História Hello Baby - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Tags 2jae, Got7, Markson, Mpreg, Romance, Yaoi
Visualizações 255
Palavras 4.767
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Passando rapidinho pra postar mais um cap e sair correndo. Agora que meu pc foi pro brejo, eu vou demorar mais pra atualizar por motivos de pessoas que possuem iphone serem bullinadas quanto ao app e mais outras bagaças aí.
Ps 1. Obg a todos os comentários e favoritos, to mto soft. <3
Ps 2. Dois beijos para quem surtar que nem eu no final desse cap.
Cap não revisado e boa leitura <3

Capítulo 4 - Olhos.


NARRADOR

 

O som das embalagens de vidro batendo umas contra as outras abafavam boa parte dos resmungos que Yugyeom soltava enquanto era arrastado por Youngjae pelo saguão bem iluminado da Hyungsang's Health. Passava pouco das nove da manhã e o movimento ali era calmo já que a maioria dos departamentos já tinham iniciado seu turno. Aquela regra, no entanto, não se aplicava aos envolvidos na comemoração da noite anterior. Era um regulamento que não estava no manual dos funcionários, mas era de conhecimento geral que quando houvesse bebedeira na noite anterior o departamento envolvido teria o horário de entrada estendido dependendo do quão grande fora a comemoração e, julgando pelas pessoas que Youngajae reconheceu como o pessoal do departamento de marketing que vagavam por ali como zumbis, eles estavam muito adiantados. 

— Eu nunca mais vou beber de novo. O álcool é inimigo, inimigo. — Yugyeom resmungou, levando as mãos aos feios descoloridos e bagunçando-os sem a menor piedade. — É uma promessa, se eu beber de novo pode vender minha coleção do One Piece, Hyung. — olhou para Youngjae que soltou uma risada curta e apertou o botão do elevador. 

— Vou ficar rico então. Aqueles mangas de edição limitada devem valer uma nota no eBay. — zombou do mais novo. Yugyeom fez uma careta indignada e abriu a boca, pronto para responder aquela afronta, mas foi impedido pelo moreno que o puxou pelo braço para dentro do elevador. — Quem sabe eu não te pago uma cerveja depois disso? — sorriu. 

— Que blasfêmia. Eu nunca mais vou colocar uma gota de álcool na boca. — revirou os olhos. 

Yugyeom só queria dormir até o fim dos tempos. Nem mesmo o meio litro de suco de laranja e dois analgésicos que tinha tomado a força naquela manhã fizeram algum efeito sobre a ressaca forte que o assolava naquele momento. O plano de nunca mais beber parecia muito bom, mesmo ele sabendo que não duraria mais do que o próximo final de semana, a expressão de desprezo de Youngjae estava o incomodando profundamente. Quem aquele Hyung pensava que era para não acreditar em si? 

— Sei. — respondeu sem muita vontade e voltou a mexer nas sacolas brancas que carregava, ignorando completamente os xingamentos alheios. — Aqui. Vai curar o demônio dentro de seu cérebro. — colocou o frasco marrom nas mãos do mais novo e abriu um pequeno sorriso, empurrando-o para fora do elevador que já se encontrava no decimo nono andar.

— Yug. — chamou o mais novo enquanto segurava o botão para manter as portas abertas. O louro se virou em um movimento rápido e arqueou as sobrancelhas, fazendo Youngjae exitar por um momento. Ele não podia se lembrar. — Você se lembra do que aconteceu ontem? — mordeu os lábios, nervoso. 

— Sim. — respondeu simples, olhando nos olhos do menor. — Eu lembro que me arrastou quando eu estava prestes a cantar aquela loira bonita. — acusou o amigo, emburrado. 

— Mais nada? 

— Não. Depois só da dor de cabeça que acordei essa manhã. — deu de ombros, analisando as reações alheias. Youngjae desviou o olhar para o chão, suspirando audivelmente.— Por que? Aconteceu alguma coisa? — estreitou os olhos, curioso. 

