História Help - Capítulo 1


Escrita por: e Nagareboshis

Postado
Categorias Naruto
Personagens Kiba Inuzuka, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Feminicidio, Naruto, Sasusaku, Violência Contra Mulher
Visualizações 411
Palavras 7.409
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


•Diante do caso impactante da Tatiane, vi meu coração sendo quebrado( não só o meu, tenho certeza), diante de toda a situação. Então tomei a iniciativa de escrever essa fanfic em UA e por mais que seja um tema pesado, ele deve ser abordado e ele deve ser discutido, sim!!
•Não importa em que ambiente, as pessoas precisam falar sobre o feminicídio e a violência contra a mulher. Ele precisa ser impedido e precisa ter justiça!
•Já aviso que não terá um final triste, quero essa história como uma inspiração, para as pessoas que passam por essa situação tão delicada e complicada.
•O Sasuke não será o marido da sakura!!
•A fanfic terá uma temática pesada e bem teórica em algumas partes;
•Não iria falar sobre ela, porém gostaria que essa história fosse lida e refletida pelo maior número de pessoas possível (motivo pelo qual estou aqui rsrs);
•Vamos lutar (mesmo que seja por fic’s, que mudam sim a vida das pessoas através da leitura), quero dar esperanças e coragem para essas pessoas, mostrar que elas podem passar por isso.
•É um assunto delicado, e demanda pesquisa e muito cuidado para ser abordado, por isso demorei tanto para falar e postar.
• Tivemos alguns problemas, por isso que demoramos tanto para postar. Peço desculpas :(
•Os personagens não são de minha autoria, mas a historia sim! Então qualquer tipo de plágio, por favor denunciem.
Enfim, boa leitura meus bolinhos!! Espero que gostem e entendam, o intuito desta fic :3

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Help - Capítulo 1 - Capítulo Único

Oneshot- Help

"...Quando você sentir o meu calor
            Olhe nos meu olhos
             É onde meus demônios se escondem
            É onde meus demônios se escondem
            Não se aproxime muito
            É escuro aqui dentro
            É onde meus demônios se escondem..."

