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História Heróis do amanhã: Em busca da filha de Atena - Capítulo 14


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Notas do Autor


Migos e migas, perdoem-me pelo capítulo gigantesco, mas esse é especial e com muitas revelações... Simplesmente amei escrever ele, sério. E tô muito ansiosa pra saber a opinião de vocês.

Antes que eu esqueça, tenho que explicar pra vocês porque eu mudei o nome da fic. A ideia é que "Heróis do amanhã" seja tp o nome da saga e "Em busca da filha de Atena" seja o nome do primeiro livro.

Agora,
são quase meia-noite e amanhã eu tenho que acordar cedo pra EAD.

Portanto,
adeus.

Capítulo 14 - Em busca da filha de Atena: Capitulum XIV


Alex se perdeu no tempo enquanto mergulhava. Assim, quando pensou que sua ausência provavelmente já fora notada, resolve voltar, contrariando seu verdadeiro desejo. Ao pisar na areia seca, o peso do jeans molhado começa a incomodar, algo que não notara na água. A blusa do acampamento grudava em seu tronco, deixando evidente suas curvas delicadas, e o cabelo encharcado, ainda mais escuro agora, grudava ao pescoço e costas. Os olhos cinzentos, no momento levemente esverdeados, brilhavam com a luz do Sol, e o vento frio de outono batia na pele da semideusa, ocasionando arrepios.

Após torcer um pouco o cabelo e a borda da blusa, recolhe os tênis na areia e sobe novamente, descalça, em direção ao chalé onze. A grama verde fazia cócegas na sola de seus pés e Alex tremia um pouco devido ao frio. Enquanto contornava o pavilhão, a garota é surpreendida por Isabelle, que não deixa de comentar o quanto ela estava ensopada e que pegaria um resfriado.

— Afinal, onde estava? Perguntei a Arthur e ele me disse que não te via desde que saiu correndo da aula de esgrima uma hora atrás.

— Eu não saí correndo. Eu estava com calor, por isso pensei que seria uma boa ideia dar um mergulho no mar.

— De roupa?

— Eu não tinha biquíni. — deu de ombros.

— Certo. Bom, por que não vem até a minha casa se trocar? Tenho certeza de que vai ser mais confortável do que o chalé de Hermes. Posso inclusive te emprestar outras roupas.

— Não é necessário. De verdade. — responde. — Tenho quase certeza de que vi outra calça na sacola.

— Não seja boba — ela fala, com um sorriso brilhante. — Eu insisto.

— Ah... tudo bem. — cede, ao perceber que não adiantaria de nada discutir.

— Perfeito! Vamos. — ainda sorrindo, ela fala, se virando rapidamente.

O cabelo castanho e comprido, preso em um rabo de cavalo alto, balançava em suas costas à medida que caminhava. A blusa laranja combinava com a pele bronzeada e ressaltava a silhueta perfeita da garota, diferente do que aconteceria com qualquer outra pessoa que vestisse a camiseta. Também usava um short jeans claro mais curto do que Alex ousaria comprar. A garota era tão bela quanto a própria Kim Kardashian, e era notável que, assim como o irmão, ela sabia disso.

— Pensei que todos os campistas vivessem nos chalés. — exclama, caminhando ao lado de Isabelle.

— A maioria sim, mas existem aqueles que possuem pais semideuses aqui no acampamento. Meus pais, por exemplo, vivem aqui desde os 17. Antes da nossa geração, não era muito comum semideuses formarem uma família, mas as coisas começaram a mudar. Quando isso aconteceu, o Acampamento Meio-Sangue, mais especificamente Percy Jackson, pediu a Zeus que expandisse a área do acampamento, aumentando as fronteiras, de forma que fosse possível construir lugares para que os meio-sangues mais velhos pudessem formar uma família em segurança, sem o medo de ser atacado por um monstro lá fora.

— Então — faz uma pausa. — Toda essa ideia foi de Percy?

— De fazer isso aqui? Sim. Mas a ideia original é dos romanos. Na única vez que visitei o Acampamento Júpiter pude ver como todo o lugar foi perfeitamente planejado. É duas vezes maior do que isso aqui. Temos admitir, os romanos fizeram um excelente trabalho.

