História Heresy - Capítulo 3


Escrita por: e LadyHentai69

Postado
Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Beatrix, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Richter, Seiji Komori, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz", Yui Komori
Tags Anjos Caídos, Assassinato, Ayato Sakamaki, Blood!play, Dupla Personalidade, Erótica, Exibicionismo, Fetiche Com Sangue, Kanato Sakamaki, Laito Sakamaki, Linhagem Sanguinea, Mal, Noiva De Sacrificio, Paganismo, Perversão, Reiji Sakamaki, Romance Sobrenatural, Sadismo, Sadomasoquismo, Sangue, Satanismo, Sem Clichês, Sexo Explícito, Shu Sakamaki, Sonhos, Subaru Sakamaki, Submissão, Succubus, Suspense, Vampiros, Voyeurismo, Yui Komori
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Palavras 13.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Literatura Feminina, Magia, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Torment


Fanfic / Fanfiction Heresy - Capítulo 3 - Torment

"Você tem olhos que me conduzem
E um corpo que me mostra a morte
Seus lábios parecem que foram feitos pra algo mais; mas eles apenas sugam minha respiração
Eu quero sua dor para saborear o porquê de você estar envergonhada
E eu sei que você não é apenas o que me diz
E eu não sou o único momento do qual você é feita
Você é tão súbita e doce
Todas as pernas, juntas, joelhos
Cabeça fundida limpa, sua boca é paga
Foda-me até sabermos que é inseguro 
E nós pintaremos, por cima da evidência 
Eu quero você me querendo
Eu quero o que eu vejo nos seus olhos
Então me dê algo para ficar assustado
Não me dê algo para satisfazer"


Evidence ― Marilyn Manson


Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


~.~

H E R E S Y 

✝ Chapter II ✝

✝ Torment ✝

Ψ Capítulo II Ψ

Ψ Tormenta Ψ

~.~


Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


Europa Oriental, Romênia

Arredores de Rotbav (Comuna de Feoldiara — Distrito de Braşov)



O vinho tinto envelhecido derramou-se no cálice de prata repousado às mãos do homem pela terceira vez naquela noite. A sala em que encontrava-se possuía um ar antiquado, porém, era espaçosa, luxuosa, e cercada por antigos artefatos valiosos incrustados em ouro puro.

O clima lá fora continuava úmido e frio, bem típico daquela região escondida por entre as vastas florestas verdes e vales nas cordilheiras de Cárpatos. A construção no alto da montanha, que mais assemelhava-se a um castelo medieval, agora conseguia distinguir-se apenas por um pequeno ponto luminoso na imensidão noturna.

A vila mais perto dali era Rotbav, com seus aproximadamente 1.650 habitantes, localizada em meio às paisagens exuberantemente naturais da Transilvânia, a terra originária dos poderosos clãs de vampiros, como temos um exemplo descrito no conto "Drácula", de Bram Stoker. Ao contrário do que fora dito naquela narrativa fantasiosa, estes seres não preferem dormir em caixões no subterrâneo ou são vulneráveis a cruzes sagradas e alho. O homem ali presente sabia bem disto, sabia desde que escolhera seguir o legado de padre/caçador ainda na adolescência.

Seu rosto endureceu e um vinco formou-se entre os olhos acastanhados no momento em que voltou a encarar a fileira de senhores religiosos. Eram quinze, sem contar com ele próprio, ao redor da mesa de jantar esculpida elegantemente em madeira escura e coberta por recipientes de queijos cortados em pequenos cubos e pães de grãos.

— Seiji, tem certeza disto? Tem certeza que ela morrerá antes que o pior aconteça? — Novamente foi confrontado com autoridade por Gregory Constantin, o arcebispo romeno.

Os outros clérigos permaneciam quietos esperando a resposta do padre de cabelos cor de areia, estes já agraciados por alguns fios grisalhos resultantes dos muitos anos acumulados de carreira.

— Tenho. — Respondeu finalmente, repousando o cálice na mesa. Soltou um suspiro cansado ao olhar Gregory nos olhos. — Karl Heinz me enviará uma carta quando ela enfim falecer. Assim, poderei voltar ao Japão.

Não poderia dizer que essas palavras não o destruíram e entristeceram ao ser pronunciadas. A existência do amor paternal consumia seu coração apesar de tudo. O destino se mostrara cruel para com ele, tirando a única coisa que fazia-o encarar o mundo de forma diferente.

— Não acha que sua filha poderá vir a tornar-se uma companheira em potencial para algum dos filhos dele? — O velho e sábio bispo Nicolae pousou distraidamente a palma da mão esquerda com dedos cobertos de anéis de prata e ametista sobre o entalhe de tigre persa de sua bengala de apoio.

— Definitivamente não. — Seiji afirmou, recordando-se da época em que o segundo herdeiro, Sakamaki Reiji, lhe dera instruções precisas para aniquilar com sua própria mãe, Beatrix. Se aqueles filhos de Karl Heinz não tinham sentimentos nem por quem os havia gerado e dado à luz, tampouco teriam por uma garota humana desconhecida.

— Heinz demonstrou surpresa pela proposta ofertada ao que indica...

— Sim, ele me pagou bem demais pelo sacrifício feito... pelo sangue especial de Yui... Doei tudo para os pobres da igreja, não queria sujar as mãos nem por um segundo com aquele dinheiro, mesmo que esta atitude tomada não fosse me redimir. — Contou, sua voz chegando aos ouvidos alheios sem nenhuma emoção.

— Sabemos o quão foi difícil para você enviá-la no lugar da próxima noiva, mas, era o certo a fazer. — Tentou argumentar Vincent, o mais jovem caçador dentre eles, entretanto, não significou que o peso nas costas de Seiji diminuiu.

— Aquele demônio intitulado filha “Dela” iria levá-la de qualquer maneira... Eu não tive escolha... — Disse o mesmo — E nem coragem para matar a minha pequena Yui, mesmo já tendo o conhecimento de que ela era na realidade... Um ser repugnante. — Completou, asperamente.

Seiji somente pôde saber mais a respeito do passado de Yui através deste designado ser que o confrontou em pleno solo sagrado. A garota que havia criado como sua filha legítima nunca dera indícios do que guardava dentro de si nesses dezoito anos, algo realmente impressionante e assustador.

— O verdadeiro pai dela carregava os genes puros dos Primeiro Sangue nas veias. Isso é fato concreto. E a mãe... a mãe era uma cobra traiçoeira e vingativa pelo que sabemos... — Nicolae deixou o restante de seu pensamento pairar no ar.

Os religiosos pareciam nervosos em seus lugares, atentos a cada informação revelada. As luzes alaranjadas lançadas pelas velas nos castiçais de prata iluminavam suas expressões aflitas. A reunião estava se prolongando mais do que o habitual. Isso não era agradável.

— Se essa garota herdou tantas qualificações assim, não seria melhor simplesmente matá-la de uma vez? E se o vírus de vampiro entrar em contato com a células dela? Já imaginaram a possibilidade de um "Despertar"? — Um deles indagou — Vão confiar em um bando de sugadores de sangue?! Vamos confiar em Karl Heinz?!

— Não se precipite, Kaios. Essa foi a decisão tomada por Seiji, leve em conta que a menina foi criada como filha dele. — Lembrou-lhe o arcebispo, autoridade maior no salão.

O moreno de olhos azuis que falara anteriormente suspirou e abaixou a cabeça. O senhor então voltou-se para Seiji com um olhar severo, e continuou:

— Se algo der errado, você será o único responsável em acabar com a raiz desse mal. E fará isto antes que tudo torne-se uma catástrofe. — Deu-lhe o ultimato — Você foi treinado para este propósito. Não se esqueça.

— Eu tenho plena noção da minha situação, Gregory. — Respondeu-o — Não irei falhar em hipótese alguma. Mas, por ora, me concentrarei somente em exterminar os seres daqui.

Sim, era verdade que os ataques vinham aumentando absurdamente nessa região. Seiji recordou-se da memória que não o deixara dormir na madrugada anterior. Uma garota extremamente parecida com sua doce Yui havia sido assassinada de modo cruel, tendo seu sangue sugado até a última gota por um vampiro. Ele aproveitou-se do fato que a moça dormia e invadiu-lhe o quarto na tentativa de saciar sua eterna sede. Ao contrário do que rezavam as lendas humanas, esses seres amantes da noite não precisariam ser convidados para entrar em um determinado local.

O padre fechou os olhos, cansado. O pior era saber que, provavelmente, esse também seria o verdadeiro final de sua filha na mansão Sakamaki. Porém, sacrificá-la significaria poupar a Terra de uma possível guerra sobrenatural que traria o temido "Fim dos Tempos", e dentre as opções apresentadas, o preferencial sempre foi continuar salvando a vida dos inocentes e lutando contra o mal…

No alto daquele céu enegrecido, a lua cheia brilhava em todo seu glorioso esplendor, lançando timidamente sua luz tênue e prateada para dentro da imensidão do quarto. Uma leve brisa soprava através das janelas altas da sacada, fazendo as imaculadas cortinas brancas de linho dançarem no seu ritmo gracioso.

A presença do vampiro logo revelou-se dentro do cômodo em contínuo silêncio. Seu rosto estava inexpressivo, porém, a atenção cravada na garota imóvel. Yui permanecia num estado beirando a inconsciência no emaranhado dos lençóis claros da cama, recuperando-se da última vez em que fora sugada por algum de seus irmãos.

O mais provável, perdida no caloroso e doce mundo dos sonhos. Inegavelmente, esse era o único momento em que ela poderia ter um pouco de paz e escapar da realidade sombria em que vivia. Três longos e dolorosos meses haviam passado-se desde que botara os pés na casa Sakamaki. Depois daquela situação desastrosa na noite de sua chegada, o destino encarregou-se de torná-la a protagonista de seu próprio pesadelo.

Os olhos verdes ferais de Ayato examinaram seus belos traços angelicais. Os pesados e inefáveis cachos loiros espalhando-se sobre os travesseiros, os semiabertos e tentadores lábios em formato de coração, aquela expressão serena banhada somente pela claridade pálida da lua...

Completamente frágil, indefesa... a qualquer ataque.

A boca do ruivo salivou ao notar a fina camisola cor de neve que cobria-lhe revelar partes dos seios delicados e firmes. Os mamilos rosados e pontudinhos, por culpa do clima gélido da madrugada, roçando contra o tecido leve e quase transparente da seda. Tão deliciosa.

E, oh sim, o cheiro... Aquela fragrância irresistivelmente adocicada que desprendia-se de sua pele macia e convidativa, deixando-o entorpecido só de pensar em prová-la, em violar e desfrutar de todo seu frágil corpo naqueles lugares onde jamais alguém a havia tocado. Entrar por aquelas leitosas coxas e rasgar sua virgindade, ouvindo-a gritar de dor e de prazer a plenos pulmões. Ouvi-la gemendo o seu nome descontrolada, transbordando de desejo...

