História Helheim - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Dabi, Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Shouto Todoroki
Tags Dabibaku, Dabideku, Kiribaku, Kirikami, Mandragore, Todobaku, Tododeku, Todokami, Todokiribaku
Visualizações 220
Palavras 3.612
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Harem, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ei ei,
Essa fanfic vai ser uma short fic de no máximo 10 capítulos. Fui desafiada pela Luana (Lunes) do Nyah a postar uma short yaoi de 4 capítulos. Só que acabei me empolgando e ela terá muito mais que 4. Kkk

Alguns avisos:

— Já quero deixar que alguns personagens terão a personalidade mudada, mas nada ooc demais.
— Não tem casal certo definido. Posso dizer que vai ser praticamente um harém, onde geral vai pegar geral. k
— A fanfic vai passar em torno do Todoroki Shouto, Kaminari Denki, Bakugou Katsuki, Dabi e Kirishima Eijiro.
— A fanfic terá violência e irá abordar alguns temas pesados como suicídio e violência doméstica, mas em nenhum momento farei apologia.

Bom, acho que é isso.

Obrigada a Vic pela capa maravilhosa e a Danny por ter me apoiado e betado a fic. Amo demais as duas. <3
Boa leitura!

Capítulo 1 - Chapter I - Welcome to Helheim.


Todoroki Shouto desconfiava que o Internato Yuuei não era um lugar muito agradável, ainda mais depois de ter visto aquelas fotos na internet. Já dava para perceber que ficar ali não era algo bom, e nem um pouco agradável e com os rumores que rondavam o lugar deixava tudo pior, dava para saber só de olhar que o lugar era um verdadeiro cenário de filme de terror. Contudo pessoalmente, o lugar conseguia ser dez vezes pior, tudo bem que já estava preparado para ver qualquer tipo de coisa ali, mas ao chegar ali e olhar aquilo, sentiu um frio na espinha. Todoroki não esperava que a construção parecesse um lugar completamente abandonado. 

Mas também não era para menos. Pelo que Shouto sabia da história do internato, se é que poderia ser chamado assim, a Yuuei era uma antiga prisão da segunda guerra mundial onde alguns americanos ficaram presos. Foram torturados e sujeitos a todos os tipos de testes possíveis para a época, e claro, o lugar logo foi deixado de lado. Não queriam mais lembrar da época "negra" do Japão e anos mais tarde vieram transformar a antiga prisão em um Internato e Hospital Psiquiátrico para jovens delinquentes, todavia tudo o que fizeram foi transformar em outra prisão. 

Quando o bicolor chegou a primeira coisa que percebeu era como o lugar parecia realmente uma prisão. Não tinha muitas janelas e as paredes eram de pedras num tom escuro, poderia ser preto, mas era apenas sujeira mesmo, entre as pedras cresciam limo e musgo, e as poucas janelas que o local possuía já estavam velhas, enferrujadas, além de serem tão sujas que nem um pano daria conta. Parecia que poderiam cair há qualquer momento na cabeça do que ousasse passar embaixo e por dentro poderia ser pior ainda; e ele tinha certeza de que era. Seus corredores eram escuros e pareciam abandonados, temia que a qualquer momento um espírito daqueles que foram torturados aparecesse... Afinal barulho eles já faziam. Via apenas alguns internos andando de cabeça baixa e com um ar sombrio em volta. Temia olhá-los, afinal, se estavam ali, motivos tinham. 

Somente quando se viu ali na secretaria se sentiu mais aliviado, afinal se viu em um lugar mais agradável, mais limpo e organizado. Não era um ambiente fechado, a enorme janela de estilo vitoriana estava aberta, o que permitia entrar um pouco de ar no lugar que ainda cheirava a mofo, nem tudo podia ser um mar de rosas. 

— Todoroki Shouto? — Ergueu a cabeça ao ouvir uma voz feminina lhe chamar. Estava perdido em pensamentos sobre o lugar mais 'bonito' que já vira ali, e desconfiava ser o único... Talvez a sala do diretor seja a outra excessão, quem sabe. — Desculpe a demora, sou Awata Kaoruko. 

