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História Hello - Capítulo 1


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Notas do Autor


Essa one originalmente não é minha, mas sim uma obra da minha autora de fic favorita, a Natália, mais conhecida como Sky (@luthxrsexual). Essa one foi postada anos atrás junto com um conjunto de ones baseadas em músicas da Adele, mas essa ganhou meu coração desde o primeiro momento e eu sou completamente apaixonada por ela! Quero deixar aqui meus agradecimentos a Nath por ter deixado eu fazer essa adaptação e, lógico, por ter escrito essa obra de arte.
Espero que gostem, e peguem lencinhos!

Capítulo 1 - Capítulo Único


...

“Hello. It’s me I was wondering if after all this years you’d like to meet to go over everything. They say that time’s supposed to heal ya but I ain’t done much healing”

Chiara olhava para o teto branco de sua casa, sua cabeça descansava no braço do sofá enquanto as imagens nostálgicas passeavam pela sua mente. Fechou os olhos e por um momento realmente achou que estava revivendo as cenas, que realmente podia sentir o toque, o cheiro, e a sensação que sentia quando estava perto de Ana Carolina, sua Ana, ou melhor, apenas Ana. Ela havia deixado de ser sua há muito tempo, ainda sem abrir os olhos esticou o braço e apertou no botão da secretária eletrônica.

- Alô? Hum... sou eu – um momento silencioso se fez depois da identificação da voz, Chiara reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mesmo que muito tempo houvesse se passado – Eu sei que faz muito tempo, mas eu tinha que ligar... hum... eu estava imaginando se depois de tanto tempo você gostaria que nos encontrássemos, sabe, um café, alguma coisa…

A voz da mulher havia desaparecido daquela máquina de recados, Chiara não percebeu que as lágrimas deslizavam de seu rosto e caíam sobre o sofá, fazendo duas manchas de água.

— Estúpida Ana! – disse com sua voz trêmula causada pelo o nó que havia se formado em sua garganta. Ela cresceu ouvindo as pessoas dizerem que o tempo curava tudo, mas naquele momento ela só queria estapear todos que lhe disseram essa mentira. Tempo não cura, ele ameniza a dor, mas o problema é que a dor é como uma amiga distante, ela pode não está presente em todo o momento, mas quando você menos espera ela está de volta e muitas vezes essa volta costuma permanecer por um bom tempo –

Há quase dez anos Chiara não havia recebido notícias de Ana Carolina, e ela estava bem com isso. Elas tinham tudo para ter uma história linda e duradoura, eram amigas desde a infância, namoraram dos quinze anos até os dezoito, tudo acabou quando Ana resolveu sair da cidade e estudar em outro estado, deixando Chiara devastada, Ana era sua amiga, namorada, seu porto seguro e do dia para noite... Ana já não era mais nada.

— Chiara... – Chiara levantou do sofá e olhou para a prima –

— Vai embora Bianca! – ordenou, Bianca negou e se aproximou da prima. –

— Você não acha que ela já te fez sofrer o bastante? Fica ouvindo essas mensagens –

— SAI! – gritou. Bianca então resolveu fazer o que ela pediu, não iria adiantar mesmo –

Chiara foi até sua cozinha e pegou uma garrafa de uísque, não se deu o trabalho de procurar algum copo para abrigar o líquido. Voltou à sala e sentou-se no chão, descansando suas costas no sofá. Pegou o celular e acessou suas mensagens de voz, Ana tinha tentado contato com ela diversas vezes, mas ela não estava disposta a vê-la novamente ou atendê-la.

“Hello. Can you hear me? I’m in California dreaming about who we used to be when we​ were younger and free I’ve forgotten how it felt before the world fell at our feet”

 Depois que ativou a mensagem abriu a tampa da garrafa e começou a beber esquecendo qualquer costume à mesa que sua mãe havia lhe ensinado.

