1. Spirit Fanfics >
  2. Heaven and Hell >
  3. Você deveria sorrir mais vezes.

História Heaven and Hell - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


boa leitura!

Capítulo 9 - Você deveria sorrir mais vezes.



       Selena Gomez's Point Of View.

         New England, 09 de Agosto.

  O espelho do meu quarto mostrava-me uma linda garota confiante, vestida em um belíssimo vestido de seda de cor preta e usando os sapatos caros da cor vermelha que ela tanto havia juntado dinheiro para poder comprar.

Sorri para o meu reflexo, porque entre tantas noites, hoje eu estava me sentindo deslumbrante. Tanto por minha aparência adorável, quanto por saber que hoje seria o dia em que eu sairia com o homem que aparecia em meus sonhos nesses meses. Justin Bieber iria me levar para jantar e eu sentia minhas mãos úmidas de ansiedade.

Checando o horário em meu relógio do celular, vi que ele não iria demorar para aparecer e eu tinha que descer logo para mostrar o quanto eu era responsável com os meus horários. Bom, pelo menos quando era sobre algo que eu tinha bastante interesse.

Assim que desci as escadas percebi que havia cometido um erro, porque Jack estava plantado ao pé da escada, com os braços cruzados e uma expressão nada contente no rosto. Que, por sinal, era algo típico dele. Só mais um adolescente revoltado com a vida que não sabia muito bem lidar com os próprios sentimentos.

— O que é isso que você está vestindo? — fechou ainda mais o rosto quando eu terminei de descer os degraus.

— Um vestido. — revirei os olhos.

Jack bufou, sacudindo a cabeça. Ele lembrava um pouco o papai, apesar do seu comportamento que não chegava nem perto da tranquilidade que nosso pai carregava.

— Um pedaço de pano, isso sim. — ele bateu os pés no chão.

— Eu acho que a Selena está linda de morrer. — Cayan saiu em minha defesa, como o irmão mais novo adorável que ele era.

— Eu concordo. — mamãe disse, sentada no sofá enquanto tentava codificar alguma coisa no celular.

Apesar de jovem, ela não era muito chegada a tecnologia. E agora que Sawyer estava morando longe e estava sempre ocupado, ela ficava boa parte do tempo livre tentando entrar em contato com ele para saber se estava tudo bem.

Eu falava com ele às vezes, mas também não me agradava conversar com alguém através de uma tela de celular. Gostava de poder encarar as pessoas nos olhos. Principalmente meu irmão gêmeo, que não conseguia esconder as coisas de mim. Então, se ele não estivesse se adaptando àquela vida, eu iria saber apenas com um olhar.

— Obrigada. Eu estou me sentindo muito bonita mesmo. — joguei meus cabelos para trás, o que não deu muito certo porque meu cabelo era curto. — Jack, nem tente estragar minha noite com esse seu péssimo humor.

Com os pés batendo no chão, ele mostrava uma figura bastante impaciente. O peito estufado, tentando parecer mais velho do que ele era. Uma tentativa falha, mas eu não iria dizer isso para ele. Ou talvez iria.

— Agora que Sawyer não está mais na casa, eu preciso fazer papel do homem principal aqui. Preciso ter certeza de que esse homem não irá manchar sua imagem. — ele falava tão sério que eu não consegui ficar neutra e acabei dando risada daquele papel que ele estava adaptando para si mesmo.

Estiquei minhas mãos e alcancei suas bochechas, beliscando as duas em um gesto carinhoso.

— Aw, você é uma gracinha quando tenta defender minha honra. — ele bateu em minhas mãos e se afastou um pouco. — Mas devo te lembrar que nós estamos no século vinte e um.

Jack jogou os braços para cima, num gesto grandioso que agora chamava atenção de todas as três pessoas do cômodo.

— Sim, o século dos serial killers. — voltou a cruzar os braços. — Já pensou que aquele cara pode ser um deles? A aparência ele já tem.

Soltei mais uma risada, sendo acompanhada por meu irmão mais novo, que estava no sofá e olhando tudo divertidamente.

— Aí, Jack! Você tem uma imaginação muito engraçada. — Cayan disse, se acabando de rir no sofá.

Revirei os olhos para meu irmão do meio e afastei-me dele para poder me olhar novamente no espelho da sala.

