História Heaven - Capítulo 8


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Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Bella Swan
Tags Bella Swan, Bellythe, Crepúsculo Reimaginado, Edythe Cullen, Morte, Romance, Vida
Visualizações 50
Palavras 3.667
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quase que eu não volto hein? ashuahsuahs
Apreciem esse capítulo que é o meu favorito <3

ps: o flashback é da época em que Bella ainda não se transformou

Capítulo 8 - VII


"Eu sou uma idiota apaixonada pelo jeito que você se move, amor. E eu poderia tentar fugir, mas seria inútil. A culpa é sua. Apenas uma dose de você e eu soube que eu nunca mais seria a mesma..."

 

"Os olhos negros da vampira brilharam em admiração ao focalizarem uma certa garota, dona das mais belas galáxias azuladas que Edythe já vira.

Eram como o céu.

Edythe sempre sentira que faltava algo em si, algo que a vida eterna lhe roubara — sua alma, aquela virtude que fazia dela pura e que a levaria para o paraíso algum dia. Após ser transformada por Carlisle, os dois pegavam-se constantemente discutindo aquela questão e, para a vampira, seu pai era extremamente benevolente ao acreditar que eles não estavam condenados apenas por seres criaturas do pecado.

Mas ao encontrar-se ali, escondida sob as sombras, esgueirando-se apenas para observá-la, a ruiva quase podia sentir-se inteira novamente. Era óbvio que não havia nada de puro em si, mas Isabella Swan poderia ser algo próximo a uma remissão feita especialmente para ela.

A quileute jogou a cabeça para trás deixando-se cair de costas na areia da praia, a pele perolada brilhava ao sol e era acariciada de forma suave pelos minúsculos grãos de areia. Edythe sentiu as pernas tornarem-se fracas, algo que parecia ser impossível para um vampiro... Entretanto, já estava habituada a sempre ser surpreendida com as reações inesperadas que a humana era capaz de causar em seu corpo.

A ruiva sabia que não deveria estar ali naquele momento — violando o tratado com os poucos lobisomens dessa nova geração, refugiando-se silenciosamente por entre as árvores que beiravam a praia somente para tê-la por alguns poucos minutos, de sua forma ingênua e totalmente apaixonada. Simplesmente não podia evitar esse desejo de vê-la, de respirar o ar ao seu redor, de ansiar por tocá-la e admirar seu sorriso. Era arriscado, estava desnecessariamente colocando toda a sua família em risco — se fosse pega, teriam que partir da cidade e nunca mais voltar, apenas para evitar que uma guerra se iniciasse.

Estava completa e irrevogavelmente viciada em Bella, mesmo tendo a consciência de que a garota provavelmente jamais saberia disso — jamais saberia como seus olhos cristalinos faziam Edythe sentir-se uma criança novamente, jamais poderia entender a forma como seu peito parecia aquecer-se e sua mente embaralhava-se apenas por ouvir sua risada infantil, jamais poderia desvendar como a vampira se sentia envergonhada por não entender as sensações que seu corpo experimentava por tê-la ali tão perto... A pele macia e quente coberta apenas por um biquíni que evidenciava suas curvas suaves, o cabelo escuro sendo jogado de um lado para o outro enquanto ela se movia, o vento espalhando seu cheiro...

O conjunto da obra era capaz de enlouquecer a ruiva. Em momentos assim, sentia-se insana como nunca antes, a boca cheia de veneno e o corpo repleto de uma fome impossível de ser descrita.

Colocou-se de pé quando as íris famintas repousaram uma última vez na garota, parando para ouvir com atenção as batidas de seu coração. Era hora de voltar, como sempre, deixando a melhor parte de si para trás.

 

Por alguma razão, pude sentir que ele estava se aproximando antes mesmo de ouvir ou sentir seu cheiro.

Não pensei duas vezes antes de disparar com passos longos que logo foram substituídos pelo som das pesadas patas cobertas por meu pelo branco, correndo em direção à casa. De longe avistei Leah, que também já havia mudado de forma, e assisti enquanto a loba jogava o focinho para o céu e uivava longamente para avisar a todos algo redor de que algo estava errado.