Ayato precisou desviar o pensamento num meio de conter a própria excitação. Tamanho era o efeito que a jovem, doce e suculenta pequena Yui lhe causava. Somente a ideia de tê-la assim, toda chorosa e entregue a ele, fizera seu sangue ferver. Isso apenas contribuiu para o aumento de sua sede. Estava quase tão insuportável quanto naquela primeira noite...


† •B• •L• •Ø• • Ø• •D• †

{Três meses atrás}

† •B• •L• •Ø• • Ø• •D• †


"Por quanto tempo eu dormi...?" — a loira questionava a si mesma em pensamento.

Seu corpo estava tão mole que até colocar-se sentada sobre aquela espaçosa cama macia fora difícil. Sua cabeça dava voltas e mais voltas, assim como seu estômago, apesar de não ter ingerido absolutamente qualquer tipo de alimentação já fazia um bom tempo.

Havia algo no ar, bloqueando seu raciocínio. Aquilo tudo... Os rostos, a dor, o medo opressor concentrado na medula de seus ossos...

A garota levou ambas as mãos à cabeça agarrando os fios claros e ondulados dos próprios cabelos com frustração, tentando inutilmente cessar as pontadas fortes que recebia.

O que acontecera realmente...?

Respirou pesado. Sua garganta estava seca, assim como os lábios que tremiam de leve.

Os olhos róseos — apesar da baixa luminosidade — forçaram-se a focar em um ponto fixo naquele imenso cômodo. Tudo ali era extremamente luxuoso, desde os requintados móveis de mogno até o lustre de ouro e cristais decorando o teto.

As lembranças anteriores inundaram sua mente como um baque. Por mero reflexo, tocou o pescoço nervosa. Graças ao bom Deus, não existiam marcas de mordida em sua pele. Suspirou aliviada.

Seu olhar vacilante então recaiu por sobre o que vestia: uma camisola branca na altura dos joelhos com detalhes bordados nas mangas, na barra, e cheia lacinhos de cetim cor-de-rosa.

Não lembrava-se de ter trocado suas roupas em nenhum momento. Será que havia sido um deles?

Suas bochechas ganharam um tom rubro naquela mesma hora ao pensar na possibilidade e ela baixou o rosto para as mãos pálidas.

— Senhorita? — Leves batidas na porta a interromperam.

— E-Entre. — Sua voz tremeu um pouco, puxando parte do lençol que cobria-se para junto do peito. Observou a governanta entrar carregando uma bandeja de prata, repleta de comida e contendo um pequeno bule de chá, e depositá-la sobre o móvel revestido de veludo creme aos pés da cama de dossel.

— O senhor Reiji me pediu para trazer à senhorita. Imagino que esteja faminta depois de uma viagem tão cansativa. — Disse-lhe, calmamente, uma vez que a jovem permanecera calada — À propósito, sou Juliet, a empregada responsável por cuidar do bem estar das novas Noivas. 

A senhora de longo vestido negro austero andou até a cômoda próxima e serviu um generoso copo d'água fresca da jarra de cristal deixada mais cedo ali por si mesma, enquanto a jovem permanecia a dormir.

— Bem, você é inteligente e bonita, não é? — Entregou-lhe o copo, que foi prontamente aceito, olhando-a de cima a baixo de forma analítica, os lábios finos e secos curvando-se num sorriso enquanto a pele frágil ao redor dos olhos dobrava-se nas laterais. Era a primeira vez que Yui a via sorrir. Chegava a ser mórbido. — Jovem, forte, com um corpo saudável, imagino. Quantos anos tem, senhorita?

— D-Dezoito. Fiz aniversário recentemente. — Yui devolveu-lhe o copo vazio depois de beber, satisfeita por ter livrado-se daquela secura desagradável na garganta, encarando seus olhos de tonalidade azul-piscina.

— Oh, claro, claro... — Juliet concordou, assentindo com a cabeça, ainda mantendo o sorriso — Creio que vá se dar muito bem nessa casa, com os patrões... Vai sim.

Yui não conseguiu interpretar o que ela queria dizer com aquilo, mas sentiu-se desconfortável, como nunca antes esteve.

A mulher levou o copo novamente até a cômoda, posicionando-o junto da jarra acima da tolha de crochê caprichosamente bordada — Caso tenha perguntado-se quem a trocou após seu desmaio, não preocupe-se, foi eu mesma, senhorita. Nenhum deles a tocou ou a viu. — Informou, encaminhando-se para o gigantesco armário de madeira escura na outra extremidade do quarto, abrindo suas portas distraidamente e puxando um cabide com o que assemelhava-se à uma farda escolar — Há muitas camisolas clássicas como essa que está vestindo no seu armário, além de espartilhos e lingeries mais modernas e sofisticadas que os patrões apreciam bastante no corpo das novas noivas. — Contou, também escolhendo um par de meias brancas e de sapatos tradicionais — Basta escolher uma de seu agrado nas gavetas. As roupas que trouxera na mala também já estão lá dentro, tomei a liberdade de organizá-las por mim mesma, espero que não tenha incomodado a senhorita. — Desculpou-se, trazendo o uniforme e depositando-o cuidadosamente sobre os lençóis.

— D-De nenhuma maneira. Agradeço-a. — Juliet pareceu satisfeita com sua resposta — Meus pertences…? — Ergueu o rosto para a governanta em uma expressão ansiosa e preocupada.

— Estão na segunda gaveta da cômoda à sua direita. — Tranquilizou-a — Agora coma e depois dispa-se, senhorita. Com sua licença; irei preparar o seu banho para que esteja pronta na hora certa para o colégio. 

— Colégio? Tão tarde? — O semblante da loira transformou-se em pura confusão.

— Sim, a partir de agora a senhorita também passará a frequentar a mesma escola noturna que os senhores Ayato, Raito, Kanato e Subaru. Isso é tudo que precisa saber por ora. — Juliet explicou — O carro sai às 19h30min, então é esperado que não se atrase. O senhor Reiji é rígido quando se trata de horários e pode querer puni-la por isso.

Essas foram as palavras ditas pela governanta, antes de desaparecer por uma segunda porta dentro do cômodo, provavelmente a suíte do quarto.

Ignorando a comida e o chá na bandeja, Yui levantou-se da cama e caminhou descalça até o armário alto, curiosamente verificando seu conteúdo bem organizado e dedilhando através dos cabides repletos de roupas novas, que iam desde camisetas simples até vestidos indiscutivelmente exuberantes e magníficos, além de algumas das suas próprias peças antigas que trouxera para a viagem. Puxou uma calcinha de seda extremamente minúscula e de aparência bastante cara, ainda contendo sua etiqueta de compra. Fechou a gaveta rapidamente, alarmada. Deus.

Lembranças da noite anterior voltaram a passar como um filme de horror diante de seus olhos. Yui engoliu a seco. As ameaças deles ecoavam em sua mente de forma assustadora, junto a arrepios. Ela nunca sentira tanto medo e impotência diante de uma situação em toda sua vida. Nos pensamentos, clamava para que seu pai voltasse logo e a tirasse daquele lugar. Seria tudo um sonho bizarro? Estaria dormindo por todo esse tempo, criando um mundo fantasioso do qual nem mesmo ela possuía o controle?

Certamente, não. Aquilo era real. Estava encurralada e presa numa mansão, a mercê de vampiros.

— Papai... Por que me deixou vir para um lugar como esse? — Sussurrou, sentindo os olhos arderem pelas lágrimas não derramadas.

Yui havia feito exatamente como fora instruída por Juliet; banhou-se e vestiu-se com a farda escolar deixada pela governanta sobre os lençóis: uma saia preta semi-plissada com detalhes de botões dourados e babados brancos na barra, um colete e um blazer com o que parecia ser o emblema do colégio na parte superior da lapela — as duas peças também nas cores pretas —, uma camisa branca com um laço à frente do peito e um outro vinho adornando a gola, acompanhado dos sapatos tradicionais e meias abaixo dos joelhos.

Fitando o seu reflexo cabisbaixo no espelho da penteadeira, tentou colocar um pequeno sorriso nos lábios. Desistente com qualquer tentativa de parecer melhor, pegou sua bolsa e seguiu para onde havia sido indicada mais cedo, agradecendo mentalmente por não ter se perdido.

O caminho para o colégio não parecia ser tão longo, no entanto, para Yui durava uma verdadeira eternidade. A atmosfera dentro daquela limusine era densa, pesada e, ao mesmo tempo, absurdamente quieta.

Todos ali eram irmãos, não? Por qual razão será que não se davam bem?

Pareciam fazer esforço para suportarem a presença uns dos outros... Era sem dúvidas algo estranho, e aquele questionamento causava certo incômodo na garota. Ela procurou manter os olhos baixos o restante do trajeto, sem querer arranjar problemas.

Ryoutei Academy aparentava ser um colégio caro e prestigiado. Yui pôde constatar isto por si mesma quando a limusine enfim estacionou na entrada, diante do enorme edifício acinzentado com janelas envidraçadas a perder-se de vista.

Um a um, os mais jovens saíram do veículo preto. Mas quando estava prestes a levantar-se e segui-los, a loira fora impedida por Reiji. Ele e Shuu haviam concluído seus estudos colegiais no ano passado, portanto, agora frequentavam regularmente a Universidade de Tokyo, a mando do pai. Shuu preferira estudar música, como o esperado, enquanto Reiji cursava Biomedicina com todos os méritos.

— Senhorita Komori, você está na mesma classe que Ayato e Kanato, então trate de segui-los quando adentrar o prédio. — Explicou, entregando-lhe a grade de horários com as matérias que ela cursaria durante o resto da semana, encarando-a com seu olhar indiferente, gélido e ameaçador — Já sabe exatamente como terá de se portar e o que deverá fazer conforme lhe foi dito anteriormente. A menos que você queira uma bela surra ao chegarmos em casa, não tente nada imprudente, entendeu?

— Sim. — A garota emitiu baixo e encarou os sapatos acastanhados em concordância.

Quando finalmente abandonou o automóvel, imediatamente sentiu os olhares recaírem sobre ela, a grande maioria por parte do público feminino que havia parado para admirar a chegada dos Sakamaki. Alguns transmitiam curiosidade, entretanto, outros pareciam bastante incomodados e confusos em notá-la. Enquanto andava em silêncio, suas bochechas iam corando em consequência, sempre odiara ser o alvo de fofocas.

Após passar por uma tradicional apresentação constrangedora na frente da turma dois do terceiro ano e do professor, Yui ocupou uma carteira escolar vazia localizada na última fileira de estudantes, praticamente encostada na parede do lado de dentro.

Estava nítido que a maior parte dos presentes ali ainda a encaravam e cochichavam uns com os outros a respeito da "novata" e com "quem" ela havia chegado. O professor logo tratou de cessar os murmúrios desnecessários e deu início a sua lição.

