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História Heavenly Skies - Capítulo 35


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Notas do Autor


Saint Seiya, obviamente não me pertence.

Capítulo 35 - Capítulo 34.


Hügel – Província dos Rebeldes.

Myrtille estava jogada em um canto do grande salão de pedra. Havia várias pessoas no recinto, inclusive o Rei por direito ao trono de Schwert. Depois que ela e os seus três captores a levaram para lá junto daquela humana, tudo tinha se tornado um caos. Uma elfa muda — algo que a feiticeira nunca tinha visto na vida —, os levou até o líder dos Elfos – Shaka. A feiticeira ficou boquiaberta, afinal já ouvira falar daquele Elfo antes, ela só não tinha associado o nome à pessoa, porém quando ela o viu, soube na hora quem ele era.

Seus longos cabelos loiros estavam presos em uma trança muito bem elaborada, Myrtille podia jurar que de costas, se não fosse pelas roupas do mesmo, ele parecia uma mulher. Estava ao lado de Saga, outro nome que ela conhecia perfeitamente, afinal Darius estava atrás da cabeça dele, assim como Kanon – o irmão traidor. O moreno, sim ele era bastante moreno, Myrtille nem sabia que ele era assim tão bonito, sabia que ele era igual ao Kanon, já que os dois eram bastante parecidos, mas Kanon era branco, já o irmão tinha a pele queimada de sol, bastante agradável aos olhos da feiticeira. Sua pele combinava perfeitamente com os cabelos loiros dele.

Ela não pode deixar de notar a cor dos olhos dele, um azul límpido, perfeito. Pena que as suas roupas não chegavam nem perto das dos Elfos ou das dos anões que estavam ali no recinto também. Isso deixou a feiticeira triste, porque se ele vestisse roupas elegantes, mostraria para ela que o mesmo possui ouro e, logo ela poderia quem sabe pensar em roubá-lo quando saísse de fininho daquela situação? Entretanto, talvez o reizinho fizesse o estilo “Sou do povo!”, então obviamente ele não usaria roupas finas. Sua mente trabalhava com agilidade, enquanto os seus belos olhos analisavam ainda mais as pessoas que estavam ali presentes.

Myrtille não pode deixar de notar duas meninas, uma usava longas mangas, não deixando nenhuma parte de seu corpo a mostra. Será que tinha lepra? A feiticeira fez cara de nojo e definitivamente colocou em sua mente que manteria distância dela. A segunda parecia uma menina normal, mas ai é que mora o problema. Essas meninas de hoje em dia são muito suspeitas, você tem que desconfiar.

Ah! Outro rosto conhecido no meio da multidão. Bem perto de Saga, não tão perto, mas próximo o suficiente, encontrava-se Yúrah. Era uma feiticeira tão boa quando Myrtille, claro que Myrtille era superior, apesar daquela mulher ser mais velha e mais vivida que ela, mas isso é um mero detalhe. Se aquela mulher estava ali, significava que uma guerra estava para ser travada. Muitos rostos conhecidos e bastantes polêmicos juntos. Ao lado dela três figuras com uma expressão estranha. Estavam pálidos e pareciam doentes, ou aquele tipo de pessoa que acabou de tomar um medicamento de ervas puxado e já acha que pode ficar de pé.

Um deles estava com a expressão rígida e seus olhos não paravam de analisar tudo a sua volta, já o outro parecia estar ali contrariado, queria mesmo era estar em outro lugar e, o último bem parecido com o primeiro — na certa eram irmãos, não parava de encarar a Elfa e o outro Elfo nojento.

– Eveline. – Shaka caminhou até a loira. – Fico feliz em ver que conseguiu chegar até sã e salva.

– Eu não teria conseguido sem Dohko e Shion. – Disse a loira com um leve sorriso. – Não esperava que o Senhor chegasse primeiro que a gente.

– Eu também não, criança. – Shaka lançou um olhar enviesado para a feiticeira que estava em um canto afastada sendo mantida presa por Estelil e alguns humanos. – Quem é a feiticeira?

– Myrtille. – Eveline a olhou e fez um gesto para que Estelil a trouxesse para perto. – Ela entrou em nosso caminho, creio eu que seja por acaso, mas estava planejando roubar-nos.

