois nosso território tinha se transformado em campo de batalha.

No final da guerra houve muitas baixas, entre elas estava minha avó Uzumaki Mito, que mesmo sendo ômega era combatente (e uma ótima estrategista) e o sucessor e sobrinho de Uchiha Madara, o alfa Uchiha Fugaku, também general do exército Uchiha – e segundo meu pai, grande homem.

Minha mãe deu a luz um dia antes da notícia do fim da guerra chegar ao clã Uchiha. As notícias diziam que havíamos saído vitoriosos, como meu pai ainda diz nos dias de hoje cheio de orgulho. Eu penso diferente.

Na minha visão não houve exatamente um vitorioso no fim, pois pessoas de ambos clãs pereceram. Os Hyuugas perderam a batalha, parte de seu exército composto por sua grande maioria alfas e betas combatentes, ficaram por um bom tempo vagando por aí a esmo, sem abrigo, sem aliança, sem ajuda, sem nada. 

Os Uchiha perderam seu sucessor e um notável número de betas. 

Os Uzumakis tiveram que levantar suas casas e recuperar suas riquezas perdidas, metade do concelho foi assassinado.

Se não fosse a ajuda dos Uchihas quem sabe o que seria de nós, provavelmente teríamos ficado na mesma situação precária dos Hyuugas, já que comparada a força militar deles, a nossa era quase nada. Ou seja, teríamos perdido na certa. 

A verdade que ninguém do clã Uzumaki assume, é que os Hyuuga eram a nossa força militar naquela época. O clã Uzumaki não possuía um exercito grande e até hoje não possui.

Nosso clã não obriga ninguém a ser combatente. Pregamos a paz e o amor ao próximo. 

Mas onde eu chego nessa história toda? 

Para firmar a aliança entre os clãs e principalmente para que nos tornássemos “família”, meu avô,  Senju Hashirama junto de Uchiha Madara, em nome de Uzumaki Mito e Uchiha Fugaku, falecidos na guerra, fizeram um acordo de matrimônio entre seus herdeiros.  

Ou seja, é aqui que eu entro. 

Por isso que eu amaldiçoo os Hyuugas. O único que tem o meu respeito é o Neji, que na época da guerra ficou órfão e minha tia o adotou ainda bebê. Hoje ele é meu primo e irmão da chata da Karin. 

Mas enfim, nada foi capaz de desfazer esse acordo entre os clãs, nem mesmo quando fui diagnosticado como beta, aquilo era sagrado para os dois lados. Aquele dia que me descobri beta pensei: Agora vai! Agora que não sou mais o herdeiro esse noivado acaba.

Só que não. 

Culpa única e exclusivamente do meu noivo.

Maldito.

Sim, noivo. Um homem e para piorar: alfa. 

Fui ter conhecimento de metade da história quando tinha seis anos de idade, antes disso ninguém nunca tinha comentado nada comigo sobre matrimônio. A ideia era só contar quando meu gênero fosse revelado.

Aquele dia eu estava brincando com Haruno Sakura, uma garotinha fofa e linda do Clã – meu primeiro amor –, nossas mães estavam sentadas embaixo de uma arvore conversando e nos observando. Foi quando me viram entregar na maior da inocência uma flor para a garota e em seguida dizer que ia me casar com ela. Dona Haruno riu graciosa, afinal ela era adulta responsável, tinha bom senso e sabia que tudo não passava de fantasia boba de uma criança de apenas seis anos de idade.

Ao contrário de minha mãe que ficou horrorizada e rapidamente se levantou num impulso e começou falar que eu era uma criança, que não podia prever o futuro e etc. Porém eu era mais teimoso que ela, bati o pé retrucando que ia sim me casar com a Sakura-chan, pois se não fosse a Sakura-chan então não seria ninguém.