-Imagine Dragons


O auditório estava em silêncio, a curiosidade para saber qual seria o tema do próximo grupo, tomava algumas pessoas. A banca dos professores com graduações e doutorados, prontos para criticar o trabalho e dar o ensinamento aos seus alunos, esses já sabiam sobre o que seria o trabalho e estavam ansiosos para saber qual seria o desempenho desses alunos. O TCC (trabalho de conclusão de curso), que geralmente é feito em faculdades, já era um ritual no Colégio de Konoha. Os alunos se preparavam o ano inteiro, no caso o famoso “terceirão”, para apresentar algum tema à banca. Tudo isso com o intuito de mostrar aos alunos como eles deveriam trabalhar em suas faculdades. Os semi- formandos, tinham que escolher temas que abordavam na sociedade, para trazer o assunto em pauta e dar uma solução. Temas como: “Família Contemporânea”, “ Exclusão social”, “Racismo”, “ Segurança Pública ” e entre outros temas, que deveriam ser discutidos na sociedade. Porém, infelizmente, são deixados de lado. 
Naquela manhã, a banca era composta pelos três professores mais rígidos da escola: Kakashi Hatake, Tsunade Senju e Ibiki Morino. O que os deixava cada vez mais receosos sobre a apresentação e perguntas sobre o que poderiam vir. Um pouco antes do palco, um grupo de três alunos esperava pela chamada ao palco, para começarem a apresentação. Eles trabalharam muito para chegar ao resultado que queriam, e não queriam nada além do perfeito.
Sarada Uchiha, a “líder”- ou melhor, organizadora, do grupo mexia em seus óculos em um nível de nervosismo extremo e a batida de seu salto no chão deixava ainda mais evidente. Em pensamentos ela contava até 10 e pedia aos céus para não ter um ataque de pânico (como teve na noite anterior).
“1, 2, 3... inspira, 4, 5, 6... expira”
Repetia esses pensamentos como uma mantra, lembrando do quanto essa apresentação podia mudar a vida de algumas pessoas. Era um assunto sério e delicado, que eles iam abordar. Ela teve a ideia no primeiro ano do ensino médio, já que eles já tinham a consciência do trabalho. E em torno destes 3 anos, eles montaram, desenvolveram e pesquisaram cada detalhe sobre o que iriam apresentar; fatos concretos, e prontos para responder qualquer pergunta relacionada a isso. Ela não iria decepcionar sua mãe, e muito menos, decepcionar todas as mulheres que estava representando naquela apresentação. Para alguns podia ser apenas um trabalho que valia nota, mas para ela...aquilo era uma esperança para pessoas que passaram pelo mesmo que sua progenitora passou.
-Próximo grupo- Eles escutaram a voz calma da professora Shizune, de geografia - O tema será: “Violência contra a mulher e feminicídio” e como tutora dos alunos, o professor Konohamaru.
Os jovens entraram no palco na ordem de fala de cada um, enquanto a tela grande do reprodutor de vídeos, que estava entre eles, começava a clarear mostrando os slides muito bem montados de Boruto A foto do começo impressionou a todos, alguns até se endireitaram na cadeira para prestar mais atenção no tema sério, que o grupo de adolescentes iria abordar.
O microfone foi para a mão da menina de esferas ônix, que tremia de nervoso ao olhar de todas aquelas pessoas em cima dela.
“ Se você ver que vai travar, olhe pra mim e para seu pai. Sabe que somos, e sempre seremos, seu porto seguro, Sarada.” se recordou da voz calma de sua mãe e do aceno silêncioso de seu pai, enquanto ele tocava sua testa com o dedo médio e indicador, um gesto característico da família. Já sua mãe a esmagava em um abraço, e sorria orgulhosa pelo que a filha tinha se tornado e ainda iria se tornar. 
Levantou a vista, e olhou para os olhos de uma das mulheres mais fortes que já conheceu, virou o rosto para o lado dela e viu os olhos confiantes de seu pai. Os amigos de seus pais, que mais levava como tios, estavam presentes também e acenaram em um sim, para ela tomar coragem e começar. Tomou o ar para os alvéolos de seus pulmões, e então sentiu a voz sair pelas suas cordas vocais.
-Bom dia a todos-olhou em volta do ambiente- Nosso trabalho de conclusão de curso será sobre “Violência contra a mulher e feminicídio”. - Boruto passou o slide mostrando o tema central e os nomes dos componentes do grupo- Me chamo Sarada Uchiha, e nosso grupo é composto por: Boruto e Mitsuki - apontava pra cada um que apenas balançava a cabeça em um cumprimento discreto.
-Vamos começar nosso tema explicando o que é a violência contra a mulher e feminicídio. A violência contra mulher é amplamente definida como qualquer ato que possa causar dano físico, sexual, psicológico ou sofrimento extremo a uma mulher. A violência pode ocorrer em casa, local de trabalho ou comunidade. É muito comum esses atos ocorrerem em relacionamentos abusivos- tomou fôlego- Já o feminicídio é o crime de assassinato de uma mulher cuja motivação envolve o fato de a vítima ser uma mulher. Entretanto, não quer dizer que todo o assassinato de uma mulher seja um feminicídio, mas que todo assassinato de mulher que justifica-se pelo fato de a vítima ser uma mulher. Algumas vezes, o feminicído indica-se apenas na motivação, como a escolha de uma mulher para ser morta ou no fato do comportamento de determinada mulher ser a justificativa encontrada pelo assassino para realizar a ação.
Boruto ia passando os slides com o controle em mão, enquanto ela passava o microfone para o outro integrante.
-O feminicídio qualifica o crime, ou seja, torna-o mais grave - a voz calma de Mitsuki ressoou pelo ambiente-Com a Lei 13.140, aprovada em 2015, o feminicídio passou a constar no Código Penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio. A regra também incluiu os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um terço (1/3) até a metade da imputada ao autor do crime. Para definir a motivação, considera-se que o crime deve envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher- respirou e voltou o microfone para a amiga.
-Esses agravantes da pena podem ser: O que ocorre durante a gestação ou em até três meses após o parto da vítima; naquele que ocorre contra a mulher com menos de 14 anos, mais de 60 anos ou com algum tipo de deficiência; e o terceiro é aquele que ocorre na presença de filhos ou pais da vítima- O jovem concluiu e deu o microfone para a figura loira ao seu lado.
-Medidas foram tomadas, como implementação integral da Lei Maria da Penha é o primeiro ponto desse rol de medidas. Reconhecida mundialmente como uma das melhores legislações que buscam atacar o problema e elemento importante para a desnaturalização da violência como parte das relações familiares e para o empoderamento das mulheres, a lei ainda carece de implementação, especialmente no que tange às ações de prevenção, como aquelas voltadas à educação, e à concretização de uma complexa rede de apoio às mulheres vítimas de violência.
-Segundo a promotora Sílvia Chakian- a voz feminina voltou- "A gente não vai avançar na desconstrução de uma cultura de discriminação contra a mulher, que está arraigada na sociedade, nas instituições e em nós mesmas, sem trabalhar a dimensão da educação". De acordo com ela, a rede de atendimento, de atenção e de proteção às mulheres que vivenciam situações de violência pode ser definidora do rompimento desse ciclo, porque ela deveria fornecer apoio multidisciplinar, inclusive psicológico e financeiro, para que a mulher possa tomar a decisão de romper a relação abusiva e tenha condições de se manter fora dela.
-Onde não há delegacia especializada, centro de referência, casa abrigo e outras instituições de apoio, essa mulher vai sofrer calada, dentro de casa, sem conseguir buscar ajuda- Boruto voltou a falar, mostrando o quanto aquela problematização era grave- Como o fato extremo do assassinato é, em geral, uma continuidade de violências perpetradas antes, a existência desses mecanismos de auxílio pode interromper o ciclo de violações, antes que a morte ocorra. O feminicídio é uma tragédia evitável, basta apenas ficarmos mais atentos.
-Outras formas de combater essa realidade dramática é aprimorar as condutas dos profissionais envolvidos nos processos de investigação e julgamento de crimes de feminicídio. Nesse sentido, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a ONU Mulheres publicaram as Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídios- Mitsuki pegou o microfone novamente.
-O documento detalha, por exemplo, quando e como a perspectiva de gênero deve ser aplicada na investigação, processo e julgamento de mortes violentas de mulheres, além de formas de abordagem das vítimas e informações sobre os direitos delas. O documento destaca ainda ações que podem ser desenvolvidas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, de modo que a justiça incorpore a perspectiva de gênero em seu trabalho e para que sejam assegurados os direitos humanos das mulheres à justiça, à verdade e à memória.
-Existe uma grande barreira, sobre ”feminicídio” e “homicídio doloso”. Muitos classificam como a mesma coisa, mas não é - Sarada voltou a falar-Feminicídio é apenas uma nova forma de designar o homicídio doloso de uma mulher? Errado! É o assassinato de uma mulher motivado por sua condição de mulher. Nem todo assassinato de mulher pode ser definido como feminicídio. Se ela for morta por um bandido num assalto, o crime deve ser definido como latrocínio. Mas, se ela for morta pelo ex- parceiro que não aceita o fim do relacionamento, por exemplo, trata-se de feminicídio. Quando a mulher é morta por alguém motivado por esse sentimento de propriedade sobre ela, por um homem que quis se vingar após uma rejeição ou por alguém que a odiava pelo simples fato de ela ser mulher, é preciso distinguir o caso como feminicídio- Concluiu sua parte, segurando um sorriso de alívio.
Boruto, por fim, passou o controle dos slides para o colega e pela primeira vez, desde que a apresentação começou, olhou para seus pais. Estes que, o olhavam com orgulho, segurou o sorriso tentando manter a face compenetrada. Se recompôs coçando a garganta antes de começar a falar sobre como identificar um relacionamento abusivo, que muitas vezes, era a causa principal da violência e do feminicídio.
-O relacionamento abusivo é característico pelo silencio e destruição que ele faz. Entretanto, há uma série de indicadores que podem ajudar a vítima a reconhecer a dinâmica de abuso e romper com o ciclo de dominação- Ele olhou em volta e viu algumas pessoas com cara desgostosa, e na hora já percebeu o porquê. Aquelas pessoas, acham que algumas mulheres apanhavam porque queriam. “Hipocritas, realmente o mundo precisa muito de mais empatia entre as pessoas” pensou e respirou fundo, tentando não se estressar com isso.
-Muitas mulheres não percebem que estão em um relacionamento abusivo, também existem casos com homens, mas o número de casos com mulheres é muito superior aos dos homens. O relacionamento abusivo( na maior parte dos casos), leva à agressão, que por sua vez, pode levar ao feminicídio. Lembrando que feminicídio não é a mesma coisa que homicídio.
Sakura observava a apresentação maravilhada, como a forma que eles passavam as informações de formas simples, mas compreensível, Konohamaru tinha feito um ótimo trabalho. Apertava a mão do marido, ao ouvir a narração do filho de seu melhor amigo.
-Característica dominante, é a primeira a ser identificada- A voz tranquila de seu afilhado, não impediu as recordações que vieram à sua mente.
“Sakura, já disse que é eu que mando aqui, você apenas obedece!” a voz de seu ex ecoava em seus pensamentos.
-Perfil agressivo passivo( Muito característico de parceiros dominantes), algo que dificulta o reconhecimento do parceiro como agressor. A agressividade passiva fere o outro de maneira sutil, tornando difícil a percepção, mas não diminuindo as consequências.
“Sakura, quantas vezes já disse, se você for fazer isso...vai passar vergonha, principalmente com essa roupa”
Apertava a mão do marido respirando fundo e tentando voltar a mente para a apresentação, sabia que seria difícil...tinha que passar por aquela barreira também. Segundo sua psicóloga, a barreira da aceitação, pelo que passou.
-Juras de amor “disfarçadas”, que apenas rebaixam e deixam a pessoa deprimida. Deixando a impressão que só o parceiro a ama.
“Sei que foi apaixonada e que ficou com o Uchiha por anos . Mas ele te largou, te abandonou. Só eu te amo, e ninguém nunca te amará como eu” 
Aquelas palavras, que ela achava que eram declarações, mas que no fundo sempre a fizeram mal. Sim, ela achava que eu era muito ruim para outra pessoa amar, então levou isso na boa. Achando que o que ele falava era verdade, ignorando seus próprios pensamentos clínicos, e que por trás daquelas palavras existiam mais coisas.
-As discussões e questionamentos(da vítima)são frequentes- A voz de Boruto era apaziguadora, transmitindo calma para quem estivesse ouvindo.
“-Eu já disse que não, Sakura!!!- o grito forte dele ecoou no quarto, enquanto ela sentia seus olhos lacrimejarem pela forma que ele a tratava.
-São minhas amigas!!- Ela gritou de volta- Tenho o direito de sair com elas!!
-Você não vai- Ele fechou a porta em um estrondo dando, ou achando, que tinha dado a sentença final. Engano dele, nada mandava nela, não desta forma. Já fazia um ano que a relação deles estava assim, ele a tratando de forma violenta e agressiva, como se mandasse nela. Aquilo era loucura!!! E então suspirou, se questionando de novo naquela semana, abraçava o travesseiro, com a cabeça em varias possibilidades ’Será que esse relacionamento, vale mesmo a pena...?’ ”