Foquei minha audição no som que ele produzia ao se afastar de minha localização, colocando certa distância entre nós. Cerrei a mandíbula e fiz o questionamento interno entre segui-lo ou voltar para casa? Mesmo que eu soubesse que Renée estava bem protegida, literalmente cercada por nós, meu primeiro instinto sempre seria o de resguardá-la.

"Embry, volte para cá."

"Já ouvi, eu já ouvi."

As vozes romperam o silêncio de meus pensamentos, pegando-me de surpresa. Que droga era aquela?

"Está conosco?", Embry questionou. Pude visualizar as árvores borradas pela velocidade de sua corrida em direção ao perímetro, pronto para se juntar a Leah.

"É, eu... Acho que estou sim. Estamos conectados." 

"Ótimo", Leah assentiu para si mesma, mas pude ver e sentir a emoção que tomou conta dos dois pelo fato de estarmos todos juntos novamente. Eu podia senti-los novamente, preenchendo uma ausência esmagadora em meu peito.

Minha mente trabalhou rápido, analisando a situação e o fato de que poderíamos nos comunicar a partir de agora.

"Leah, vamos segui-lo e fazê-lo parar. Embry vai voltar para a mansão dos vampiros se certificar de que Renée estará segura."

Os lobos concordaram e partiram para seguir meus comandos, sem questionar ou hesitar. Leah rapidamente me alcançou, farejando o ar ao nosso redor para tentar identificar o invasor de quatro patas.

Sam seria idiota o suficiente para mandar ao ataque um lobo, sozinho? Ou estaria ali para averiguar nossas posições?

"Seria muito arriscado enviar um único lobo até o nosso perímetro, até mesmo para os termos insanos dele.", Embry afirmou enquanto adentrava, ainda sob quatro patas, o quarto onde Renée se encontrava. Seu marido maldito estava lá, observando atentamente. O lobo torceu o focinho ao sentir o cheiro queimar-lhe as narinas, mas ignorou o incômodo ao máximo e se posicionou extremamente próximo à cama onde minha mãe estava deitada.

"Consegue interceptá-lo?", perguntei a Leah, calculando a distância entre ela e o intruso que corria à nossa frente.

A loba não respondeu de imediato, apenas traçou uma rápida estratégia em sua mente e acelerou a corrida. Movendo-se rápida e silenciosamente, fez um arco desviando-se de nossas posições, desaparecendo em poucos segundos.

Seguindo com meu papel em seu plano, desacelerei um pouco enquanto rosnava de forma ameaçadora para o lobo que continuava à minha frente. Ele fez um pequeno desvio para oeste, em direção quase oposta a da aldeia, assustando-se com os movimentos e direções aleatórios que eu tomava — tudo para assustá-lo e o induzir a correr de forma cada vez mais desatenta. Permitindo que aumentasse um pouco mais a distância entre nós, contei mentalmente um, dois, três e saltei em sua direção, pronta para atingi-lo em cheio.

O lobo se esquivou para a direita, desviando facilmente de meu ataque.

Nesse momento, Leah surgiu bem à sua frente. Vindo da direção para onde ele havia se esquivado, a loba atingiu-lhe com a cabeça e fincou as garras no pelo escuro. Os dois rolaram pela relva e e lobo menor grunhiu prováveis xingamentos enquanto colocava-se sob quatro patas novamente, agora sendo cercado por mim e Leah. Encolheu-se assustado á procura de uma rota de fuga.

Bufei irritada encarando Collin Littlesea, um dos lobos mais jovens da aldeia em seus recém completados 13 anos.

"Que diabos está fazendo aqui?", Leah ruge. O garoto apenas continuou a nos encarar, aparentemente assustado e, caramba, ele realmente era uma criança.

"Uma criança que parece não nos ouvir...", completou a loba.

