História Hello, Neighbor - Capítulo 10


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kiba Inuzuka, Kushina Uzumaki, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Romance, Sasunaru, Yaoi
Visualizações 371
Palavras 3.727
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heelllo! ♡

Então! Finalmente esse último e enrolado capítulo!
Mano do céu, preciso contar a aventura que foi escrever esse dito cujo aqui... Estava tudo certo e planejado para ser postado na semana passada. Ainda na quinta feira eu já havia escrito mais da metade e caminhava para o final. Eu estava feliz da vida, porque, pela graça de Deus, uma finalização estava sendo mais do que rápida para ser escrita. PORÉM! PORÉM! Alegria de escritora dura pouco, choremos.
O arquivo tinha mais de 2k, e no momento de salvar meu pc resolveu que deveria brincar com a minha cara um pouco às uma da manhã. O arquivo bugou e converter todos os carácteres para chinês e coisas parecidas. Okay, tentei não surtar. Usei o tradutor para saber se conseguia recuperar pelo menos a base, mas nem isso.
Enviei o arquivo para o drive, pensando que o salvamento havia sido interrompido por esse fatídico bug, MAS tive a surpresa de abrir o doc e ver aquele BAGULHO lá. Estava tão bugado que levava uma vida para carregar. E até no celular dava erro. OH GOD, WHY? Porém, eu sempre salvo um arquivo anterior numa pasta do drive, MAAS, PARA O MEU INFORTÚNIO, obra de Satan, eu não o fiz da última vez que escrevi. Deus sabe lá o porquê não.
Ou seja, vamos lá reescrever tudo.... E foi o que fiz. O tempo em que eu levaria escrevendo o desfecho, precisei escrever desde o início. MAS SE VOCÊS PENSAM QUE ACABOU POR AÍ, meus irmõões, cês tão é enganados. Awn.
Me irritei tanto com o fato que simplesmente ignorei o arquivo durante uns três dias, mas parece que a bicha se ofendeu, rapaz. E SIMPLESMENTE NÃO QUIS MAIS ABRIR. Mano, eu não sabia mais o que fazer. E quando abria, nunca salvava dizendo que o arquivo estava com erro. OH GOD WHY.
No final das contas, tudo deu certo. Apesar do estresse e das antipatias do meu notebook para comigo. Na real, eu deveria é estar acostumada, porque se tem uma coisa que meus pertences tecnológicos fazem, é zoar comigo. Que amor ~ ♡

Sem mais, por enquanto, deixo vocês com o capítulo e nos falamos nas notas finais!!
Boa leitura! ♡

Capítulo 10 - B-day


B-day

 

Amanhã é meu aniversário. Tentei usar o dia de hoje para absorver alguma forma de empolgação para o grande dia. Apesar de achar um pouco improvável que aconteça a esperança é a última que morre. Haverá uma pequena festa na casa da minha mãe, que com toda a certeza está visivelmente mais animada que eu para todos os festejos. Bem, talvez isso acabe me contagiando de alguma maneira.

O dia passou depressa. Na realidade, os dias têm passado depressa, consequentemente os anos seguem o mesmo curso, e parando para pensar, estou fazendo vinte e quatro anos de idade. Deve ser um pouco estranho para aqueles que me viram crescer, comparecer a essa festa. Parece que foi há poucos meses atrás que eu estava indo à minha formatura no ensino médio.

Pensei tudo isso enquanto esperava a porta da garagem subir, e quando me dei conta que o mecanismo já havia finalizado seu trabalho, sabe-se lá há quantos minutos, arranquei com o carro para dentro; após fechar a porta, entrei em casa pela entrada que dá na cozinha. Nem mesmo esperei chegar ao quarto, no meio do caminho comecei folgando a gravata. Empurrando a borda dos sapatos para deixá-los a um passo de tirar completamente o calçado. E quando finalmente alcancei a cama, livrei o corpo das vestes de cima, abrindo o zíper da calça a caminho do guarda roupa.

