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História Here no more - Capítulo 28


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Notas do Autor


Pois eu voltei, siiimmmmmm.
Obrigada por todas as mensagens afetuosas me desejando melhoras, logo logo estarei 100% curada desse vírus horroroso. Vcs são fodas demais.

Capítulo 28 - Rolling Stone


Fanfic / Fanfiction Here no more - Capítulo 28 - Rolling Stone

Duff McKagan pov

Se passaram dois dias desde minha última crise de ansiedade. Chelle havia me socorrido, mas sequer conseguia olhar em meus olhos totalmente, desde então, reforçando cada paranóia minha, de que algo estava acontecendo, ainda que ela negasse o óbvio.

Eu havia fodido tudo, mas ela também tinha culpa nisso, e sabia disso. Nós transavamos como dois desesperados, após duas garrafas de vodka, e era apenas isso. Cada um deitado em seu lado da cama, e nenhuma palavra. Nenhum toque verdadeiramente amoroso. Apenas uma foda cansativa e tão monótona quanto as horas em que estávamos juntos. Isso era tudo o que tínhamos.

Poderia jurar que ela estava me traindo, mas seria injusto condena-la quando eu também estou, com aquela que é a mais difícil de largar. Com a única capaz de arrebata o coração, a alma, tudo. Tudo a primeira vista, apenas uma única vez, com uma única dose. A única capaz de ser intensa, completa e jamais decepcionar.

A bomba de Hiroshima que se materializa nos corpos vazios, de almas agonizantes.

A Heroína.

Considerei gastar meu tempo e disposição para segui-la, e assim desmascarar toda aquela merda. Expor a situação, e finalmente sair com a consciência “limpa”, se é que algum dia ela já foi assim. Mas para que, tanta euforia em descobrir o pior, se eu tinha aquela que jamais me trairia, jamais me causaria dor? Era burrice demais.

Aproveitava o tempo livre para injetar, é claro, e também escrever alguma coisa, mas o final sempre era o mesmo. Tentava compor sobre amor, mas sequer o conhecia, será que alguém de fato conhece? Tentava pensar em coisas bonitas, suaves, mas as vezes arrebatadoras.O amor violento o suficiente para te deixar sem ar, sem estruturas, sendo capaz de te fazer questionar sobre sua existência, ou aquilo que sempre acreditou, mas depois de um tempo, não faz mais sentido.

Sempre que pensava sobre isso, me frustrava, sabendo que jamais conheceria esse amor, vindo de uma pessoa real, que seria capaz de me amar na mesma medida. Mas a maior das frustrações, era a de sempre terminar com os olhos castanhos escuros, cravados em minha mente. Malditos olhos castanhos. Maldita Zoë Kravitz.

Zöe Kravitz pov

Sentia as mãos de Micke, o cabeleireiro da Rolling Stone, desfazer cada trança de minhas raízes, até as pontas de meus fios, me causando alívio imediato, por sentir meus cabelos finalmente, soltos por completo, longe de qualquer produto, ou tecido que o privasse de liberdade.

—Me lembro a primeira vez que sua mãe finalmente soltou as tranças e assumiu os cabelos naturais. Ela simplesmente se tornou minha inspiração número um. —ele dizia, enquanto suas mãos não paravam de trabalhar.

—Serio? Ela sempre me disse que as pessoas a atacavam muito por seus cabelos, chegou a perder muitos papéis por isso. —continuei, lembrando de minhas conversas com Lisa, quando nova, sobre questões que apenas nós duas entendíamos.

—Bom, o que você imaginava? Não haviam garotas como a nossa Lisa por aí, ela era a autêntica rainha Negra do pedaço, você sabe não é? Ela e seu pai foram muito importantes para toda essa coisa de orgulho negro e tudo o mais. —ele continuou, sem tirar os olhos do que estava fazendo. Me deixando completamente reflexiva sobre suas palavras, estava morrendo de saudades de Lisa. —Bom, tenho uma proposta a lhe fazer. —seus olhos cruzaram os meus, com ansiedade e expectativa, encharcando suas pupilas.

