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História Herdeiros da Magia - Capítulo 113


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Notas do Autor


FINALMENTE EU ACABEI!!!
Sério, esse capitulo era pra ter saído a uns 10 dias! Mas fui escravizado pela minha família e não conseguia digitar nem meia pagina por dia.
Mas finalmente acabei e assim vamos postar esse capitulo GIGANTE dando continuidade a história do general Galtran!!

Capítulo 113 - Especial 04 Legado (parte II)


Fanfic / Fanfiction Herdeiros da Magia - Capítulo 113 - Especial 04 Legado (parte II)

Especial 04 – Legado (parte II)

 

 

(presente)

 

- As coisas realmente eram terríveis no passado – dizia Ryna sentida – eu nasci e cresci numa era relativamente pacifica, e a guerra contra Valice já me assustou bastante, eu nem consigo imaginar como era viver 50 anos atrás.

- Se falamos dos militares na ativa você é o único que restou daquele tempo – comentou Arik – agora eu entendo como você pode ser tão forte.

- A força que tenho agora tem menos a ver com ter sobrevivido àquele tempo turbulento – explicava Galtran – um dos meus tenentes não tem nem 40 anos de vida e já o considero um rival, e o outro é quase tão bom quanto eu em estratégias.

- Eu acredito que o modo como você viveu o forjou como é agora – disse Ryna – por isso tanto o meu avô como meu pai puderam confiar em você para cuidar de tudo sobre o exército.

- Ambos foram bons governantes, ainda que tivessem suas falhas – dizia Galtran – Brantyn tinha uma postura muito ofensiva, enquanto que Eldair seguiu o caminho da postura defensiva.

- E qual você prefere mais? Como o maior general do reinado não seria a postura ofensiva? – perguntou Arik – não foi por isso que preferiu ficar do lado da Ryna?

- As razões para ajudá-la são um pouco diferente – explicou Galtran – eu já chegarei nessa parte, mas antes creio que uma certa princesa quer ouvir o final da história não é?

- Sim, exatamente! – disse Ryna com os olhos brilhando – eu jamais conseguiria dormir em paz sem ouvir como isso termina!

- Pois bem... – disse Galtran um pouco sem jeito pela empolgação dela.

 

*************************************

 

- Temos boas e más notícias, a boa notícia é que a sorte não nos abandonou ainda, então temos uma esperança – dizia Litta quase rindo – a má notícia é que estamos lascados de qualquer jeito.

 

Ela tirou a lona que cobria várias caixas, essas caixas foram enviadas pelo exército do norte através de teletransporte, estavam cheias de armas, poções e comida, nada que pudesse salva-los, mas que daria alguma chance de resistência.

 

- Aquele filho da puta não liga se formos massacrados, mas ele quer que a gente segure esse lugar e reduza o número de inimigos – dizia Litta – assim ele enviou isso, tem 50 espadas nível 1, 10 espadas nível 2, 25 lanças nível 1, 25 arcos nível 1 e com 500 flechas incendiarias.

- Também tem 50 poções de cura nível 3, isso aqui pode curar até uma barriga aberta – analisava Lishou – vamos dar para os homens que estão morrendo, assim eles podem sobreviver.

- Negativo, aqueles homens já fizeram a resolução de aguentar até o fim – disse Jarden – vamos dar para aqueles que uma vez curados possam continuar lutado, essa foi a vontade de todos.

 

Dos 800 homens feridos várias dúzias já morreram nas últimas horas, e mais deles morreriam entre hoje e amanhã, de modo que aqueles que estavam conscientes tomaram a decisão de não prejudicar os outros, assim qualquer item de cura deveria ser usado naqueles que poderiam voltar à luta, assim mais pessoas poderiam sobreviver, afinal um moribundo sendo parcialmente curado continuaria sendo um peso-morto na batalha.

 

- Outra boa notícia é que provavelmente não seremos atacados esta noite, os goblinoides vão estar ocupados se recuperando e discutindo o que fazer – continuava Litta – já que eles estão sem um líder vai haver disputa por liderança, se tivermos MUITA sorte eles vão brigar entre eles e se matarem aos poucos, quem sabe amanhã eles estejam com a metade dos números não é?

- Que bom que nossa líder é otimista – brincou Jarden – mais alguma boa notícia?

- Temos tudo que pilhamos daqueles canalhas, incluindo o que pegamos do líder deles – continuou a capitã – incluindo esta fodendo espada tribal nível 3 que era passada de geração a geração entre eles.

 

Ela tirou a coberta que protegia a espada, uma lamina larga e serrilhada que parecia bem gasta, mas havia alguns cristais cravados no cabo e na guarda da lamina, além disso havia símbolos tribais por toda a lamina que brilhavam levemente e constantemente, contra uma espada dessas uma armadura comum de ferro era como se fosse feita de papelão.

 

- Foi essa desgraçada aqui que quebrou a minha espada nova – reclamava Litta lembrando da luta que teve – então nada mais natural que eu descontar o preço dela no couro desses bichos nojentos!

 

Havia muito mais coisas entre tudo que eles pilharam, os goblinoides juntavam coisas que pegavam das pessoas que matavam, acumulavam como se fossem tesouros, tudo aquilo que eles podiam usar era usado, o resto ou virava decoração ou moeda de troca com outras tribos, Litta e seus subordinados acharam alguns pergaminhos, poções e outras coisas, tudo para ser usado agora.

 

- E então? Temos uma estratégia para lutar contra 20 mil bichos furiosos? – perguntou Lishou.

- Na verdade eu tenho uma sim, embora vai depender mais de sorte do que de planejamento – respondeu ela.

 

*****************************************

 

Ainda durante aquela noite os soldados montaram guarda nas passarelas da muralha do forte, eles observavam atentamente a floresta que os cercava, ocasionalmente eles viam sombras se movendo entre as arvores, eram goblins enviados como batedores para averiguar a situação, assim como Litta previu eles não atacariam esta noite, estavam se recuperando da surra que levaram e lutando pela liderança.

 

- Você quer mesmo que eu use essa espada? – perguntou Galtran manejando a lamina dos goblinoides.

- Você é o mais forte aqui, então essa arma vai ser muito mais útil na sua mão do que na minha – respondeu Litta observando a floresta da mureta – eu vou comandar até onde for possível, e depois entrar na batalha conforme planejamos.

- Você me dá credito demais, você ainda é melhor do que eu – disse o outro.

- Eu não sei se você já se deu conta, mas você tem um enorme poder oculto – dizia ela encarando seu protegido – esse Mana que você tem agora já é maior do que o meu que sou uma maga, em breve estará do tamanho de um arquimago.

- Mas eu não posso usar magia, do que adianta todo esse Mana e não...

- Quando você luta seu corpo reage, você começa a emitir um poder assustador – explicava ela – e tanto as armas como armaduras ficam mais fortes quando usados por você, no auge de uma batalha eu tenho que usar magia pra alcançar suas proezas físicas!

 

Claro que ele não estava consciente disso, quando ele lutava ficava tão focado que praticamente não percebia nada ao redor, mas longe de ficar de guarda baixa, seus sentidos ficavam completamente afiados para a luta, ele poderia notar um rato se movendo no meio do combate, ouvir seus aliados gritando quando um monstro chegava perto, mas ainda assim mergulhado em um mundo próprio.

 

- Mas não fique tão feliz assim, eu vou lhe dar o pior trabalho de todos – dizia ela dando tapinhas no ombro dele – você vai se arrepender de ter entrado nesta unidade hahahahahah.

 

Depois disso Litta foi ver os soldados que foram curados com as poções, 50 homens que estavam bastante feridos estavam praticamente recuperados, eles agradeceram a oportunidade de lutar de novo por ela, mas infelizmente outros 200 feridos morreram durante a noite, restava algumas centenas agonizando, Litta se perguntou se não era mais piedoso ela mesma ir dar fim ao sofrimento deles, mas ainda havia a esperança de um milagre acontecer e os reforços chegarem, e com eles curandeiros capazes de salvar algumas vidas.

 

- Escutem todos vocês, na próximas horas vamos entrar numa batalha mais difícil que todas as outras, somos nós encurralados por dezenas de milhares de inimigos! – começou Litta após reunir todos – vocês podem lutar com a certeza que se não forem todos então no mínimo morrerão quase todos vocês, mas saibam que esse será o maior feito de nossas vidas!