— Você nasceu aqui? — pergunto, e ela afirma com a cabeça. — Quantas vezes já saiu do acampamento?

— Apenas uma, quando fui visitar o outro acampamento. Não saio muito em missões. Isso é mais com Arthur. — ela para de andar após falar isso, e Alex percebe que se encontravam em frente a uma das casas aleatórias que se estavam agrupadas, como em um condomínio, por toda a fronteira do acampamento.

Por fora, assim como do lado de dentro, a construção era igual a uma casa americana normal, o que destoava com o resto do acampamento. O hall de entrada levava a um corredor que dava à sala de estar, jantar e cozinha, exibindo um conceito aberto. De frente a um enorme sofá reclinável de veludo bege, uma TV de 49 polegadas se encontrava presa a um painel de madeira escura, que combinava perfeitamente com o ambiente. Todas as paredes, exceto as da cozinha, que gozavam de ladrilhos brancos perfeitamente limpos, foram pintadas em um tom de cinza claro, o que tornava possível a utilização de objetos de decoração coloridos, como as almofadas estampadas sobre o sofá. Atrás dele, a grande mesa de vidro formava arcos-íris nas paredes com a luz do Sol que vinha das janelas. A cozinha era moderna e bonita, e julgando pelo perfeito estado de conservação, raramente utilizada. Uma escada em U levava ao segundo andar que, como Alex deduzira, era onde os quartos se encontravam.

Subiu a escada logo atrás de Isabelle. Ela dava a um corredor decorado com quadros, assim como o da entrada. Nele haviam quatro portas de madeira brancas fechadas e a garota a guia até a última à direita. Felizmente, durante o caminho, a roupa de Alex foi secando, de forma que agora não precisava se preocupar em molhar toda a casa.

O quarto de Isabelle era exatamente como Alex imaginara, cheio de veludo e rosa. Entretanto, não imaginara toda a bagunça no aposento. Roupas se espalhavam pelo chão, cama e escrivaninha, inclusive roupas íntimas. Por incrível que pareça, a cama estava feita e era coberta por um edredom rosa bebê. Acima da cabeceira branca clássica, um espelho se estendia preenchendo toda a parede, e um tapete de veludo branco ocupava a metade do quarto. Um lustre de cristais de vidro, que pareciam rosa devido ao Sol que passava pela fina cortina dessa cor, pendia no meio da suíte.

Apenas as roupas espalhadas pelo o chão eram o suficiente para encher todo o guarda-roupa de Alex, o que fez a garota sentir uma pontada de inveja. E, ao contrário dela, Isabelle não parecia reparar na bagunça.

— Imagino que queira tomar um banho. Pode usar o meu banheiro, a toalha branca está limpa. — ela fala, apontando para a outra porta do quarto. — Enquanto isso, eu tento encontrar uma roupa minha que te sirva. 

Alex agradece, com um sorriso tímido e caminha em direção à porta fechada, deixando o All Star, que levava na mão, no canto. A semideusa não se surpreendeu com a bagunça que o banheiro também se encontrava. A pia estava ocupada por uma chapinha, um babyliss e um secador, além dos diversos prendedores e escovas de cabelo, dos pincéis e palhetas de maquiagem. Uma calcinha preta estava dependurada no registro do chuveiro e o tapete do banheiro se encontrava enrolado no meio do piso.

— E depois minha mãe reclamava da minha bagunça. — Alex fala, no pensamento.

Ela encontrou a toalha branca dependurada em um dos suportes na parede e, tirando a roupa úmida, entra no chuveiro. Vinte minutos depois, com o cabelo devidamente lavado, entra novamente no quarto, ainda tentando prender a toalha, agora enrolada no corpo. Quase tarde demais, percebe que Isabelle não era a única no aposento.

A garota arregala os olhos ao notar Arthur mirando-a com as sobrancelhas levemente levantadas.

— Acho que essa é minha deixa. — ele diz, antes que ela tenha chance de falar alguma coisa, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.

