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História Heaven (i can only find it in your arms) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olááá, estrelinhas! Como estamos? Todo mundo bonitinho ficando em casa, na medida que for possível?

Nesse período de quarentena, estamos cada vez mais precisando de uma distração pra não deixar que as notícias subam à cabeça e a gente surte de estresse. Por isso, vim também contribuir um pouquinho para a diversão de vocês com essa nova história! Heaven, ou HICOFIIYA para os íntimos n, é o plot que o meu grupo de leitores escolheu como comemorativa aos 2000 seguidores aqui no Spirit e eu demorei muiiiito pra conseguir postar, mas aqui estamos! O que vale é a intenção, certo?

Heaven é uma shortfic de 9/10 capítulos que eu estava muito ansiosa pra começar a postar porque eu amo muito esse plot, desde que o plotei muito tempo atrás, e só consegui escrever agora. Espero muito que vocês também gostem dela e que estejamos juntos nessa jornada!

O capítulo foi betado pela Dulce, anjo maravilhoso na minha vida, e a capa MARAVILHOSA é obra da Bomma, que é outro anjo que tenho. Muito obrigada às duas!! <3

Tenham uma boa leitura e a gente se vê lá embaixo~ <3

Capítulo 1 - Once upon a time, not so long ago...


HEAVEN (I CAN ONLY FIND IT IN YOUR ARMS)

Capítulo um – Once upon a time, not so long ago

 

A primeira vez que Chanyeol viu Byun Baekhyun nunca saiu de sua memória.

 

Não tinha muito o que fazer na cidade em que vivia; terminara o ensino médio como todos seus colegas e assistiu alguns deles deixarem o pequeno lugar para trás em busca de sonhos maiores. Chanyeol gostava da vida que levava por ali, e quem sabe a faculdade pudesse esperar mais um pouquinho. Por enquanto, trabalhar no negócio de seus pais era o bastante para ocupar seus dias.

 

Dividia suas horas entre o trabalho de meio período na lanchonete da família e com os amigos, Kim Yerim e Zhang Yixing. A garota era sua melhor amiga de infância e confiava tudo a ela, enquanto Yixing entrara para o grupinho depois que começou a namorar com a Kim. Com o passar dos meses, era como se o Zhang sempre tivesse pertencido àquele lugar e formavam um trio inseparável.

 

Seus passatempos envolviam gastar horas no fliperama da cidade a procurar por novas bandas para acompanharem; música era um gosto em comum que os unia, e sempre havia uma indicação nova a ser feita por um dos três. Yerim era quem trazia as melhores músicas para o grupo, e Chanyeol sempre se pegava ansioso por descobrir o que a amiga descobriu todas as vezes em que a via com o sorrisinho de canto nos lábios ao passar pela porta da lanchonete.

 

Foi Yerim quem descobriu a Stairway to Heaven.

 

A garota tinha uma predileção por bandas desconhecidas, que estavam começando, e que ninguém nunca daria nada por seu sucesso; segundo ela, era ótimo poder acompanhar algo desde seu início, ciente de que um dia emplacariam algum sucesso e poderia dizer que esteve ali desde o começo. Chanyeol não se importava com isso, tampouco Yixing, mas nenhum dos dois a contrariava. Yerim era como uma força da natureza e se colocar contra ela não era uma tarefa tão simples assim.

 

E Chanyeol gostava do lado simples de tudo em sua vida.

 

Estava com Yixing quando Yerim chegou, o costumeiro sorriso de canto em seu rosto e o olhar de quem escondia um segredo por trás daquela curva em seus lábios. Estavam conversando anteriormente sobre os planos do Zhang em ir para a faculdade dentro de alguns meses – já estava entrando nos vinte e dois anos e não queria perder mais um minuto que fosse –, mas silenciaram assim que a viram.

 

“Vocês não vão acreditar no que eu achei”, Yeri comentou sentando-se no banquinho ao lado do namorado e apoiando-se no balcão após deixar um selinho nos lábios do Zhang. “Mas vocês vão amar.”

 

Chanyeol expulsou os bracinhos da amiga do balcão que havia acabado de limpar, passando o pano no local em seguida e ignorando o olhar chocado que recebeu. “Ou compra alguma coisa ou não suja meu balcão, Yeri”, avisou. “O que encontrou?”

 

“Você nem está merecendo a minha descoberta fantástica depois desse ultraje!”, Yeri exclamou. “Mas o Yixing merece o mundo todinho e eu vou contar só porque ele está aqui. Tem uma nova banda por aí espalhando uns panfletos, parece que eles estão começando agora e tão abrindo uns shows... O nome é Stairway to Heaven.”

 

“E você ouviu o som deles onde?”, Yixing questionou. Estava acostumado às descobertas da namorada e até mesmo curioso com o que havia acabado de encontrar; Yerim sabia muito de seu gosto e nunca errava em suas escolhas.

 

“Não ouvi”, Yeri admitiu com um dar de ombros, “mas o nome não é incrível? Eu achei que vocês iriam amar e eu até descobri onde vai ser o próximo show deles para a gente ir!”

 

“Sua descoberta fantástica envolve uma banda que você nunca ouviu só porque gostou do nome deles?”, Chanyeol retorquiu. “Suas descobertas já foram melhores, Yerim.”

 

“Se não quiser ir não vai, ué”, Yeri devolveu. “Eu acho que vale a pena, se a gente não gostar fingimos que nunca fomos atrás disso e continuamos com as bandas que a gente já gosta!”

 

“E onde vai ser o próximo show?”, Yixing quis saber.

 

“Na cidade vizinha, no fim de semana”, a garota avisou. “Podemos pegar o carro do Chanyeol e ir.”

 

O Park olhou para a amiga com o mesmo choque que havia recebido anteriormente; estava mesmo planejando ir com o namorado com o seu carro e não o estava incluindo nos planos, mesmo que estivesse ouvindo toda a conversa? Era essa a melhor amiga que havia encontrado para si?

 

Chanyeol precisava reavaliar o nível de suas amizades.

 

“Parem de combinar como se eu não estivesse aqui do lado!”, brigou. “Eu vou com vocês também. O que temos a perder?”

 

“Eu sabia que você ia concordar”, Yerim comentou com um sorriso malicioso nos lábios avermelhados, “por isso já comprei três ingressos de uma vez só onde eu apanhei um dos panfletos. Olhem só, eles têm uma garota na banda!”

 

Yeri deixou o panfleto em cima do balcão e os dois rapazes esticaram o pescoço para observar; eram quatro homens e uma única garota, com estilos muito semelhantes a outras bandas que também acompanhavam. Talvez Yeri tivesse razão e pudessem gostar da Stairway to Heaven, ainda que não tivessem ouvido nenhuma de suas músicas até o momento.

 

Isso poderia mudar até o fim da semana quando o show se aproximasse.

 

Contudo, os dias da semana se passaram e Chanyeol continuou sem saber absolutamente nada a respeito da banda desconhecida de Yerim. Não havia sequer um vinil na loja de discos que frequentavam e não encontraram nenhum conhecido que soubesse alguma coisa sobre eles. Não lhe restava muitas opções além de especular qual seria o estilo musical da banda e comentar com os dois amigos, apostando qual deles chegaria mais perto.

 

Quando o fim de semana finalmente chegou e as poucas horas na estrada até a cidade vizinha se findaram, o Park precisava admitir que estava, no mínimo, ansioso.

 

Yerim fizera um estardalhaço por conta desse show durante toda a semana, como se já os conhecesse e estivesse ansiosa para apresentá-los aos amigos; as expectativas de Chanyeol estavam mais altas do que gostaria até porque ainda havia a possibilidade que não gostasse do que iria ouvir e ainda teria muito tempo até que pudessem sair dali.

 

Muitas coisas se passavam por sua mente naquele breve espaço de tempo enquanto aguardavam a banda entrar, e Yerim comentava com Yixing que conseguiram um ótimo lugar e que era possível ver muito bem o palco de onde estavam. O Zhang lhe respondia sobre como estava agradecido por não precisar colocá-la em seus ombros, apenas para irritá-la.

 

Chanyeol até mesmo poderia rir da amiga naquele momento se o vocalista não tivesse aparecido no mesmo instante e roubado sua atenção por completo.

 

Já o tinha visto no panfleto da Kim, já o tinha olhado diversas vezes durante aquela semana, mas nada o tinha preparado para a beleza daquele homem pessoalmente. Byun Baekhyun era seu nome e o Park tinha absoluta certeza que nunca havia visto alguém tão bonito em toda sua vida, independentemente do quão tosco isso soasse.

 

O Byun tinha os cabelos pretos, mas havia algumas mechas vermelhas em meio às madeixas que lhe davam um ar de rebeldia, que combinava muito bem com a expressão de petulância que carregava em seu rosto, como se desafiasse cada um naquele local. Suas roupas também faziam um ótimo conjunto com a figura que formava, a regata preta solta em seu corpo em contraste com as calças justas que delineavam suas pernas, encontrando os coturnos pesados.

 

Não havia percebido quanto tempo ficou admirando o homem à sua frente, tão distante e ainda assim tão perto, até Yerim lhe cutucar.

 

“E aí, Chanyeol?”, a garota disse. “Eu estava certa, não estava?”

 

O Park não tinha a menor ideia ao que a garota estava se referindo, mas assentiu ainda assim; sua atenção ainda estava quase que por completo dispensada com o homem que agora apanhava o microfone do pedestal, olhando por vezes para seus companheiros de banda que agora assumiam seus postos no palco. A plateia começava a se animar, alguns gritos eram ouvidos ao seu redor e começavam a contagiá-lo também.