Nesse momento, eu percebi que, sim, o silêncio era tudo o que vinha dele. Exatamente da mesma forma que aconteceu quando eu fugi depois da briga com Sam — não pude ouvir a mente de Embry enquanto ele socorria o lobo extremamente ferido e também não pude ouvir os pensamentos de Leah no instante em que os dois apareceram aqui.

"Isso deve significar algo", pensei.

O pequeno lobo agora fitava o céu escondido sob o topo das árvores mais altas, sentado sob as patas traseiras como se fosse um maldito filhote à espera de seu dono. Só faltava colocar a língua pra fora.

Um alto uivo cortou a floresta, pegando-nos de surpresa. Imagens de um segundo lobo, também consideravelmente pequeno, invadiram a minha mente. Ele se aproximava pelos fundos da casa, trotando de forma tranquila enquanto seus olhos analisavam as paredes de vidro, buscando desesperadamente a debilitada figura de minha mãe.

"Brady Fuller", Embry rosnou. "Os vampiros estão de prontidão."

Lancei um olhar à Leah, pedindo que cuidasse do pirralho aqui enquanto me lancei em uma nova corrida de volta para a casa.

"Não vá", pedi a Embry que já se preparava para sair e confrontar o segundo intruso. "Fique na casa. Eu confio em você como a última proteção de Renée."

O lobo concordou.

"É apenas uma criança, os dois são. O que acharam que poderia fazer contra oito vampiros e três lobos?"

"Conseguiram nos enganar, de certa forma. Nos distraímos com Collin e não notamos que Brad se aproximava em sentido oposto", Leah debochou com seus olhos focados na figura do garoto ainda sentado pacificamente.

Não pude evitar pensar em Sam novamente, e se isso seria parte de alguma estratégia maior dele. Descartando os peões antes da próxima jogada? Analisar e planejar um futuro ataque?

Leah e Embry não responderam aos meus devaneios, preocupados demais em desempenhar sua funções no momento. Isso era algo a ser discutido posteriormente, com a presença dos vampiros.

Meus pulmões já protestavam pelo esforço quando finalmente alcancei a casa, rodeada por vampiros que estavam alertas para qualquer movimento vindo da floresta, possíveis intrusos.

— É Bella. — a voz de Edythe avisou, apesar de que eu não poderia apontar sua localização.

Emmett, que protegia o flanco pelo qual me aproximei, relaxou minimamente ao reconhecer meu corpo coberta exclusivamente por pelos brancos. Dispensei qualquer cerimônia ou educação, circulando o perímetro até avistar o lobo de pelo malhado que moveu-se ervosamente ao me reconhecer, recuando alguns passos. Embry continuava dentro da casa assim como Charlie, os dois atentos à movimentação do lado de fora, guardando uma Renée apreensiva.

Os vampiros que reconheci como Carlisle e Jasper estavam aqui também, posicionados para defender qualquer possível ataque em direção àquela entrada da residência.

Assim como com Collin, eu não podia me comunicar mentalmente com Brady. Cogitei retirar-me por alguns segundos para mudar de forma na floresta, mas essa possibilidade foi rapidamente descartada quando flagrei o olhar maníaco que ele lançava em direção à minha mãe — seus olhos não era assustados como os de Collin, eram coléricos. Afixionados, carregados de ódio.

Quase como os olhos de Samuel.

Rosnei um aviso e dei um passo em sua direção, esperando que ele compreendesse o aviso silencioso de que deveria ir embora — se ele não compreendeu ou apenas me ignorou, eu não poderia dizer.

"Ele é completamente louco se acha que poderá sequer tocar nela", Leah devaneou.

Collin permanecia sentado e eu não duvidava de que ele apenas assistia tranquilamente tudo que acontecia pela mente de seu companheiro.

Droga. Onde diabos estava Edythe agora? O garoto claramente planejava algo que eu não poderia prever.

Embry fez um som mental de escárnio ao ouvir o nome da vampira, mas eu não poderia me importar menos. Em questão de dois segundos, várias coisas aconteceram simultaneamente.