— Prossiga. —respondi séria, mantendo a pose de garota brava que a própria mídia, havia criado para mim. Não iria decepciona-los com isso.

—Esse mês, completam quinze anos do ensaio quente, que sua mãe fez conosco. Foi um sucesso, ela era simplesmente a mulher mais desejada de todo planeta! — pude jurar ver chamas de empolgação saírem de sua boca, ao fizer as palavras ensaio, e quente, na mesma frase. O que ele estava querendo?

—Micke, vá direto ao ponto, por favor. —minha intuição me dizia para cortar aquela conversa, mas como uma boa curiosa, a contrariei, me arrependendo imediatamente.

—Que tal recriarmos o ensaio, e de quebra, você homenagear a mamãe querida? —propôs, com o sorriso cheio de expectativa e os olhos quase saltando de seu rosto bronzeado, decorado por um batom goiaba nos lábios finos, e sombra coral nas pálpebras

Sua pergunta ecoava em minha mente, que estava estranhamente dividida entre aceitar, e perguntar se aquilo era uma espécie de piada. No que um ensaio quente consistia? Fotos de lingerie? Por deus! Porém, a ideia de homenagear o trabalho de mamãe, me deixava levemente inclinada a aceitar o convite.

—Em que consistem essas fotos? —finalmente perguntei, ainda contrariada, podendo ver seu amplo sorriso se transformar em uma chuva de comemorações da equipe de maquiagem.

(...)

Não conseguia acreditar no que a equipe de decoração havia feito com parte do meu quintal. O lugar estava completamente coberto, e iluminando, contendo algumas frutas sob uma mesa, uma cadeira ao meio, e um chuveiro em uma das laterais.

Os câmeras já estavam organizando seus equipamentos, organizando as lentes e a luz, enquanto Micke chacoalhava suas mãos em meus cabelos, o deixando mais volumoso, enquanto eu apenas vestia um roupão branco e grosso, escondendo as roupas minúsculas que vestia.

A primeira foto, vestiria apenas uma blusa de tecido levinho e quase transparente, combinando com uma calcinha branca e delicada. Os câmera mens me diziam o que fazer, enquanto Prince tocava de fundo, na tentativa de me deixar mais a vontade, coisa que não aconteceu.

Tentava lembrar de como mamãe parecia tranquila posando daquela forma, e tentei a imitar, mas todos ali sabiam que eu estava extremamente tensa, mas tinham medo de falar qualquer coisa.

—Zöe, querida, você gosta de champanhe? —Ouvi a voz de Micke, a pessoa que mais havia conversado comigo até o momento, me perguntar, segurando uma taça.

—Gosto, mas não bebo quando estou trabalhando. —respondi com dificuldade, sentindo a forte luz, quase me cegar.

—Mas quem é que disse que isso deve ser tão chato quando o seu trabalho, hum? —se aproximou, me oferecendo a taça. —Isso é arte, Isabela. Arte, apenas. Você já viu alguém homenageando o legado da mãe com cara de quem comeu um prato gelado de sopa de tomate? — suas mãos foram até sua cintura, e seus olhos eram rentes ao meu, tentando me passar confiança.

—Não estou acostumada a tirar a roupa em frente a estranhos, apenas isso. —me defendi, dando uma longa golada no líquido da taça.

—Então vou te dizer uma coisa, ouça bem... Você é um grande nome no que se refere a luta das mulheres. A mulherada te ama, diz que você fala e faz isso e aquilo para elas e blá blá blá. E está com vergonha de tirar umas fotos mostrando seu lindo corpo magro e bronzeado , sem um vestígio de celulite a esses pobres infelizes? Você me decepcionou, profundamente. —suas mãos foram até meu queixo, o erguendo, e logo ele saiu, me deixando sozinha.

