História Hey, Eds, do you wanna a quickie? - Capítulo 3


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Categorias It: A Coisa
Personagens Edward "Eddie" Kaspbrak, Richard "Richie" Tozier
Tags Reddie
Visualizações 37
Palavras 1.751
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drabs, LGBT, Romance e Novela, Slash
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - "Let's take our shirts off and kiss!"


Fanfic / Fanfiction Hey, Eds, do you wanna a quickie? - Capítulo 3 - "Let's take our shirts off and kiss!"

Hey, Eds, do you wanna a quickie?

“Let’s take our shirts off and kiss!”

 

 

Sentiu o telefone vibrar no bolso traseiro da jeans que usava, respirando profunda e pesadamente. Sabia quem era. Por mais alterado que o vinho o deixasse — e, também, as doses que tinha roubado do copo de Rich, depois que o álcool já tinha feito seu trabalho e quebrado as barreiras da ansiedade entre eles —, ainda era capaz de distinguir as realidades distintas que cruzavam à sua frente. Por um lado, a vida que deveria ter tido, com as pessoas que deveria ter continuado a conviver e a conhecer. Do outro, a vida que tinha, ao lado de alguém que, por mais complicada e manipuladora que fosse, ainda assim era sua esposa.

Ainda.

Suspirou, recordando-se da briga que tiveram quando ele disse que precisava voltar a Derry. Ela jamais concordaria com algo tão impensado, tão fora da normalidade deles. Ela nem sabia, aliás, onde Derry ficava, exatamente, dentro do estado do Maine. E como ele não teve a sensibilidade alguma — tampouco a coragem — de chamá-la para acompanhá-lo, continuaria sem saber de que fundo do poço ele havia nascido. Myra tinha ficado assustada com o fogo que passara a arder dentro de seus olhos, e ele tinha visto isso. Tinha visto o quão sem chão a esposa tinha ficado ao perceber que os jogos emocionais e psicológicos não surtiram o efeito de dissuadi-lo. Afinal, ali estava ele.

Levou a destra ao bolso, tirando o celular de lá e visualizando a tela com certa insegurança. Não sabia se seria uma boa pedida falar com ela naquele momento, com a cabeça girando e borbulhando. Com Rich no meio de uma implicância com Bill — “Pensei que você fosse um comediante profissional”, “Mas eu sou”, “Então seja engraçado”. Talvez, atender fosse bom, também, porque ela poderia colocar certo juízo na cabeça dele; poderia fazê-lo parar de se comportar feito um adolescente. Um adolescente com um crush incontrolável. Pelo melhor amigo. Bem, um dos. Afinal, ela era a esposa dele, certo? Ela teria de trazê-lo para a vida real marital que tinham.

Aliás, por que tinha se casado mesmo? E com uma mulher que era tão idêntica à mãe.

Talvez, tenha sido o ideal. Talvez, fosse o certo.

Talvez, ele apenas devesse esquecer Rich de novo. Deixá-lo guardado para sempre no fundo de sua memória, como as caixas com todas as revistinhas que ele havia dado, e as cartas que jamais tinham sido endereçadas. Cartas de um pré-adolescente confuso. Perdido. Que não entendia bem o motivo da troca de olhares com o colega ser mais intensa que a troca com os outros. Mais intensa e mais necessária. Ao menos uma vez ao dia, ele precisava fitar os olhos de Richie.

— Você não vai atender? — E lá estava ele de novo, deixando-se marcar pelo brilho interno daquelas íris profundas. Mergulhando em todo o universo que existia nele. E deixando-se ser tocado por ele de forma tão íntima. Tão particular. Os lábios entreabriram-se com mais um suspiro.

— Eu não sei se deveria. — Admitiu, incapaz de mentir para ele. Incapaz de conseguir esconder ainda mais coisas dele. — O que você acha?

— É a sua vida, Eds. — Acompanhou a subida do copo que levava aos lábios, fitando-o com o coração a balançar. — Você precisa tomar suas próprias decisões sozinho. Você já fez isso outras vezes. — Viu o copo ser oferecido e o tomou para si. Ter-se-ia a escolha, então, faria isso com certa coragem comprada. Com cuidado, colou os lábios no mesmo lugar que os dele haviam tocado, chegando, até, a sentir o tom morno de sua boca. Despejou todo o uísque para dentro si, desejando que aquele beijo indireto pudesse durar mais um pouco. Pelo menos, o bastante para que a real coragem lhe subisse como já havia feito, aos treze anos, ao confrontar a mãe sobre os remédios que ingeria.

Mas... seria mesmo? Corajoso?

Nem aos treze anos, havia assumido tal sentimento. Apenas agora, com o olhar penetrante sobre si, e a idade a mais, é que havia percebido o quanto de si tinha deixado ali, para trás. Em Derry. Nos esgotos. Em Rich. Com Rich.

Estaria fazendo algum sentido? Será que tudo aquilo faria algum sentido, de verdade? Queria apenas... ser capaz de raciocinar direito. Queria ser capaz de... experimentar...? Testar... aquela sensação avassaladora...?

Suspirou.

Atendeu, retirando-se da mesa com o olhar dele sobre si. E pôde ouvir sua cadeira se arrastando ao passo que saía do espaço reservado que dividia com os amigos.

— Myra.

— Não. Eu não vou voltar.

— Porque eu não quero voltar agora.

— Myra.

— Você precisa entender...

— ... são os meus amigos...

— ... eles precisam de mim!

— Não... não... Myra!

— Não, Myra! Eu não vou embora!

— Porque eu quero ficar!

— Eu... eu preciso ficar.

— Eu vou ficar, Myra.

— Não. Não precisa me ligar de novo.

