História Herdeira da Noite - Capítulo 2


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Categorias Lendas Urbanas
Personagens Personagens Originais
Tags Formatura, Horror, Mordida, Morte, Sangue, Sede, Terror, Trágico, Vampiro
Visualizações 6
Palavras 993
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 2 - A Casa


Após ter se saciado com aquele jovem humano, Kaalia permanecia ereta andando pelas ruas noturnas e desertas. Vento gélido batia em seu rosto ainda mais gélido, seus cabelos compridos farfalhavam como feno ao reagindo à brisa. Olhava para o céu nublado que aparentava chuva, com nuvens iluminadas somente pela lua, e sua visão acostumada a escuridão via claramente metros à frente.

Ela iria atrás daquele que a tornou quem ela é agora, já passara muito tempo desde que prometera, mas finalmente havia chegado a hora. Começava a sentir aquela excitação por saber que esvaziaria mais alguém, ainda mais aquele que a condenou. 

A casa ficava na mais afastada parte do bairro, uma casa que ela conhecia muito bem, já estivera em todos os cantos dela, numa vida passada, já deixara de contar os anos. Sabia que ele não estaria lá, portanto faria-lhe uma surpresa, aquelas surpresas bem desagradáveis, a pior possível.

Entrou na casa trancada, não precisava de portas. Observando os cômodos da sala com um leve cheiro de mofo, o sofá de couro marrom desbotado parecia ser a origem do odor. O resto parecia do jeito que se lembrava: cortinas azul-escuras que pendiam à brisa, televisão simples e arrojada, mesa de mármore no centro, fotos estampadas na parede que dava para a cozinha. Começou a olhar as fotos, já conseguia ouvir o som das primeiras gotas da chuva lá fora, olhava para todas, não que tivessem muitas, mas alguns rostos conhecidos estampavam os papéis. 
Pessoas com quem ela já teve contato, através dele, abraçados em algumas das fotos, sorrindo, e em uma delas, se viu. Há tempos não olhava para si mesma, parecia outra garota. Ainda era a mesma, talvez por fora, porque por dentro, se é que não fosse vazia por dentro, havia mudado. Deu de ombros para a foto e seguiu andando pela casa, até a cozinha.

Ainda pensava sobre onde esperaria sua tão aguardada presa, na cozinha que não seria. Mas teve o luxo de abrir a geladeira e ver o que os humanos comem atualmente. Viu potes de condimentos, pacotes de bolachas abertos, uma caixa de leite vencido, mais alguns ovos e manteiga. Aquele cretino não deveria passar muito tempo comendo em casa para deixar chegar nessa situação de mantimentos, parece que algumas coisas nunca mudam.

Passou pela cozinha em direção à escada que dava ao andar de cima. Começava a subir os degraus, um clarão de  relâmpago tomando conta de alguns pedaços do ambiente conforme subia a escada que rangia no silêncio, cortado somente pela chuva e o trovão seguido daquele relâmpago. Chegando no piso superior reparou duas portas na bifurcação seguinte. Entrou pela porta da direita.
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Precisava comprar algo para comer hoje. Não dava para cozinhar com nada  que tinha em casa, não conseguiria de qualquer maneira. Olhou as prateleiras do mercadinho que frequentava sempre que precisava comprar algo para emergências como essa. Geralmente comprava pão e algumas outras coisas para fazer um sanduíche, hoje não seria diferente. 

Passara os últimos anos se lamentando por ter feito aquilo, nunca se perdoaria, mas seguiu em frente como todos fazem depois de uma tragédia. Mesmo que não obtivesse perdão pelo que fez, não encontrasse paz depois que morresse, viveria com aquilo pelo resto da vida, era um fardo que deveria carregar, por ela. Iria querer que continuasse seguindo em frente.

Parado em seus pensamentos não percebeu quanto a atendente chamava o próximo da fila. Se colocou de volta onde deveria estar e pagou por suas compras baratas do dia, que seriam seu jantar. Ao sair do mercado ouviu o som dos trovões pairando sua cabeça nas nuvens acima. Estava prestes a chover, e muito, aquele típico vento antes de uma tempestade e o cheiro característico não deixavam dúvidas. Precisava correr para casa se quisesse chegar seco. E assim o fez.

Após cruzar a terceira quadra, notara algo peculiar no canteiro da calçada: uma folha congelada. Não estava tão frio assim, como seria possível um efeito daqueles? Numa única folha que pendia para fora do canteiro e chegava na calçada de concreto. Não sabia também por que perdera tanto tempo analisando aquela folha, afinal. Deveria ir para casa logo, mas não pode evitar quando os primeiros pingos começaram a tocar seus cabelos, uma sensação de incômodo, não gostaria de se molhar, nem um pouco.

Correu mais rápido, mesmo sabendo que não teria jeito, já estava um tanto encharcado. Fazendo o máximo para manter a comida seca. Passava pelas ruas desertas e sem vida, pensava em como morava em um lugar remoto e desagradável. Poderia ocorrer diversos crimes e assassinatos num lugar como aquele, que só seriam descobertos semanas depois. Lamentável, mas era o que ele merecia.

Chegou em casa com um certo alívio. Algo parecia fora do ordinário, mas ignorou a sensação pelo fato de ainda estar se molhando na chuva. Entrou rápido demais para notar que esquecera de deixar os sapatos molhados à porta. Paciência...

Foi atravessando a sala para a cozinha na velocidade costumeira de quem conhece a própria casa. Colocou a comida na mesa, parou um tempo para que seus olhos se adaptassem à escuridão, como se não bastasse aquela parte de sua rua estava sem energia elétrica, provavelmente por causa da chuva. 

Aquela estranha sensação ainda o perseguia, como se o ambiente estivesse infeliz naquele momento, sem força para se animar. Deu de ombros e subiu as escadas para tirar aqueas roupas molhadas. Por hoje seria só aquilo. Comeria e se deitaria. Não tinha mais vontade de fazer qualquer coisa que não fosse se enrolar num cobertor. 

Quando ele abriu a porta do seu quarto, a porta da direita, notou o estranho ranger dela ao abrir. Precisava consertar isso no dia seguinte, não gostava desses sons .Entrou no banheiro do quarto, olhou no espelho, e sentiu um medo indescritível misturado com adrenalina e surpresa, quando viu, através do reflexo do espelho, sentado em sua cama, um vulto indescritível, que agora olhava diretamente para ele.



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