 

Os soldados começaram a gritar o nome dela, quando ela montou sua unidade foi procurando pessoas que compartilhavam do mesmo sonho de grandeza, e por isso ninguém ali estava arrependido, talvez os novatos mas mesmo eles estavam empolgados, além disso mesmo falando em massacre Litta tinha uma chama no olhar e uma força na voz incompreensíveis, como se mesmo diante dessa desvantagem assustadora ela tivesse um plano pra salva-los.

 

- Vou agora explicar o plano para todos vocês, e cada um deve cumprir sua parte sem hesitar! – dizia ela – agora vamos ensinar a esses bichos como os humanos lutam de verdade!

 

***********************************

 

- General, estamos chegando ao local de encontro – anunciava o tenente – estamos a um dia de distância, chegaremos lá no próximo amanhecer.

- Envie batedores na frente, certifique-se de que não há inimigos no caminho – ordenou o general do norte – 10 unidades de 100 homens cobrindo todo o perímetro.

 

O tenente achou que o general estava sendo bastante cauteloso, mas em verdade ele morria de medo de ir para as linhas de frente, seu estilo sempre foi comandar de dentro da capital, por isso os dois tenentes e os outros oficiais sempre ficavam com a pior tarefa.

Mas por causa do imperador a sua segurança estava ameaçada, Brantyn Reiges mesmo cercado pela guarda-real gostava de ver de perto o que acontecia no front, e criticava qualquer um que não tinha coragem para o mesmo, se ele continuasse escondido na capital sua posição poderia estar comprometida.

Por enquanto seu exército de 5 mil homens estava estacionado numa das vilas tomadas, assim que o exército estivesse pronto pra marchar eles seguiriam viagem, o objetivo era tomar de volta a fortaleza goblinoides que Litta se sacrificou para tomar, ou pelo menos é o que ele espera.

 

- Uma simples mercenária tentando roubar a gloria dos meus feitos! – dizia ele irritado – ela é boa o bastante pra abrir caminho, quando meu exército dominar esta região o imperador não questionará o meu valor!

 

Depois que o exército recuperou forças eles se prepararam para marchar, andando o dia todo eles chegariam ao próximo ponto ao anoitecer, e na manhã seguinte chegariam ao local de encontro, o general Kalidos só esperava que Litta tivesse eliminado o máximo possível de pragas antes de tombar no caminho, se ela entregasse um forte limpo de goblinoides talvez fizesse uma homenagem a ela.

 

- Guerras são para serem vencidas de forma eficiente e limpas – dizia ele – esses mercenários só prestam pra ficarem banhados em sangue na linha de frente.

 

************************************

 

- Aí vem eles! – gritou Litta – todos aos seus postos, não tenham medo e façam exatamente o que precisarem fazer, mas se algo inesperado acontecer confiem em seus instintos e lutem por conta própria!

 

O forte que eles estavam ocupando foi completamente cercado, milhares de seres furiosos e bestiais exigiam o sangue e carne deles como pagamento pela humilhação anterior, diferente das outras vezes onde eles tinham o elemento surpresa agora os goblinoides estavam na vantagem, não dava pra bater e correr, atrair para armadilhas e usar a magia como elemento surpresa, pelo menos era isso o que os dois lados sabiam que seria.

 

- 7 mil, tem bem menos do que eu esperava – comentou Jarden olhando o exército que cercou o forte.

- É aí que tá o problema, normalmente eles enviariam todos que tem pra cá – dizia Litta – se mandaram menos da metade significa que estão nos testando, tem alguém esperto na liderança.

 

Mas o plano já havia sido traçado e não havia tempo para mudanças, os 4 portões que davam para o interior receberam barricadas, mesmo assim tais barricadas não durariam nada contra um exército de goblinoides, por isso Litta teve a ideia de levar a batalha para o lado de fora, o portão principal estava aberto como se convidasse os inimigos a entrar, mas tudo isso era pra atrai-los pro lado que fosse mais conveniente pra lutar.

Na frente do portão aberto estava uma unidade de 500 homens, os mais fortes e bem equipados das tropas da Litta, além disso na frente deles estava Galtran, empunhando a espada que pertenceu ao líder da tribo ele parecia mais imponente que os heróis do passado, nas passarelas da muralha todos os arqueiros estavam prontos para dar cobertura, e uma tropa com escudos bloqueava o portão aberto.

 

- Se esses caras entrarem vai ser um massacre! – dizia um dos homens segurando o escudo.

- Bem, é pra isso que o Galtran está ali, ele luta como um demônio – disse um outro do lado dele.

 

Havia um bugbear liderando as tropas que cercaram o lugar, com um grito de guerra dele cerca de mil hobgoblins avançaram na direção do portão frontal, Litta que observava tudo de cima ordenou que todos aguardassem até o sinal, os primeiros 8 inimigos chegaram no alcance do Galtran, e este com um movimento de arco horizontal fez um único corte que matou 5 de uma vez e aleijou outro, o que não foi atingido ficou tão surpreso por ver os da frente serem cortados ao meio que nem viu o chute que veio em sua cara, a bota de aço do Galtran afundou seu rosto enquanto o jogava sobre os três que vinham atrás, e com um novo movimento de arco ele cortou os três de uma vez.

Foi impressionante como ele matou mais de 10 inimigos em menos de 5 segundos, foi tão surpreendente que tanto inimigos como aliados ficaram sem reação, mas a horda goblinoides simplesmente avançou na direção dele tentando esmaga-lo com seus números, e foi aí que Litta deu o sinal, todos os arqueiros na muralha dispararam as flechas incendiarias, cada flecha que atingia um alvo fazia ele entrar em combustão, assim podia-se dizer que uma flecha equivalia a uma morte, centenas deles foram atingidos e mortos, os aliados de Galtran ao lado dele se espalharam só um pouco e lutaram, eles permaneciam em grupos de 5 para poderem atacar e proteger um ao outro, a batalha contra mil inimigos acabou em apenas 7 minutos.

 

- Quantas perdas? – perguntou Litta observando os movimentos dos inimigos.

- Perdemos 15 homens! – gritou Jarden que a auxiliava do alto.

- Traga os corpos pra dentro e dê o equipamento deles pra outros – ordenou ela – usem flechas normais, atirem nesses vagabundos!

 

Dava pra ver que os goblinoides estavam furiosos e frustrados, por isso o líder que comandava o bando ordenou uma invasão em massa, com isso todos os 6 mil restantes correram de todas as direções até os portões, quando eles estavam prestes a invadir Litta deu um novo sinal, os arqueiros posicionados sobre cada portão dispararam uma flecha incendiaria contra o chão, e com isso uma coluna de fogo explodiu queimando centenas de uma vez só em cada portão.

 

- Eu estava preocupado se isso ia funcionar – disse Jarden ao lado da Litta.

- Eu também, tivemos que usar muita terra seca pra esconder a armadilha – disse ela – mas felizmente o óleo era muito concentrado.

 

Na frente de cada portão ela mandou cavarem buracos rasos, apenas alguns centímetros de profundidade, mas com muito espaço aberto, depois disso ela pegou todos os trapos que encontro eu encharcou com um óleo que foi enviado com os suprimentos, esse óleo era usado pra atear fogo e por isso queimava com muita facilidade e intensidade.

Enchendo os buracos com essas tiras embebidas em óleo ela mandou cobrir com terra para que os goblinoides não notassem, a flecha incendiaria ativaria as chamas que explodiriam violentamente, assim ela criou uma piscina de fogo na frente de cada portão, esperou juntar bastante deles e ateou fogo na mesma hora, uma forma engenhosa de matar.

 

- E agora é hora do toque final – disse Litta empolgada – {grande espirito solar, conceda a este mortal a graça das chamas infinitas, empreste-me seus filhos para transformar meus inimigos em cinzas [Invocação de Elemental Maior]}

 

Os três locais em chamas foram pegos pela magia da Litta, todo o fogo em cada local se condensou numa forma que lembrava um ogro flamejante, por ser feito de chamas com cinzas de seres vivos o elemental assumiu um aspecto macabro, com a ordem da Litta os três elementais do fogo avançaram sobre os goblinoides que entraram em pânico apavorados, como elementais do fogo só podiam ser feridos por magia e armas magicas os goblinoides estavam literalmente indefesos contra eles, dezenas morriam a cada investida dos elementais, outras dezenas morriam quando estes sopravam chamas, era um verdadeiro inferno.

 

- É a primeira vez que vejo você fazer isso – disse Jarden assustado.