Saga que até então estava apenas observando Shaka resolver seus assuntos pessoais com o seu povo, não pode deixar de escutar a conversa. Uma ladra em Hügel? Aquilo não era um bom presságio.

– Nós a trouxemos conosco para que o nosso Rei. – Eveline fez uma mensura para Saga. – Possa resolver este problema, entretanto. – Eveline tornou a olhar para a feiticeira. – Gostaria de acrescentar que ela foi de grande ajuda, afinal a mesma nos ajudou a salvar a vida de uma humana.

– Uma humana? – Saga caminhou até os dois Elfos. Seus olhos azuis não deixavam de analisar a feiticeira dos pés a cabeça. – Está me dizendo que está ladra. – Ele apontou para a mulher. – Ajudou vocês a salvarem a vida de uma humana? – Saga compreendeu o que a Elfa tinha dito, ele só não conseguia entender o porquê da feiticeira ter ajudado.

– Eu estou bem aqui, não precisam fingir que eu não existo. – Myrtille disse ligeiramente entediada. – Eu conheço o rosto de algumas pessoas que estão nesse… –Ela olhou ao redor avaliando o lugar. – Neste rústico aposento.

– Você trabalha para Darius, feiticeira? – Saga foi até ela em um rompante. – Trabalha para o traidor?

– Eu?! – Myrtille fez cara de ultraje. – De jeito nenhum.

– Não minta para o rei, mulher. – Aiolos já estava ao lado de Saga. Sua mão estava no punho da espada. – Não toleramos mentirosos e traidores aqui!

– Não estou mentindo. – Myrtille observou a mão grande e queimada de sol no punho da espada. – Nunca trabalhei para Darius. Nunca estive em Schwert.

– Não brinque…

– Basta, Aiolos! – Saga ergueu a mão interrompendo o amigo. – Se ela estiver mentindo nós saberemos.

– Vai pedir ajuda aos Elfos para entrarem na minha mente? – Quis saber a feiticeira. – Se for isso, está perdendo o seu tempo, eles já vasculharam tudo aqui dentro.

– Não. Não serão os Elfos a fazer isso, e ninguém entrará em sua mente. – Saga disse calmamente.

– Essa mulher não me é estranha. – Falou Aiolos ainda sem tirar os olhos de Myrtille.

– Você acha que a conhece? – Perguntou Saga.

– O rosto dela me é bastante familiar.

– Eu não te conheço. – Disse a ruiva. – Se eu visse um homem tão feio quanto você, com certeza eu me lembraria. – Mentiu a feiticeira.

Aiolos arregalou os olhos com aquela declaração. Um leve sorriso se formou nos lábios de Saga, algo bem pequeno mais não passou despercebido aos olhos da ruiva. Saga pigarreou para o clima tenso que havia se formado dá uma amenizada.

– Shaka, sei que Eveline e Dohko são seus amigos, mas gostaria de avaliá-los também. – Saga pediu gentilmente ao loiro. – Não quero favorecê-los, todos que entram em Hügel passam por esta pequena etapa.

– Eu sei. – Respondeu o líder dos Elfos. – Até mesmo eu passei por isso.

– O que? – Perguntou Eveline. – Que avaliação?

– Shaka, do que ele está falando? – Dohko também queria saber respostas.

– Não é nada de mais, é apenas um modo preventivo. – Assegurou-lhe o loiro.

Eveline olhou de Saga para Shaka e escondeu qualquer tipo de emoção que estivesse sentindo naquele momento. Sua tarefa era a mais difícil de todas e eles ainda duvidavam dela. Ao seu lado Dohko pareceu desconfortável, mas também não expressou qualquer tipo de sentimento.

– Ayala. – Saga a chamou.

Myrtille não pode deixar de encarar a menina. Era a leprosa, quem sabe né?! Os cabelos estavam soltos e caiam como ondas pelas suas costas. O loiro era quase um dourado, suas pontas eram ressecadas e precisavam de um corte urgentemente. Era apenas uma menina magra, branca e bastante insegura. Seus olhos estavam voltados para o chão, como se ela não quisesse estar naquele lugar. Trajava um longo vestido branco, suas mangas eram compridas e marcando a sua cintura um bordado delicado em dourado.