Depois de praticamente duas horas ali sentado esperando para ser atendido e já cansado de decorar os moveis daquele lugar, apareceu alguém. Observou a mulher por um instante e se sentiu um pouco confuso, estava surpreso na verdade, pensava que ninguém lhe dirigia algum tipo de simpatia e ao contrário do que pensou a mulher de pele escura lhe sorriu simpaticamente, pela primeira vez, desde que entrou ali naquele inferno alguém lhe direcionou um gesto acolhedor, um sorriso. E diferente dos outros que viu por ali e dos seguranças que o arrastaram e lhe jogaram naquela sala - como um detento -, ela parecia ser uma pessoa simpática. 

Se limitou a apenas acenar com a cabeça de forma afirmativa. Enquanto, via Awata se direcionar a seu lugar, atrás da mesa da secretária. 

— Seja muito bem-vindo! Sei que isso não é a melhor coisa a se falar, mas é o que você precisa ouvir de mim. — Comentou bem humorada olhando o mais novo de forma séria e avaliativa. — Já que provavelmente nem gostaria de estar aqui. Na verdade, quem em sã consciência gostaria de estar neste lugar? — A última frase falou mais baixo questionando mais para si mesma do que para o bicolor a sua frente. Ela o olhou e sorriu acolhedora, voltando a falar, dessa vez com ele — Eu chamei um interno para te apresentar ao local e para te apresentar o local que você passará as suas noites, seu dormitório. Você vai estar no Bloco 2, então não precisa se preocupar com nada. — Ela disse enquanto se levantava de seu lugar e lhe entregando uma pequena chave simples e com um único que chaveiro contendo um número, desconfiava ser de seu dormitório. — Tchau tchau e se cuida, rapaz. 

Todoroki não teve tempo de raciocinar direito, nem se quer responder um obrigado para a moça. Só apenas pegou a chave e se retirou daquela sala; Alguém viria buscá-lo? Ele poderia andar assim tão livremente? 

Ele tinha certeza de que as coisas li eram mais rigorosas... Até que se respirasse fora das regras estaria encrencado, todavia não era essa a impressão que Yuuei passava... 

— Novato? — Se virou na direção da voz masculina, se deparando com um rapaz ruivo que aparentava ter a sua idade. Acenou mais uma vez com a cabeça afirmativo. — Sou Kirishima Eijiro e serei seu guia turístico para o inferno

Apesar da frase não ter sido uma das melhores e nem das mais acolhedoras, percebeu que o garoto fazia piada da própria Yuuei. E não tirava a razão dele, só pela aparência do lugar dava a sensação de estar vivendo em um. 

— Todoroki Shouto. 

Se apresentou de forma simplista, se pondo a caminhar ao lado do ruivo que ostentava um sorriso do rosto. Lhe mostrando os dentes estranhamente cerrados, pareciam facilmente com os de um tubarão. Aquele ali era a segunda pessoa que se mostrava tranquila e sorridente apesar de estar no local em que estava. 

— Awata-san, me informou que seu dormitório é no Bloco 2, então você tem a fichinha um pouco pesada. — Kirishima comentou se lembrando da conversa que teve mais cedo com a secretária. — Você vai ficar na mesma turma que eu, terceiro ano A, fica no bloco principal. Te levarei até lá. — Continuou vendo que o mais alto não parecia muito interessado em conversar, mas estava lhe dando atenção e isso já bastava, no momento. 

— Obrigado. 

O restante do caminho foi o ruivo lhe mostrando o Internato e foi exatamente como pensou, mesmo que visse alguns internos espalhados por aqui e por ali. O lugar parecia realmente abandonado e completamente sujo, podre. Kirishima não parecia se importar com o estado deplorável do lugar, parecia estar até acostumado com o lugar pavoroso e podre de sujo, como poderíamos viver ali? Inclusive, lhe mostrava tudo com uma empolgação admirável, quase palpável. O sorriso não parecia sumir do seu rosto, mesmo lhe dando respostas curtas. O ruivo não se deixou abalar conversando e contando tudo sobre cada lugar ali. 

