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História Help. - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oiii gente!!

Tudo bem? Já lavaram as mãos hoje? Passaram álcool em gel?? Por favor fiquem em suas casas, o bagulho tá ficando louco.


Boa leitura!

Capítulo 3 - Entrevista



Repito minha rotina diária, como sempre. Assim que termino de falar com Berlin, saio de casa, pegando o ônibus e como sempre, conseguindo chegar atrasada. 

 

— Até onde sei, o seu horário começa às 8:40hrs, não às 8:56hrs, Golfs.– o senhor Babaca Jones diz. Respiro fundo e ajeito meu uniforme. Nem corrijo sua forma de me chamar mais, mesmo eu odiando me chamarem assim. 

— Me descu.. – ele me interrompe. 

— Sem desculpas, suas desculpas não vão fazer seu horário de trabalho perdido renderem, vá. – ele balança sua mão gorda na frente do meu rosto me dispensando. Eu já não perco mais tempo odiando esse homem, eu sinto pena; deve ter uma vida tão infeliz e entediante, que seu passa-tempo favorito é dificultar a vida dos outros, patético. Concordo com a cabeça e vou andando até a dispensa, arrumando algumas prateleiras, até dar meu horário de almoço, corro para meu armário e troco de roupa rápido. Trouxe uma calça jeans escura é uma regata branca, e um casaco, uma roupa simples, não é em um lugar muito formal, espero.. pelo menos. Quando começo a me sentir insegura com a única muda de roupa que trouxe, digo a mim mesma que minha inteligência e capacidade para conseguir esse trabalho não são definidas com simples peças de roupa. Gosto de bancar a psicóloga para mim mesma, algumas vezes dão certo. 

 

 

      Quando eu já estava em frente ao restaurante, começo a sentir minhas mãos suadas e um pouco trêmulas, mas procuro ignorar o nervosismo. O restaurante era um lugar aconchegante, sofisticado, mas informal, me sinto um pouco melhor depois disso. Entro e peço para a mulher que estava no balcão me ajudar a achar o senhor Raul, ela me olha confusa e diz que a única pessoa ali que possuía esse sobrenome era uma senhora. 

 

— Ah, talvez eu tenha me confundido.. 

—Olá, você é a Medalyn Golfs? – olho para trás e vejo uma senhora não muito mais alta que eu, cabelos castanhos claro e olhos azuis, sorrio. 

— Sim, senhora Raul? Do e-mail..? – ela sorri. 

— Isso, falei com você pelo e-mail de trabalho do meu marido, venha, estou na mesa lá nos fundos. – concordo agradecendo a moça. Sigo ela e me sento a sua frente, ela parecia simpática, mas sua simpatia excessiva me transmitia uma sensação estranha.

 

— Bom, eu não tenho muito tempo e creio que você também não – ela diz, mas não parecia querer ser grossa. Concordo com a cabeça. — Okay. Vamos direto ao ponto. Vi em seu currículo que está no terceiro semestre, certo? Estuda a noite? 

— Sim, das 18:30hrs até às 21hrs. Eu trabalho durante o dia em um mercado. – vejo que ela faz uma careta.

— Vou precisar que você esteja disponível por tempo integral para meu filho, ainda não expliquei o caso dele, mas meu filho está com depressão e ansiedade, ele tem tido muitos problemas com alcoolismo e até de drogas, recentemente perdemos uma pessoa da família, e isso piorou ainda mais seu quadro. Tentamos uma terapia normal, uma vez por semana.. mas não adiantou, ele precisa de acompanhamento diário e pelo máximo de tempo que conseguir. Então precisarei que você esteja disponível para sessões e até se possível, e necessário, acompanhar ele seja onde for. Estaria disposta a isso? – eu já estava ciente que seria algo assim, mas o medo de não fazer um bom trabalho me assombrava. 

— Sim. Se caso eu conseguisse esse trabalho, já estava preparada para sair do outro, era um emprego temporário até conseguir algum na área da psicologia. E sobre a questão do quadro do seu filho e me disponibilizar para os horários dele, eu receio ainda não ter me aprofundado tanto nessas áreas, já que estou apenas no início, mas eu estou bem adiantada nas matérias de problemas psicológicos e traumas, e o que eu não saber lidar de primeira, irei estudar e pesquisar para conseguir ajudar e orientar seu filho. – digo com toda a convicção que consigo reunir em minha fala, ela parece convencida, e até eu mesma. Karen sorri, e pega uma pasta. 

— Antes de passar os dados e relatórios dos antigos psicólogos dele, gostaria de saber algumas coisas a seu respeito, questões pessoais. 

— Ah, claro. – endireito um pouco mais minha coluna e limpo a garganta, me preparando psicologicamente para seja lá o que for. 

— Mora com os pais? 