- Não é fácil fazer, precisa de uma grande quantidade de fogo e Mana – explicava ela – as chamas precisam ter cinzas de seres que foram queimados por elas, por isso as condições são bem especificas, não é algo que posso fazer quando quiser.

 

Os elementais saíram pra caçar grandes grupos de goblinoides, com a total bagunça que o campo de batalha virou Galtran e sua unidade avançaram também para pegar outros grupos isolados no meio da bagunça, o bugbear liderando tentou reunir seus subordinados, mas assim que ele juntou algumas centenas num lugar Litta deu outro golpe, de dentro da fortaleza uma cavalaria de 200 soldados montados (liderados por Lishou) avançaram contra o grupo formado, usando as lanças magicas e reforçados por magia eles devastaram a formação inimiga, o interior da fortaleza estava praticamente vazio, Litta usara tudo que tinha para lidar com os inimigos.

 

- Não deem moleza pra esses caras, continuem atacando até não sobrar um! – ordenava ela saindo da fortaleza com o restante – cavalaria, persiga os sobreviventes e acabe com todos eles!

 

A cavalaria perseguiu os sobreviventes atacando por trás enquanto estes fugiam desesperados, Galtran e os outros limpavam o campo de batalha exterminando os últimos sobreviventes, cerca de 20 minutos depois a cavalaria voltou, e Litta suspirou aliviada ao ver que todos os 200 estavam bem, perder um único que fosse significaria uma grande perda de força.

 

- Quantos será que matamos dessa vez? – questionava Lishou desmontando do cavalo.

- Uns 5 mil, considerando nossas perdas foi um bom resultado – dizia Litta – mas muitos conseguiram escapar, agora nada do que fizemos aqui vai funcionar de novo.

 

Reduzir 5 mil no número de oponentes foi uma benção, principalmente considerando que perderam menos de 100 pessoas, algo que pode ser considerado um milagre, mas a maior parte dos inimigos voltaria e estariam preparados para o que ela preparou, se tivesse sido um ataque total então talvez eles tivessem vencido de uma vez mesmo sacrificando quase todo mundo.

 

- Como você está? – perguntou Litta vendo Galtran voltando todo coberto de sangue.

- Ah isso? A grande parte é dos inimigos – respondeu ele – mas eu levei alguns golpes, só que isso não é nada para se preocupar.

- Idiota, você é o mais forte aqui, precisamos de você pra acabar com aqueles bichos – reclamou Litta – vá se lavar antes que pegue alguma doença, depois trate essas feridas, não economize nos remédios.

 

Mesmo reclamando Galtran foi se lavar e tratar as feridas com curativos comuns, enquanto ele ia Litta observava a pilha de corpos que foi obra dele, guerreiros capazes de enfrentar centenas de inimigos não é novidade, a própria Litta poderia enfrentar 100 desses goblinoides se as coisas estivessem ao seu favor, mas alguém de apenas 15 anos fazer uma pilha de mais de 500 cadáveres era algo para se surpreender mesmo numa guerra.

 

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(presente)

 

- Essa Litta Narshiana é uma grande mulher, e uma grande general – elogiava Ryna – eu mal consigo entender os níveis das estratégias que você está contando, acho que meu avô adoraria ouvir isso tudo.

- Ele ouviu, ao longo dos anos de serviço eu fui contando, ele adorava ouvir – respondeu Galtran quando sua mulher trouxe café.

- Mas eu fico impressionado com os números, quero dizer, eles eram pelo menos 10 vezes mais numerosos que vocês – dizia Arik – era tão normal assim um homem enfrentar 10 hobgoblins naquela época?

- Lamento dizer que os soldados de hoje são muito moles comparando aos daquele período – respondeu Galtran – os soldados que lutaram naquela guerra eram netos e bisnetos dos homens que enfrentaram os demônios na grande invasão, pode-se dizer que eles tinham o potencial dos seus ancestrais no sangue.

- Parece que décadas de paz enfraqueceu esse sangue – disse Ryna – não que eu quisesse guerras para refina-lo, só que agora com uma guerra eminente eu sinto que não estamos prontos.

- Eu entendo seu ponto de vista, lutamos aquela guerra para trazer paz pra esta era, se não fosse isso não poderia ter minha família vivendo em paz aqui – disse Galtran – ainda assim o exército é a espada que luta contra inimigos, essa espada não pode nunca ficar cega, ou quebrará na hora que mais precisar.

- Então vocês conseguiram suportar a primeira onda, e eliminaram 5 mil dos inimigos – dizia Ryna pensando no que ouviu – mas ainda havia mais de 10 mil deles em algum lugar esperando pra atacar.

- Pensando nisso Litta ordenou um ataque surpresa, primeiro ela deduziu onde o exército principal estava se escondendo de acordo com a geografia – explicava Galtran – então esperamos a hora em que estivessem menos cuidadosos, com isso mandamos a cavalaria com alguns soldados para atacar o acampamento, bem na hora que eles estavam comendo.

- Deve ter sido uma grande surpresa – disse Arik rindo discretamente.

- E como foi, nossos 200 cavaleiros surgiram do nada atropelando os goblinoides reunidos pra comer – narrava Galtran – passamos por cima de uns 400 antes deles se levantarem pra sacar as armas, daí em diante foi briga de força contar força.

 

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200 cavaleiros trazendo cada um soldados de infantaria, eles pularam dos cavalos e lutaram o máximo que puderam, como parte da estratégia eles deveriam focar em grupos isolados, mata-los com um número maior e mirar no próximo grupo, graças a isso além dos que foram pegos de surpresa o grupo abateu mais 500 inimigos, diante de 10 mil isso parecia muito pouco, mas para um ataque surpresa eles conseguiram levar quase um decimo dos inimigos, assim que a situação ficou feia a cavalaria recuou imediatamente, alguns inimigos montados em lobos gigantes os perseguiram, mas foi aí que a segunda emboscada deu certo, os arqueiros devidamente escondidos alvejaram os montadores de lobos e derrubaram todos.

 

- Não acredito que eles caíram nessa de novo! – disse Lishou que liderava a cavalaria.

- Se tivéssemos tentado fazer isso antes eles teriam percebido – disse um dos seus oficiais – mas o ataque surpresa os deixou extremamente putos, eles estão morrendo de raiva e doidos pra nos esfolar!

- Não vamos dar chance a eles, vamos recuar como a capitã ordenou – disse Lishou – agora vem aí a parte mais difícil do plano.

 

A cavalaria recuou e os arqueiros foram logo depois, ao voltarem pra base encontraram os preparativos para a batalha final, eles relataram o sucesso do ataque surpresa e o dano estimado que causaram, mas também relataram terem visto pelo menos 20 ogros no acampamento, ogros geralmente não andam em bandos e não obedecem ninguém mais fraco que eles, o que significava que havia uma forte liderança cuidando desse bando.

 

- Esse é o limite do que podemos fazer com emboscadas e ataques surpresa – dizia Litta – daqui pra frente é pura força bruta e resistência.

- Começamos essa guerra com 3 mil contra 40 mil, agora são pouco mais de mil contra pouco menos de 15 mil – dizia Jarden – olhando pra isso parece que somos nós que estamos na vantagem.

- hahahahahah então vamos ter que pegar leve com eles pra equilibrar – brincou Litta – ouçam pessoal, trabalhem duro e depois comam, podem comer até a barriga doer, essa noite vamos receber o ataque final deles, e ganhando ou perdendo não vamos passar dessa noite mesmo.

 

Os soldados agradeceram e foram comer os suprimentos a vontade, enquanto isso Litta subiu na muralha e ficou observando a floresta em busca de movimentos, Galtran foi até ela levando um pernil enorme de um javali que mataram no caminho.

 

- Você também precisa comer – disse ele sentando ao seu lado e vigiando a floresta.

 

Os dois estavam comendo e observando a floresta, de vez em quando eles viam um volto se movendo entre as arvores, como dificilmente um animal andaria tão perto de uma tribo só podia ser um batedor, eles enviaram vigiam pra saber o que os soldados estavam aprontando, o ataque com certeza viria à noite quando os goblinoides tinham vantagem.

 

- Você chegou a ir num bordel com os rapazes? – perguntou ela casualmente.

- Não, mas eu já sei o que é uma prostituta – respondeu o outro.

- Você deveria ter ido, morrer virgem deve ser uma vergonha pra um cara – zombou ela.

- Não vou morrer aqui, então vou deixar pra ir quando voltarmos pra capital – respondeu ele.