— Não diga essas coisas sobre ele novamente. — lancei um olhar através do espelho para meu irmão. — Se Justin fosse um serial killer, ele já teria me matado há muito tempo.

— Talvez ele esteja apenas esperando o momento certo para atacar. — Jack disse com convicção.

Desistindo de vez de qualquer coisa que ela estava tentando fazer com o celular, mamãe balançou a cabeça para o filho.

— Pare de colocar minhocas na cabeça da sua irmã e vem aqui me ajudar a fazer essa montagem de fotos do Sawyer. — acenou com a mão para ele.

Resmungando diante da falta de nossa mãe no quesito tecnologia, Jack caminhou para o sofá e sentou-se ao lado dela. Mostrando como fazer as montagens que ela tanto estava se empenhando a fazer.

— Estou com muita saudade do Sawyer. — meu irmão caçula suspirou, com a voz trêmula como se estivesse prestes a chorar. — Ele jogava comigo no Xbox.

Soltei uma risada triste, porque eu também estava morrendo de saudades do meu irmão gêmeo. Com o tempo dele completamente ocupado com o escritório de advogacia da família do Justin, era difícil arranjar uma hora apropriada para entrar em contato com ele.

— Não se preocupe, querido. Em poucas semanas estaremos em Nova York e você poderá jogar com ele algumas vezes. — ela lançou um sorriso tranquilizador para ele.

Ao pensar na mudança minha barriga dava piruetas para todos os lados. Havia um mar de possibilidades para mim naquela cidade que eu ao menos sabia o que fazer primeiro.

No entanto, antes que eu pudesse navegar nas águas da minha imaginação, a batida na porta me trouxe de volta ao momento. Tentei correr o mais rápido possível para alcançar a porta, contudo, como eu estava de salto e Jack tinha pernas muito mais rápidas, ele conseguiu saltar do sofá e chegar na porta bem antes de mim.

Eu teria dado um soco nas costas dele se não fosse pela visão de Justin Bieber em um conjunto social preto, com uma blusa branca de botões por trás do terno aberto. Uau. Ele estava um grande pedaço de um suculento e delicioso péssimo caminho. Minhas pernas tremeram com as possibilidades infinitas do que poderia acontecer nessa noite.

— Uau, você está muito bonita, Selena. — seus olhos desceram por todo meu corpo e subiram rapidamente quando percebeu meu irmão parado no meio da porta com os braços cruzados. — Boa noite a todos.

Mamãe se levantou, ainda cutucando o celular de maneira divertida.

— Boa noite, Justin. — sorriu para ele e levou seus olhos para mim, um brilho divertido pairando ali. — Vocês estão um bonito casal. Até me lembrou da época em que seu pai me levava para os restaurantes mais inusitados que ele conseguiu encontrar.

Soltei uma risada, mas não queria pensar no meu pai agora. A simples menção dele me batia uma saudade que eu sabia que não conseguiria suportar.

— Isso parece divertido. — meu companheiro romântico da noite falou, com sinceridade. — Você está pronta para ir?

Tomei um grande gole de ar, sem conseguir entender porque eu estava com esse nervosismo dentro de mim. Sempre fui tão confiante em cada um dos meus passos, mas conforme caminhei para onde ele estava, senti meus joelhos querendo falhar. Bobeira. Era apenas Justin que estava ali. Na sua forma de homem que parecia ter saído de um artigo de "Os jovens mais ricos do mundo" da Forbes. Contudo, ainda era o Justin que estava disposto a fazer com que a gente funcionasse.

— Estou mais que pronta. — e eu realmente quis dizer aquilo.

Mamãe sorriu para mim quando saímos da casa, mas Jack estava parado atrás dela como uma sombra de péssimo humor.

— Não chegue muito tarde. Divirtam-se. — ela disse para mim, encostando a cabeça no batente da porta como se ainda se lembrasse dela mesma indo para encontros que tinha com o meu pai.

— Mas não se divirtam demais. Sempre no limite. — acrescentou Jack, como se tivesse algum direito sobre isso.

Revirei os olhos, mas acenei para eles quando caminhamos para o carro alugado que estava com Justin desde que chegou.