O banho foi mais do que merecido, o dia hoje, por ser uma sexta feira, foi mais intenso do que esperei, por ser uma sexta feira, haha. Sai do banheiro e liguei para o Kiba, avisando que já havia chegado em casa, que poderia aparecer quando quisesse, a resposta do moreno veio, e o som da campainha não demorou muito mais do que quinze minutos depois para tocar.

— Hey. — respondi sua saudação dando-lhe passagem.

— Empolgado com seu aniversário?

— Deveria? — acompanhei o moreno para a sala.

— Claro. É o seu dia, Naruto.

— Meu e de mais bilhões de pessoas pelo mundo, além de centenas só aqui nessa cidade. — ele rolou os olhos, acompanhei seu movimento.

— A sua mãe está muito empolgada.

— Eu sei. — suspirei. — Sabe quem ela convidou?

— Sakura, Hinata, seus respectivos namorados. Seu padrinho, com certeza. Não estou sabendo muito bem, ela não me contou sabendo que perguntaria. — deixou um risinho escapar. — Podemos passar para pegar o Shino amanhã? — concordei em silêncio, ainda olhando para um ponto fixo. — Okay, já entendi o porque de você estar assim.

Nem vem. — apontei um dedo para ele.

— Qual é, Naru.

Não comece, Kiba!

— Certo, certo. Não está mais aqui quem falou. — levantou as mãos no ar como um pedido de paz.

Suspirei, sentindo o coração batendo mais forte do que deveria. Achei mesmo que havia superado de alguma maneira, mas olha o meu estado sem nem ao mesmo ouvir seu nome.

Uchiha Sasuke virou um tabu nas rodas de conversas desde que ele foi embora. Exatamente, foi embora. Mantivemos contato durante algum tempo, os períodos de tempo iam se estendendo entre uma mensagem e outra, apesar de ele sempre se preocupar em mandar alguma coisa, como perguntar como eu estava ou apenas dizer que sentia saudades. Mas, sempre quando eu respondia, quase nunca recebia algo de volta em um período de tempo menor que uma semana. Tudo o que sei é que a doença do Itachi piorou e consequentemente ele faleceu. Não muito depois, vi o caminhão de mudança chegando em sua casa, nunca conheci o seu pai, mas tenho certeza de que aquele que vi de cara amarrada dando ordens aos trabalhadores era ele. Posteriormente a residência foi posta à venda, e nós nunca fizemos amizade com nosso novo vizinho. Não como havia sido feita com o antigo.

Durante todos esses anos evitei pensar no assunto quando percebi que ele não voltaria mais. Apesar de ter sofrido com sua partida, ainda mantenho em algum lugar da minha galeria a última foto que recebi há três anos atrás. Parece uma eternidade quando penso sobre. Na verdade, tudo parece distante.

Nesse tempo, quando a esperança já chegava quase a zero, decidi contar para a minha mãe o que havia acontecido entre o Uchiha e eu. E para a minha surpresa Kushina ria enquanto me escutava falar. Quando questionada sobre, disse que desconfiava de alguma coisa, mas nunca poderia falar com certeza. Complementou dizendo que eu não sabia disfarçar os olhares furtivos que lançava para o moreno quando ela o convidava para almoçar em nossa mesa. Mas, jamais imaginou que chegamos a firmar um curto relacionamento. Fiquei surpreso em saber que para ela não importava o fato de ele ter tantos anos além de mim.

Kiba tentou melhorar o clima que havia se instalado no ambiente, e à medida que a conversa fluía, o meu humor voltou a algo parecido com o que tinha antes. Apesar da latência de dor que pairava por dentro de mim. Optamos por assistir a alguns filmes, porém, deixei o moreno sozinho na sala quando o sono apossou-se de mim. Claro que acabei dormindo enquanto pensava em todos os momentos que tentei veementemente ignorar.

