História Heirs of Merlin: A Harry Potter Story - Capítulo 3


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Categorias Harry Potter
Personagens Alastor Moody, Alecto Carrow, Alvo Dumbledore, Amycus Carrow, Andromeda Tonks, Antonin Dolohov, Argo Filch, Arthur Weasley, Augustus Rookwood, Bellatrix Lestrange, Blásio Zabini, Carlinhos Weasley, Córmaco Mclaggen, Dino Thomas, Draco Malfoy, Ernesto Macmillan, Fenrir Greyback, Fleur Delacour, Fred Weasley, Gina Weasley, Gregory Goyle, Harry Potter, Hermione Granger, Horácio Slughorn, Jorge Weasley, Katie Bell, Kingsley Shacklebolt, Lilá Brown, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Luna Lovegood, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Narcissa Black Malfoy, Neville Longbottom, Nymphadora Tonks, Padma Patil, Pansy Parkinson, Parvati Patil, Pedro Pettigrew, Personagens Originais, Remo Lupin, Rodolfo Lestrange, Ronald Weasley, Rúbeo Hagrid, Severo Snape, Sibila Trelawney, Simas Finnigan, Sirius Black, Theodore Nott, Vincent Crabbe, Walden Macnair, Yaxley, Zacharias Smith
Tags Alvo Dumbledore, Belatriz Lestrange, Blásio Zabini, Draco Malfoy, Fantasia, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Hogwarts, Lord Voldemort, Lúcio Malfoy, Luna Lovegood, Magia, Mistério, Narcisa Malfoy, Neville Longbottom, Pansy Parkinson, Rony Weasley, Severo Snape, Theodore Nott, Violencia
Visualizações 34
Palavras 7.211
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Wiltshire


Fanfic / Fanfiction Heirs of Merlin: A Harry Potter Story - Capítulo 3 - Wiltshire

Ela não estava na cama quando acordara.

Lúcio, entretanto, não mostrou-se surpreso com isso. Ele mesmo havia adquirido um sono leve e conturbado nos últimos tempos. Desde que fugira de Azkaban e voltara para casa, era constantemente atormentado com sensações e angústias antigas, cujo julgava estarem adormecidas e controladas. Ledo engano. Os meses na prisão fizeram-no remoer cada dia, ano após ano, no qual a dor se fizera presente, e sabia que sua esposa também se encontrava assim.

A verdade estivera bem a sua frente durante todo o confronto no Departamento de Mistérios. Entretanto, recuperar a profecia era crucial para o Lorde das Trevas, e como todo bom ─ e inteligente ─ seguidor de Lord Voldemort, manteve-se focado em cumprir seu objetivo. Tudo teria saído como planejado se não fossem impedidos por Sirius Black e a Ordem da Fênix; aquele tinha sido o início de sua ruína, e os momentos posteriores apenas contribuíram para uma caminhada mais rápida. A profecia virara fumaça em suas mãos, e no momento cujo ia em direção de Black em meio ao caos rapidamente instalado, sentiu alguém atrás de si. Fora por milésimos de segundos que evitara um feitiço estuporante nas costas.

Virara-se de cenho franzido e finalmente pusera os olhos na garota de cabelos platinados. Os fios soltos destacavam-se em sua vestimenta negra, e ela mantinha a varinha erguida na direção de seu peito sem nem ao menos hesitar. Pela aparência só podia ser a garota Collins, cujo seu filho Draco passara tantos anos falando. Recordou-se de a ter visto brevemente apenas uma vez, na Copa Mundial de Quadribol, cujo dividiram o camarote do Ministro da Magia. As feições da adolescente eram belas, delicadas, e algo nelas o lembravam vagamente de alguém, especialmente contraídas em uma expressão fria e determinada. Ela não parecia importar-se com o fato de ter atacado um Comensal da Morte. Lúcio tinha de reconhecer sua coragem. Grifinórios...

─ Acha mesmo que uma criança é capaz de me vencer? ─ sua voz arrastada carregava divertimento.

Mas para sua surpresa, ela deu um sorriso, ameaçador e calculado.

─ Eu não acho. ─ o tom de sua voz era tão gélido que pareceu fazer a temperatura cair alguns graus. ─ Tenho certeza disso.

Outro feitiço estuporante voou de sua varinha na direção de Lúcio, no qual facilmente foi bloqueado. A garota pareceu esperar isso, pois o que seguiu-se foi uma luta habilidosa e acirrada. Vultos claros e negros circundavam os dois entre clarões verdes, vermelhos, azuis e brancos. Não levou muito tempo para o bruxo ficar impressionado. A garota era extremamente formidável em duelos, e embora estivesse no momento usando mais feitiços de proteção para desviar-se de suas tentativas de acertá-la, mantinha a postura e não tirava sua atenção por um segundo sequer.

Em um movimento ousado, a garota baixou a guarda, ergueu a varinha em posição de ataque e exclamou:

Expulso!

Não tivera tempo para se defender. Lúcio foi arremessado para longe, batendo com violência no chão irregular de pedra cujo cercava o arco do véu, mas ignorara as dores e em um rápido movimento voara de volta para perto da garota. Em movimentos rápidos, executou dois feitiços dos quais ela desviou, mas no instante que iria lançar um terceiro, um clarão branco passou perto de seu corpo. Um membro da Ordem da Fênix tinha acabado de ir em direção a Neville Longbottom para levá-lo a um lugar seguro, e seu rastro luminoso deixou sua face mais evidente.

E o anel cujo estava na mão direita segurando a varinha.

O brilho esverdeado paralisou Lúcio. A peça ainda reluzia em seu dedo anelar direito, embora estivesse relativamente mais escuro. O calor da batalha o havia impedido de reparar no detalhe ─ e agora que tomara o conhecimento, uma sensação cujo mesclava euforia e perplexidade o dominara em questão de segundos. A batalha foi completamente esquecida.

Reconheceria aquela joia em qualquer lugar. A grande questão era o que fazia no dedo de uma estudante de Hogwarts, cujo tivera a petulância de desafiá-lo e levar vantagem momentos antes. Entretanto, Lúcio sabia que havia apenas uma explicação para aquilo, mas recusava-se a acreditar ser verdade.