— Me desculpa mesmo, Alex! — Isabelle fala, realmente arrependida. — Ele entrou no meu quarto agora e eu não pensei que você sairia tão rápido.

— Não tem problema — minto.

— Tem certeza? — ela me pergunta, com os olhos cheios de lágrimas.

Aham — respondo, segurando firmemente a toalha.

— Eu vou lá embaixo buscar uma água — ela avisa. — Enquanto isso você pode se trocar. Deixei a roupa separada em cima da cama.

Ela repara no short e na camiseta estendidos no meio da bagunça e, após a outra sair, retira a toalha e se veste rapidamente, ainda com o peito disparado pelo susto e constrangimento.

Sabia que compartilhar roupas íntimas não era a coisa mais higiênica do mundo, no entanto, era isso ou usar as molhadas. Alex utiliza a toalha para tirar o excesso de água do cabelo. Quando Isabelle entra, ela encontra a outra se olhando no espelho com dúvida.

— Algum problema?

— Você não acha que está um pouco curto e justo demais? — Alex pergunta, e a outra responde com um aceno de mão refutando a ideia.

— Você está ótima e tem um corpo lindo. Por que esconder alguma coisa?

— Eu não costumo usar nada tão curto. — ela fala, puxando um pouco a blusa vermelha de manga para baixo, tentando cobrir o cós do short de malha preta.

A parte de baixo era um verdadeiro desafio. Se puxasse muito para cima, parte do traseiro aparecia, mas se puxasse para baixo, um pedaço da barriga ficava exposto, deixando a menina um pouco frustrada.

— Besteira — Isabelle fala, negando com a mão novamente. — O que acha de secarmos seu cabelo?

— Realmente, não precisa. Eu gosto dele natural. — a expressão animada de Isabelle murcha, e Alex percebe ter soado um pouco grossa. — Apesar de que, eu tenho certeza que você faria um trabalho maravilhoso. Isabelle, eu tenho que te agradecer por estar me ajudando tanto. Não sei se teria conseguido me adaptar tão rápido se não fosse por você.

— Não foi nada — ela fala, com o sorriso de volta ao rosto. — e pode me chamar de Izzy.

— Certo — a outra diz, e elas riem juntas, por motivo nenhum.

Ao longe, as garotas escutam a trombeta de caramujo soar, anunciando a hora do almoço.

Quando chegam ao pavilhão, elas se separam. Isabelle segue para a mesa do chalé dez e Alex para a do chalé onze, como no café da manhã daquele mesmo dia.

Após as oferendas, as conversas, o almoço, as conversas de novo, a sobremesa e, novamente, as conversas, os campistas começam a se retirar das mesas dos chalés e os monitores da mesa principal.

Alex se levanta junto com Logan e, juntos, vão saindo do pavilhão. Ao passarem por uma coluna, são surpreendidos por Isabelle gritando seus nomes. A morena corria e balançava a mão, passando entre as mesas e pessoas. Quando finalmente parou à frente dos dois, não estava nem ao menos ofegante.

— Que bom que consegui alcançar vocês. — ela falou, colocando o cabelo comprido, preso em um rabo de cavalo perfeito, sobre o ombro direito. — Alex, vamos fazer um amistoso de vôlei mais tarde e precisamos de mais um participante. Você anima?

— Eu agradeço o convite, Isabelle...

Izzy, por favor.

— Certo, Izzy — ela diz. — mas vôlei realmente não é minha praia.

— Não se preocupe com isso. — a outra fala, com um sorriso. — Vamos... Será divertido!

— Eu não sei... — os olhos de Izzy estavam tão brilhantes e a voz tão manhosa, que Alex não conseguiu simplesmente dizer “não”.

— Logan irá participar — ela aponta para o garoto alto à sua frente. — e Arthur também...

Alex não pretendia se animar ao saber que o loiro estaria lá, e tentava ao máximo ignorar esse sentimento, se convencendo de que isso era apenas devido ao quanto o garoto lhe intrigava, sem nenhum outro motivo. No entanto... que mal faria um jogo de vôlei? Era uma boa oportunidade para se entrosar. Então, após outras poucas insistências de Isabelle, ela acabou cedendo.