 

Ela gostou do tom que ele usou, na verdade ela tinha certeza que Galtran seria um sobrevivente, e enquanto ele estivesse vivo a unidade não perderia, essa batalha seria a mais terrível que eles enfrentariam, mas em compensação não haveria como alguém discordar da capacidade dela, se ela não virasse uma general ao menos seria uma tenente, e em se tratando do exército do norte os tenentes tinham mais prestigio que o general em si.

 

- O ataque com certeza será à noite, todos vocês descansem o máximo que puderem! – ordenava Litta ficando séria – depois disso façam todos os preparativos para a luta, quem vacilar vai morrer pelas mãos deles ou pela minha!

 

A partir de agora seria uma batalha defensiva total, Litta sabia que não havia força suficiente pra parar todos os inimigos, mas ela ia apostar no último truque que preparou, essa única carta na manga só funcionaria se todas as condições se alinhassem, e assim ela precisava lutar para garantir isso.

 

- Vai ser uma noite infernal – disse ela vendo que faltavam 3 horas para o anoitecer.

 

********************************

 

- Meu lorde, não fui informado que viria – disse um oficial militar se ajoelhando – se tivesse sido informado teria preparado uma recepção digna.

- Deixe disso, eu intencionalmente ocultei minha vinda, portanto não é culpa sua – disse o imperador Brantyn – seu general está fora em campanha não é?

- Sim majestade, vamos enviar uma notificação para ele voltar imediatamente – disse o oficial.

- Não precisa, também não informe que estou aqui, deixe-o agir livremente – ordenou Brantyn – quer ele tenha sucesso ou não podem deixar seguir conforme planejado.

- Se essa é sua vontade... sendo assim tentarei conseguir acomodações apropriadas – disse o oficial.

- Isso também não será necessário, tenho minhas próprias acomodações comigo – respondeu o imperador.

 

Os servos do imperador começaram a erguer uma enorme tenda, a tenda era feita de tecido especial e tinha várias runas magicas, quando completamente armada a tenda tinha 20m de diâmetro, para alguém da realeza era basicamente só um quarto.

Mas o interior é que era realmente incrível, o interior era 5 vezes maior que o exterior, havia divisões de madeira separando o que era um grande quarto, uma cozinha, banheiro e outras dependências, podia-se dizer que havia uma casa luxuosa dentro da tenda.

Do lado de fora 8 golens de batalha foram posicionados ao redor, cobrindo todas as direções, nenhuma pessoa estava autorizada a se aproximar, exceto pela entrada da tenda onde dois guardas-reais montavam guarda, lá dentro outros 10 guardas protegiam o imperador e os servos que vieram com ele.

 

- Posso saber o que o senhor estar planejando? – perguntou o chefe dos guardas.

- Os informantes disseram que uma das 8 grandes tribos caiu, e que graças a isso o exército inteiro está se movendo – explicou Brantyn – inclusive o general, logo aquele que você precisa expulsar da fortaleza pra ir no campo de batalha.

- Kalidos é um general razoável, você poderia dizer que ele cumpre o que se espera dele, mas não excede expectativas – dizia o guardião – por isso essa manobra ousada foi bem curiosa da parte dele.

- Os informantes disseram que foi uma unidade independente que tomou a iniciativa, Kalidos apenas preparou todo o cenário – dizia o imperador – por isso quero questionar todos sobre isso, vou esperar a conclusão para ter um resultado preciso.

- E também fugir dos seus deveres no palácio não é? Seus assistentes estão ficando doentes de tanto cobrir seus compromissos – disse o guardião cruzando os braços.

- hahahahahaha é pra isso que eles servem afinal – disse Brantyn rindo mas com vergonha.

 

************************************

 

Os tambores de guerra podiam ser ouvidos de longe, era a 3º hora da noite e a floresta estava dominada pelas trevas, as aves pousadas nas arvores voavam assustadas denunciando o avanço da horda, com isso todos os soldados se prepararam para a batalha final.

 

- Parece que dessa vez eles trouxeram todos – disse Jarden ao lado da Litta.

- Eles perderam quase 7 mil quando tentaram nos sondar antes, aprenderam a lição e já sabem que mesmo sendo poucos somos um pé no saco – respondeu a capitã – conseguimos reduzir bastante os números deles, mas agora eles conhecem a maioria dos nossos truques, vamos ter que ser bem criativos pra pega-los agora.

 

Os goblinoides espalharam todos os seus membros ao redor da fortaleza, 13 mil inimigos fazendo um cerco gigante, Litta pôde ver que havia 22 ogros entre eles, pelo menos algumas centenas de cavaleiros montados em lobos gigantes, também havia um grupo ao redor de uma bandeira com um símbolo brutal feito com ossos costurados no pano, era lá que estava o líder que assumiu o comando de todos, um bugbear de pele e cabelo negros.

 

- Se conseguíssemos mata-lo certamente facilitaria a nossa vida – dizia o tenente.

- Só um pouco, se ele é o cabeça por trás de tudo simplesmente parariam de usar estratégias – dizia Litta – eles já perderam pra gente antes, não vão embora até terem certeza de acabar com todos nós, senão serão esmagados por outras tribos.

 

Ao redor de toda a fortaleza os soldados espalharam as coberturas de palha das casas, também molharam com o que sobrou do óleo para pegar fogo na mesma hora, por causa disso os goblinoides estavam relutantes em se aproximar sabendo o que aconteceu da última vez.

 

- Eu não tô nem aí se eles ficarem a noite toda ali parados – dizia Litta – mas devemos supor que eles sabem como lidar com isso, então não baixem a guarda.

 

Assim como ela imaginou os goblinoides agiram, pequenos grupos correram em direção à palha carregando barris em suas costas, ao chegarem lá começaram a jogar agua sobre a palha para neutralizar sua propriedade, vendo isso Litta pra não desperdiçar mandou atirarem as flechas incendiaria, com isso um anel de fogo se formou em volta da fortaleza queimando os poucos que chegaram perto.

Claro que isso era uma estratégia dos goblinoides, com as chamas criadas os xamãs agiram e duas dúzias deles criaram nuvens de tempestade sobre a área, a tempestade além de criar relâmpagos criou uma chuva forte que apagou todo o fogo na área, Litta percebeu que isso era uma contramedida contra os elementais do fogo que ela podia invocar, já que numa chuva eles rapidamente desapareceriam.

 

- Tem uns 30 xamãs entre eles, façam desses caras a prioridade! – ordenava Litta com uma chuva violenta caindo sobre eles.

 

Dos quase 1500 homens dela a maioria estava na muralha da fortaleza disparando flechas, outros estavam de prontidão nos portões prontos para repelir a invasão, do alto Litta viu os ogros avançando em bandos pra cima dos portões, com 4 ogros em cada portão eles logo derrubariam, por isso os homens tinham feito barricadas internas com toda madeira e pedra que encontraram, do chão outros atiravam lanças por cima dos muros, era uma grande batalha de quem matava mais, felizmente para eles a fortaleza estava dando cobertura, então ainda não haviam sofrido baixas, mas agora já tinha goblinoides tentando escalar a muralha.

Litta viu um grupo de 4 ogros trazendo uma escada reforçada para que vários deles pudessem subir, ela percebendo a ameaça que aquilo representava conjurou suas magias que disparavam explosões de mana, ela conseguiu destruir a escada impedindo uma grande ameaça, e ainda teve a sorte de explodir a cabeça de um dos ogros.

Por causa do ataque dela os xamãs conjuraram suas magias na direção dela, uma energia esverdeada explodiu onde ela estava, por causa disso ela foi arremessada pra baixo e por sorte foi pega por seus homens, ela tinha queimaduras leves mas não estava incapacitada.

 

- Galtran! Tem 4 xamãs juntos à 50m da muralha! – instruía ela – se prepare pra acabar com eles!

- Entendido! – respondeu ele se preparando.

 

Litta conjurou sobre ele uma magia que aumentava a velocidade, e mais uma que aumentava a resistência, com isso ele subiu a muralha e pulou sobre um grupo de inimigos que se preparava pra subir, depois disso ele saiu cortando tudo em seu caminho com a arma do antigo líder, os arqueiros viram assustados ele cortar dezenas de inimigos, alguns goblinoides até recuaram de medo ao vê-lo chegando, quando Galtran chegou nos xamãs eles atacaram com magia, ele recebia tudo e resistia o máximo possível, ele não ia cair antes de cumprir a missão que lhe deram.

 

- Incrível, já foram 200 mortos e nem sei quantos feridos! – dizia um soldado assustado – e ele já pegou os 4 xamãs!