-Sinais de alerta de violência, como deixar a frustração em meio a móveis, quebrar coisas, ameaças e perfil solitário- Ela abaixou a cabeça-Muitas vezes é frequente que o agressor possua um perfil solitário, e que aos poucos acabe envolvendo sua parceira(o) na convivência solitária a dois. O parceiro dominador não costuma participar de grupos sociais e leva sua parceira(o) a se distanciar de sua rede de amigos.
“A casa estava tranquila, ela o esperava sentada na mesa de jantar. Sabia que ele estava furioso com ela, por ter saído com as amigas naquela tarde. Mas o que podia fazer?? Eram suas amigas.
Ouviu a porta ser destrancada e a figura entrar na cozinha com uma face tranquila, o que era uma ilusão. Seu terno estava esfarrapado e seu olhar era ferino, ele se aproximou da mesa, que ela tinha feito com carinho e decorando, pegou na beira da toalha e puxou derrubando todos as talheres, os pratos, as taças, o vaso simples com uma flor unitária e a garrafa de champanhe no chão. Ela soltou um grito de exclamação e o olhou assustada.
-EU DISSE QUE ERA PRA VOCÊ NÃO IR!!!!-Chutou a cadeira e bagunçou os cabelos castanhos, em total desequilíbrio. Sakura o olhava assustada com as mãos na boca e os olhos lacrimejando, sabia que aquele comportamento agressivo estava frequente, mas não assim.
-Limpa essa merda, antes que eu volte e te de uma surra- Ela arregalou os olhos com a exclamação dele. Iria o questionar, mas a figura saiu da cozinha a deixando sozinha no ambiente bagunçado. Pegou no caco de vidro e a flor que tinha colocado, não entendia porque tudo isso. E pelo jeito nunca entenderia, ele estava louco. 
O caco escorregou de sua mão, e na tentativa de segurá-lo ela cortou a palma da mão, sujando a margarida branca-que ela tinha depositado no chão de novo- de vermelho
E aí está a metáfora, o amor deles era uma Margarida que tinha sido pisada e machucada. Não tinha mais volta. E ela por um breve momento, imaginava que essa Margarida, no futuro, se mancharia de sangue também”