— Nada. Apenas queria saber se você lembrava quando eu deixei sua cabeça bater acidentalmente contra o capô do carro. — deu de ombros como se aquilo fosse normal. — Mas já que não, esqueça o que eu disse. Até mais, Yug. 

Youngjae apertou o botão para as portas se fecharem antes mesmo quero Kim pudesse abrir a boca para amaldiçoa-lo como sempre fazia, agradecendo pela lerdeza pós bebedeira do amigo. Ele soltou um longo suspiro, encostando-se nas paredes frias de metal. Yugyeom não se lembrava de nada, afinal. Aquilo era uma boa coisa, assim seu plano de ficar longe de problemas — vulgo, JB — seria mais fácil. Fingir que não tinha presenciado Jaebum gritando com seu pai sobre algum plano maluco sobre a presidência, fingir que não tinha curiosidade nenhuma sobre o que os sussurros que vieram depois significaram e também fingir que não sentia que extremamente incomodado com o olhar do ruivo sobre si. 

Era exatamente isso que ele precisava fazer: fingir. As contas não se pagavam sozinhas no final do mês e ele não tinha tempo para ficar pensando em questões para as quais não tinha uma solução racional e que, consequentemente, iriam colocar seu emprego em risco. Somente aquele pensamento fazia o Choi tremer em desespero, ele precisava daquele emprego mais do que tudo é não seria o herdeiro dos Im que acabaria com sua paz de espírito naquele lugar sagrado. O som das portas se abrindo chamaram Youngjae de volta para o mundo real e ele limpou a garganta, ajeitando as sacolas pesadas nas mãos e caminhou pelo corredor vazio até as portas de vidro que separavam o hall do departamento de desenvolvimento. 

Ele parou alguns segundos para observar o pouco movimento ali dentro e deduziu que a urgência de medicamentos que Eunbi mencionava em sua mensagem nada amigável pouco mais de uma hora atrás era real. Os poucos funcionários que se encontravam ali estavam, em sua maioria, debruçados em algum lugar entre as pilhas de papéis  e os copos fumegantes de cafe preto que adornavam quase todas as mesas. É, a noite havia sido longa para eles. Youngjae abriu a porta fazendo o menor barulho possível e seguiu para a mesa a passo lentos, temendo fazer mais barulho que o ronco do senhor algumas cadeiras ao lado e colocou as sacolas com sucesso encima da mesa, soltando um suspiro aliviado. 

Metade do problema estava resolvido. 

Só faltava a outra metade: distribuir aqueles frascos para seus colegas bebuns. Ele massageou os tendões das mãos por alguns segundos, sentindo a dor indo embora e resolveu acabar com aquela tarefa de alguma vez, quem sabe conseguisse tirar alguma soneca antes de Eunbi chegar. 

As bolsas negras debaixo dos olhos castanhos entregavam a noite de sono perdida devido aos pensamentos que rondavam sua mente que, com a ajuda de um Yugyeom se mexendo a cada trinta segundos, agora provavelmente o transformaram em uma espécie de panda cansado. Ele sabia bem disso, afinal as piadinhas sobre aquelas bolsinhas perseguiram-no o caminho todo até a empresa, mas Youngjae resolveu deixar a vingança contra os comentários ofensivos do Kim para depois e pegou as garrafinhas de vidro marrons , caminhando na direção da sala de sua chefe onde a primeira delas foi deixada junto com uma cartela de analgésicos. 

Todos sabiam que Eunbi seria a mais afetada por aquela ressaca conjunta, afinal era ela a que mais bebia entre todos, mostrando sua superioridade até em assuntos como aquele. 

