1. Spirit Fanfics >
  2. .heroes >
  3. .bowie

História .heroes - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


e aí, pessoal. beleza?
não sou nova aqui, mas também nem tão velha. fiz algumas fanfics por aí e excluí todas. recentemente tive uma grande decepção na minha vida e prometi que jamais voltaria a escrever fanfics. quebrei a promessa e tô aqui fazendo uma pequena homenagem pra minha amiga @leutnant (que eu conheci aqui no spirit).
se não tiver likes, comentários, etc, tudo bem. tô fazendo isso daqui pra provar que ainda é algo especial pra mim e pra colorir a vida da Rafa.
p.s: formatação tá um lixo. tô sem word :9

Capítulo 1 - .bowie


Bem, eu não sei muito bem como contar esta história, mas pronto, lá vou eu. Se eu dissesse que era um belo dia de verão com pássaros cantando na janela, eu estaria mentindo. Na verdade, foi assim que aconteceu: era outono e o dia estava bem mequetrefe. O céu estava cinza, as nuvens cobriam o sol, o vento era gelado e já estava anoitecendo. 
Era mais um dia que eu fechava a loja de discos sem nenhum cliente a nos visitar. Falo no coletivo porque eu trabalhava ao lado da minha melhor amiga, a Mary, que estava grávida do primeiro filho e a sua barriga já grande apontava no ápice dos seis meses de gestação.
      - Você quer se casar comigo? - perguntava ela à minha frente, sem se ajoelhar porque o tamanho da barriga não permitia.
      - Lindo. Vai ser lindo. Aí o Bastian aceita, vocês se beijam e ficam felizes para sempre.
      - É, eu espero que ele aceite.
Há dois meses Mary vinha ensaiando um pedido de casamento. É isso mesmo que você leu. Desculpa se eu ainda não te avisei, mas esta não é uma história convencional de amor. Vai ser um pouquinho diferente, mas vamos lá...
      - Por que ele não aceitaria?
Ela me respondia com um sorriso de quem estava um pouco perdida, mas tudo ficaria bem. Afinal, Mary e Bastian se amavam demais, o bebê crescia saudável e nós três cuidaríamos dele com todo amor naquele apartamento pequeno em Altstadt. Mas o problema agora é que seria Bastian, Mary, o bebê... e eu. Eles vão se casar, estão constituindo família e eu no auge dos meus 35 anos não consigo nem me lembrar quando foi o meu último encontro. Tudo bem, tudo bem, escolhas que fizemos na vida. Talvez se eu ainda estivesse namorando com Kathrin, muito provavelmente eu estaria casado agora, só que eu não a amava mais e não podia passar o resto dos meus dias amarrado à uma mentira.
Não podia negar que eu estava triste, parecia um tanto egoísta, mas de fato eu estava pra lá da Lana del Rey. Só um Born to die faria sentido agora e mais uma cerveja tão amarga quanto a minha vida amorosa. Eu estava ficando para trás, todos os meus amigos e o meu irmão estavam muito bem obrigado com seus respectivos parceiros e filhos e eu... Eu estava contando os dias para fechar a minha loja de discos até o momento que tudo mudou, assim, de repente.
Mary e eu estávamos empacotando os últimos discos dos Smiths quando ouvimos o soar do sino indicando a entrada de alguém e finalmente era um cliente. Mary olhou para mim e deu uma piscadela, aquele tipo de piscadinha que só os melhores amigos dão para melhorar a nossa autoestima. Dali ela partiu para as escadas a fim de guardar os discos no sótão.
      - Olá, posso te ajudar?
      - Só estou dando uma olhadinha. - ela falou pausadamente, tirando o óculos de sol.
Era a Rafaela Leutnant, aqui na minha loja, eu mal podia acreditar. A melhor e maior atriz do Hollywood estava na minha frene. A mais divina, sutil e bela mulher na terra. De estatura baixa, ela vestia um vestido curto amarelo, com gola branca e meias-calças pretas para aquecê-la do frio de Munique. Seu casaco de lã parecia ser fofo e quentinho, como uma manta de bebê. O perfume dela me dava arrepios, era de fragrância doce e cítrica ao mesmo tempo, não conseguia explicar, mas era perfeito.
      - Eu também gosto de David Bowie.
Droga, eu simplesmente não conseguia me controlar de tanta felicidade. Era simplesmente incrível ter um cliente na loja e ainda mais um de Hollywood. Parecia não ser real.
      - Para mim David foi o melhor de todos, simplesmente um gênio.
      - É, é isso, para mim também. - falei sorrindo abertamente - Nós temos outros álbuns dele também, se você quiser ver...
      - Não, não. Eu só preciso deste, era o que faltava para a minha coleção.
      - E você conhece a história de "Heroes"?
Tá, tudo bem... você aí deve estar pensando que eu sou um macho palestrinha para encher o saco dessa linda moça até ela desistir de mim por achar que eu estava fazendo mansplaining, mas você militou errado. Todos os meus flertes envolviam história da música e talvez fosse por isso o meu fracasso no amor, mas eu nunca perdi a esperança. Algum dia alguém se encantaria com a minha inteligência musical.
