História Hector, - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cartas, Drama, Originais, Sentimentos
Visualizações 15
Palavras 1.338
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lírica, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OI GENTE EU CUMPRO MEUS HORÁRIOS SIM q

Sem avisos, então... boa leitura!

Capítulo 2 - Segunda Carta


Carta de número dois.

Hector,

 

Contra todas as minhas expectativas, continuo com a necessidade de escrever. Talvez eu devesse tentar algo diferente. Uma história em quadrinhos expressaria melhor as minhas emoções, mas adivinhe, meu confuso coração não para de acreditar que as cartas carregam mais sentimento e que o meu estilo se adequa à caneta tinteiro que nunca tive coragem de usar até agora e ao papel que eu mesma transformei em pergaminho.

Me lembro de você chegar mais cedo após algumas semanas do início das aulas. Jogávamos bolinhas de papel no lixo à distância e você sempre ganhava. Jogávamos o jogo da velha, da forca e desenhávamos no quadro branco porque os professores esqueciam os lápis na sala. Você dividia seu lanche comigo antes da hora, e conversávamos sobre coisas aleatórias. Eu adorava. Parecia que toda a preocupação e insegurança sumiam.

Mas você se lembra do começo? Não adianta perguntar, não é como se você fosse responder. Lembro-me que sequer nos falávamos e eu ignorei sua existência antes que você se aproximasse. Dois novatos naquele ano, e você era um deles. Já possuindo um círculo de amigos e não precisando de mais nenhum, por que eu falaria contigo?

E sempre quis saber o motivo de você ter se aproximado. Não combinávamos nem um pouco, com você tentando se tornar popular e eu querendo o mínimo de atenção possível... mas é como dizem, “os opostos se atraem”. Tão clichê quanto um amor adolescente não correspondido, mas tão inacreditável quanto escrever cartas por causa disto.

“Eu não quero ser visto contigo em público”. Aquelas palavras doeram para mim, e me desculpe por sempre bater na mesma tecla, mas ainda me sinto envergonhada por saber disto. Não te perguntei por quê, ou se perguntei, não lembro da tua resposta, mas sempre quis saber o que havia de errado comigo. Afinal, eu o fazia passar vergonha na frente dos outros? Era minha teoria, que nunca pude confirmar.

Deixei de falar com você por birra – e agora descobri que por ter quebrado meu coração dizendo aquilo – e lembro da sua preocupação em me perguntar por que eu estava tão distante. Quis perguntar, outra vez, o que havia de errado comigo, mas não o fiz. E aquela foi a primeira vez em que você dividiu seu lanche comigo. Disse-me que o açúcar faria eu me sentir melhor e não errou. Aquele bolo era delicioso, mas sequer lembro de que sabor era.

Eu fiquei tão feliz quando começamos a agir como amigos de verdade, e não conhecidos educados. Antes eu me convencia de que não era necessário mais um, mas ter você mesmo que por alguns minutos antes das aulas começarem era realmente satisfatório. Se bem que, quando minha melhor amiga chegava eu costumava conversar com ela e você ia embora, procurar seus amigos.

Há algum tempo me perguntei se você não me via simplesmente como uma distração antes de começar seu dia, mas espero que não. Eu nunca pensei em ti assim, mas se for o caso... Então espero ter feito bem o meu trabalho. Na maioria das vezes era você quem contava histórias, era você quem me fazia rir, e não o contrário. Simplesmente ao suspirar de tédio e sentar na cadeira ao meu lado, eu conseguia sorrir. Então você sorria também, e ficávamos em um silêncio acolhedor até que alguém nos atrapalhasse.

Mas, de qualquer jeito, esta é a minha visão sobre os momentos. Talvez você tenha simplesmente me visto com fome e dito qualquer coisa para que eu não começasse a reclamar de qualquer coisa para você. Talvez você ficasse em silêncio porque seria inútil dizer algo a alguém como eu. Talvez você tenha se arrependido de tudo o que fez por mim.

E eu lembro, por nenhum motivo em especial, do dia em que você chegou na sala e eu estava de cabeça baixa. Não lembro se te cumprimentei ou se permaneci quieta, mas lembro de você dizendo que tinha algo para nós. Eu levantei a cabeça e olhei para os lados, percebendo que era realmente comigo que estavas falando.

Eu deveria interpretar ou apenas contar?