 

Ele continuou retalhando tudo que chegava perto dele, mas a essa altura milhares já haviam lhe cercado, ele recebia ataques que eram amenizados pela magia e pela própria resistência dele, mas Galtran já estava cheio de cortes sangrando, quando Litta viu um machado aproximando-se do pescoço dele usou a magia [convocar aliado] para traze-lo pro seu lado, e foi por sorte que ele não cortou a cabeça dela por reflexo.

 

- Cuidado aí garotão! – disse ela após esquivar do ataque – você fez um bom trabalho lá, não vai estragar tudo matando sua comandante!

- Entendo, então eu vou descansar um pouco – disse ele caindo no chão todo ofegante e sangrando.

 

O corpo dele estava brilhando levemente, não por causa da magia, mas por causa do misterioso poder dele, quanto mais ele lutava mais forte ia ficando, embora o efeito fosse como uma lenha ardendo em chamas, além disso esse poder misterioso aumentava a força das armas que ele usava, armas mundanas quebravam depois de alguns minutos de luta intensa, armas magicas ficavam pelo menos um nível mais forte, sua resistência também aumentava tornando mais difícil feri-lo, Litta já tinha lido que os 8 heróis tinham um poder semelhante.

 

- Vamos fazer a nossa parte também – disse Litta – já que fizeram o favor de trazer essa tempestade então que aguentem os raios!

 

Usando sua magia de combate mais forte Litta conjurou relâmpagos das nuvens acima, os vários raios foram caindo por todo o campo de batalha ao redor da fortaleza, cada raio que caía abria uma cratera matando alguns poucos naquele espaço, ao final da chuva de raios mais de 100 buracos foram abertos, reduzindo ainda mais o numero de inimigos, mas sustentar uma magia tão forte custou todo o Mana dela.

 

- Muito bom chefe, vá descansar também – disse Jarden assumindo o comando – pode até tirar um cochilo, quem sabe quando você acordar já teremos acabado com eles.

- Tá bom então, me acordem em uma hora, ou menos caso esses desgraçados aprontem alguma coisa.

 

Exausta por falta de mana ela apagou, dois soldados a carregaram pro centro da fortaleza onde prepararam um saco de dormir, colocaram ela ao lado do Galtran que também descansava pra mais uma rodada de luta, enquanto um soldado passava pomada cicatrizante nas feridas dele.

 

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(presente)

 

- Oh! Então é assim que se ordenha uma vaca? – dizia Ryna observando o trabalho do ex-soldado – eu posso tentar?

- Eu não recomendaria, sem pratica você pode acabar incomodando a vaca, e ela pode revidar – explicava Galtran – e infelizmente elas não respeitam autoridades.

- Suponho que você testou na pratica não é? – disse ela vendo que ele estava coçando o queixo.

- Digamos que foi o golpe mais forte que leve em algumas décadas – respondeu ele.

- Isso me lembra que no dia seguinte tivemos churrasco – disse Kalane ao lado do marido.

 

Eles tinham dado uma pausa na história, Galtran precisava organizar as tarefas de todos pra hoje e pela semana toda, Ryna achou engraçado como ele organizava tudo igual ao seu trabalho original, além disso ela aproveitou para ver como era o dia a dia numa fazenda, conviver com plebeus não era a mesma coisa que entender como eles vivem e trabalham.

 

- Na verdade temos um goblinoide aqui na fazenda, na verdade um ogro – comentava Galtran enquanto usava uma espada para cortar galhos de uma arvore – ele ainda era adolescente quando o capturamos, então para testar uma teoria trouxemos pra cá.

 

Galtran levou Ryna para ver o ogro, seria a primeira vez que ela veria um sem ser em figuras de livros, ao chegar no local onde ele trabalhava o grupo viu um ogro usando roupas humanas (pro tamanho dele) e um chapéu de palha, com um enorme machado ele cortava toras de madeira pra fazer lenha, mesmo ele parecendo pacifico Arik ao lado da Ryna ficou em prontidão.

 

- Uau! Ele tem o dobro da minha altura! – disse Ryna tentando medi-lo com o olhar.

- Hei Buncha, temos visitas, cumprimente ela – disse Galtran de onde estava.

- Oi chefe, olá visita – cumprimentou o ogro com uma voz grave como se estivesse no fundo de uma caverna.

- Ele fala de forma rudimentar, então é difícil conversar com ele – explicava Galtran – não gosto de falar isso porque parece preconceito, mas eles são como animais, se treinar bem se comportam, embora a falta de noção dele cria um monte de problemas.

 

Ele se referia ao fato do Buncha tentar imitar os humanos no modo de agir, o que gerava um monte de acidentes quando se levava em conta seu tamanho e força, mas no geral ele era bem comportado, Galtran o pegou para testar se podia ensina-lo a obedecer e não ser selvagem, mais ou menos o que Litta fez com ele, agora que Ryna estava no poder ele pensava se poderia ter esse tipo de recruta em seu exército.

 

- Os goblinoides nos deram problemas demais no passado, eles estão mais quietos agora – dizia Galtran – mas naquela época de conquistas as batalhas eram violentas, por isso a maior batalha da unidade Narshiana terminou em um mar de sangue para ambos os lados.

 

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- Pensei que eles iam recuar, mas parece que só estão tramando algo – dizia Litta vendo os goblinoides se reunirem na floresta.

 

A capitã da unidade recobrou os sentidos uma hora depois de apagar, após mais uma hora de lutas pra repelir a invasão os goblinoides recuaram, mas quando ela pensou que um milagre tinha acontecido eles simplesmente se juntaram num lugar só.

 

- Mesmo que sejam só alguns minutos de folga, usem esse tempo para se prepararem – ordenava Litta – algo grande está vindo, e vamos precisar de tudo pra segurar.

- Praticamente não temos mais flechas – informava o chefe do esquadrão de arqueiros – dividindo entre todos temos cerca de 10 pra cada.

- Agora vai importar mais precisão do que quantidade – disse ela – já abatemos metade deles, agora eles podem se amontoar embaixo de escudos, não podemos errar os tiros.

 

Durante todo o confronto a unidade da Litta praticamente não perdeu membros, no auge da batalha centenas de goblinoides conseguiram escalar os muros levando a batalha pra dentro, mas no final foram repelidos ou mortos, ainda havia 8 mil deles contra pouco mais de mil homens dessa unidade.

 

- Mantenham 10 pessoas vigiando cada lado, e o resto traga pra cá – ordenava Litta – Galtran, se prepare pra levar os mais fortes pra uma batalha direta, esteja pronto quando a arma secreta atacar.

 

Os goblinoides começaram a tocar os tambores de guerra, com isso e todos eles reunidos na frente do portão Litta soube o que eles queriam, o que estava vindo era um ataque em massa focado num ponto só, se todos eles atacarem num lugar só o portão não vai aguentar nem 10 minutos.

 

- Eles demoraram pra tomar essa decisão – comentou Jarden.

- Pois é, eles tinham 10 vezes os nossos números, eles acharam que podiam atacar por todos os lados e nos cercar – dizia Litta – mas ao espalhar suas forças lá fora nós ficamos na vantagem aqui dentro.

- Eu consigo ver um raio de esperança de sairmos daqui – disse Jarden – em sua opinião profissional o que você acha?

- Só temos uma chance se a arma secreta funcionar tão bem como imagino – disse ela – aí vem eles, preparem-se!

 

A horda veio em peso correndo para atacar o portão, Litta com o pouco Mana que tinha lançou uma magia do 4º nível que gerava uma campo ácido, jogando a magia bem em frente ao portão ela começou a causar dano em todos dentro do espaço de 5m da magia, ficando com Mana suficiente só pra permanecer consciente ela ordenou que os arqueiros disparassem de forma precisa, mas os goblinoides também sacaram arcos e começaram a atirar como loucos, os arqueiros tinham que mirar enquanto desviavam das flechas, felizmente quase todos eram da unidade que Galtran treinou, se eles conseguiam atirar sobre o lombo de um cavalo conseguiam atirar com esse obstáculo.

 

- O [Campo Acido] perdeu efeito – disse Litta ao sentir sua magia se desfazendo – peguei uma dúzia deles, mas agora não tem nada afastando-os do portão principal.

 

E como ela previu os goblinoides começaram a bater no portão com toda a força, um ogro estava ajudando com um tronco de arvore como aríete, os outros ao redor davam proteção a ele, ela estimava que o portão quebraria em mais alguns minutos, por isso era hora de usar sua arma secreta.

