História Heterocromáticos - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Loona
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Olivia Hye
Tags Ciencia, Heterocromia, Magia, Namkook, Taegi
Visualizações 35
Palavras 4.810
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi oi
To aqui rindo de nervoso com as aulas voltando amanhã, mas segue o baile.
Tenham uma boa leitura!

Capítulo 3 - Fuga e Abate


Fanfic / Fanfiction Heterocromáticos - Capítulo 3 - Fuga e Abate

Com o que precisavam em mãos saíram de forma sorrateira, aliviados que a pequena matilha de cães especiais para procurarem Originais fora embora com o cair da noite, talvez devido a outras presenças nas redondezas, dando oportunidade para que voltassem para o apartamento uma última vez.

– Eles devem estar por perto ainda, não vai demorar muito até soldados isolarem a área. – Taehyung murmura nervoso, olhando em volta como se buscasse o mínimo de um movimento suspeito. Atrás dele o Marcado o seguia, prestando atenção no caminho que seus pés percorriam, os ouvidos atentos também a qualquer som estranho.

Olivia segurava as alças da mochila com força, mantendo-se perto de Namjoon, mas um pouco atrás para ter Yoongi em seu campo de visão. Naquela noite o céu não estava tão nublado e até algumas estrelas despontavam aqui e ali, mas eram muito poucas pois as luzes da cidade não permitiam que aparecessem.

As ruas durante aquele horário eram praticamente desertas em sua maioria, o que facilitava a locomoção, porém ainda era preciso evitar as ruas principais e buscar caminhos alternativos. As pessoas temiam o que poderia estar escondido a cada esquina, assim como os quatro também temiam naquele momento, alguns ainda se recusavam a viverem trancados em suas casas e por vezes saia no noticiário sobre algumas manifestações à respeito da falta de posição do governo diante do caos que estava tomando conta das cidades, então há alguns meses tem sido adotadas novas medidas, como a de cães saídos direto de laboratórios com características próprias para procurarem e imobilizarem qualquer ser humano de origem suspeita.

O trio havia lidado com alguns deles antes de chegarem no apartamento em que moravam e foram surpreendidos ao ponto de quase terem sido pegos, não fosse por outros Originais que seguiam viagem com eles, mas que acabaram sendo levados por aqueles comboios de carros blindados, resistentes até mesmo às chamas de Olivia.

O episódio os abalou bastante, principalmente a Olivia que nunca tinha visto outros iguais a ela serem levados e ficou pensando por longas horas que quase também fora levada uma vez, imaginando qual teria sido seu destino. Chegava a ser sufocante pensar em como pareciam estar cada vez mais encurralados, queria muito que tudo não passasse de algum pesadelo.

Enquanto isso Taehyung pensava em uma opção de chegarem mais rápido em Seul, seria loucura caminharem até lá tendo que se esconderem e se preocuparem em não serem atacados por bestas. No entanto, seu olhar repousava sobre Yoongi volta e meia, o que estava deixando o Criado nervoso com o que poderia estar passando em sua mente.

– E se nós pegarmos o metrô? Seria bem mais rápido. – decidiu falar de uma vez, tendo três pares de olhos mirados em si.

– Impossível. É cheio de gente, como vamos entrar em um vagão sem que percebam quem somos? Ainda mais com aquele ali. – Namjoon indicou o Criado, que colocou a mão sobre a tatuagem em seu rosto.

– Podemos nos disfarçar com aquelas máscaras que as pessoas usam. – continuou tentando, o nervosismo que o tomava fazia com que arrancasse a casca formada onde o caco de vidro cortara seu rosto, sentindo o sangue sujar sua unha.

A forma com que seu amigo retorceu a boca deixava claro que ele não aprovava a ideia, detestava aquelas máscaras, mas por hora parecia a melhor opção deles. Um acenar discreto foi seu voto de apoio a ideia e para a adolescente qualquer plano que os mantivessem longe de perigo por enquanto parecia válida, já Yoongi, a qual não podia se manifestar sendo um prisioneiro, sentia-se cada vez pior por estar se afastando de suas origens e uma sensação incômoda o tomava, só não sabia dizer se era pelo cansaço ou por outra coisa.

