História Her Eyes - Capítulo 16


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Categorias 5 Seconds Of Summer, Cameron Dallas, Magcon, Nash Grier
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Palavras 4.092
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Lírica, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 16 - I'm not giving up on you


Fanfic / Fanfiction Her Eyes - Capítulo 16 - I'm not giving up on you


Cameron's POV
Acordei sentindo uma dor, sem entender de onde tinha vindo. Olhei ao redor e entendi que estava no chão. O imbecil do Matthew tem o sono mais pesado do mundo e, mais uma vez, conseguiu me derrubar da cama. Me levantei, já puto da vida, pois sabia que não ia conseguir dormir de novo. Joguei o cobertor em cima dele e resolvi descer pra comer alguma coisa.
Passei com cuidado pela sala, que estava um breu, e evitei acender as luzes pra não acordar ninguém. Andei até a geladeira e abri a mesma. Droga. Só coisas pra serem feitas. Abri o armário ao lado da mesma e vi algumas caixas de cereal. Bingo. Peguei uma tigela no escorredor e a enchi até a metade. Abri novamente a geladeira e peguei o leite.
Coloquei o leite na tigela com cereal e me virei pra colocá-lo de volta na geladeira, mas, quando fiz isso, a tigela escorregou da minha mão e voou no chão, cobrindo o mesmo de leite e bolinhas coloridas. 
-Merda! - esbravejei pra mim mesmo. Coloquei a tigela na pia e torci pra que ninguém tivesse acordado com aquele barulho. 
Olhei ao meu redor, procurando qualquer tipo de pano ou material de limpeza, mas não via nada. Olhei em alguns dos armários e estava começando à achar que teria que comer o cereal do chão, quando ouvi alguém rindo.
-O que você faz acordado à essa hora? Já estava achando que estávamos sendo assaltados por algum maníaco. - Mia disse, contendo o riso.
-Eu fiquei com fome e resolvi fazer um lanche, só que a porcaria da tigela de cereal escorregou da minha mão e eu acabei sujando tudo. - bufei, me irritando novamente comigo mesmo, o que ela achou engraçado - Não ri, eu só queria comer e agora tá tudo sujo! - falei, tentando segurar o riso - Pra piorar a droga da minha situação, eu não sei onde fica nada dessa casa, não tem nem um pano de chão, acho que vou ter que lamber isso. - pensei, tentando encontrar alguma forma de limpar aquilo, enquanto Mia não parava de rir.
-Cameron? - perguntou, recuperando o fôlego. 
-O quê? - falei, parando de encarar a poça de cereal e olhando pra ela, que, pra variar, estava estonteante.
Ela abriu a porta de um armário maior, que eu não tinha pensado em olhar, revelando prateleiras cheias de produtos de limpeza. Bufei mais uma vez, balançando os braços e ela voltou à rir. Como senti saudade dessa risada...
-Eu não sei como consigo ser tão estúpido, as vezes. - ri com ela.
-Eu me faço essa mesma pergunta, todos os dias. 
Fiquei algum tempo olhando pra ela, sem que percebesse, enquanto pegava alguns dos produtos e os colocava em cima da bancada. Poderia fazer isso o dia inteiro.
-Quer ajuda? - perguntou, pra minha felicidade, já pegando algumas das coisas e me ajudando à colocá-las em cima da bancada.
-Tem certeza de que não prefere voltar a dormir? - não contive um sorriso.
-Não, tá tudo bem. - sorriu de volta e juro que pude sentir meus joelhos tremerem.
Logo limpamos tudo e colocamos cereal para comermos. Ela saiu na minha frente e foi se sentar lá fora. Guardei o cereal no armário e o leite na geladeira, indo atrás dela. Segui para o deck, conhecendo ela, era onde estaria. Dito e certo.
Me sentei ao seu lado na balostrada e comecei à comer meu cereal. Ela terminou de comer o seu e o colocou ao seu lado, então começou á se concentrar no céu. Seus olhos desenhavam várias formas e era como se ela estivesse se integrando à tudo aquilo. Isso me lembrou da noite em que nós viramos melhores amigos.