Ela chegou próximo o bastante de Saga, mas mantendo o cuidado de não tocá-lo. Saga sorriu para ela com carinho. Disse alguma coisa somente para ela, o que fez a jovem esboça um leve sorriso. Aiolos fez uma breve reverência para Saga e Shaka e se retirou. O moreno foi se juntar ao irmão e o amigo. Camus ainda estava meio pálido, mas já sentia as suas forças voltando aos poucos e Aiolia que era o único que só tinha se ferido levemente estava recuperado.

– Chegue mais perto, feiticeira. – Saga exigiu.

Myrtille que estava um pouco afastada do grupo caminhou com a ponta de uma lança em suas costas. Estelil deixou o soldado de Saga a guiá-la, assim ela poderia voltar para o seu lugar de origem, ao lado de Shaka. Myrtille sentia o objeto perfurante lhe cutucar as costelas, ela lançou um olhar azedo para o seu carcereiro e caminhou um pouco mais rápido a fim de não sentir mais aquela lança em suas costas. Ficou a um metro de distância de Saga. A ruiva pode constatar que ele era mais bonito ainda de perto.

– Está bom aqui? – Ela perguntou com ironia.

Saga ignorou a pergunta da ruiva e fez um gesto para que Ayala se aproximasse. A menina podia ver a áurea de cada um ali. Ela sabia que a Elfa estava com os ovos de dragão, além da áurea dela, ela via mais três atrás da loira. Direcionou seu olhar a ruiva e percebeu que aquela mulher não era uma simples feiticeira, ela podia sentir que Myrtille sabia perfeitamente controlar a sua magia e usá-la perfeitamente, apenas observando.

Myrtille era o tipo de pessoa que Ayala considerava confiante e corajosa. Ela era alta, branca e com longos cabelos ruivos. Estavam soltos a não ser por duas tranças, uma em cada lateral da cabeça onde se encontravam atrás, mantendo os cabelos no lugar. Ela era ruiva, sua raiz era de uma tonalidade bastante escura, porém conforme os fios iam crescendo, a cor ia clareando até ficar um loiro, quase dourado nas pontas. Seus olhos azuis são claros quase esverdeados, são desafiadores e bastante desconfiados.

Myrtille não gostou de ser analisada por aquela criança. Os olhos castanhos claros dela, quase mel subiam e desciam pelo seu corpo. A Feiticeira se sentiu invadida. Ayala ergueu a mão e Myrtille deu um passo para trás, algo involuntário. Sentiu a lança lhe cutucar nas costas de novo. Virou a cabeça e lançou outro olhar azedo para o soldado. Ayala não pode deixar de notar que a áurea dela mudava toda hora. Era uma mistura de vermelho, marrom, lilás e azul. O que mais se sobressaía era a cor lilás. Ayala sabia que essa cor poderia ser três coisas. Benevolência, intuição apurada e busca existencial.

Ela tinha um palpite sobre o que era, mas só saberia quando realmente a tocasse. Myrtille não sabia o que fazer se erguia o braço também ou se esperava a menina tocá-la. Saga revirou os olhos para aquela situação. Olhou para Myrtille e fez um gesto com a mão para que a ruiva entendesse de que ela tinha que ergue o seu braço para Ayala tocá-la.

– Que coisa! Até isso eu tenho que fazer. Espero não pegar Lepra. – Resmungou a feiticeira erguendo o braço em seguida.

Ayala olhou o braço estendido da mulher e hesitou. Ela não queria tocar ninguém, nunca quis. Respirou fundo e tocou a ruiva.

Passado

Eu disse para você não mexer ai, Myrtille. – Cerise brigava com a irmã mais nova.

Por quê? – Quis saber a pequena.

Porque essas ervas são perigosas. – Cerise sabia que se alguma erva daquela entrasse em contato com o corpo da irmã, poderia lhe causar algum problema na pele grave. – Fique longe dessas ervas, e vai varrendo a loja para mim, mas tarde eu te explico o porquê de você não poder mexer nelas!

Sempre mais tarde! – Resmungou a ruiva.

O céu estava escuro e uma tempestade ameaçava cair. Myrtille já era grande o suficiente para poder tomar conta de si própria. Sua irmã agora construíra uma família, não precisava mais dela, e Myrtille queria mesmo era conhecer o mundo. Desde a morte dos seus pais que a sua irmã vinha tomando conta dela e ensinando tudo sobre magia. Aprendeu o básico e agora queria colocar em prática. Deixou um bilhete para a sua irmã e foi embora, levando apenas alguns pertences.