— Bem, agora abram seus livros na página 72. — Ele dizia ao mesmo tempo que virava-se para o quadro negro e começava a escrever o assunto da aula em uma caligrafia elegante.

"História do Japão."

A loira sentiu o possível olhar de alguém pesar sobre si, e muito incomodada com aquilo, desviou os seus olhos róseos do caderno de anotações em sua mesa para a outra extremidade do cômodo discretamente, local onde se encontravam as três enormes janelas de vidro e por "coincidência" também eram os lugares de Ayato e Kanato. O ruivo, diferente do roxeado a mais quatro carteiras de distância à sua frente na fileira vizinha, ocupava definitivamente o último lugar. As mãos de Yui tremiam de nervosismo ao encontrar o brilho traiçoeiro naquele olhar e perdeu o fôlego por um instante. Ayato continuava a encará-la de volta com intensidade, abrindo outro de seus sorrisos arrogantes e maliciosos. Kanato parecia não ligar muito para o que acontecia ali dentro, apenas segurava seu Teddy e, por diversas vezes em meio às falas do professor, lhe confidenciava segredos sussurrados ao ouvido quase imperceptivelmente.

Os cachos loiros da garota esconderam seu rosto quando ela, de imediato, voltou a baixá-lo, fixando a atenção na matéria. Depois de um curto período de tempo, seu olhar cuidadoso pousou novamente no vampiro ruivo. Suspirou agradecida ao notar que o mesmo dormia debruçado sobre a própria mesa, sem dar a mínima à ninguém.

O restante dos alunos agora faziam silêncio, concentrados em suas tarefas. Yui ainda estava surpresa — e bastante aliviada — em perceber que os outros estudantes eram normais (humanos), afinal, desde que recebera a notícia de Juliet anteriormente, o pensamento de que passaria a frequentar uma escola de vampiros ou algo semelhante lhe perturbou os nervos.

Havia passado-se três aulas, até que o barulho estridente de uma cadeira sendo arrastada com brutalidade a fez saltar de susto no próprio lugar. Sua atenção, assim como a da maioria dos presentes, fora atraída para um Ayato irritado, que já andava em direção à porta.

— Tch! — O vampiro resmungou, seus olhos incrivelmente verdes por um segundo detendo-se nela. Acordara com fome e o adocicado perfume de Yui impregnando e sobressaindo no ar ambiente não estava ajudando em nada.

Ele saiu da sala de aula sem dar quaisquer satisfações, nem mesmo ao professor que esboçava uma expressão zangada e mantinha os lábios crispados em desaprovação pela insolência aparente do rapaz. Não seria a primeira vez que isto acontecia, este Sakamaki sempre foi — e era — um caso difícil de lidar em suas aulas, porém, o homem mais velho sabia que confrontá-lo não adiantaria de qualquer maneira. Já perdera as contas de quantas vezes o tinha enviado para o diretor por conta de seu comportamento ruim.

— Continuando... — Supirou e bateu leves palmas, incitando os alunos a voltarem aos seus deveres.

Yui apertou os lábios, o olhar faminto que Ayato lhe lançara segundos antes de sair ainda causava-lhe arrepios pelo corpo.

Passado-se mais um tempo, a sineta indicando o intervalo soou. De olhos baixos, Yui juntava seus materiais e começava a arrumá-los com calma.

— Olá?

— O-Oi. — Respondeu tímida, levantando os olhos para observar a garota de orbes azul-esverdeados diante de sua mesa.

— Prazer, sou Hayashi Misa, a representante da nossa turma. — Ela apresentou-se, abrindo um sorriso simpático ao estender a mão para educadamente cumprimentá-la. Yui retribuiu o gesto um pouco acanhada.— Bem, vamos? Kaname-Sensei me pediu para vir ajudá-la, já que é nova e ainda não conhece nada por aqui...

— Oh, sim. Agradeço, Misa-San. — Yui assentiu com um risinho. Seria um alívio pelo menos, uma vez que Kanato saíra lhe dar importância. Se dependesse de qualquer um dos outros irmãos Sakamaki, ela provavelmente ficaria perdida pelos corredores como uma boba.

Misa tinha uma pele pálida bem parecida com a sua, percebeu; seus cabelos eram lisos, com nuances cor de mel que refletiam nos fios castanho-acobreados que chegavam tranquilamente na altura de sua cintura, junto da franja reta cortada na linha das sobrancelhas. 

Nesse momento, a Komori notou algo que atraiu sua atenção no pescoço da garota, uma espécie de colar/gargantilha preta com um pingente prateado no formato de estrela adornado por um círculo. Uma espécie de símbolo. Símbolo esse de significado bastante conhecido, típico de religiões e de rituais pagãos: o pentagrama.

A loira abriu a boca, mas logo a fechou. Ela não poderia reconhecer o que era aquilo, não é?

Misa, ao perceber que Yui atentamente o analisava com uma expressão confusa, escondeu-o totalmente por dentro da roupa de modo discreto.

— Ei, Yui-San! Venha rápido, senão iremos perder o intervalo! — Ela enlaçou seu braço no da loira, e antes que a mesma pudesse ter algum tipo de reação, começou a arrastá-la para fora da sala também.

— Você é prima de segundo grau deles, não é? — A representante perguntou com ar despreocupado, enquanto andava ao seu lado no corredor.

— E-Eh...? — Yui quase engasgou de susto ouvindo aquela indagação repentina. Ela não tinha dito absolutamente nada disso à ninguém. Como Misa poderia saber desse detalhe sobre seu suposto "parentesco" com os irmãos Sakamaki?

— Ah, me perdoe por ser tão direta... — Seus lábios cobertos de gloss incolor curvaram-se em um sorriso constrangido, de forma que suas bochechas coravam em consequência — Eu meio que li sua ficha de matrícula, então...

— Perdão?! — Yui abriu a boca definitivamente surpresa. Havia entendido direito? Aquilo não deveria ser confidencial?

— Oh, não se preocupe... — Misa riu baixinho da cara de espanto da garota — Eu estou ajudando a transferir as matrículas dos alunos para o sistema, bem, é uma espécie de trabalho extracurricular na minha função de representante.

— Uh, sim... — Yui assentiu e comprimiu os lábios, escolhendo as palavras para tentar dar uma explicação que ao menos parecesse convincente — M-Meu pai viajou para o exterior e me deixou por um tempo aqui aos cuidados desses nossos parentes... Eu... Eu não os conhecia antes dessa ocasião. — Complementou, temendo ter falado qualquer coisa desnecessária. Bem, decerto modo não chegava a ser uma mentira, hum?

— Então quer dizer que... Você nunca teve convívio próximo com eles...? — Misa arqueou as sobrancelhas castanhas e entreabriu a boca numa expressão curiosa, mas logo notando o leve incômodo da outra ao falar daquele assunto parou — Desculpe-me novamente. Acho que estou sendo muito invasiva e inconveniente... — Sorriu sem graça.

— Tudo bem. — Yui retribuiu com um sorriso amigável — Obrigada por me ajudar, Misa-San. Estaria perdida sem você para me mostrar os lugares.

— Disponha. — Riu.

As duas escolheram o primeiro degrau de uma escadaria para comer seus lanches anteriormente comprados em uma hanbaiki. A loira agradecia mentalmente por não ter encontrado nenhum de seus "primos" pelo caminho naquela determinada parte da escola.

— Olá, Misa-San! — Algumas estudantes cumprimentaram a garota ao seu lado enquanto passavam por perto.

Isto se repetiu um bocado de vezes em relação aos alunos, bem, Misa era extremamente bonita e simpática então até podia-se compreender um pouco.

— Uau... Você parece ser bastante popular por aqui. — Yui observou sorrindo timidamente.

— Haha, não tanto quanto os seus primos! — Ela levou o indicador ao queixo pensativa — Digamos que eles lideram o ranking na Lista da Perdição… Recordando, acho que era ainda pior quando Reiji e Shuu ainda frequentavam o colégio.

— "Lista da Perdição"? — A loira replicou confusa.

— Yep. É uma lista que as meninas fazem com os nomes dos garotos mais lindos que estudam aqui, os verdadeiros "príncipes" do colégio. — Misa deu um gole em sua Diet-Coke e sorriu.

— Ah, entendi.

— Acredita em vampiros, Yui-San? — Misa atraiu sua atenção.

— V-Vampiros?! — A loira quase engasgou com o suco de cramberry que tomava. Por que ela tocara nesse assunto tão de repente?

— Aham. Sabe... existe um rumor que corre aqui em Ryoutei Academy... — A acastanhada sussurrou, tentando manter um tom "sombrio" na voz — Dizem que eles costumam atacar as garotas nos andares vazios durante o decorrer da noite... Claro, eu não acredito, mas é o que reza a lenda...

— Lendas são apenas lendas, certo? É uma besteira pensar que essas coisas existem... — Yui respondeu baixo, desejando poder acreditar inteiramente no que sua voz havia acabado de afirmar.

— Exato. Eu... — Misa começou, sendo interrompida pelo barulho da sineta indicando o final do intervalo — Ah... — Olhou seu relógio de pulso e fez uma careta — Yui-San, sinto muito, não poderei ficar com você e te mostrar o restante da escola. Terei uma reunião no conselho de salas agora...

— Err... Tudo bem, Misa-San. Eu vou voltar para a classe, não se preocupe comigo.

— Certo, então até amanhã! — Acenou-lhe com um sorriso de desculpas.

Yui respirou fundo e começou a caminhar em direção a ala do terceiro ano. Ela não estava matriculada em nenhum clube, portanto, teria o próximo período livre. Até almejou conhecer um pouco mais do campus sozinha, mas o medo de encontrar algum deles pelo caminho sem a companhia de Misa a deixava aterrorizada. Então apenas decidiu que seria melhor ficar por ali mesmo, talvez fazendo isso se acostumaria mais rápido em frequentar as aulas no período noturno.

A ideia de fazer amigas começara a florescer no coração da Komori, e bem, de alguma maluca forma, pensou que poderia se acostumar em viver ali. Afinal de contas, era sua única escolha, não era?

Afogada em seus pensamentos, deitou a cabeça numa carteira. Um pequeno "click" foi ouvido pela mesma assim que o fez.

— Hã? O-O quê?! — Arregalou os olhos, notando a aparente escuridão dentro do cômodo.

A garota levantou-se da mesa que ocupara para descansar e tateou a parede próxima até finalmente encontrar o interruptor.

Suspirou aliviada no instante que o achou, e com insistência, conseguiu voltar a acender as luzes.

Que diabos estava acontecendo ali?

— Buh!

— Kyaah! — A loira soltou um gritinho de susto, sentindo a respiração do vampiro soprar em sua orelha, as mãos grandes agarrando sua cintura pequena por trás.

— Ei, não grite assim...

A voz de Ayato continuava baixa e aveludada, porém, o tom cortante e perigoso era tão ameaçador quanto a lâmina afiada de uma adaga.