 

No dia seguinte, por volta das cinco da tarde já estávamos prontos para ir buscar o namorado de meu melhor amigo, que avisou já estar somente à espera de  nós dois. De fato não há quase ânimo nenhum em mim para ir a tal festa, porém, em consideração a minha mãe e amigos, estarei presente.

Shino e Kiba começaram a namorar depois de muita bronca e insistência por minha parte para que o chamasse para sair, e vejam só, estão juntos até hoje. Apesar de que o Inuzuka diz que não fará nada em minha frente até que eu esteja emocionalmente resolvido com o caso Uchiha Sasuke. Acho muito gentil de sua parte, mesmo que pareça bobo.

— Boa noite. — Shino ditou com a voz grave. — Feliz aniversário, Naruto. — bagunçou meus cabelos antes de se acomodar nos bancos de trás.

— Obrigado. — respondi entre risos.

Quando toquei a campainha, minha mãe foi a primeira que me recepcionou com todos os braços que fossem possíveis. Sendo meu pai o próximo a apertar-me com grande carinho; o Kiba estava certo quando disse que haveria apenas pessoas de nosso convívio de sempre. E meu próximo passo foi cumprimentar cada um dos presentes ali, parando para conversar com um ou outro. No final das contas, eu estava começando a me divertir.

Talvez seja o fato de que estou ficando mais velho, porém, é sempre muito nostálgico quando me vejo reunindo todo esse pessoal que já esteve comigo durante a escola. E nessas rodas de conversas entre amigos de longa data, sempre acontecem essas conversas que relembram dias passados. Não sendo surpresa nenhuma quando a formatura foi o assunto da vez. Tenho muitas recordações daquele dia, além de ter sido o tal que me deixou longe do Sasuke por boas semanas, para então nos encontrarmos de maneira nada esperada, com um final menos esperado ainda.

Eu havia evitado pensar no Uchiha desde que me dei conta de que ele não voltaria, mesmo que haja quase uma certeza em mim de que eu sempre soube que possivelmente isso aconteceria quando partiu. Talvez não acreditar foi a minha forma de melhor lidar com esse abandono sem qualquer aviso. Ainda continuo evitando pensar nele, mesmo que de vez em quando, principalmente quando preciso manter a mente vazia, sua imagem apareça como pop-up em minha cabeça. E é nessas horas que preciso achar algo, qualquer coisa para fazer. Têm funcionado até então, caso contrário eu já estaria louco de pedra.

Parabéns, Kiba, você fez um ótimo trabalho trazendo o assunto à tona.

No momento de cantar os parabéns eu estava envergonhado. Quem em sã consciência fica tranquilo nessas horas? Mas, para disfarçar o sentimento, eu estava cantando e batendo palmas junto com todos os presentes. E ainda quando foi exigido o meu pequeno discurso, agradeci a presença de todos, sendo bem breve nas palavras seguintes.

Nos anos que se seguiram à partida do Sasuke, seguir em frente da melhor maneira que poderia foi a forma que encontrei. Tentei me relacionar com outras pessoas, mas mesmo que não estivesse o procurando em cada uma delas, nenhum deu certo por motivos diversos. E estou feliz com o meu estado atual. Pode ser uma desculpa ridícula, mas, assim tenho mais tempo para dedicar ao trabalho.

Ao passar das horas, a maioria já começavam as despedidas, e depois das duas da manhã, apenas Kiba e Shino ainda permanecem aqui, já que ficarão para o dia seguinte. Fizemos uma pequena faxina antes de finalmente irmos dormir, deixando todo o resto para ser feito quando o dia clareasse. Abracei e beijei minha mãe, agradecendo pelo trabalho que teve em realizar o evento. Não mexi nos presentes, deixaria para vê-los em casa, quando estivesse no silêncio de meu ambiente.