Youngjae não pode deixar de fazer uma careta com o pensamento do quão rabugenta a coreano estaria naquele dia. Ele fez um pequeno sinal da cruz, apenas por precaução, e continuou o caminho entre as mesas, deixando uma garrafinha de tônico em cada mesa, às vezes recendo um sorriso agradecido que o deixava com as bochechas rosadas pela vergonha. A penúltima garrafinha foi deixada entre um emaranhado de fios rosa pastel que logo se mexeram, revelando uma garota que mais parecia uma boneca francesa. 

Ela tinha os olhos grandes demais para o padrão coreano, mas aquilo não afetava em nada a harmonia de suas feições. Eles combinavam perfeitamente com o nariz pequeno e os lábios finos e rosados que se curvavam em um sorriso aberto, porém não foi aquilo que mais chamava a atenção na figura a sua frente e, sim, a jaqueta de couro sobreposta a um vestido preto cheio de estrelas coloridas que fazia conjunto com um coturno preto que colocaria respeito em qualquer membro de uma gangue de motoqueiros. Um conjunto inusitado, ele diria. 

Youngjae se perdeu tanto naquela avaliação sem sentido que sequer conseguiu explicar sobre o conteúdo da garrafinha na mesa e logo a garota desesperada já fazia uma careta enquanto engasgava com o líquido verde e ele lutava para segurar a risada. 

— Eu ia falar que era amargo. — defendeu-se, levantando as mãos. A garota fuzilou-o com o olhar e deu uma última tossida, fazendo uma careta. — Você está bem? — sorriu amarelo. 

— Sim, Sunbae. Mas um aviso sobre o gosto de esgoto desse remédio viria a calhar, eu não quero uma intoxicação alimentar além da ressaca, muito obrigada. — olhou-o com um pequeno sorriso arteiro e estendeu a mão. — Aliás, eu sou Yura. 

Youngjae ficou dividido entre pedir desculpas e sair correndo dali ou reclamar sobre o gosto não ser tão ruim assim e fazer birra como uma criança pequena, mas no final não acabou por escolher nenhum deles. Alguma coisa no sorriso zombeteiro da menor dizia que iria ser apenas perca de tempo discutir, então ele apenas deu de ombros, respondendo o cumprimento da garota. 

— Youngjae. — apertou a mão alheia, abrindo um sorriso pequeno. — E eu ia avisar sobre o sabor, mas você não me deu tempo, Yura-ssi. 

— Fui pega. Às vezes eu me apresso com as coisas mesmo, foi exatamente por isso que não consegui me apresentar até agora. Eu estava ocupada demais procurando um barbeiro desde a hora que cheguei para me apresentar para os outros estagiários. Eu sei que não é algo muito educado de se fazer, mas eu estava realmente apertada e você deve entender o desespero quando se quer ir no banheiro e não pode e ... 

— Tudo bem. Eu entendi. Primeiro respire. — abanou as mãos no rosto da garota que ficava cada vez mais vermelha. — Melhor? 

— Sim. Achei que não ia mais respirar. — soltou um longo suspiro e abriu um sorriso. — Hey não é para rir. 

Falha. A tentativa de Youngjae em não rir com a careta assassina de Yura foi completamente falha, ele negou com a cabeça, constatando que aquela garota não batia muito bem das ideias e se solidarizou imediatamente com ela. Era quase uma versão de Jackson de saias e, por Deus, aquilo não devia ser engraçado. Estava mais para uma pequena visão do inferno. 

— Desculpa. — respondeu enquanto limpava os resquícios de lágrimas do canto dos olhos. 

— Que seja. Agora seja um bom Sunbae e me diga onde é o banheiro, sim? Estou completamente apertada. — juntou as mãos em súplica. 

— É a segunda porta à esquerda. — apontou para a parede de vidro que dava acesso ao corredor. — Mas ...

— Obrigada, Sunbae! — cortou o moreno, apressada.

Yura saiu correndo desgovernada na direção indicada, deixando Youngjae boiando por alguns momentos até que ela parou a alguns centímetros da porta e se virou novamente, olhando-o sorridente. 