 

- Por favor funcione – disse ela pegando um pequeno cristal e apontando pro céu.

 

O cristal quebrou liberando um sinal luminoso que explodiu no céu, toda a área ao redor da fortaleza ficou clara mas com uma luz avermelhada, cerca de três minutos depois os sons de cascos e tremores pôde ser sentidos.

A cavalaria da Litta surgiu da floresta avançando com lanças magicas por cima dos goblinoides, pegos de surpresa eles tiveram uma péssima reação e começaram a ser massacrados, no dia anterior quando ela enviou a cavalaria pra atacar o acampamento ela deu outra ordem, em vez de voltarem para a fortaleza eles deveriam se esconder numa parte profunda da floresta, aguardar o exercito inimigo passar por eles e embosca-los por trás, mas a emboscada só deveria acontecer exatamente quando Litta ordenasse, e ela esperou a melhor hora pra isso.

 

- Geralmente na retaguarda ficam os mais fracos, ou o líder com sua guarda de elite – dizia ela – no auge da batalha eles mandam os mais fortes pra frente pra atacar enquanto o líder permanece em segurança, mas se um ataque vier por trás é o mesmo que não ter ninguém lhe protegendo!

- Agora o Lishou vai dar uma de herói comandando a cavalaria – reclamou rindo o Jarden.

 

A cavalaria estava causando um grande estrago na retaguarda do exercito inimigo, mas mesmo eles não iriam vencer os 8 mil inimigos, por isso Litta ordenou que Jarden se preparasse junto com 500 soldados, mas antes disso ela chamou Galtran pro seu lado.

 

- Essa é a batalha final, você é 200 homens vão pular lá e lutar até o fim – ordenava ela – não é permitido recuar ou fracassar, por isso lute e sobreviva, não ouse morrer agora rapazinho!

- Não tenho intenção alguma de desobedece-la – respondeu ele.

- O Jarden vai logo depois de você, assim que tirarem o foco do portão – instruiu ela – não importa o que aconteça, chegue até o líder e pegue a cabeça dele!

- Sim senhora! – respondeu ele batendo continência.

 

Galtran e 200 soldados foram para a parte mais alta da muralha, quando a cavalaria pressionou mais um monte de goblinoides se voltaram para eles para contra-atacar, foi nessa hora que Galtran e os outros pularam por cima daqueles mais próximos da muralha, primeiro empalando com as lanças, depois sacando as espadas e atacando como uma onda se espalhando, eles pularam na área à esquerda do portão fazendo os inimigos ficarem divididos, uma parte se virando pra retaguarda e a outra para a esquerda, com sua atenção completamente dividida foi a hora do golpe final.

 

- Abram o portão! – ordenou Litta.

 

8 homens foram necessários para destravar o portão, assim que ele foi aberto os goblinoides que estavam próximos ficaram até sem reação pela surpresa, para logo em seguida verem 500 homens passarem por ele correndo, dessa forma a batalha estava dividida em três direções, e com o líder bugbear no meio, os inimigos simplesmente não sabiam onde focar sua atenção e eram mortos aos poucos.

 

- Mantenham a barricada de escudos, se eles conseguirem entrar estamos ferrados – ordenava Litta atrás da barricada.

 

A barricada tinha forma de ferradura voltada para o portão aberto, grupos de goblinoides tentavam entrar mas eram barrados, e os homens atrás da barricada acabavam com eles com suas lanças, o pouco Mana que Litta tinha era usado pra fortalecer os homens na barricada pra eles resistirem aos ataques, desse jeito havia aqueles querendo entrar, os que combatiam o grupo do Galtran na esquerda, o ataque em massa liderado por Jarden e o ataque da cavalaria liderado por Lishou.

 

- Quando o líder morrer o resto vai dispersar, eles não são tão idiotas para lutarem uma batalha perdida – analisava ela – essa é a nossa única chance de vencer.

- ATAQUE INIMIGO!! – gritou alguém que estava no alto da muralha.

 

Litta sentiu seu sangue gelar quando ouviu isso, não parecia que o inimigo tinha dividido suas forças, então de onde estava vindo esse ataque? Ela olhou pra trás e viu os poucos arqueiros na muralha atirando pro centro da fortaleza, da entrada da mina estavam saindo centenas de goblins como uma onda.

Os goblins não paravam de sair e se espalhavam em todas as direções procurando pessoas para matar, eles encontravam os poucos guardas protegendo os outros portões e caíam sobre eles matando, depois se juntaram em uma massa só avançando na direção dela.

 

- Esses desgraçados entraram pela mina! – disse Litta reunindo quem estava disponível para lutar – eu nunca pensei que esses desgraçados iriam fazer o mesmo que a gente!!

 

Litta juntou um pouco mais que duas dúzias de soldados para lutar contra os goblins, enquanto lutava ela tentava entender onde errou, não havia erro na estratégia dela, mas o maior problema foi não ter cogitado que o inimigo tinha um plano tão complexo para atacar a fortaleza, quando sua unidade conquistou o lugar ela mandou procurar todas as entradas, mas provavelmente havia alguma passagem secreta que só goblins poderiam usar, e toda essa batalha até agora foi uma distração para eles se infiltrarem aos poucos.

Mas o que mais estava irritando a Litta não foi ter sido pega de guarda baixa, mas sim o fato de que com certeza todos os homens feridos no interior da mina já devem estar mortos, agora ela estava numa situação igual ao do seu inimigo, e a vitória estaria nas mãos de quem alcançasse seu objetivo primeiro.

Do lado de fora as forças de ambos os lados lutavam desesperadamente, já havia baixas horríveis para todos, a cavalaria era a que mais estava sofrendo, mesmo após o ataque surpresa eles no final tinham a maior quantidade de inimigos para enfrentar, além disso os cavalos eram alvos fáceis quando perdiam a mobilidade da investida.

O grupo do Jarden já perdera a metade dos seus homens, mas ainda assim avançaram até quase metade do caminho para a cabeça do líder bugbear, mas quem realmente estava mais próximo era o Galtran, mesmo perdendo quase todos os companheiros ele avançava sem perder tempo, ignorando os ferimentos que recebia ele ia dilacerando todos em seu caminho, pois seus instintos lhe diziam que algo estava errado e ele tinha que se apressar.

A batalha chegou ao ponto de que não havia mais nenhuma estratégia ou formação de batalha, era simplesmente uma carnificina descontrolada, em meia-hora o numero de corpos no chão tornava praticamente impossível andar sem pisar neles, e foi subindo nesses corpos que Galtran tomou impulso e saltou na direção do lorde bugbear.

 

- Seu maldito humano!! – gritou o bugbear contra-atacando.

 

A lâmina do machado se chocou com a lâmina da espada, a onda de impacto foi violenta, mas a força superior do Galtran em pleno pico de poder foi muito maior, partindo a lâmina do machado ele finalmente alcançou a cabeça do inimigo, ao corta-la a cabeça voo longe.

 

- Esse maldito humano! Matem ele! – gritou um bugbear que estava ali perto.

 

Galtran não teve folga, 30 inimigos o cercaram e começaram a atacar freneticamente, a essa altura ele já estava sem forças pra continuar, mas os poucos homens que ainda lhe restavam vieram lhe socorrer, aos poucos derrotando os inimigos muitos outros debandavam, podia-se dizer que eles venceram a batalha.

Mas o preço por essa vitória foi muito alto, todos da cavalaria morreram, praticamente não havia ninguém de pé naquele campo repleto de corpos e sangue, Galtran não contava nem uma centena de pessoas vivas ao seu redor.

 

- Hei, por que o pessoal lá dentro não veio ainda? – perguntou-se um soldado olhando pro portão aberto.

- Eu vi alguns daqueles bichos entrarem, pelo menos uns 200 deles – disse outro soldado sangrando e ofegante – a capitã deve estar lidando com eles agora.

 

Galtran olhou na direção do portão aberto, deveria haver uma barricada de escudos e lanceiros bloqueando a entrada, atrás dessa barricada deveria estar a Litta e os últimos soldados, mas não dava pra ver ninguém, quando alguns vultos aproximaram-se Galtran até suspirou aliviado, mas o alivio desapareceu quando ele viu uma dúzia de hobgoblins e alguns poucos goblins saindo, até onde ele se lembrava não havia goblins lutando do lado de fora, e o fato deles estarem saindo exaustos e feridos não podia ser um bom sinal.