 

Apesar de visitar os meus pais com frequência, não o faço tanto quanto gostaria de fazer, e para aproveitar o dia de hoje — domingo, após a limpeza da casa, decidi fazer uma caminhada pelas redondezas. Não foi porque eu quis que meus olhos se dirigiram à casa ao lado da nossa. Notei que haviam pintado sua fachada de outra cor, a porta também foi trocada. E enquanto eu observava, a mesma se abriu, saindo de lá um homem e uma garotinha, acompanhados de uma pequena bicicleta. Após esse choque, comecei a finalmente andar. Não é como se observar fosse trazer o tempo que passei ali dentro de volta, muito menos trazê-lo de volta.

Não me dei conta do quanto andei até estar de frente para o portão da praça principal. Dei de ombros, adentrando o ambiente. Avistando a fonte no centro, caminhei a passos lentos para lá, parando no meio do caminho para comprar sorvete. Procurei um banco na sombra, fiquei a observar todas as cores que brincam na queda d’água artificial.

Me pergunto como estaríamos hoje se nada acontecesse como aconteceu. Será que permaneceríamos juntos? Nos assumiríamos para todos? Chegamos mais longe do que eu esperava, afinal, sempre achei que ele jogasse no campo dos amantes. Esperei que estivéssemos juntos, mas sem qualquer sentimento que nos fizesse permanecer dessa maneira, quando acabasse, seria sem choramingos. Chega a ser cômico enquanto penso sobre ele. Evitei tanto. Ou melhor, ainda evito tanto. Mesmo após anos, dói como se houvesse sido ontem.

— Naruto?

A voz baixa e incrédula me tirou de meus pensamentos. Quando olhei para cima, senti o ar deixando meus pulmões. A temperatura em meu estômago despencou alguns graus abaixo de zero. Além do coração ter acelarado muito mais do que é normal a um ser humano.

Mas o que porra você pensa que está fazendo aqui? — levantei de vez, nossos narizes quase na mesma altura, deixei meu sorvete ir ao chão.

— Estou visitando a cidade. — o silêncio se fez presente entre nós, seu olhar sustenta o meu, que com certeza está carregado de sentimentos incertos sobre o que sentir agora. — Como você está?

Como eu estou? Você está perguntando como eu estou? Como estou agora que apareceu do nada após ter sumido durante anos? Como acha que devo estar?

— O meu irmão estava doente, Naruto. — franziu a testa. — Eu não podia simplesmente largar tudo e vir satisfazer um capricho seu de saudades, já que eu também estava sendo corroído por ela. — seu olhar é de alguém que parece não acreditar no que eu disse. — Precisei ficar e assumir minhas responsabilidades, e as dele também.

Ouvindo o que disse, será quê... Estou sendo egoísta ao pensar que fui abandonado, ignorando seus motivos do porque acabou por agir dessa forma? Encaro seu rosto, a aparência continua a mesma. Apesar de parecer mais maduro, ou mais cansado seria a palavra aqui? Não sei. Não sei se irei descobrir também. Não sei se quero.

Minha respiração está completamente errada e tensa. Não diferente de como me sinto. Parece que não há chão sob meus pés; vi sua mão se movimentar lentamente até alcançar a maçã de meu rosto, deslizando o nó do indicador suavemente por ali. A carícia arrepiou-me. Deus, como senti falta de seu toque. Quando uma lágrima solitária pingou, aquele mesmo dedo a afastou de minha pele.

— Eu senti sua falta. — a voz era sussurrada. — Todos os dias. — aquela palma desceu pelos lados de meu corpo, alcançando a minha, nunca nossos olhos se deixaram. Senti o impulso que deu para me puxar em sua direção, e permiti que fizesse.

Quando o abracei, enterrei o rosto na curva de seu pescoço. O aperto a minha volta era aconchegante, esmagando-me em saudades. Enterrei os dedos em seus cabelos, apertando-os, aspirando do cheiro que vem de sua pele. É real? Segurei seu rosto nas duas mãos, tocando-o com desespero. É real? Não pensei quando impeli meus lábios em sua direção e o beijei com volúpia. Sentindo todo o choque percorrendo minhas veias, mostrando-me o quanto é real. Jamais pensei que sentiria esse doce outra vez ou seus braços me cercando com tanta firmeza, mantendo meu corpo perto.