Em meio a nossa discussão, minha mãe deixou escapar na frente de um monte de pirralhos assustados e que nos encaravam com feições de choro, que eu já estava compromissado. Eu nem sabia do que ela estava falando, tinha só seis anos, mas imaginei que pelas caras de espantos dos pais e mães ali presentes que era algo muito ruim (mal sabia que era mesmo) e por isso saí correndo de lá, chorando com ela em meu encalço arrependida e pedindo desculpas.

Agora aqui estou, me despedindo dela e do meu pai quase com lágrimas nos olhos, vendo os dois sorrindo  como se não estivessem entregando seu único filho, um jovem de apenas dezoito prestes a completar seus dezenove, para um alfa (e Uchiha) descontrolado pelo cio prestes a engoli-lo vivo.

Eu não queria ir, mas dona Kushina foi bem enfática naquela manhã durante o café, quando do nada Uchiha Sasuke e Uchiha Shisui adentraram nossa casa, acompanhados de meu pai com feições preocupadas  e informando que eu precisava urgentemente partir com eles para o clã Uchiha.

Eu e minha mãe ficamos sem entender nada. Pensei em perguntar, quando Sasuke (aquele bastardo sem educação) berrou dizendo que era para eu me apressar e não ficar perdendo tempo.

Quando pensei em abrir a minha boca também para dar a ele uma resposta merecida, Shisui com toda sua calma, maturidade e doçura que já era esperado em um ômega, falou: — Naruto, Itachi precisa de você.

Minha alma gelou.

Já tinha ouvido aquilo antes e sabia mais do que qualquer um o que me aguardava. 

Por um momento parecia que tinha sofrido algum tipo de paralisia, pois não conseguia mover um músculo do corpo. Minha mãe arregalou os olhos, enfiou todo o resto do café da manhã na boca e se levantou, passando a andar em círculos como se alguém estivesse a ponto de parir a qualquer momento. 

Cenas de um cio passado passaram como um filme na minha cabeça. O arrepio subiu atrás do pescoço eriçando todos meus pelos.

Aquele era o meu fim. 

Eu tinha que arranjar um jeito de escapar, mas como, conhecendo minha mãe era bem capaz de me levar amarrado e amordaçado para o clã Uchiha.

— E-Eu não vou. — pronto, falei.

O olhar que minha mãe mostrou me arrepiou dos pés à cabeça. Ela exaltou-se antes que a boca grande de Sasuke dissesse alguma coisa que provavelmente iria me tirar do sério e que resultaria em nós dois terminando aquela conversa rolando no chão, como sempre acontecia.

— Você ouviu o que Shisui-san falou? — ela perguntou já alterada. — Itachi-san precisa de você.

Fiz um bi(cão), cruzei os braços e virei a cara.

— Tô nem aí.

— Eu vou matá-lo! — Sasuke saltou da cadeira com os punhos cerrados, mas Shisui segurou a barra de sua camisa, impedindo-o de dar sequer um passo em minha direção.

— Acalme-se Sasuke. — disse ele, como sempre calmo e doce. Ah ômegas. — Naruto, escute com atenção...

— Não adianta Shisui, nem morto vocês me tiram daqui.  

Minha mãe bufava e meu pai tentava em vão mantê-la calma.

— Naruto seu bostinha, você vai, nem que seja amarrado! — dona Kushina ralhou respirando fundo.

— Kaa-chan, como consegue enviar seu único filho para morte.

— M-Mort-! Mas do que esse pirralho de merda tá falando, Minato? — Ela rezingava rangendo os dentes, o rosto inteiro num vermelho mais intenso que seus cabelos. — Minato, faça alguma coisa, não fique aí com essa cara de paspalho!

Meu pai se encolheu com a voz dela e por um momento eu senti muito, mas só até ele abrir a boca.

— Naruto sua mãe tem razão. — disse Tou-chan sério.

— Em que parte? — Perguntei com desdém e aquilo foi o bastante para levar minha mãe à fúria máxima.

 — A parte em que eu determino que você vai sim atender ao seu noivo, ele precisa de...