 
Eu e Mia já nos conhecíamos à um ano e meio. Íamos juntos pra várias festas, mas sempre acompanhados por Lox, ou Matt. Aquela era a primeira festa em que iríamos sozinhos. 
Estava tomando banho em sua casa, enquanto ela escolhia a roupa que ia usar na festa, ou melhor, pra me torturar. À cada noite que saíamos parecia que ela conseguia ficar mais e mais bonita, mais e mais gostosa. E, graças à minha lábia impecável e à ajuda de Lox, nós ficávamos em todas essas noites. Mahogany vivia me dizendo que eu devia tomar cuidado, por que Mia já gostava de outra pessoa e eu não devia me apegar, mas eu sabia que isso era pura idiotice. Nosso lance era físico.
Enrolei a toalha na cintura e saí do banheiro. Ela estava enfurnada no closet, com mil e quarenta e sete vestidos tapando sua visão, enquanto tentava alcançar algo no topo de um dos armários. 
-Quer ajuda? - ri e me aproximei dela.
-Por favor. - bufou e se afastou, apontando o que eu deveria pegar - Eu preciso crescer, não é possível que vá continuar pequena pra sempre!
-Mia? - perguntei, rindo e já me defendendo dela - Você vai ser sempre nanica.
Ela correu atrás de mim com uma pantufa, batendo no meu braço enquanto eu tentava fugir. Depois de 15 minutos, ela cansou e eu pedi desculpas. Nos vestimos e fomos para a festa. Era uma festa dos veteranos e, a pessoa mais nova ali, tinha 16 anos, que, no caso, eramos nós. Mia e Mahogany tinham sorte, eram as meninas mais bonitas da nossa série, então sempre eram convidadas pra todas as festas e eu, como melhor amigo, ganhava o direito de ir junto.
Andamos até o bar e esse pequeno percurso já tinha sido o suficiente pra me enojar da forma como os caras olhavam pra Mia. 
-Duas cocas com vodka, por favor. - ela pediu, já adivinhando o que eu queria.
O barman nos serviu e fomos para a pista de dança. Dançamos juntos à noite toda e, no final da festa, já estávamos embriagados. Decidimos ir embora e dormir na casa dela. Nos dirigimos até a parte de fora da casa e logo eu percebi que tinha algo de errado. Mia estava respirando fundo toda hora e entendi o que estava prestes à acontecer. Puxei sua bolsa de seu braço e à direcionei à um arbusto, enquanto segurava seu cabelo pra trás. Em seguida, ela começou à vomitar tudo o que tinha bebido durante a festa. 
Depois que ela parou de vomitar, a levei até a calçada e nos sentamos lá. Chamei um uber e fomos pra sua casa. Tentamos entrar o mais silenciosamente possível, mas não conseguíamos parar de rir das idiotices um do outro. Quando finalmente chegamos ao quarto dela, começamos à tentar tirar nossas roupas, mas estávamos tão bêbados que não sabíamos por onde começar. Acabei prendendo meu pé na calça por que tentei tirá-la enquanto ainda estava de sapatos. Mia ficou entalada na blusa e não enxergava nada. Depois de uma hora, conseguimos entrar no banho. Ela foi primeiro e, logo que saiu, se enfiou na blusa que eu estava usando e deitou, mexendo no celular. Saí e coloquei um pijama - que deixava lá de reserva, assim como na casa de Lox. Deitei ao lado dela, que logo bloqueou o celular e me abraçou.
-Hoje foi muito divertido, Cam. - falou, me arrancando um sorriso.
-Foi mesmo. - dei um beijo no topo de sua cabeça - É estranho como nós eramos próximos e não sabíamos.
-É verdade. - riu fraco - Acho que como sempre saíamos com Mahogany, ou com mais alguém, ficava a impressão de que só saíamos por causa deles... Mas na verdade a gente se entende bem...
-Será que a gente vai se lembrar de alguma coisa dessa conversa amanhã? - rimos.
-Eu espero que sim. 
Me virei pra ela e lhe beijei. Ela puxou meu cabelo e passou a perna por cima de minha cintura. Coloquei sua cabeça em meu peito e logo dormimos.