Com as respirações entrecortadas, o moreno descansou sua testa na minha. Segurando minhas duas mãos, entrelaçando nossos dedos, acariciando as costas de minhas palmas lentamente com o polegar. Passeei a língua por cima dos lábios, mantendo os olhos fechados, apenas aproveitando o silêncio que nos envolve, tendo o barulho da água na fonte como nosso background. Não sei como devo me sentir com ele aqui. Não sei como devo me sentir sentindo seu cheiro e toque. Ou o beijo que está sendo depositado em minha testa me fazendo abrir um curto sorriso sem dentes.

— Eu não sabia como dizer que não voltaria. — sussurrou.

— De qualquer jeito teria sido melhor do que simplesmente ir sumindo. Teria doído muito menos, Sasuke. — o encarei. — Eu não quero ser um idiota, você perdeu o irmão, mas também não quero fingir que fiquei bem. Depois disso, eu apenas me acostumei com sua ausência, mesmo não te esquecendo. — acariciei seu rosto.

— Eu nunca me acostumei a não te ter ao meu lado. Muitas vezes vi e ouvi coisas que com certeza me lembravam você, e não poder compartilhá-las era a pior parte.

— Eu estive aqui para você durante todo esse tempo. — franzi a testa.

Conversamos sobre como anda nossas vidas, sobre o que aconteceu depois que nos separamos e sobre o Itachi. E talvez eu tenha sido egoísta o suficiente para olhar apenas para meu umbigo durante esses anos. Não estou defendendo e dizendo que o que ele fez foi certo, esconder que não voltaria e da noite para o dia desaparecer foi um grande pisão de bola. Mas, não entender seus por quês também foi besteira minha.

— Contei tudo para minha mãe. Não faz muito tempo. Ou melhor, faz sim. — ri de leve. — O tempo vem passando tão rápido que nem sei mais. — dei de ombros.

Ele não pareceu surpreso com a minha revelação, nem mesmo quando eu disse que ela não se demonstrou muito chocada com a ideia. O moreno fez questão de apontar que nenhum ele nem eu fazia muita questão de disfarçar depois de alguns meses, apesar de não ser algo para gerar certeza sobre o que tínhamos.

Passamos longos períodos em silêncio, apenas um encarando o outro. Um carícia aqui ou ali, nada muito envolvente ou que lembrasse outros desejos, tudo parecia muito inocente. Não havia nem mesmo sinais daquela nossa relação inicial. Talvez a maturidade tenha chegado com força para ambos, ou a saudade esteja pesada demais para deixar que seja dessa forma.

Quando ouvimos o sino do sorveteiro longe, Sasuke ergueu a mão para chamá-lo, franzi a testa.

— Seu sorvete, deixou ele cair quando levantou. — um sorriso curto desenhava seus lábios, acabei acompanhando.

Meu aniversário de vinte e quatro anos foi ontem. Não o vejo há mais de três anos, mas olhando para seu perfil ainda o acho a pessoa mais bonita que tive o prazer de conhecer. Sua voz ainda me encanta e o perfume consegue me dopar. Merda. Eu sabia, com toda a certeza, que não havia superado sua falta e nem o que sentia quando te conhecia, porém, sinto toda a carga do que tentei guardar no fundo de minha alma voltando com fúria. O coração bate tão rápido quando nossos olhares se encontram. Merda. Acredito que não estaria preparado para o reencontro nem se ele fosse marcado com antecedência — provavelmente morria na ansiedade do momento chegar.