 

“Nós somos a Stairway to Heaven”, Baekhyun anunciou no microfone, seu sorriso aumentando conforme os gritos também subiam seu volume, “e estejam preparados para uma noite no paraíso!”

 

E o Byun não estava mentindo em suas palavras.

 

Os primeiros acordes da guitarra começaram a soar, em seguida as batidas rítmicas da bateria, e Baekhyun acompanhava cada parte da melodia com seu próprio corpo, movimentando-se no palco com tamanha precisão que parecia ter nascido para isso. Era impossível tirar seus olhos de seus movimentos, hipnotizado com a confiança que aquele homem exalava.

 

Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you
Acting on your best behaviour
Turn your back on mother nature

 

A voz de Baekhyun era melodiosa e o embalava perfeitamente com o ritmo da canção; sem ao menos perceber, Chanyeol se deixava guiar por aquela voz, seus pés abandonando o chão conforme ordenado pelo vocalista. Tudo parecia instintivo demais, mas não havia ninguém que pudesse lhe dizer que estava errado. Não havia sequer uma pessoa ao seu redor que também não estivesse hipnotizada pela voz de Byun Baekhyun.

 

A banda formava um conjunto harmonioso entre si e o Byun interagia com todos os membros, correndo de um lado ao outro do palco entre cada verso. O rapaz dedicava uma atenção especial à baixista, mantendo seus rostos tão próximos que o Park se pegava pensando em que momento um beijo sairia entre os dois, mas a garota o afastava em seguida todas as vezes.

 

Havia uma energia gostosa passando do palco à sua plateia e Baekhyun era o principal responsável por isso; era impossível olhar para o homem que cantava e não se contagiar com a força que ele transmitia em cada uma de suas palavras, na voz sussurrada e sensual.

 

It's my own desire
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most of
Freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever

 

Se nada durava para sempre, Chanyeol gostaria de nunca esquecer do primeiro momento em que se viu apaixonado por quem Byun Baekhyun era, como estava acontecendo naquele momento.

 

O show seguiu por mais uma hora ou uma hora e meia, Chanyeol não saberia dizer, porque também parecia ter passado em um piscar de olhos. Estava cansado por ter pulado durante boa parte do espetáculo, mas se sentia pronto para mais uma vez se entregar àquela paixão sem pensar duas vezes. Yerim nunca havia acertado tanto quanto dessa vez ao dar um voto de confiança à Stairway to Heaven.

 

“Temos Irene no baixo”, Baekhyun começou a apresentar seus membros após a última música da noite, “Jongdae na guitarra e vocalista de apoio, Minseok também na guitarra e Yifan na bateria! Nós somos a Stairway to Heaven e esperamos que tenham aproveitado sua estadia no paraíso!”

 

Aos poucos todos foram guiados até a saída do local e a banda deixou o palco em seguida, os instrumentos devidamente guardados para que fossem retirados depois. Chanyeol deu uma última olhada em cada um deles, seu sorriso aumentando conforme se afastava e Baekhyun continuava em seu campo de visão. Era difícil perder aquele homem na multidão, talvez pela cor incomum de seus cabelos, talvez pela aura que emanava.

 

Não importava – Chanyeol já o tinha gravado em sua retina e o reconheceria em qualquer lugar que fosse.

 

“Esse show foi incrível!”, Yerim exclamou assim que estavam se aproximando do carro de Chanyeol, andando aos pulinhos sem olhar para o caminho.

 

Yixing apressou seu passo para conter a namorada, impedindo-a de bater contra alguma coisa por estar caminhando de costas. “Você sempre acerta em cheio”, concordou. “Mas acho que ninguém gostou mais do que o Chanyeol, hum?”

 

Chanyeol, que até então estava distraído da conversa entre os dois por ainda estar pensando no que acabaram de viver, virou o rosto ao ouvir seu nome sendo mencionado. Os amigos tinham sorrisos idênticos e repletos de malícia em seus lábios, e não era necessário ser muito inteligente para saber que teria um longo caminho até em casa.

 

“Parece que o nosso Chanyeol aqui está apaixonado”, Yerim zombou rindo em seguida. “Você não conseguia tirar os olhos do Baekhyun! Eu estava vendo a hora que ele ia tirar aquela regata de tanto calor e, olha, eu não ia reclamar.”

 

Yixing a cutucou de leve com o cotovelo, mas não teve nenhuma reação além de risos da namorada. Chanyeol, por sua vez, deu de ombros; não tinha como esconder nada dos amigos, sabia disso. Yerim o conhecia melhor do que qualquer um e Yixing era um rapaz muito perspicaz. Talvez tenham notado seu fascínio antes mesmo que se desse conta, e talvez fosse disso que Yerim estava falando no início.

 

“Não tinha como tirar os olhos dele, vocês provavelmente estavam da mesma forma que eu”, Chanyeol se defendeu. “Ele é mesmo... Bem forte.”

 

“Sendo bem sincero eu estava mais disposto a olhar para a baixista”, Yixing zombou, escapando do tapa da namorada e entrando no carro em seguida. “A Yerim quer me bater, mas eu bem que vi os gritinhos quando aquele Jongdae teve o solo de guitarra. Você, por outro lado, meu caro... Aposto que não viu nada disso.”

 

Chanyeol olhou para o amigo pelo retrovisor, esperando que todos colocassem seus cintos de segurança antes que iniciassem o caminho para casa. Tudo bem, podia admitir que ficara um pouquinho fascinado por Baekhyun e não tirara seus olhos do vocalista por toda a noite, mas seus amigos estavam certamente exagerando.

 

Não havia sido tão... bobo assim, certo? Ninguém nunca lhe arrancara reações dessa forma em todos seus vinte e um anos de idade. Mesmo suas paixõezinhas durante a escola, muito mais acessíveis e possíveis do que um vocalista de uma banda desconhecida, não lhe tiravam os pés do chão como Yixing e Yerim estavam lhe dizendo.

 

“Se a Stairway to Heaven só precisava de um fã número um para emplacar sucesso, conseguiram no Chanyeol”, Yerim riu, escolhendo qual fita ouviriam no caminho de volta.

 

O assunto mudou em seguida com Yixing comentando com a namorada a respeito de seus planos sobre a faculdade para o ano seguinte e Chanyeol os deixou discutindo sozinhos, seus pensamentos viajando até Byun Baekhyun novamente. O vocalista continuava firme em suas memórias e, se fechasse os olhos só por um pouquinho, ainda conseguia vê-lo altivo e impetuoso, dono do palco que dominava.

 

A Stairway to Heaven abrira seu show com Everybody wants to rule the world – não demorou muito para que gravasse o nome de suas músicas, desejoso por tê-las consigo por mais do que apenas algumas horas de show –, mas, caso alguém quisesse saber o que Chanyeol pensava, o Park sabia muito bem em quem apostaria suas fichas.

 

Em Byun Baekhyun e na maneira como sua voz o transportava a um mundo próprio, onde seus olhos o hipnotizavam pela maneira felina como encarava seu público, onde cada gesto seu em cima do palco era capaz de levá-lo ao paraíso em um piscar de olhos.

 

. . .

 

A Stairway to Heaven nem sempre fora tão promissora como ficou conhecida.

 

Byun Baekhyun tinha um único sonho durante todo seu ensino médio: ser reconhecido como a estrela do rock que sabia que tinha nascido para ser. Por onde quer que passava, sempre ouvira elogios referentes à sua voz e como acreditavam que poderia ser um ótimo cantor, caso quisesse. Até mesmo seus pais estimulavam seu sonho, permitindo que usasse a garagem de casa para ensaiar com as várias bandas que passou anos tentando montar.

 

Não acertara o tom de primeira, nem de segunda, tampouco de terceira. Não conseguia sentir a conexão com as pessoas que se propunham a montar uma banda consigo, não havia o mesmo sentimento entre os membros e, aos poucos, Baekhyun sempre acabava se cansando da mesmice.

 

Ainda assim, não era suficiente para minar seu sonho de ser uma estrela, e após o fracasso de uma banda, logo estava em busca de outros companheiros para uma nova tentativa.

 

Foi em um concurso promovida por sua escola que conheceu Bae Joohyun – ou Irene, como a garota preferia ser chamada – e descobriu nela a paixão pelo baixo que nenhum baixista que havia conhecido tivera. As cordas pareciam brincar entre seus dedos, e a garota parecia sentir a música como parte de si mesma, de olhos fechados e entregue ao som que produzia com os dedos habilidosos.

 

Ao término do concurso, onde nem a banda de Baekhyun tampouco a de Irene ganhou, o Byun a convidou para formarem uma banda juntos e, para sua surpresa, Irene topou de cara.

 

Talvez fosse pelo fato de que já era conhecido por boa parte das pessoas da cidadezinha onde moravam que Baekhyun vivia de sonhos e não desistira do principal deles, talvez fosse pelo fato de que era impossível que Irene desconhecesse sua voz e estivesse cativada por ela como todos ficavam, talvez fosse pelo fato de que Irene não gostava das garotas com as quais tocava antes.

 

Baekhyun não se importava com qualquer que tenha sido a variável que levou Joohyun a tocar consigo porque, no momento em que a garota plugou seu baixo no amplificador antigo de seu pai, Baekhyun finalmente se sentiu acompanhado por alguém que era como ele.