— Não, moro sozinha. – falo um pouco ríspido demais, percebo que ela me olha estranho antes de continuar. 

— Hmm.. a senhorita bebe ou fuma? 

— Não. 

— Se considera uma pessoa controlada e paciente? – isso é bem estranho.. 

— Sim, na maioria das vezes. 

— Como assim? 

— Eu acredito que devemos ser tolerantes com as pessoas, mas como futura psicóloga, sei que muitas das vezes as pessoas que não querem ser ajudadas, precisam de palavras duras.. ou melhor dizendo, realistas, para poderem abrir a mente pra si próprios ajudar. Então acredito que devemos ser pacientes até certo ponto.  – depois que termino de falar, repito cada palavra em minha mente algumas vezes para ver se realmente fez sentido, mas pela expressão no rosto da senhora Raul, eu fui bem. 

— Muito bom, chega de perguntas por hora. Quero deixar algumas coisas esclarecidas desde já : Meu marido é dono de uma grande empresa, a mídia é muito desesperada pela nossa família, e eles não tem nenhum conhecimento sobre os problemas de meu filho, conseguimos ocultar bem este lado até agora, e você terá que assinar um contrato de sigilo, que se caso quebrar, ou seja, divulgar qualquer notícia que vá prejudicar meu filho ou minha família, você terá que trabalhar sua vida toda para nos pagar a multa, e ainda morrera com dívidas, está claro? – agora sim sua voz estava carregada de ameaça, o que me deixa bem nervosa, engulo seco e concordo. 

— Mais claro impossível. – ela sorri. 

— Certo. Outra coisa, meu filho pode ser bem.. sedutor, você é jovem, e creio que é solteira, sim? 

— Sou. 

—  Tivemos que despedir a última psicóloga porque estava tendo.. relações.. com meu filho, e eu gosto de profissionalismo. – ah meu Deus? Quantos anos o filho dessa mulher tem? Quer dizer.. meu Deus! Não sei ao certo o que pensar, só consigo concordar com a cabeça e falar bem sério. 

— Olha, senhora Raul, posso nunca ter trabalhado com isso, mas sei muito bem diferenciar trabalho com.. bom, eu sou extremamente profissional, lhe garanto.

— É bom ser mesmo. Enfim, aqui nessa pasta tem os relatórios e informações sobre meu filho, apenas o básico para você entender a situação, já que tomara à frente, não é? Aqui também tem uma cópia do contrato de sigilo, e junto com ele o contrato do trabalho em si. Eu não sei como funciona seu horário, mas assim que terminar de ler tudo, podemos marcar uma consulta com meu filho, para se conhecerem e você já começar a trabalhar. Ah, aqui também tem o seu salário e o percentual pelo horário indeterminado. 

— Eu consegui o trabalho? – pergunto um pouco eufórica demais, ela sorri. 

— Sim, por que não? Claro que teremos uma semana de teste, mas o emprego é seu se tudo der certo. 

— Ah meu Deus! Obrigada pela oportunidade senhora Raul! Muito obrigada! Eu termino de ler tudo ainda hoje, assim que possível nós podemos marcar o próximo encontro. 

— Okay, preciso que já de entrada em sua demissão, eu tenho alguns contatos que agilizaram todo o processo.. que tal amanhã às 13hrs? Quanto mais rápido, melhor. Te mando o endereço por e-mail. – nós nos levantamos, e eu aperto sua mão. 

— Fechado então! Muito obrigada novamente. – ela sorri e se despede. Nem chegamos a comer, mas isso não teve importância. Me sento de volta fazendo meu pedido, preciso almoçar; e já ligo para Berlin vir me encontrar, ele trabalha bem perto daqui. 

 

— O que houve? Como foi? Me conta tudo! – ele se senta na minha frente. E enquanto comíamos, vou contando detalhe por detalhe. 

 

— Caralho, mas quantos anos o filho dela tem? 

— Eu não sei, mas para ela não ter gostado que ele dormiu com a outra psicóloga, deve ser menor de idade né.. ah, eu tenho a ficha dele aqui. – abro ela. 

– Lê em voz alta. 

— Não vou relevar dados pessoais do menino né, só vou dizer o nome e a idade. 

— Aish! Nossa amiga, deve ser um mauricinho remelento tá, boa sorte. – faço uma careta. Sério que o meu primeiro trabalho como psicóloga vai ser sendo babá de um garotinho chato? Poxa Deus!

— O nome dele é Shawn Peter Raul Mendes, e tem...  – procuro sua idade – 21 anos? – olho confusa para Berlin, que também tem seu cenho enrugado. Mas ué? 

— Esse cara deve ser realmente muito problemático para a mãe ter que contratar uma psicóloga, mesmo ele sendo de maior. 