Roubar dos ricos para se sustentar sempre foi o seu lema. Conheceu o mundo todo, andou por todos os lugares e viu muitas coisas com os seus próprios olhos. A terra antigamente era propícia para o cultivo, hoje em dia era completamente diferente, nem mesmo a magia conseguia fazer com que o solo mais fértil prosperasse. Em suas andanças pelo mundo esbarrou em um grupo de soldados. Eles não eramos soldados do exército do traidor. O que era uma pena, assim ela não precisaria medir as suas forças, os mesmos sempre quiseram matá-la já que a mesma nunca quis jurar lealdade a Darius.

Esperou que eles dormissem para poder roubá-los. Não foi fácil, mas também não foi difícil. O problema foi quando estava terminando o serviço. Um homem alto, forte e moreno estava lhe encarando com um jeito bastante ameaçador. Ele era bonito apesar de tudo. Seus músculos eram bem definidos e seu cabelo castanho claro combinava perfeitamente com a tonalidade da sua pele. Estava com a espada em mãos e um sorriso.

Como ousa roubar o Rei?

Rei? – Myrtille cuspiu ao dizer a palavra no chão. – Darius não é rei de nada.

Não me refiro ao traidor e sim a Saga.

Por aquilo ela não esperava, não sabia que tinha ido assaltar justamente os soldados dos Rebeldes.

Futuro

Myrtille sentia o sangue se esvaindo de seu corpo, olhou para o lado e ficou feliz em saber que, pelo menos, ele estava a salvo. A espada de Reganna transpassou o seu abdômen. A ruiva segurou o braço da feiticeira e estava disposta a morrer para matá-la, afinal ela já estava morrendo. Sentiu dor, muita dor quando olhou para o céu e viu Thorin cair no meio dos soldados.

Ayala se afastou e começou a se tocar para ver se estava sangrado, assim como Myrtille que parecia atordoada. Sua testa estava ensopada e seus cabelos vermelhos estavam agarrados contra o seu corpo. Saga segurou o braço da feiticeira, para mantê-la em pé. Aiolos já estava ao lado de Ayala e conversava com a menina gentilmente. Ele nunca era gentil, mas tratava tanto ela quanto Heide com carinho. Assim como ele, Heide correu para ajudar a amiga. Em suas mãos um copo com água, e um pano de seda que esfregou gentilmente na testa da amiga.

– Você está bem? – Perguntou Saga soltando à feiticeira que já tinha se estabilizado e olhando para a jovem amiga.

– Não. – Falou Myrtille.

– Não estou falando com você! – Disparou o loiro. – Ayala, você está bem?

Myrtille trincou os dentes e tentou parar de tremer. Ela primeiro queria entender que visão foi aquela que ela teve e depois ela dava um jeito no sujeitinho

– Sim. – Disse após beber um gole de água.

– O que você viu?

– Passado e futuro. – Respondeu a jovem. – O passado não tem nada de mais, a não ser que ela roubou a gente. Mas esse não é o ponto principal, ela nunca jurou lealdade a Darius e o odeia tanto quanto qualquer um.

Saga olhou da amiga para a feiticeira.

– E o futuro? – Quis saber.

– Saga. – Ayala olhou para o amigo com carinho. – Essa mulher é fundamental para os Rebeldes. Ela lutará contra Reganna e talvez seja ela quem a mate.

O salão que antes estava quieto começou a se encher de burburinhos. As pessoas cochichavam umas com as outras e olhavam para a feiticeira como se ela não fosse capaz de tal ato. Saga também parecia incrédulo, mas ele nunca deixava de acreditar em Ayala, tudo o que ela via se concretizava.

– Tem certeza? – Perguntou mais uma vez o loiro.

– É claro que ela tem certeza! – Disparou a ruiva. – Ela só não mencionou que eu levo uma espada e que um Dragão cai no meio do seu exército!

– Dragão? – Saga olhou da ruiva para a amiga. – O que é isso, Ayala?

– Eu vi um Dragão. Ele não era negro como o de Darius, era azul. Estava sobrevoando a guerra e ajudando os rebeldes, mas logo depois ele cai no meio do exército como se estivesse morto. Eu realmente não compreendo. – Disse a menina.

– Como assim Dragão? – Quis saber um anão que estava ao lado de Camus. – Que Dragão seria esse? Darius tem mais Dragões?