— Tenho certeza que vamos nos dar bem, Youngjae. Até mais. — acenou animada. 

O sorriso foi quase que involuntário se formou no rosto do moreno que acenou para a figura rosada que logo desapareceu entre as pretas de vidro. Eles iriam se dar bem, com certeza. Youngja saiu daquele pequeno transe sentindo um forte comichão na orelha direita. Ele tinha se aquecido de algo? 

— Ah. Não é possível. — crispou os lábios, tirando aquele ideia maluca da cabeça. 

Yugyeom não estava em condições de perturbar ninguém naquele momento. 

Ele mordeu os lábios algumas vezes antes de se convencer completamente e caminhar até a própria mesa, jogando-se na cadeira de rodinhas enquanto observava o frasco de remédio em mãos. Ele tinha esquecido de alguém novamente? Fez a listagem mental de todos seus colegas — indo desde os cachaceiros de marca maior até os que desmaiavam somente com o cheiro de soju — e não faltou ninguém em suas contas. Ele virou a cabeça para o lado, repetindo o processo e a resposta veio como um passe de magica quando percebeu que a mesa a seu lado não se encontrava mais desocupada como nos últimos seis meses. Não foi preciso mais que dois segundos para Youngjae reconhecer Jaebum dormindo tranquilamente a seu lado e arregalar os olhos, assustado. 

O que ele estava fazendo ali? 

Ele se lembrava claramente do ruivo estar sentado perto das garotas do corredor no dia anterior do outro lado do salão, então o que ele estava fazendo ali, dormindo calmamente como se não tivesse nenhum barulho a sua volta, deixando Youngjae com um ponto de interrogação no meio da testa e a constatação de que JB era bonito. 

Inegavelmente bonito.

Tão bonito ao ponto do Choi se sentir um pouco acuado. É, talvez, fosse essa a razão dele se sentir tão estranho perto do Im mais novo. Não tinha outra explicação. E novamente seu plano de ficar o mais longe daquele garoto pareceu tentador e ele soltou um grande suspiro, ainda olhando as feições bem desenhadas do outro. 

— Quantos anos você acha que tem para se sentir acuado com a aparência dos outros, Youngjae? — bagunçou os cabelos, completamente irritado. Ele estava se sentindo uma daquelas adolescentes hormonais novamente. — Você tem um filho para criar, então trate de voltar a seus sentidos. — ralhou emburrado e deu um pequeno tapa na própria cabeça. 

Ele soltou mais alguns resmungos e alguns tapas até que sua raiva saiu do controle e a batida forte do minguinho contra o tampo da mesa foi inevitável, fazendo-o abrir uma careta de dor enquanto beijava o local atingido, jurando que nunca mais faria aquilo porque doía como o inferno. Ele tratou de se aquietar e respirar fundo antes que mais alguma parte acabasse atingida, ao menos foi o planejado. 

— Pode continuar com o que estava fazendo, estava divertido. — a voz de Jaebum soou rouca, fazendo Youngjae abrir os olhos imediatamente e abrir a boca na tentativa de formar alguma frase inteligível, mas a tentativa foi completamente falha. Ele estava mais congelado do que uma estátua. 

O ruivo estava completamente acordado e seguia todos os movimentos do menor com os olhos, claramente se divertindo com o estado catatônico do outro. Youngjae mordeu a língua para não soltar um palavrão. De novo sua mania de pensar alto demais tinha atacado e o colocado em uma situação embaraçosa. 

— Desde quando você está acordado? — perguntou num sussurro, já sentindo as bochechas ficando quentes.

— Desde o segundo tapa na testa? — olhou divertidamente para Youngjae que se encolheu um pouco na cadeira. — Não sei exatamente, mas estava divertido. — sorriu. 