 

Joohyun também tinha a música correndo por suas veias e a única coisa que precisavam era continuar em busca de outras pessoas que fossem exatamente como os dois.

 

Demorou um certo tempo até que encontrassem quem combinasse com o estilo que buscavam e resolveram que não iniciariam mais nenhuma banda para falhar. Esperariam o tempo que fosse necessário até que tivessem seus pares perfeitos, e então formariam o conjunto que estaria pronto para brilhar.

 

Wu Yifan foi um achado diferente; o rapaz trabalhava na loja de discos que encontraram em suas andanças e perceberam que havia ritmo na maneira como batucava as canetas no balcão enquanto olhava entediado para todos os possíveis compradores. Passaram a voltar no local quase que diariamente para estudá-lo antes de perguntar se já tocara bateria em algum momento. Com a resposta positiva, mas ainda desinteressada, convidaram-no para um ensaio na garagem de Baekhyun e torceram para que o rapaz aparecesse.

 

Yifan apareceu e trouxe consigo o som vigoroso da bateria, em conjunto à harmonia do baixo de Irene e o poder da voz de Baekhyun.

 

Encontrar os guitarristas foi uma tarefa um pouco mais complicada, e aconteceu graças a uma viagem monótona que a família de Joohyun a obrigou a fazer até a cidade vizinha onde sua prima iria se casar. Minseok e Jongdae eram convidados do casamento, e a Bae não pôde deixar de ouvir enquanto comentavam sobre as guitarras que compraram e como estavam ansiosos pelo momento em que as usariam.

 

Foi um tiro no escuro enquanto não sabia nada a respeito daqueles dois garotos, mas certeiro quando apareceram um pouco reticentes na garagem de Baekhyun, avisando que uma garota os convidara a estrear suas guitarras naquele local.

 

Quando tocaram juntos pela primeira vez Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, Baekhyun soube que aquela era a banda com a qual alcançaria o topo do mundo.

 

Caso algum dia lhes fosse perguntado o significado do nome da banda, cada membro tinha um motivo próprio a ser atribuído, floreando o bastante para que ganhasse significado – mas a verdade era que a Stairway to Heaven possuía esse nome por ter sido com essa música que perceberam que o destino os colocara no caminho um do outro.

 

Os ensaios não eram uma tarefa fácil, considerando que Jongdae e Minseok moravam na cidade vizinha e tinham uma viagem de uma hora todas as vezes em que precisavam encontrar os amigos, mas deram tudo de si para que a banda pudesse seguir em frente. O ensino médio havia terminado para todos os cinco e, enquanto a maior parte de seus colegas estudavam para a faculdade ou tentavam um emprego com o qual sobreviver, a Stairway to Heaven buscava a ascensão.

 

Era uma tarefa um tanto quanto complicada quando não tinham ninguém para auxiliá-los a gerenciar suas carreiras, e as gravadoras batiam as portas em suas caras. Houve a época em que foram obrigados a dividir o tempo entre a banda e seus empregos, quando a vida os mostrou que não seria tão fácil quanto almejavam. Ainda assim, continuavam a perseverar porque acreditavam no sonho que os unira quando adolescentes.

 

Beiravam todos os vinte e quatro anos quando Joohyun conheceu Oh Sehun em uma festa.

 

De início, Sehun era só um cara mais velho com uma boa pegada e que Joohyun queria manter contato. Não era nada demais além de uma boa companhia e a certeza de uma boa foda, mas se mostrou promissor conforme continuavam a ver um ao outro e não conseguiam esconder o sentimento que começava a nascer.

 

Joohyun descobriu que Sehun trabalhava em uma gravadora na mesma semana em que tomou coragem de apresentá-lo aos amigos, o mais próximo que possuía de uma família que havia escolhido, três meses desde que se conheceram. Naquele momento, Sehun ouviu pela primeira vez o que a garota que conhecera em uma festa era capaz de fazer com um baixo em suas mãos e percebeu o que já era óbvio: era fácil demais ser cativado por Bae Joohyun.

 

Na mesma semana em que Joohyun recebeu um pedido de namoro, quatro meses desde que se conheceram, foi também o momento em que a Stairway to Heaven recebeu seu primeiro convite para gravar uma demo.

 

As coisas aconteceram muito rápido desde então; mesmo que ainda estivessem tentando emplacar seu primeiro disco, graças a influência de Sehun e uma ligação ou outra, conseguiram alguns shows a serem feitos para que o grande público também conhecesse sua música e se sentisse instigado a procurá-los quando lançassem seu disco.

 

Mal podiam acreditar no que estavam vivendo. Algumas semanas antes, estavam ensaiando na garagem de Baekhyun – para não perder o costume, diziam, ainda que soubessem que a verdade é que era tudo que lhes restara – e agora tinham shows a serem feitos, shows pelos quais seriam realmente pagos. Não se importavam com o fato de que não eram grandes shows; chegariam lá em algum momento, era necessário que conquistassem as pequenas plateias primeiro.

 

E estavam prontos para isso.

 

A sensação de estar em um palco era completamente diferente em cada show que faziam. Baekhyun e Irene criaram uma marca registrada enquanto interagiam no palco, fazendo com que cada espectador ansiasse por mais interações entre ambos, ainda que nada acontecesse – Sehun ainda era seu namorado e os assistia do backstage. Era divertido e fazia com que seus fãs se divertissem também, que mal poderia fazer?

 

A cada show também ganhavam mais confiança, mais liberdade para agir como pensavam ser ideal. Minseok e Jongdae também passaram a andar mais pelo palco, interagir entre si, até mesmo Yifan conseguia seu próprio jeito do fundo do palco. Era notório o quanto a Stairway to Heaven merecia a ascensão pela qual buscavam, e Sehun estava disposto a lutar até o fim por aquela ideia.

 

Talvez porque começava a se sentir parte daquela família também.

 

“Baekhyun!”, Irene o chamou, estalando os dedos em frente a seu rosto, fazendo com que o rapaz acordasse do torpor onde estava. “No que está pensando?”

 

O Byun olhou da amiga ao restante da banda que lhe encaravam curiosos também. Havia se distraído pensando em todo o caminho que percorreram até onde estavam e não se dera conta de que já estava quase na hora do próximo show. Ainda faziam pequenos shows, mas a plateia aumentava consideravelmente a cada novo evento, e até mesmo arriscavam abrir shows de bandas maiores.

 

“Eu estava distraído”, respondeu com um dar de ombros. “Estão prontos?”

 

“Nascemos para isso”, Yifan devolveu com um sorriso de canto. “Pronto, capitão?”

 

Baekhyun sempre rolava os olhos para a alcunha que recebera do baterista; era o líder da banda e seu vocalista, e Yifan achara muito divertido passar a chamá-lo apenas de capitão, fazendo com que os demais componentes da banda também achassem divertido, e de repente já não havia mais seu nome a ser dito.

 

“Então vamos nessa”, Baekhyun os instigou, “temos uma plateia para levar ao paraíso.”

 

Com um breve sorriso trocado entre os membros e um último beijo de boa sorte entre Irene e Sehun, os cinco componentes da Stairway to Heaven tomaram rumo em direção a suas posições no palco. Já conseguiam ouvir os gritos vindos da plateia e aumentaram ainda mais quando as luzes se acenderam e os revelou, Baekhyun já com seu microfone em mãos.

 

Parou um momento antes de saudá-los para observar o que tinham à sua frente. Saíram da garagem de sua casa, onde sua mãe já não aguentava mais ouvi-los tocando as mesmas músicas, e agora tinham centenas de pessoas ouvindo-os, gritando seus nomes. Estavam sendo reconhecidos – não pelo país, não pelo mundo, mas por aquele pequeno grupo de pessoas que significavam tudo naquele momento.

 

Era o primeiro degrau na escada para o paraíso.

 

“Aqui é a Stairway to Heaven e eu espero que estejam animados para hoje!”, Baekhyun os cumprimentou, aproveitando a sensação em ter sua voz ampliada por todo o local. Os gritos que recebeu em confirmação fizeram com que seu sorriso se ampliasse.

 

A combinação de Yifan com os guitarristas iniciou a primeira música da noite e o vocalista permaneceu parado onde estava observando o movimentar de sua plateia. Aqueles que já estiveram em algum de seus shows com certeza reconheciam a música apenas por seu início e contagiavam aqueles que os viam pela primeira vez.

 

Era incrível ver a música que compuseram juntos, em madrugadas amassando e rasgando folhas de papel em seu quarto, sendo reconhecida daquela maneira. Era mágico.

 

“Once upon a time, not so long ago...”, sussurrou contra o microfone, um breve sorriso se fazendo presente em seu rosto.

 

Arrancou o microfone do pedestal, movimentando-se pelo palco com maior liberdade; conseguia ouvir a plateia ecoando o início da música ao mesmo tempo em que começara a cantar, e estava tentado até mesmo a parar para ouvi-los, ver até onde conheciam sua música. Nunca se acostumaria com a sensação de tê-los gritando de volta para si, mas fazia o possível para não transparecer.

 

Sabia da fama que possuía; sabia o que seu sorriso conseguia causar nas pessoas, sabia que teria dois ou três convites ao término do show e das recomendações de Sehun para que não se envolvesse com fãs enquanto buscava fazer sua carreira. Viam-no como um deus naquele palco e talvez mantivessem a mesma impressão enquanto estava fora deles, e Baekhyun gostava disso.

 

Gostava muito da sensação de estar no topo.