– É! – Falou outro anão. – Não sabemos de nenhum Dragão além de Wegor!

– Esse Dragão está lutando ao nosso lado. – Falou Aiolia. – Vocês não ouviram Ayala falar. Ele está nos ajudando.

– Como? Se não há nenhum ovo de Dragão. – Falou outro anão.

– Silêncio! – Exigiu Saga. – Sobre isso conversaremos depois em outro lugar e em um momento mais propício!

As pessoas calaram-se e confirmaram com as cabeças.

– Laurent, leve Myrtille para o calabouço até que eu saiba o que fazer com ela.

– Sim, Senhor. – Laurent empurrou Myrtille que mais uma vez lhe lançou um olhar azedo e foi guiando a feiticeira até a saída em direção ao calabouço.

– Saga, depois espero poder dar a minha opinião sobre esta feiticeira. – Disse Shaka que até então tinha se mantido calado, apenas observando.

– Sim, caro amigo. – Saga afirmou com a cabeça e direcionou seu olhar para Dohko. O Elfo entendeu que era a vez dele e deu um passo a frente. - Ayala, pode continuar.

Dohko ergueu o braço relutante, mas assim como a feiticeira ele também teria que passar por aquela etapa, se Shaka tinha feito aquilo ele seria capaz também. Chegou mais perto da jovem e estendeu a mão na direção dela. Ayala esboçou um leve sorriso para ele antes de tocá-lo. Ela sabia que ele era uma pessoa boa só de olhar a áurea dele. Azul, lilás e até mesmo uma ligeira áurea branca, bem fraca. Sem mais delongas ergueu a mão e o tocou.

Passado

Silverseed estava sendo atacada por Orc e humanos a mando de Darius. Era a primeira vez que Dohko via a sua floresta queimar. Depois de longos anos sendo impenetrável, os Orcs conseguiram realizar aquilo que eles tanto queriam. Em sua cabeça a única pessoa que não podia estar sozinha naquele lugar era ela. Apesar de ele ter certeza de que a mesma podia tomar conta de si própria. Gillius e Aldebaran – os dois Anõestravavam a sua própria batalha naquela floresta, vencer o seu maior inimigo – Skargath. Se eles ganhassem do líder dos Orcs, os seus soldados esmoreceriam e os Elfos conseguiriam voltar a ter o controle de Silverseed.

Os irmãos Thunderhead estavam partindo de Silverseed, o que era uma grande tristeza. Eles viveram por um bom tempo ao lado dos Elfos e Dohko passou a valorizar aquela amizade que acabou conquistando com os dois e ele não podia deixar de pensar que sempre que Deba e Gillius estavam por perto, Eveline sorria mais. A despedida foi como todas as outras, triste. Até mesmo Galadriel ficou abatido com a partida dos dois, entretanto quem mais sofreu foi ela. Dohko sabia que Eveline amava os irmãos, eles lhe ensinaram tudo sobre o mundo que ela nunca poderia ver.

Dohko não imaginava que aquilo poderia acontecer, ela perdera parte de sua memória, apenas fragmentos de um tempo que jamais voltaria ficaram em sua mente e ele teve o azar de ser apagado completamente de sua vida. Sentiu inveja dos Thunderhead, inveja de Galadriel e até mesmo de Shaka. De todos os Elfos de Silverseed ela só se lembrava deles e Shaka queria manter as coisas do jeito que estava. Dohko sabia que mexer na mente de qualquer ser vivo e tentar modificá-la poderia piorar o problema. Era uma pena que ela tenha partido para este caminho.

Futuro

Eu não consigo. – Disse o moreno ao mesmo tempo em que tentava controlar as suas emoções. – Mais uma vez eu a perdi.

Eu sinto muito, Dohko. – Shion realmente sentia pelo amigo, mas agora as coisas eram diferentes, eles teriam que matá-la. – Você foi ver o Gillius?

Não tive coragem de encará-lo. – Respondeu Dohko. Seus lábios estavam machucados por causa da guerra e ele sentia que a sua clavícula estava deslocada. – Nunca mais serei capaz de olhá-lo nos olhos. A culpa é minha!

Shion olhou para o céu escuro, as estrelas brilhavam mais naquela noite, elas estavam livres da maldade que assolava a terra. Seus olhos se encheram de lágrimas, lágrimas que a muito tempo não rolavam pelo seu rosto perfeitamente branco.