Collin, que até o momento permanecera passivo, avançou contra uma Leah distraída e mordeu-lhe o flanco direito com o máximo de força que pôde encontrar no momento. A loba soltou um urro agonizante de dor enquanto os dois iniciaram uma batalha, entre mordidas e arranhões sangrentos. Repentinamente desorientados pela dor de Leah, Embry e eu desviamos a atenção de Brady por apenas um milissegundo — tempo mais do que suficiente para que o garoto avançasse sobre mim jogando seu corpo contra o meu, os dentes afiados prontos para estraçalhar a minha jugular.

Em paralelo, um furacão de cabelos ruivos pareceu saltar do topo de alguma árvore próxima, usando todo o peso de seu corpo de pedra para atingir o lobo em cheio e desviar seu ataque de mim antes que me alcançasse.

Seus dentes se cravaram no ar perigosamente perto de meu pelo branco e eu saltei para trás, bem a tempo de ver Edythe posicionar-se de pé à minha frente, protegendo-me, enquanto Brady se recompunha e partia para o próximo golpe.

Saltou em direção à ruiva, pronta para despedaçá-la.

Rosnando — de forma assustadora —, com um movimento de braço, a vampira atingiu-lhe em cheio o focinho que produziu sons de ossos se partindo, e o corpo do garoto foi jogado longe chocando-se violentamente contra algumas árvores.

Eu assistia a cena se desenrolar completamente estática.

Com certa dificuldade, Brady se levantou. Gania de dor pelo focinho e o maxilar machucados, mas conseguiu jogar-se para trás e uivar de forma sofrida, para só depois lançar-se em uma fuga pela floresta. A imagem mental de Collin fazendo o mesmo me deu a certeza de que Leah se encontrava relativamente bem. A loba esperou até que ele estivesse razoavelmente longe e virou-se para voltar para o perímetro, caminhando sob as patas de forma dolorida.

Uma intensa sensação de gratidão revirou meu estômago enquanto eu observava Edythe assentir para mim, a expressão séria sendo rompida apenas por um suave sorriso que ameaçava despontar de seus lábios.

 

 Mantenha sua garota hidratada. — foi a primeira coisa que escapou de escapar de seus lábios antes mesmo que eu pudesse sentir a presença marcante da vampira ruiva. Ela parou de caminhar e ficou de pé ao meu lado, mais próxima do que geralmente ficava. Não fez qualquer comentário em relação a proximidade, apenas entregou uma garrafa de água que eu aceitei prontamente.

— Senti-me impotente hoje. — confessei. 

Senti os olhos da vampira em mim enquanto bebia da garrafa que me trouxera. A água desceu suavemente, resfriando meu corpo febril que ainda estava em alerta desde os momentos de tensão que aconteceram mais cedo.

— Você foi prática e extremamente eficiente hoje. Apesar de se tratar da segurança de sua mãe, você soube liderar seus irmãos com a frieza necessária, e, graças a você, estamos todos bem agora. — a ruiva afirmou, os olhos ainda em mim.

Suas palavras recordaram do momento em que Brady me atacou e a forma como ela me salvou, duas impressionantes vezes, atacando-o sem hesitar.

Obrigada.

— Não por isso... — sussurrou.

Permiti-me observá-la pela primeira vez sem qualquer filtro, não me importando em disfarçar, já que ela poderia ler meus pensamentos de qualquer forma.

Estava descalça novamente e usava um jeans claro que fora enrolado desleixadamente até pouco abaixo dos joelhos, junto a uma camiseta escura com o logotipo de uma banda que eu não reconheci em um primeiro momento. O tecido escuro contrastava com sua pele pálida que refletia a luz da lua. Com o cabelo ruivo desalinhado, ela quase parecia ser uma adolescente normal — do tipo que adora viver em cidades grandes, foge de algumas aulas no fim da tarde e consegue entrar ilegalmente em boates proibidas para menores.

Edythe riu, divertindo-se com meus devaneios a seu respeito.