Yui conseguiu se desvencilhar e correr para perto de uma das janelas, do outro lado da sala de aula. A cada vez que recuava, o ruivo avançava em sua direção. Os passos lentos e decididos, acompanhados daquele seu sórdido sorriso a faziam gelar.

— Por que está fugindo? Seu cheiro esteve me enlouquecendo desde ontem... — Ele a encurralou totalmente — Eu não posso mais me segurar... Me deixe provar você.

— Não... Por favor... — Ela sussurrou assustada, colidindo de costas contra uma das paredes gélidas do cômodo. Mas o olhar verde lançado sobre si não mostrou piedade. Apenas delícia selvagem.

Esse era o fim da linha.

O ruivo envolveu sua cintura, puxando-a contra si. Levou a mão direita até o queixo de Yui e segurou-o com firmeza, virando seu rosto para o lado, exibindo seu pescoço branco de uma vez.

— Sua pele parece deliciosa sem quaisquer marcas de presas. Significa que eu serei o primeiro então... — Ele soltou seu queixo e agarrou seus cabelos, fazendo-a pender a cabeça ainda mais para o lado e lhe dar total acesso àquela região. O ar sério e cruel não abandonara seus olhos de malaquita em nenhum momento.

Ele aproximou o rosto do pescoço dela, encostando os lábios naquela pele macia, e esfregou-os ali, achando a artéria.

— Por favor, não faça isso... — Yui voltou a implorar, sua voz falhava. A cada vez que a respiração compassada do vampiro batia em seu pescoço, sentia um arrepio lhe percorrer em consequência.

Ayato uniu as sobrancelhas e sorriu sarcástico.

— Não gaste sua voz me implorando pra parar, porque eu não vou em hipótese alguma... — Sussurrou maldosamente em seu ouvido — Seus esforços serão todos inúteis, presa...

A loira tremeu.

Um som arranhado de dor fugiu de sua garganta assim que os caninos afiados do vampiro atravessaram sua pele e rasgaram sua carne. O sangue quente fluindo impiedosamente para a boca do ruivo. Deus, aquilo estava acontecendo mesmo? Era real?

Ayato desvencilhou-se do pescoço da loira por um segundo, totalmente fascinado; as íris esverdeadas brilhando em júbilo, como as de uma criança que ganhara um brinquedo muito interessante. Yui contraiu os lábios. A dor ardente que os furos deixados em sua pele causaram era quase insuportável!

— Doce... O que é isso? É mais doce do que qualquer sangue que eu já provei...

A dor da mordida seguinte a fez chorar e gemer de dor, sons graves de satisfação e completo deleite emergindo da garganta do mais alto e retinindo em seus ouvidos enquanto este saboreava mais do líquido quente e aparentemente delicioso presente em suas veias.

— P-Pare, p-por favor, Ayato-San! D-Dói...! — Implorou, os olhos cheios de lágrimas — Ugh... Pare! Me solte! — Tentou empurrá-lo, juntando o máximo de força que podia. O que era quase nada em comparação a dele, mas que ao menos serviu para desvencilhá-lo por ora de seu pescoço.

— Garota idiota. Certamente vai doer ainda mais se você ficar se mexendo desse jeito. — O ruivo a encarou, limpando a boca com as costas da mão. Um sorriso cínico e doentio desenhava suas feições, demostrando verdadeiro prazer na imagem que via, dada sua natureza diabólica. — Essas lágrimas e essa expressão cheia de dor no seu rosto realmente me agradam...

Cruel...

Ayato voltou a se aproximar, empurrando-a contra a parede, colando seu corpo ao dela. Yui tentou se debater, sair daquela situação, entretanto, o ruivo foi mais esperto e pegou ambos seus pulsos, segurando-os acima de sua cabeça com apenas uma das mãos. A perna direita do mesmo se colocando entre as dela; a loira estava completamente imobilizada.

— Ayato-San?! — Ela arregalou os olhos de pavor quando a mão livre dele subiu até o primeiro botão de seu uniforme escolar.

— Cale a boca, Tábua. A única culpada disso é você. — Num puxar, Ayato deixou aquelas peças de roupa inutilizáveis para sempre.

— N-Não!

Ela comprimiu os lábios e fechou os olhos com força, desejando que tudo aquilo não passasse de um sonho. A mão larga do ruivo novamente desceu, percorrendo sua coxa por baixo da saia preta, apertando-a a fim de chegar a marcar a pele leitosa dela de vermelho.

A perfuração dolorosa no seu pescoço e a sensação do sangue sendo tirado sem controle de seu corpo a fizeram desmaiar em alguns poucos minutos nos braços do vampiro, entregando-se de vez à escuridão.

Os olhos de Ayato ainda encaravam o rosto angelical da garota adormecida ao ter breves vislumbres da lembrança ocorrida há alguns meses. O desejo voltou a tomar conta dele como um impulso descontrolado.

Ele fora o primeiro a perfurar sua pele branca e deixar marcas tanto no corpo quanto no coração de Komori Yui, e disso, ninguém poderia dizer o contrário. Ela era sua. Tinha de ser somente sua.

Desde o princípio, o rapaz jurou a si mesmo que faria a garota desejá-lo, unicamente a ele. Cuidaria para que ela clamasse por seus toques, que implorasse para sentir suas presas cravarem-se em seu fino pescoço todas as noites. Não permitiria mais que seus "amados" irmãos passassem por cima de sua possessão e colocassem as mãos em algo tão valioso e saboroso como ela.

"Porra! O que você fez comigo?!"

Sim, Yui despertava algo nele. Algum tipo de sensação nova, que fazia-o ficar cada dia mais dependente de sua presença, e isto era tão confuso...

Decerto modo, Ayato também odiava aquele sentimento que havia se formado em seu peito, pois, sabia que, no fundo, não tratava-se apenas de uma forte atração ou uma simples obsessão pelo líquido escarlate correndo nas veias da humana.

Repentinamente, Yui chamou por seu nome dentro da semi-escuridão do quarto e por um segundo ele achou que a loira havia acordado de seu profundo sono. As suas pálpebras tremiam de leve e sua expressão mostrava dor.

Tendo uma alucinação ou um pesadelo talvez?

Os sonhos ruins tornaram-se rotina para a jovem, seu pai dominava boa parte de suas frustrações. Nada fazia sentido. Seus anseios e sua esperança esvaindo-se a cada badalada do relógio como areia por entre seus delicados dedos.

Yui chamou suavemente por ele mais uma vez antes de relaxar e sua respiração voltar a acalmar, assim como a cor, um rosado natural, que retornava aos poucos a seu rosto pálido. Servir de alimento constantemente para seis vampiros não era tarefa fácil, isto sempre a levava a uma total exaustão junto dos sintomas da anemia que continuavam a lhe causar longos desmaios por falta de sangue. Ayato tinha plena consciência da situação, já que essa cena se repetira muitas vezes com ele mesmo a segurá-la em seus próprios braços, porém, a intensa necessidade de satisfazer sua sede com o sangue dela o perturbava durante os dias e as noites. Nunca era o suficiente por mais que bebesse. Viciante.

Ah, ele também não poderia negar que adorava aquilo... Adorava vê-la contorcer-se assustada sob o controle de suas mãos, gritando e chorando de dor, soltando gemidos instigantes de êxtase proibido em seus ouvidos...

Atitude totalmente prazerosa. Sadomasoquista. Provocatória.

O ruivo se aproximou da cama e com a ponta do indicador percorreu a lateral de uma das coxas desnudas da Noiva; ela sequer mexeu-se. Ele chegou a centímetros de seu rosto, de olhos totalmente fixos em seus convidativos lábios macios. As respirações se mesclando uma com a outra.

— Mas já, Ayato-Kun? — A voz do outro vampiro escorado ao lado da cabeceira da cama frisou — Que decepcionante... — Sorriu.

— O que você quer, Raito? — Ayato parou o que estava prestes a fazer e transmitiu um olhar zangado para seu gêmeo, afastando-se de Yui.

— O que foi, irmãozinho? — O mesmo respondeu-lhe com outra indagação, mantendo seu sorriso cínico — Não me diga que a Putinha enfeitiçou você?

— Tch! Não diga besteiras!

— Não foi o que me pareceu quando cheguei... — Ele insistiu com uma risada fraca e sarcástica — Sabe, Ayato-Kun, eu vejo... Você gosta apenas de seduzi-la, ou é algo a mais? Huh?

— Idiota. Eu não lhe devo satisfações do que faço ou deixo de fazer com a minha comida. — O mais velho respondeu em tom rude. Seu ego era maior do que as insinuações e provocações de Raito. Custaria a admitir que a queria não apenas pelo sangue.

— Ah, não negue... Tem algo irresistível nela... Algo realmente muito tentador até mesmo para vampiros como nós... — Os maliciosos olhos verdes e brilhantes de Raito prenderam-se na loira — O padre a ofereceu numa bandeja de prata. É estranho... Me pergunto o que Aquele Homem estaria tramando agora... — Continuou, reflexivo.

Ayato ignorou-o, cerrando os punhos e permanecendo calado. O ruivo de chapéu então sentou-se no colchão, sem fazer muita movimentação. Com as pontas dos dedos tocou as mechas louras de uma Yui desfalecida, até descê-los suavemente por seus lábios avermelhados e parar num dos seios jovens e semi-cobertos. Circundou um mamilo, roçando-o por cima do pano leve da camisola e fitou o irmão mais velho numa atitude provocativa. Ayato travou o maxilar contendo a raiva, pensando seriamente em avançar para cima dele caso passasse dos limites.

— O cheiro dela é tão irresistivelmente delicioso... — Raito aspirou o ar — Hmm... O que acha de nos divertirmos um pouco com a putinha agora, maninho? — Começou a subir a barra da camisola da garota de maneira lenta.

— Pare de tocar nela. — Os olhos cor de esmeralda do outro encaravam-no enfurecidos.

— Ah... Não seja chato, Ayato-Kun... — Fez bico.

— Já disse que ela é minha! Quando vocês vão entender?! — Ayato grunhiu entre os dentes.

Raito suspirou, desistente. Por que seu irmão tinha de ser tão possessivo com este brinquedo deles, hã? Ah, nada como vampiros machos e sua natureza fortemente territorial...

— Nem pense que irei desistir fácil... — Declarou, antes de levantar-se e lhe dar as costas. Assim, a risada maliciosa de Raito apagou-se nas sombras do quarto.

Alguns longos minutos se passaram desde que Raito saíra do cômodo. Ayato, de algum jeito, ainda incomodava-se ao pensar nas palavras ditas por ele.

"Você gosta apenas de seduzi-la, ou é algo a mais?"

Num primeiro instante ele diria que não... Negaria veementemente e recuaria a qualquer sentimento ou vaga ideia que lhe sugerisse "amor".