— Ele não precisa de mim! — Exclamei fazendo todo mundo se calar para me olhar com espanto e curiosidade. Por um instante me senti nervoso com toda aquela atenção silenciosa. Era um pouco sufocante. — Ele pode ter a ômega ou ômega q-

— É definitivo agora eu o mato! — Sasuke novamente tentou avançar para cima de mim, sendo detido pelo Uchiha mais velho.

Meu pai também teve que segurar minha mãe. Eu só pude me encolher ali me sentindo ameaçado com todo aquele ar pesado.

Shisui suspirou e me olhou com pesar.

— Não é tão simples assim Naruto. — disse.

— Você tem coragem mesmo de dizer uma coisa dessas, não é idiota?! — Ignorei os olhos ferozes de Sasuke e a ofensa, voltando a encarar e questionar o único ômega no recinto.

— Como não?

Shisui costuma estar sempre com um sorriso gentil no rosto. Seu aroma doce tinha o poder de acalmar a todos ao redor. Ele é uma boa pessoa, mas não queira vê-lo bravo. 

— Então tudo bem para você Itachi passar o cio com outra pessoa? — questionou.

Eu sempre falava que sim, mas sabia que era tudo da boca para fora, só para irritar todo mundo mesmo, mas nunca tinha parado para pensar naquilo realmente. 

Até aquele momento onde fui inventar de imaginar a cena e... não foi engraçado.

Engoli em seco sentindo o estômago embrulhando.

— Shisui, o que tá fazendo, você sabe muito bem que-

— Cala a boca um segundo Sasuke! — Shisui se alterou olhando para Sasuke como se pudesse perfurar sua carne apenas com os olhos e depois voltou a olhar em minha direção serio, esperando uma resposta. — Naruto, vou perguntar novamente: tudo bem para você Itachi passar o cio com outra pessoa?

— E-Eu... eu...

Notando a minha hesitação, minha mãe parou de se debater e me encarou com atenção e algo de preocupação. Meu pai suspirou e tomou a palavra.

— Naruto, sei que não é fácil para um beta, mas...

— Não, Tou-chan — interrompi — você não sabe, afinal é um Alfa. — murmurei de cabeça baixa.

— Tem razão, não posso me colocar no seu lugar, pois não sou beta, mas como alfa sei o quão doloroso é suportar um heat sozinho. Principalmente quando não podemos estar junto da pessoa que amamos.

Um silêncio pesado se instalou no nosso meio por uns instantes, permaneci de cabeça baixa até a voz de Shisui se fazer presente. 

— Itachi se recusa a ser tocado por outra pessoa, Naruto. — Shisui comentou ameno.

— Mas eu sou um Beta! — Exclamei agarrando meus cabelos com força.

— Ele só quer você, baka. — disse um Sasuke com seus olhos sisudos presos em mim.  

— Vocês são noivos, é natural que esteja com Itachi-kun em momentos como esse. — Meu pai se pronunciou novamente, me deixando constrangido. Esse povo fala de sexo com uma maturidade espantável. 

— Minato-san tem razão. — ouvi Shisui dizer.

— Exato! — Sasuke concordou cruzando os braços acima do peito.

— Três contra um?

— Muito bem Naruto, seu moleque irritante. — corrigindo: quatro contra um! Esqueci dela. — Não fique aí perdendo mais tempo, comece arrumando suas trouxas agora, você partirá em, no máximo, vinte minutos com Shishui e Sasuke e não me faça repetir! 

Eu falei que ela tinha sido bem enfática.

Foi impossível não notar o clima de apreensão quando botamos nossos pés dentro do clã Uchiha.

Entramos na casa principal e imediatamente os olhares recaíram em mim, vi olhos assustados  se transformarem em alívio, como se eu fosse o salvador da pátria. 

Preciso nem comentar o tamanho do meu constrangimento por metade do clã ter ciência que eu estava ali apenas para copular com o futuro líder, né?  