— Eu até tenho uma moto, sabe. É um esteriótipo interessante.

 Você anda de moto? — questionei de forma cética.

Deu de ombros. — Eu gosto da sensação.

Tentei criar uma imagem mental da vampira, por vezes tão séria, sob duas rodas sendo banhada pelo vento da estrada que percorria. Parecia surreal demais.

— Na minha época já existiam as motocicletas. Meu pai, Anthony Masen, tinha uma em nossa casa, mas é claro que mulheres não podia pilotar na década de 1920.

— E você, obviamente, saía escondida durante as madrugadas, desfrutando da sensação do proibido.

Eu deixei uma risada escapar, mas ela foi rápida em negar.

— Eu era muito... Recatada, na época. Acho que você também pode chamar de covarde. Minha maior aspiração era encontrar um bom homem que eu amasse e que me amasse de volta, casar e constituir uma família. Queria ser feliz em uma relação próspera como a de meus pais.

Passei a ouvir atentamente, curiosa a respeito de sua vida humana.

Não era a primeira vez que me revelava coisas de seu passado e fazia aquilo de forma tão espontânea que tornava-se impossível não ouvi-la.

— E chegou a se casar?

Edythe deixou os olhos astutos caírem em direção à seus pés descalços, enfiou as mãos nos bolsos e pensou por um minuto inteiro. A brisa suave da noite acariciou-lhe os fios cor de cobre e trouxe seu cheiro até mim — extremamente doce como de todos os vampiros, mas ainda assim tão suave... Como um campo de rosas florescendo no primeiro dia da primavera. Recordava-me de uma tarde agradável na praia, no início do outono, enquanto eu caminhava descalça pela areia apenas observando o mar chocar-se contra a areia e, então, retornar ao horizonte.

— Não. — a palavra pareceu arranhar sua garganta — Cheguei a ser prometida a um bom rapaz, mas nunca pude manter algo romântico com ele.

Sua expressão era indecifrável enquanto ela falava, e eu deixei meus olhos perderem-se em sua perfeita imagem — parecia como uma maldita pintura feita pelo melhor dos artistas, refletindo a imagem de alguma deusa da beleza.

— Sinto por isso. — sussurrei, ainda sem tirar os olhos dela.

Virei-me para que ficássemos de frente uma para a outra, sendo tomada por uma súbita vontade de estar perto, de ouvi-la e observá-la.

— Não sinta.

— Não o amava?

A vampira tomou outro longo minuto para seus pensamentos, escolhendo bem suas próximas palavras, para que elas pudessem, enfim, escorrer por seus lábios como um turbilhão.

— Ele era o homem perfeito, pelo menos foi a essa conclusão que eu cheguei na época. Era... Educado, inteligente, gentil, divertido, carinhoso. Estava sempre preocupado em ouvir-me e saber como eu me sentia, e jamais tocava-me sem que eu permitisse, mesmo que fosse apenas para segurar minha mão enquanto caminhávamos pelo parque. Ele era de uma família conceituada e todos eram muito gentis comigo, estava quase se formando para trabalhar com o pai que era um tradicional advogado de Chicago. — suspirou, as pálpebras arroxeadas pesando sob seus olhos — Se eu pudesse amar algum rapaz, não tenho dúvidas de que seria ele. Foi dessa forma que eu dei conta de que... Jamais poderia amá-lo. Não poderia amar qualquer um, qualquer homem.

Novamente nossos olhares se encontraram e a enxurrada de sentimentos que ela transmitia pegaram-me desprevenida, e encontre-me perdida por um segundo, tentando, em vão, não deixar a emoção de seus palavras dominar-me.

— Então, quase um século depois, eu finalmente encontrei aquele amor que tanto almejei em minha juventude. E ela é divertida, inteligente, educada e carinhosa. E ela sempre me ouve quando quero devanear sobre minha vida humana e parece gostar de saber como me sinto... Jamais pude tocá-la, mas venho amando-a e venerando-a desde antes dela saber de minha existência. Ela é destemida, leal, e eu amo seus olhos.