Você o mataria? – Ele perguntou para a Elfa. – Você o mataria, Eveline?

Porque você não desiste? – Ela perguntou controlando a dor em seu peito. – Porque todos vocês não desistem?

Nunca! – Ele nunca esteve tão certo daquilo. – Nunca irei te deixar, nunca!

Pois devia, porque eu já o deixei

Dohko sentiu Ayala se afastar de seu corpo. Ele não compreendeu o que realmente aconteceu. Ele viu o que a menina viu, viu passado e supostamente o futuro, afinal ele tinha total certeza de que o futuro podia ser mudado e ele esperava que esse futuro ao qual teve acesso, não se concretizasse nunca. Ayala o encarou triste. Ela sempre se perguntava por que aquele que possuí um bom coração tem que ter uma vida sofrível? Ela sentiu pena dele. O que ele almejava desde o primeiro momento em que a viu nunca poderá se concretizar porque o destino daquela Elfa dependia somente dela, e pelo que Ayala pode visualizar o caminho dela seria marcado com sangue.

Dohko fez uma pequena reverencia para a menina e se afastou, deixando ela, Saga e Eveline sozinhos. O moreno queria ficar um pouco só, precisava colocar os seus pensamentos no lugar e tentar entender o que tinha visto. Agora era a vez da Elfa. Eveline estava com os ovos de Dragão ainda, então não soube exatamente o que fazer, até Shaka fazer um sinal com a cabeça para ela indicando que tudo ficaria bem.

“Nós fecharemos a nossa mente para ela, Eveline. Não se preocupe.” Falou uma voz firme em sua mente. A loira se sentiu mais tranquila e deu dois passos a fim de ficar mais próxima de Ayala.

– Tudo bem, não tem que ficar preocupada. – Disse Ayala. – Tudo vai ficar bem.

– Eu confio em você. – Respondeu a loira.

Eveline levantou a mão e Ayala fez o mesmo, assim as duas se tocaram.

Passado

As pequeninas mãos da loira seguravam com força o arco e Flecha. Seus longos cabelos loiros estavam soltos e completamente bagunçados. Ela puxava com força a flecha, queria acertar o alvo. Respirou fundo e soltou. O tiro foi certeiro, bem no alvo. Eveline sorriu e correu para contar a sua mãe.

Viu só o que eu fiz! – Ela circulava uma Elfa esguia e bela. – Viu só mamãe!

- Eveline, você não deveria aprender a lutar como os homens, você é uma dama. Tem que se portar como tal.

O céu em Silverseed estava claro, como todos os outros dias. Galadriel se olhava na margem de um rio enquanto Eveline treinava com seu Arco e Flecha. A elfa estava mais bonita, maior e mais velha. Seus cabelos estavam presos em uma trança embutida e seus belos olhos azuis estavam focados no alvo a sua frente.

Sua mãe quando ainda era viva odiava vê-la assim! – Falou o amigo ainda se admirando no rio. – É por isso que eu amo tanto você, você ama quebrar regras!

Eveline soltou a flecha e mais uma vez pode constatar que acertara o alvo. Suspirou e voltou a sua atenção para o amigo.

Minha mãe esperava muitas coisas a meu respeito, inclusive ela queria que eu me cassasse com você!

Sério? – Agora Galadriel a encarava assustado. – Sério mesmo?

Sério. – Respondeu a jovem. – Ela não sabe que você é meu irmão!

Realmente, ela não sabe disso. – Ele falou sorrindo.

Seu coração estava triste, ela não queria ver seus amigos partirem, mas aquela não era uma decisão dela, e sim deles. Gillius e Aldebaran lhe ensinaram muitas coisas, e permaneceriam em seu coração. Beijou os pelos de Munin e Hugin e fez o mesmo com cada anão. Ficou surpresa quando Gillius lhe pediu três fios de cabelo, mas não o negou. Deu-lhe de coração e depositou ali a sua amizade, ela esperava que nem o tempo pudesse apagá-la.

Você não deveria ter desobedecido as ordens de Shaka. – Gritou Galadriel. – Você sabe o que isso significa?

Eu sei muito bem o que eu quero fazer da minha vida! Não me venha você, logo você que nunca fez nada da vida, nunca ajudou ninguém, nem se quer aos de sua própria espécie me dizer o que é certo e o que é errado!