Quis sumir e de fato me apeguei na ideia  de fugir daquela situação, mas não pude ficar muito tempo pensando naquilo, pois logo o barulho de coisas se quebrando no segundo andar, me fez perder totalmente o foco, seguido de um forte rosnado rasgou o silêncio no saguão, fazendo ecos nas paredes.

Era Itachi.

Ele estava lá em cima, sozinho, isolado de tudo e todos. 

Endureci diante daquilo, senti minha alma deixar meu corpo dizendo: “tô fora!”. 

Ficou claro que não havia ninguém circulando naquele andar. E Shisui comentou durante a viagem que Madara a pedido de Itachi mandou retirar todos os ômegas da casa principal e proibiu qualquer pessoa de ter acesso ao segundo piso. 

Busquei os olhos do vovô Madara em frente às escadas, pedindo socorro, mas ele parecia aliviado em me ver, tão aliviado que nem deu atenção ao desespero estampado na minha cara. Nem mesmo pareceu abalado com aquele rosnado assustador.

Se aproximou de mim e deu duas batidinhas nas minhas costas como se agradecesse por minha presença ali. Só pude respirar fundo e assentir.

Só me restava aguardar minha morte lenta e tortuosa.

Mas antes de morrer exigi:

— Um banho primeiro!

Tinha feito três horas de viagem, necessitava de banho e um tempo para relaxar, oras.

Na hora rostos se contorceram em impaciência, mas Madara cortou qualquer protesto antes mesmo de ser enunciado por qualquer um no meio daquela gente toda e pediu que um beta me conduzisse até o banheiro no segundo andar – no mesmo corredor dos aposentos de Itachi.  

Depois de um banho nada relaxante por culpa dos sons de coisas quebrando a todo o momento junto dos rosnados nada sutis no final do corredor, saí do banheiro já vestido, os cabelos pingando no chão do corredor e pés descalços. 

Os barulhos no quarto de Itachi haviam cessado por um momento e eu agradeci por aquele minuto de silêncio, não estava conseguindo ouvir nem meus pensamentos com aquela barulheira toda.

Deduzi que ele cansou ou adormeceu.  

Pensei em pedir algo para comer, mas durante a viagem Sasuke e Shisui coincidentemente (agora penso que não) me empurraram um monte de comida, então não estava realmente com fome. 

Ainda encostado á porta do banheiro, corri os olhos por todas as outras portas daquele corredor até a última. Era lá o meu destino. Seriam oito dias – ou mais – trancafiados, fazendo sexo num intervalo mínimo para comer, tomar banho ou apenas dormir para recuperar as energias, acordar e fazer sexo outra vez. 

Da outra vez foi desse jeito pelo que me lembro.

Maldição... Só de recordar, meu corpo reagia.

As lembranças das sensações, dos sussurros, do cheiro e dos toques nunca vão embora, ficam presos na minha mente e pele, Itachi era...

— Vai ficar aí perdendo tempo até quando dobe? — Tomei um sobressalto. Fuzilei o bastardo vindo lá na ponta do corredor com aquela cara azeda que só ele tinha. — Daqui a pouco aquele quarto inteiro vai abaixo se você não se apressar.

Fiz beiço e virei a cara.

— Anda logo com isso! — ele disse rosnando. 

Ele rosnou para mim? Sério?

Vou deixar passar essa por ora, pois não é o momento.

— Não enche e some daqui. — Joguei minhas roupas usadas nele que pegou com precisão no ar (como esperado do bastardo) — Tá querendo morrer é? Se seu irmão inventa de deixar aquele quarto, vai fazer picadinho de você. 

Meu hobbie favorito dentro do clã Uchiha era perturbar Sasuke. Eu gostava de vê-lo desmanchar aquela pose de "menino centrado", com provocações baratas.

— E você acredita mesmo que ele já não sabe que estamos aqui? — perguntou num tom de deboche. — Lupinos tem a audição mais aguçada que os alfas comuns.

