História Heiress - Capítulo 86


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Capítulo 86 - Chapter Eighty-four


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- Capítulo 84 -

  Você não é fraca.

   

Àquela noite, em que devia estar dormindo, Amália não fechou os olhos em nenhum momento. Theo ainda não havia aparecido com uma resposta de Lupin, e começava a se sentir preocupada. Com certeza iria com menos pânico para a arena lutar com os dragões, se tivesse conseguido conversar com seu padrinho. Consultou seu relógio, marcava meia-noite em ponto.

   No exato momento que desistiu de esperar e começava a se preparar para dormir, ouviu um piu fraquinho. Levantou cuidadosamente de sua cama, sem fazer barulho para não acordar suas amigas. Olhou pela janela e viu um vislumbre de uma imagem acinzentada, quando abriu o vidro, foi que Theo voou para dentro. Pegando a coruja no ar, viu que em sua patinha tinha amarrado um pedaço de pergaminho.

-Fique quieta, certo? - cochichou, voltando para sua cama - É do meu padrinho?

  Theo não piou, parecia ter entendido o comando de sua dona e tudo o que fez foi balançar a cabeça como se concordasse. Amália soltou um sorriso e desamarrou o pergaminho.

  

 Querida Amália.

  Soube do torneio, é evidente que eu estou preocupado. Mas ainda sei do que você é capaz, então, confio em você para isso.

  Se quiser me encontrar, estarei a sua espera amanhã antes do meio-dia, no Três Vassouras. Precisamos conversar sobre outras coisas.

  Com amor, R.J. Lupin.

  
  

 Depois dessa, Amália sentia que podia dormir mais tranquila. Obviamente, cresceu nela uma nova preocupação: Que outras coisas seu padrinho queria  conversar com ela. Não queria mencionar seu encontro com Ophelia, mas de alguma forma Lupin parecia saber e aquilo era definitivamente era algo que precisava conversar com ele.

   Na manhã seguinte, quando acordou, Amália sentou uma atmosfera grande de tensão e excitação. Os campeões foram liberados das aulas naquele dia, Amália aproveitou o tempo livre antes do início do torneio para se encontrar com Lupin. Antes de sair do dormitório, a garota abriu uma das gavetas de sua cômoda e tirou o Mapa do Maroto, no fundo da mesma gaveta havia uma caixinha. Amália lembra exatamente o que estava ali dentro, lembrou que no seu último natal havia ganhado um anel. O S gravado nele fez um estalo em sua mente, de alguma forma imaginou que Snape havia lhe dado aquele anel, não havia nome nem sequer um recado.

   O anel cabia perfeitamente no dedo anelar, uma ideia súbita, ela colocou em seu dedo. Era tão delicado que as duas serpentes que rodeavam o S, mal apareciam.

-Não vai tomar café? - perguntou Margot, adentrando no quarto - Oh, você está usando o anel, achei que tinha se esquecido dele.

-Resolvi começar a usar, é bonito demais para ficar guardado - brincou a garota - Vou me encontrar com o Lupin agora, então não vou voltar para o almoço também.

-Vai encontrar com o seu padrinho? Como? - perguntou Margot, desconfiada.

- Eu namoro um Weasley, conheço alguns truques. - Amália sorriu, abraçou a amiga e então saiu do quarto.

  Com o Mapa do Maroto escondido em suas vestes, Amália fez seu caminho tranquilamente pelo corredor, até o corredor da bruxa de um olho só. A garota se escondeu em uma das paredes e esperou um grupo de alunos passar por ela, olhou em volta mais uma vez, puxou sua varinha e murmurou:

-Dissendium!

  A corcunda da Bruxa de um olho só se abriu. Amália olhou para os lados antes de se içar para frente e de um impulso. Ela deslizou um bom pedaço, descendo o que parecia um escorrega de pedra e por fim aterrissou na terra umida e fria. Levantou-se, pegou a varinha e sussurrou:

-Lumus!

