História Herdeiros do Império - Reylo - Capítulo 38


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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Rey
Tags Fanfic, Kyloren, Rey, Reyben, Reylo, Romance, Star Wars
Visualizações 69
Palavras 3.830
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 38 - Mudanças


Fanfic / Fanfiction Herdeiros do Império - Reylo - Capítulo 38 - Mudanças

"Querido, eu perdoo você por tudo
Qualquer coisa é melhor do que ficar sozinha
E no final, eu acho que eu tinha que cair
Sempre encontro meu lugar entre as cinzas.
"
(Lithium - Evanescence)

•••

"Papai?" A voz delicada, infantil, doce e suave de Kira era uma das coisas que Ben mais gostava de ouvir. Ele virou a cabeça para respondê-la com um sorriso. Ela se aproximou, sentou-se ao lado do pai que repousava sobre a cama lendo o manual de instruções de alguns caças da Resistência. Ainda era bem cedo, ela poderia estar dormindo, mas havia algo que ela queria contar: "Eu vi a mamãe noite passada."

"É mesmo?" Ele questionou com um largo sorriso. "Sonhou com sua mãe?"

"Não era um sonho." Piscou algumas vezes aproximando-se do pai. "Eu a vi, eu até toquei nela!" Então Kira segurou na mão do pai como se demonstrasse.

"A tocou? Como..." franziu o cenho enquanto se ajeitava. "Do que está falando?"

"Eu vi meu irmãozinho também..." Ela foi logo interrompendo. "Na barriga dela. Eu ainda o ouvi... de alguma forma." Ela baixou os olhos fitando o chão. "Eu... vi uma luz, a luz mais bonita que eu já vi, papai."

Ben sentiu a boca secar, queria muito que Kira estivesse falando sobre um sonho, mas o tom da conversa o levava a pensar em algo que ele realmente, do fundo de todo seu coração, esperava que não fosse real.

"Uma luz?" Perguntou. Era como a luz que ele houvera presenciado?

"Ela estava lá, ela precisa de nós." Kira interrompeu novamente, um pouco mais agitada. "Ela precisa de ajuda. Precisamos tirar a mamãe de lá."

"Não, Kira, vamos começar de novo... Você não sonhou com ela, você não esteve lá com ela, então como você pode te-la visto?"

"Eu não sei, eu só estava lá, estava andando pelo corredor quando tudo começou a ficar escuro, então eu vi a mamãe. Daí eu estava em outro lugar, num quarto, e mamãe estava deitada numa cama."

"Como era esse lugar?"

"Era escuro... e frio..." a voz falhou com a emoção em que disse as palavras, um certo medo. "E de metal, as paredes... eu não sei, eu só estava lá, tentei falar com ela, mas ela não me ouviu... Eu não sei..." Ela franziu o cenho, a decepção evidente em suas expressões. "Ela não acordou, ela só ficou lá... então comecei a conversar com meu irmãozinho. Eu senti algo bom... ele se importa com a mamãe, ele me disse..."

"Disse?" Perguntou Ben.

"Não disse, exatamente..., mas eu senti, é um tipo de coisa... eu não sei, eu me senti conectada a ele."

"Kira, isso é muito importante. Você precisa me dizer... você acha que teve uma conexão com sua mãe, pela força?"

"Eu não acho que seja com a mamãe, papai. Eu acho que foi com meu irmão, e ela só estava lá."

"Tudo bem..." Concluiu com um longo suspiro.

"Mamãe está fechada, ela não quer ouvir... Eu sinto falta dela, papai, precisamos trazer ela para perto da gente!"

"Nós iremos Kira..." Ele a puxou pelos ombros e a abraçou. "Nós iremos."

Ben sentiu-se um pouco perdido de início, confuso e amedrontado. Proteger sua filha era a única coisa que lhe restava, e ter agora a certeza de que ela possuía inclinações para a força o fez sentir-se pávido.