Porque simplesmente não poderia ser possível.

O bruxo ergueu os olhos para a moça com o semblante assustado, quase como se a garota tivesse transformado-se numa assombração. Ele abriu a boca, pronto para exigir a resposta da qual mudaria sua vida, quando foi arremessado por metros devido a um feitiço no abdômen, caindo em um ponto perto de Sirius Black e Harry Potter. O Comensal da Morte lutou contra o impacto e levantou-se, procurando pela adolescente, mas ela não estava mais lá. Assim como todos os outros estudantes.

Uma lufada de ar vinda da janela trouxe Lúcio de volta ao presente. As cortinas cinza escuro agitaram-se com a força do vento; deu por si levantando da cama, vestindo o robe longo de veludo escuro e deixando o quarto principal. Os corredores estavam vazios e fracamente iluminados ─ Lúcio apreciara isto. Sempre exigira de seus serviçais a manutenção das lamparinas para que funcionasse tudo nos conformes; odiava a escuridão total. Deixou para trás o tapete ricamente detalhado, as paredes escuras altas e seguiu para o andar inferior em busca de sua esposa.

A mansão Malfoy fora projetada e construída para ser uma das maiores demonstrações de poder dos seus integrantes. Isso estava refletido em cada canto da maravilhosa edificação, sobretudo na sala de estar ─ palco de diversas reuniões e coquetéis cujo lhes trouxeram mais poder no passado, seja distante ou recente. Entretanto, nos últimos tempos transformou-se em nada mais que uma base de operações das forças de Lord Voldemort. Para Lúcio, não podia haver desprazer maior, assim como para os membros restantes da família Malfoy.

A sala de estar mantinha-se na mesma situação do andar superior, embora soubesse que não estava sozinho ali. Sentia a presença de sua esposa à metros de distância, e embora a situação na qual se encontrava fosse complicada e tensa, sua proximidade equivalia a um bálsamo em suas feridas. Esse era um dos motivos pelo qual se apaixonara por Narcisa Malfoy.

Encontrou-a sentada em uma das poltronas antigas, perto da lareira apagada e abraçando as próprias pernas. Estava em vestes de dormir da mesma forma que o marido, porém seu robe era de seda acinzentado, que chegava até seus tornozelos e lhe caía de forma bela e elegante. Os cabelos estavam presos parcialmente e ondulados; uma taça de vinho pela metade repousava em uma pequena mesinha perto de si. Quando Lúcio aproximou-se o suficiente, encontrou seu olhar perdido e fixo nas cinzas da lareira, antes de perceber sua presença e erguer os olhos para ele.

A situação era a mesma do homem na sua frente. Narcisa parecia prestes a entrar em um colapso. Lúcio passara anos suficientes ao lado da esposa para perceber isso, embora sua expressão estivesse fria como o habitual. Era compreensível seu estado ─ foram anos vivendo nele, sem a perspectiva de sair.

E agora tudo havia acabado de mudar.

─ Não consegui dormir. ─ disse ela, provavelmente supondo a pergunta cujo estava na ponta da língua de seu marido. ─ Por um momento pensei que poderia com ajuda de algo, mas...

─ Ciça...

─ É angustiante, Lúcio! ─ a voz da Sra. Malfoy estava ligeiramente embargada. Era raro vê-la assim. ─ Depois de tantos anos... Imaginando incontáveis destinos cujo ela poderia ter seguido, milhares de lugares nos quais poderia estar... ─ ela respirou fundo, fechando os olhos numa fraca tentativa de conter as lágrimas. ─ Agora que sei de toda a verdade, que me contou todo o ocorrido no Departamento de Mistérios e sei a localização dela agora...

─ Parece ser pior do que antes. ─ Lúcio completou. Narcisa não era a única com as mesmas sensações. ─ Porque não podemos contar a verdade e muito menos nos aproximar.

O casal trocou mais um olhar cheio de significado antes de Narcisa desviar a atenção para a janela. O céu estava escuro, estrelado, mas a bruxa não deixava-se enganar pela falsa sensação de calmaria. Estavam em meados de outubro, e logo os tempos frios chegariam. Narcisa sentiu uma inquietação em seu âmago; não por conta da recente notícia cujo esperara por tanto tempo, mas pelo perigo no qual cercava seu filho, Draco. Nunca teria paz enquanto tudo não estivesse resolvido.

Como algo maravilhoso chegara em um momento tão sombrio?

─ Ainda me parece inacreditável que o destino a tenha feito duelar com o próprio pai.

─ Mais inacreditável ainda ─ Lúcio chamara a atenção da esposa. ─ foi ter considerado a possibilidade de machucar minha própria filha.

O que seguiu-se pelos próximos minutos foi silêncio. O Sr. Malfoy seguiu o olhar da esposa, e juntos, contemplaram o céu noturno através das grandes janelas. Lúcio não era um homem bom, mas toda vez que pensava nos possíveis desenrolamentos do duelo no Departamento de Mistérios ─ na possibilidade de ter acabado com a vida de sua própria filha, algo nele contraía-se de uma forma extremamente dolorosa. Não era muito diferente do que sentia quando sua mente ia para Draco e sua missão suicida. Porque no final das contas, era culpa dele seu filho encontrar-se naquela situação.

─ Ela se tornou uma bruxa extraordinária. ─ comentou Lúcio ainda visualizando a paisagem. ─ Mesmo tendo sido criada longe de nós, herdou a aptidão natural dos Malfoy para duelos. E devo admitir, a beleza e arrogância dos Black.

Narcisa sorriu com isso.

─ E com certeza não faz ideia do que aquele anel significa.

Lúcio balançou a cabeça.

─ Não tive a oportunidade de revelar.

A bruxa se levantou a aproximou-se do marido.

─ Ótimo, porque eu a quero de volta. ─ Narcisa declarou firmemente. ─ E vou tê-la de volta.

─ Seria arriscado demais uma abordagem agressiva, Narcisa.