Acordamos no dia seguinte com uma ressaca desgraçada, gemendo de dor de cabeça. Não lembrávamos de nada da noite anterior e nos acabamos de rir por conta disso. Ela se apoiou em um dos braços e ficou me olhando. Puxei-a pela nuca, iniciando um beijo rápido. Ela se sentou em meu colo e logo eu me levantei, encostando as costas na parede. Apertei sua bunda enquanto ela puxava meu cabelo e aproveitava que eu estava sem camisa para arranhar minhas costas. Apertei sua cintura, tentando me conter, pois sabia que aquilo seria mais uma tortura pra mim.
-Mia... - falei em seu ouvido, já ofegante - Se você continuar assim, eu vou morrer aqui...
-E quem disse que você precisa morrer? - respondeu, mordendo meu lóbulo e tirando a blusa.
Olhei pra ela, meio surpreso. Desde que começamos à ficar, já tínhamos feito de tudo, mas ela sempre dizia que não queria transar comigo ainda. Eu nunca entendi muito bem o por que, já que sabia que ela não era virgem, mas como era a vontade dela, eu respeitava. 
-Não fala isso se for pra me mandar embora depois... - disse, já trocando nossa posição e deitando por cima dela.
-E que tal... - puxou minha calça pra baixo, empurrando a mesma até o final, com os pés, enquanto sussurrava em meu ouvido - Se você não for embora hoje?

Aquela foi a nossa primeira vez, juntos. Sorri ao me lembrar de como tudo aconteceu e senti saudades daquela época, antes de o Nash existir. Olhei para o lado e ela suspirava, provavelmente por conta do nascer do sol. Ela sempre foi fascinada pelo céu. Pensei em falar qualquer coisa, mas aquelas três palavras ficavam se repetindo irritantemente na minha cabeça, até que eu não resisti.
Olhei pra ela e sorri.
-Eu te amo. 
Ela me olhou, com os olhos arregalados, incrédula. Olhei pra ela de novo e sorri de lado. Ela ficou mais algum tempo me analisando, ainda surpresa. Até que se virou pra frente de novo e já me sentia frustrado, quando ela pegou minha mão e colocou em seu colo, entrelaçando-a com a sua. Foi minha vez de olhar pra ela surpreso e imitou meu gesto, me olhou e sorriu de lado. 
Ficamos assim até que o dia amanhecesse por completo e então ela se virou pra mim, mas sem soltar minha mão.
-Quer me ajudar à fazer café da manhã pra esses folgados? - rimos.
-Claro, vamos. - aceitei, prontamente, e me levantei, virando pra ajudá-la - Vem, eu te ajudo.
Ela se virou de frente pra mim e desceu, enquanto eu a segurava pela cintura. Quando caiu no chão, continuávamos próximos e logo tratei de mantê-la perto de mim. Não é possível, que depois de todo esse tempo, ela não sinta nada. Nem um milésimo do infinito de coisas que eu sinto por ela. 
Decidi tomar uma providência quando percebi que ela estava estática e olhava em meus olhos. A puxei pra mais perto, de vez, a beijando. No mesmo instante, ela se soltou, me olhando com uma expressão assustada e então seguiu pra cozinha, sem dizer nenhuma palavra. 
Logo fui atrás dela e começamos á preparar o café da manhã para o pessoal. Vez ou outra nos esbarrávamos e ela parecia querer chorar. Só não sabia dizer se isso era bom, ou ruim. 
Depois de 2 horas e meia tínhamos feito três pilhas de panquecas, 4 litros de suco de laranja, 3 dúzias de ovos, 2 pacotes de pão, que viraram torradas e uma tigela gigante de bacon. Colocamos tudo numa mesa grande do deck e cortamos algumas frutas. 
Depois de 10 minutos, Sammy, Nate, Johnson, os Jacks e Hayes desceram. Todos se sentaram na mesa e começaram à devorar o que tínhamos feito.
-Como vocês tiveram tempo de fazer tudo isso? - Johnson perguntou, de boca cheia - Eu amo vocês.
-Nós acordamos de madrugada e estávamos sem nada pra fazer. - Mia respondeu, rindo da cara dele e abraçando Hayes.