— Agora irei te mostrar o prédio principal da Helheim. 

— Helheim? — Teve sua curiosidade desperta, pela primeira vez naquele lugar. Não se lembrava desse nome quando pesquisou na internet sobre o lugar, nem ouviu ninguém se referir assim a aquele local. 

— Ó, não sabia? — Viu o menor parar, lhe direcionando um olhar surpreso. — A Yuuei recebeu este nome por causa de nós, os encostos da sociedade. — Respondeu fazendo careta quando se referiu a encosto da sociedade, achou graça, mas não demonstrou. — Você sabe o que significa Helheim, certo? — Viu o bicolor acenar um sim com a cabeça. — Então, na mitológica nórdica é o domicílio dos mortos, como um inferno. Assim somos nós. — Explicou vendo confusão estampar na face do outro. — Todoroki, para a sociedade nós estamos mortos. Segundo eles, na Yuuei, só tem doentes e delinquentes. 

— Quando pesquisei sobre o Internato não falava nada disso... 

— Claro que não fala. Apenas quem vive aqui nessa prisão sabe a verdadeira realidade em que vivemos. 

— KIRISHIMA! 

Antes que o outro pudesse responder qualquer coisa, fora cortado ao ver um vulto loiro correr e gritar pelo ruivo ao seu lado. 

— Que...? 

— O Bakugou... — Viu a figura loira abaixar se apoiando nos joelhos enquanto respirava com dificuldade, recuperando um pouco de ar de sua corrida afoita. — briga.. De novo. — Falava tentando normalizar a respiração. — Dabi. Pátio. 

— Porra! — E tudo aconteceu rápido demais aos olhos do outro, viu quando a face do ruivo endureceu enquanto corria puxando o loiro pelo braço que tentava não tropeçar nos próprios pés. 

E agora? Todoroki naquele momento se viu perdido, afinal não conhecia nada naquele lugar. O seu guia tinha o abandonado por causa de uma possível briga e ele ainda não tinha lhe mostrado onde ficava os dormitórios. Se perderia ali caso tentasse encontrar, sem nada a perder se viu indo em direção ao pátio onde achava que poderia encontrar seu guia, afinal pelo o que entendeu do loiro, era lá que estava ocorrendo a tal briga. Pelo menos, o pátio ele tinha lhe mostrado. Não era muito longe dali. 

Quando chegou na entrada do pátio viu uma roda de pessoas que gritavam e vaiavam. Provavelmente, era a tal briga. Normalmente, ele se manteria afastado, só que conseguia ouvir a voz de Kirishima no meio das outras. Parecia estar precisando de ajuda. 

Não estava conseguindo ver direito e estava praticamente impossível passar no meio da bagunça. Foi numa brecha que conseguiu ver a cabeleireira ruiva de Kirishima. Ele e o loiro pareciam fazer um esforço tremendo para segurar uma segunda figura loira que se debatia entre a pequena prisão que os dois faziam. 

— Bakugou, se o inspetor ver a briga vai ser pior. — Kirishima tentava conversar com o amigo, mas provavelmente entrava em um ouvido e saia no outro, pelo jeito que se debatia tentando se soltar. — Você já está todo ferrado. 

Bakugou só ouvia vozes ao seu redor, mas não entendia nada, a raiva era tanta que não ligava para nada daquilo. Seu desejo naquele momento, era apenas socar a cara do deformado a sua frente, e se dependesse dele, ele ficaria mais deformado ainda. 

—- Volta aqui, seu porra. — Exclamou alto vendo o outro com quem brigava lhe virar as costas junto com a loira, dando a briga como encerrada. — Não vai vingar sua putinha

E tudo aconteceu rápido demais, ele só teve tempo de perceber enquanto era jogado no chão e o impacto de um soco em seu rosto, que logo viraram vários outros. 

Kirishima quase foi levado junto quando o moreno, Dabi, avançou contra Bakugou. Não estava preparado e por causa disso acabou soltando o loiro. Junto com Kaminari tentou tirar Dabi de cima do outro, mas o loiro explosivo aproveitou a brecha para avançar no moreno que estava sendo segurado. 