Você não pode ir!

É você quem vai me impedir?

Futuro

Jure lealdade a mim. – Darius sorria para a Elfa. – Se o fizer a deixo viver.

Minha lealdade pertence a Saga. – Eveline o encarou. Seus olhos azuis não deixavam os dele. – Mate-me!

Senhor, talvez se nós a torturássemos. – Sugeriu Kanon.

Não diga asneiras, Kanon. – Reganna estava ao lado de Darius. – Esta Elfa merece a morte, foi ela quem levou os ovos para os rebeldes.

Eu não sabia que você seria capaz de fazer o que eu mandei. – Darius estava sentado em seu trono. – Você é a minha serva mais leal!

Reganna emburrou a cara e fechou os punhos. Sentia ódio daquela mulher, queria matá-la, se não fosse por ela seus planos teriam dado certo e Saga estaria morto.

Eu sigo as suas ordens, meu senhor. – Eveline estava ajoelhada, seus olhos azuis estavam voltados para o tapete vermelho, mas ela podia sentir o cheiro de sangue, sangue que jamais sairiam de suas mãos.

Ayala sentiu seu corpo ser lançado para trás assim como Eveline. As duas caíram no chão e começaram a se debater. Eveline não conseguia abrir os olhos, sua mente estava presa nas imagens que Ayala viu. Sangue, sangue em suas mãos, sangue de alguém especial. Ela matou alguém que amava alguém que era próximo dela. Por quê? Por que ela estava trabalhando para Darius? Bem ao longe pode escutar a voz de Shaka lhe chamando, sentia a mão do loiro em sua testa. Ele estava falando na língua antiga. Seu corpo relaxou e mais uma vez ela era dona dele.

– Eveline? – Chamou o Elfo. – Eveline.

Seus olhos azuis se abriram devagar, primeiro ela viu os olhos verdes de alguém, eles estavam muito próximos dela, depois a pessoa se afastou e finalmente os olhos azuis de Shaka foram vistos. Alguém a ajudou a se sentar. Ela notou que era Dohko, assim como notou que os olhos verdes de antes eram dele.

– Como está Ayala? – Ela perguntou assim que começou a enxergar melhor. – Como está a menina?

– Yúrah e Aiolia estão tomando conta dela. – Falou Shaka. – Como você está?

– Me sinto meio tonta, mas estou bem. – Respondeu a loira tentando se levantar. – O que foi que aconteceu?

– Não se levante. – Dohko a forçou a ficar no chão. – Você perdeu bastante energia.

– Por quê? – Quis saber a Elfa – Porque isso aconteceu comente comigo?

– Não sabemos. – Disse Shaka.

Saga que estava ajoelhado ao lado de Ayala parecia nervoso e assustado. Nunca tinha visto nada parecido. Em apenas alguns segundos as duas se tocaram e logo depois uma faísca saiu por entre as mãos delas as jogando com força para trás. Algo muito ruim estava para acontecer, ele sentia isso na pele.

– Como ela está? – Perguntou Saga para Aiolia. – Por que ela não acorda?

– Ela se fechou. – Respondeu Yúrah. – Já vi muitos casos como este. Quando a pessoa recebe uma carga muito forte, ou vê algo que não estava preparada para vê, ela se fecha em seu próprio mundo.

– O que você quer dizer com isso?

– Ela quer dizer, que Ayala só acordará quando ela quiser. – Respondeu Aiolia triste. – Eu sinto muito, meu Rei.

Saga encarou o rosto dos dois feiticeiros esperando que os mesmos falassem que aquilo era uma brincadeira de mau gosto, mas Aiolia nunca brincaria com uma coisa dessas e Yúrah não era o tipo de pessoa que pregava peças nos outros. Saga se levantou e foi até Eveline. A Elfa estava mais branca do que o habitual, seus olhos claros estavam meio sem vida e ele ainda podia notar que o corpo magro dela ainda tremia levemente.

– O que foi que vocês viram? – Ele perguntou sem rodeios.

– Vimos o meu passado. – Respondeu Eveline com uma mão na cabeça. As imagens estavam indo embora conforme ela ia recuperando as suas energias. – Gillius e Aldebaran, na guerra em Silverseed. Galadriel comigo quando era mais nova. – Só em mencionar o nome do amigo, sentia o seu coração aperta. Onde ele está? – Depois eu acho que nós vimos o futuro. Eu estava no chão de frente para Darius.