─ Então nos aproximaremos aos poucos! ─ ela se afastou e começou a andar em círculos na frente dele. ─ Não importa qual método usaremos, Lúcio. Estou disposta a tudo para ter minha filha de volta!

Nossa filha, Narcisa! ─ Lúcio enfatizou. ─ Acredite, quero isso tanto quanto você, mas só temos uma chance de fazer tudo dar certo! Não podemos desperdiçá-la. ─ quando viu a insistência nos olhos da esposa, acrescentou. ─ Pense, acha mesmo que ela aceitaria toda a verdade de uma hora para outra? No mínimo nos consideraria loucos, na melhor das hipóteses. Temos de ser cuidadosos. Ela é minha filha e mesmo todos esses anos longe de mim nunca deixei de amá-la, mas aos olhos do Lorde das Trevas é uma inimiga e aliada de Harry Potter; existem muitos fatores a serem considerados, Ciça.

Aquilo pareceu acalmá-la e fazê-la pensar melhor. Lúcio estendeu a mão e secou as lágrimas cujo já escapavam das íris da Sra. Malfoy, enquanto ajudava-a a se recompor. Os dois estavam perdidos, desestabilizados, mas de uma maneira surpreendente, não deixaram-se levar pelo desespero de correr atrás da filha há muito perdida. O Lorde das Trevas ainda estava decepcionado com os Malfoy por conta da falha de Lúcio no último verão. Draco já estava sendo castigado o suficiente ─ por ora o adequado é mantê-la no anonimato. Hogwarts e toda sua proteção a manteriam a salvo.

Até que chegasse a hora.

─ Sabe que isso não durará por muito tempo, não sabe? ─ Narcisa verbalizou sua maior preocupação. ─ Pelo que acontecerá mais cedo ou mais tarde...

Lúcio assentiu.

─ Eu sei. ─ ele estava de olhos fechados. ─ Porém tenho esperança de até lá, já termos conseguido encontrar uma solução.

Narcisa encostou a cabeça na curvatura do pescoço do marido. O Sr. Malfoy, por sua vez, abraçou-a e ambos ficaram parados, sozinhos naquela enorme sala de estar, entretidos com os próprios pensamentos. Perguntou-se se tinha sido uma boa ideia ter revelado tudo a esposa de uma só vez ─ se não teria sido melhor prepará-la aos poucos. Ciça era forte, fria, arrogante e determinada como uma legítima Black, entretanto todos tinham um limite. A filha era o de ambos.

A bruxa empertigou-se e afastou seu corpo de Lúcio, totalmente recuperada. E embora identificasse os mesmos sentimentos de antes, sabia estarem bem controlados e guardados. Respirou fundo, alisou o robe acinzentado e ressaltou:

─ Não vou desistir de minha filha, Lúcio. Já perdi Lyra uma vez, não vou perdê-la de novo.

E sem esperar uma resposta, seguiu para as escadas em direção ao segundo andar, deixando Lúcio sozinho em meio ao luxo e riqueza do cômodo da mansão Malfoy.


♢♢♢♢


O farfalhar de penas era um dos poucos ruídos cujo podiam escutar-se com clareza naquele momento.

─ Ah, que dia maravilhoso!

Harry ignorou aquele comentário sarcástico e continuou concentrado em sua tarefa. Torceu os lábios e examinou o que estava pronto até o momento. Nada mal, considerando as circunstâncias.

─ Definitivamente um dia maravilhoso.

─ O meu dia também está sendo um mar de flores, Ronald, obrigada por perguntar!

Harry revirou os olhos. Pronto, a briga estava instaurada.

─ Sabe o que seria melhor? ─ rebateu o ruivo igualmente raivoso. ─ Se você desse uma mãozinha aqui!

─ Para quê? ─ a voz de Hermione estava completamente irritada agora. ─ Para enfiar-se na primeira sala desocupada com a Brown e trocar uns amassos? Aprenda a ter responsabilidades, Weasley!

Harry virou a cabeça para a esquerda e deparou-se com a visão dos fios platinados de Gwendolyn, esvoaçando fracamente contra o vento e refletindo a luz amena do sol. Ela também focara sua atenção nele. Ambos suspiraram pesadamente; ia ser mais uma briga daquelas.

Ou seria, se Gwen não tivesse tomado a palavra.

─ Rony, quer calar a boca?

O próprio virou-se na direção dela com o intuito de protestar, mas a loira o cortou.

─ Hermione não tem obrigação de lhe ajudar! Aproveitaria melhor seu tempo se fizesse a droga da tarefa!

─ Mas...

─ Quer ganhar uma detenção por não concluir outra vez o dever de Defesa Contra as Artes das Trevas? Sabe que Snape lhe daria isso com um sorriso psicopata no rosto. Então pare de reclamar e termine logo isso.

A garota estava tão furiosa que Ronald decidiu melhor não insistir, embora também estivesse irritado. Ele voltou ao seu dever carrancudo; Hermione deu um sorrisinho debochado enquanto tornava a ler seu livro. Harry, cujo estivera entre o fogo cruzado durante todo o tempo, lançou um olhar para a amiga antes de molhar mais uma vez a pena no tinteiro e tornar a finalizar o próprio trabalho.

Estavam utilizando mais um de seus tempos livres entre as aulas para tentar liquidar a carga excessiva de deveres, cujo eram rotina desde o início do sexto ano. Naquele dia, trocaram o Salão Comunal da Grifinória pela sombra de um carvalho à beira do Lago Negro, já que haviam recebido autorização de circularem pelos jardins do castelo até o pôr do sol. Hermione e Gwendolyn, obviamente, já haviam terminado suas tarefas e tinham estendido seus pergaminhos no gramado para a secagem da tinta, porém os outros ainda lutavam para concluir o tamanho da redação estipulado por Snape. Quarenta e cinco centímetros sobre as especificações, efeitos e danos causados pela Maldição Cruciatus. Aposto como os alunos da Sonserina tirarão nota máxima nesse trabalho, Harry pensou com desprezo.

Um exemplar de Semanário dos Bruxos repousava sobre os joelhos de Gwen enquanto a mesma tinha os olhos concentrados em uma matéria sobre dragões, redigida por Newt Scamander. Ela enterrou um pouco a cabeça dentro do cachecol vermelho e dourado em volta do pescoço. Agora finalmente poderia terminar sua leitura em paz.