Ele não queria que a filha sofresse. Desde que ela nasceu ele tentou convencer-se de que ela poderia ser diferente, que ela não fosse uma criança incomum bem como ele havia sido. Sabia o quão difícil houvera sido lidar com as instabilidades no humor, com os sentimentos sobre a luz e as trevas, sobre como era sentir a energia fluir pelo seu pequeno corpo sem capacidade de lidar com tamanho poder. Mas ainda havia a profecia de Statera, as duas crianças, as escolhidas, elas haviam de ser algo também.

Não poderia mais viver negando que sua filha era como ele, bem como Rey. Precisava lidar agora da melhor forma possível, para que ela, assim, não sofresse com as mesmas consequências que ele sofreu.

Ele se encontrou com Luke mais tarde, fizeram uma caminhada pelo solo salgado de Crait, enquanto suas pegadas deixavam marcas vermelhas sob o chão. Não havia alguém melhor que Luke com quem ele poderia falar sobre isso. Precisava deixar de lado todas as mágoas do passado, o que era algo que ele já vinha trabalhando há meses desde que chegou na Resistência.

"Era bem provável que a filha de vocês fosse demonstrar algum tipo de comportamento relativo à força. Ben, sei que desde o princípio pediu ao Universo que ela não fosse como nós, mas sempre soube que as chances eram muito pequenas."

"Sim, mestre Luke." Ben respondeu em tom singelo, arriscando um sorriso desconfortável.

Se o tio pudesse voltar atrás, pensava que não teria deixado Ben lidar sozinho com seus sentimentos por Rey. Talvez se ele tivesse aceito Kira como o novo membro da família... se tivesse mudado os preceitos ultrapassados do código jedi... O amor... que sentimento era mais nobre que esse? Então por que impedir que o jovem Ben Solo e Rey Kenobi se amassem?

"De certa forma me parece bom que ela tenha se conectado ao bebê, e ela diz ter sentido uma luz forte vindo dele, assim como você afirmou na vez em que se conectou com Rey." Luke afagou a barba. "Isso nos faz ter mais certeza de que a profecia de Statera fala sobre os filhos de vocês. E este fardo, meu sobrinho, precisa ser bem elaborado, digerido e orientado." Ele apertou um dos ombros de Ben ao tentar confortá-lo. "Suas crianças precisam de vocês dois. Precisam dar apoio, amor... Mas para isso precisamos dar um jeito nessa guerra."

"A Primeira Ordem sem Rey não é forte. Soube que as tropas de Hux foram enfraquecidas com a chegada das tropas novas. Permitiram que os troopers escolhessem entre a liberdade ou servir a Primeira Ordem..." Ben tentava concluir algo a partir disso. "Eu sinceramente não entendo o que fez Snoke mudar de ideia, deixar Rey controlar tudo aquilo tão fácil."

"Com certeza há algo sobre isso, com certeza a partir do bebê. Sabemos que Snoke sempre quis um Império a partir da dinastia de Palpatine."

"Mas não sinto que isso seja suficiente para que ele deixe Rey tomar tanto poder e influência nas decisões da Ordem. A galáxia inteira agora a conhece, os planetas mais remotos esperam ansiosos pela chegada dela. Além disso a Resistência está perdendo a confiança em diversas alas do Universo." Ben coçou a nuca. "O que Snoke está oferecendo a ela?"

Ben e Luke então viraram os rostos e perceberam a aproximação de Dana. Veio na defensiva, oferecendo um sorriso a dupla. Ben esperou que ela chegasse, até que perguntou sobre o que estavam conversando – óbvio – e Luke pediu permissão a Ben para falar a Dana sobre o assunto. 

"Temos quase cem por cento de certeza que Kira possui as inclinações ao uso da Força."

"Sério?" Respondeu Dana. "Olha, isso nunca foi um segredo, era óbvio que Kira seria como a família. Ela é uma Skywalker!"

"E uma Palpatine..." Ben baixou o olhar, Dana aproximou-se um pouco dele, também repousando a mão sob o ombro dele para confortá-lo.