Para colocarem o plano em ação precisaram furtar uma loja de esquina que vendia aquelas máscaras, fazendo um calafrio percorrer o corpo de Taehyung ao ver tantas juntas penduradas em uma parede. Tinha pedido para Namjoon fazer aquilo para poder ficar de olho no Criado, mas o amigo recusou-se e Taehyung não quis insistir sabendo que algo naquelas máscaras o perturbavam.

Sua mente se focava em manter um garoto que cuidava da loja vigiando-a através de câmeras apagado enquanto pegava o que precisava, seu olhar repousando sobre outra coisa que chamou sua atenção e pegando algumas antes de sair correndo, sabendo que quando o vigilante acordasse e visse a movimentação nas filmagens avisaria as autoridades.

– Consegui! – disse afobado pela corrida que havia feito, parando um instante com as mãos nos joelhos e esperava a pontada em sua cabeça parar. Misturar suas habilidades com esforço físico ainda o cansava mais rápido do que gostaria, ainda mais quando entrava em uma mente desconhecida, a carga de informações o sobrecarregavam e ele sabia que deveria treinar mais para que não fosse derrotado tão facilmente. – Cada um coloca uma, logo a polícia será acionada então vamos prosseguindo.

Bastou terminar sua fala para ouvir as sirenes ao longe, agora era questão de tempo até seu rosto ser colocado em mais um cartaz de procurado, antes tivesse tomado mais cuidado.

Após colocar a sua tratou de pegar as correntes, que estranhou estarem folgadas nas mãos de Olivia, e correu junto aos outros para o acesso mais próximo do metrô. O movimento ali era grande e há muito Taehyung não ficava entre tantas pessoas, lembrava de quando era bem mais novo e sua mãe o carregava no colo andando com a mesma pressa que eles e fugindo das mesmas pessoas, vendo-se em um looping por toda sua vida.

Queria mudar aquilo, desejava poder andar na multidão sem ter a sensação claustrofóbica de que todos o queriam longe ou morto por ser considerado uma aberração. Sonhava com o momento em que não precisaria mais se esconder e sentaria numa lanchonete para comer tranquilo sem que as pessoas mudassem de mesa para longe de si achando que iria fazer algum mal a elas. Sua mãe o dizia que não havia nada de errado com ele para tranquiliza-lo quando essas situações ocorriam, mas não era essa receptividade que recebia quando viam seu olho e depois do incidente que fizera ele e sua mãe se separarem para sempre, chegou a recusar-se em usar seu poder durante muito tempo, até que ele conheceu Namjoon.

Devido ao horário não tiveram dificuldade em encontrar um vagão vazio e um suspiro baixo escapou de cada um quando o metrô começou a mover-se em direção a Seul. Pela janela era possível ver enquanto passavam pela área descoberta uma luz vermelha no céu, possivelmente onde estavam a minutos atrás, fora por muito pouco que não tinham sido encurralados.

Taehyung finalmente pareceu sentir a tensão em seu corpo diminuir, estivera tenso por pelo menos duas noites desde que foram atrás daquele grupo de Marcados e ao menos conseguira pregar os olhos por mais de poucas horas. Ao seu lado, com as pernas cruzadas sobre o banco, Yoongi o olhava, ainda que fosse estranho para si ter a cabeça dentro daquela máscara em que mal conseguia respirar direito e fazia gotículas de suor se concentrarem em suas têmporas. Naquele momento esses detalhes não o incomodavam tanto, mas sim o fato de ter passado entre tanta gente usando uma coleira e ninguém ao menos reparou. E, ainda sem se comunicar diretamente com Taehyung, indicou a coleira em seu pescoço, a cabeça tombando um pouco em confusão.

– Ah, eu só fiz com que as pessoas ignorassem que estava usando a coleira. – comentou com um jogar de ombros – Seria muito cansativo eu tentar fazer com que ignorassem a todos nós, mas uma coleira é até que fácil. – Algo pareceu lhe ocorrer e sua mão foi para dentro do casaco que usava, tirando dali uma sacola com o item interessante que havia achado na loja. – Tira a máscara. – ordenou.

Yoongi estranhou a ordem, estava admirado com o poder de manipular a mente de Taehyung, mas isso o tornava ainda mais desconfiado, como saber o que aquele Original pretendia? Da última vez que encarara aqueles olhos conseguira uma coleira que apertava seu pescoço e o tornava um potente condutor de eletricidade, vai saber o que mais ele tramava. Se pudesse teria terminado o que tentou antes e rasgaria o pescoço dele para que pudesse fugir, mas a descarga de energia que havia sentido era uma dor ruim o bastante para que ele não quisesse repetir a dose e Namjoon parecia nunca desfocar a atenção de si.