-Sabe... - Nate disse, engolindo o resto de uma torrada - Existe uma coisa chamada sexo, que é muito boa. - ironizou, nos fazendo revirar os olhos - Por que vocês não tentam um dia desses?
-Nate? - Mia perguntou, chegando mais perto dele e mal podia esperar pra ver o que ela faria.
-Oi? - respondeu, tentando beber o suco ao mesmo tempo em que falava.
-Para de falar merda. - disse e deu um tapa em seu copo, fazendo com que o suco molhasse toda sua blusa.
-Parece que não é só comigo, você realmente tem o costume de molhar as pessoas. - Gilinski falou, debochado. Oh, não.
-Na verdade, não. - Mia sorriu, cínica - Só aqueles que são babacas. - fez a mesma coisa com o suco de Jack, que começou à reclamar logo em seguida.
Eu e os meninos começamos à rir escandalosamente, enquanto Mia se aproximava de mim.
-Vou me trocar, me espera pra comer? - falou, como se nada tivesse acontecido.
-Claro. - sorri pra ela, que devolveu.
Ela subiu as escadas e entrou em seu quarto. Andei até a mesa e sentei  ao lado de Sammuel e Johnson.
-Falando sério, cara... - Sam disse, fazendo com que os outros olhassem pra mim também - Você não comeu ela?
-Sam, em primeiro lugar... - tentei controlar a raiva que senti pela forma como ele se referiu à ela - É a Mia, não é mais uma dessas garotas, então não fala assim.
-Ihhh... - Nate disse - Já tá gostando dela...
-Cala a boca, Nate. - eu e Johnson falamos ao mesmo tempo.
-E, em segundo lugar, - voltei à falar - não, eu não fiquei com ela hoje, por que ela já está envolvida com outra pessoa, caso vocês, idiotas desinformados, não saibam.
-ENTÃO QUER DIZER QUE VOCÊ NÃO FICOU COM ELA SÓ HOJE? - Sam gritou, se balançando na cadeira.
-Olha, por que vocês não vão arrumar o que fazer, isso não é da conta de vocês! - me levantei, com raiva pela forma como eles falavam dela - A Mia é uma pessoa de fuder, ela é nossa amiga e vocês deveriam respeitar ela, ao invés de ficar falando dela desse jeito! 
Andei pra cozinha e vi Mia parada na ponta da escada, com um short jeans claro e uma blusinha branca, mais colada do que o que eu queria que fosse, me olhando com uma cara incrédula.
Ela olhou pra baixo, tentando disfarçar e se aproximou de mim. Não consegui me conter e a olhei de cima à baixo, o que a fez corar. 
-Vamos comer? - perguntou, sorrindo.
-Vamos. 
Cada um pegou um prato e sentamos na balsotrada, um pouco mais afastados dos meninos. Ficamos de frente um pro outro e ela ficou olhando o mar por alguns minutos. 
-Você quer conversar sobre o que aconteceu? - ela perguntou, finalmente olhando pra mim.
-Mia... - respirei fundo, pensando no que eu ia dizer - Eu amo você. Perdidamente. - ela olhou pra baixo, sem graça - Isso não é segredo entre nós. Eu não sei exatamente o que você e o Nash estão tendo, mas eu não estou disposto à abrir mão de você tão fácil.
-Como assim? - me olhou, confusa.
-Eu não vou desistir de você, só por que você e o Nash estão de rolo.
-Cam, a gente não - não deixei ela terminar.
-Olha, quase nada do que você for falar vai me fazer mudar de ideia. - coloquei meu prato na balostrada e segurei uma de suas mãos - Á não ser que você olhe nos meus olhos e me diga que não sente absolutamente nada por mim e que quer que eu me afaste.
Ela olhou pra baixo, pros lados, desnorteada, até que finalmente parou o olhar em mim e começou à gaguejar. Me preparei para o pior, imaginei ela dizendo que eu não significava nada e que ela nunca mais queria ver minha cara na vida. Mas o que aconteceu foi o contrário; ela não disse nada. 