Já dentro do carro e segurando a estrada rodeada de árvores e o brilho da lua, senti meu nervosismo ir embora. Eu estava onde queria estar. Havia conseguido fazer com que Justin admitisse que sentia algo por mim e muito melhor, agora ele estava me levando para um encontro de verdade. Tudo bem que isso era bem mais formal do que eu achei que nós dois seríamos, contudo, mesmo assim era algo que eu com certeza poderia me adaptar.

— Acho que seu irmão precisa se divertir um pouco. É engraçado a forma como acha que realmente pode me intimidar. — nós dois rimos daquele papel estranho que Jack fazia. — O que os jovens fazem para se divertir hoje em dia?

Lancei um sorriso malicioso para ele, que apenas balançou a cabeça e voltou a prestar atenção na estrada.

— Bom, eles fumam, transam e bebem demais. Como se não houvesse amanhã. — bati minhas unhas na minha coxa desnuda.

Justin assentiu com a cabeça, processando tudo.

— Não parece muito diferente de como era os adolescentes ricos que frequentavam a mesma faculdade que eu. — soltou uma risada baixa.

— Deve ser porque você não é um homem de sessenta anos como faz parecer que é algumas vezes. — não consegui simplesmente não tirar sarro da cara dele um pouquinho.

— Tenho mais responsabilidades do que boa parte dos homens da minha idade. — distraidamente, ou não, ele colocou a mão grande em minha coxa, fazendo-me estremecer um pouco pelo toque quente.

Pisquei para afastar as imagens que aquele toque criava em minha cabeça. Dei de ombros para o que ele falou e permaneci calada até chegarmos do lado de fora de um grande estabelecimento com grandes janelas de vidro e pessoas saindo e entrando do que pareceu ser o restaurante onde jantaríamos. Saímos do carro e Justin estendeu a mão para mim, transferindo calor para o meu corpo quando a noite de repente ficou fria.

— Boa noite, em que posso ajudar? — o homem de meia idade estava com um sorriso receptivo enquanto segurava uma prancheta em mãos.

— Boa noite. Eu fiz uma reserva, Justin Bieber.

Depois de verificar, o homem indicou uma outra mulher, mais nova, para que ela nos levasse até nossa mesa.

Do lado de dentro pude verificar como tudo parecia bastante luxuoso. Normalmente os restaurantes de New Hampshire possuíam um estilo mais rústico, onde amantes de esportes poderiam se reunir com seus amigos e festejar durante toda a noite. Porém, esse não era um deles. A decoração era toda preta com branca e as paredes eram de um salmão escuro e repletas de pinturas coloridas. As únicas coisas com cores extras de todo o restaurante. Velas estavam espalhadas pela mesas e a luz do restaurante não era totalmente forte, criando um clima muito agradável.

Quando chegamos em nossa mesa, Justin puxou a cadeira para que eu me sentasse e depois ocupou a cadeira em minha frente.

Seus olhos estavam em mim, enquanto eu olhava para todas as pinturas ao nosso redor, com grande admiração e curiosidade. Umas eram simples e outras eram tão estranhas que chegavam a fascinar.

— Então, o que achou? — virei meu rosto para ele quando notei a apreensão no tom de voz dele.

— Acho que você tem um bom gosto para escolher restaurantes. Esse lugar é muito bonito. — pude ouvir ele soltar uma respiração pesada. — E pelo cheiro ao nosso redor, tenho certeza que a comida deve ser uma delícia também.

No momento exato um garçom chegou para pegar nossos pedidos e eu deixei que Justin escolhesse o que nós dois iríamos comer.

— Fiquei com medo de você não gostar. — falou, quando o garçom saiu com os nossos pedidos.

Um sorriso quis crescer em meus lábios por notar que ele tinha se esforçado para fazer tudo do meu gosto. Todavia, não queria parecer uma boba idiota e apaixonada.

— E por que eu não gostaria?! — passei um dedo no topo de uma das taças que no momento estava até a metade de água.

— Porque você é uma caixinha de surpresa que eu nunca sei o que irá sair de dentro a cada vez que eu abro. — havia um brilho diferente nos olhos dele que me encheu de calor.

Esse Justin mais relaxado e jovial era mil vezes melhor do que aquele que ele reservava quando haviam outras pessoas ao nosso redor. Por mais que eu gostasse da postura sério-sexy dele, essa também me agradava bastante.