Os goblinoides que estavam saindo viram que praticamente não restara ninguém do exercito deles, a cabeça do líder estava empalada numa lança como sinal de que fora derrotado, ao verem isso eles debandaram na mesma hora, mancando e sangrando Galtran foi para dentro da fortaleza, e encontrou cadáveres tanto de aliados como de inimigos, ele finalmente entendera que os inimigos tinham dado um jeito de entrar e pegar a unidade pela retaguarda.

 

- Litta? Onde está você Litta? – gritava ele olhando em todas as direções.

 

Ele procurou e encontrou ela caída no centro de onde estavam todos os corpos, aparentemente ela foi a ultima pessoa a cair, cercada pelos inimigos que ela matou, os caras que saíram foram os únicos sobreviventes dessa carnificina, Galtran ficou paralisado olhando pro corpo imóvel e ensanguentado dela, uma parte da sua mente estava travada, mas outra tentava lembrar de alguma coisa que pudesse ajuda-la, algum conhecimento ou informação que pudesse ser útil, e mesmo revirando todas as suas memorias ele nada encontrou.

 

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(presente)

 

- Ela... morreu?... – Ryna estava quase chorando enquanto ouvia aquela história.

- Naquela noite só houve 80 sobreviventes, contando comigo – respondeu Galtran.

 

A expressão de choque da Ryna fazia parecer uma criança que recebeu a pior noticia da vida, após ouvir essa história ela já tinha simpatizado com a Litta como se ela mesma a conhecesse, mas ouvir que ela morreu naquela missão foi terrível, ela esperava um final muito diferente.

 

- Eu também fiquei assim, bem pior na verdade – disse Galtran – os outros me contaram que eu passei a noite toda abraçado ao corpo dela, eu mesmo nem lembro, parece que fiquei inconsciente até voltarmos pra base.

 

Galtran contou o que ouviu dos seus comandados, após a batalha os sobreviventes se reuniram e aguardaram qualquer coisa que fosse acontecer, Galtran permaneceu de joelhos no centro da fortaleza segurando o corpo da Litta, praticamente inconsciente mentalmente, foi poucas horas após o amanhecer que o exercito do general chegou, disseram que todos que chegaram ficaram pasmados com o tapetes de corpos que cobria toda a área da fortaleza.

 

- Embora bem menor e mais curta, você viu uma guerra de perto não viu? Chegou a ver os cadáveres de pessoas que conheceu? – perguntou Galtran.

- Eu vi sim, por isso fui pessoalmente parar aquela insanidade – respondeu ela.

- Fizemos o melhor que podíamos naquele dia, soldados e oficiais, mesmo contra todas as desvantagens tivemos a luta mais terrível de nossas vidas, e o resultado foi uma vitória ao custo de praticamente todos nós – narrava Galtran – mesmo assim nenhum de nós sentia-se vitorioso, porque a pessoa que era o coração da unidade sacrificou-se naquele dia, era um vazio tão grande que não sabíamos como lidar com isso.

 

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(uma semana após a batalha)

 

- Galtran, estão lhe chamando – disse um dos soldados da antiga unidade.

- Não estou interessado – respondeu o rapaz velando o caixão.

- Receio que você não tem escolha, é o imperador que está te chamando – revelou o outro – ele é o cara que manda em tudo sabe? Inclusive o que fazer com os corpos dos falecidos.

 

Galtran fez um som de irritação com a boca e levantou, após a batalha os sobreviventes foram resgatados e trazidos de volta para a fortaleza na fronteira, os corpos dos soldados mortos foram trazidos um dia depois, agora Galtran velava o corpo da sua mestra em um caixão de madeira bem ordinário para alguém como ela, ele não entendia bem os costumes funerários, mas ele queria enviar o corpo dela de volta para sua família, que no caso era o pai dela.

Mas agora ele era obrigado a ver o imperador, alguém de quem ele só ouvira falar, Galtran aprendeu muitas coisas com Litta mas ele nunca aprendeu a se portar diante de autoridades, por isso nessas ocasiões ele sempre dava um jeito de sumir.

Galtran foi levado até a tenda vistosa e brilhante montada no centro da fortaleza, ele ficou impressionado com os golens que a cercavam e os guardas-reais estacionados na entrada, após ser autorizado a entrar Galtran ficou mais uma vez surpreso ao ver que a tenda era bem maior por dentro do que por fora, e havia mais guardas e servos no interior, numa área mais reservada da tenda havia um homem em roupas luxuosas segurando um centro e usando uma pequena coroa na cabeça.

 

- Pode parar por aí mesmo – disse o guarda-real de pé ao lado do homem sentado numa poltrona.

 

Havia um tapete redondo cheio de runas onde a poltrona estava, na verdade aquele tapete podia gerar uma barreira em caso de ataques, com o imperador e seu guardião dentro da barreira e os inimigos fora, Galtran percebeu como a segurança era rígida em volta daquele homem.

 

- Vejamos... você é o Galtran, um dos subordinados da Litta Narshiana em sua unidade independente – dizia o imperador lendo um papel – por alguns anos essa mulher esteve preparando uma unidade de 3 mil homens para atacar uma das 8 grandes tribos, na opinião de todos isso era “uma ideia completamente idiota e suicida”

 

Galtran ficou em silêncio, mas ele estava tremendo levemente como se estivesse contendo sua raiva, foi o general do norte que quis essa campanha, mas usou uma unidade independente como vanguarda para executar o plano, todos na unidade sabiam que estavam sendo usados mas confiavam na sua capitã.

 

- Eu tenho espiões em todo o exercito de todas as regiões, eu gosto de saber o que está acontecendo – dizia Brantyn – eles me falaram dessa iniciativa e de tudo o que aconteceu, e não importa como eu veja isso parece que vocês obtiveram sucesso, pode confirmar isso?

- Eu posso falar? – perguntou Galtran.

- Sim você pode – confirmou o imperador.

- Passamos vários dias lutando, perdendo companheiros e dando tudo de nós – respondeu Galtran – mas fomos abandonados à própria sorte com uma ordem impossível, mesmo assim vencemos no final, ainda que nossa líder tenha morrido também.

 

O imperador viu que Galtran estava apertando os punhos e rangendo os dentes, um sinal claro de alguém frustrado e furioso por dentro, com esses sinais Brantyn confirmou que ele dizia a verdade, pois essas emoções não podiam ser fingidas.

 

- Meu rapaz, qual era o objetivo dessa senhora Litta? – perguntou Brantyn – ela queria fama e fortuna? Ou era outra coisa?

- Minha senhora queria reconhecimento, ela queria mostrar que podia ser a melhor de todas! – respondeu Galtran com certo fervor na voz – ela fez o que todos achavam que era impossível, quero que ao menos ela seja reconhecida por isso.

- Entendo, é um objetivo nobre, de fato mulheres não são reconhecidas no exército – disse Brantyn coçando o queixo – mas ainda que ela tenha feito algo impressionante, no fim das contas essa campanha é responsabilidade do general, você entende o que quero dizer?

 

É claro que ele entendia, se Litta falhasse a culpa seria dela, mas o sucesso dela passa a ser o sucesso do seu superior, ao aceitar a missão o objetivo dela era ganhar credibilidade para realizar mais feitos, ao ponto de que ninguém pudesse negar suas conquistas, fazendo isso eventualmente ela subiria nas posições.

 

- Meu rapaz, se eu lhe desse uma chance você gostaria de fazer algo que ela não conseguiu? – perguntou o imperador – acha que pode conseguir uma conquista no nome dela e superar os feitos do superior dela?

- Senhor, o que está sugerindo? – perguntou o seu guardião de pé ao seu lado.

- Quero que esse rapaz dê uma lição no Kalidos, dê a ele uma unidade de mil homens, se ele puder conquistar outra das grandes tribos vou reconhece-lo como superior ao Kalidos – respondeu Brantyn – mas naturalmente tudo ficará em suas costas, inclusive o fracasso.

 

Galtran estava vibrando por dentro, ajoelhando-se para o imperador ele jurou que faria isso, assim Brantyn agradeceu pelo trabalho duro e o dispensou, além disso mandou um dos guardas-reais ajuda-lo a montar a unidade.

 

- Sendo caprichoso de novo senhor? Percebe que parte da bagunça que é o exercito é responsabilidade sua? – perguntou o guardião repreendendo-o.

- hahahahaha eu tenho uma intuição à cerca desse rapaz, você sentiu aquela aura imponente? Me lembrava o meu avô que ajudou a limpar este reino dos demônios – dizia Brantyn satisfeito – você acha que conseguiria vence-lo caso ele viesse pra cima de mim?