 

She says, we've got to hold on to what we've got
It doesn't make a difference if we make it or not
We've got each other and that's a lot for love
We'll give it a shot
Woah, we're half way there
Woah, livin' on a prayer
Take my hand, we'll make it I swear
Woah, livin' on a prayer

 

Gostava de iniciar seus shows com Living on a prayer porque, embora todos pudessem pensar o que quisessem da letra, representava bastante o que vivia com os amigos em busca de um sonho. Cada palavra colocada na letra da música tinha um significado maior para cada um deles, significava uma parte do sonho que dividiam.

 

Houve um momento em que não fazia mais diferença se conseguiriam ou não, tudo o que importava era que continuassem tentando. Por nunca desistirem, por estarem lá uns pelos outros quando a insegurança os abateu, um por um, encontraram um caminho que estava dando certo e agora colhiam os frutos de sua persistência.

 

Estavam lá, quase lá e, ainda que isso significasse que viviam por um fio, Baekhyun não trocaria a experiência que estavam tendo por nada no mundo. Nenhum trabalho das nove às cinco ou qualquer curso na universidade poderia lhe dar a mesma adrenalina de estar em cima de um palco e ouvir centenas de vozes ecoando a sua.

 

Tommy's got his six string in hock
Now he's holding in what he used to make it talk
So tough, it's tough
Gina dreams of running away
When she cries in the night Tommy whispers
Baby, it's okay, someday

 

Aproximou-se de Irene como costumava fazer e a mulher já lhe aguardava com um sorriso no rosto. Inclinou-se em sua direção, ostentando em seu rosto o melhor sorriso canalha que conseguira, e percebia como a amiga prendia o riso para não o afastar. Continuou a cantar, seu rosto cada vez mais próximo do da baixista, até que Irene dividia o microfone consigo, sua voz mesclando-se a sua enquanto era propagada.

 

Conseguia ouvir os gritos de sua plateia como esperava que acontecesse; todos adoravam quando criava clima com a baixista, ainda que sequer desconfiassem que não havia qualquer possibilidade que algo acontecesse. Ainda que Sehun não existisse, ainda que não houvesse ninguém entre ambos, Bae Joohyun era como sua irmã mais nova, e Baekhyun a protegeria de qualquer coisa – mesmo que soubesse que Joohyun era uma força da natureza e nada poderia pará-la.

 

Voltou sua atenção à plateia em seguida, aproximando-se da borda do palco enquanto chegavam ao final da canção; sua voz se tornava mais alta conforme cantava, empolgado por todos estarem acompanhando a música consigo, e focou seu olhar nas pessoas que ocupavam as primeiras fileiras. Obviamente eram pessoas que já os acompanhavam há algum tempo porque o Byun conseguia reconhecer um ou outro rosto em meio à multidão.

 

Um deles, em específico, olhava para si de maneira tão intensa que quase fez com que se sentisse nu em frente a tantas pessoas. Ainda que os conselhos de Sehun ecoassem em sua mente e lhe alertassem para que não se envolvesse com nenhum fã, o vocalista se pegou pensando em como não se importaria em abrir uma brecha para aquele que conseguira lhe fazer sentir como se estivesse sozinho em cima do palco.

 

“Take my hand and we'll make it, I swear”, exclamou em seu microfone, seu olhar ainda atento ao rapaz que não tirava os olhos de cima de si. Vencido pela adrenalina e a coragem que lhe indicava fazer coisas estúpidas, piscou em sua direção antes de endireitar-se no palco e voltar a sua posição central para o início de uma nova música.

 

Não sem antes ver que o rapaz percebera que a piscadela fora em sua direção e olhá-lo de maneira chocada, como se não acreditasse no que havia acabado de acontecer. Riu durante todo seu trajeto em retorno, pensando em como seria muito interessante se seu caminho voltasse a bater contra o daquele garoto.

 

. . .

 

A bem da verdade, desde o primeiro show da Stairway to Heaven em que Yeri os levou, Chanyeol começou a procurar um pouquinho mais por informações a respeito da banda.

 

Seus amigos não estavam errados quando disseram que havia ficado hipnotizado pelo vocalista; Byun Baekhyun captara sua atenção de uma maneira que nada nunca antes tinha feito. Passara dias pensando no show, na energia que o homem passava em cima do palco, nos sorrisos de canto, nos olhares intensos... Tudo em Baekhyun chamara sua atenção e era impossível que o apagasse de sua memória.

 

Não que não tivesse tentado. Tentou colocar em sua cabeça que fora apenas um show, era uma banda iniciante e da qual provavelmente não voltaria mais a ouvir falar, nunca mais encontraria Baekhyun por aí. Podia voltar ao trabalho na lanchonete de seus pais e às bandas que Yerim tivesse para lhe apresentar.

 

Colocara todos seus esforços nessa tentativa, mas ao se deitar à noite para dormir ou em qualquer intervalo que possuía no trabalho, sua mente trabalhava em levá-lo de volta àquele show, rememorando todas as sensações que a voz de Baekhyun causou em seu corpo, e tratando em lhe dizer o quanto estava ansioso por senti-las novamente.

 

Não tivera outra escolha além de dizer aos amigos e contar com as habilidades de Yerim em encontrar o próximo paradeiro da Stairway to Heaven e torcer para que fosse próximo o bastante para que pudessem ir assistir.

 

Nada era impossível para Kim Yerim e a garota, dentro de alguns dias, descobriu que a banda teria um novo show em outra cidade vizinha e poderiam ir na folga de Chanyeol. Yixing também conseguiria folga em seu trabalho e teriam um flashback de como fora o primeiro show. Chanyeol torcia, secretamente, que esse novo show servisse para desencantá-lo e pudesse seguir sua vida sem que Baekhyun estivesse em seus pensamentos.

 

Seus planos não deram muito certo e saíra do show mais encantado do que já estava.

 

Uma rotina foi criada entre os amigos onde Yerim os alertava de cada novo show nas cidades próximas para que pudessem se organizar e ir. Chanyeol desistira de tentar parecer desinteressado e agora ia com a amiga em busca de ingressos também, sentindo em todo seu corpo a ansiedade por rever o vocalista mais uma vez.

 

Dentro de alguns meses, encontrara-se perdido. Byun Baekhyun era sua nova obsessão e era alguém que nunca olharia para si porque, com a energia e a força que demonstrava ter em cima do palco, tinha certeza que era o tipo de cara que tinha o mundo a seus pés e não perderia seu tempo com um fã desconhecido.

 

A Chanyeol, bastava olhá-lo por algumas horas e torcer para que a próxima data não demorasse tanto.

 

E aquele poderia ter sido mais um dos shows que estava frequentando há meses, e do qual falaria a respeito pelo restante da semana, sobre como foi incrível que tivessem conseguido ir em um na sua própria cidade, e sobre como Baekhyun fora incrível, não fosse o fato de que Byun Baekhyun – o mesmo que povoava seus pensamentos há mais tempo do que se orgulhava – havia piscado para si.

 

Havia dezenas de pessoas ao seu redor, Chanyeol sabia que havia grandes chances de estar pensando em algo que poderia não ter acontecido como havia imaginado, mas sua intuição lhe dizia outra coisa. Poderia pensar que era coisa de sua cabeça e que estava fantasiando com isso porque queria muito ter a atenção do vocalista, não fosse o fato de que seus amigos estavam mais animados com isso do que ele próprio.

 

Byun Baekhyun havia lhe notado em meio a centenas de pessoas e havia piscado para si.

 

Saíra do show ainda um pouco desnorteado, mesmo que tenha ocorrido durante a primeira música. Seria mentira se dissesse que conseguira prestar atenção em muito do que aconteceu em seguida e tinha certeza que se odiaria em breve por ter perdido os detalhes de um show em sua própria cidade, mas como poderia pensar em outra coisa? Sua mente ainda estava trabalhando para processar a piscadela.

 

Estava tentando dizer a si mesmo que Baekhyun era conhecido por seus flertes, pela personalidade arisca e charmosa e que ele flertava até mesmo com a companheira de banda que poderia muito bem ser sua companheira fora dos instrumentos musicais também. Tentara dizer a si mesmo que não tinha motivos para se sentir especial por algo que ele provavelmente fazia com todos os fãs que possuía, porque é isso que estrelas do rock fazem, mesmo aquelas que ainda estão ascendendo ao sucesso.

 

Estava tentando dizer a si mesmo várias coisas, mas nada estava funcionando para tirar a maldita piscadela de sua mente e fazê-lo ver qualquer outra coisa que estava acontecendo.

 

“Chanyeol! Seu maldito sortudo!”, Yerim gritou em seu ouvido assim que colocaram os pés para fora da casa de shows. Ainda estava um pouco tonto pela diferença de ambiente e a ausência do som alto e forte, e a amiga gritando ao seu lado não lhe ajudava em nada. “Quisera eu que Jongdae fizesse aquilo comigo também!”

 

“Irene só tem olhos para o Baekhyun, aparentemente, o que é uma pena para mim”, Yixing lamentou ao seu lado, cutucando-o nas costelas.

 

“Vocês dois esqueceram que namoram um ao outro?”, Chanyeol os questionou. “Por que diabos estão aí querendo que outras pessoas pisquem para vocês?”

 

Yerim trocou um olhar rápido com o namorado e tornou a olhar para o amigo com um dar de ombros. “Yixing e eu temos um acordo que, se for o Jongdae ou a Irene, não é traição, é a realização de um sonho”, a garota comentou. “Mas isso não importa porque nós continuamos sendo ignorados por nossos sonhos de consumo, você não!”