Pensei sobre como ele era pago para me dizer aquelas coisas, e também como eu estava caindo em seu joguinho manipulador. Realmente tinha que homenagear minha mãe daquela forma? Seria um problema tão grande que me corpo estivesse estampado na capa de uma das revistas mais influentes da atualidade? Era realmente uma situação de crise? Droga, Chelle saberia o que fazer naquela situação.

Tomei todo o champanhe, e segui receosa, imaginando o que a maldita Rolling Stone diria de mim por aí. Eram apenas umas fotos, apenas isso, logo logo passaria, e todos estariam fora de minha casa. Força, Zoë.

Caminhei até a borda do que seria o cenário improvisado, com toda a coragem que me restavam, e o pouco da que o álcool me gerou, chamando atenção de todos ali, ao proferir as palavras, que nem eu mesmo havia programado dizer.

—Vamos acabar com isso, logo. —disse finalmente, tirando o grande roupão, e o jogando no chão, caminhando até o lugar indicado, apenas com uma calcinha box branca, enquanto meus longos cabelos cobriam meus seios.

Pude ver o sorriso de Micke surgir, e logo toda equipe já estava a postos, com suas lentes apontadas para mim. E como uma boa Kravitz, apenas os encarava, como se não fossem nada, se comparados a mim.

(...)

Era estranho posar nua. Era como se toda a curiosidade que as pessoas tinham sobre você, fosse saciada, preenchida, correspondida. Era a mistura de se sentir fodidamente bem consigo mesma, mas também contribuir com a hipersexualização dos corpos das mulheres. Estava dividida sobre isso, me sentindo linda e suja ao mesmo tempo.

Agora, que devidamente vestida, aguardava Harrison Anger, um inglês metido a fofoqueiro me entrevistar. Revisamos as perguntas que ele me faria, alguns minutos antes, o que me tranquilizou de certa forma,nada sairia do controle. Menos de quinze minutos depois, ele já estava com seu gravador ligado, e a relação das perguntas escritas, num papel pardo, que repousava sob seu colo.

(...)

Harrison sabia muito bem fingir simpatia e curiosidade por meu trabalho, ou mesmo por mim. Chegava a ser incrível como ele,com uma gargalhada, conseguia transparecer que éramos amigos de longa data. Me perguntou sobre meus pais, minha carreira, Nova York, e até mesmo, de uma forma muito respeitosa, sobre Karl, já que aparentemente, fomos “flagrados juntos” saindo do show de Rachel. Respondia tudo com muita tranquilidade, deixando que minha as respostas previamente formuladas, soassem o mais naturais possível.

—Então, querida, infelizmente seguimos para a última pergunta. Esta, não estava em nosso Script, espero que não se importe. —sua voz era provocativa, e seus olhos, me lembravam os de um predador em seu hábitat natural. Aquela era a área dele, não a minha.

—Muito bem, pode perguntar. —tentei soar tranquila, imaginando os possíveis assuntos em que ele poderia me arrasar, em apenas uma palavra. A ONU Mirim, as fotos divulgadas, as drogas, depressão, o quase abandono de Lisa, ou mesmo as recaídas de Lenny. A porra da minha imagem de mentira.

Minha cabeça doía, e meu coração acelerava, tentando pensar em uma resposta neutra para qualquer evidente desconforto. Tudo devia estar convincente, minha fala, meus gestos, tudo.

—Qual é a sua relação com Duff Mckagan? Sei que inúmeras teorias sobre os dois foram criadas, sobretudo após sua visita ao hospital daquele fatídico dia, em que, inclusive, você foi vista saindo da festa de Axl Rose, um de seus melhores amigos. —ele sequer piscava ao dizer. —Categorize sua relação com Mckagan para nós. —seu sorriso mais maligno se pronunciou, aguardando uma resposta digna de primeira capa.



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