Fiquei algum tempo sem entender o que aquilo queria dizer, até que ela olhou pra baixo, como se estivesse envergonhada e senti meu coração acelerar. Ela não conseguia me dizer aquilo. Instintivamente, abri um sorriso que quase rasgava meu rosto e ela me olhou preocupada.
-Cam, você não pode falar isso pra ninguém, eu estou com o Nash e 
-Mia, eu nunca falaria nada disso à ninguém. - sorri cúmplice pra ela - Acredite em mim, esse vai ser o segredo mais bem guardado que você tem, porque é o mais valioso pra mim.
Ela sorriu, mas voltou a ficar séria e puxou sua mão da minha, pegando seu prato e começando à se levantar.
-Mia, espera... - segurei sua mão livre e ela me olhou, sorrindo.
-Cam, eu preciso de um tempo... - suspirou - Preciso pensar.
-Tudo bem... - sorri de volta pra ela - Mas não se esqueça do que eu disse: não vou desistir de você.
Mia's POV
Achei melhor ignorar aquele beijo, pelo meu bem e pelo bem dele e do Nash. Subi pra me trocar, graças a deus Gilisnki já tinha descido então evitamos qualquer tipo de contato. Peguei um short jeans e um cropped curto, com um biquíni azul claro por baixo. Calcei meus chinelos e desci. 
Estava chegando ao final da escada e ouvi alguém gritando, então parei onde estava e prestei atenção Era o Cameron.
-Olha, por que vocês não vão arrumar o que fazer, isso não é da conta de vocês! A Mia é uma pessoa de fuder, ela é nossa amiga e vocês deveriam respeitar ela, ao invés de ficar falando dela desse jeito! - ele se virou e entrou na casa, indo em direção à cozinha, mas parou ao notar que eu estava estatelada na escada.
Logo tratei de disfarçar que estava ouvindo e me aproximei dele, que me olhou de cima à baixo.
-Vamos comer? - perguntei, andando em direção à mesa e pegando um prato. 
Pegamos nosso café e nos sentamos um pouco mais afastados dos meninos. Começamos a comer e nenhum dos dois falou nada. Eu sabia que talvez fosse melhor deixar isso pra lá, mas aquele beijo continuava se repetindo na minha cabeça, aquele frio na barriga, como num looping. E depois vinha a forma como ele me defendeu pra os seus amigos, mesmo que eu não estivesse vendo, ele se importou o suficiente pra brigar com eles, por mim.
Eu não sei o que está acontecendo comigo, eu amo o Nash e não tenho uma vírgula de dúvida em relação à isso, mas o que estava começando á mudar de rumo na minha cabeça era o que eu sentia em relação ao Cam. Nessa última semana que eu passei longe dele, não senti sua falta, Nash me distraia, mas, durante a viajem eu percebi como eu sentia falta de estar com ele.
Aqueles pensamentos não saiam da minha cabeça e eu não consegui me conter.
-Você quer conversar sobre o que aconteceu? - perguntei, percebendo logo depois a merda que eu tinha feito. 
-Mia... - ele respirou fundo, como quem estava tomando coragem pra falar alguma coisa -  Eu amo você. Perdidamente. Isso não é segredo entre nós. Eu não sei exatamente o que você e o Nash estão tendo, mas eu não disposto à abrir mão de você tão fácil.
-Como assim? - é o quê?.
-Não vou desistir de você, só por que você e o Nash estão de rolo.
-Cam, nós não - tentei explicar que na verdade estávamos tendo muito mais do que um rolo, mas ele não quis nem saber.
-Olha, quase nada do que você for falar vai me fazer mudar de ideia. - ele pegou uma das minhas mãos e a colocou em seu colo, me fazendo arrepiar - Á não ser que você olhe nos meus olhos e me diga que não sente absolutamente nada por mim e que quer que eu me afaste. 
Tentei não olhar pra ele e pensei no que falar, mas as palavras não vinham em minha mente. Meu coração já estava à mil e minhas mão tremiam de nervosismo. Eu tentava dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas não conseguia. Evitei olhar pra ele, que não tirava os olhos de mim, mas chegou em um momento que foi inevitável. Eu não podia dizer isso á ele. Pior, eu não conseguia. Por que não era verdade.  