Quando o vendedor nos deu as costas, deslizei o indicador na bochecha do mais velho. Eu estava deitado em meu braço esticado no encosto do banco. Antes que seus lábios pudessem encontrar o doce gelado, segurei seu queixo trazendo-o para mim. Percebi a breve surpresa quando começou a corresponder o ato, e não me admira, estou surpreso também. Eu não sei o que é isso. O que está acontecendo aqui ou o que vai acontecer daqui para frente. Sinto a incerteza dentro de mim e o medo do abandono quando tudo estiver encaminhado, quando estivermos felizes e prontos para o mundo. As lágrimas vêm aos olhos, recheadas de tristeza pelo passado, e do que pode vir a acontecer, mas uma profunda respiração de quando libero seus lábios, faz o sentimento se espalhar.

— Não me deixe de novo. — nossos olhos estão juntos, ele abre a boca para me responder, fechando-a em seguida sem que qualquer som saia dela. Há tantas formas de interpretar seu silêncio e nenhuma delas me parece favorável. Tsc. — Certo. Eu já entendi, não se preocupe. Não deveria ter ressuscitado essa expectativa.

— Não é isso. — suspirou.

— Então me explique.

— Eu não moro mais aqui, Naruto. Sabe disso. Sei que trabalha, e que não vai querer deixar tudo o que tem, o que construiu, para ir atrás de mim. E nem mesmo eu quero que faça algo do tipo. Não vou te deixar, pelo menos não da mesma maneira que fiz anteriormente. Posso não estar presente o tempo todo, mas me farei o máximo que for possível.

Não sei como fazer essa aura de melancolia ir embora de nossa volta. Com toda a certeza eu não deveria ter agido de forma tão impulsiva em minhas palavras, parece que soou tão desesperadas. Não menos do que me sinto por dentro; terminei o sorvete sem muita vontade de fazê-lo.

— Quer dar uma volta? — perguntou. Dei de ombros para seu convite, acabamos levantando e começamos a andar lentamente pela praça. Há três conosco, Sasuke, o silêncio e eu. Talvez seja a escuridão do início de noite chegando e consequentemente nossa despedida que esteja fazendo tudo ser dessa forma, incômoda e desnecessária.

Quando ele procurou por minha mão, deixei que a segurasse. Meus dedos encontraram seus lábios, e recebi um sorriso sem dentes quando o moreno me olhou.

— Quando você vai?

— Amanhã… — torci a boca diante de sua resposta.

— Quando chegou?

— Sexta à tarde.

— Por que veio? De verdade. — franzi a testa.

— Seu aniversário. Sei que foi ontem. Queria ir até sua casa, mas, não sabia se te encontraria. Além disso, fiquei envergonhado em aparecer de repente. Não sabia qual seria a sua reação ou a de quem estivesse com você.

— Lembra do meu aniversário? — sinto o coração batendo rápido.

— Todos os anos. — coçou a nuca olhando para os lados. — Está tarde. Eu posso te levar em casa, se quiser.

— Obrigado. — dentro do automóvel não pude deixar de pensar na primeira vez que tivemos contato íntimo. Recostei a cabeça no banco, olhando para o homem ao meu lado.

— O que foi?

Inclinei em sua direção, colando o lábio em sua orelha.

— Estamos muito longe de onde você está hospedado?

 

Talvez tenha sido um erro vir até aqui. Porém, não sinto como se estivesse arrependido. Não enquanto ainda sido o seu cheiro direto de sua pele e ouço as batidas de seu coração abaixo de minha orelha. A carícia em minhas costas é contínua, assim como o cafuné que recebo. O aconchego é como se eu estivesse em casa.

— Feliz aniversário, atrasado.

— Foi um bom presente. — apoiei o queixo em seu peito. — Apesar de você me dever alguns anos.

— Podemos negociar essa parte. Vou à tarde. Podemos almoçar antes.

— Me parece uma boa ideia.

Ele me levou em casa algumas horas depois. Kiba ainda estava, apesar do Shino já ter partido. Provavelmente foi a minha expressão de felicidade que o fez questionar o que havia acontecido enquanto estive fora, além do tempo que levei até voltar. Não preciso dizer que o surto dele valeu pelo resto da vida para qualquer surpresa que venha a acontecer daqui para frente.