— Mas você não precisa mais se preocupar com isso. Com certeza me conhece o suficiente agora para poder lidar comigo. —  cruzei minhas pernas e meu pé acabou roçando na perna dele.

Aquelas velas que iluminava o ambiente escuro estava fazendo muito mais que aquecer o espaço necessário. Ou era apenas eu que estava sentindo um calor repentino. Talvez fosse por causa da forma como ele me olhava.

— Não sei se algum dia eu irei conhecer você o suficiente, mas estou ansioso para o que está por vir. — o sorriso de lado que era tão típico dele nunca cansava de me dar arrepios de prazer toda vez que era direcionado a mim.

— Nova York é o que nos espera. — somente o som daquelas palavras deixava um gosto doce em minha língua. — Falando nisso, como Sawyer está se saindo? Não temos muito tempo para falar com ele devido a mudança e ele ocupado no escritório da sua família.

O garçom nos trouxe nosso pedido e tudo cheirava muito bem, inclusive meus olhos brilharam quando vi o vinho que parecia muito saboroso.

Justin resmungou algo para si mesmo e impediu que o garçom fosse embora com um gesto dos dedos.

— Pode trazer algo sem álcool? Hum, minha namorada não bebe. — a voz dele vacilou um pouco quando disse a palavra com n.

Por impulso, bati meu pé no joelho dele com um pouco mais de força que o necessário.

— Na verdade, acho que vou abrir excessão para esse vinho. Algo me diz que ele é uma delícia. — sorri para o homem, que assentiu com a cabeça e se afastou.

Justin olhou para mim com reprovação naquelas órbitas carameladas. Negando com a cabeça.

— Selena, você não tem idade legal para tomar bebida alcoólica. — ele sussurrou como se fosse um segredo de Estado.

Sem me importar com os protestos dele, abri a tampa do vinho com a maior facilidade e servi nos dois com um grande sorriso nos olhos.

— Está vendo alguém aqui perguntar a minha idade? Bom, eu não estou. — tomei um gole para comprovar a minha suspeita e soltei um gemido baixo de aprovação. — Isso tem gosto dos deuses.

Assim que abri os olhos vi que o homem na minha frente estava com a atenção presa nos meus lábios que recentemente tinham sentido o gosto do paraíso. Sorri mais abertamente, passando a língua para não desperdiçar nenhuma gota.

— Às vezes eu esqueço que você só faz o que quer. — ainda negando com a cabeça, ele tomou um gole da própria taça. — Porém, tem razão, isso é uma delícia. Mas não irei beber mais que duas taças, estou dirigindo.

Eu não iria discutir com ele sobre isso porque sabia o quanto ele levava a questão de dirigir bastante a sério depois de ter perdido a mãe em um acidente de carro. Na verdade, esse esforço que ele estava fazendo, trazendo-me aqui e ainda dispostos a desfrutar mesmo de um pouco de vinho já enchia meu coração de calor.

— Eu disse. — pisquei para ele. — Agora me conte sobre como meu irmão gêmeo está se comportando.

Passamos as horas seguintes falando sobre coisas banais e o que esperávamos que aconteceria com nossas vidas quando formos para Nova York. Como sempre, disse para ele que não tinha muitos planos, pois só o fato de se mudar era uma grande novidade para mim. Todavia, Justin insistiu dizendo que eu tinha muito potencial para trabalhar com público, seja lá qual profissão que eu quisesse fazer que envolvesse isso.

Então perguntei o que ele achava de eu trabalhar dançando em boates durante a noite, já que envolvia público. Precisava fizer que ele ficou um pouco confuso, sem saber se eu estava brincando ou falando muito sério. Porque poderia muito bem ser os dois.

No momento em que saímos do restaurante e estávamos esperando o carro dele chegar, nossas mãos estavam grudadas uma na mão até ele passar um braço por meu ombro e me grudar ainda mais contra o corpo dele.

— Foi uma noite muito agradável. — como já estava um pouco mais tarde, o frio tinha aumentado e a respiração dele causava nuvens no ar.

Fechei meus olhos por um segundo, respirando fundo para sentir o cheiro dele que saia da blusa e do casaco que agora estava aquecendo-me.