Mas é claro que existia alguma coisa. Algo que ao mesmo tempo o afastava e logo o envolvia novamente. O puxava como um imã de volta para ela. Era... inevitável.

"Tch! Mas que droga! Por que diabos...?"

Olhou para Yui. Ela era perigosa demais com seu sangue doce e ar sensual que transmitia mesmo que sem querer. O seu sabor inebriante tirava sua sanidade.

Ayato sentiu a garganta queimar, o lembrando da agonizante sede. Sim, ele estava faminto, mas não ao ponto de antecipar o jogo e a diversão que teria daqui a pouco.

Um suspiro. A garota loira remexeu-se nos lençóis brancos; a fraca e fria brisa da madrugada começara a lhe incomodar.

Havia chego enfim a hora de agir.

Ayato inclinou-se sobre a Noiva e roçou os lábios pela linha suave e feminina de seu maxilar. Uma de suas mãos percorriam as coxas dela, apertando-as com gana.

Só um aperitivo...

— Ei, Tábua, acorde. — Disse no seu ouvido, autoritário, mas também estranhamente sedutor. Gostava de chamá-la por aquele apelido idiota apenas para ter o prazer de vê-la corar exageradamente ou fazer um biquinho em aborrecimento e constrangimento como foi no início. Ela sabia que ele apreciava mulheres de seios fartos, mas com o tempo passou a ignorar a ofensa.

— Nn...? — O corpo sonolento de Yui ficou tenso ao ouvir aquela voz conhecida tão próxima de si, despertando de modo abrupto — A-Ayato-Kun? — Abriu os olhos róseos e arregalou-os de susto, vendo-o a relativos centímetros de seu rosto.

— Por que está me olhando assim? — Ele afastou-se um pouco e ficou de joelhos no colchão para melhor encarar sua expressão corada — Não é como se fosse uma surpresa para você acordar e eu estar aqui no seu quarto, certo? — Lhe deu um sorriso atrevido, irresistível e absolutamente canalha. A marca registrada dele.

O ato de invadir o quarto ou a cama da loira durante as noites já havia se tornado hábito constante para o ruivo, entretanto, isto não significava que ela ficaria menos alarmada com a situação.

Sakamaki Ayato era o tipo incontrolável de vampiro. O que simplesmente amava brincar de caça e caçador.

— E-Eu... — A Noiva tentou formatar uma resposta, mas decidiu calar-se ao fitar as esmeraldas predadoras do rapaz.

— Vamos, estou com muita sede... — Sorriu maliciosamente. O gesto assustou a garota, que "fugiu" para o outro lado da cama, encolhendo-se contra a cabeceira. Como se ela realmente pudesse escapar disso...

O sorriso do vampiro alargou, exibindo aquelas presas afiadas; ele sentia o corpo da mortal esquentar apenas com a sua aproximação. Ela até podia tentar resistir por pudor, mas era incrível como aquele ar de puro prazer e medo em seus olhos continuava vibrando, atraindo-o, atiçando-o de forma inigualável.

Incontestavelmente provocativa, sedutora, e mesmo assim... tão inocente...

Sem dúvidas, existia um total contrassenso naquele pensamento. Uma mistura interessante e curiosa, vendo por este ângulo. Instigado com as outras possíveis reações que arrancaria dela, engatinhou ao seu encontro e, num movimento brusco, puxou parte do lençol que ela tentava a todo custo cobrir-se.

— Por favor, não... — Yui murmurou chorosa e encurralada. Tudo se tornava mil vezes mais doloroso quando eles estavam famintos daquele jeito.

— Calada. — Ayato agarrou seu pulso e a trouxe para perto de si, deixando-a ajoelhada na sua frente.

A loira tremeu quando ele segurou sua mandíbula com firmeza, fazendo-a pender a cabeça para trás, dando-lhe total acesso ao seu pescoço marmóreo.

Ela fechou os olhos, apertando a barra de sua camisola com veemência, esperando a perfuração na própria carne. Entretanto, isto não aconteceu. Confusa, Yui voltou a abrir os olhos e fixou-os no teto.

Ayato encarava a sutil marca de presas deixada um tempo atrás na sua jugular. A mordida de seu irmão Shuu.

— Malditos... — Sussurrou e pressionou os dois pequenos furos com os dedos, fazendo-a choramingar de dor em resposta.

Ayato soltou a mandíbula da garota sem muita delicadeza e recheou uma das mãos com os seus cabelos claros, agarrando sua cintura e aproximando o rosto do seu pescoço. Sem mais delongas, enterrou suas presas ali, aprofundando a mordida de Shuu.

Yui abafou um grito quando sentiu sua pele rasgar-se por completo no primeiro contato e logo o seu sangue jorrar para a boca dele; seu corpo inteiro contorcendo-se sob o total domínio do ruivo por longos minutos.

O cheiro cheio de desejo que passou a exalar da loira o invadiu. Ayato sempre percebia aquele aroma mais forte e tentador quando a mordia.

Estava excitada.

Isto era um fato, da mesma forma que o sabor do que ela carregava nas veias ficava mais doce e cremoso. Quente.

Ah... Será que também era assim com os outros?

Ele sentiu um imensurável ódio ao pensar na possibilidade e cravou os dentes com ainda mais força na jugular da garota. Yui gemeu de dor e apertou a camisa branca do ruivo com as pequenas mãos em consequência.

Era inegável como o sangue dela já lhe causara dependência, absolutamente como um viciado à procura de satisfazer-se com a droga mortal que lhe traz euforia e dano irreversível.

Ele tirou bruscamente as presas dela e encarou seus opacos olhos rosados; lágrimas tinham se formado nos cantos.

Os filetes vermelhos escorriam da ferida recente em seu pescoço e manchavam a delicada camisola de seda, descendo em provocantes gotas em direção ao início dos seus seios — assim como escorriam pelos cantos da boca do ruivo.

Ayato não fora mais capaz de se conter, cedendo ao impulso tentador de desfrutar do gosto e da sensação daquela boca saborosa colada a dele. Capturou os lábios da moça num gesto rápido e contudo inesperado para ela, sujando-os despudoradamente daquele vivificante líquido carmesim. Yui não relutou e retribuiu-o como o esperado, rendendo-se completamente, quando o vampiro passou ambas as mãos pelos seus ombros estreitos sem nunca permitir seus lábios desencaixarem-se, no intuito de baixar as finas alças daquela única peça de dormir que o impedia de tocar naquela pele deliciosa e de sentir sua textura por completo, fazendo-a deslizar até os tornozelos da frágil e indefesa mortal; então puxando-a para retirá-la inteiramente do caminho. Os ruídos molhados do ósculo espalhando-se em torno deles pelo ambiente do quarto trancado.

Seu objetivo era marcá-la como dele, o que deveria ter feito desde o começo.

Concluída a tarefa, Ayato jogou o pedaço inútil de tecido alvo para longe, subindo com a palma aberta e gélida pelo centro das costas femininas nuas, deixando para trás um rastro agradável de frescor sobre a derme quente. Com o auxílio da mão livre ainda impulsionou o bumbum carnudo da jovem, assim trazendo-a firmemente para sentar-se em seu colo, quadril a quadril, durante aquele beijo que tornava-se a cada segundo mais urgente e afobado, com pausas precárias e quase inexistentes para respiração. Seus dedos mais uma vez emaranharam-se por entre os cachos loiros e sedosos, puxando-os para trás com certa agressividade, de maneira que sua língua sedenta pudesse penetrar a boca doce da Noiva com mais liberdade e insistência, em vista que ela a abrira para arfar audivelmente perante seu gesto, gemendo baixinho de dor, enquanto lhe em seguida surpreendentemente correspondia-o com a dela a enroscar-se a dele também, em uma batalha quase incessante por espaço. A mesma sentia o gosto metálico de seu próprio sangue durante o ato, as presas do vampiro a machucando, intensificando de forma bruta aquele enlace proibido. Não conseguia ao menos pensar com clareza, não com Ayato a beijando daquele jeito.

Ele tirou as mãos da garota que haviam agarrado-se à gola de sua camisa em algum determinado momento e segurou seus pulsos com força, repentinamente separando-se dela, que ofegava sôfrega buscando por oxigênio. A loira estava tão entorpecida por aquele prazer doloroso que nem lutou quando a brisa fria da noite soprou contra seu corpo protegido apenas por uma simples calcinha branca de algodão. Suas maçãs coradas, assim como seus lábios vermelhos e absolutamente inchados, denunciavam-na, manchando brutalmente aquela virtuosa imagem seráfica com magnífica e suja perversão. Ayato rosnou; a expressão masoquista naquele rosto era o que mais fazia-o enlouquecer. Maldição! Ele queria quebrá-la, queria arrancar pena por pena daquelas singelas asas envolvidas em castidade e pureza, cobri-la por inteira e afogá-la em seu oceano de escuridão eterna, até que fosse um ponto sem volta. Ele faria.

A atenção do vampiro fixou-se aos seios descobertos da menor. Eles cabiam quase inteiros em suas mãos, que agarram-nos sem demora pela parte inferior. Passou a apalpá-los, esfregando suavemente os polegares em torno dos belos brotos erguidos de tonalidade rosada convidativa, assim como as auréolas que os envolviam, esperando a reação da garota. Um gemido sexual antes contido e relutante escapou e ecoou o quarto.

— Hum... Parece que no final de tudo, você não é tão lisa assim... — Sussurrou em seu ouvido em tom absurdamente sensual e deveras sombrio, para logo deslizar a língua pela linha de seu queixo até o pescoço, sem deixar de estimular desavergonhadamente os dois montículos de carne macia e suculenta preenchendo suas palmas ásperas, lentamente.

Ele pôde deliciar-se com o estremecimento e o arrepio de prazer que tomaram o corpo da noiva de ponta a ponta.

— A-Ayato-Kun... N-Não…

Ayato reprimiu aqueles protestos em um beijo quente, se possível até mais profundo e devorador que o primeiro. Suas mãos moveram-se para procurar a pele cremosa e descoberta da menina, apertando seus quadris e nádegas redondas com uma urgência violenta, despertando outro daqueles gemidos gostosos na boca dela.

Ao afastar-se, passou a língua nos próprios lábios, saboreando só de vê-la ali — seminua, arfante e totalmente perdida —, na sua frente.

O sorriso emoldurado no rosto do vampiro era lascivo, divertido, e, ao mesmo tempo... deliciosamente... perverso...

Empurrou-a contra a cama, prendendo-a abaixo de si. Seus olhos verdes nublaram-se de prazer sádico, enxergando o verdadeiro desespero de uma típica virgem tomar a bela face da pequena mulher. Segurou os pulsos da própria rentes ao colchão; as pernas dele entre a direita dela, impedindo qualquer movimentação. Agora Komori estaria completamente a sua mercê. Ah, isto soava tão agradável... Poderia desfrutá-la até perder o interesse, não?

Oh, sim, sim!