"Escute, Ben, não tenha medo. Eu sei que queria que ela fosse uma criança normal, sei que quer protege-la. Mas...olhe só para nós agora. Kira receberá todo o apoio de que precisa, o próprio entendimento do código jedi já não é mais o mesmo. Ela terá nosso auxilio."

"Obrigada, Dana." Respondeu Ben. "Só sinto muito por não poder impedir isso."

"Mas me conte, o que o fez finalmente enxergar?"

"Ela se conectou com a criança que Rey está esperando. Ela inclusive viu a mãe, como uma projeção na força." Ben rolou os olhos.

"Como uma ligação na força?" Espantou-se Dana.

"Exatamente! Pelo que tudo indica ela esteve no quarto de Rey na Primeira Ordem. Ela descreveu o local exatamente no padrão que seguem na Primeira Ordem. E ela nunca esteve lá, como poderia saber?"

"Sabe se ela pode fazer isso de novo?" Dana perguntou, Ben negou com a cabeça. "Dependendo da situação podemos localizar a nave da Primeira Ordem desta forma. Kira pode ser nossa chance."

"Hey. Espere, eu não quero que Kira seja usada desta forma." Ele se afastou um pouco, com certa agressividade na voz. "Nem pensem nisso."

Ben continuou a negar a ideia, alegando que não queria que a filha fosse usada como uma arma. Ele não queria que ela se machucasse, ou se sentisse pressionada de alguma forma. Era um jeito cruel de coloca-la nesse mundo da Força. Tão jovem e já fazê-la gastar tanta energia desta forma?

Por um tempo Dana tentou ponderar, mas ao fim pediu para que Ben pensasse de forma sensata na oportunidade. Não era sobre usar Kira de forma pejorativa, era sobre possuírem uma chance, talvez a única, de salvar a vida da mulher que Ben amava.

"Ben!" Chamou Luke, por último, antes de seguir rumo a suas atividades. "De toda forma, Kira precisa muito da sua ajuda. Ela tem um temperamento mais parecido com o seu do que com Rey. Fique bem, meu sobrinho!" E sorriu de modo singelo por fim.

Não havia muito o que se fazer por hora. Os aprendizes de Ren, que agora faziam parte da Tropa Especial da Primeira Ordem, juntos ao exército Imperial de Renesmy, treinavam no grande salão sob o auxílio dos Cavaleiros de Ren e alguns aprendizes que agora eram instrutores.

Renesmy estava entre eles. Andava de um lado pro outro com as mãos atrás das costas observando seus "filhos" treinarem. Ela era bem atenta, ao mesmo tempo cautelosa. Ela se importava com eles e fazia questão de acompanhar o desenvolvimento.

A tropa especial já era bem mais avançada, e Renesmy sentiu-se grata por tê-los auxiliando o novo exército, sua armada. Agora ninguém mais a destratava, nem sequer a olhavam com indiferença, e tudo parecia mais fácil de aguentar.

"Parem." Então a disse em um dado momento, todos olharam para ela esperando o que a lider diria. "Vocês!" Ela se dirigiu até os antigos aprendizes de Ren. "Para onde levam as pessoas que estão em processo de interrogatório?"

"Há uma secção especial próxima a sala de comando do General Hux." Um aprendiz respondeu.

"Mas Eslo não está lá, se é o que quer saber." Ela ouviu a voz de VanHale, que agora era uma das instrutoras mais habilidosas. "Ele está em uma cela comum."

"Obrigada VanHale." Renesmy respondeu. Nisso eles voltaram ao treinamento, então Rey aproximou-se da jovem para conversar em tom mais baixo. "Ele não deveria estar nessa secção do Hux?"

"Sim." Respondeu VanHale com cautela. "Mas parece que ele está sendo investigado por traição."

"Preciso falar com ele." Rey mordeu o interior da boca tentando aliviar o stress. "Vocês dois!" Ela disse mais alto agora apontando para dois de seus seguidores. "Venham comigo!"