– Darius? – Shaka olhava a elfa com os olhos arregalados. – Onde?

– Schwert. – Respondeu Eveline. – Eu vi Wegor, ele estava atrás do trono. Também vi Kanon e Reganna. Darius queria que eu jurasse lealdade a ele e eu disse que não.

– Como você foi parar em Schwert? – Exigiu saber Saga.

– Não sei, mas lembro-me de estar de pijama. – Respondeu a loira. – Acho que o acampamento foi invadido.

– Impossível! – Gritou um anão. – Ninguém nunca conseguiu invadir Hügel!

– Tem certeza? – Perguntou Yúrah. – Pelo que eu saiba, temos uma mulher na enfermaria. Não foi a própria Bennetti quem a achou? Ela conseguiu entrar em Hügel por Bones.

O anão ficou calado. É claro que a feiticeira tinha razão. Uma mulher chegara a Hügel através de Bones e eles nem sabiam quais eram as intenções dela, apesar de Yúrah dizer a Saga que a mulher trabalha para Darius. O anão não confiava nos feiticeiros e muito menos nos Elfos, eles só permitiram a entrada dos outros povos, por causa de Saga, legítimo rei de Schwert.

– Talvez a elfa vá para Schwert por que quer! – Disse outro anão.

– Isso mesmo! – Falou outro. – Os elfos não são confiáveis! Olha o que ela fez com está criança!

– Os Elfos são meus convidados. – Saga disse firmemente. – Eles não irão me trair.

– Como pode ter tanta certeza disso? – Quis saber um anão barrigudo e careca.

– Eu confio a minha vida a eles. – Rebateu o Rei.

– Eles são perigosos! – Disse outro anão.

– Vocês estão duvidando da minha palavra? – Saga se empertigou e dirigiu o seu olhar aos anões que estavam no fundo do salão. – Vocês duvidam de mim?

– Não. – Respondeu o líder dos anões que até então tinha se mantido calado. – Eu lhe dei a minha palavra também Saga. Hügel estará com as portas abertas para todos os povos que jurarem lealdade a você. – O anão olhou para os seus irmãos com um olhar irritado e caminhou até saga. – Nós confiamos nas suas palavras, entretanto confie na minha. Hügel não será invadida por ninguém a partir de hoje.

– Eu confio em você, Torrad. – Saga acenou com a cabeça e mensagens foram entendidas através dos olhares que os mesmos trocaram.

– Saga, vou levar Eveline para o nosso acampamento para que a mesma descanse. Se ela se lembrar de mais alguma coisa, serei o primeiro a lhe informar. – Shaka fez uma reverência. – Logo mais nós conversaremos sobre aquele outro assunto. – Shaka disse com a voz baixa, quase um sussurro, alto o suficiente apenas para Saga escutar.

– Passe na sala de estudo mais tarde. – Disse o loiro. - Estarei com Camus fazendo o planejamento de Hügel. Quero este lugar bem protegido.

– Como quiser. – Respondeu Shaka. – Dohko, ajude Eveline e me passe um relatório completo da viagem de vocês.

Os Elfos se retiraram do salão e alguns anões lhes lançaram olhares enviesados. Saga ordenou que o resto voltasse a fazer os seus afazeres e pediu para que Yúrah e Aiolia fizessem de tudo para ajudar Ayala. Heide que até então estava parada ao lado de Aiolos, sentiu as pernas ficarem bambas e antes que seus joelhos tocassem ao chão, Aiolos a segurou. A menina estava abalada pelo que tinha presenciado. Estava preocupada de que a amiga não acordasse jamais.

Saga suspirou cansado e foi ver se Heide estava bem. Conseguiu esboçar um sorriso para a jovem e lhe dizer que tudo ficaria bem, beijou a testa da menina e pediu para que Aiolos a levasse também para a enfermaria, a menina parecia mais pálida do que o habitual. Quando todos saíram do salão e só restou ele. O moreno sentiu as suas pernas falharem e seus joelhos cederem. Ajoelhado levou as mãos a cabeça e inspirou e expirou profundamente.

– Seja o que for que estiver para acontecer, que os deuses nos protejam. – Falou enquanto sentia todos os seus músculos tensos.



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