— Sim, mas acho que ainda pode ficar melhor. — mesmo com a escuridão ao nosso redor, pude ver que os olhos dele estavam com um pouco de receio quando ergui meu rosto para ele.

— Não sei, Selena. — ele balançou a cabeça. — Não sei se quero dar esse passo no relacionamento em nosso primeiro encontro.

Tive que morder meus lábios para não gargalhar com o quanto aquilo parecia ultrapassado. Eu tinha muito desejo por ele e isso era óbvio, mas não iria forçar as coisas. Não agora que estávamos indo bem. Em passos de bebê para o meu gosto apimentado, porém, era melhor que nada.

— Sua mãe disse que você não deveria chegar muito tarde e eu não quero contrariar ela logo em nosso primeiro encontro. — ele tocou em meus cabelos. — Por mais que isso seja difícil para mim.

Eu conhecia minha mãe o suficiente para saber que nessa altura da noite ela já estava dormindo há um bom tempo. Também sabia que ela não iria se importar se eu chegasse mais tarde, como já fiz inúmeras vezes. Apesar de saber do meu jeito um pouco fora da casinha, ela sabia que eu responsável. Por isso me afastei do corpo quente dele somente para mandar uma mensagem para ela avisando que chegaria um pouco mais tarde.

— Pronto, avisei a ela que iria chegar mais tarde. Não se preocupe, ela não vai se importar. — sorri para ele quando vi que ainda estava receoso com a ideia. — Não precisa fazer essa cara. Prometo que não faremos nada demais! Não irei corromper sua pureza.

Assim que Justin iria responder, o manobrista chegou com o carro e nós entramos de imediato para fugir do frio congelante que estava congelando nossas bundas.

Com as mãos no volante, Justin deu um longo suspiro e balançou a cabeça para mim.

— Tudo bem, espertinha. Você ganhou. — ele deu partida no carro. — Pode programar o GPS para nos levar para onde quer ir.

Bati palmas e dei saltos no banco, mas parei quando senti os olhos dele no cinto de segurança que não estava preso ao meu corpo. Tratei de prender-me a ele rapidamente.

— Tem esse motel que é muito legal, bastante aconchegante que até combina com esse seu jeito. — contei enquanto eu mexia no aparelho de GPS.

— Você conhece mesmo esses lugares muito bem? — havia um tom na voz dele que me fazia pensar que ele estava pensando no pior.

Por mais que tenha deixado-me um pouco chateada por ter uma chance de ele pensar alguma coisa errada de mim por causa daquilo, eu tentei relevar. Justin claramente nunca havia encontrado alguém como eu, então era novo para ele.

— Sim, eu e Kendall costumávamos ir em vários deles. — toquei em uma das mechas do meu cabelo. — Só nós duas.

Acrescentei, sentindo-me boba depois disso. Afinal, eu não tinha que dar nenhuma satisfação do que eu fazia da minha vida para me divertir. Entretanto, também não queria que ele pensasse que eu era uma pessoa que tinha costume de ir pra motel com qualquer um. Mesmo que eu não pensasse que era errado.

Cada um fazia com sua vida o que bem quisesse.

— E o que vocês faziam quando chegavam lá? — a voz dele estava mais relaxada e ele estava bem focado na estrada. Nem parecia que tinha bebido qualquer coisa.

— Imagino que você esteja pensando em umas cenas bem explícitas de nós duas em um quarto de motel. — falei, risonha. — Mas só bebemos champanhe e tomamos banho de banheira. Ah, e também falamos mal de homens.

Justin riu e eu precisava dizer o quanto ele ficava bonito quando sorria. Tudo nele iluminava.

— Parece divertido. — respondeu, ainda com aquele sorriso grandioso nos lábios que agora eu precisava me segurar para não pular em cima dele e beijá-lo.

— Sabe, você deveria sorrir mais vezes. Seu rosto se ilumina como uma garrafa de ouro de champanhe quando sorrir. — pelo olhar carinhoso que Justin me deu, percebi que ele não escutava muito isso.



 

                              [....]

A recepcionista mal tirou os olhos do celular quando eu pedi um quarto e alguns serviços de bar e comida quando chegamos no lugar já conhecido por mim.