E foi aí que eu prendi a atenção de Leutnant pela primeira vez. Disse para ela que a história de Heroes envolvia o drama de um casal dividido pelo muro de Berlim, onde eles se beijaram pela última vez e era esse o porquê eles poderiam ser heróis por um único dia. Não entendi muito bem o motivo, porém, sei que duas lágrimas solitárias escorreram dos olhos de Rafaela. Ela se emocionou com a história e me perguntou se era mesmo real. Disse que sim, jurei de pé junto e em nome do David Bowie.
Ela ajeitou a boina preta que cobria o topo de seus cabelos castanhos compridos, passou os dedos abaixo dos olhos e agarrou o disco como se fosse um ursinho de pelúcia, apesar do pó. Eram 25 euros, mas pela beleza e simpatia de Rafaela, eu deixei por vinte. Tá bom, tá bom, eu sei que ela é rica, provavelmente uma milionária de Beverly Hills, mas o bom vendedor sempre precisa de um charme para conquistar a freguesia. E eu me esforcei muito, ok?
      - Seu nome é?
      - Manuel. Manuel Neuer.
      - Prazer, Manuel. Muito obrigada.
Ela colocou o disco na sacola retornável, sorriu para mim e foi embora. Assim, simplesmente. Andou dez passos até a porta, fechou e do lado de fora olhou para trás. Sorriu mais uma vez e acenou. Ela foi embora da minha vida.
Segundos depois da saída de Rafaela, meu amigo Bastian cruzava a porta de entrada e já chegava gastando o ar dos pulmões, dizendo que estava frio demais.
      - Mas caraca, Bastian, tu tá metido numa velha. Como você tá chato.
      - Para com isso, tá ventando muito.
      - Ui ui ui, a barbiezinha não pode ficar com cabelo bagunçado.
      - Eu quero ficar arrumadinho, tá bom?
Bastian era um ser a parte, único, sério, você jamais encontraria alguém na Terra como ele, pois ele é a mistura das tribos. Uma hora heterotop, na outra um galã da novela das nove, depois ele parece uma velha reclamona, na sequência o tio do pavê. Por essas e por outras, ele é o melhor amigo que eu poderia ter.
      - Entra um anjo caído do céu nesta loja e depois chega você: a visão dos infernos.
      - Quem entrou aqui antes de mim?
      - Ãn? Ninguém. Nada.
      - Eu hein, Manuel, tá de segredinho? Foi alguém famoso? Seria bem legal se alguém famoso entrasse nessa espelunca aqui. Sabe, uma vez eu encontrei o John Travolta numa viagem que eu fiz até Berlim.
      - Legal. - falei sem achar legal. Aliás, legal é uma palavra bem vagabunda que não quer dizer nada.
      - É, mas o John Travolta não é uma pessoa legal para entrar numa loja de discos. Aquele burguesinho de Beverly Hills. Queria alguém mais gente como a gente, sabe? Tipo o LeBron James.
      - LeBron é gente como a gente agora?
Ria das ideias de Basti, que tentava explicar agora como LeBron fazia parte do nosso squad de pobres e lascados na vida, aquilo simplesmente não fazia sentido. Enquanto eu arrumava as últimas caixas e desligava as luzes da vitrine, minha mente divagava entre Bowie e Leutnant. Alguma parte de mim, muito iludida por sinal, dizia que aquela mulher voltaria na minha loja. Por que? Porque é um lugar agradável, de boa músicas, com ótimos preços e porque eu sou um carinha muito gente boa... não, não, não... por mim não. Quer dizer, pelas minhas histórias. É, definitivamente é isso.
      - Por que você não deixa de discutir sobre LeBron James e me leva logo para jantar? - dizia Mary descendo as escadas, claramente escutando a nossa conversa.
      - Oi, amor. Tudo bem com você? Boa noite. Eu estou bem, obrigado.
      - Bastian, sem mais delongas. Quero comer yakisoba. E tem que ser do Gotzeus, se não for do bar Gotzeus, sinto muito, mas sua filha vai nascer com cara de yakisoba.
      - Tá bom, vamos lá. E lá se vai o meu VR.
Bastian e eu desligamos os rádios e as luzes da loja de discos, enquanto Mary jogava no lixo as caixas de papelão. Éramos uma boa equipe, na verdade, uma ótima equipe. Invencíveis, apesar do fracasso comercial que nos traçava ao caminho da falência. O que aconteceria se aquela loja entrasse em calamidade e não tivéssemos mais dinheiro para cuidar do bebê? Meu Deus...
      - Ei, Manu. Você conseguiu vender algum disco?
      - Sim, lá se foi o último exemplar de Heroes, do Bowie.
      - Que maravilha! Mandou muito bem, sócio.
      - I, I will be king. - cantei.
      - And you, you will be queen. - Bastian cantou abraçando Mary.
E assim terminava a nossa noite. Eles dois andando abraçados pela rua e caminhando em direção ao final feliz. Enquanto eu, bem... Eu estava em devaneios com a possibilidade da insônia, devido à minha mais nova cliente fã de Bowie.


Notas Finais


se essa rua se essa rua fosse minha
eu mandava mandava ladrilhar
com pedrinhas com pedrinhas de brilhante
só pro meu
só pro meu amor passar


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...