 

“A gente nem sabe se foi para mim mesmo ou não”, Chanyeol os recordou. “Não estávamos sozinhos naquela área e ele pode ter piscado por qualquer motivo.”

 

“Assim como pode ter piscado para você”, Yixing insistiu, “e é por isso que nós vamos para a saída de trás agora tentar encontrar eles.”

 

Chanyeol não teve nem mesmo tempo para processar a informação que lhe foi dada antes que os amigos lhe puxassem pela mão e o guiassem até a saída onde a banda provavelmente estaria. A segurança do local não lhes deixaria passar a menos que encontrassem uma maneira de fazer isso escondidos, e tinha certeza que nada era impossível para alguém como Kim Yerim. A garota certamente encontraria uma maneira de burlar a segurança.

 

Ainda assim, não tinha certeza se estava pronto para estar frente a frente com Baekhyun, caso lhe ocorresse a chance.

 

Não tinha nem mesmo decidido consigo mesmo se o vocalista piscara ou não para si, se a piscadela fora coisa de sua cabeça. Como poderia falar alguma coisa, qualquer coisa, com o mais velho se não tinha certeza de suas intenções? Se estivesse de fato dando em cima de si e não lhe respondesse de igual forma, estaria desperdiçando sua chance de ouro; se acreditasse que estava dando em cima de si e fosse o completo oposto, estaria envergonhando a si mesmo e nunca mais colocaria os pés em um show da Stairway to Heaven.

 

Estava em uma encruzilhada – mas não tinha tempo para decidir qualquer coisa porque Yerim estava distraindo a segurança ao fingir-se de perdida enquanto Yixing o arrastava para que passassem despercebidos pelo cordão de segurança.

 

“Isso não está certo”, Chanyeol sussurrou para o amigo, “os seguranças estão ali por um motivo.”

 

“Você planeja pular no pescoço do Baekhyun?”, Yixing o questionou. Chanyeol negou em seguida, obviamente. “Embora eu queira muito, também não planejo o mesmo com Irene e Yerim prometeu se comportar. Nós só vamos dizer que gostamos do som deles e quem sabe te arrumar uma foda com Baekhyun. Relaxa.”

 

Chanyeol queria lhe dizer que não tinha como relaxar na situação em que fora colocado, mas não houve uma chance porque Yerim os tinha alcançado e agora quase saltitava em ansiedade pelo momento em que a banda passaria por aquele corredor até a van que os levaria ao hotel onde estavam hospedados.

 

Conseguia sentir o coração batendo em sua garganta enquanto os minutos se passavam e seus olhos não desprendiam da saída da casa de shows, no aguardo pela movimentação da banda. Seus amigos estavam incrivelmente silenciosos ao seu lado, provavelmente por medo de que fossem apanhados e retirados dali antes que pudessem dizer ao menos um oi.

 

Não tinha certeza por quanto tempo conseguiria ficar ali aguardando, e estava quase dizendo isso a Yixing mais uma vez quando a porta se abriu.

 

Abriu e por ela saiu primeiramente um homem que não conheciam, talvez o agente da banda, mas não lhes importava; em seguida, viram Jongdae e Minseok saírem conversando, rindo entre si de algo que não tinham ideia do que poderia ser, Yifan bocejando entre eles e, por último, Irene com Baekhyun às suas costas. Era a Stairway to Heaven, a banda que seguiam há meses, a poucos passos de distância.

 

Foi o homem desconhecido quem os notou primeiro.

 

“O que fazem aqui? Como passaram pela segurança?”, perguntou. “Vou chamá-los.”

 

“Nós só queríamos dizer oi!”, Yixing se apressou em dizer, seus olhos vacilando do homem à Irene, que agora os observava com atenção. “Nós conhecemos a banda faz alguns meses, vamos aos shows que são próximos daqui, e só queríamos dizer... Oi.”

 

“Oi, gracinha”, Irene devolveu com uma piscadela e Chanyeol gemeu baixinho em desconforto com o aperto que recebeu em seu braço graças ao choque do amigo. “Não vai dizer quem são os seus amigos?”

 

“Essa... Essa é a minha namorada, Yerim”, Yixing a apresentou, embora Yerim não retirasse seus olhos de Jongdae a poucos metros, “e esse é o Chanyeol.”

 

Baekhyun não estava demonstrando muito interesse no que estava acontecendo graças a seu cansaço até o momento em que todos foram apresentados, e seus olhos encontraram novamente o mesmo rapaz com quem trocara alguns olhares durante o show. Tinha certeza que era ele e estava ali, a poucos metros, sem lhe dizer uma palavra que fosse.

 

Bom... Isso era interessante. Havia pedido ao destino que seus caminhos se chocassem e recebera sua resposta.

 

“É um prazer conhecer vocês! A música é incrível, vocês são ótimos!”, Yerim exclamou com um sorriso maior do que o rosto. “Jongdae, você é ainda mais bonito pessoalmente.”

 

O Kim riu abertamente da falta de tato da garota ao lhe elogiar, recebendo uma cotovelada de Minseok para que parasse e agradecesse propriamente. Aproximou-se de onde a garota estava, tomando-lhe uma das mãos entre as suas e levando aos lábios, deixando um singelo selar na região. Olhou-a em seguida, com um sorriso charmoso em seu rosto.

 

“É uma honra vindo de uma garota tão bonita como você”, piscou.

 

“E agora você a quebrou”, Minseok comentou com um riso baixo vendo como Yerim olhava para o namorado e ambos trocavam sorrisinhos animados.

 

“O gato comeu sua língua?”, Baekhyun perguntou, pronunciando-se pela primeira vez desde que pararam para conversar com o trio de fãs, em direção a Chanyeol. O Park acordou de seu torpor, olhando em direção ao vocalista. “Tem um favorito entre nós também?”

 

“Eu... Vocês todos são incríveis”, Chanyeol respondeu após algum tempo, amaldiçoando-se por ter gaguejado. “Eu sou muito fã de todos vocês, na verdade.”

 

Havia alguma coisa na maneira como Baekhyun o encarava que lhe dizia que o Byun não tinha comprado sua desculpa; não queria dizer o quanto era obcecado pelo vocalista porque ainda lhe restava um pouquinho de vergonha, e não tinha certeza a respeito da reação do mais velho. Contudo, a forma como o homem lhe encarava, como se conseguisse enxergar sua alma através de seus olhos, começava a lhe deixar desconfortável, questionando a si mesmo se era possível que visse através de sua mentira.

 

“Bom... Já que você gosta de todos nós, vou lhe dar uma chance de descobrir seu favorito”, Baekhyun barganhou. “Temos esse show bem mais... Intimista mês que vem, em uma cidade aqui próxima. Sehun pode lhe dar um flyer dizendo onde e quando, ainda é meio segredo. Vá nele também e quem sabe eu posso entrar no páreo.”

 

O vocalista piscou mais uma vez em sua direção e deixou-os, seguindo rumo à van. O homem que descobriram se chamar Sehun se aproximou, entregando-lhe um panfleto onde dizia o endereço do próximo show, assim como a data. Chanyeol o apanhou com um agradecimento baixinho e continuou olhando para o pedaço de papel, como se buscasse nele as respostas para saber se o que havia acontecido fora real.

 

Yixing e Yerim se aproximaram, radiantes com os autógrafos que ganharam do restante da banda e a dedicatória de Jongdae e Irene. Assistiram enquanto os membros entravam na van e o momento em que o automóvel partiu, restando aos três que também tomassem o caminho para casa. Entretanto, o Park continuava a olhar para o panfleto em suas mãos.

 

“O que é isso?”, Yerim perguntou. “Baekhyun te autografou em um panfleto?”

 

“É o local do próximo show deles”, Chanyeol respondeu, sem olhá-los. “Baekhyun me chamou.”

 

Houve um breve momento onde o silêncio se fez presente, o que Chanyeol não imaginou que aconteceria. Imaginou que os amigos gritariam em alegria, planejariam a viagem ainda que fosse acontecer apenas dentro de um mês ou que brigariam consigo por não ter pedido um autógrafo ao vocalista quando tivera a oportunidade.

 

Contudo, houve o silêncio.

 

“Gente...?”, Chanyeol os chamou. “Tudo bem?”

 

Foi Yerim quem reagiu primeiro e sua reação foi abrir um largo sorriso. “Eu disse que ele estava flertando com você!”, exclamou. “Nós vamos demais nesse show!”

 

“Park Chanyeol, você gastou toda a sorte da sua vida nesse momento”, Yixing o alertou com um tapinha nas costas. “Byun Baekhyun realmente estava flertando com você.”

 

Ainda encontrava problemas em aceitar que o vocalista poderia estar flertando consigo, talvez por ainda vê-lo como alguém tão inalcançável que era até mesmo estúpido esperar que tivessem alguma coisa, mas o panfleto em suas mãos era um eterno lembrete de que o Byun queria vê-lo de novo, e estava no páreo em ser seu favorito – como se houvesse qualquer chance de que não fosse.

 

Enquanto faziam o caminho até onde seu carro estava estacionado e os amigos ainda comentavam a sorte que tiveram em ver a banda tão de perto, Chanyeol se pegou mais ansioso do que nunca pelo próximo mês.

 

. . .

 

Estivera ansioso para que o mês se passasse, porém não contava com o fato de que não estaria pronto quando a data se aproximasse.