-Inversão de papéis- A voz de Boruto ficava nítida de novo-Discordar de opiniões costuma resultar em comentários do tipo: "você é louca(o)" ou "você está fazendo drama". Manipulador, o parceiro abusivo faz um jogo no qual consegue fazer a parceira(o) sentir-se sempre culpada(o) por desencadear brigas e discussões e o ciúmes possessivo e manipulador...- Novamente a voz de Boruto ficava mais longe.
“ Isso tudo é culpa sua- Ele apontava para ela que estava caída no chão, segurando o rosto que ardia pelo soco que ele tinha lhe dado. Estava com os olhos arregalados e um filete de sangue escorria pelo seu nariz e sua boca.
-Você está louco??!!- se levantou gritando com ele, mas logo sentiu seu corpo colidindo com o chão novamente, pelo outro tapa que ele tinha dado nela.
-Se você se aproximar do Uzumaki novamente- Ele puxou ela pelo braço apertando, aquilo com certeza deixaria uma marca roxa- Vai ser bem pior, do que alguns tapinhas” 

Sentiu um arrepio quando um toque no seu braço a trouxe de volta, era conhecido e carinhoso. Levantou as orbes esverdeadas, e se deparou com o olhar observador e preocupado do marido. Esse, que até então, fazia uma pergunta silenciosa, por apenas um olhar.
-Estou bem- Sussurrou para ele, que sorriu de lado e com a mão calejada, entrelaçou seus dedos em um gesto carinhoso. Sakura sorriu, e voltou a prestar atenção na apresentação, percebendo que estava no final, quando as luzes apagaram e um vídeo começou a ser transmitido. O desespero na voz das mulheres, fez ela se recordar do seu desespero interior e das primeiras consultas com sua psicóloga. Sobre como ela falava que ela não era a única a passar por aquilo, que pelo contrário é mais normal do que se imagina. E que, com certeza, esse problema precisa ser resolvido com justiça. Urgente. Os números só aumentavam, mas não só falando em questão de mortes. Os traumas psicológicos que eram deixados como marcas, afetava a vida da pessoa. A dificuldade em confiar em alguém novamente, ter a dúvida se vai ser feliz de novo, era surpreendente e triste ao mesmo tempo. 
Não era pra ser assim, não devia ser assim. Tantas lutas e tantas mortes de várias mulheres no passado, cada dia fica mais claro que elas têm que lutar mais. Elas contra o mundo, elas contra todas essas pessoas, que acham que uma mulher tem que obedecer, tem que fazer o que eles mandam. 
As coisas não são assim, o tempo mudou, o mundo mudou, elas mudaram.
“E nós mudamos todos os dias, para mostrar que sim! somos fortes, e que sim! tem esperança para a justiça. Isso depende da gente e do interesse das pessoas, sobre esse assunto. Depende da esperança, de que a dor precisa ser sentida. Para nos recuperarmos, e continuarmos cada dia mais fortes. Essa dor que fez, as coisas mudarem e, ainda faz” - Pensava olhando para sua filha que já era uma mulher feita, linda e tão sábia. Eles eram a nova geração, a geração dos questionamentos, a geração do explorar e como melhorar a dor. A geração que ainda iria mudar tudo. E então olhou para o marido, a pessoa que a trouxe de volta, que esteve com ela...ela devia sua vida a ele. O mesmo reparando que a esposa o olhava, levantou a sobrancelha negra, tentando decifrar os seus pensamentos, mas desistiu, ao ver que ela não iria falar nada, quando ela virou o rosto para o telão. 
As rosas que murcharam no começo do vídeo, estavam florescendo de novo, e é isso. Elas têm que florescer de novo. Ter esperança. Era difícil de achar esperança na escuridão, ela sabia, mas elas tinham que achar, pois quando achavam a esperança e a luz de novo era a melhor coisa. Era a felicidade mais pura, que ela sentiu em toda sua vida. O auditório ficou claro novamente e o microfone voltou para sua filha.
-Com isso, o intuito do nosso trabalho é informar, e mostrar que sim, ainda existe a violência contra a mulher, relacionamentos abusivos e feminicídio. E sim, elas são mais frequentes do que imaginamos. Temos que lutar contra isso. É crime!- Ela falou com convicção- Não fiquem em silêncio, denuncie 180. Quem passa por isso pode achar que está no escuro, mas não está. Ainda existe esperança, sempre existe- Respirou fundo- Ou então se você conhece alguém que passa por essa situação, ajude. Não podemos deixar mais mortes como essas ocorrerem debaixo de nossos narizes. Temos que fazer alguma coisa, e essa coisa é todos nós nos juntarmos e impedirmos, que isso continue. Temos que nos mover! - Concluiu com um olhar determinado e então sorriu - Juntos somos muito mais fortes, para impedir que mais uma mulher morra agora, ou agora, ou agora!. Enquanto você me ouve, mais uma mulher está sendo agredida, pelo marido, pelo filho, pelo pai! Não podemos deixar!! Vamos lutar contra a violência e o feminicídio, juntos- Quando a menina terminou sua fala, o auditório explodiu em palmas para o grupo. A mãe da menina tinha os olhos lacrimejados de orgulho, enquanto o pai sorria de canto. Ele sabia que ela conseguiria, elas sempre conseguiam, não importa o que acontecesse ou a situação. Elas sempre conseguiam.
Quando o auditório se acalmou, Shizune voltou com um sorriso de orgulho nos lábios.
-Agora vamos para as perguntas-Shizune direcionou o microfone para os professores que discutiam entre si.
-Realmente, impressionante- A voz grossa de Kakashi Hatake se fez presente- Vocês abordaram o tema muito bem, mostrando a conscientização deste problema. Em questão de pena para o agressor e psicologicamente para a vítima, como Mitsuki explicou- O prateado sorriu genuíno e acenou com a cabeça- Infelizmente, não me vem nenhuma pergunta na cabeça. O que significa que vocês não deixaram nenhuma brecha para a fazermos, bem não no nosso ponto de vista, parabéns! -Apontou para ele e para Ibiki. Os alunos do grupo sorriram e concordaram com o elogio, agradecendo.
-Minha pergunta é no quesito psicológico- Tsunade pegou no microfone- É possível erradicar, ou esquecer, os danos que causa uma violência ou um relacionamento abusivo?
Sarada pegou no microfone e olhou pra sua mãe, lembrou das vezes em que via o pai fazendo chá de madrugada por conta de pesadelos. Da história, sobre o começo da depressão pós parto que ela desenvolveu, depois de seu nascimento, achando que não era suficiente para a filha. Essas eram, algumas das consequências, diante de várias, que não iriam ser apagadas, mas sim superadas.
-“Erradicar” não, os danos causados sempre estarão lá, não importa o tempo. Superadas sim, essas dores podem sim ser superadas. É questão de tempo, com um tratamento adequado, com apoio da família e dos amigos, sem nenhum julgamento.  - Ela olhou pra a mãe- Essas pessoas, com certeza podem ser felizes, mesmo que as marcas ainda estejam lá.
-Ótimo- A Senju crispou os lábios, mas logo sorriu, anotando algo na pasta.
-Parabéns ao grupo, muito boa a apresentação, linguagem formal, mas que passa um bom entendimento e ótimas informações continuem assim - Dando a apresentação como finalizada, ao balançar a cabeça para a psicóloga.
E então as palmas soaram e os gritos dos alunos do terceiro mostrando a animação que todos estavam. O clima estava agradável, entretanto uma mão se levantou no meio dos pais dos alunos. Shizune levantou o olhar estreito ao ver quem era, mas entregou o microfone para os alunos irem passando para trás, até chegar na mão levantada.