Sem interrupções. Cravar os dentes naquela aveludada pele branca seria só o começo. Claro que seria. Suas marcas tinham de ficar visíveis para os outros saberem. Ele era egoísta demais para dividi-la.

"Você é minha, mas parece não ter entendido ainda, igual aqueles imbecis... Vou mostrar que sou apenas eu quem deve ter seu sangue, seu corpo, sua alma, seu coração... Que você deseja unicamente à mim, Yui..."

Voltou a aproximar o rosto do colo dela, descendo, beijando seus mamilos entumecidos, lambendo-os numa lentidão deliciosa e provocante.

— Ayato-Kun... — Yui gemia baixinho, mordendo o lábio inferior e levantando o queixo ao arquear as costas. Deus, aquilo era tão errado!

Os sons de prazer viraram um berro de dor quando ele cravou as presas num de seus bicos rígidos. A garota soltou um soluço de choro.

— P-Pare... Isso dói... Por f-favor... — Implorou com a voz fina embargada, a respiração falhando, os olhos doces marejados. Aquilo doía, ardia, machucava.

O aperto firme em seus pulsos se tornara mais forte enquanto o ruivo chupava a região sensível vorazmente, ignorando-a. A sua língua audaciosa envolvendo o mamilo rosado e tenso daquela loira trêmula, aprisionada. O perfume marcante do sangue dela contagiando o ambiente o deixava insano, o sabor entorpecia seus sentidos. Subitamente, o formigamento da mordida começou a deixá-la estranha. Por que aquilo se tornava quase... prazeroso demais?

O corpo dele acima do dela em absoluto controle. Um sussurro inebriado. Algumas palavras desconexas.

Outra mordida. Um grito abafado.

— Você é tão deliciosa. — Ele murmurou, deixando um rastro de sangue ao traçar a linha de sua clavícula com os lábios — Chore... Chore e grite apenas por mim... — Sem dar tempo dela sequer reagir, abocanhou seu outro seio, mordendo-o, sugando-o.

— Ah!

Yui se contorceu nos lençóis, gemidos involuntários escapavam, céus, a sensação quente e o latejar contínuo da dor nos seus seios percorria seu corpo em ondas arrasadoras. Lágrimas juntavam nos cantos de seus olhos e desciam por seu rosto endurecido, o seu coração descompassado, o sangue circulando, fluindo mais rápido nas artérias. Masoquista. Talvez já estivesse acostumada.

Quando, enfim, o vampiro soltou seus pulsos dormentes, tirou as presas lentamente do lugar em questão e ergueu o olhar para encarar a expressão à beira de um colapso da loira. Ayato grunhiu e apertou as suas coxas. Era quase doloroso se segurar. Segurar o próprio instinto, o desejo esmagador, a vontade surreal de fodê-la sem piedade, ali, agora.

— Quero sentir mais da sua carne macia... Do tremor no seu rosto assustado... Eu simplesmente não me canso disso. — Disse ele rouco, voltando a subir com os lábios pela sua barriga — Você é minha atual obsessão, Tábua... Sinta-se lisonjeada. — Esfregou a boca pelo vale e principalmente nas auréolas dos seios dela, neste momento já bem avermelhadas, espalhando aquele doce e maravilhoso licor rubro que ainda escorria de suas marcas.

Yui arfou com o contato ávido da língua e dos lábios frios do rapaz em sua pele; suas mãos agarraram os fios macios e ruivos da nuca dele, trazendo-o para si, aprofundando o toque delicioso que lhe causava arrepios pelo corpo. A sucessão de beijos e lambidas pela extensão; a sensação de calor extremamente nova e gostosa no seu baixo-ventre. A carícia a tornando cada vez mais quente, o meio de suas pernas mais molhado. Ela não poderia mentir e dizer que não gostava daquilo.

A mão destra do ruivo voltou a encontrar sua coxa desnuda, deslizando-a com demora, ora ou outra dando apertões, até pará-la nas alças laterais em formato de lacinhos de sua calcinha branca. Numa mistura de vergonha e pavor, Yui tentou fechar as pernas, falhando miseravelmente, já que a dele próprio a impedia de fazê-lo.

O próximo toque insistente e excitante em sua fenda a fez gemer e levantar o quadril quase automaticamente. Os lábios de Ayato colaram-se ao seu pescoço branquinho, deixando chupões e fracas mordidas por onde passavam; seus dedos que massageavam e pressionavam a intimidade da noiva logo invadiram por dentro do pano da calcinha, enquanto sentia a própria ereção pulsar inquietamente dentro das calças, mas ele não era importante agora. Merda, precisava se controlar.

Sobretudo, um suspiro de prazer escapou dos lábios do vampiro, o sorrisinho debochado tomando conta de seu rosto ao encontrá-la tão molhada quanto pensou. Passou então a friccioná-los, concentrando-se na pequena carne entumecida do clitóris da loira, esfregando este gostosamente e lhe causando frequentes choques por dentro.

— Ayato-Kun... N-Não... Isso é errado... Eu estou pe-pedindo... Por fa-favor, pare... — Ela gemia e implorava ofegante, soltando palavras a esmo, contraindo as coxas.

— Quietinha... Não me diga o que fazer, é extremamente irritante... — Disse, seus olhos verdes adquirindo um brilho sombrio, voraz — Por que quer parar? Minha diversão com você está apenas começando. — O ruivo voltou a sorrir lindamente maligno — Aliás, vou fazer com que nunca mais esqueça disso. Vou fazer com que se lembre somente de mim quando eles ousarem tocar em você.

Luxúria sensual...

Fascínio.

Sua boca subiu delicadamente pela lateral do queixo da garota até a raiz de sua orelha direita, sem interromper os movimentos redondamente instigantes naquele ponto de intenso prazer no corpo de uma mulher. Os tons escapavam cada vez mais altos, Yui não podia se controlar, remexendo-se, sentindo o ritmo provocador e ininterrupto do ruivo. Algo em sua alma começara a despertar, ela só não sabia do que se tratava.

— Você é apenas minha, Yui. Não se esqueça... — Ele sussurrou em seu ouvido, seu tom era aveludado, porém autoritário e sério. Dizia aquelas palavras ao mesmo tempo que dois de seus dedos escorregavam lentamente para dentro da cavidade apertada dela, fazendo pequenos círculos internos, dando estocadas rasas. O sulco que molhava sua mão só o excitava mais.

Com força, ele mordeu-a no pescoço uma outra vez. Um sincero e longo gemido ecoou o quarto. O toque de prazer naquele som dolorosamente arrastado o fez sorrir vitorioso por dentro. Ah, o sangue dela estava transbordando, fluindo nas veias literalmente em brasas...

Um novo beijo ardendo em pecado foi iniciado. O vampiro deliciando-se em explorar cada cantinho do interior úmido e quente da boca da humana.

Alguns dizem que as vastas noites silenciosas são um perfeito cenário para um ataque das temidas criaturas das sombras.

Demônios, bruxas, vampiros, licantropos...

As lendas se tornam completamente reais no momento em que a lua cheia se estende na imensidão do céu negro até a hora em que ela irá se encontrar finalmente com a luz do sol resplandecente no solitário horizonte manchado em cores púrpuras.

Dizem também, que estes terríveis seres sobrenaturais viventes e adoradores da escuridão ficam soltos, libertos em meio aos sussurros lamuriosos do vento traspassando por entre as copas das árvores, a espreita em cada ponto despercebido. Bem, de alguma maneira pode ser verdade...

A silhueta daquele belo animal de pelagem clara e sutis fios dourados aguardava na beirada do telhado da enorme casa. Seu olhar era diferente de qualquer outro, tinham um brilho quase... humano. Pupilas perfeitas e redondas, adornadas pelo profundo e pigmentado azul cobalto hipnotizante das íris.

Um curto miado.

O gatinho branco desceu e caminhou pelo parapeito da sacada do cômodo em questão, suas patas logo tocaram o chão frio, prestes a adentrar o quarto da jovem garota que provavelmente dormia. Conteve-se e recuou quando enxergou a silhueta do vampiro ruivo surgir na semi-escuridão do lugar, de olhos totalmente cravados nela. Ele permaneceu por tempos ali, estudando-a.

Parecia tentar achar uma resposta no rosto adormecido da loira, recaindo em devaneios ao contemplar seu corpo inerte. Felizmente também não tinha percebido a presença do pequeno animal escondido naquele canto, atrás das cortinas compridas que balançavam de leve.

Não demorou muito e o gato teve de afastar-se do seu novo esconderijo com cuidado, voltando para o parapeito da sacada silenciosamente e apoiando-se nas patas traseiras na tentativa de não ser notado; outro deles havia aparecido dentro do quarto. Apesar de sua audição apurada, era difícil escutar muita coisa coerente do que os dois conversavam em um tom baixo. O mais provável, na intenção de não despertar a garota.

A brisa noturna soprou o perfume agridoce das rosas brancas do jardim da extensa propriedade em estilo gótico no ar. A pálida luz do luar, que de modo abrupto brincava de desaparecer entre as nuvens, lhes lançava um brilho mórbido. Os pêlos do felino se eriçaram. Um arrepio de presságio.

Um grito na penumbra. O novo e peculiar aroma preenchendo as narinas delicadas do animal.

Estranhamente familiar. O cheiro adocicado do sangue da moça loira, a noiva de sacrifício dos Sakamaki, tomava conta do ambiente sem nenhum esforço.

Chamativo e perigoso. Estes, sem dúvidas, eram dois adjetivos perfeitos para se descrever o tal.

O gato virou a cabeça na direção daquele som agudo, agora sim seria uma boa oportunidade. Só precisava dessa pequena confirmação. Nada mais.

Num pulo elegante, desceu da lisa pedra acinzentada que estava, encontrando o chão uma outra vez. Parou em frente da janela de acesso da sacada para o quarto; sua calda felpuda e macia mexendo-se em graciosas ondulações.

Por algum tempo ficou ali, naquele ponto privilegiado, assistindo ao jovem vampiro beber daquele sedutor elixir escarlate no pescoço da bela loira, beijando-a, tocando a todo o seu delicado corpo seminu sem quaisquer vestígios de pudor. Aah... ele estava totalmente perdido no próprio jogo...

Aquilo não era comum, longe disto. A cena parecia quase erotizada demais para o simples ato de se alimentar.

O gato branco afastou-se a passos lentos. Seus olhos azuis pareciam muito satisfeitos com o que havia acabado de presenciar dentro do quarto da noiva. Logo, o mesmo subiu de volta para o telhado e observou a lua guardiã plena, depois de alguns instantes, submergiu na escuridão perturbadora da noite.

Eram tantas sensações diferentes...

Aquela mistura inebriante de medo e excitação crescia dentro dela, regia seus atos, a tornava dispersa. Nunca havia experimentado algo assim. Aquele... prazer proibido.