Olhei pra baixo, frustrada, ao constatar que nada do que eu pensava em relação à ele era verdade. Eu não reconhecia o que sentia por ele por que ele estava sempre por perto e, pela primeira vez, ele fez falta e comecei a perceber como eu gostava de ter ele por perto e como ele é importante pra mim. Puta que pariu, onde é que eu fui me meter?
Ele finalmente entendeu o que meu silêncio significava e sorriu de uma forma fofa. De repente um medo veio dentro de mim, e se isso chegasse no ouvido do Nash?
-Cam, você não pode falar isso pra ninguém, eu e o Nash estamos juntos e - comecei à falar e ele deu um sorriso irônico, como se eu estivesse falando algo absurdo.
-Mia,  eu nunca falaria nada disso à ninguém. - sorriu - Acredite em mim, esse vai ser o segredo mais bem guardado que você tem, porque é o mais valioso pra mim.
Não consegui segurar um sorriso com o que ele tinha dito, mas logo uma tristeza tomou conta de mim novamente. Não conseguia mais ficar ali. Não conseguia mais olhar pra ele e não dizer nada do que estava passando pela minha cabeça. 
Puxei minha mão de seu colo devagar e peguei meu prato, na intenção de ir comer em outro lugar, mas ele segurou minha outra mão antes que eu pudesse fazer isso.
-Mia, espera... - sorri pra ele, numa tentativa de convencê-lo de que estava tudo bem.
-Cam, eu preciso de um tempo... - respirei fundo - Preciso pensar.
-Tudo bem... - sorriu de volta - Mas não se esqueça do que eu disse: não vou desistir de você.
Andei até a cozinha e joguei o que restou de comida em meu prato, fora. Aquela conversa tinha tirado toda a minha fome. Pra minha sorte, esse era o último dia da viagem e eu poderia me afastar um pouco deles pra que pudesse pensar melhor. 
A memória do beijo de Cameron voltou à minha mente e meu estômago revirou. Me apoiei na bancada da cozinha, tentando entender o que estava acontecendo comigo, mas logo ouvi a voz de Nash. Merda.
Respirei fundo e saí da cozinha, colocando meu sorriso mais falso no rosto. Voltei para o deck, recebendo olhares de Cameron, Jack e Nash. Por um segundo me senti meio perdida e logo voltei à me direcionar até a balostrada, me sentando lá novamente, de frente pra Johnson. Começamos um papo sobre extraterrestres, não sei bem como chegamos naquilo, mas conversávamos sobre vida em outros planetas e bichos cabeçudos e verdes. De repente senti duas mãos segurando minha cintura e me parando. Me virei de frente pra ele, lhe dando um sorriso, dessa vez, verdadeiro. Ele beijou minha bochecha e sorriu de volta.
-Bom dia, meu amor! - falou e voltou à depositar beijos em meu rosto.
-Bom dia! - ri.
-Por que levantou tão cedo? - perguntou, falando alto, o que fez com que Cameron me encarasse e eu o olhasse e volta.
-Eu ouvi um barulho e levantei, então fiquei acordada até de manhã e fiz o café de vocês com o Cameron. 
-Com o Cameron? - disse um pouco mais baixo, torcendo a cara.
-É. - fiz pouco caso - Ele acordou pra comer e derrubou a tigela de cereal, daí eu acordei pra ver o que era e ajudei ele a limpar as coisas, então nós ficamos conversando e depois fizemos o café.
-Ah, ok... - disse, ainda sério e se afastou, indo em direção a mesa.
Ótimo. Pra completar a minha situação, Nash está com ciumes. Olhei pra Johnson, num pedido de socorro e ele deu de ombros, sorrindo fraco. Me levantei, decidida a conversar com ele pra resolver as coisas. 
Pulei da balostrada e olhei pro lado, procurando por ele, mas vi Cam, também de cara fechada, provavelmente por ter me visto com Nash. Olhei para o outro lado e vi Nash, de cara fechada por que eu tinha passado a noite conversando com Cameron. Bufei, frustrada e me sentei novamente. Johnson riu da minha cara. A vida estava esfregando na minha cara uma escolha que eu não estava nem um pouco pronta pra fazer.
 



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