-Em primeiro lugar, bom dia ao grupo- A figura sorriu e acenou com a cabeça para o grupo que sorriu, e repetiu o gesto de volta - Meu nome é Kabuto Yakushi. E a minha pergunta, tem em relação a por quê toda essa mobilização? Qual o sentido da escolha do tema?- Ele sorriu maldoso para o grupo- Se essas mulheres apanham e tem tanta garra, porque elas não saem quando dá? Se elas continuam em um relacionamento que tem violência, a escolha é delas não é? Apanham porque querem. Não vejo sentindo no tema de vocês, até por que todos sofrem com violência.
Todos arregalaram os olhos diante da especulação do Yakushi, que apenas mandava um olhar irônico para o grupo, Shizune bufou e falou alto:
-Sr Yakushi, a apresentação foi dada como encerrada. Creio que terá que sanar suas dúvidas depois da outra apresentação- Foi cortada pela voz da Uchiha mais nova.
-Tudo bem , Shizune- Ela a olhou- Eu respondo- A voz decidida como a da mãe. Ia começar a formular a resposta, quando uma figura se levantou da plateia, surpreendendo a todos pela beleza e a forma como que, ela tinha se levantado. Mais surpresos ainda estavam pai e filha.
“ O que Sakura está fazendo?” Sasuke se perguntava, segurou o pulso feminino com um olhar de questionamento, mas ela apenas sussurrou um “ confia em mim”. Para o marido, que soltou seu pulso, murmurando um “irritante”. Mas ainda permanecia com um olhar apreensivo, vendo sua esposa descer a escada com graça em seu salto até a frente do palco. A mulher se virou para a filha e com um gesto pediu o microfone para ela, que sem questionar entregou.
-Bom dia- O auditório ficou em silêncio diante da imagem de superioridade e de beleza da mulher em frente ao palco - Meu nome é Sakura, Sakura Uchiha. E sou mãe da Sarada- Apontou para a filha que sorriu sem graça- Gostaria de pedir permissão para os professores, para responder essa pergunta, já que o trabalho de minha filha já foi fechado- Ela dirigiu o olhar para a banca, que apenas acenou em concordância, com curiosidade sobre o que a mulher iria falar.
-Crianças, podem descer do palco- Apontou para alguns bancos vazios- A história vai demorar um pouco- Sorriu e esperou os adolescentes descerem e se acomodarem perto dos amigos.
-Como ia dizendo, meu nome é Sakura Uchiha- Suspirou, tomando coragem- Tenho 28 anos e sou médica. Fui vítima de violência contra a mulher em um relacionamento abusivo e quase fui morta, se não fosse pelo meu atual marido Uchiha Sasuke- Olhou para o marido, que vendo o objetivo da esposa, apenas se levantou e foi para o lado dela, para lhe dar apoio. Sabia que falar sobre aquilo seria complicado para a mulher.
-No começo, ele era carinhoso, me dava flores, me tratava como rainha, principalmente na frente da minha família e amigos. Fazia eu me sentir amada, e apaixonada- Sentiu os olhos lacrimejarem e respirou fundo, o silêncio do auditório prendia o local. 
-2 anos de namoro e fomos morar juntos. Ele queria casar, e eu também, meu sonho era ter uma família- Olhou em volta e viu todos com uma expressão de compaixão e algumas com pena, odiava aqueles olhares- E esse foi o motivo da primeira briga e sua primeira agressão psicológica comigo- Se lembrou das palavras duras de seu ex.
“Está louca!!- Ele se aproximou e riu com deboche- Vai acabar com seu corpo, já basta eu te suportar assim, chata. Imagina com um filho seu e com seu corpo todo cheio de marcas!”
Repetiu as palavras que ele tinha falado, e observou a reação dos alunos e dos pais. Alguns possuíam o olhar surpreso, mas então reparou o olhar baixo de algumas meninas e mulheres na plateia.
-Aquele dia acabou comigo, fiquei me olhando no espelho por dias- Os saltos batiam de um lado para o outro, enquanto Sasuke se encostava no palco com os braços cruzados, em silêncio, como sempre- Meu sonho era ter uma estabilidade financeira, com minha tão sonhada carreira (medicina) e então uma família. A primeira eu já tinha conseguido, a segunda estava sendo destruída por um homem, por meu namorado.
-E então, veio as várias outras violências verbais e psicológicas. O fio da meada foi a primeira vez que ele me bateu- Ela narrava enquanto se recordava dos fatos.
“Sakura entrou pela porta sorrindo, tinha passado a tarde com seu melhor amigo depois de tanto tempo. Ela estava se sentindo bem melhor, tinha conversado com ele sobre varias assuntos, um deles principalmente foi sobre a forma como seu namorado estava agindo há uns meses. Estava pensando no que ele havia falado...será que ela estava vivendo em um relacionamento abusivo e ainda não tinha percebido? Como não? Ela era médica, sabia reconhecer os sintomas, não sabia? Apesar de não ser psicóloga...ela havia estudado sobre isso. Como poderia estar vivendo algo assim e nem se quer tinha pensado na possibilidade...
"Tem que prestar mais atenção Sakura, ele pode acabar fazendo algo com você" a voz do seu melhor amigo ecoava em seus pensamentos.
-Onde estava?- Foi cortada pela voz grave vindo do sofá, o dono dela tinha as mãos cruzadas e uma expressão desgostosa no rosto.
-Fui ver o Naruto- Colocou a bolsa na bancada e trancou a porta- Estava com saudades dele, sabia que...- Foi cortada pelo estrondo que foi feito na mesa da sala, ela se assustou ao ver o móvel quebrado no canto da sala- Tá louco??
-Louca está você!!- Ele bradou e puxou ela pelo braço- Como se atreve a sair sem minha permissão?? Ainda mais com um homem?!
-Ele é meu melhor amigo, desde minha infância!!- Ela o encarou, seus olhos verdes flamejando em desafio. Desta vez, ela não ia abaixar a cabeça, estava cansada desta palhaçada- E quem é você Kiba??-Colocou o dedo indicador no peito coberto pela blusa polo azul claro- Para dizer com quem devo continuar saindo ou não? pode ser meu namorado, mas não manda na minha vida assim! não é você que vai controlar meus ciclos de amizade e muito menos sobre como eu devo viver!!!- Estava indignada com aquilo”
-Seu ciúme era possessivo, seu ódio contra mim, seu controle sobre meu ciclo de amizades e sobre como eu devia viver. Estava fora de controle, e então eu explodi.
“- Quer saber, eu estou cansada dessa palhaçada!!- Me soltei dele e vi a marca de seus dedos em meu antebraço- Quero me separar de você!
-Seus olhos castanhos se arregalaram em de primeira instância, mas logo após ele abriu um sorriso sombrio, que fez eu me afastar em receio.
-Já deu para o Uzumaki??- Ele se aproximava- Ele é tão bom de cama assim, para você querer se separar de mim logo de primeira?
-O Naruto é Noivo! - Sua voz saiu surpresa, o que aquele louco estava pensando- Ele não teria motivos de trair a noiva dele, eles são meus amigos, ambos. Por quê eu faria isso??- A respiração pesada demonstrava o medo e o receio dela, de acordo que ele se aproximava -Quero me separar por culpa sua! Você mudou totalmente. Mal reconheço a pessoa pelo qual me apaixonei, eles não têm nada haver com...- Ela mal concluiu a frase e sentiu seu corpo se chocar contra o chão. A ardência em seu rosto, o gosto de ferro na boca e o nariz começando a pingar gotas vermelhas, provava o que tinha acontecido. Ele tinha batido nela, sem mais, nem menos. Os olhos verdes arregalados enquanto elevava a mão em direção ao nariz mostrava o quão assustada ela estava. Ela tinha sido agredida, pelo próprio namorado”