— Yah! Eu não estava ... bem, estava sim, mas não é para rir.  — ele só queria sumir naquele momento. Youngjae precisava urgentemente concertar aquela mania, caso contrário precisaria de bochechas novas e, quem sabe, um pouco mais de vergonha na cara.

Jaebum se espreguiçou e se ajeitou melhor na cadeira sem tirar os olhos do Choi.

— Não está mais aqui quem falou. — levantou as mãos em sinal de derrota e soltou uma pequena risada, fazendo o moreno se virar mais que depressa na direção contrária antes que sua alma se esvaísse completamente com o olhar impertinente do outro sobre si. — Então, essa mania de pensar alto é a única ou ela tem a ver com você sair sem responder às perguntas alheias, garoto trabalhador? — sorriu inocente. 

Youngjae se virou no mesmo instante e estreitou os olhos, medindo as palavras de JB. Ele estava insinuando que ele era medroso ou algo do tipo? 

— Não sei do que você está falando, Jaebum-ssi. — respondeu nervoso. 

De novo aquele assunto para o qual não tinha respostas. 

— Sobre minha pergunta de ontem. Eu conheço você, não é mesmo, Youngjae? 

— Meu nome. — levantou o olhar, reunindo toda a coragem que tinha e cruzou os braços, tentando não transparecer o quão incomodado estava com aquele assunto. — Você também não respondeu como sabe meu nome. 

E lá estava a reação que Youngjae não esperava, JB desviou o olhar por alguns segundos, respirou fundo e riu. Sim, ele riu, e Youngjae apenas permaneceu parado enquanto  tentava entender o que tinha de tão engraçado naquela situação toda, mas não encontrou nada. Nada a não ser uma risada nervosa que ele segurou no fundo da garganta a todo custo quando o olhar de Jaebum voltou a pairar sobre si. 

— Touchè. — deu de ombros e girou a cadeira até ficar de frente para o menor. JB abriu ainda mais o sorriso e apoiou a cabeça na palma da mão, divertindo-se com aquela situação. — Você é mais esperto do que parece, garoto trabalhador. 

A reação de Youngjae não poderia ter sido outra a não ser soltar uma pequena risada desacreditada com aquela frase e baixar o olhar, tentando esconder as bochechas rosadas.  Aquilo não estava saindo como o planejado. 

— Você não faz ideia do quanto. — respondeu, levantando-se em um pulo. Tão inteligente que minha mente grita que você é perigo. Youngjae ignorou aquele pensamento e jogou a garrafinha de tônico para JB que a pegou no ar e o olhou com uma sobrancelha levantada. — É muito bom para a ressaca, mas não tome tudo de uma vez que o gosto é horrível. — explicou, apontando para o frasco. 

Ele não esperou qualquer resposta alheia, apenas pegou a pilha de papéis de cima da mesa, ignorando completamente o olhar de JB sobre si. Seu plano era sair dali o mais rápido possível, mas assim que Eunbi entrou pela porta a passos rápidos e parou no meio do escritório a atenção de todos foi para a coreana. A expressão na face da mais velha não era nada bom e Youngjae engoliu em seco, pressentindo que aquilo não tinha nada a ver com a ressaca da noite anterior. 

— Como todos já sabem, nosso prazo para a entrega do novo produto será em duas semanas, então precisamos de todos os funcionários trabalhando o mais rápido possível. — ela fez uma pausa, olhando seriamente para o Choi por alguns segundos antes de continuar com seu discurso. — Isso significa que o treinamento dos novos funcionários será adiantado para o final dessa semana. Todos os estagiários têm até sexta-feira para treinar seus pupilos e lá devem apresentar um relatório de desempenho sobre o tutelado. É isso, dispensados. — bateu à porta do escritório. 

Youngjae demorou alguns segundos até conseguir digerir aquela informação. Pupilo? Sem chance. Ele largou a pilha de papéis que tinha em mãos em cima da mesa e tateou o bolso da calça até achar o celular, pronto para mandar uma mensagem suplicante para Eunbi. 