Justin ficou olhando para todos os lugares do quarto quando eu passei a chave na porta e iluminei o cômodo.

— Diz aí se esse lugar é uma gracinha. — joguei-me na cama, tirando os meus saltos que estavam matando os meus pés.

Justin parou em minha frente com as mãos nos bolsos da calça. Com a luz que brilhava em cima da nossa cabeça, pude ver um leve rubor nas bochechas dele.

— Até que parece bom. Só a segurança que não é muito boa. — nós dois rimos. — Ninguém sequer perguntou a sua idade quando entramos. Isso poderia dar muito errado em outra ocasião.

Levantei-me apenas o suficiente para puxar ele para a cama comigo. Com o corpo dele jogado no colchão, subi em seu quadril e abaixei-me para dar um beijo doce naqueles lábios.

— Então que bom que o único perigo nesse quarto sou eu. — sentei em cima dele com as coisas alinhadas.

Justin passou as mãos por meus cabelos curtos, ele dizia que combinava comigo de alguma forma inexplicável.

— Acho que eu deveria ficar preocupado, então. — riu de leve, puxando carinhosamente para beijar meus lábios. — Você é um perigo e tanto.

Ri através do beijo, tentando fazer minha cabeça não se perder com as carícias que estávamos trocando porque eu provavelmente iria ultrapassar alguma linha que poderia fazer ele recuar. E eu definitivamente não queria isso. Estava tudo muito bom. Justin era um bom beijador.

— Você não faz ideia de como eu queria isso. — beijei o pescoço dele, escutando com clareza quando a respiração dele começou a ficar rápida. — Mas isso está melhor do que eu poderia imaginar.

Ele desceu as mãos dos meus cabelos para os meus quadris.

— Quero que minha família conheça você o mais rápido possível. — parei com os movimentos e me ergui imediatamente, olhando para ele. — O que foi?

De repente me senti nervosa demais.

— Tem certeza disso? — passei uma mecha de cabelo para trás.

Justin franziu a testa, analisando meu rosto para tentar descobrir que o havia de errado. Bom, não havia nada até agora.

— Por que não? Eu conheci sua família. — ele sentou-se, diminuindo a distância entre nossos corpos. — Quero que conheçam você porque sinto como se estivéssemos fazendo as coisas escondido. Não quero sentir isso em relação a você.

Assenti, porque eu entendia o que ele estava querendo dizer. Mas mesmo assim...

— É diferente, Justin.

— Tudo bem se você não quiser, não irei te pressionar. — ele beijou minha bochecha e eu quase derreti como uma boba apaixonada.

— É claro que eu quero. — e eu queria mesmo. — Só estou com medo de não gostarem de mim.

E eles tinham motivos para isso. Eu não era um bom exemplo de boa garota. Bebia, fumava às vezes. Falava muita besteira e não tinha nenhum plano importante para a vida. Tirando o fato de eu ser mais nova e que minha família não tinha mais de um bilhão de dólares no banco.

— É claro que vão gostar de você, Selena. — ele segurou meu queixo. — Talvez meu irmão dê um pouco mais de trabalho, enchendo o saco e tudo isso, mas ele faz isso com todo mundo. Então não tem com o que se preocupar.

Sem me dar tempo de analisar os contras, eu assenti. Se Justin estava saindo da sua zona de conforto por mim, então eu também poderia fazer isso por ele.

— Então parece que temos mais uma coisa para fazer quando eu me mudar. — trocamos sorrisos antes de começarmos a trocar mais beijos.

Eu só esperava causar boa impressão.

O dia da nossa mudança para o Brooklyn tinha que chegar o mais rápido possível. Porque se era somente isso que Justin estava esperando para chegarmos no finalmente, então eu estava ansiosa.


Notas Finais


nem acredito que apareci IRRA! bom, primeiro de tudo isso não é um delírio da pandemia, mas foi por causa dela que eu decidi postar kkkk já que boa parte deve estar em casa sem muitas coisas para fazer, que tenham pelo menos um capzinho de fic pra ler e matar as saudades.
espero que esteja tudo bem com vocês e que se cuidem da melhor forma possível 💘 espero que gostem desse capítulo que foi escrito na correria, mas com tamanho carinho!
beijos e(quem sabe) até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...