Percebendo que o outro não iria fazer o que lhe foi pedido, enfiou a mão na sacola, retirando dali uma barrinha de chocolate e a estendeu na direção de Yoongi, que inicialmente recuou como sempre, os olhos atentos tentando saber as intenções de Taehyung para consigo.

– Vamos, é só chocolate. Não sei o que você comia quando convivia junto com aquelas bestas, ou se comia, mas a sua magreza é um pouco preocupante. E... – mordeu a própria ponta da língua, meio incerto de suas palavras – Minha mãe comprava uma barrinha para mim às vezes, quando eu ficava muito chateado com alguma coisa. – completou, ainda com a mão estendida, esperando que Yoongi pegasse o doce de sua mão. – Acho que eu ter te trago e essa confusão toda já o chateou o bastante.

Namjoon e Olivia olhavam com certa curiosidade a cena que se desenrolava, vendo Yoongi tirar a máscara e pegar o doce com receio, um vinco formado entre seus olhos com a estranha gentileza. Nunca comera chocolate em toda sua vida e ao menos imaginava qual seria o gosto, mas agradeceu de forma muda o gesto e foi o mais longe que a corrente que o prendia a Taehyung o permitiu para comer a barra sem que estivesse encarando aquele Original, isso depois de muito olhar a embalagem para saber se estava bem lacrada.

Um pequeno sorriso enfeitava o rosto de Olivia com o que via e ele aumentou ainda mais quando o amigo também a ofereceu uma barrinha, fazendo o mesmo com Namjoon. Por fim, todos estavam sem as máscaras, curtindo um pouco dos efeitos que o açúcar fazia em seus paladares. Não houvera tempo para comerem antes de saírem às pressas, então o chocolate era mais que bem-vindo, mas não quiseram abusar muito do momento de paz e logo colocaram os disfarces de volta, com medo que alguém pudesse entrar ali e vê-los sem elas.

Não sabiam o que esperar de Seul e torciam para que as coisas estivessem um pouco mais fáceis por lá, talvez por ser mais próxima às fronteiras com a Coréia do Norte teria muito mais soldados e rondas, mas naquele momento não queriam pensar naquilo. Olivia não demorou a cair no sono sobre o braço de Namjoon, que logo a ajeitou, fazendo de seu colo um travesseiro para ela. Já Taehyung recostou-se sentado mesmo, mas não se deixou ser levado pelo sono para ficar de olho no Criado, que ainda mantinha o papel da barrinha de chocolate em mãos e não soube dizer o que se passava em sua cabeça, pois seus pensamentos eram confusos e estranhos, o que só renderia uma dor de cabeça caso tentasse desembaraçar todo aquele nó. Preferiu então ficar apenas olhando a noite que terminava para logo dar lugar a mais um dia, ainda que o balançar do vagão o ninasse e em poucos minutos percebeu restar apenas ele e Yoongi acordados.

– Yoongi... – chamou sonolento, percebendo o movimento exagerado do outro por tê-lo chamado pelo nome, ainda que nunca houvesse o dito em sua presença. – Eu te trouxe e o estou protegendo por uma razão. – prosseguiu, piscando os olhos diversas vezes para manter-se desperto. – Mas você já sabe disso, não sabe?

Sua voz soava estranha dentro daquela máscara, mas resistiu ao impulso de tirá-la, era muito arriscado, teria que se contentar em imaginar a linguagem corporal do outro.

Um leve manear de cabeça o fez saber que estava sendo ouvido e continuou com as palavras um pouco emboladas por estar grogue de sono.

– Não entendo... O que a comunidade mágica ganha com as mortes de pessoas? Eles já não são excluídos e ridicularizados o bastante? – não houve sarcasmo em sua frase, de fato todos os que praticavam magia costumavam serem definidos como pessoas que faziam pactos ou que não passavam de mentirosos com truques bobos de fazer moedas sumirem. Taehyung mesmo ouvira muito definições como aquelas, então saber que eles eram capazes de criarem bestas como os Marcados o chocou inicialmente. – Quero dizer, eu e Namjoon nos juntamos com o pensamento de reunirmos outros Originais que quisessem trazer uma condição de vida melhor para nós além de sermos caçados e temermos andar em uma rua movimentada sem alguém nos apontar o dedo como se fôssemos alienígenas. Mas enquanto isso tem vários Criados sujando ainda mais uma imagem já ruim e mesmo nós tentando apaziguá-los parece que nada surte efeito.