Ele não podia treinar Jaebum. Aquilo estava fora de questão. Mas antes mesmo que o moreno pudesse abrir o aplicativo de mensagens, o bipe característico de uma nova notificação soou e ele estreitou os olhos, olhando o nome de sua chefe brilhar na tela led. 

Eu sei bem o que você vai falar e a resposta é não. Nossas cabeças estão na berlinda e a responsabilidade é sua, Choi. Estou contando com você.” 

Estou contando com você. O peso dessa frase caiu com tudo na consciência do Choi. Desde quando Eunbi contava com os outros? Ele não sabia, mas faria o melhor para não decepcionar sua chefe, ao menos tentaria. Youngjae soltou um suspiro derrotado, vendo todas suas esperanças de ficar longe de qualquer sentimento estranho esvaindo-se perante seus olhos e repetiu para si mesmo que tudo ficaria bem. Três dias. Ele só precisava ser profissional por três dias. 

— Então por onde começamos?

 Youngjae deu um pequeno sobressalto e olhou para Jaebum que estava a seu lado segurando as folhas que até então estavam em sua mesa e respirou fundo, guardando o celular no bolso do casaco. Três dias. 

— Sala de cópias. — respondeu baixo, apontando para o corredor ao lado da sala de reuniões. Apenas três dias e ele estaria livre. 

 

[...] 

 

Youngjae olhou mais uma vez para o cardápio da cafeteria do primeiro andar e bufou audivelmente. Ele já sabia o que iria pedir, mesmo assim ainda olhava para o letreiro preto na esperança de acalmar-se um pouco e sanar a vontade da fazer picadinho de seu pupilo. Faziam apenas sete horas que o treinamento havia começado e ele estava prestes a cometer homicídio contra o herdeiro dos Im. Depois da vigésima vez que ele teve que explicar para JB como se usava a máquina de expressos sua paciência foi pelos ares e ele gritou com o garoto. “Qual é o seu problema?” “Nenhum. Apenas não gosto de café.” Ah, como ele queria não ter aberto a boca , pois isso apenas piorou seu humor, Youngjae sabia que Jaebum tinha aprendido como usar a máquina de expressos — assim como tinha aprendido a fazer cópias, anotar os recados de Eunbi e o modo mais eficiente de separar as correspondências para os outros funcionários — mas o garoto simplesmente se negava a fazer qualquer uma daquelas tarefas. O ruivo apenas ficava sentado, seguindo-o com o olhar enquanto o moreno explicava repetitivamente todas as tarefas que cabiam aos estagiários; o máximo que o ruivo tinha feito fora pegar algumas caixas pesadas que ele carregava e, por mais que Youngjae tivesse ficado completamente agradecido com aquele ato, isso não amenizava nenhum pouco à vontade de soltar um xingamento de baixo calão contra o garoto. 

Ele já tinha se esquecido de qualquer sentimento estranho em relação a Jaebum, a única coisa que passava por sua mente naquele momento era a indignação por estar naquela situação. Youngjae não podia correr, muito menos reclamar sobre aquilo com alguém, afinal todos naquele escritório pareciam ignorar o fato de Jaebum não fazer nada, então só lhe restava a opção de choramingar baixinho enquanto esperava sua vez para conseguir uma xícara grande de chocolate quente, o que não demorou muito, pois segundos depois Sohyun ja lançava um olhar curioso na direção do moreno que se debruçou sobre o balcão, cansado. 

— Um chocolate quente duplo com muito marshmellow, certo? — adivinhou antes mesmo que Youngjae abrisse a boca. 

— Como você sabia? — sorriu, agradecido. 

— Sua cara de cansaço. — riu, apontando para o rosto de seu cliente. — As coisas estão difíceis com seu pupilo? — olhou-o rapidamente entre as xícaras de café. 