  Iluminando sua passagem, Amália começou a andar depressa, tomando o máximo de cuidado para não tropeçar. Uns dez minutos mais tarde, ela parou em frente aos pés de uns degraus. Com cautela, a garota subiu primeiro degrau e em seguida os demais até sentir sua cabeça encostar no alçapão. Empurrou com cuidado o mesmo e espiou pela borda: Não parecia ter  alguém por ali, Amália então aproveitou para subir pelo alçapão e o fechou.

   Aproveitando que estava vazio o sótão, a garota correu para o interior da loja que de alguma forma estava lotado, mesmo naquele horário e sendo um de semana. Conseguiu passar despercebida pela multidão, estranho ou não havia muitos alunos de Hogwarts por ali.

  No caminho até a Três Vassouras, foi calmo, a garota andava lentamente, olhando tudo a sua volta. Das últimas vezes que visitou Hogsmeade foi escondido e nenhum desses momentos ela pode aproveitar tudo o que poderia, tinha que ser mais cautelosa possível. Mas agora que Lupin havia autorizado sua ida até seu sétimo ano, tinha gosto de andar por aquelas ruas.

    Quando chegou ao Três Vassouras, a garota soltou um suspiro contente ao ver que seu padrinho já a esperava sentado no final do estabelecimento, com um cerveja diante dele em cima da mesa. Parecia que uma paz havia se instalado nela, não lembrava mais de Ophelia e muito do torneio que começaria dentro de algumas horas. Essa era uma das coisas que Amália mais gostava no homem, a paz que ele passava.

   Ignorando alguns olhares de pessoas mais velhas, Amália passou entre as mesas até chegar ao fundo, onde a única, mesa solitária.

- Achei que não iria vir - disse ele, quando a garota sentou na sua frente.

- Eu achei que você não fosse aparecer - Amália falou.

- Por que não? - perguntou Lupin, interessado.

- Eu não sei...eu só pensei que estivesse ocupado - disse ela, balançando os ombros.

-Nunca estarei ocupado para ver você - disse ele, com um sorriso carinhoso - Mas qual o motivo tão urgente?

- Não tem nenhum motivo urgente, eu queria conversar com alguém que não fosse da escola e que por ventura não me olhasse estranho ou pior nem me olhasse - Amália disse.

-É por causa do Torneio Tribruxo, não é? - Lupin deduziu, em tom de voz calmo.

- Eu não coloquei meu nome lá, e muito menos o Harry - dizia ela com urgência - Eu fui contra o torneio desde o início, principalmente depois que eu soube dos índices de mortes, eu não queria isso para mim ou para o meu irmão…

-Tudo bem, Amália - Lupin a interrompeu vendo o qual nervosa a mesma estava - Eu entendo, acredito que não colocou seu nome nem o do Harry. Não se preocupe, acredito em você.

  Amália soltou, mais uma vez, um suspiro, dessa vez mais aliviada.

-Mas espero que entenda o quão perigoso isso é.

- Eu sei disse muito bem - murmurou ela - Olho-Tonto Moondy parecia saber também, já que ficou dizendo para todos que isso foi obra de alguém que queira nos matar.

-Lorde Voldemort e Ophelia - disse Lupin.

-Ophelia não fez isso - Amália disse, sem pensar.

- Como sabe? - perguntou o homem, desconfiado.

- Que?

- Você acabou de falar com convicção que Ophelia não colocou seu nome no Cálice de Fogo.

  Amália mordeu o lábio inferior, uma guerra de pensamentos iníciou em sua cabeça. Devia ou não contar sobre seu encontro frustrado com Ophelia? Ou poderia simplesmente inventar uma desculpa convincente. Mas apenas o fato de olhar para aqueles olhos azuis já a fazia se sentir mal por cogitar a Ideia de mentir.