Ela chegou até Eslo. É claro que haveriam troopers postados à frente da cela, dizendo para Renesmy que ela não poderia entrar. Então ela tomou um passo a frente de forma agressiva, com seus dois seguidores ao lado, com suas lanças já empunhadas. Ela levantou uma das sobrancelhas e disse:

"Viu o que aconteceu com o trooper que se atreveu a me enfrentar?" Nisso eles dois pararam por um tempo, ficaram quietos, até que por fim liberaram a passagem de Renesmy.

Ela viu Eslo sentado no canto da cela, com a face entre os joelhos até ouvir a voz da mulher e se aproximar com um olhar de esperança.

"O que faz aqui?" Ele perguntou exacerbado. "Eles vão pegar você! Rey, precisa sair!"

"Eslo, me escute!" Ela tentou conter o desespero do rapaz. "Precisa me dizer porquê eles te trouxeram para cá? Pode ter algo a ver com a aliança que me ofereceu?"

"Não... não..." A voz dele tremeu, quase gaguejou. "Snoke quer uma limpa na Primeira Ordem. Hux descobriu diversos nomes ligados a Resistência." Ele engoliu em seco.

"O seu nome?" Rey perguntou. "O seu está metido nisso?"

"Não!" Ele logo respondeu. "Rey, eles me pegaram porque descobriram uma ligação minha com membros da Resistência." Ele baixou os olhos. "Meus irmãos desapareceram, mas agora foram encontrados e eles estão na oposição. Hux está investigando todos que tenham algum tipo de conexão com pessoas fora da Ordem. Não sou o único."

"Eslo, eu vou te tirar daqui!" Rey afirmou. "Eu prometo. Não será agora, mas obrigada por isso. Eu darei um jeito de acabar com essa confusão, tudo bem?" Ele afirmou com a cabeça. "Há alguma chance de você estar se opondo a Primeira Ordem, Eslo?" Ela franziu o cenho, ele apenas baixou os olhos.

•••

"Tudo o que tem que fazer é respirar!" Dizia Luke para a pequena Kira de olhos fechados enquanto a menina permanecia sentada em suas pernas cruzadas tentando sentir algum tipo de alguma coisa.

Para Kira não era a coisa mais simples do mundo. Tinha a impressão, inclusive, de que todos a sua volta esperavam demais dela. É verdade que ela tinha habilidades especiais, mas o fato era que nunca antes houvera tentado manipular de uma forma voluntária.

Todas as vezes em que Kira se lembra de ter usado algum tipo de energia advindo da força, fora em situações de extremo stress e em que ela realmente precisava fazer alguma coisa para se proteger. Mas agora, sendo pedida para encontrar esse poder dentro dela, parecia muito difícil.

"Eu não consigo..." Ela baixou os olhos, franziu o cenho. Ben aproximou-se da pequena, abaixou-se em frente à ela.

"Sabe que não precisa fazer isso se não quiser, meu amor." Disse ele.

"Mas eu quero ajudar, papai."

Ele ofereceu a ela um breve sorriso e então se afastou novamente. Luke aproximou-se dessa vez.

"Sinta, pequena." Começou ele. "A Força não é algo palpável, nós sabemos. Ela existe dentro de cada um de nós, ela flui entre as coisas, entre a vida e a não-vida."

Kira ouvia atentamente as palavras de Luke, mas mesmo assim não conseguia progredir. Era doloroso, sofrido. Conectar-se com o irmão nunca foi algo que ela planejou, apenas aconteceu.

"Não dá, mestre Luke." Agora seu semblante era mais triste. "Eu não consigo..." Ela cruzou os braços e estava quase chorando quando a avó se aproximou e a abraçou.

"Tudo bem, tudo bem. Chega por hoje, é muita pressão sobre ela." A menina aconchegou-se no abraço de Leia, que repousou o queixo sob o topo da cabeça da neta.

"Me desculpa, vovô." Ela disse baixinho.

"Não tem que pedir desculpa, querida!" Respondeu em tom singelo. Olhou para Ben e ergueu um braço o convidando para se juntar. "Venha aqui." Ele então sentou-se ao lado da mãe e foi embalado por ela. "Minhas duas crianças!" Exclamou enquanto acariciava o cabelo de Ben e aninhava Kira. "Estamos exigindo demais de vocês."