Naruto ao ouvir a narração, abaixou a cabeça. Se sentia culpado pelo que havia ocorrido com a sua melhor amiga, ou melhor, irmã. Por culpa dele ela tinha apanhado àquele dia, porque ele instou naquele maldito assunto. Sentiu a mão de sua esposa e olhou para ela se deparando com os olhos perolados em um olhar complacente, respirou fundo e voltou seus pensamentos aos eixos, voltando a escutar a voz de sua irmã amiga.
-Nesse dia, eu decidi ir embora - Lágrimas escorriam pelo rosto da ex-Haruno, ela não conseguia mais segurar. Ela também via algumas pessoas se emocionando com sua história.
-Falei que não aceitava isso - Respirou fundo e soltou a bomba- Mas eu voltei, ele me fez voltar. Me obrigou.
-É aí que eu queria chegar Dra.Uchiha- Foi cortada pelo homem, mas mal continuou a falar e a voz da mulher soou forte o cortando.
-Por favor, aqui eu quero que me chame de Dra. Haruno- Ela soltou a bomba e o Uchiha sorriu de canto, para pessoas assim, sua esposa só se apresentava pelo antigo nome. E ele adorava quando isso acontecia.
-Mas, você não é casada?- Ele a questionou, levantando a sobrancelha em desafio. A mulher levantou a aliança, que estava no dedo anelar esquerdo da mão e sorriu vitoriosa.
-Sou - Levantou o rosto, as esferas com melanina verde brilhando- Mas pelo que eu sei, quem fez medicina fui eu. Não o meu esposo- Murmúrios foram ouvidos no auditório. As alunas olhavam para a médica com admiração, e até as mães de alguns estudantes a olhavam com um brilho no olhar. Sakura estava conseguindo o que queria, mostrar para a futura geração, que elas não precisam ter um homem para ser um profissional bem sucedido, não precisa de uma família ou se casar. Basta apenas você ser feliz com você mesma, e aí tudo irá ocorrer no tempo certo. Já para as mães dos estudantes, ela queria mostrar que nunca era tarde, ainda tinha esperança para algumas delas correrem atrás de seu destino, de seu futuro e que ninguém pode impedi-las. Mesmo que seja o seu marido.
-Sua mãe é foda, Sarada- Boruto soltou vendo os ônix da menina centrado em sua mãe, o brilho presente neles mostrava o quanto a Uchiha mais nova se orgulhava de sua mãe.
-Huham- O Yakushi coçou a garganta desconcertado com a resposta da mulher- Mas como eu ia dizendo, você voltou? Porque voltou sabendo que ele iria continuar te agredindo? Apanhou porque quis- As pessoas olharam para o homem indignadas pelo que ele acabara de dizer, e olhares raivosos começaram a se formar. 
“Qual o problema dele?” Pensou Sarada, inflando as bochechas e quase se levantando para bater naquele cara. Esperou pela resposta de sua mãe, mas a voz grossa e alta do seu progenitor chamou sua atenção.
-Porque você não senta seu traseiro no acento- A voz saia fria e cortante como navalha- E não termina de ouvir a história, como alguém decente? Depois você da sua opinião.
O silêncio se fez no local, enquanto o corpo se sentava cruzando os braços, “meio que finalizando o assunto”. Não estava afim de ser mais humilhado pelos Uchihas.
-Obrigada, Querido - Sakura agradeceu o moreno, que apenas concordou com a cabeça- Kiba ameaçou minha família, meus amigos, e então eu tive que voltar e conviver com aquele monstro. Na verdade, monstro não...ele não era um monstro. Ele era meu namorado, ele era filho de alguém, ele era amigo de algumas pessoas, ele era alguém normal. Ninguém nunca desconfiaria de quem ele era de verdade. E por dias, por noites eu sangrei, sangrei porque ele me batia até eu ficar inconsciente, ele me espancava e não me deixava sair de casa- Sua voz saia contida em dor, ela as vezes dormia no chão, por não conseguir levantar, ou por simplesmente perder a consciência toda hora-Eram chutes na cabeça, no estômago, em todo o meu corpo- Ela tirou o microfone dos lábios e virou de costas, respirou fundo e continuou.
-Até que um dia, ele me levou pra sair. Me deu calças e uma blusa de mangas longas para cobrir as marcas, fez eu passar maquiagem e me arrumar. Ele me deu flores e me levou em um restaurante - A mulher tomou uma postura mais séria- Eu sabia que algo estava errado.
“ - Onde quer chegar com tudo isso??- Perguntei olhando pela janela- Nunca vou te perdoar pelo que fez ou pelo que faz.
-Vai com calma, docinho- A voz mansa como veludo, enquanto ele parava o carro no farol - Agora me diga..o que você fez?? O que aquele cretino está fazendo lá??- Sua voz tomou uma proporção violenta, enquanto ele a puxava pelos cabelos.
-Eu não fiz nada!!! Do que você está falando?- Ela gritava tentando soltar a mão dele de seus fios róseos.
-VADIA- E num ímpeto, chocou a cabeça dela no vidro do carro- DESGRAÇADA- Outro choque - Você só trás desgraça.”