Até um grito emitido nas proximidades chamar sua atenção.

Os quatro ergueram as cabeças na direção do barulho ao mesmo tempo. Eles trocaram olhares entre si, antes de guardarem apressadamente seus pertences e correrem para o local. Harry, cujo recebera uma ajuda rápida de Hermione para a secagem da tinta em seu pergaminho, estava na frente, seguido de Rony, Hermione e Gwendolyn. Quando aproximaram-se o suficiente, constataram o motivo do grito.

Um quartanista da Corvinal estava pendurado no ar sobre o Lago Negro. Na margem, um grupo de sonserinos riam e xingavam o estudante, cujo se debatia e gritava cada vez mais alto, implorando por ajuda. Mesmo naquela distância, Gwen conseguia enxergar as lágrimas do aluno. Harry, Rony, Gwendolyn e Hermione pararam e ficaram lado a lado.

─ Como sempre, um aluno da Sonserina acabando com o dia. ─ Rony comentou ao seu lado.

─ No caso cinco. ─ Harry corrigiu.

─ Devemos fazer alguma coisa; somos monitores, Rony. ─ Hermione virou-se para o ruivo, aparentemente esquecida da discussão cujo tiveram há poucos minutos.

─ Então é melhor irmos com varinhas preparadas. ─ respondeu ele tirando a própria das vestes. Hermione e Harry fizeram o mesmo, porém Gwen havia adiantado-se com a própria varinha em punho, o senso de justiça inflamado dentro de si.

Enquanto Hermione e Rony decidiam se iriam ou não resolver o problema, a garota havia identificado o autor do feitiço cujo mantinha o aluno da Corvinal enfeitiçado. Goyle era o único com a varinha erguida na direção do quartanista, embora a risada fosse coletiva. Ela reconheceu os outros, como Crabbe, Zabini e Theodore Nott. O último sonserino era provavelmente da mesma idade do estudante no qual azaravam, a julgar pela aparência. Gwen sentia os passos apressados dos amigos atrás de si em uma tentativa de alcançá-la, mas não parou, e aproveitou-se da distração completa do grupo para se aproximar. As risadas ficaram mais altas, camuflando o ruído dos passos causados pelos estudantes grifinórios.

No momento que Blásio Zabini virou-se e percebeu a aproximação de Collins, era tarde demais. A garota ergueu a varinha para as costas de Goyle e gritou, sem medo de ser notada:

Flipendo!

O feitiço fez o sonserino voar para dentro do lago. Com o efeito da azaração cortada, o quartanista caiu pronto para chocar-se contra a água, mas Hermione foi mais rápida, apontou sua própria varinha e falou:

Wingardium Leviosa! 

Com um gesto, trouxe o estudante para terra firme e o colocou delicadamente no chão. Agora todos os sonserinos tinham suas atenções viradas para Gwen, cujo retribuía desafiadoramente cada olhar à altura.

─ Com que direito perturba nossa diversão, Collins? Perdeu a noção do juízo? ─ Crabbe usava um tom ameaçador e o rosto contorcia-se em raiva, mas para Gwendolyn o sextanista não conseguia ser nada além de ridículo.

─ Quer ser o próximo? ─ a loira rebateu calmamente.

Em questão de segundos, varinhas eram apontadas uns para os outros. Harry, Rony e Hermione ergueram as próprias; Nott, Crabbe e Zabini também, porém o primeiro estava com a atenção fixa em Gwendolyn, cujo mantinha uma expressão fria no rosto. O quartanista da Sonserina permaneceu silencioso, observando tudo sem ousar levantar a varinha, já que nunca teria chances contra sextanistas da Grifinória. O aluno da Corvinal, por sua vez, encontrava-se sentado no gramado soltando leves gemidos de dor.

─ Deve ter realmente muita coragem para vir aqui sozinha e jogar um dos nossos amigos no lago, Collins. ─ Nott dirigiu-se pela primeira vez à ela, ganhando sua atenção. ─ Outra vez se metendo no que não é da sua conta.

Gwendolyn sabia ─ só não havia sido enfeitiçada porque Harry, Rony e Hermione estavam atrás de si a protegendo de Zabini, Nott e Crabbe. Sabia também o que Theodore estava dizendo nas entrelinhas. A garota sorriu levemente, dando dois passos na direção do sonserino.

─ Eu não tenho medo de você.

Nott aparentou não esperar aquela resposta. Ficaram ali, encarando-se como estivessem prestes a se atacar, quando uma agitação do lago rompeu a tensão entre eles. Goyle voltava aparentemente aborrecido e encharcado.

─ Setenta pontos a menos para a Sonserina por agredir física e moralmente um aluno do quarto ano da Corvinal. ─ declarou Rony. ─ E por mais que adorasse azarar todos vocês em represália, infelizmente temos horário de Poções agora.

De alguma forma isso fez todos voltarem a realidade. Os alunos da Sonserina foram os primeiros a abaixar as varinhas e guardá-las nas vestes. Gwen tinha uma teoria para aquela atitude repentina, mas limitou-se apenas a lançar um último olhar para Nott, cujo mantinha a atenção nela, e dar as costas ao grupo para aproximar-se dos amigos. Juntos, ajudaram o quartanista da Corvinal a levantar-se e se afastaram do Lago Negro, entrando no castelo.

─ Não entendi a atitude deles. Geralmente sonserinos são os primeiros a incitar uma briga, principalmente quando mexem com alguém do grupo. ─ Rony comentou enquanto andavam pelos corredores.

─ Devem estar evitando problemas. ─ Hermione respondeu. ─ Crabbe, Goyle e Nott são filhos de Comensais da Morte. Já é atenção indesejada o suficiente.

Gwendolyn também pensara a mesma coisa, embora não ousasse comentar nada com o aluno da Corvinal entre eles. Depois de uma breve conversa, Harry, Rony, Hermione e Gwen deixaram o quartanista na Ala Hospitalar, devido ao mesmo sentir uma dor excruciante no tornozelo pelo qual fora azarado. Quando viraram o corredor em direção às masmorras, Harry puxou a mão da loira e a fez virar-se para ele.