Expressar todos aqueles pensamentos para uma das criaturas a qual ele se referia talvez não fosse a melhor forma de puxar um assunto para se manter acordado, mas queria entender algumas ações que tanto dificultavam sua vida.

– Eu concordo com você. – agora foi a vez de Taehyung se assustar, endireitando-se no banco para prestar atenção no que o outro lhe dizia – Também nunca entendi. Eles nos deixam soltos para matar Originais como vocês, mas a maioria de nós somos descontrolados, então atacamos o que vemos pela frente.

– Você não é igual aos outros. – comentou, voltando a morder a língua ao lembrar de quando por muito pouco não teve o pescoço degolado.

– Eu sou apenas bem mais fraco do que eles. Não deveria se deixar levar por isso.

O assunto se encerra por alguns minutos e Taehyung parece absorver as palavras confiantes do que dizia, apesar de em pensamento Yoongi não parecer tão certo assim sobre ser como aquelas criaturas com as quais conviveu por tantos anos, mas queria ser pelo menos um pouco temido, talvez aquilo lhe desse algum crédito de sobrevivência.

– E como vocês são criados? Os Originais nascem dessa forma, mas eu não tenho tanta certeza quanto a vocês.

– Nós também nascemos assim. Inclusive a marca já vem conosco.

Taehyung não gostou de saber daquilo, não fazia muito sentido e vinha tentando decifrar a origem exata dos Marcados com Namjoon há algum tempo e, caso estivessem indo pelo caminho certo, as coisas eram bem mais sombrias do que Yoongi pensava.

– Então você tem pais?

– Bem, nós não nascemos da maneira convencional, se é isso que quer saber. – Taehyung ficara um pouco desconcertado com a maneira que o Criado falou, mas a máscara o impede de ser entregue – Mas temos criadores que são responsáveis por nós, eu praticamente fui criado como se fosse um filho de sangue pelo meu.

Dizer aquelas palavras fez mais um silêncio recair sobre o vagão e, por mais que não achasse certo, as imagens rápidas que passavam na cabeça de Yoongi apareceram diante de seus olhos e então ele entendeu que havia uma ligação forte entre o Criado e um feiticeiro desconhecido.

– Odeio quando faz isso. – o rosto sério de Yoongi o intimidou naquele momento e chegou a pensar de que ele gritaria novamente consigo – Não deveria ficar na cabeça dos outros.

Taehyung rapidamente procurou se desculpar e prometeu ao Marcado que só entraria em sua cabeça caso lhe fosse permitido à partir de agora e Yoongi ficou agradecido com a promessa, esperando que ela fosse cumprida.

Em algum momento, quando as nuvens no horizonte já tomavam uma coloração alaranjada e vermelha, as luzes dos vagões começaram a piscar e a ter sua potência reduzida. A confusão atravessando seus rostos ao verem Namjoon ainda dormindo junto a Olivia.

– Namjoon? – chamou o amigo e logo teve o rosto coberto pela máscara de gás atento ao seu chamado. – É você? – perguntou, indicando as lâmpadas, recebendo um acenar negativo.

Rapidamente ergue-se do banco e pediu para que Olivia fosse acordada, ficando atento as movimentações dentro do metrô. Yoongi não demorou a levantar também, em sua cabeça se passava que havia deixado uma boa oportunidade passar enquanto Namjoon dormia, mas logo deixou o pensamento de lado, retirando a máscara que abafava seu rosto quando sentiu seus braços arrepiarem.

– Yoongi, porque você... – Taehyung ia questioná-lo quando algo fez vários vagões balançarem e perdeu seu equilíbrio, indo de encontro ao chão.

– Alguém nos achou. – Namjoon de forma delicada havia despertado Olivia de seu cochilo, mas após toda aquela movimentação ela estava bem desperta e alerta agora. – Eu acho que são seus amiguinhos. – provocou, indicando Yoongi com o queixo antes de arrancar a maldita máscara de seu rosto e jogá-la para longe de si. – Malditas. – murmurou, mantendo Olivia ao alcance de seu braço protetor enquanto tentava descobrir onde aquelas criaturas estavam.