 

Passara boa parte da semana do show conversando com os amigos, repassando cada detalhe da breve conversa que tivera com Baekhyun – e ouvindo Yerim ralhando consigo a todo instante por não ter dito ao vocalista que estava de olho nele –, para que, quem sabe, pudesse fazer com que tudo se tornasse mais real. Ainda parecia um grande sonho do qual acordaria em breve e descobriria que nem mesmo o show acontecera ainda.

 

Porém, era mais real do que esperava e a memória retornava todas as noites antes de dormir, enquanto buscava desesperadamente deixar sua mente em branco para que pudesse adormecer, e a única coisa que a preenchia sem qualquer menção a desaparecer era o sorrisinho de canto que Baekhyun lhe deu naquela noite.

 

Estava completamente fodido.

 

Intensificar os turnos na lanchonete da família pareceu adiantar um pouco a livrar sua mente e mantê-la focada em outras coisas, com as responsabilidades que estar no comando lhe trazia. Por algum tempo, Baekhyun se tornou alguém que lhe atormentava apenas à noite, enquanto buscava dormir e não ter o vocalista em seus sonhos. Contudo, sua tática começou a falhar quando mudaram a folha no calendário e o show para o qual foram convidados aconteceria em uma semana.

 

Yerim já tinha tudo pronto – havia avisado aos pais de Chanyeol que passariam a noite em outra cidade, organizado o dinheiro dos três e reservado o suficiente para que pagassem pelo pernoite, assim como comunicara ao emprego de Yixing que sua presença era imprescindível. Devia muito a Sra. Smith e sua compreensão em liberá-lo da loja onde estava trabalhando; o lado bom de ter alguns favores a serem cobrados depois de ser baby-sitter dos netos da senhora.

 

Yixing já havia desistido de tentar controlar a garota, ainda mais porque agora se sentia mais próxima da banda que seguiam e pronta para qualquer coisa. O fato de terem sido convidados diretamente pelo líder da Stairway to Heaven saía da boca de Yerim ao menos dez vezes ao dia e o Zhang não conseguia achar outra coisa além de fofo. Fora a energia constante e o sorriso ininterrupto que lhe fizera se apaixonar pela Kim, e era dessa forma que a via enquanto planejava a viagem dos três.

 

Chanyeol, por outro lado, parecia um pouco mais preocupado com os dias que passavam e aproximavam cada vez mais seu reencontro com Baekhyun.

 

Queria poder dizer aos amigos sobre o que se passava em sua cabeça, mas tinha certeza que nenhum deles entenderia e estava tudo bem; ambos viam a Stairway to Heaven como uma boa banda com boa música e gostavam dos componentes como ídolos pelos quais torciam. Chanyeol queria agir da mesma forma e, de certa maneira, até mesmo conseguia com a maior parte dos integrantes...

 

Mas não com Baekhyun.

 

Havia alguma coisa na maneira como o Byun se portava que o atraía como um polo magnético; havia alguma coisa nos sorrisos bem colocados que fazia com que as mãos de Chanyeol suassem frio, ainda que não fossem sorrisos direcionados para ele; havia alguma coisa no charme que emanava do vocalista que o levava até ele, sem questionar. Nunca havia se sentido dessa maneira antes por qualquer outra pessoa, e amaldiçoava a si mesmo por isso porque Baekhyun era inalcançável.

 

Ainda que a Stairway tivesse um longo caminho até o estrelato, ainda que demorasse até que Baekhyun se tornasse uma estrela do rock reconhecida por todos os lugares que passassem, Chanyeol era apenas um garoto de uma cidadezinha do interior, e o Byun era uma alma livre disposta a viajar os quatro cantos do país até que alcançasse seu sonho.

 

Não havia a menor chance, Chanyeol sabia disso – mas não obtinha sucesso algum em dizer o mesmo ao seu estúpido coração, que insistia em bater mais rápido todas as vezes em que o nome do vocalista era trazido à tona ou quando olhava para o panfleto na mesinha de cabeceira e lembrava que faltava menos de um dia.

 

A sineta na porta de entrada da lanchonete o despertou para a chegada dos amigos, indicando que seu turno estava terminando e era hora de viajar. Yerim foi quem entrou primeiro, radiante com o sorriso estampado em seu rosto, sem conseguir conter a felicidade que a dominava. Chanyeol esboçou um sorriso em retorno, engolindo sua ansiedade.

 

Sua amiga estava se esforçando bastante para que toda a viagem desse certo e não iria deixá-la nervosa logo no dia pelo qual estavam esperando. A Kim merecia ter um show inesquecível e Chanyeol precisava lidar com seus próprios problemas sozinho.

 

“Estamos todos prontos?”, Yerim questionou. “Eu estou tão animada! Mal posso acreditar que dessa vez podemos estar mesmo bem pertinho deles.”

 

“Você acompanhou as notícias por meses para descobrir onde seriam os shows deles e, ainda assim, quem conseguiu o mais próximo deles foi Chanyeol flertando com o vocalista”, Yixing riu. “Quem diria, não é?”

 

O Park rolou os olhos para a brincadeira feita. Se o Zhang tivesse visto a maneira como olhava abobado para Baekhyun, não lhe parabenizaria tanto como estava fazendo há quase um mês pelos ingressos que conseguiram.

 

“Sua mochila já está no carro, passamos na sua casa antes de vir”, Yerim avisou. “Sua mãe disse que podemos levar a chave da lanchonete, voltamos amanhã cedo de qualquer maneira, então só precisamos fechar e cair na estrada!”

 

Chanyeol não discutiu, retirando o avental que estava usando e deixando-o guardado no balcão. Apanhou o molho de chaves, verificando ao seu redor se tudo estava como deveria ou se deixaria um incêndio para trás. Com a ajuda dos amigos, trancaram todas as saídas antes da principal e estavam todos prontos para a viagem que os levaria de volta à escada para o paraíso.

 

O Park suspirou, tomando coragem em uma nova leva de ar puro. Estivera ansioso por esse show durante todo o mês, em um misto de boa e má ansiedade, e agora era hora de rever sua mais recente obsessão.

 

A viagem até a cidade onde aconteceria o show da Stairway to Heaven não fora tão longa, e passou como um piscar de olhos, enquanto os amigos comentavam sobre as expectativas para aquele show e o que aguardavam que os integrantes fizessem. Yerim era uma grande fã das interações entre Baekhyun e Irene e adorava especular quem provocaria quem em cada show que iam.

 

Chanyeol costumava se sentir desconfortável durante esses momentos porque eram sempre neles que percebia o quanto Baekhyun mexia consigo, maldito fosse.

 

Não tiveram grandes problemas para entrar na casa de shows quando apresentaram o panfleto entregue pelo agente da banda – servira-lhes como ingresso graças a anotação feita por Sehun. Olhando ao redor de onde estavam, uma vez dentro, perceberam que o Byun não havia mentido quando disse que era algo bem mais intimista dessa vez.

 

O local não era de longe o maior em que já os viram tocar e assemelhava-se a um pub, com um bar reservado na extremidade do salão. A maior parte do recinto estava livre e serviria como uma grande pista em direção ao palco que estava sendo arrumado e com os instrumentos sendo posicionados. Não havia nenhuma pista do paradeiro da banda por enquanto, mas várias pessoas já se encaminhavam para buscar um bom lugar em frente ao palco.

 

Os três não fizeram diferente e enfrentaram a pequena multidão que se formava até que alcançassem o local que desejavam, em frente ao pedestal onde Baekhyun ficava, com Yixing do lado onde Irene costumava ficar e Yerim ao lado de Jongdae. A Chanyeol restara o centro de onde teria uma boa visão de Baekhyun, ainda que não tivesse muita certeza se isso era bom ou não.

 

“Não acredito que estamos tão perto”, Yixing comentou. “É o menor lugar que eles já fizeram algum show, poderíamos chegar ao palco fácil se quiséssemos.”

 

“Eu não garanto que eu não vá quando for o solo do Jongdae”, Yerim riu. “Mal posso esperar para que comece.”

 

Como se seu pedido fosse uma ordem, as luzes caíram ao término da fala da Kim, indicando que a banda estava entrando no palco. Ouviram as exclamações animadas às suas costas, permitindo-se contagiar com a alegria que emanavam. Não havia nada melhor do que aquela sensação gostosa antes do início de cada show.

 

“Parece que hoje temos um encontro com os escolhidos para o paraíso”, a voz de Baekhyun os saudou, soando propositalmente mais rouca do que era de costume, “então vamos dar a vocês o melhor tratamento que poderiam ter.”

 

O show teve seu início e Chanyeol se sentiu mais uma vez transportado para uma dimensão que apenas a voz de Baekhyun era capaz de levá-lo. Era incrível como o vocalista conseguia ser flexível, das músicas mais lentas e românticas às mais fortes e animadas, não havia nenhuma melodia com a qual não pudesse combinar e fazer de si a alma da música que cantava.

 

Não havia nenhuma dúvida que o Byun era um fenômeno.

 

Olhou para o lado, encontrando os amigos pulando empolgados com a música, os risos escapando de seus lábios sem que pudessem ser contidos. Ainda que Baekhyun confundisse sua mente e ainda que houvesse uma grande chance que saísse frustrado de toda a história envolvendo-o, Chanyeol não se arrependia de nada por ter a oportunidade de ver seus melhores amigos tão animados por algo que havia conquistado.

 

E flertaria quantas vezes fossem necessárias com o vocalista para conseguir de novo – não que fosse um grande sacrifício.