Alfas comuns? Desde quando alfas eram comuns? Tsk, por isso odeio alfas, sempre tão prepotentes.

— Sério mesmo? Não me diga. — revirei os olhos encarando minhas unhas como se elas fossem a coisa mais interessante do universo. 

— Dobe, só ato de respirar nesse corre- — fomos interrompidos por um rosnando no final do corredor. Aquele foi mais alto que os outros. Olhei para aquela direção sentindo o coração disparar. Se Itachi saísse do quarto na condição que estava e desse de cara com Sasuke ali – e perto de mim – seria um show de horror. 

Eu era combatente e tinha confiança na minha técnica e força, mas com dois alfas (sendo um deles lúpus) era demais até para alguém como eu.

— Some logo daqui. — Falei com o coração dando pulos e já tomando rumo ao meu destino que me aguardava, nem olhei para trás para confirmar a saída de Sasuke.

Alfas não podem sentir o cheiro de outros alfas durante o cio. Já é da natureza deles detestarem os cheiros uns dos outros, se acontecesse no cio, seria fatal. Claro que existiam as exceções, mas tudo depende da situação; haviam alfas com parceiros também alfas.

Por exemplo, meus pais, ambos eram alfas, sendo meu pai um lúpus (por incrível que pareça). Também existiam casos de alfas do mesmo sexo casar, este seria o meu caso e do Itachi, se eu fosse alfa.  

A cada passo andado meu corpo tremia, não sei se por medo de ter consciência do que me aguardava, ansiedade, nervosismo ou que.

A porta ficava cada vez mais próxima, Itachi já não rosnava, o que me proporcionou certo alivio, pois aquilo significava que estava se controlando. Ele sempre se esforçava o máximo para não perder o controle.

Detive meus passos finalmente em frente á porta. Baixei os olhos para maçaneta. Eu podia ouvir uma respiração densa e pesada do outro lado. Engoli seco. Afinal quantos dias ele está desse jeito? 

Eu sabia que cios quando não saciados podiam ser um problema. Karin sempre comentava, ela não era lupina, mas dizia que a única vez que não pode passar o cio com alguém quis morrer.

— Entra logo Dobe! — Sasuke ainda estava lá?! E rosnand-!

— Merda!! — Gritei quando a porta se abriu num rompante.

Nunca senti tanta necessidade de agradecer aos Deuses por não ter nascido ômega e principalmente por ter me concebido o interesse em combates, pois nunca se deve subestimar a força e velocidade de um alfa.

Talvez por ter ouvido o rosnado de Sasuke junto do cheiro do mesmo, fez com que Itachi perdesse a razão, não sei, só sei que foi tudo muito rápido. Ele escancarou a porta com fúria, pronto para partir pra cima do irmão, completamente inconsciente do que fazia. Malditos sejam instintos de Alfas. Arg!

Eu mesmo chocado e com o coração a mil, tive agilidade e iniciativa de chutá-lo de volta ao quarto usando toda a força existente dentro do meu corpo.

Itachi voou longe, nem pude olhar direito seu destino, apenas ouvir o estrondo causado pelo impacto de suas costas contra a parede do outro lado do quarto e em seguida ele caindo no chão.

Maldição.

Se eu não tivesse um grau considerável de conhecimento e experiência em combate essa hora estaria testemunhando de uma carnificina.

Botei metade do corpo para dentro do quarto deixando o dorso e a cabeça para fora e berrei: — Teme, some daqui! Quer morrer desgraça?! 

Vi Sasuke girar os pés e caminhar como se sua vida não estivesse em risco.

Anotem: vou matá-lo. 

 

 


Notas Finais


Meu primeiro omegaverse socorro! Queria ter postado mais cedo, mas não deu. :(
Era para ser um oneshot, mas não consegui finalizar o lemon a tempo, então fui obrigada a dividir. Tinha que postar no aniversário do Naruto. Estou escrevendo essa nota ás 23:13, espero conseguir postar antes da 00:00.
O próximo é o lemon.


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