História He's Just A Crush - Capítulo 5


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Categorias Panic! At The Disco, Twenty One Pilots
Personagens Brendon Urie, Dallon Weekes, Josh Dun, Ryan Ross, Tyler Joseph
Tags Brendon Urie, Josh Dun, Joshler, Longfic, Twenty One Pilots, Tyler Joseph, Tysh
Visualizações 88
Palavras 1.053
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Slash
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Cinco


Naquela quinta o mundo iria acabar, porque lá estava eu chegando cedo ao inferno que as pessoas chamam de escola.

Eu gosto da escola, só não gosto das pessoas que a frequentam.

Se eu fui cedo e quase acabei com a humanidade a culpa é do Tyler. Fui cedo só pra ver se encontrava ele sozinho com alguma desculpa sobre o trabalho de química.

Até quando vou usar esse trabalho como desculpa?

Até a morte e além.

Mas não adiantou nada, porque fiquei esperando e nem sinal dele. Provavelmente ele havia faltado.

Me sinto um idiota.

— E aí? Falou com o Tyler? — Brendon perguntou animado enquanto entrávamos na sala para a primeira aula.

Eu havia comentado com ele sobre tentar falar com Tyler, mas não ia contar a história toda pra ser zoado depois.

— Ah, nem vi ele — respondi fingindo desinteresse.

— Ah, que pena — pareceu decepcionado — Quem sabe outra hora.

É, quem sabe nunca.

Nesse momento, Tyler apareceu na porta, pedindo permissão para entrar, já que a professora havia chegado.

[...]


Hora do intervalo.

E da minha morte também.

Dramático, eu? Jamais.

Tyler estava sentado em uma mesa, sozinho. Ele tinha o olhar baixo, às vezes alguém chegava, trocava umas palavras e depois saía. Parecia que ele não queria conversa.

Eu também não.

— Melhor deixar pra outro dia — eu disse a Brendon, que estava do meu lado, há cinco minutos vigiando o Tyler.

— Outro dia uma ova, vai agora. Eu já perdi parte do meu precioso tempo olhando aquele garoto, e não vou fazer isso "outro dia".

Ele começou a me empurrar. E eu comecei a entrar pânico.

— B-Brendon, n-não por favor — estávamos cada vez mais perto, mas Tyler ainda não havia percebido dois loucos se empurrando.

— E o que eu digo? — aceitei que não teria escolha.

Brendon parou um pouco. Acho que não consegue andar e pensar ao mesmo tempo. 

— Fala sobre o trabalho, sei lá, marca um dia pra se encontrarem com o resto do grupo. Só não dá muito na cara que você gosta dele.

Fácil.

Voltou a me empurrar, eu nem percebi quando comecei a andar por vontade própria.

Mais uns passos e chegamos ao lado da mesa onde Tyler estava. Antes que Brendon pudesse me abandonar o segurei pelo braço. 

Sei que pode parecer que ele só estava tentando não atrapalhar, mas se eu não consigo conversar nem com meu amigo, imagine com o Tyler?

Tyler olhava para a mesa como se fosse incendiá-la com o olhar, quando percebeu que estávamos ali levantou a cabeça.

Eu estava em choque, completamente paralisado. 

— Eaê, Tyler — Brendon o cumprimentou.

— Oi, Brendon — a voz dele estava baixa. 

Ele se virou para mim, e agora eu não poderia desviar o olhar como sempre faço. Era a primeira vez que Tyler me via.

— Oi, hã... — ele não sabia meu nome. 

Nem eu sabia. 

Brendon me cutucou para que eu falasse algo. Olhei para ele, e depois de novo para Tyler. Abri minha boca, mas as palavras simplesmente não saíram.

E pensar que eu idealizei isso tantas vezes. Era só dizer meu nome.

Porque eu sentia vontade de chorar? 

Brendon percebeu que mais um pouco ali e eu desmaiaria.

— Só queria desejar boa sorte no jogo de sexta — se apressou em dizer.

— Ah, obrigado — Tyler ainda olhava para mim confuso, talvez minha cara mostrasse minha situação de desespero.

Brendon me puxou e apenas deixei que ele fizesse isso. Já longe de Tyler eu não consegui evitar que as lágrimas saíssem. Andei em direção ao banheiro, entrei em uma cabine e tranquei a porta.

Eu me sentia horrível agora. Isso era tão vergonhoso.

— Josh... — Brendon me chamou.

Eu não disse nada, nem conseguiria. Meu fôlego estava sendo usado para chorar.

— Não precisa chorar. Por que chorar? 

— Eu sou um idiota — disse baixo.

— Por sentir vergonha? Isso é normal. Todos sentimos vergonha às vezes.

— Você parece nunca sentir vergonha.

— O que? Acha que eu não estou com vergonha de falar com você agora?

— Tem vergonha de mim?

— Não de você, seu besta. Vergonha de falar assim, sério — ele respirou fundo, talvez estivesse mesmo desconfortável — Sabe porque ficamos com vergonha? — eu não estava o vendo, mas sua voz denunciava um sorriso. Inconscientemente eu também sorri.

— Eu só passo vergonha, não tento entender ela — eu estava brincando com minha própria tristeza.

— Porque a gente tem medo de não ser bom o suficiente. Eu tenho medo de não poder te ajudar, de não ser bom amigo o suficiente.

Ficamos em silêncio durante um tempo. Eu refletia sobre o que Brendon havia me dito.

Eu tinha medo de Tyler não gostar de mim.

Isso era tão idiota.

Enxuguei as lágrimas sem muito cuidado e abri a porta devagar.

Brendon estava encostado na pia, com os braços cruzados e olhando distraído para o chão. Quando viu que eu havia saído levantou a cabeça.

— Me desculpa — ele disse.

Fiquei confuso.

— Pelo que? 

— Por ter te obrigado a falar com o Tyler.

— Você não me obrigou. Eu vou ter que falar com ele em algum momento... por causa do trabalho — completei.

— Eu fiquei com medo — ele parecia preocupado agora — me desculpa se às vezes eu não sou tão cuidadoso.

— Tudo bem, eu já superei aquilo — declarei, mas depois pensei melhor — pelo menos achei que tinha superado.

— Claro que superou, você se esforça a cada dia pra isso.

— Depois de hoje acho que não estou me esforçando o suficiente.

— Sem essa de "o suficiente", o que conversamos sobre autodepreciação? 

Eu sorri.

— Certo, certo. Você está certo.

Ele sorriu.

 — Ah, isso é ótimo de se ouvir. Pode dizer de novo pra eu gravar?

— Vai se foder. — eu disse rindo também enquanto saía do banheiro.

— Insensível! — ele me seguiu.

Não é algo que eu gosto de falar, não é muito legal dizer "Olha, eu sofri com fobia social durante a infância, e isso me afeta até hoje." Como Brendon disse, eu já superei isso.

Ele mais que ninguém sabe o que passei, foi a única criança a me dizer que estava tudo bem. Certo que ele se intrometia demais pro meu gosto no começo, mas se não fosse por isso eu nem sei se hoje estaria indo pra escola.

Brendon sempre foi tão sociável com todo mundo, tão popular, tão encrenqueiro, isso me faz pensar o motivo dele ainda ficar ao meu lado.

Acho que isso é o que as pessoas chamam de amizade.





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