Enquanto esperava a hora do amistoso, permaneceu no chalé onze jogando War com Logan e dois de seus irmãos, Jordan e Nicholas.

Próximo ao fim da partida, e à vitória de Alex, Izzy entrou no chalé, avisando que os outros já se encaminhavam para a quadra. Dessa forma, os três, Isabelle, Alex e Logan, caminharam em direção a esta.

O trajeto não era muito longo, mas também não era curto. E o terreno irregular exigia mais dos músculos. Logan e Izzy pareciam acostumados, mas quando Alex chegou no destino, estava ofegante e precisou parar, apoiando o corpo nos joelhos.

— Temos um isopor com garrafas d’água se você quiser.

Alex já se sentiu um tanto melhor apenas em ouvir “água”. Correu os olhos pela quadra de areia, onde sete pessoas já se encontravam conversando animadamente, e localizou a caixa no gramado. Dentro dela haviam doze garrafas descartáveis mergulhadas em gelo, que já derretia. Pegou uma delas e tomou metade da garrafa em um gole só, tamanha era a sua cede, sentindo-se recuperada imediatamente.

— Uau — Logan exclama. — Estava com cede. A última pessoa que vi engolir tanta água em tão pouco tempo foi o Arthur Cury.

— Quem? — a semideusa pergunta, tampando a garrafinha.

— Arthur Cury... Liga da Justiça... Superman...

— Ah, certo.

A última pessoa a chegar à quadra foi — que surpresa — Arthur, que foi o capitão de um time. O outro ficou por conta de Logan. À vista de Alex, aquilo estava desagradavelmente parecido com a educação física. Eles formaram uma fila horizontal em frente à rede, de forma que todos os participantes ficassem à vista dos capitães. Os garotos tiraram no “pedra, papel e tesoura”, para decidir quem começaria escolhendo, e o vencedor foi Arthur — de novo, que surpresa.

Alex jurava que seria uma das últimas a ser escolhida, talvez não a última, por Logan ser capitão do outro time. Por isso, quando Arthur chamou seu nome, com um sorriso maroto, quase engasgou com a própria saliva. Quase.

Resolveu não comentar nada e apenas se encaminhar para trás do garoto. Quando passou por Logan, ele não a mirou, encarava Arthur de lado, com sentimento no olhar. Seria aquilo raiva?

Talvez como uma forma de “vingança”, por algo que Alex nem sequer havia descoberto o motivo, — rivalidade antiga, talvez? — a primeira escolha de Logan é Isabelle, mas Arthur apenas o olha com um sorriso, como se dissesse: esse é o melhor que pode fazer? Em seguida, ele chama um garoto de cabelos cacheados e pele clara, chamado Sam, e assim vai, até que os dois times tenham um total de seis adolescentes em cada, apesar do vôlei de praia usualmente ter apenas dois participantes por equipe.

Alex é colocada ao fundo, ao lado do garoto dos cachos. A semideusa ainda se perguntava o motivo de Arthur tê-la escolhido para o time. Afinal, o meio-sangue falara com ela apenas para lhe dizer sua posição e nada mais. Imaginou que seria apenas para provocar Logan, — o que era ridículo, na opinião da garota — mas provocá-lo pelo que, ela não sabia. Ainda. E ela sinceramente esperava que ele não a tivesse escolhido por confiar nas suas habilidades de saque.

Quando se posicionou ao fundo da quadra no lado esquerdo, o garoto — Sam — a olhou, encarando-a descaradamente e tombando um pouco a cabeça para o lado. Antes de Alex poder perguntar o motivo de ele a estar encarando, ele diz:

— Você é a nova campista. Alex, certo?

— Ah, é. Sou eu.

— Sou Sam Valdez. É um prazer conhecê-la. — ele fala, estendendo a mão e com um sorriso de lado, na falha tentativa de parecer galante.

Alex o cumprimenta, segurando o riso.

— Você me parece familiar...

— Acho difícil que você já tenha visto um rosto tão lindo quanto o meu. — ele brinca, mas ela permanecia focada, analisando-o, e tentando lembrar onde já o havia visto.