•••

Renesmy seguiu seu caminho para finalmente se deitar ao fim de mais um dia na Primeira Ordem. Por hoje houvera esquecido há quanto tempo estava lá. Eram meses, tempo suficiente para seu filho estar quase nascendo e ao mesmo tempo para as responsabilidades sobre seus ombros terem crescido tanto.

O corredor era escuro e frio. Percorrido por portas que abrigaram os leitos dos Cavaleiros de Ren. E havia uma certa porta especial pela qual ela passou. Era a porta do quarto que abrigava Ben Solo, Kylo Ren... seja lá o que fosse.

Ela parou por um segundo, como se uma sensação ou energia a segurasse naquele lugar. Ela rolou os olhos pela extensão e desenho do material, lembrando-se da vez em que invadiu o quarto de seu mestre pensando em ajudá-lo a se livrar dos pesadelos... não fosse por esse dia ela não estaria com uma criança no ventre, um ser fadado ao sofrimento quando nascesse.

Haviam partes de Renesmy que se arrependiam disso. Mas havia uma outra que já não poderia mais viver sem esse novo filho.

Havia amor. A criança era sua única companhia agora, sendo sua única companhia por meses. Era ela quem ouvia os lamentos de Rey, seus desejos mais sombrios, suas vontades devastadoras. Era ela quem podia sentir o ódio que a mãe emanava pelo pai ao mesmo tempo que, em mesma intensidade, ela também podia sentir o amor que Renesmy não conseguia se livrar. Ben, de certa forma, consumia todos os sentimentos de Rey.

Então ela abriu a porta do quarto como um impulso que a chamou. Sem cautela, sem pedir permissão. Apenas conduzindo-a ao interior do local para que as memórias viessem.

Estava tudo muito calmo, muito vazio. Era a primeira vez que Rey entrava no quarto dele assim, sozinha. Sentia-se, de certa forma, como uma invasora. Kylo Ren, aquele homem, líder dos Cavaleiros de Ren, em algum outro contexto, teria sido o esposo de Rey Kenobi. Ou Palpatine.

Se ele tivesse contado a ela seus planos? Se ela houvesse aceitado? Será que estariam hoje ao lado da Primeira Ordem, os três - agora quatro - vivendo uma vida de glória e prosperidade? Teria sido Renesmy uma imperatriz ao lado de Ren? Teria ela sido uma absolutista? Estaria ela agora preocupada em libertar todos os escravos? Talvez não, pois talvez ela nunca teria se tornado uma escrava.

De toda forma, qualquer coisa era melhor do que ter a filha morta, mesmo que para isso tivesse que ter aceitado o lado sombrio quando Rey ainda era pura luz. Então o sentimento de culpa dentro dela também existia. Pois talvez não fosse apenas Kylo Ren o assassino de Kira, mas também sua esposa, que nada mais fez do que apenas insistir na luz.

Ou talvez... talvez ela poderia ter lutado mais? Quando Snoke deixou a filha em Jakku, por que ela não usou seus poderes? Por que ela não foi até o fim pela filha? A culpa era dela então? "A culpa também foi minha?" Ela se perguntou.

Então Rey desabou em seus joelhos no chão do quarto de Kylo. Mas afinal ainda havia uma esperança. Eslo podia estar falando a verdade, e dialogava exatamente com a conexão que ela teve com Ben, que insistia que Kira estava viva.

"Como eu pude ter sido tão burra?" Ela disse para si mesma.

Renesmy então andou pelo quarto, analisando cada detalhe do local que por uma noite houvera sido tão familiar. Estava tudo como Ren houvera deixado, exceto pela roupa de cama que tinha sido arrumada.

Havia ainda um guarda-roupa. Ela o abriu e algumas roupas antigas de Kylo estavam abrigadas ali. Ela tocou nos tecidos, delineou os fios com as pontas dos dedos, podia sentir o cheiro dele, de alguma forma podia. Ela fechou os olhos e trouxe uma das túnicas de Kylo para perto de seu nariz. Apertou a vestimenta contra ela mesma.