─ Acho melhor você ter cuidado com o Nott. Vi a ameaça dele nas entrelinhas. Qualquer dúvida sobre ele não ter percebido sua presença na biblioteca naquela noite foi para o espaço.

Embora Harry estivesse certo, Theodore Nott era a menor das preocupações da garota.

─ Eu sei. Vou me cuidar. ─ Assegurou. Gwen olhou brevemente para Rony e Hermione, indicando para que não insistissem no assunto. ─ É melhor irmos, se não nos atrasaremos para Poções. ─ finalizou tirando o cachecol vermelho e dourado.

O professor Slughorn estava alegre além do habitual naquela tarde. Diferente das outras vezes, a sala de Poções não encontrava-se repleta de vapores e aromas, permitindo uma visão ampla do ambiente. Os alunos da Sonserina ainda não haviam chegado; em compensação, os quatro alunos da Corvinal já ocupavam uma das mesas.

Harry, Hermione, Gwendolyn e Rony escolheram a mesa da esquerda, cujo ficava na frente do armário de materiais. A garota puxou rapidamente os cabelos loiros em um coque, não importando-se com alguns fios lhe caindo sobre a face. Abriu a mochila, tirou seu exemplar de Estudos Avançados no Preparo de Poções e o deixou ao lado de seu caldeirão. Hermione fez o mesmo.

─ Me parece estranho... ─ comentou Harry depois de alguns minutos. ─ Que Slughorn esteja fazendo tudo diferente dessa vez. Não estava esperando por isso.

─ Com medo do Príncipe Mestiço lhe deixar na mão, Harry? ─ Hermione folheava as páginas do livro, camuflando a irritação cujo o antigo dono do livro de Harry lhe causava. 

─ Não. ─ respondeu ele, baixando o tom de voz para que apenas os outros três escutassem. ─ Mas Dumbledore pediu para me aproximar dele no início do ano e ressaltou isso na última aula no escritório dele, porque era crucial para o progresso daquele assunto.

Hermione pestanejou diante da resposta, genuinamente surpresa.

─ Mas o que poderia ser de importante?

Porém, no momento cujo Harry ia responder, os alunos da Sonserina entraram na sala em grupo. Malfoy, Zabini, Parkinson e Nott tomaram seus lugares na mesa cujo ficava de frente para os alunos da Grifinória. Nenhum dos dois ousou falar mais uma palavra, e trocando rápidos olhares com Ronald, virou-se em direção ao professor Slughorn. Este sorria para todos os alunos.

─ Creio que devam estar se perguntando o porquê da mudança brusca. ─ alguns estudantes assentiram. ─ É um método bastante peculiar que costumo aplicar em minhas turmas de sexto e sétimo anos. Vocês, obviamente, prestaram N.O.M.’s ano passado, então levam vantagem sobre os alunos do sétimo ano cujo precisam focar-se nos N.I.E.M.’s. Esses caldeirões ─ ele indicou os objetos com a varinha. ─ foram retirados do estoque para emergências. Os dos senhores encontram-se devidamente seguros e prontos para uso, pois a tarefa não durará apenas hoje, e sim vários meses. ─ Slughorn sorriu diante das expressões de espanto vindas de todas as mesas. ─ Como teste prático acerca de seus conhecimentos obtidos até agora, cada um deverá preparar uma série de poções durante o ano letivo. Elaborei uma lista com doze, cujo estão dentro de uma urna e serão sorteadas, redistribuindo-se gradualmente conforme o sucesso da etapa anterior.

O professor agitou levemente uma pequena caixa marrom na mão direita. Ouviu-se lamentos coletivos por toda a sala ─ Gwendolyn também era adepta do sentimento. Doze poções cujo levariam oito meses para serem concluídas? Não precisava de mais nada para saber que tratavam-se das extremamente complicadas.

─ E antes que perguntem: ─ declarou Slughorn ao ver mãos de alunos da Corvinal e Sonserina erguerem-se. ─ nenhuma poção é mais fácil ou não de preparar. Escolhi especialmente essas por conta do grau de dificuldade atribuídas dentro de cada uma.

A mão de Pansy Parkinson abaixou-se e a garota suspirou aborrecida. Slughorn adiantou-se com a pequena urna à mesa onde estava os alunos da Grifinória.

─ Vamos, Srta. Collins. ─ sorriu o professor. ─ Não há o que temer.

A garota olhou para o professor e estendeu a mão direita para dentro da urna. Seus dedos finos e delicados fecharam-se em torno do pequeno pedacinho de pergaminho e puxou-o. Ela não ousou olhar o nome da poção na qual teria de preparar enquanto Slughorn estivesse na mesa. Apenas quando o professor seguiu até os alunos da Sonserina, desenrolou o pergaminho entre seus dedos. Em caligrafia cursiva e inclinada, o nome Veritaserum ocupava o meio da folha amarelada.

─ Isso só pode ser loucura! ─ escutou a voz de Ronald exclamar à sua direita. Quando virou-se, encontrou o ruivo olhando fixamente para o próprio pedaço de pergaminho. ─ Slughorn enlouqueceu? ─ revoltou-se baixinho. ─ Se sair aceitável vou ter sorte!

─ Podia ter sido pior. ─ respondeu Harry.

─ Como se fosse fácil preparar Amortentia. ─ ralhou o ruivo.

Amortentia? Rony estava fazendo um pequeno escândalo por ter de preparar Amortentia? Gwendolyn revirou os olhos.

─ Gostaria de trocar pela Veritaserum, Ronald? ─ questionou sem nem dar-se ao trabalho de aborrecer-se com ele.

O garoto olhou para ela enquanto processava a revelação da amiga.

─ Não é como se fosse difícil para você, certo? Você tirou um Ótimo no N.O.M. de Poções. Ou melhor, em todos os N.O.M.’s.

Gwen balançou a cabeça e virou-se para Hermione.

─ Qual a sua?