Entretanto, Kirishima fora surpreendido quando Todoroki se colocou entre os dois, levando o soco no lugar de Dabi. Porém, não pareceu se abalar pelo golpe e tentou segurar Bakugou. Por essa Kirishima realmente não esperava. 

— Dabi, por favor. Chega! — Toga aproveitou a intromissão do rapaz bicolor e abraçou o moreno que fitava o oponente com ira. Sua raiva era tanta que se pudesse matava o outro sem remorso algum, como ele ousava dizer aquelas coisas e achava que sairia impune?! — Vamos sair daqui, agora

Dabi sentiu os braços finos da loira envolver sua cintura. Ao voltar sua atenção para ela se sentiu magoado, nunca havia visto a garota tão frágil como estava agora. Os olhos dourados que sempre brilhavam intensamente estavam receosos e jurava que a qualquer momento ela poderia chorar. 

Forçou os braços do ruivo a lhe soltar, que ainda lhe segurava para evitar uma nova disputa de socos e chutes entre eles e virou as costas para todos, se distanciando do local enquanto era seguido pela moça, a mesma ainda agitada com a situação. 

— Volta aqui, desgraçado. — Gritou Bakugou. Como aquele filho da puta poderia lhe virar as costas desse jeito? Lhe deixando ali, como um nada! 

— Bakugou, já chega. Vamos para a enfermaria. — Sentenciou Kirishima vendo o bicolor soltar o loiro, ainda estava surpreso que ele sozinho havia conseguido conter o outro. — E isso não foi um pedido. 

— Que porra você... — mas Kirishima o interrompeu rudemente. 

— Agora. 

Todoroki viu quando o loiro apenas bufou com raiva e saiu em direção ao que parecia ser a enfermaria. 

— Você também, Todoroki. 

Ele não era o tipo que cumpria ordens e estava pronto para replicar a ordem quando olhou para Kirishima, ao ver o semblante fechado do ruivo, decidiu que não havia como escapar e acabou não tendo outra opção a não ser a de segui-los. 

Porém, só depois que seguiu na direção que o outro partira, ele começou a sentir o olho direito dolorido e claro que ele sabia que provavelmente ficaria roxo e inchado. Ótimo, mais uma "cicatriz" para a coleção. 

Caminharam em silêncio para a enfermaria. Todoroki via os dois seguindo na frente, o loiro toda hora murmurava algum xingamento ou alguma ameaça que não conseguia entender direito. Enquanto, o ruivo seguia sério sem se importar com o que o outro falava. 

Parou quando viu os dois pararem em frente uma enorme porta enferrujada onde julgou que deveria estar escrito Enfermaria, entretanto to o que estava escrito era E fer ar a. A escrita estava quase apagada e o N, M e o I praticamente sumiram, e claro que aquele lugar não ligava bulhufas se você encontraria sozinho ou não aquela porra de lugar. Kirishima bateu na porta e um barulho oco se foi ouvido, logo em seguida a porta fora aberta, fazendo um barulho ensurdecedor de metal sendo arrastado no concreto, devido a porta ser de ferro puro e estar enferrujada em algumas partes. Teve certeza que fez careta ao ouvir o barulho, ao contrário dos outros dois que pareciam estar acostumados com isso. 

Viu quando a cabeça da mulher de meia idade surgiu pela porta , ela olhou bem para os dois e logo balançou a cabeça em negação, viu a dupla a sua frente reagiu de formas diferentes, um irritado e o outro levemente envergonhado, provavelmente por estar a incomodando novamente, a mulher deu espaço para os dois entrar. Torodoki apenas os seguiu. 

Por dentro, a enfermaria conseguia ser pior do que o lado de fora. O que era para ser uma maca, era uma cama de pedra com alguns lençóis em cima e apenas isso. Viu o loiro se jogar em cima da "cama" e encarar o nada com desgosto como se não quisesse estar ali, e provavelmente não queria mesmo. 