— É claro! — Alex fala, como quem diz “eureca”. — Acho que conheci seu pai... Leo, certo? Ele estava te procurando hoje cedo.

— Ah — Sam fala, levemente surpreso. — É, ele estava me procurando para que eu cuidasse da minha irmã por algumas horas.

— Isso mesmo!

Antes de terem a chance de falar outra coisa, escutam, e veem pelo canto do olho, a bola ser sacada por Isabelle.

— Então... você gosta de vôlei? — ele fala, tentando continuar a conversa, tirando os olhos da partida por um instante.

— Na realidade, sou péssima, mas Isabelle insistiu.

— Sério? Então estamos ferrados, porque eu também sou péssimo. — Valdez fala, e ela retira a atenção da partida por alguns segundos, apenas para olhar o sorriso travesso estampado na cara do outro.

Devido à distração, Alex quase leva uma bolada na cara. Contudo, no último instante, a garota ergue a mão, agindo por instinto, literalmente socando a bola. A meio-sangue fecha os olhos, apertando-os e esperando o som do objeto cair no chão. No entanto, ele nunca vem. Ao contrário, o vê sendo rebatido por Arthur, no meio da quadra e em frente à rede, lançando-a, em seguida, no campo adversário. Logan, assim como o outro, na posição de levantador, não consegue impedir que a bola passe e, por pouco, sendo perdida por um dos garotos à direita. A esfera de couro sintético velho bate forte na areia, apenas uma vez, rolando um pouco para o lado.

Alex entende o que aconteceu apenas quando Logan soa o apito vermelho dependurado no pescoço, declarando um ponto para a equipe de Arthur.

— Péssima, hum? — Sam fala, com um sorriso brincalhão, olhando para ela.

Eles permanecem conversando durante toda a partida e, por causa disso, o garoto acaba sendo atingido pela bola na cabeça uma vez. No final, eles venceram, e, no geral, na opinião de Alex, o jogo havia sido divertido, apesar de geralmente não gostar do esporte.

 

Naquela noite, teria fogueira novamente. Assim como no dia anterior, aquele havia sido o momento em que se sentira mais “parte do grupo”. Se sentou sozinha na areia por um tempo, próxima à enorme fogueira, no momento de uma cor laranja vivo que combinava com a sua camiseta. Inclusive pegara um graveto com marshmallow. Enquanto ela estava entretida com a cantoria, alguém se senta silenciosamente ao seu lado, de forma que note sua presença — com um susto de bônus — apenas quando o garoto começa a falar.

— O que está fazendo sozinha?

— Por que quer saber? — Alex pergunta, com indiferença e a voz ligeiramente alterada pelo susto.

Ele ri pelo nariz, levantando um pouco o canto esquerdo da boca, como a sombra de um sorriso.

— Não costumo te ver sozinha.

— Por acaso tem me observado? — ela provoca.

— Você bem que gostaria. — ele revida, mas ela não se rende.

— Ah, é? E por quê? — a garota diz, com um sorriso de escárnio se formando em seu rosto e uma sobrancelha se levantando.

— Não é como se eu não tivesse notado você me observando — o sorriso dela vacila. Felizmente, para Alex, ele não a mirava. Levando o tronco para trás e apoiando o corpo nos braços, ele mantinha o rosto virado para o fogo.

Naquela posição e com a luz da fogueira refletida em sua frente, o garoto parecia ainda mais belo, com os olhos dourados brilhando e o cabelo ainda mais loiro com as chamas. A postura relaxada, com as pernas esticadas à frente, exalava calma e tranquilidade, e a camisa cinza justa torneava seu abdômen definido, deixando à amostra os braços fortes demais para um garoto de 16 anos. Os dedos finos e compridos das mãos apoiadas no chão pareciam brincar com a areia, um resquício da sua hiperatividade, geralmente contida por ele. Na curva da sobrancelha, a cicatriz quase não era perceptível.

Por alguns instantes, Alex se perdeu na imagem do garoto, por mais que ela lutasse contra isso. Saiu do transe apenas quando o ouviu se pronunciar novamente.