Nos outros vagões haviam pessoas desesperadas com o movimento repentino, seus gritos aumentando com os sons de algo andando sobre o teto.

– Eu vou subir. – pronunciou-se Olivia – posso tentar afastá-los antes que entrem. – Virou em direção a um dos vidros que permitiam a visão para o exterior e o derreteu, mal tendo tempo de reagir quando uma daquelas criaturas agarrou o moletom que usava e por muito pouco não foi jogada sobre os trilhos.

Logo afastou o Marcado de si com um pedaço de corrente a qual deixou em chamas para usar de arma e mal podia piscar sem que mais outro aparecesse tentando agarrar qualquer parte de seu corpo para joga-la para longe.

Alguma das criaturas pareciam poder serem capazes de manipular objetos, pois a corrente por vezes serpenteava em sua mão e era preciso muita concentração da sua parte para não queimar a si própria. Já dentro do transporte Taehyung convencera Namjoon a ir ajudar as pessoas dos outros vagões e ele não deixou de fazer o mesmo ao ir na direção contrária, arrastando Yoongi atrás de si pela coleira.

Ajudava pessoas a se erguerem e forçava os Criados que apareciam nos vagões a lutarem uns contra os outros ou a se jogarem para fora, ficando animado com seu bom desempenho até então.

O Criado seguia atrás dele com medo de ter o pescoço puxado, tamanha a velocidade que Taehyung tentava usar ao correr de um vagão ao outro, sua atenção muitas das vezes sendo voltada para seus irmãos de criação que ele não sabia dizer se estavam o reconhecendo ou não. A concentração deles estava voltada para o Original que brincava com suas mentes, fazendo um que possuía o controle sobre gelo congelar a si mesmo e outro que concentrava cargas de energia em seus olhos disparar espécies de lasers de alta concentração sobre integrantes de seu bando.

O arrepio que sentira em seus braços estendeu-se até sua nuca e seguiu para a espinha, então Yoongi soube que estava muito próximo a Hongbin.

Após retirar todos os Criados que achara no caminho, Taehyung soltou uma lufada de ar. Além de ter controlado aquelas bestas, tentara manter as pessoas ali mais calmas possíveis e ao mesmo tempo cuidara para que o Marcado que estava junto consigo não acabasse por sofrer algum dano.

 Sentiu uma presença em suas costas e tratou de já virar com uma arma em mãos. Poderia não ter poderes para ataques físicos, mas sabia como usar uma arma de qualquer forma. Atrás de si havia um homem aparentemente comum, usando um sobretudo e luvas, além de calçados fechados, ficando a mostra apenas seu rosto que também não possuía nenhuma característica anormal em seus olhos escuros ou cabelo castanho, a pele sem uma única marca que o denunciasse.

Aquele homem estava fazendo Taehyung ficar nervoso, sua mão tremendo levemente com a arma apontada na direção de seu peito. Viu Yoongi tomando a frente e ele não soube como agir, deveria atirar em um do dois?

– Yoongi, volte e fique atrás de mim. – ordenou, sendo ignorado, a ação o deixando irritado. Aquilo dificultaria a situação caso precisasse ser rápido.

O Criado queria correr até o feiticeiro responsável por si, mas a expressão em seu rosto não parecia muito receptiva, o que o fez se conter acanhado.

– Por que deixou que eles me levassem? – havia mágoa em sua voz, passara muito mais tempo do que ele imaginou que levaria para Hongbin aparecer e ele ainda estava portando-se como se não estivesse disposto a ter aquela conversa.

– Decidi que estava na hora de ter novos desafios. Não se preocupe, você se sairá bem. – confortou-o com um carinho nos fios negros, mas as palavras ditas deixaram o Marcado desacreditado que sua única esperança não iria tirá-lo dali.

– O que? Não! Eu quero voltar. – agarrou a mão coberta que mexia em seu cabelo, tentando entender as motivações de Hongbin. – Eles querem me matar. – sussurrou para que Taehyung não o ouvisse.