— Não sei mais o que fazer com você, menino Bakugou. — Voltou seus olhos para a idosa que ia em direção do rapaz com uma caixa de madeira em mãos. Todoroki nem viu que ela tinha saído. — Você passa mais tempo aqui do que lá fora. 

— Desculpe por isso, Senhora Shuzenji. — Fora o ruivo que se desculpou no lugar do amigo. Ela por vez, balançou a cabeça em negação, enquanto colocava uma escadinha para ficar na altura do garoto explosivo. 

Foi ao ver o loiro reclamando de dor que parou para reparar no estado dele. O seu olho esquerdo estava roxo, o lábio inferior sangrava, além da bochecha inchada e cortes espalhados pelo rosto. Como ele tinha ficado daquele jeito em poucos minutos de briga? 

— E você? Quem é? 

Despertou ao ver Shuzenji lhe direcionar a voz, novamente ele ficava viajando acordado. 

— Todoroki Shouto. 

— Ele é calouro. Me ajudou a segurar o Bakugou, mas acabou levando um soco no processo. — Explicou Kirishima enquanto dava um sorriso sem graça. 

— Já trago um saco de gelo para você por ai no rosto, rapaz. 

— Duas caras intrometido. Quem você pensa que é? — Bakugou explodiu se lembrando do garoto que o segurou, como ele ousava se meter? Nem o conhecia! — Não se meta onde não foi chamado, desgraçado. 

— Ele estava comigo, Bakugou. — Cortou Kirishima evitando uma possível nova briga. 

Todoroki não se lembrava exatamente porque se meteu na briga, muito menos porque se deixou ser atingido. Quando deu por si já estava tentando segurar o loiro, e acabou recebendo o soco no lugar do outro cara. No qual, nem se lembrava da cara, caso cruzasse com ele novamente. 

Nunca foi de se envolver em brigas desnecessárias, pelo contrário, era o tipo de garoto que vivia na sua, fugia de problemas. Não era covarde, mas sempre evitou se envolver em problemas. Principalmente, nos quais não tinha nada a ver com ele. 

— Aqui. — Foi desperto de seus pensamentos novamente ao ver a mais velha lhe entregar uma bolsa de gelo. — Mantenha em cima do olho pelo restante do dia, se puder, é claro.

— Obrigado. — Agradeceu fazendo uma reverência para a mais velha. 

— Vamos. — Se virou vendo Kirishima na porta o chamar ao lado do loiro que já estava com um curativo pequeno no lábio inferior e também segurava uma bolsa de gelo igual a sua. 

Ao sair do lado de fora se depararam com o loiro de antes no corredor, os esperando de forma entediada. 

— Tenho que te levar ao dormitório. — Se pronunciou Kirishima voltando a atenção para ele. — Vou deixar Bakugou no refeitório e vamos para lá. 

— Não preciso de babá, seu bastardo. 

— Eu levo o Todoroki pro dormitório, faz tempo que não o vejo afinal... 

Fora com essa frase que ele reparou melhor no garoto que estava ali os aguardando, reparou em seu semblante, postura e foi ali que a ficha caiu. 

— Kaminari? — Pronunciou surpreso ao ver o antigo amigo de infância ali, no inferno, como Kirishima havia lhe dito. 

— Quanto tempo não? 

— Se conhecem? — Perguntou Kirishima confuso, alternando o olhar entre o bicolor e o loiro. 

— Amigos de infância. — disse dando de ombros. 

— Entendo. — Concluiu já se virando com Bakugou. — A gente se vê por aí. É o bloco 2 e bem-vindo ao inferno, novato. 

Todoroki observou Kirishima ir embora com Bakugou em silêncio. Não sem antes lhe direcionar um sorriso gentil; O mesmo sorriso que lhe deu quando se viram mais cedo. 

O caminho com Kaminari até o Bloco 2 foi em completo silêncio. Todoroki sempre gostou do silêncio em si, mas naquele momento estava incomodando. Durante a infância o loiro sempre fora um rapaz comunicativo e hiperativo, mas naquele momento ele se mantinha sério e quieto. Nem parecia o mesmo de sua lembrança. 