"Idiota, por que tinha que estragar tudo?" Havia uma mistura de raiva e desejo. De medo e amor. Conflitos dentro de si mesma em relação a seus sentimentos pelo ex ou atual ou futuro - já não sabia mais - marido.

Ela seguiu em direção ao leito, sentou-se sob o lençol enquanto as imagens de um passado próximo lhe faziam companhia. Viu-se ali deitada aos braços de Kylo. O dia em que sentiu a felicidade pela primeira vez desde que tudo ruiu. Ter Ben em seus braços seria a força da qual ela precisava. Estaria satisfeita se fosse só aquilo.

Mas Ben não estava mais ali para ela, devia estar ocupado demais aliado a Resistência. Afinal, todos traidores... mas Kira... e se Kira estivesse mesmo viva? Por que ela não conseguia confiar totalmente nas palavras de Eslo? E por que também não conseguia deixar de acreditar?

Pois a esperança dentro do coração de uma mãe é a coisa mais forte. A única coisa mais forte que o medo. E, de toda forma, o melhor era a dúvida sobre a vida da pequena do que a certeza de que ela não existia mais. Preferiu ficar com a dúvida.

Ela se deitou na cama, enrolando-se com os lençóis que encobriam a antiga cama de Kylo Ren. Ela podia jurar que sentia seu cheiro, sabia que era coisa de sua cabeça, mas o perfume específico e pessoal de Ben a enlouquecia naquele momento. Poderia tentar negar, poderia viver pelo propósito de se vingar dele mas, no fundo, ela sabia que não corresponderia as expectativas de Snoke em relação a Ben. Ela o amava.

Seu devaneio, porém, foi interrompido por um chamado. Era o fim do dia pelo que ela sabia, e o fato de ter que se reunir no salão do trono lhe pareceu preocupante.

Quando chegou avistou Snoke, os cavaleiros de Ren, uma leva de pretorianos, é claro, fazendo a guarda do velho lord e por fim Hux. Se o general estava ali era porque de fato se tratava de algo importante.

"Acredito que descobrimos a localização da base da Resistência." Hux disse e o coração de Rey no instante começou a pular. "Como foi previamente informado, nossas tropas seguiram em direção a D'Qar referente a última localização da base como sugerido por Renesmy." Ele olhou para ela. "Mas eles não estavam lá." Um frio atingiu a espinha se Rey, droga, ela não mentiu sobre D'Qar. "Como presumimos eles mudaram a base de lugar. Nos os pegamos enquanto tentavam invadir o sistema de comunicação da nossa base. Eles também estão nos procurando... o fato é que estão num planeta chamado Crait."

"É onde ficava a antiga base rebelde." Ela interrompeu. "Faz sentido, mas chega a ser estupido que tenham ido para lá."

"O fato é que temos a informação." Snoke declinou-se no trono. "Não espero que a escória Rebelde seja esperta."

"O que devemos fazer, líder supremo?" Hux perguntou.

"Iremos invadir o planeta, é claro." Rey engoliu em seco ao ouvir as palavras de Snoke.

"E o que faremos com o traidor?"

"O traremos para cá, claro." Respondeu Snoke com um sorriso maldoso no rosto.

"Ben é assunto meu!" Renesmy aproximou-se de forma agressiva ao trono. "Você prometeu!" Ela baixou o tom de voz quando percebeu que todos se assustaram.

"Tanto faz o que fará com ele, Renesmy. Temos que tirar o triunfo da Resistência e acabar de uma vez por todas com a escória rebelde da galáxia."

"Então temos a permissão para invadir o planeta?" Hux perguntou por fim.

"Sim." Respondeu Snoke.

A respiração de Rey agora estava ainda mais acelerada e ela tentava fortemente não transparecer. Estava acontecendo tudo muito rápido e ela não sabia como ia lidar. Mas havia uma única coisa que ela tinha certeza:

"Eu vou junto. Serei eu quem trará Ben Solo."



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