— Sim... nossa! Bom, tá acabando meu horário de almoço, preciso ir me demitir e ler tudo isso antes das 18hrs. – me despeço de Berlin e vou bem devagar até o mercado, não tenho nada a perder agora. Assim que chego, Jones está na porta, não preciso nem me aproximar para ele já começar a gritar comigo, e ele só se cala quando eu digo: 

— Me demito. – ele fica sério, e logo depois começa a rir.

— Como? Você não tem nem onde cair morta, vai viver do que, não esse mercado?  – passo por ele indo direto no RH, passo as devidas informações e passo o contato da senhora Raul, já que ela disse que sua empresa agilizaria todo o processo, para eu assinar logo o contrato. Me senti vitoriosa por sair daquele estabelecimento vendo o rosto incrédulo de Jones, esse cara me infernizou por anos. Coloco meus fones e vou caminhando até em casa já que não passa meu ônibus nesse horário. 

Depois de meia hora caminhando, chego em casa, tomo um banho rápido e pego algo pra comer enquanto vou lendo o relatório. Tinha três tipos de relatório dos três psicólogos dele, uma não deu nem tempo de começar a fazer, foi despedida ante disso. Havia muitas coisas até bem confusas, o jeito que falavam que ele era simplesmente um garotinho no corpo de um homem adulto, mimado, mal caráter e arrogante. Praticamente todos eles falavam de Shawn como se ele simplesmente fosse um garoto rico que enche a cara e usa algumas drogas pra chamar atenção dos pais. Um lado meu, por todos os relatos e situações citadas, acreditava que ele não estava longe disso, mas eu não podia me esquecer que ele de fato foi diagnosticado com depressão e ansiedade, só que agora existia uma pulga atrás da minha orelha pra descobrir como ele fez excelentes psicólogos acreditarem que ele era somente um rico insuportável. Eu estava agora até com um certo medo do que iria enfrentar.. como o meu primeiro trabalho, se eu tiver uma demissão tão rápida e talvez até reclamações no meu histórico, vai ser muito difícil conseguir trabalho com facilidade por aqui. Espero que ele não seja tudo isso que dizem... 

    Interrompo minha leitura pelo toque do celular, é Berlin.

 

— Por que não veio hoje? Acha que só porque você já tem um trabalho como psicóloga, não precisa mais trabalhar, mocinha? – sua voz estava seria, mas dava para ver que ele estava fazendo palhaçada. Olho para o relógio e vejo que já era quase 19hrs. 

— Droga! Eu fiquei presa na leitura aqui, mas um diazinho não vai fazer mal, estou bem adiantada nas matérias. 

— Okay, tenho que voltar a aula, se cuida aí, e me conta tudo sobre o senhor misterioso e problemático Mendes. – sorrio. 

— E bota problemático nisso, viu. Enfim, vou terminar aqui, beijo. 

— Beijo! – assim que desligo, continuo até a última frase do contrato trabalhista, que é bem normal, e diz aqui que vou ganhar um 10 mil dólares, fora 5 mil dólares do percentual, que as vezes pode ser até mais, dependendo se eu precisar viajar ou algo assim. O contrato é de seis meses, ou seja, daqui seis meses a partir de amanhã – quando eu de fato assinarei –, eu farei mais uma avaliação se ele precisa continuar com um acompanhamento integral, ou apenas algumas sessões, que vão se reduzindo. Já o contrato de sigilo é bem estranho. Nele diz que eu não posso falar sobre o quadro do paciente para absolutamente ninguém, apenas para o psiquiatra que receita os remédios, mas isso eu já tinha conhecimento, a parte estranha é que ninguém sabe que ele tem de fato tudo isso, nem mesmo as pessoas da família dele, e se caso eu estiver em alguma situação que encontre amigos, família, ou alguém da mídia, eu não devo em hipótese alguma falar que sou sua psicóloga. E também diz que se caso necessário, terei que me mudar para a casa dele.. que? Okay, ignore isso Medalyn, não será necessário. Diz também que eu serei totalmente responsável pelas atitudes dele, já que eu que estou o orientando, seja elas em público ou não, então qualquer coisa que ele fizer, serei responsabilizada. Medo. O contrato é cheio de exigências e normas, eu procuro não ligar para alguns absurdos escritos ali, como por exemplo : A psicóloga não poderá ter relações íntimas, ou se quer toques, com o paciente, até mesmo se ele pedir ou seduzi-la a isso, relações antiprofissionais serão rigorosamente punida. Eu estou dentro do Cinquenta tons de Cinza e ninguém me avisou? Que porra toda é essa? Mantenha a calma, Medalyn. Você precisa desse emprego, você precisa desse emprego. 

  Quando eu termino de ler tudo, fico pelo menos uns 5 minutos olhando para o nada em silêncio, refletindo tudo que li, antes de simplesmente apagar na cama.



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