-Aquele dia, eu senti medo. Medo de morrer- A voz chorosa e raivosa ecoava em ondas sonoras pelas caixas de som- Aquele dia foi... desesperador...
“-EU DISSE PARA SAIR DO CARRO, VAGABUNDA! - Ele me puxou e me jogou no chão da garagem do prédio, chutando meu estômago. Eu estava desnorteada, pelas batidas na minha cabeça no vidro do carro, minha vista borrada e meio brilhante só deixava mais claro, que eu estava pra perder a consciência. Além do sangue que embaçava meus olhos. Os hematomas da semana e daquele dia cada vez maiores.
-Pa- para!- O sussurro saia pelos meus lábios cortados, em um pedido falho. Quando olhei pra cima, vi o brilho de prazer em seus olhos, prazer em me bater. A bota dele veio em direção a minha cabeça e aí, apaguei.”

-Ele me largou no estacionamento logo depois disso, mas depois voltou. Segundo as gravações ele pegou meu corpo e me arrastou até o elevador, eu não me recordo, pois estava desnorteada ou até inconsciente. Lembro apenas, do piso gelado e dele apertando desesperadamente o botão para subirmos, para o apartamento.
“-Ei!!- Senti um chute na minha costela - Levanta!- Me puxou pelo braço e me prendeu na parede, as mãos me sufocando. Seu olhar era assombroso, eu vi minha morte naquele olhar, o desespero se apossou do meu corpo. A adrenalina foi ejetada no meu sangue e eu tentei escapar de várias formas, mas não conseguia ficar nem de pé, e quando conseguia ele me segurava e me jogava no chão de novo. Nessa batalha acabei apertando alguns botões, e por conta disso o elevador abria nos andares que os botões estavam vermelhos. Eu tentei gritar socorro e sair do elevador, consegui sair em alguns andares e bater em algumas portas- Tomou fôlego, sentindo o desespero daquele dia, ao se recordar.-Mas ninguém saiu pra me ajudar, por mais que eu gritasse socorro ou pedia ajuda. Pela primeira vez, depois de tudo... eu tinha pedido socorro e ninguém(até aquele momento) tinha ido me ajudar.”
O silêncio era maior ainda. Era possível identificar mais pessoas chorando, mas ela já estava no fim. Sua filha se levantou e foi em sua direção, em um ato singelo segurou sua mão, enquanto sentia a mão do marido em seu ombro, em forma de apoio.
-Quando chegamos ao andar que íamos descer, eu ainda gritava na esperança de alguém me ajudar. Tentava me segurar no elevador para não entrar no apartamento, sabia que ele ia me matar talvez me espancar até a morte.
“ Sua vadia!!- Ele me puxou contra a parede do corredor e começou a apertar meu pescoço, eu já sabia o que me esperava, já não sentia mais o ar chegar em meus pulmões - Você vai queimar no inferno- Ele me jogou no chão, minha cabeça se chocou e minha vista embaçou completamente, meu corpo tremia como nunca, enquanto ele alegava meu pescoço. Eu apenas, pensava na morte, pensava em Sasuke...em como ele tinha ido embora do país, sem me avisar e como poderíamos ter uma família agora.
-A minha consciência se esvaia e meus sonhos e metas iam juntos com as mãos de meu agressor.
-Mas que porra é essa?- A voz fria e raivosa tomou o ambiente. As mãos dele travaram na hora, e então eu entendi porque da fúria dele, mas ao mesmo tempo seu medo e receio, sua pressa em me matar. Do lado da porta da minha casa estava Sasuke Uchiha, meu ex-namorado e delegado do departamento da polícia, e provavelmente meu novo vizinho. Na minha frente estava meu então, último amor, meus olhos lacrimejaram e eu abaixei a cabeça. Me sentia fraca, inútil por estar sendo humilhada assim. Odiava, odiava que ele me visse fraca e frágil, quando eu imaginava nosso encontro eu não queria que fosse assim... não dessa forma. As lágrimas se intensificaram e eu mordi meu lábio machucado, tentando conter os soluços que saiam de minha garganta, ainda sufocada.
-Não se mete Uchiha!- Kiba me apertou mais forte. E naquele momento, se eu ainda tinha dúvidas, se ele queria me matar, elas se foram. E agora eu tinha certeza, ele iria dar fim à minha vida, na frente do meu ex. 
-Solta ela Inuzuka, ou eu não responderei pelos meus atos- Sasuke o ameaçou, sua voz era raivosa.
-Já disse para você não se intrometer!! - O ar não chegava mais, arregalei os olhos em desespero. Sasuke em um movimento rápido tirou a arma( que com certeza estava na cintura...ela sempre estava lá) e apontou para meu agressor, que não ligou, e apertou meu pescoço mais forte com os polegares, pressionando minha carótida. 
Tudo aconteceu muito rápido, em um momento eu estava nos braços do meu agressor, e no outro esse estava travando uma luta corpo a corpo com meu ex. A tosse e o ar voltando para os meus pulmões em um sopro só, me arrastei até o canto da parede, e vi Sasuke nocauteando Kiba e logo em seguida dando um tiro em sua perna, para que se ele voltasse à consciência não fugisse.
Minha vista embaçava e eu sentia que algum órgão interno meu foi prejudicado, com certeza estava com hemorragia.
-Sakura!! Sakura! Acorda- ouvi uma voz ecoar me chamando- Acorda irritante...- Abri os olhos devagar, vendo os olhos negros me olharem desesperados- Graças a Deus- Pegou o celular e ligou para a ambulância, que com certeza tinha recomendado me manter acordada, logo em seguida, ligou para Naruto. Ele passou as mãos nos meus fios róseos me olhando preocupado.
-Não dorme tá? Fica acordada- Ele estava assustado- Não devia ter te deixado, me desculpa...- Ele me puxou para um abraço e eu sentia meus olhos pesarem- Fica acordada minha irritante- Não posso perder você, não de novo e nem para sempre. Então não se atreva a fechar seus olhos e me deixar sozinho- Sua voz embargada demonstrava que estava segurando o choro, quando ele colocou o rosto em meus cabelos, aí eu tive certeza, que ele estava chorando. 
E aquilo me doeu mais do que meus machucados. E ali eu chorei, chorei tudo o que eu tinha que chorar daqueles meses, eu precisava me libertar, e eu me libertei naquele dia. Me libertei de todo o peso que estava segurando, nos braços do meu amado. Ali, eu soube, que ainda tinham esperanças.
-Desculpa, por não te proteger direito- Sua voz estava trêmula , e ele me abraçava mais forte.
-Sasuke, me ajuda!- Me agarrei em sua camisa soltando um choro desenfreado. “Como um bebê, que precisava do colo da mãe.”