Youngjae demorou alguns segundos para digerir aquela pergunta. Estava tão na cara assim? Ele esperava que não, caso contrário sua ideia de voltar para o escritório e agir como se nada tivesse acontecido estaria completamente arruinada. A teoria de Sohyun ser vidente ou algo do tipo também passou pela mento do Choi, mas ele preferiu esperar a amiga terminar de cortar os marshmellows para indagar sobre aquela hipótese. 

— Está tão claro assim? — resmungou assim que a menina voltou a sua frente e começou a misturar o chocolate derretido com o leite quente. Sohyun levantou o olhar e abriu um pequeno sorriso, começando a mexer a gemada. — Isso não é bom. 

— Não é isso, Youngjae-ah, talvez um pouco. Mas as notícias correm, se me entende. — ela fez uma pausa e apontou com a cabeça para onde um grupo de garotas conversava aos sussurros, olhando para eles. — Elas não entendem porque JB está sendo treinado por você e não por outra pessoa que tem “mais experiência”. 

Youngjae seguiu o olhar de Sohyun e fez uma careta de desgosto assim que viu o grupinho que o encarava com desprezo enquanto tomavam seus chás zero caloria. Ele não queria aquilo tanto quanto elas. 

— Se quiserem levar ele eu ficaria agradecido, na verdade. — soltou uma pequena risada, negando com a cabeça. 

— Tenho certeza que sim. — riu junto com o amigo e colocou a caneca azul bebê encima do balcão, atraindo a atenção de Youngjae. — Mas tenho certeza que elas não vão conseguir lidar com ele como você. Jaebum é uma pessoa difícil. 

Youngjae acenou com a cabeça e entregou o cartão para a garota que deu um passo ao lado e começou a mexer no caixa. Ele fechou os olhos por alguns momentos, aproveitando o cheiro doce do chocolate fumegante e respirou fundo, sentindo-se um pouco mais calmo. Calmo o suficiente para não cometer qualquer assassinato naquele dia. 

— Aqui, cliente. — Youngjae abriu os olhos e devolveu o sorriso para Sohyun que o estendia o cartão de crédito. 

Ele pegou o pedaço de plástico e enfiou no bolso da calça, logo pegando a xícara e fazendo uma pequena reverência para a mais nova antes de caminhar na direção da saída. 

— Youngjae-ah! — A voz de Sohyun chamou a atenção do moreno que se virou imediatamente. — Tenho certeza que você vai conseguir resolver esse problema. Apenas faça o que você sempre faz. — piscou para o moreno e chamou o próximo cliente. 

Apenas faça o que você sempre faz. A frase ecoou pela cabeça do Choi enquanto ele caminhava a passos lentos até o elevador. Fazer o que ele sempre fazia? Ser paciente? Sim, era isso que Youngjae sempre fazia, era paciente com qualquer que fosse a tarefa que lhe era dada, afinal tinha uma razão maior para vencer qualquer obstáculo que aparecesse: Yoogeun. Era por causa do pequeno que ele nunca desistia, não importava o quão duro era seu trabalho. Ele tinha que ser forte pelos dois e ser motivo de orgulho para aquele pedacinho de gente, era exatamente por isso que deveria ser paciente com Jaebum. Paciente com todas as birras e tudo mais o que o ruivo inventasse. 

Fingir não era o suficiente, afinal. Ele teria que voltar a treinar sua paciência. 

Como Sohyun conseguia saber sobre aquilo?  Ele não lembrava de ter falado nada com a garota em momento algum, mas a mais nova sempre parecia ter um conselho escondido entre as canecas coloridas do balcão que o servia perfeitamente. Era seu anjo da guarda, no fim das contas. Ele apertou o botão de chamada do elevador e abriu um pequeno sorriso, levando o líquido quente até a boca.  O gosto doce do chocolate misturado com a maciez dos marshmellows brincaram por seu paladar de forma feliz, tirando qualquer pensamento pessimista que ele pudesse ter no momento. Aquilo era um pequeno pedaço de felicidade em forma de bebida. 