O caminho da perdição já não parecia tão distante. Qualquer sentido de moral ou razão esvaindo-se, tais como a incerteza de cada gesto por parte do vampiro. Não sabia dizer o motivo daquilo, os minutos se passavam e Yui parecia andar às cegas a um destino surreal. Não havia possibilidade de escolha. Nunca houve realmente.

Sua mente estava em estado de torpor; ela continuava presa, anestesiada em uma doce dormência, gemendo e gemendo, sem mais energias para detê-lo. O desejo tomara conta de cada célula do seu corpo; ela derretia a cada pulsação de prazer recebida com os toques firmes dele, controladores, as pontadas agudas das mordidas profundas em seu pescoço a deixando completamente louca...

Agora, Ayato encontrava-se apoiado em um só dos braços, curvado sobre a loira naquela imensa cama; e ao contrário daqueles primeiros beijos agressivos de hoje mais cedo, sua língua enlaçava, acariciava a dela sem pressa, com total despudor. Seus dedos hábeis voltavam a massagear a intimidade da Noiva, a violando por dentro da calcinha umedecida, aumentando ou diminuindo a pressão sobre o clitóris conforme os gemidos dela pareciam querer escapar mais frequentes e altos contra os seus lábios. 

As pernas de Yui praticamente se abriam por vontade própria para o vampiro, seus quadris acompanhando os movimentos com insistência. Céus, aquilo estava tão bom, mas era tão errado...

Desde o começo ela relutou em ceder, queria impedir, dizer para ele parar, mas independentemente disto, seu corpo queria apenas obedecê-lo. A sensação de ansiedade lhe causava uma espécie de frio na barriga, tinha a completa certeza de que ele conseguia ouvir nitidamente o ritmo frenético das batidas de seu coração.

Uma de suas mãos havia adentrado pelos cabelos avermelhados do rapaz durante o processo, agarrando-os e puxando-os com um pouco mais de força, deixando-se envolver pela luxúria sedutora quase palpável no ar junto àquele beijo duradouro, querendo que ele aumentasse a intensidade dos movimentos propositalmente lentos em sua carne molhada e sensível, que acabasse com sua tortura de uma vez por todas.

"Oh... Por favor... Por favor, eu preciso…"

Fez um som em reprovação quando os dedos repentinamente pararam de a estimular lá embaixo. Ayato quebrou o beijo com uma pequena mordida em seu lábio inferior, puxando-o para ele no final. O sorriso malicioso do vampiro se propagava ao olhar diretamente em seus olhos. Tão sexy e tão cruel ao mesmo tempo...

Por um segundo ela jurou que pôde ver algo a mais em suas esmeraldas, um brilho diferente, quase apaixonado, mas sumiu tão rápido quanto surgiu. Aquela expressão amedrontadora voltava ao seu rosto.

— Você está finalmente sendo sincera, não é? — Observou, convicto — Diga que você quer ser apenas o meu único brinquedinho para o resto da sua vida, Tábua. — Seu tom divertido e provocador junto daquele típico sorriso a fizeram ter uma série de arrepios.

Ele passou a mão gelada por entre as coxas femininas, subindo-a lentamente até pará-la na cintura dela.

— Oh, eu...

A respiração desregular dificultava a formulação de qualquer frase coerente, as veias e artérias de Yui flamejavam, sem contar, seu rosto que também deveria estar muito corado no momento. Sabia que Ayato testava e se divertia com todas as suas reações aparentes.

— Ainda não é o bastante para mim... — Disse, aquele aperto firme e possessivo em sua cintura lhe arrancava o pouco fôlego que tinha recuperado; ela teve a certeza que mais tarde isso lhe deixaria uma marca na região — Ter de me controlar agora para não rasgar sua pele branca e beber até a última gota do seu sangue enquanto te fodo sordidamente é pura tortura, sabia?

— Ayato-Kun... — Fitou-o, tremendo em expectativa.

— Apenas me deseje como fez há pouco... Irei marcar todo o seu corpo com as minhas presas, não sobrará sequer um vestígio dos outros nele. — O ruivo mordiscou seu lábio inferior, logo iniciando um beijo rude. Uma pontada de dor invadiu sua língua, o gosto ferroso de seu próprio sangue inundando sua boca novamente.

Os irmãos Sakamaki nunca foram muito carinhosos ou gentis consigo, um fato inegável, entretanto, alguma coisa estava de fato diferente no ar... Ayato era sem dúvidas o mais sádico de todos os vampiros da casa, então, por quê?

Por que se portava desta forma?

A indagação a corroía por dentro feito ácido. Não poderia existir algo como o amor ali, certo? Ele só fazia para o bem de seu próprio prazer, de seu egoísmo. Mas, ela... ela queria mais...

"Eu sou apenas uma santa idiota."

Ayato encerrou o beijo lambendo o canto esquerdo da boca da humana, local por onde escorria uma fresca gota de sangue. Seu primeiro alvo seria aquele pescoço atraente, depois os ombros e os pulsos.

Yui deixou escapar baixos e ébrios gemidos enquanto o vampiro ruivo apagava as mordidas de seus irmãos com as suas próprias ao longo de seu corpo. Onde suas presas fincavam ficava cada vez mais quente e ela derretia.

Ele afastou-se da garota e se colocou de joelhos na cama, entre as pernas dela, levantando-as suavemente e examinando-a, procurando possíveis marcas recentes na pele. Yui apertou os olhos e agarrou os lençóis, sentindo o rosto arder em vergonha com a posição, por sorte ainda vestia a calcinha. O único que sempre se atrevia a mordê-la nas coxas era Raito, e Ayato também sabia disso.

O contato da boca do ruivo e logo de seus caninos afiados no mesmo lugar em questão fizeram-na soltar um grito agudo e sôfrego. O líquido carmesim passou a ser drenado de seu corpo sem piedade, com gosto. A dor e o prazer faziam parte dos seus dias naquela casa, sendo atormentada diariamente, sendo vencida por todos eles...

A loira fitou o teto vidrada e perdida, a boca entreaberta. A língua de Ayato deslizava lentamente na pele da parte interna de suas coxas agora, onde o sangue escorria dos furos, subindo com a carícia despudorada em direção à sua parte íntima, fazendo seus gemidos ainda mais audíveis e o fundo de sua calcinha tão molhados que ela não tinha sequer forças para tentar resistir.

"Eu sou apenas uma santa idiota."

A fraqueza iminente a atingia, sua cabeça dava inúmeras voltas e a visão já ficava turva por conta da anemia, porém, se ele não lhe tocasse de novo daquele jeito, ela teve a completa certeza que ficaria maluca.

Ayato parou propositalmente o que estava prestes a fazer e endireitou-se para observá-la, deliciosamente desfeita, ofegante e de lábios totalmente inchados pelo constante atrito com os dentes certinhos, sobre aqueles lençóis amassados de tanto serem puxados e torcidos entre os seus dedos. O Sakamaki abriu um presunçoso sorriso de canto ao contemplar aquela expressão frustrada e suplicante.

Apesar da tentação absurda que era apenas sentir o cheiro e presenciar a cena de uma Yui muito excitada praticamente lhe implorando por algo que nem ela mesma sabia com aqueles olhos ingênuos, estava perceptível que a garota não aguentaria muito mais da sua "diversão".

— É o bastante por hoje, não preciso que fique desmaiando pelos cantos amanhã e dando trabalho... — Disse, lambendo o canto da própria boca com alguns resquícios do líquido escarlate e, logo em seguida, se aproximou e segurou ambos os pulsos da menor, encostando os lábios em sua orelha — Nem pense que da próxima vez eu serei tão bonzinho assim... — Concluiu com a voz derramando a perversidade e más intenções, deixando uma mordida no lóbulo.

Yui engoliu seco e sua respiração falhou por um milissegundo. O ruivo ainda lambeu seu lábio ferido, resultante dos beijos vorazes trocados entre os dois, antes de enfim soltá-la e afastar-se.

— Vá tomar um banho e depois durma. Não quero ver meus irmãos indo atrás de você com esse cheiro bom no seu corpo. — Ordenou, seus olhos verdes a encarando impacientes.

— Tudo bem... — Concordou rápido. Não havia a possibilidade de ela contrariar sua vontade naquela situação.

Mesmo que de uma forma indireta, fora criada para ser exatamente assim. Doce. Frágil. Submissa.

Tentou levantar da cama com cuidado, cobrindo a parte do busto com os dois braços. Seu corpo inteiro doía e o sangue ainda teimava em sair das feridas e descer por sua pele pálida formando linhas finas; seu pescoço, sua virilha, coxas, seios, tudo estava inteiramente marcado pelas presas dele. O chão frio do quarto em contato com seus pés descalços lhe causaram calafrios agoniantes. Seguiu devagar em direção ao banheiro, virando o rosto no último segundo para somente vislumbrar Ayato desaparecer num canto escuro do cômodo.

Era como se tivesse feito um trato com o Diabo. Ela não achava, ela sabia. Estava apaixonada por um demônio...

Tentou ignorar a ardência inquietante dos furos recém-feitos em sua pele nua e suada ao entrar em contato com a água morna da enorme e acolhedora banheira branca. A intensa claridade das lâmpadas existentes dentro do cômodo ainda incomodava-lhe os olhos, o resultado de ter ficado tanto tempo no ambiente pouco iluminado de seu quarto. Passou as mãos pelos ombros e deitou a cabeça na borda da banheira, suspirando e baixando as pálpebras à procura de relaxamento.

Seu corpo parecia tão mais quente do que a própria temperatura da água do banho em questão. Tanto que chegava quase a incomodar. Como era possível?

Repentinamente, pegou-se cogitando a ideia maluca de ir ao quarto dele.

As lembranças do que tinha acontecido há alguns poucos minutos voltavam a inundar-lhe os pensamentos. Inconscientemente, suas mãos desceram por seu corpo em uma espécie de massagem, percorrendo os seios de mamilos erguidos, indo instintivamente até o meio de suas pernas, separando-as sob a água para obter mais acesso.

De olhos ainda fechados, alisou sua feminilidade pulsante, não evitando chamar em um sussurro por Ayato, com desejo explícito e proibido. Seus dedos acariciaram seu clitóris excitado, atritando-o em padrões circulares, tentando imitar como ele a tocara anteriormente. Mordeu o lábio com força, e assim permaneceu, aprisionando-o entre os dentes, ao sentir as ondas de prazer chacoalharem e enviarem arrepios através de todo seu corpo e pele molhada, mas longe de cessar aquela agonia pesada que a acometia por entre as coxas leitosas em um palpitar extremo, e de alcançar plena satisfação.

Voltou a gemer baixinho o nome do ruivo.

Abriu os olhos espantada e envergonhada com o que estava fazendo, retirou a mão de lá. A culpa a atingiu em ondas lentas, pesadas e escaldantes, que lhe causaram torpor e logo deixaram seus olhos embaçados pelas lágrimas.