A realidade a sua volta pareceu tremular e então não havia mais som de rosnados, gritos ou mesmo da respiração do Original, tudo havia parado a sua volta. Exceto pelo feiticeiro que se curvava para olhar nos olhos de sua criação, era a mais promissora de todas que já havia dedicado seu tempo. Talvez nunca mais fosse ser capaz de criar um ser que chegasse aos seus pés, mas ele precisava descobrir sozinho sua força e aquele poderia ser o único jeito.

– Eles só te matarão se você quiser, Yoongi.

Os arrepios em seus braços sumiram em um piscar de olhos e ele sentiu as pálpebras pesarem tempo o suficiente para que o mundo a sua volta voltasse a girar e o feiticeiro simplesmente sumisse.

– Hongbin! – o Marcado gira em seu próprio eixo procurando pelo feiticeiro, mas não havia um único vestígio de que estivera ali.

Olhou então para o Original que piscava confuso, como se tivesse dormido em pé por alguns instantes.

– Nós...Temos que sair daqui. – murmurou, parecendo estar escutando algo que não o agradava e ignorando por hora a estranha cena que vira – Vão explodir este metrô.

Em vez de segurar Yoongi pela corrente que o mantinha preso pelo pescoço, pegou-o pela mão e o outro assustou-se com o ato, porém sem deixar de correr tanto quanto o Taehyung, perguntando-se fora a barrinha que havia ganhado que o dera alguma energia para conseguir correr naquele momento.

O Original também não sabia de onde tirava forças para procurar por uma saída, percebendo que as pessoas haviam se concentrado nos primeiros vagões próximos ao maquinista. A porta que dava para os comandos do metrô estava arrombada e Namjoon estava tentando controlar o transporte, já que o piloto estava desmaiado no chão.

“Namjoon, tem que parar isso logo antes que explodam todos nós aqui dentro.”

– Como assim? – gritou de dentro da cabine, seus olhos desviando por um curto segundo antes de voltar a sua tarefa.

“As autoridades sabem que estamos aqui, eles viram os Marcados subindo no metrô” respondeu, mantendo sua parte da conversa em sigilo.

Os passageiros olhavam sem entender muito bem o que estava acontecendo e alguns pediam para que não os machucassem mais, enquanto outros dirigiam ofensas sem terem coragem o suficiente para fazer algo mais. Taehyung detestava aquilo, odiava ver pessoas falando como se eles não estivessem tentando ajudar.

Poderia mexer com suas mentes e fazê-los ficarem quietos, mas estava a ponto de cair no chão tamanha dor que estava se apossando de sua cabeça em um lembrete de que querer abusar de seus poderes eram mártires que o trariam muitas dores de cabeça. E não achava justo tirar o poder de expressão de outras pessoas, eles tinham o direito de estarem chateados e irritados com a viagem que acabara em confusão por causa dos seres que eles tinham que conviver.

Uma freada brusca fez com que todos tentassem se segurar do seu jeito, muitas das pessoas por estarem sentadas se seguraram umas nas outras, Olivia estava apoiada na parede, então apenas se firmou ali e Taehyung, por ainda estar de mãos dadas com Yoongi, puxou-o para o chão quando perdeu o equilíbrio, usando de seu braço livre para se proteger da queda.

O metrô finalmente foi parado e as pessoas saltaram desesperadas quando as portas se abriram, correndo pelos trilhos em direção a próxima estação que não estava muito longe.

– Onde nós estamos? – Taehyung indagou, aliviado que seu amigo havia conseguido parar o metrô.

– Acho que em Cheonan. Daqui até Seoul é mais rápido, podemos ir a pé. – Namjoon saiu da cabine, seu rosto retorcendo-se em uma careta ao ver a cena de seu amigo e um Criado de mãos dadas. – Vou ver se não sobrou alguém nos outros vagões. Olivia me ajude a vasculhar tudo.

A garota prontamente seguiu o amigo, deixando os outros dois já sentados no chão para trás.  Eles não tinham muito tempo, se sua mente não estivesse o enganando teriam que sair dali agora.

“Saiam, não tem mais ninguém.”

Ergueu-se, puxando Yoongi ainda pelas mãos unidas, uma força desconhecida parecia manter sua mão firme a dele, e jogaram-se para o mais longe que conseguiram. A alguns vagões de distância uma pequena explosão permitiu que Namjoon e Olivia fizessem o mesmo e então todos os vagões explodiram juntos, a força da combustão fazendo que seus corpos tomassem mais uma distância.