O som de uma nova mensagem tirou o moreno daquele transe e ele trocou a caneca de mão, desbloqueando o aparelho e abrindo o aplicativo de mensagens. Um sorriso involuntário se formou quando tocou na conversa do grupo tão conhecido por si e as fotos de Yoogeun apareceram na tela. A primeira mostrava o Choi mais novo fazendo um “v” com as mãos enquanto alimentava sua amiga, a girafa bebê, com a outra. Youngjae teve que concordar: ela dava quase duas da altura de Jackson. Mais um clique e a turma inteira se encontrava sentada em uma grande toalha de piquenique xadrez enquanto sorriam animados para a professora. Yoogeun estava mais ao centro, sentando ao lado de uma garotinha adorável que possuía bochechas rosadas enquanto tinha as bochechas infladas com seu almoço, o sanduíche de presunto, os pequenos eyesmiles também tinham dado às caras, fazendo o Choi mais velho abrir um pouco mais o sorriso, completamente bobo. 

Youngjae fez uma nota mental de perguntar sobre aquela menina mais tarde e entrou dentro do elevador, ainda prestando atenção ao celular. 

A terceira foto era uma selca do pequeno que sorria alegremente enquanto segurava a touca de panda devido ao vento forte que deixava seu nariz meio vermelho. Youngjae parou alguns segundos para observar aquela imagem e concluiu que era o pai mais babão desse mundo apenas pelo jeito como os olhos brilhantes do pequeno transmitiam a felicidade do mesmo, mas ele não se deteve muito naquele pensamento pois logo a movimentação dentro do elevador aumentou e ele foi obrigado a dar dois passos para trás, encostando-se na parede gélida enquanto segurava fortemente a caneca em sua mão direita. O fluxo de pessoas ficou intenso em poucos segundos e foi inevitável que o líquido quente balançasse, quase derramando. Somente não o fazendo devido a outra mão que se entrelaçou a sua, deixando a caneca imóvel. 

O olhar de Youngjae subiu desde e mão que rodeava a porcelana azul bebê, os braceletes caros, o casaco tweed até chegar a face que se encontrava a poucos centímetros da sua devido ao montante de gente no elevador. Se alguma vez Youngjae pensará que se sentira nervoso, nenhuma delas se comparou aquele momento em que a respiração calma de JB tocava contra suas bochechas. O ato de apertar  mais o celular contra o peito foi inevitável quando seu olhar se conectou ao de Jaebum e uma onda de surpresa o invadiu por inteiro. 

Ele finalmente entendeu o porque de se sentir tão estranho na presença do ruivo. Entendeu todo aquele frio na barriga e a sensação de que alguma coisa estava faltando. Eram seus olhos, os olhos brilhantes  que eram sempre carregados de uma intensidade tremenda. Os mesmos olhos que Yoogeun carregava consigo naquela foto que brilhava na tela do celular que ele apertava como se sua vida dependesse daquilo. 

Jaebum abriu a boca para falar alguma coisa que Youngjae não conseguiu prestar atenção, afinal estava ocupado demais perdido nos próprios pensamentos. Ele finalmente tinha encontrado a resposta da pergunta de um milhão de dólares de JB que estava na cara o tempo todo: sim, eles se conheciam. 

Uma boate, quatro anos atrás. 

O dia em que Youngjae beijou aquele garoto sem pensar duas vezes e acabou mudando sua vida para sempre. 

Ele não estava preparado para aquilo, nem em um milhão de anos. 

 


Notas Finais


Tentem encontrar alguém mais lerdo que o JaeJae e falhe miseravelmente, mas antes tarde do que nunca, não é mesmo? Espero que tenham gostado e até a próxima, 2bjos.


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