As vezes, o olhava de canto e sua expressão se mantinha ora fechada ora entediada e naquele momento não sabia exatamente como puxar uma conversa com ele, mesmo que quisesse o fazer. Nunca foi bom em puxar conversas e fazer amizades. 

Se lembrava vagamente que na infância quem sempre falava mais era Denki. Naquela época, vivia o mandando calar a boca, mas agora só queria que ele falasse algo, que fizesse parecer que eram crianças novamente. 

— Qual número do seu quarto? — O silêncio finalmente fora quebrado pelo loiro, mas não da forma que o outro queria. — Normalmente, fica na chave. — Continuou vendo a cara confusa do bicolor. 

Kaminari Denki sabia que Kaoruko era meio louca, e não duvidava que ela não tenha falado o número do dormitório do rapaz ao mesmo. 

— 36 — Respondeu olhando o chaveiro que estava em sua chave. 

O loiro apenas concordou com a cabeça, enquanto seguiam na direção do 36. O silêncio mais uma vez se fez presente entre os dois. Quando entraram no bloco 2, Todoroki observou bem o lugar, não era nada diferente dos outros locais, contudo aquele lugar parecia ser ainda pior do que os outros, e ele não sabia explicar o porque... Viu as escadas empoeiradas com marcas de alguns passos, nunca limpavam aquele lugar ao que parece, ele não acreditava que teria que subir as escadas, principalmente quando não sabia qual andar seria seu dormitório. 

Para a sua sorte entraram na porta do terceiro andar. Logo, no inicio do corredor viu uma porta com o número 32. Seu quarto ficava ali no terceiro andar. 

Ouviu o barulho familiar de isqueiro e para sua surpresa o menor estava acendendo um cigarro, logo ele que durante a infância e pré-adolescência vivia falando que nunca iria fumar ou beber. 

— Da última vez te vi você disse que nunca fumaria. — Viu ali a chance de puxar assunto, não queria ser invasivo ou ditar sobre a vida do loiro. Estava apenas curioso de certa forma e queria muito ter alguma conversa com ele. 

— E você não tinha essa cicatriz no rosto. 

Touchê, não esperava por esta. Quando estava pronto para responder viu o menor parar em frente a porta de madeira com o número 36, seu dormitório. O loiro apenas acenou com a cabeça em uma despedida, logo lhe dando as costas. 

Seria assim então? Não falaria mais nada? Sem escolha acenou de volta destrancando a porta, pronto para entrar em seu dormitório, quando o escutou. 

— Todoroki. — Se virou para o loiro com curiosidade — Mantenha distância da gente se for esperto, — ele o olhou sério, e não esboçou nenhum sorriso — principalmente do Bakugou e Kirishima. — ele deu as costas para ele e voltou a caminhar — Considere isso um conselho. 

E antes que pudesse responder qualquer coisa, viu o loiro sumir pelas escadas. Então era esse o motivo? Foi por isso que ele quis lhe trazer até ali? Para lhe dar um aviso? Ao que parecia, sim... E por um instante, achou que ele queria reviver o passado que um dia tiveram... Ledo engano. 

Todoroki Shouto sabia que não seria fácil estar ali, ainda mais sem conhecer ninguém ali. Depois dos ocorridos do dia, o soco e o aviso de seu antigo amigo, se viu ainda mais confuso e perdido. Achava que com o encontro com Denki não estaria mais sozinho, contudo havia apenas se enganado, ele não era mais seu amigo...  E quem precisava de amigo?

Contudo o que ninguém de Helheim sabia, é que o verdadeiro inferno começaria com a sua chegada, Todoroki estava ali por um motivo e deixaria claro para todos.

"Assim somos nós, o inferno na terra, porque para a sociedade estamos mortos, mas não para eles, afinal, somos todos... Helheim."
 


Notas Finais


E ai? Alguém gostou? Foi aprovado? AHAUAUA
Sei que ficou confuso, mas irão entender melhor no próximo capitulo.

Awata Kaoruko é a Bubble Girl.
Chiyo Shuzenji é a Recovery Girl.
Obrigada por lerem! <3


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