Deixou-se afundar completamente de costas na água cristalina que aos poucos tragava o vermelho do sangue presente em sua pele, submergindo dentro da banheira cheia. Era uma tentativa desesperada de lavar sua alma, de livrar-se dos seus pecados. A sua falha com Deus...

O que estava acontecendo consigo...?

Parecia que perdia sua essência a cada dia que passava naquela casa, cercada destes demônios sedutores, os senhores da noite...

Sentir aquela vontade queimar por dentro não era algo puro, decente. Viu-se explicitamente desejando, querendo sexo com um deles. Um vampiro. A sujeira em seu comportamento e aquele peso gigantesco sobre seus ombros deveriam fazer-na incapaz de encarar a face de Deus novamente. Havia perdido-se, entregado-se a um sentimento errôneo.

Queria se arrepender e pedir perdão, mas... Não conseguiu ao todo.

Seria a convivência com eles que lhe tornava assim? Escrava daquele peculiar prazer?

Ela não sabia dizer. Nada naquela situação era racional.

Seus pulmões começaram a arder, implorando pelo oxigênio que lhes foi privado como castigo. A loira levantou-se respirando grandes lufadas de ar e tossindo, seus cabelos louros molhados grudando em seu rosto.

Pegou o sabonete líquido cremoso com cheiro de morangos silvestres e começou a lavar-se.

Nesses meses em que estivera presa ali descobrira algumas coisas sobre seu passado. A maior delas talvez esteja no fato de ter encontrado por mera coincidência um diário cheio de anotações de seu pai, junto de uma foto antiga dos dois juntos.

"Yui me dá felicidade. O fato dela não ser minha filha não significa nada agora."

Aquela frase ficou gravada em sua memória, independentemente se num curto período de tempo depois ela veio a evaporar do papel feito um passe de mágica.

Se não era filha de seu pai na realidade, então... De onde surgira?

O questionamento a torturava sem descanso, tirava-lhe a paz. Nada mais fazia sentido em sua vida. Havia crescido conhecendo os princípios de Deus e da religião, sendo protegida pelas imaculadas paredes sacras de uma igreja santa. Tudo tinha virado de cabeça para baixo de uma hora para outra, fora dos eixos, nada se encaixava. Os seres que até aquele momento pensava existirem apenas em antigas lendas eram reais. Ela estava cercada por eles, todos belos e muito atraentes, se alimentando do seu sangue constantemente.

Já aceitara esse destino. O seu destino. Sabe que seu pai não virá buscá-la, as esperanças haviam se esgotado para si.

Pensar nisso no começo foi muito difícil, tinha de confessar. Renegou aqueles pensamentos, rejeitou a cada ideia cruel de que a igreja tinha enviado-lhe propositalmente para um lugar assim, para ser essa suposta "Noiva", um sacrifício, como Raito a afirmara uma vez.

Tentou fugir, pedir ajuda, ela tentou... Mas, não era como se simplesmente pudesse medir forças contra seis vampiros. Se revidasse a cada golpe ou provocação, o castigo viria mil vezes pior para ela.

Morrer já não era uma opção.

Não existia saída. Sim, ela estava sob o poder inquestionável das garras de seus predadores, eles a viam somente como uma caça confinada e pronta para o abate.

Incapaz de reagir, aceitara ser a protagonista daquele conto macabro e sedutor, aceitara ser a maldita princesa deslumbrada pela frieza e o sadismo contidos em cada par de presas sem reclamar.

Ela estava perdidamente apaixonada por sua própria morte, não? Traindo a razão, curvou-se ao pecado. E agora, esse era o preço a pagar...

Suspirou angustiada.

Estúpida demais. Frágil demais. Humana demais.

"Sou apenas uma santa idiota."

Terminou o banho e saiu da banheira para enxugar-se. Com a toalha felpuda ainda enrolada ao redor do corpo, ligou o secador antes localizado em cima do balcão da pia de mármore e começou a escovar os cabelos. Seria um problema acordar resfriada após ter dormido com ele úmido daquele jeito.

Nunca troque o cérebro pelo coração.

Ela aprendeu essa lição da pior maneira possível durante sua estadia naquele lugar. Teve momentos ali em que realmente achou ter enlouquecido de vez. As visões constantes de uma bela mulher de vestido preto e longos cabelos roxeados vagando pelos cantos e corredores da mansão lhe perturbava. Yui já não sabia distinguir o que era real, de uma simples alucinação causada por falta de sangue no corpo. As trevas dominaram sua existência e sua visão, tornando-a a vítima de seus próprios medos.

Dentro de seu quarto escolheu e vestiu uma camisola limpa de cor azul-bebê. O latejar continuo das mordidas em seus seios havia tornado-se quase insuportável, começando a incomodá-la de verdade. As dores no restante de seu corpo nem chegavam a comparar-se com a daquela parte tão sensível e delicada.

Foi até a cômoda perto da cama e procurou alguns analgésicos dentro das gavetas no intuito de amenizar um pouco da dor para que pelo menos conseguisse dormir. Tomou os comprimidos junto de um rápido gole no copo d'água repousado ao lado da jarra de cristal deixada sobre a bandeja no móvel e logo deitou, encolhendo-se como uma garotinha por baixo das cobertas aconchegantes. As lágrimas vieram sem aviso, escorrendo pelos cantos de seus olhos.

Esperou o sono chegar e lhe tirar a torturante lucidez por completo, chorando silenciosamente na maciez do travesseiro na procura de uma redenção, que acreditava, não ser nem merecedora.

"Pai santo, Deus eterno e Todo Poderoso, por favor, perdoai-me por todos estes pecados mundanos...

... Amém."

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


Demimonde (Submundo)

Terras do Leste, Atualidade


O Submundo era um lugar muito grande, cercado de pântanos e campos inférteis, cidades, bordéis, tabernas, lagos de fogo, oceanos negros cercados de bestas horrendas, estações ferroviárias, e montanhas vulcânicas; tudo dividido em regiões e em governos diferentes, o lar dos piores demônios que foram banidos. O verdadeiro refúgio das almas perdidas e do castigo dos mortos.

Ao norte, localizava-se o Reino dos Vampiros;

Ao sul, subdividia-se o Inferno;

Uma deusa implacável e poderosa comandava o Reino do Leste, conhecido também como o Reino da Neblina;

Na parte oeste, mas não menos importante, estavam os Desfiladeiros da Morte, o Vale dos Suicidas, e o Purgatório.

A moça de olhos incrivelmente azuis e longos cabelos louros que lhe caíam em leves ondulações pelas costas parou em frente ao imenso castelo, isso após ter saído de uma espécie de portal cor de carvão no topo das escadarias de pedra cinzenta. Respirou fundo aquele ar pesado e tenebroso e avançou os passos em direção às portas da gigantesca e alta construção; um breve sorriso triunfante dando forma aos seus lábios róseos e cheios.

O belíssimo vestido branco que adornava seu corpo esbelto arrastou-se efusivamente atrás de sua figura como se fosse uma densa e fantasmagórica névoa, à medida que caminhava para dentro do local.

O ouro amarelo e as pedras preciosas decoravam obrigatoriamente as paredes, a grande parte da mobília, o teto, os candelabros, e os pilares dos corredores amplos por onde passava. Tudo ali era muito luxuoso comparado ao estilo medieval de um castelo comum.

Novamente parou à frente das altas e pesadas portas do cômodo principal do castelo: a sala do trono da rainha. Os dois guardas em seus chifres demoníacos reverenciaram-na respeitosamente e abriram-nas de imediato, revelando o nobre tapete cor de sangue que estendia-se em direção ao "altar".

— Oh, aqueles malditos traidores não querem colaborar? — A rainha espontaneamente abriu um sorriso cruel, acariciando o couro escamoso e gélido do grande réptil amarelo envolto ao redor de seus ombros nus, que movimentava-se vagarosamente clicando sua língua bifurcada no ar e sibilando — Arranque a pele até que falem. — Ordenou em tom frio e sério ao comandante da guarda, encerrando aquela "conversa".

— Sim, alteza. — O homem fez uma rápida reverência e saiu do salão com expressão inabalável.

A loira de cintilantes orbes azuis parou diante do trono esculpido em diamante negro e ouro da temida e venerada Black Queen do Submundo, ajoelhando-se. As íris felinas e mortais daquela lindíssima mulher brilharam de satisfação encontrando vestígios do que aguardara ansiosamente na expressão da moça.

— Descobriu onde ela está, Adrastea?

— Sim, mamãe. — A jovem concordou — Eu a vi com os meus próprios olhos, como você mesma havia exigido que fosse...

— Alguém notou sua presença?

Adrastea negou com um efusivo gesto de cabeça.

— Os vampiros continuam se alimentando dela, mas o perfume do sangue, ele ainda cheirava a virgem... — Continuou calmamente, as íris cobalto brilhando em suave e destrutiva malícia — Não acho que este detalhe irá perdurar muito pelo que cheguei a presenciar...

— Pode estar mais próximo do que imaginamos... — A rainha retribuiu com um sorriso indiscreto, malevolente — Essa é a primeira lua cheia desse ano. Faltam apenas seis para o ciclo se completar.

A verdade era que uma garota daquele poderoso clã não poderia chegar a sua idade madura intacta, com o puro sangue de virgem correndo nas veias.

— Ela estará preparada a tempo? Seria útil se Naamah estivesse aqui agora... — Adrastea a encarou séria, contendo o ódio que surgiu dentro de si ao lembrar de algo com esta última fala — Você vai interferir, mamãe? — Uniu as sobrancelhas, indagando-a.

— Sim, entretanto, ela vai acabar acordando o que está dentro de seu corpo sozinha... — A Deusa tamborilou as enormes unhas afiadas e pintadas de preto luzente no braço direito do trono — Eu mesma me encarregarei para que tudo aconteça sem a interferência daqueles religiosos estúpidos. — Um sorriso triunfante desenhou seus belos lábios pintados num tom vivo de carmim — Ninguém poderá me impedir. Quando a hora definitiva chegar, vou buscá-la e terminarei de despertar sua alma num Sabbath.

A luz dourada lançada pelos candelabros banhou a pele alva e os rostos angelicais daquelas mulheres perversas que exibiam sorrisos diabólicos. Nada no mundo iria desviá-las de seus planos. Não agora que finalmente a acharam.

Tudo estava somente começando.

Me faça louca por esses obscuros desejos humanos, sonhe em me consumar em paixão ardente.

Meu instinto incontrolável não deixa-me menti-lo.

Deliciando-se sobre a bela inocência exposta, ouça meus sussurros desconexos e delirantes pela sua presença nessa noite de lua prateada.

Sacie-me, beba da minha envolvente e pecadora luxúria.

Meu sangue ferve, o meu corpo inebriado todo lhe chama.

"Perfure minha carne."

Me beije, o seu amor me excita.

Voraz, os sentidos enganam-se, torture-me de prazer...




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