Quando retomou um restante de forças para se erguer novamente, percebeu a força exercida em sua mão e seus olhos se arregalaram ao ver alguns pontos no Marcado se iluminarem com uma luz tão roxa que se assemelhava ao preto. Aquilo assustou o Original que apenas pode assistir o púrpura do olho de Yoongi se intensificar enquanto a cruz em volta do outro olho brilhava e então passou a sentir suas forças esvaírem, como se o outro as absorvesse.

– Yoongi. - tentou chama-lo, mas parecia que o ar fora todo sugado com aquela tentativa e forçou-se a tentar recuperar o oxigênio que estava perdendo, sem muito sucesso. Viu sua pele secar e seu corpo virar pele sobre osso, deixando algumas lágrimas escorrer por seu rosto tamanho o medo que sentia. Se aquele Marcado sentia medo, o medo que ele fazia Taehyung sentir naquele momento era mil vezes pior.

E ele já estava se conformando de que morreria nas mãos de Yoongi quando a sua consciência pareceu voltar, seu corpo agora parecendo incrivelmente mais saudável desde que se entendia por um garoto esquelético com cara de cadáver, mas em compensação Taehyung estava muito mal ao ponto de não conseguir falar.

– Desculpa, desculpa. Eu não sei o que eu fiz. – seu corpo todo tremia em desespero ao ver Taehyung, que apesar de cansado se manteve firme até ficarem salvos, desfalecendo em seus braços.

Será que aquele era o tal poder que Olivia dizia não ter despertado ainda? Hongbin havia o criado para ser o pior dos monstros naquele grupo de bestas? Ele não conseguia pensar com clareza naquele momento, nunca havia matado ninguém de fato e caso Taehyung fosse sua primeira vítima ele não conseguiria lidar com aquilo.

– Por favor, não morre. Você tem que viver e impedir que o Namjoon me transforme em churrasco e, droga, você não é tão ruim quanto eu pensei que os Dedetizadores seriam. Você impediu que eles me matassem, então você tem que ficar aqui comigo. – o Criado não sabia o que dizia, as palavras saíam atropeladas e de seus olhos escorria o que parecia ser uma tinta negra no lugar das lágrimas salgadas, o que o deixava ainda mais assustado.

Seu desespero era algo tão notável que não pensou muito quando lhe ocorreu a ideia de tentar soprar ar para dentro dos pulmões de Taehyung que já não respirava àquela altura. Encheu os próprios com todo o ar que seus órgãos suportavam e os soprou dentro da boca do outro, as lágrimas negras sujando o rosto escaveirado do Original que mantinha os olhos fechados, o que não ajudava em nada diante da angústia de Yoongi que se arrependia de ter descoberto que possuía sim um poder.

Manteve-se assoprando ar numa tentativa de forçar o retorno dos órgãos e seu peito pesava a cada vez que percebia que não haveria resposta aos seus estímulos. Tinha matado Taehyung simplesmente segurando sua mão e aquilo o tornava digno de carregar o título de monstro.

Sentiu uma mão grande agarrar um tufo de seus cabelos e o jogar para trás, as lágrimas negras o impedindo de enxergar a figura de Namjoon a sua frente, exceto pelos raios que faiscavam espalhando cheiro de queimado, tamanha a intensidade que era usada.

– Desculpa, desculpa. Eu não queria. – era tudo o que ele parecia ser capaz de dizer naquele momento e só pode chorar mais e mais quando o outro se afastou, dando lugar ao olhar dolorido de Olivia que aproximou-se até poder colocar as mãos em seu rosto, limpando as lágrimas e sua visão. –Você tinha razão...Mas eu queria tanto que não.

Nada parecia capaz de fazê-lo parar e então sentiu sua temperatura aumentar rápido enquanto continuava a chorar e dizer que era um monstro até seu organismo começar a parar pela desregulação da temperatura corporal e então uma mensagem ser mandada para que desmaiasse.

– Sinto muito, Yoongi.


Notas Finais


Inicialmente quando comecei a escrever, pensei em deixar para revelar o poder de Yoongi depois, mas vão perceber com tempo que essa é só a ponta do iceberg, então não tem muitos motivos para eu enrolar com essa parte.
Até a próxima!
Kissus


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