-A última coisa que me lembro- Olhei para meu marido- Foi que Sasuke lutou por minha vida, aquele dia. Se ele não estivesse lá, com certeza eu estaria morta agora. Quando eu olhei em seus olhos, eu sabia, que estava salva. Mas não era por ser meu ex-namorado, era porque tinha alguém lá para impedir.- Limpei as lágrimas e sorri confiante- Alguém para impedir a tragédia, impedir um feminicídio - Eu sorri e olhei para Yakushi que apenas acenou, deixando claro que suas dúvidas tinham sido sanadas, e soltou um “desculpe” baixo.
-Kiba Inuzuka era meu príncipe, um sonho que virou um pesadelo, o pior tipo de pesadelo. Mas Sasuke e Sarada Uchiha, foram meus recomeços. - Eu abracei as duas pessoas mais importantes para mim - Eis o meu recomeço. Nunca se esqueçam, se agarrem à sua esperança e seu recomeço, eles que irão te guiar, a partir de agora. Kiba foi preso, e com certeza não sairá de lá tão cedo - Concluiu olhando para todos no auditório; Então palmas e assobios foram ouvidos. Abraçou a filha e recebeu um beijo do marido na testa, ela nunca esteve tão feliz. 
“Acredite, a sua luz irá voltar, apenas lute pelo que é seu e pelo que você merece. Você é uma guerreira mulher, nunca se esqueça disso! ”

"...Eu estava engasgando na multidão
           Acumulando minha chuva na nuvem
           Caindo como cinzas ao chão
           Esperando que meus sentimentos se afogassem
           Mas eles nunca se afogaram, viveram pra sempre
           vazando e fluindo, inibidos, limitados
           Até que romperam e a chuva caiu
           E choveu como a, Dor!
           Você me fez
           fez de mim alguém que acredita, acredita
           Dor!
           Você me derruba
           me levanta como alguém que acredita, acredita..."

- Believer(Imagine Dragons)

 


Notas Finais


Links das pesquisas:
http://www.tjse.jus.br/portaldamulher/definicao-de-violencia-contra-a-mulher
https://www.vix.com/pt/bdm/de-carona/violencia-contra-a-mulher-saiba-o-que-fazer-e-como-denunciar
https://direitosbrasil.com/lei-feminicidio-o-que-e-e-qual-importancia/
https://br.mundopsicologos.com/artigos/como-reconhecer-um-relacionamento-abusivo
https://www.huffpostbrasil.com/2017/08/27/taxa-de-feminicidios-no-brasil-e-a-quinta-maior-do-mundo_a_23187246/
https://www.youtube.com/watch?v=FTAeJfF_X7k

E ai ??O que acharam? Gostaram?
Gente se vocês conhecem ou verem alguma relação assim, denunciem!! Ajudem!!
Se alguem passa por isso, coragem...se proteja.
Isso é sério, não deixe chegar em um nível tão ruim, procure ajuda!! Você não está sozinho.
Denuncie 180

Como disse no começo, a ideia veio a partir de todos os casos que aconteceram essa semana, o objetivo é mostrar que apesar de toda a negatividade ainda tem esperança.
Bem, se vocês quiserem, podemos fazer um capítulo extra, mostrando como que aconteceu a prisão e como a Sakura lidou com isso psicologicamente, só que ai depende de vocês rsrs
Se vão querer ou não :3
Bem aqui então finalizamos, beijinhos meus amores!!
Até a Próxima!!


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