- Ela mesmo me disse - disse ela em voz baixa, esperando que ele não a ouvisse.

- Como é?

- Eu me encontrei com a Ophelia alguns dias atrás - disse ela mais claramente 

-Amália! - exclamou ele, conseguindo alguns olhares sobre a mesa deles

-Não venha com sermões, Lupin! - disse ela - Já ouvi o suficiente da Hermione.

- Ela podia ter matado você! - disse o homem, exasperado.

-Acredite em mim, ela ficou bem perto de fazer isso, mas também deixou claro que isso acontecerá durante o Torneio Tribruxo e não pelas mãos dela!

  Silêncio. Por alguns minutos não ouviu nada daquela mesa, o barulho ficou por conta das conversas dos outros clientes e dos passos de Madame Rosmerta, de uma lado para o outro.

-O que mais ela disse? - Lupin perguntou, interrompendo o silêncio.

   Amália ainda permaneceu em silêncio. A pergunta fez com que ela lembrasse das duras palavras que ouviu de Ophelia. Suas mãos começaram a suar e o mesmo nervosismo que sentiu antes de seu ataque de pânico começou novamente. Sem pensar, bebeu um gole da cerveja amanteigada de Lupin e então falou:

-Nada do que eu não tenha imaginado.

-Amália…

- Ela disse que quando eu nasceu ela percebeu que precisava se livrar de mim, que eu sou amaldiçoada e que todos ao meu redor vão perceber que eu não valho nada - dizia ela, uma lágrima escorrendo de seu olho, o qual ela não se preocupou em limpar - Que eu sou fraca. Eu acho que ela tem razão quando disse que sou amaldiçoada…

-Não, Amália. Eu garanto que não, ela está errada - Lupin falou com firmeza - Não pense assim, você vale muito.

- Por que então que tudo de ruim está acontecendo comigo? - perguntou ela chorosa - Meu pai não me quis, minha mãe disse que devia ter me matado antes mesmo de eu nascer e a única familia que me quis morreu…

- Preste muita atenção no que eu vou dizer - disse o homem - Você é muito importante, muito mais do que imagina. Não é amaldiçoada como Ophelia falou, pelo contrário, mesmo com tantas coisas ruins ainda tem aquela parte em que você pode ser feliz, em que você é feliz. - Lupin esticou seu braço, pegando a mão da garota sobre a mesa - Ophelia nunca teve alguém que a amasse de verdade, nem Você-Sabe-Quem algum dia já amou a própria irmã. Já você está rodeada de pessoa que te amam, você tem um irmão que pediu que eu o ensinasse um feitiço contra os dementadores para que não precisasse ver você sofrer. Você tem um melhor amigo e namorado, que de todas as formas se preocupam com você e fazem o possível e impossível para verem você sorrir.

  Aquelas palavras atingiram ela de uma forma tão boa que Amália gostaria de ouvi-lás sempre.

- Agora me diga, Mália - continuou - Isso é ser amaldiçoada? Pois eu digo que não. Isso é ser abençoada. Você nasceu do mal, mas tem a bondade na alma. É você que precisamos, Harry precisa da irmã dele sabendo o quanto ela é importante. Posso apostar o quanto você quiser, que seus pais, onde quer que eles estejam, estão orgulhosos de você e eu também estou. Você não é fraca, com certeza você é mais forte que Ophelia.

  Amália sorriu e se levantou da cadeira ao mesmo tempo que o homem, a garota não perdeu tempo e o abraçou pela cintura. Era exatamente isso que ela precisava, era as palavras dele que ela precisava ouvir.

- Obrigada por ser meu pai nesse momento - murmurou ela, afastando dele. - Eu acho que o James diria essas palavras para mim.

-Diria mesmo - sorriu ele, consultando o relógio - Mas agora, você tem um torneio para vencer. Boa sorte, Mália.


Notas Finais


Espero que gostem e até o próximo ❤🐍


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