É claro que se eu disser que estou triste com o que está acontecendo estarei mentindo. Porém, também não estou completamente feliz. Afinal, amanhã mesmo estarei vendo ele partir novamente. E isso já é motivo o suficiente para me arrasar. Apesar desse sentimento estar latente enquanto penso sobre, vou tentar fazer o que fiz quando não nos víamos. Seguir da melhor forma possível. Estou feliz em saber que está bem, e também por escutar que pensou em mim, que sentia falta. E satisfeito por finalmente preencher as lacunas do que não sabia sobre sua partida definitiva. O encontro foi marcado por grandes resoluções. Sou grato pela chance que tive.

No momento de sair para o almoço eu me sentia nervoso. Principalmente por não acreditar que o estava vendo no banco do motorista; a refeição não foi triste nem envolta por qualquer sentimento melancólico, muito pelo contrário, havia muitas risadas e gestos de carinho. Foi mais uma deixa para a minha tranquilidade.

Eu já havia me despedido da Kushina, sendo assim, fui levado para casa. Trocaria de roupa e seguiria para o trabalho, deixei recado logo pela manhã avisando que chegaria para à tarde. Quando avistei minha garagem, o coração bateu forte. A despedida.

— O seu celular, onde está? — ele franziu a testa antes de me entregar o aparelho. Disquei meu número, salvei e fiz uma ligação para deixar o dele gravado no meu. — Desta vez eu vou te caçar se não me responder.

— Eu adoraria. — sorria pequeno.

— Ainda tenho algum tempo… Se quiser entrar.

— Sinto muito.

— Tudo bem. — me inclinei. O beijo foi doce, e quando tentei me afastar o mais velho não permitiu, tornando a nos juntar de forma ainda mais calma. — Tchau, senhor Uchiha. — eu disse de pé do lado de fora.

— Até mais, Uzumaki.

Acompanhei o carro sumir no horizonte. E antes que eu pudesse colocar os pés dentro de casa, uma mensagem sua chegou para mim “Já estou com saudades”.


Notas Finais


Então! Então!
Eu preciso explanar mais algumas coisas sobre esse derradeiro senhor.
Logo quando as coisas estavam caminhando para seu final já comecei a pensar em como deveriam se encerrar as atividades. E cá, o que temos, não é o que deveria ser. Mas como assim, Fuyuka? Bem, pensando em um filme que assisti para um trabalho da faculdade, decidi que os dois pombinhos não ficariam juntos no final, apesar de se reencontrarem, cada um seguiria seu caminho feliz da vida. E ponto.
Mas! Talvez o bug que o computador deu foi para que eu repensasse o que estava prestes a fazer AUSHUAHSUAHU Não é possível; e cá estamos nós com um típico final feliz que todos gostam. Ou não, né?

De qualquer forma, preciso agradecer a paciência de todos pela minha demora em diversos momentos. Se tem uma coisa que eu odeio mais do que bloqueio, é com certeza, falta o compromisso de postar nas datas certas. Sempre fico me relembrando que preciso postar, que preciso postar, e por aí vai.
Então, muito obrigada para todos que tiveram essa coisa fofa chamada paciência de esperar e acompanhar essa história nada roterizada huehue ♡♡♡

Acabei de postar também uma nova história, dessa vez 100% colocada na ponta do lápis os acontecimentos e todo o desenvolvimento, chama-se Um Crime Americano, vai ser bem curtinha, apenas 5 capítulos. É um romance policial, cheio dos angst da vida e outras coisinhas mais. O casal principal é SasuNaru, porém, as narrativas principais se dividem entre o Kakashi e o Naruto.
https://www.spiritfanfiction.com/historia/um-crime-americano-13893445

Isso é todo por essa aqui, pessoas. Novamente o meu muito obrigada para quem acompanhou. E ficarei feliz em acolhê-lo na outra também, caso não, vejo vocês -ou não- em outra história! ♡♡

See ya!
Byeee!!


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