Polissuco. Uma verdadeira brincadeira de criança. ─ as duas sorriram. Não era para menos; Hermione já havia preparado a poção com perfeição enquanto estavam no segundo ano.

─ Então pelo visto Rony foi quem teve mais sorte entre nós. ─ quando olhares questionadores caíram sobre Harry, ele acrescentou. ─ A não ser que achem fácil preparar uma Poção Reconstrutora.

Collins, porém, já folheava as páginas de seu livro em uma checagem de informações.

─ Pois trocaria a Veritaserum por todas essas. Olhem. ─ ela estendeu o livro aberto na página cujo mostrava passo a passo do preparo da poção. ─ Leva um mês para ficar pronta em fogo lento, além de incontáveis ingredientes. ─ ela gemeu enquanto puxava o exemplar de Estudos Avançados no Preparo de Poções de volta. ─ Vou ter de descer uma vez a cada dois dias aqui para verificar o progresso. ─ agora estava genuinamente aborrecida. ─ Já não basta ter de vir uma vez por semana nesse lugar?

A súbita reclamação de Rony sobre a Amortentia logo pareceu ser ofuscada, pois a julgar pela reação dos demais alunos ao receberem seus nomes, nenhum pareceu feliz com seus respectivos resultados. Malfoy carregava uma expressão abobalhada no rosto, como se precisasse ler e reler a palavra em seu pedaço de pergaminho para que a compreendesse; Parkinson estava totalmente desgostosa; Zabini bufou e jogou o pergaminho em cima da mesa; no entanto, Nott era o único cujo demonstrava indiferença. Gwendolyn desviou os olhos de sua direção e baixou os olhos para a própria folha amarelada ─ a palavra Veritaserum destacava-se no pergaminho.

─ Agora que todos retiraram sua primeira tarefa da urna, ─ Slughorn depositou a caixinha marrom em cima da própria mesa. ─ podem começar!

Hermione abriu seu livro no tópico da preparação de Polissuco, ao passo que Harry, Rony e Gwendolyn se dirigiram ao armário de materiais para recolher tudo no qual precisariam. Quando o último ingrediente fora coletado, a loira deixara tudo ao lado de seu caldeirão e acendera o fogo com um toque da varinha.

As instruções diziam que o caldeirão precisava aquecer por cinco minutos antes de ser introduzido o primeiro ingrediente. Enquanto esperava, Gwen brincou distraidamente com seu anel de prata no dedo anelar direito ─ o indicador esquerdo passando delicadamente sobre a esmeralda solitária ao centro. Escutou as vozes de Hermione e Rony ao seu lado, mas não deu importância. Esperou pacientemente o tempo estipulado e tornou a voltar para seu trabalho.

Os alunos das outras Casas também dirigiram-se para recolher os ingredientes necessários, e o resultado foi uma pequena confusão na área da mesa de Grifinória. A garota indagou-se se não fosse melhor terem tomado o local ocupado pela Sonserina. Quando uma aluna da Corvinal deixou a área e voltou para sua mesa, um garoto mais alto que ela passou ao seu lado e foi até o armário de materiais. Enquanto usava um objeto transparente para mexer a mistura, percebera ter esquecido da Raiz de Asfódelo. Lutando para não grunhir, Gwen virou-se e foi até o armário em busca do ingrediente.

O garoto continuava ao seu lado. Enquanto mexia entre os frascos e potes a procura do que desejava, uma mão apareceu em sua visão, segurando um pequeno vidro contendo um material escuro. Ela ergueu a cabeça e encontrou novamente os olhares com Theodore Nott.

Quanta sorte.

─ Está procurando por isso, não é? ─ indagou ele, porém de forma que apenas os dois escutassem.

Ela não se mexera.

─ Como sabia...?

─ Deduzi pelos ingredientes. Só podia ser uma Veritaserum. ─ ele aproximou o recipiente de vidro um pouco mais. ─ Não vai pegar? ─ seu tom continha a arrogância habitual.

Gwen olhou rapidamente para trás e constatou que todos os alunos mantinham-se concentrados em suas poções. A garota tornou a olhar para o sonserino; não conseguiu evitar um pequeno sorriso debochado.

─ Engraçado como me acusa mais cedo de ser uma corajosa intrometida, mas na primeira oportunidade analisa a poção dos outros sorrateiramente.

Nott parecia ter levado um tapa na cara.

─ Pelo menos não precisei me esconder para adivinhar isso. ─ ele indicou o frasco de Raiz de Asfódelo. ─ Diferente de você, Collins.

─ O que você quer, afinal? ─ irritara-se a grifinória.

─ Apenas dar um aviso. ─ esclareceu o garoto de cabelos escuros. ─ Esqueça o que ouviu na biblioteca, isso não lhe diz respeito.

Gwen recusou-se a responder. Em vez disso pegou o vidro com a Raiz de Asfódelo das mãos de Theodore. Seus dedos se tocaram. A proximidade chamou a atenção do sonserino para suas mãos, que inevitavelmente baixou o olhar e reparou no momento cujo os dedos de Gwendolyn tiraram o frasco de sua mão. Suas sobrancelhas franziram ao notar a joia em seu anelar. Ela deixou a mão direita cair na lateral de seu corpo.

─ Se era apenas isso, pode ir.

Ele voltou seu foco à ela.

─ Faça o que disse.

Theodore saiu dali de mãos vazias. A garota perguntou-se vagamente o porquê dele não ter retirado nada, então percebeu que sua intenção inicial era falar sobre a conversa com Pansy Parkinson na biblioteca. Mas não fora isso cujo a deixara intrigada, e sim o modo como Nott a olhou depois de tirar a atenção do ponto onde suas mãos tocaram-se. Era como se tivesse visto algo inesperado e ao mesmo tempo... Assustador.

Balançando a cabeça, ela fechou o armário de materiais e voltou para sua mesa, concentrando-se na preparação da Veritaserum. Usou uma balança de latão para medir a quantidade certa de Raiz de Asfódelo e jogou seu conteúdo no caldeirão. O líquido imediatamente tomou uma coloração cor de vinho.