 

A energia passada pela Stairway to Heaven era completamente diferente naquele lugar do que em todos os outros shows um pouco maiores que fizeram. Pareciam mais investidos no que faziam, dispostos a fazer com que cada pessoa naquele lugar tirasse os pés do chão e embarcasse com eles ao som de suas canções para um lugar que desconheciam.

 

Chanyeol precisava admitir que gostava disso mais do que havia pensado e se pegou imaginando quando seria o próximo evento tão privativo que poderiam conseguir com a banda.

 

Estava admirado por sua atenção não estar por completo em Baekhyun, esforçando-se para dar a devida atenção a cada membro que agora estava mais próximo de si do que nunca, e até mesmo orgulhoso por estar conseguindo. Seu objetivo era não deixar que o Byun dominasse sua cabeça quando sequer se conheciam propriamente e era importante que se mantivesse firme.

 

Contudo, não durou muito tempo – quando a voz de Baekhyun carregou You give love a bad name até seus ouvidos, Chanyeol guiou seu olhar de volta ao vocalista, imerso na dimensão em que se perdia todas as vezes em que encontrava seus olhos.

 

An angel's smile is what you sell
You promise me heaven, then put me through hell
Chains of love got a hold on me
When passion's a prison, you can't break free

 

A maneira como Baekhyun cantava enquanto mantinha o sorriso sacana em seu rosto e os olhos fixos em sua direção – não havia como se enganar como da última vez, não havia tantas pessoas e estavam tão perto um do outro – fez com que Chanyeol engolisse em seco, questionando-se o que tinha para se ligar naquela canção.

 

E, então, soube.

 

Baekhyun não estava tentando mandar nenhuma mensagem direcionada a si com as palavras que cantava. Seu sorriso derivava do fato de que estava falando de si mesmo para Chanyeol, como se adivinhasse quais eram seus pensamentos e estivesse transmitindo-os naquela música – e a pior parte é que o Park sequer podia negar o quanto se assemelhava.

 

Não havia nenhuma dúvida do quanto o sorriso de Baekhyun mexia consigo e estava funcionando ainda mais dessa vez enquanto não conseguia desviar seus olhos dos lábios que se moviam, da maneira como beijavam o microfone que segurava ou como seus olhos insistiam em segui-lo, como se estivessem ávidos por suas reações.

 

Era uma prisão da qual não queria se libertar, percebeu.

 

You're a loaded gun
There's nowhere to run
No one can save me
The damage is done

 

E talvez Baekhyun soubesse que não havia nenhuma escapatória pela qual buscar. Mesmo que tentasse tirar o vocalista de seus pensamentos, mesmo que tentasse dizer a si mesmo o quanto era impossível por não ser ninguém para o Byun, era improvável que se visse longe do enlace daquele sorriso porque o dano já estava feito.

 

Byun Baekhyun funcionava como uma arma carregada e Chanyeol não tinha mais medo de atirar.

 

Ao término do show, Chanyeol já tinha muitas coisas nas quais pensar, principalmente a respeito do que desistira de lutar. Estava há meses tentando fazer sua mente perceber que Baekhyun era só um cantor de quem gostava e não podia passar disso, mas não estava funcionando, por que diabos continuar a tentar? Por que não pegar as indiretas e flertes do vocalista como sendo para si, ainda que fosse um em meio a multidão?

 

Quem iria lhe dizer que não eram? O próprio Baekhyun?

 

Yixing os guiou em direção ao bar do local depois que conseguirem recuperar o fôlego, cansados após tanto tempo pulando em meio à multidão. Estavam ofegantes e suados, mas mais felizes do que se recordavam em muito tempo, então tudo valera a pena. Podiam encerrar a noite com uns bons drinks e depois ir até o hotel onde deixaram o carro estacionado, não muito longe de onde estavam.

 

Estavam livres para curtir a noite só os três e esse era o plano – até que não era mais.

 

“Não olhem muito rápido, mas me digam se o álcool me subiu muito rápido à cabeça ou aquele é mesmo Baekhyun vindo para cá?”, Yerim questionou baixinho.

 

Chanyeol ignorou por completo o aviso da amiga para que fosse discreto, virando o rosto rapidamente na direção apontada. Não havia como se enganar; com o mesmo sorrisinho de canto de quem sabe que tem tudo que quer na palma de sua mão, Baekhyun se aproximava com as mesmas roupas que usara em cima do palco, o que era um trabalho e tanto para a concentração de Chanyeol que não lhe deixava focar muito bem enquanto a regata do mais velho delineava seu torso.

 

“Vejam só se não são nossos convidados especiais”, Baekhyun comentou, sentando-se ao lado de Chanyeol. “Gostaram do show?”

 

“Foi incrível!”, Yerim comentou, animada. “Sério, eu tenho certeza que vocês vão emplacar muitos sucessos quando o álbum sair e eu vou estar lá comprando todos. Vocês são muito bons.”

 

Baekhyun lhe dispensou um sorriso diferente, agradecido. Sua música era muito importante para si e era bom vê-la sendo reconhecida de maneira tão entusiástica. “Vou dizer isso ao resto do pessoal também, é bom ver que gostaram”, respondeu. “Fazia um tempo que não tocávamos em um local assim, desde que começamos com esses shows... Foi bom para ter um gostinho da nostalgia.”

 

“E foi ótimo para a gente que pudemos ver vocês bem mais de perto”, Yixing brincou.

 

Chanyeol ainda não havia dito uma palavra, focado em contornar a boca de seu copo com o dedo, mas a atenção de Baekhyun estava voltada a ele há algum tempo. Yixing e Yerim não demoraram a perceber as intenções do vocalista ao procurá-los, recordando-se de como conseguiram os ingressos para aquele show, e deram a primeira desculpa que pensaram para sumir por um tempinho.

 

O Park ia se virar bem, tinham certeza.

 

Uma vez sozinhos no balcão, Baekhyun se apoiou no tampo de madeira, olhando para o mais novo com um olhar repleto de malícia. Chanyeol se viu obrigado a olhá-lo de volta, surpreendendo-se com a intensidade do olhar que recebeu; era como se o vocalista conseguisse desnudá-lo apenas com o que transmitia em seus olhos.

 

Fazia com que arrepios viajassem por sua coluna e com que suas mãos formigassem, como se a ansiedade não pudesse ser contida em um único lugar.

 

“Foi suficiente para que decidisse um favorito entre nós?”, Baekhyun quis saber.

 

“Eu já tinha um desde o início”, Chanyeol confessou, sem perceber o que estava dizendo, “só... não queria entregar o jogo.”

 

“Então você faz o tipo misterioso?”, Baekhyun retorquiu. “Eu sempre gostei bastante de desafios.”

 

O mais novo engoliu em seco, bebendo um pouco mais da bebida em seu copo até que não restasse nada. Se estava disposto a continuar flertando com Baekhyun e levar aquilo adiante – seja lá o que poderia acontecer –, sabia que precisava de vinte segundos de coragem bêbada para que conseguisse.

 

“Então eu sou um desafio para você?”, perguntou.

 

“Depende”, Baekhyun respondeu. “Eu vi como você não tirou os olhos de mim, não só nesse show, mas no anterior também. Desconfio que tenha feito a mesma coisa em todos que foi, não é?”

 

Fora pego em flagrante, como poderia negar a informação que estava ouvindo? Deu de ombros, como se não se importasse, e esperava que o Byun se vangloriasse disso, mas o riso de Baekhyun o surpreendeu. Não trazia deboche ou escárnio no som, era gostoso de ouvir ainda que fosse baixo e não soubesse exatamente o que significava.

 

“Gostei de você, pivete”, Baekhyun continuou a falar, como se isso não causasse em Chanyeol um turbilhão de emoções para os quais não estava pronto. “Gostei muito de você.”

 

“É... Chanyeol”, o Park se apresentou, percebendo que até então não havia dito seu nome ao cantor.

 

“Mas eu ainda posso te chamar de pivete, não posso?”, Baekhyun o provocou, uma piscadela acompanhando suas palavras.

 

As palavras de Sehun ainda estavam em sua mente sobre não se envolver com fãs, mas Baekhyun estava disposto a mandá-las para o fundo de sua mente naquele momento. Não era tão importante quanto ver a maneira como suas palavras afetavam o rapaz à sua frente, como seus olhos não conseguiam desviar dos seus; Chanyeol não conseguia esconder como o desejo era mútuo e tinha certeza que ainda tinha muito a ganhar com aquilo.

 

Além do mais, por que algo tão bom poderia ser ruim no futuro?

 

. . .

 

Seus olhos ainda não haviam acostumado com a falta de iluminação de onde estavam, mas Chanyeol não tinha isso como uma prioridade naquele momento – não quando os lábios de Baekhyun escorregavam para seu pescoço e suas mãos seguravam tão firme em sua cintura que tinha certeza que deixaria marcas para o dia seguinte.

 

Tudo acontecera muito rápido, a bem da verdade; em um momento, estavam trocando flertes discretos no bar, bebericando de seus drinks enquanto esperavam quem seria o primeiro a desistir e, em seguida, Baekhyun o tinha convidado a conhecer alguns amigos seus que estavam no local. Chanyeol o seguiu, ainda que não entendesse por qual motivo alguém como Baekhyun iria querer lhe apresentar seus amigos.

 

Quando seu corpo foi prensado contra uma parede, em um canto escuro onde não seriam importunados, Chanyeol se questionou como fora tão ingênuo em não descobrir quais eram as intenções do Byun.