— Alô? Sou de novo, Ana... Você está conseguindo me ouvir? É que está um barulho horrível aqui, desculpe por isso... Provavelmente você não quer falar comigo caso contrário teria atendido minhas ligações ou retornado. – Ana deu uma pausa e só podia-se ouvir um barulho do que parecia ser que Ana estava na rua – Sabe, eu estou na Califórnia e não pude deixar de lembrar de quando éramos jovens e fazíamos diversos planos, você lembra? – outra pausa – Céus... Você provavelmente deve está me achando louca por deixar recados para você, só queria saber se ainda lembra do que vivemos... Eu, eu vou desligar –

Ao ouvir as palavras de Ana, Chiara podia jurar que ali na sua frente estava passando a cena de quando as duas eram mais novas e viviam de sonhos, a morena deu mais um gole no uísque achando que quanto mais álcool em seu organismo, mas ela poderia achar que os dois fantasmas do passado ali na sua frente eram real. Então ela apenas observou, sentindo a nostalgia lhe dar um soco no estômago.

 — Como você imagina que será nossa vida daqui a alguns anos? – a jovem morena perguntou enquanto sua namorada descansava a cabeça sobre as pernas de Ana, estavam sobre a sombra da macieira da casa de Chiara, fazendo planos e sonhando com um futuro perfeito –

 — Sairemos de Roma, você se tornará uma médica e eu serei uma advogada. Iremos morar na Califórnia, a princípio teremos dois cachorros Chicó e Dorinha. Quando eu tiver vinte oito anos irei engravidar de gêmeas e elas terão seus olhos, o meu sorriso e claro minha personalidade – Ana gargalhou com os planos de Chiara e deu um beijo na testa de sua namorada –

 — Você tem um fascínio por Califórnia, não é mesmo? Pois será lá que iremos morar –

— E você? Como imagina nosso futuro? – perguntou curiosa –

— Sinceramente? Não gosto muito de pensar no futuro, mas eu só peço para que você esteja nele – as duas se olharam por um tempo até que Chiara decidiu fechar os olhos e esperar os lábios de Ana tocarem os seus.

Chiara balançou sua cabeça e fechou os olhos, tentando aprisionar as lágrimas ao lembrar-se das promessas que Ana havia feito. Quando abriu os olhos os fantasmas do passado haviam desaparecido e ela não sabia se estava aliviada com isso.

 

 Chiara levou sua mão à boca em espanto, Ana a amava o que a deixou furiosa. Chiara começou a gritar enquanto jogava coisas contra o chão, a garrafa de uísque estava quebrada e deixando o piso escorregadio, a secretária eletrônica estava estraçalhada no chão, seus vizinhos provavelmente estavam ouvindo o ataque da mulher. Chiara pegou as chaves do seu carro e saiu da casa não se importando em trancá-la.

“So hello from the other side I must’ve called a thousand times to tell you I’m sorry for​ everything that I’ve done but when I call you never seem to be home”

 Chiara havia dirigido quilômetros, desviava de carros enquanto recebia sons de buzina dos outros carros, ela não estava em seu melhor estado, mas ninguém poderia culpá-la.

 

 Quando chegou a seu destino estacionou o carro de qualquer maneira e saiu correndo. Alguns curiosos olhavam para ela com desconfiança e alguns até com pena, a mulher corria parecendo apressada para algo inevitável. As lágrimas secavam conforme o vento tocava em seu rosto, o coração pulsava tanto que o barulho chegava a seu ouvido, quando chegou a seu ponto abaixou-se, ficando de joelhos enquanto olhava fixamente para o “Ana Carolina Souza” na lápide.

 

 — Me perdoe por tudo o que eu fiz, sei que onde você está deve está me vendo. Me perdoe por ter ignorado você, por não ter atendido suas ligações, me perdoe por ter te procurado quando já era tarde demais... – Chiara tocou no nome na lápide como se tocasse o rosto de Ana.

 

 Há duas semanas havia recebido uma ligação da mãe de Ana dizendo que a filha havia falecido por conta de uma doença. Chiara passou duas semanas se recusando a acreditar naquela notícia, foi quando resolveu ouvir tudo o que Ana tinha para dizer em suas mensagens de voz, ela só queria ter feito diferente.

 

 – Eu amo você... Eu perdoo você – Chiara não sabia que tinha mais lágrimas para deixar sair, mas era como um rio em correnteza, sentiu um aperto no peito e o vento frio fez ela se arrepiar, poderiam chamá-la de louca, mas ela sentia que era Ana.



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