Gwendolyn perdera a noção do tempo com a atenção em seu trabalho. Ao seu lado, Hermione usava a mesma balança de forma precisa, e escutava os xingamentos baixos vindos de Ronald. Ele será um desastre preparando essa aqui. Pensou Gwendolyn. Se a sala de Poções não explodir nos próximos meses, será puro golpe de sorte.

─ Muito bem... ─ disse Slughorn algumas horas depois. ─ Tempo encerrado! Afastem-se das mesas. ─ ele começou a andar em frente dos caldeirões. ─ Vamos ver quem teve um bom início.

Como no sorteio, Gwendolyn fora a primeira. Slughorn espiou a poção, testou a textura e deu um sorriso aprovador para a aluna. O mesmo aconteceu com Hermione e Harry. Rony, no entanto, não desfrutou do mesmo entusiasmo. O professor deu as costas ao grupo e seguiu em direção à mesa da Sonserina.

─ Acho que depois de uma minuciosa inspeção, devo dizer que as únicas poções cujo tiveram um início perfeito são as das Srtas. Granger e Collins, além da do Sr. Potter. Embora... ─ ele lançou um olhar orgulhoso em direção ao grifinório. ─ O talento para Poções pareça estar no sangue! Parabéns, meu rapaz! ─ Harry sorriu agradecido. ─ Mas vejam! ─ Slughorn consultou o relógio. ─ Faltam cinco minutos para o fim da nossa aula. Tomem este tempo para guardarem seus materiais. Os trabalhos ficarão em uma sala adjacente ─ ele indicou uma porta à sua esquerda. ─ até estarem prontas. Prosseguiremos o cronograma normal até a primeira etapa do trabalho ser concluída. Estão dispensados.

Dando uma última olhada na poção, Gwen colocou seus pertences de volta na mochila, guardou o restante dos ingredientes e seguiu para fora da sala. Rony ia na sua frente, Harry ao seu lado e Hermione atrás. Houve uma pequena confusão quando a pequena entrada encheu-se de corvinos e grifinórios, mas em pouco tempo estavam do lado externo. Ela retirou a capa e a jogou por cima da mochila, devido ao calor causado pelo ambiente abafado e os vapores da sala de Poções.

Parkinson, Malfoy e Zabini passaram em grupo pela esquerda deles. Os quatro observaram Pansy em suas falhas tentativas de chamar a atenção de Draco, cujo carregava uma expressão fria e até mesmo tediosa no rosto. Logo um vulto de cabelos escuros também cruzou o mesmo caminho, alcançando-os rapidamente.

─ Draco, preciso falar com você. ─ foi possível ouvir a voz de Nott. No mesmo instante o garoto de cabelos platinados virou-se para ele, a expressão tediosa transformando-se em algo cujo lembrava alerta.

─ O que aconteceu? ─ perguntou ele no exato momento em que Harry, Rony, Hermione e Gwen passavam ao lado deles.

Os quatro estavam ao pé dos degraus cujo levavam para fora das masmorras quando o sonserino respondeu, embora estivesse claro que não gostaria de fazer aquilo ali.

─ Algo muito sério.

Isso pareceu convencer Draco, pois ele, sem mais delongas, deixou Pansy e Blásio para trás, e fez o caminho de volta com Theodore para um dos corredores cujo adentravam mais nas masmorras. Eles sumiram quando viraram a curva. Parkinson pareceu irritada com o abandono súbito do loiro.

Harry olhou para Gwen sugestivamente, mas Hermione percebera suas intenções.

─ Nem pensar! ─ sibilou ela enquanto segurava o pulso do amigo. ─ Você não vai espionar Malfoy com Nott!

─ Hermione! ─ exclamou Harry revoltado enquanto era arrastado escada acima.

─ Nada de Hermione. ─ retrucou a mesma decidida. ─ Isso é um completo absurdo!

Agora estavam no primeiro andar do castelo. Hermione soltou-o e, indicando com a cabeça, pediu para que fossem com ela até uma das salas vazias do primeiro andar. Rony, Harry e Gwendolyn obedeceram, embora o segundo estivesse ligeiramente irritado com o impedimento da amiga. Harry abriu a porta e todos se enfiaram lá dentro; acabaram por descobrir que se tratava de uma das salas cujo caíram em desuso com o passar dos anos, e se transformara em um depósito de materiais para reposição.

─ O problema não era espioná-lo, e sim as circunstâncias. ─ declarou a garota enquanto fechavam a porta. ─ Estávamos na saída de um corredor repleto de alunos, e entre eles dois dos melhores amigos de Malfoy e Nott. Acham que eles não falariam nada depois? Só os alertaria para o fato de estarmos de olho nos passos de Malfoy.

Harry pestanejou surpreso; Gwendolyn franziu o cenho, mas foi Rony quem verbalizou o questionamento mental da loira:

─ Desde quando apoia o Harry nessa fixação pelo Malfoy?

─ Desde quando vi algo muito estranho no Mapa do Maroto. ─ respondeu ela. ─ Harry tinha ido até o dormitório masculino algumas noites atrás quando vi o mapa em cima da mesa. De alguma forma a nossa última conversa me veio à cabeça e resolvi dar uma olhada nele; só por curiosidade, sabe? ─ os três assentiram. ─ Então o observei e encontrei Malfoy no Salão Comunal da Sonserina, nada demais até aí.

─ E o que aconteceu de estranho com o nome de Malfoy no mapa? ─ perguntou Harry.

─ Sumiu. ─ esclareceu Hermione. ─ Ele havia deixado o Salão Comunal, subido alguns andares e o nome simplesmente desapareceu em um corredor sem saída. Achei inicialmente que o mapa estava errado ou com defeito...

─ Ele é à prova de erros. Lembra das pallavras de Sirius a respeito dele? ─ Rony questionou.

─ Foi nisso que pensei no momento. Olhei por todos os corredores, vasculhei cada mínimo detalhe, mas o nome de Malfoy não estava ali. Muito menos nos terrenos do castelo; era como se tivesse simplesmente evaporado.

Harry e Rony trocaram olhares.

─ E sabe para onde ele possa ter ido? ─ perguntou Harry.

A garota negou.