 

Não tinha nada contra elas, de qualquer maneira; aceitou os lábios de Baekhyun sobre os seus com avidez, sedento pela sensação que lhe dominaria no momento que o vocalista o beijasse. Estava sonhando com isso há tanto tempo que sequer conseguia acreditar que estava acontecendo, mas resolvera desligar a mente para que pudesse se focar apenas no que estava acontecendo.

 

Byun Baekhyun estava lhe beijando e com muita vontade, Chanyeol precisava ressaltar, e nada mais importava naquele momento além disso.

 

Suas mãos se perderam em meio aos fios do vocalista, encontrando refúgio em seu mullet. Tinha opiniões muito controversas contra aquele corte de cabelo tão popular; não conseguia ver uma maneira em que ficasse bem com ele, mas combinava tão bem com Baekhyun que parecia até mesmo um pecado que algum dia o visse sem usá-lo.

 

Trazia ao Byun a aura de rebeldia que lhe atraiu inicialmente e Chanyeol gostava da sensação que era ter os fios entre seus dedos, de puxá-los suavemente de vez em quando apenas para ver Baekhyun inclinar a cabeça para trás, os lábios entreabertos enquanto sua língua passeava pelo inferior, provocando-o.

 

E Chanyeol não era bem um cara muito forte, então as provocações davam resultado todas as vezes.

 

Não tinha a menor ideia de onde estaria Yixing e Yerim, tampouco de há quanto tempo estava sumido com Baekhyun ou se os amigos estavam procurando por si, mas todas as preocupações sumiam de sua cabeça a cada momento em que o Byun tornava a cobrir sua boca com a dele, recebendo-o em um novo beijo.

 

Havia pressa nos movimentos de Baekhyun, mas também havia paixão na maneira como suas mãos agarravam a carne de sua cintura, como aproximava seus corpos até que pudesse sentir todos os músculos do corpo alheio. Baekhyun era por completo a definição de intensidade e Chanyeol se viu perdido, imerso na imensidão que o vocalista ocupava.

 

E não tinha certeza se conhecia alguma maneira de voltar à superfície.

 

Sentiu o caminho feito pelos lábios de Baekhyun por seu rosto, passando por sua bochecha até que chegasse em sua orelha, onde sugou o lóbulo. Foi impossível conter o gemido em sua garganta e percebeu quando o sorriso de Baekhyun se desenhou contra sua pele, satisfeito pelas reações que conseguia arrancar do mais novo. O Park sabia que esse era o objetivo do mais velho desde o início, mas não conseguia nem mesmo lhe poupar isso.

 

Baekhyun estava lhe apresentando a escada para o paraíso e Chanyeol queria galgar todos os degraus que tivesse acesso.

 

Entretanto, antes que também pudesse se dar conta, o rosto de Baekhyun se afastou do seu. O Byun permaneceu em silêncio, olhando-o com um sorrisinho de canto, como se o desafiasse a dizer qualquer coisa. Chanyeol, por sua vez, buscava apenas arrumar sua respiração acelerada, quem sabe dar um jeito em seu cabelo em outro momento...

 

Naquele em específico, nada importava mais do que saber o que se passava na cabeça do Byun por ter parado.

 

Parte de si se questionava se Baekhyun havia se cansado do que estavam fazendo, se não fora bom o bastante ou só o tinha entediado; parecia óbvio para o mais novo que o Byun tinha vários fãs aos seus pés e com certeza não era o primeiro a estar com o vocalista daquela maneira. O pensamento não lhe incomodava porque era uma recordação de quem era.

 

Era apenas um fã realizado por finalmente ter dado vazão a seus desejos com seu ídolo e nada mais.

 

“O gato comeu sua língua, pivete?”, Baekhyun o provocou, aproximando o rosto novamente o suficiente para que seus lábios roçassem a cada palavra dita. Chanyeol, involuntariamente, aproximou seus lábios para um novo beijo que lhe foi negado.

 

“Eu nunca imaginei isso acontecendo”, Chanyeol respondeu baixinho, suas mãos descansando na cintura do vocalista.

 

“Eu tenho esse efeito mesmo”, Baekhyun piscou, rindo baixo em seguida. “Eu adoraria poder continuar aqui com você, mas preciso voltar para o pessoal da banda ou Sehun vai mandar que me cacem.”

 

Chanyeol abriu a boca para respondê-lo, mas nada saiu por ela, então fechou-a novamente, assentindo em silêncio. Abaixou o olhar levemente, um pouco decepcionado por seu tempo com Baekhyun ter acabado tão rápido, mas sem coragem alguma de dizer qualquer coisa relacionada ao vocalista. O Byun continuou observando-o, percebendo o dilema interior que passava por seu rosto.

 

Chanyeol não era bom em esconder nada.

 

“Você fica tão bonitinho quando está envergonhado, quase me faz continuar aqui com você”, Baekhyun comentou, roubando um último selinho do Park, surpreendendo-o. “Espero voltar a te ver em outros shows de novo. Não digo que isso se repita, mas... Adoraria voltar a vê-lo.”

 

Em seguida, soltou suas mãos da cintura do mais novo, afastando-se com passos lentos e ainda de costas para seu caminho. Chanyeol permaneceu onde estava, ainda absorvendo tudo que havia acabado de acontecer; seus lábios ainda estavam dormentes por todos os beijos trocados com Baekhyun, conseguia sentir cada pedacinho em que as mãos do mais velho o tocaram, e se fechasse os olhos, quase podia senti-lo respirando contra sua orelha de novo.

 

E, em um piscar de olhos, ele se foi novamente.

 

Demorou mais alguns minutos até que saísse de onde estava, disposto a procurar pelos amigos. Já não havia mais nada que fizessem naquele lugar, era melhor que descansassem no hotel antes de pegarem a estrada novamente para casa. Poderia contar para eles quando estivesse mais descansado, ou quando sua cabeça não girasse tanto, ainda pensando em cada momento passado ao lado de Baekhyun.

 

Para sua sorte, encontrar os amigos não foi uma tarefa difícil porque Kim Yerim era uma garota difícil de se perder.

 

“Chanyeol!”, a garota o chamou. “Você sumiu, hum? O que aconteceu?”

 

O Park devia ter previsto a curiosidade de sua amiga; Yerim sabia que o tinha deixado com Baekhyun no balcão e, atrelado a seu sumiço e ao de Baekhyun, não era difícil ligar os pontos. “Baekhyun estava flertando comigo no bar”, respondeu baixinho, como se temesse que qualquer um pudesse ouvi-los. “Nós começamos a beber um pouco enquanto conversávamos, uma coisa levou a outra e... É.”

 

“Não acredito”, Yerim retorquiu, seus olhos espelhando o choque que sentia. “Você e Baekhyun...?”

 

“Não foi nada demais!”, Chanyeol se apressou em responder. “A gente trocou uns beijos em algum canto desse lugar, ele disse que tinha que ir embora e que esperava voltar a me ver em algum show, as mesmas provocações que ele já estava fazendo antes. Não foi... Nada demais.”

 

“E você acha que engana quem dizendo isso?”, Yixing riu. “Vamos embora. Se Baekhyun voltou para a banda, não temos mais nada aqui e você também não. Vai nos contar essa história direitinho quando estivermos no quarto e não rodeados de quem queria estar no seu lugar.”

 

Chanyeol concordou, aliviado por ter ao menos alguns minutos sem que a amiga lhe fizesse um inquérito a respeito dos momentos passados ao lado de Baekhyun. Durante o percurso, teria tempo para pensar em cada instante, rememorar cada momento e saboreá-los novamente, tê-los na ponta da língua como o vocalista esteve.

 

Talvez contar aos amigos fizesse com que as coisas soassem mais reais também, porque, até então, tudo parecia ter acontecido em algum sonho, como um era uma vez, não muito tempo atrás...

 

Não voltaria a acontecer, era óbvio – Baekhyun não parecia ser o tipo de cara que repetiria a dose quando tinha tantas outras pessoas desejando-o, e Chanyeol não acreditava que poderia chamar tanta atenção assim de alguém como o Byun – e, por isso, nada mais justo do que aproveitar as lembranças que lhe foram deixadas, o único souvenir que possuía para provar que Byun Baekhyun estivera entre seus braços uma vez e Chanyeol não hesitara em puxar o gatilho.

 

E Baekhyun se fora – como a alma livre que sempre soube que era.


Notas Finais


E começamos assim! Com 12k de uma vez só, ave maria, alguém me controla. MAS OLHA SÓ ESSE BAEKHYUNNNN eu sou muito apaixonada pelo Baekhyun de mullet e essa pose de rebelde sem causa, não há o que fazer comigo. Espero que vocês também tenham se apaixonado por ele assim como o Chanyeol já tá caidinho~

Espero que vocês tenham gostado!! Qualquer coisa, estou aí embaixo nos comentários para saber o que vocês acharam, vocês também me acham no twitter que é @iambyuntiful e para dúvidas, sugestões, reclamações, críticas ou só para me dar amor nesse período de quarentena, vocês também me encontram aqui: https://curiouscat.me/iambyuntiful <3

Lembrem que, caso vocês queiram entrar no grupo de leitores onde de vez em quando eu mando uns spoilers e a gente bate uns papo massas, é só me mandar uma mp aqui no Spirit ou me mandar uma DM no twitter que eu mando o link de entrada do grupo!! Venham fazer parte da minha constelação de byunitinhos também~ <3

A gente se vê sábado que vem e beijinhos, seeya~ <3


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