Permanecei em silêncio, ouvindo-a.

Estávamos de pé às margens do rio que cortava o perímetro, longe o suficiente da casa para que não fôssemos ouvidas por sua família ou por meus irmãos. Meu coração batia como louco enquanto aqueles olhos de cor indefinida, mais perto do preto do que dourado, e sua voz torturada me causavam sensações incômodas em regiões estratégicas de meu corpo.

A fera em mim rosnou de forma satisfeita quando ela deu um passo, aproximando-se mais. Ergueu a mão direita, muito lentamente, como se me desse a oportunidade de me afastar. Como não o fiz, seu próximo passo deixou nossos corpos impossivelmente perto e as pontas de seus dedos roçaram em meu rosto, com a suavidade de uma pétala de rosa.

Deixei escapar um ronronar de prazer enquanto meu corpo inteiro se arrepiava com a sensação de ser tocada por ela, e a sensação de frio que o corpo de mármore me proporcionava fazia a fera em mim ficar insana.

Poderia mordê-la aqui mesmo.

Eu permaneci imóvel, incapaz de desviar o olhar de sua figura, repentinamente tão sensual e atraente, que jamais estivera tão próxima a mim.

Você é um anjo?

Edythe negou com a cabeça, os olhos perdidos como se tentasse memorizar cada traço de meu rosto.

— Você é um anjo. — sussurrou de forma luxuriosa e aproximou-se ainda mais. Soltei uma lufada de ar quente quanto ela colou nossas testas e, por Cristo, era como se houvesse algo sendo tecido entre nós.

Uma teia, uma liga de aço que nos unia e nos puxava em direção à outra. Seus olhos ainda me encaravam descaradamente, com fome, como se quisessem devorar-me inteira, consumir a minha alma.

Queria questionar-lhe, perguntar o que estava havendo porque eu mesma não entendia todas as sensação que nos rodeavam naquele momento.

Pressionei as palmas das mãos em seu peito, onde deveria estar batendo um coração — descontrolado como o meu — e ela cobriu-as com suas próprias mãos, a respiração gelada preenchendo-me de arrepios prazerosos.

— Eu sequer posso explicar as coisas que sinto, Bella. Amo você... Acho que, de certa forma, você é a minha redenção. Você é o meu pedaço do paraíso.

Eu gemi desesperada ao ouvir suas palavras.

Diga-me que também sente isso, apenas diga-me que também está tão louca quanto eu.

Pressionei os lábios em seu pescoço gelado e ela aproveitou-se para circular os braços em volta de meu corpo, um aperto de aço que não seria desfeito tão cedo.

A fera em mim ansiava por mais — mais olhares, mais arrepios, mais contato.

Sim, ela parecia me dizer. É isto o que eu quero, é aqui onde quero estar.

As árvores eram as únicas testemunhas de toda a insanidade, a loucura, a... Paixão que era estabelecida entre nós naqueles momentos.

Eu a sinto, juro que a sinto em mim. De onde surgiu? Isto é tão íntimo.

Eu sentia meu coração ser preenchido por algo novo, algo sólido e verdadeiro. Era como se eu tivesse encontrado algo que faltou-me a vida inteira e eu sequer sabia que procurava-o — um refúgio, um porto-seguro, uma âncora. Todos os pontos de razão que brilhavam em minha mente fora nublados por todas essas sensações, mas, agora que estava em seus braços, brilhavam para a garota não-humana que pressionava seu peito contra o meu.

Nossos corpos vibravam em reconhecimento.

Por um momento, não havia nada não ao nosso redor.

Não éramos inimigas naturais, não estávamos em meio a uma guerra, não existiam milhões de implicações e incertezas que complicariam tudo o que viria a seguir para nós...

Éramos apenas duas amantes contemplando o prazer que exercíamos uma sob a outra.

 

"Apenas uma dose de você e eu soube que eu nunca, nunca mais seria a mesma."


Notas Finais




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