- Sim, naturalmente, mas só poderia fazer isso se todos aqui me ajudassem – respondeu sinceramente – e provavelmente perderíamos alguns guardas na luta, sozinho seria outra história.

- Foi o que eu pensei, ele tem potencial para ser a pessoa mais forte deste reino – disse Brantyn – então vamos dar uma chance a ele, de qualquer jeito não perderemos nada.

- Só uma unidade de mil bons homens pegos nos seus caprichos – reclamou o outro.

 

Nesse meio tempo Galtran voltou para onde os corpos estavam sendo guardados, ele queria contar a Litta o que ele pretendia fazer, ele sentiu que devia isso a ela por ter cuidado dele esses anos, e o sonho dela não morreria com ela.

 

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(presente)

 

- Meu avô fez isso? – dizia Ryna impressionada.

- Brantyn Reiges era conhecido por fazer o que dava na cabeça, muito caprichoso – disse Galtran.

- Agora sabemos a quem você puxou – provocou Arik olhando pra Ryna.

- E o que aconteceu depois daquilo? – perguntou ela ignorando as palavras do outro com um olhar frio.

- Chamei todos os sobreviventes da antiga unidade, coloquei todos em posições de liderança na nova unidade – explicava Galtran – e nomeamos a unidade como Unidade Narshiana, também adotamos uma espada dourada como símbolo e usamos como bandeira.

- Que incrível... – disse Ryna impressionada.

- Depois que a unidade foi formada ficamos um ano reunindo recursos e convidando outras unidades – explicava Galtran – ao final de um ano tínhamos 5 mil homens ao unir varias unidades numa só, e então fomos para a campanha de nossas vidas.

 

Galtran contou a história da nova unidade, com seus 5 mil homens eles atacaram mais uma das 8 grandes tribos, munidos de experiencia e equipamentos eles obtiveram um resultado ainda melhor que na guerra anterior, gastando um mês eles derrotaram a tribo sofrendo o mínimo de baixas, e com isso impuseram medo e respeito nas outras tribos, tanto que as 6 tribos restantes se fundiram em 3 para resistir ao avanço do exército, o que impossibilitou conquistarem todo o território.

 

- Alguns meses depois seu avô me nomeou o novo general do norte, uma façanha única – continuou Galtran – eu permaneci no posto por 5 anos, tempo que levei pra consolidar a fronteira norte e pegar um pouco das terras dos ferais, acho que foi por volta dessa época que sua avó se tornou a rainha do norte, ela foi uma senhora bem durona, coloquei um dos meus tenentes mais experiente no meu lugar e ascendi ao posto de general central.

- Você viu minha avó ser coroada? Quando fala assim parece que estou conversando com um ancião – brincou Ryna – se não me engano meu pai e minha mãe nasceram um pouco antes disso, não... minha mãe nasceu depois disso.

- Como general central eu não podia fazer muita coisa, então fiquei 3 anos no posto até ser promovido para comandante do reinado – revelou Galtran – era quase como voltar para uma unidade independente, mas muito maior e mais poderosa, foi aí que fui realizando as ultimas conquistas na era do seu avô.

- Foi uma história magnifica, e sinto que gastamos o dia todo nisso – elogiava Ryna – definitivamente você é um modelo a ser seguido, embora sua história fosse bem diferente do que eu tinha em mente.

- Princesa Ryna, se me permite sugerir gostaria de jantar conosco? – perguntou Kalane ao lado do marido.

- Eu adoraria, embora eu tenha pouco tempo restando – disse Ryna – posso lhe pedir um prato rápido para não sair de barriga vazia?

 

Kalane riu e agradeceu pela chance de servir algo a ela, enquanto as duas conversavam na cozinha Galtran pediu licença e foi até a arvore que ficava no lado de fora, na arvore havia uma placa cristaliza como se fosse a sepultura da Litta, foi uma placa feita pelo imperador Brantyn em reconhecimento aos feitos da maga guerreira, foi o único pedido egoísta do Galtran: que ela fosse reconhecida.

 

- Fazer com que o sonho dela fosse realizado, me tornar um general do qual ela se orgulharia, e criar um reinado justo e pacifico – dizia Galtran – foi isso que eu herdei dela, e mais pra frente meu próprio objetivo foi encontrar alguém para herdar o meu legado.

- Então você percebeu que eu estava aqui, já deveria ter esperado – disse Ryna caminhando na direção dele – ela está enterrada aqui?

- Não, ficou com a família, mas a espada que ganhei dela está enterrada embaixo dessa arvore – explicou ele – na verdade eu plantei essa arvore e coloquei o memorial na sua frente, mais tarde pedi a um mago natural para moldar a arvore de modo a aceitar o memorial em seu tronco.

- Você é bem perfeccionista não é? – brincou ela.

- Eu era um moleque que nem sabia falar o idioma daqui, mas a Litta me ensinou tudo e me tratou como uma pessoa qualquer – dizia ele – depois de viver tanto tempo acabei ficando igual a um velho por dentro.

- Eu fiquei muito feliz por você ter ficado do meu lado, não só pelo poderio militar, mas pelo que você representa – disse Ryna – você é mais que um general ou um guerreiro poderoso, você é um símbolo do reinado, e depois de ouvir a sua história eu compreendo o porquê.

- Se uma pessoa ruim tivesse me comprado hoje eu poderia ser o mais terrível vilão, se eu sou um símbolo para o reinado foi graças à mulher que me criou como um filho, mesmo que por pouco tempo – disse Galtran – você também aprendeu com boas pessoas como ser quem é hoje, o reinado agradece por isso.

- Tem algo que eu possa fazer para recompensa-lo por tudo que fez? – perguntou Ryna séria – mesmo se for algo que eu não possa fazer agora eu juro que farei o mais cedo possível.

- Crie um reinado onde minha filha possa ser cantora, e meu filho um aventureiro – pediu ele – se fizer isso já estarei satisfeito.

 

Ryna jurou que faria um reinado capaz de abrigar todos os sonhos, Galtran então agradeceu e renovou seu voto de lealdade, prometendo vencer a guerra contra os demônios e garantir que haveria uma continuidade.

Depois disso todos fizeram uma refeição rápida, antes de ir embora Ryna lembrou ao Galtran que ele ganhara uma semana de folga e estava obrigado a cumprir isso, mas que quando voltasse ao trabalho iria compensar esse tempo, Kalane agradeceu à princesa por dar essa folga ao seu marido, assim o mago dimensional voltou para busca-los e leva-los de volta para a capital.

 

- Essa princesa é incrível, faz você ter muita vontade de servi-la – comentou Kalane enquanto lavava os pratos – ela adorou comida caseira, e brincou com as crianças sem se importar com nada.

- Quando quiser visitar a capital é só dizer, posso conseguir uma visita ao palácio real – disse ele.

- Oh? Abusando dos seus privilégios? – brincou ela – nesse caso quero sim fazer uma visita, e levar as crianças comigo.

 

Galtran até imaginava a Ryna descobrindo isso e convidando-a para um jantar, antevendo isso ele já imaginava que precisava comprar um vestido novo para sua esposa, sua cabeça estava imaginando vários cenários e as respostas para todos eles, mas ele percebeu que não entendia muito de uma vida cotidiana.

 

- Preciso te levar pra sair mais vezes, um jantar talvez – dizia ele após suspirar – você praticamente não sai da fazenda.

- Você se preocupa demais com detalhes sabia? – disse ela rindo.

- Fui criado assim, sempre que fazia besteira eu levava um relâmpago na bunda – disse ele – depois de três anos disso você fica paranoico com detalhes.

 

Os dois riram disso, Galtran provavelmente aceitaria levar mais alguns relâmpagos se isso significasse ter a Litta de volta, mas ele aprendeu a seguir em frente e realizar o sonho que ela tinha, deixando um legado para o futuro era a melhor forma de manter a memoria dela viva e realizar o sonho dela, ser o maior general de todos era a forma de mostrar que o caminho dela estava correto.

 

 

 

Fim do Especial.


Notas Finais


Na capa temos o Galtran quando ele se tornou general do norte.
.
E aí? O que acharam da história deste grande homem? Vocês devem ter percebido que eu omiti um monte de coisas, principalmente no final, a razão disso era guardar alguns detalhes pro futuro, e também porque se eu não acabasse hoje era capaz de levar mais uma semana...
Já no próximo capitulo voltaremos a nossa programação normal.


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