— Não se preocupe, eu causo esse efeito nas pessoas. Principalmente, nas garotas.

— Como é que é? — ela pergunta, mas ele dá de ombros, não falando mais nada.

A garota estava pronta para questioná-lo, quando percebe que seu marshmallow estava prestes a queimar. Aproximando o graveto comprido, ela assopra o doce e começa a mordiscá-lo pelas pontas.

— Como você gosta disso? — o loiro pergunta, sentando com as pernas cruzadas novamente e apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Como você não gosta? — Alex exclama, indignada.

— É muito... doce — ele diz, franzindo as sobrancelhas grossas.

— É perfeito! — a garota fala, com os olhos levemente arregalados. — Prova — ela estica o graveto em sua direção.

— Sem chance. Tenho diabetes só de olhar.

— Te garanto que você vai gostar — a semideusa insiste, aproximando ainda mais o graveto do garoto, que, no fim, se dá por vencido e acaba experimentando um pedaço.

Após fazer caras, levantando as sobrancelhas e mexendo os olhos, como um jurado em um concurso de comida, ele dá o veredito.

— Pior do que eu me lembrava.

Pior do que você se lembrava?

— Definitivamente.

— Eu juro que nunca vou te entender — ela solta.

Em dado momento, Alex começa a cantar junto aos outros, à medida que as chamas ficavam douradas, e incomoda Arthur para que ele cante junto, o que ele se recusa a fazer e, após alguns minutos, ela desiste de tentar.

Quando a Lua já estava quase em seu ponto mais alto, Quíron galopa até o centro do pavilhão, batendo os cascos, chamando a atenção e o silencio dos presentes.

— Espero que todos tenham se divertido essa noite, mas, infelizmente, está na hora de irmos para cama — o centauro anuncia, e um resmungo coletivo é ouvido. — Queria lembrá-los que amanhã terá captura da bandeira e depois... — mas ele não termina sua frase, é interrompido por cochichos vindo de todas as direções.

Alex apenas nota que todos a encaravam quando o próprio Quíron a mira. Se vira para o lado, prestes a perguntar a Arthur por que todos a encaravam, mas ele apenas aponta para algo em cima de sua cabeça. A garota vira o pescoço para trás e quase cai de costas ao ver a forma prateada que se encontrava acima de si. De baixo, era difícil distinguir a forma com clareza, mas, na visão de Alex, parecia uma coruja com as asas abertas. Antes que a miragem sumisse por completo, outra começa a se formar, dessa vez em uma cor verde azulada. A semideusa olhou o desenho, tentando identificar o novo. Um garfo?, pensou, refutando a ideia antes mesmo de formá-la. Óbvio que não era um garfo. Um tridente. O...

— ... símbolo de Poseidon. — Arthur completou, como se lesse os pensamentos da garota.

— Está determinada — Quíron anuncia. — Salve, Alexandra Chase, filha de Percy Jackson e Annabeth Chase. Descendente de Poseidon e Atena.

Até mesmo Arthur a encarava surpreso. Todos estavam tão chocados que os sussurros começaram apenas instantes depois, mas Alex sequer os ouviu.

Sentia como se a mente e o corpo tivessem travado. Como em um bug de computador. Nem sequer pensava em nada, de tão atônita que estava. Automaticamente, procurou Percy na multidão com os olhos, mas não o encontrou. A única coisa que o cérebro nem um pouco lúcido de Alex conseguia dizer era: O quê? E era isso que ele repetia antes de sua visão ficar turva e escurecer aos poucos.


Notas Finais


Migos e migas, perdoem-me pelo capítulo gigantesco, mas esse é especial e com muitas revelações... Simplesmente amei escrever ele, sério. E tô muito ansiosa pra saber a opinião de vocês.

Antes que eu esqueça, tenho que explicar pra vocês porque eu mudei o nome da fic. A ideia é que "Heróis do amanhã" seja tp o nome da saga e "Em busca da filha de Atena" seja o nome do primeiro livro.

Agora,
são quase meia-noite e amanhã eu tenho que acordar cedo pra EAD.

Portanto,
adeus.


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