Com um pacote de biscoito, você se sentou mais uma vez na cadeira ao meu lado, que era ocupada pela minha melhor amiga no horário de aula. Era de chocolate branco, e eu adoro chocolate branco. Mas não tinha como você saber disso, então fiquei quieta enquanto você abria o pacote e eu já tinha um sorriso bobo no rosto.

Você me entregou um e eu vi que eram poucas unidades, pois cada uma era o dobro de um biscoito comum. Eu não quis aceitar, você ia ficar sem lanche no intervalo. E eu te veria pedir comida dos outros, me sentiria culpada e dividiria o meu lanche contigo. Não era uma ideia ruim, mas não gostaria que ele ficasse com fome depois.

Então, como no filme mais meloso que você possa pensar, lembro de ver um sorriso em seu rosto enquanto você dividia o biscoito para nós dois e dizia que guardaria metade para depois. Mas ah, eu sei que não foi assim que aconteceu. Eu tenho essa mania – e uma tendência enorme – de romantizar qualquer ato de alguém que gosto. Parece que meu sobrenome poderia ser exagero, e dessa vez, falo sem exagero algum.

Falar sobre comida também me lembra quando você me pedia dinheiro para comprar suco, então dividíamos. Você só deixava o final para mim, mas eu me sentia feliz porque ao menos você pensou em me dar um pouco. Com certeza era só por causa que eu completei o dinheiro para você comprar, mas na hora não fazia diferença. Na hora, eu me senti especial. E como boba que sou, criava expectativas.

Eu odeio expectativas.

Acho que agora vou encerrar as cartas sempre com algo que odeio ou amo. Na primeira, eu odiava chorar. Agora, odeio criar expectativas e amo biscoito de chocolate. É uma prática inútil, e talvez eu não continue com ela. É uma forma de você me conhecer melhor, mas eu não diria que você realmente se importa com isto.

E acho que deve ser um dom meu pensar quatro vezes antes de pôr uma palavra no papel, porque iria terminar a carta por aqui se outra história não tivesse vindo à minha mente. Você se lembra do dia do iogurte? Eu não me lembro muito bem.

Era outra manhã. Você bebia iogurte e eu observava, rindo quando você parava para falar comigo e eu via um “bigode de iogurte” acima de seus lábios. Lembro de você tentar, por vezes, me fazer beber também, mas eu recusei. Não iria encostar minha boca ali, sabendo que a sua tinha estado lá primeiro. Causava vergonha demais em mim, este beijo indireto.

Beijo indireto. Se eu realmente acreditasse nisso, já teria beijado tanta gente que não poderia contar. Mas de algum jeito, sentia que não podia fazer isto contigo. Além do mais, aquele era seu café da manhã. Eu lembro, não era o seu lanche. E mesmo assim, você o queria dividir comigo.

De qualquer jeito... você se lembra de ter tido a brilhante ideia de jogar o copo como se fosse uma bola de futebol, e agora me lembro de ter duvidado de que você conseguiria, desafiando-o. Você, mantendo sua palavra, tentou e conseguiu. Mas se lembra dos restos do iogurte respingando pela sala? Pois é, eu lembro. Meu caderno ficou manchado, mas isso foi o de menos. O quadro branco, algumas gotas na parede e algumas no chão. E rimos quando fomos pegar material para limpar aquilo.

Eu sorrio tanto quando lembro deste tempo. Do tempo em que eu sequer reconhecia meu amor por ti. Agora parece melancólico, que tenho algum tipo de medo. Mas eu gosto mesmo de lembrar da época em que apenas sorríamos um para o outro.

Não precisava dividir o lanche. Não precisava ter sempre um desfecho engraçado. Eu só... adorava estar ali, com você e com a atmosfera pura do ambiente.

Com saudades do início da nossa amizade,

 

Silver, a iludida.


Notas Finais


Socorro eu não consigo sair das 200 palavras da carta 22 ;-;
Imagina se a gente chega na carta 21 e fica num hiatus eterno q

Espero mesmo que estejam gostando!
Se isso importar, essa história tem duas "músicas tema", que eu acho que combinam mesmo não tendo nada a ver, e são elas:
We Don't Talk Anymore - Charlie Puth & Selena Gomez
House of Memories - Panic! At The Disco

Serião, essas músicas (e mais algumas) me inspiram muito pra escrever as cartas.
Vocês já escutaram o Quase Meia Noite? Não tem nada a ver, mas eu amo esse podcast

Até a próxima carta,
Bye~


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