─ Mas se Malfoy está se empenhando o suficiente para esconder por onde anda, cujo tem eficácia até mesmo para o Mapa do Maroto... ─ Hermione mordeu o lábio. ─ Então coisas corriqueiras não são, certo? Quer dizer... Embora Hogwarts tenha mais de um milênio de existência e adquirido muitas coisas... Tudo está no mapa! As passagens secretas, os cômodos, corredores e salas! Por isso estou dizendo: segui-lo abertamente como você queria fazer ─ ela dirigiu-se diretamente para Harry. ─ não adiantaria em nada. A informação chegaria ao Malfoy até o fim do dia, e ele saberia que estaríamos de olho nele.

Rony pareceu refletir sobre o que a amiga dissera.

─ Então não está mais disposta a falar em plenos pulmões que Malfoy não é um Comensal da Morte? ─ ele olhou rapidamente para os outros. ─ Ótimo. Meus ouvidos agradecem.

A bruxa olhara com raiva para ele.

─ Em todo caso, ─ intrometeu-se Harry que percebera o indício de uma discussão ali. ─ Hermione está certa. Foi uma atitude muito impulsiva da minha parte. Sinto muito. Pelo menos fico mais tranquilo por não me considerar um louco obsessivo a respeito do Malfoy.

Hermione sorriu.

─ Então estamos conversados? Se realmente formos vigiá-lo, que seja de forma inteligente.

Estavam no saguão de entrada do castelo, às portas do Salão Principal, quando a luz para a repentina dúvida de Gwendolyn veio à sua cabeça, que se instalara dado o momento cujo Hermione contara sua história e passara todo esse tempo tentando esclarecer. Seus pés travaram no lugar e ela não conseguira mais acompanhar os amigos. Os olhos azuis acinzentados arregalaram-se com a realização e choque.

─ Sala Precisa! ─ exclamou ela atraindo os olhares de metade dos estudantes cujo passavam por ali. Os outros três viraram-se para Gwen rapidamente.

─ Desculpe? ─ perguntou Harry.

─ Sala Precisa! ─ repetiu, olhando sugestivamente para todos. Hermione foi primeira a compreender. A garota adquiriu uma expressão de total assombro, crispou os lábios e saiu em disparada pelo corredor; Harry, Gwen e Rony a seguiram no mesmo ritmo.

Alguns minutos depois estavam diante da seção histórica da biblioteca. Hermione passou os dedos freneticamente entre as bordas dos títulos e puxou um em especial ─ o exemplar de Hogwarts: Uma História.

─ Sério que a correria toda foi para isso? ─ Rony estava descrente, porém um olhar de Gwendolyn foi o suficiente para fazê-lo se calar. Hermione folheou rapidamente as páginas em busca de uma específica.

─ Aqui! ─ ela apontou rapidamente para um ponto da folha amarelada. ─ Só queria confirmar a informação; faz tempo que não leio esse livro. ─ a garota tornou a fechá-lo. ─ Como não pensei nisso antes? A magia da Sala Precisa é poderosa o suficiente para ocultar-se com perfeição, sendo capaz de enganar qualquer coisa cujo tente localizá-la. Por isso não aparece no Mapa do Maroto. ─ Hermione o colocou de volta na prateleira. ─ Malfoy está usando a Sala Precisa para fazer o que seja lá dentro. ─ ela murmurou a última parte. ─ Claro, eu devia ter percebido pelo corredor que ele havia desaparecido, mas evidentemente fui burra o suficiente para deixar esse detalhe passar...

─ Pelas barbas de Merlin, Mione! ─ esbravejou Rony, embora não ousasse levantar o tom de voz com Madame Pince por perto. ─ Você não precisa ser extremamente inteligente vinte e quatro horas por dia!

Mas Gwendolyn não estava ouvindo o que diziam. Haviam acabado de descobrir, por mero acaso, um meio de começar a vigiar Draco e quem sabe entrar no local cujo estava dedicando seu tempo. Depois de semanas questionando-se como proceder em relação ao assunto, a novidade era como ouro puro aos olhos da jovem bruxa. Os olhos verdes e brilhantes de Harry viraram-se para ela; ele também pensava a mesma coisa.

Fazendo uma varredura rápida pela área para certificar-se de estarem sozinhos, a loira focara sua atenção novamente nos três à sua frente e opinou:

─ Agora que temos uma boa ideia por onde começar, um serviço de revezamento poderia ser o ideal. Cada dia um de nós ficará com o Mapa do Maroto e vigiará Malfoy por ele; quando alguém o ver se dirigindo à Sala Precisa, os outros serão avisados e iremos atrás dele. O que acham?

Hermione assentiu, aprovando a ideia.

─ Sim, poderia ser bom.

Rony fez uma careta, embora as íris azuis brilhassem.

─ Por mais que seja chato bancar a babá de Malfoy, a ideia de vê-lo se ferrar compensa todo o resto. Podem contar comigo.

Os outros olharam para Harry, cujo não dera sua resposta.

─ Por que estão olhando para mim? ─ questionou ele. ─ Fui eu quem começou com isso. ─ agora ele dava uma curta risada, e jogando as mochilas nas costas, anunciou. ─ Fico com o primeiro turno.

Os quatro deixaram a biblioteca quase vazia e uma Madame Pince vistoriando as prateleiras para trás, andando apressadamente em direção à sala da professora McGonagall, faltando exatos cinco minutos para o início do horário de Transfiguração. A porta estava sendo aberta quando viraram no corredor e se misturaram com o grupo de alunos cujo adentravam no local. Harry e Rony ocuparam juntos uma mesa na segunda fileira.

Antes de sentar-se com Hermione, Gwendolyn tocou novamente o anel de prata em seu dedo, como se pedisse sorte ao objeto para o que estavam prestes a fazer. Porém no dado momento cujo McGonagall fechou a porta e ordenou para que a turma silenciasse, expulsou qualquer pensamento acerca do debate de mais cedo e deixou-se ficar ao lado da amiga. O piado de um pequeno pássaro em uma gaiola nos fundos foi a última manifestação de barulho antes da professora Minerva tomar a palavra.



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