— Eu já tirei todas as minhas coisas.

— Como queira.

— Nos falamos melhor conforme eu souber o que fazer.

— Não sei, Myra. Eu só não sei.

— Myra...

— Myra!

— Não!

— Eu não sei, Myra!

— Boa noite.

Escorou-se na parede do lado de fora do restaurante, deixando que a brisa noturna o envolvesse e adentrasse nos cantos mais embaraçados e escuros de seu pulmão, limpando as vias conforme soltava o ar pela boca. De olhos fechados, as mãos ainda trêmulas e o ouvido fervendo com os gritos a ecoar dentro de si, permitiu-se se sentir aliviado pela primeira vez, em muito tempo. Permitiu-se, apenas.

— Parece que... você se resolveu sozinho. Eu disse que você conseguia. — Abriu as pálpebras, nenhum pouco surpreso de vê-lo à porta. Conhecia Rich. Na verdade, reconhecia-o. Rich jamais deixaria que tomasse uma decisão sem que estivesse pronto para apoiá-lo. Não em concordância com os planos — os quais ele não tinha, no momento — que fizesse, mas em consonância com os sentimentos. Ele estava sempre em harmonia consigo, por mais tumultuosa que fosse. Então, vê-lo tão próximo de si não era surpresa alguma.

— É... — Concordou, virando-se para fitá-lo com todo o corpo, ainda deixando o lado esquerdo encostado sobre a parede para sustentá-lo. Precisava de apoio para ver Rich fumando, como costumava fazer quando mais novo.

— Está pronto para voltar? — Quis saber, ficando a dois passos de distância do menor, com o lado direito de si preso à parede.

— Você acabou de acender o cigarro. — Argumentou, vendo o sorriso costumeiro assumir os lábios que absorviam a nicotina.

— Eu não me importo de desperdiçar um. — Seus ombros largos e bem marcados pelas camadas das roupas subiram e desceram em um movimento desleixado, típico de Rich, provocando um suspiro daquele que o assistia. Mordeu o próprio inferior, acompanhando a fumaça que subia da boca dele.

— Tudo bem. Eu posso te esperar.

— Tem certeza, Eddie?

— Sim. Eu realmente posso te esperar.

O olhar corria do cigarro para os lábios. Dos lábios, para a fumaça. Da fumaça, para os olhos. Uma corrente pesada prendendo seus sentidos e forçando-o a seguir o mesmo caminho, demorando-se cada vez mais nos lábios.

— Eddie...? — Piscou, erguendo o olhar para fitá-lo propriamente. E notou, por um milésimo de segundo, que ele também estava com a atenção voltada para si. Para os lábios que umedecia, agora, e via que ele fazia o mesmo. Em reflexo.

— O que foi?

— Você... conseguiu se lembrar de tudo...?

Piscou. Ele deu um passo. Suspirou. Ele deu o último passo, aproximando-se o bastante para que os joelhos se tocassem de leve. Os joelhos dele, que sempre estavam cobertos de band-aides.

— Não tudo... — Foi honesto. Porque sim, havia partes difusas em suas memórias. Lapsos que ele não conseguia lidar, lacunas que não conseguia preencher. E perguntas. Vozes. Medos. Que não conseguia compreender. — E você?

— Também não. — Se fosse capaz de mover o olhar de novo, só mais uma vez, seria capaz de notar que ele também estava com a atenção voltada para a boca que se movia devagar, quase como se esperasse. Como se o mastigasse.

— Apenas o essencial. — Sussurrou.

— Sim... — E se tocaram. Acariciaram-se. Em olhares que se mantinham. Em olhares que se consumiam.

— Vamos...? — Chamou-lhe, apesar de não parecer fazer qualquer esforço para se mover.

— Sim... — Concordou, também entregue à inércia magnética dos corpos.

— Sabe... eu... — Principiou, ajeitando os óculos sobre a ponte do nariz, ainda que não precisasse. — Eu lembro que você já perdeu um colecionável seu pra mim. Dos ThunderCats. — Riu soprado junto dele, sentindo que o ar quente começava a se mesclar e pairar entre eles, deixando as linhas magnéticas visíveis. Táteis.

— Em uma queda de braço. Eu sei. Eu lembro. — Se pudesse... Se ele quisesse... Se fosse... Ah. Queria que fosse. Que ele quisesse. Que eles pudessem.

— Você está bêbado o bastante para tentar ter de volta? — Fixou o olhar no sorriso malicioso que lhe tirava o fôlego.

— Você nem deve mais ter o meu colecionável.

— Eu achei em uma das minhas caixas. — Mordeu o lábio inferior para refrear o suspiro ao notar o rubor que perpassava e se alojava nas maçãs do rosto bem desenhadas.

— Você... me trouxe...?

— Sim... Eu... Esperava te ver. — Arrepiou-se com a intensidade daquele feixe de luz que era seu olhar.

— Eu também... Esperava te ver. — Confessou, notando que a destra dele ajeitava os óculos mais uma vez.

— Você... se lembrou de mim, então...? — Ah. Se pudesse respondê-lo como. O quanto. De que forma.

— E você de mim. — Riu baixo, suspirado. — Estamos quites, dickhead.

— É... Estamos...? — Sentia a pergunta implícita. O tom incerto dele. A insegurança que sentia percorrer as próprias veias.

— Bem... depois que eu ganhar de você, estaremos completamente quites. — Deu de ombros, rindo-se da própria incompetência. Não era mesmo capaz de ver à fundo se conseguiriam...

— You little shit. — Riu alto.

Your little shit. — Escapou-lhe. E a troca de olhares aconteceu ainda mais forte.

— Yeah... Mine... — Viu que os dedos trêmulos dele deixavam a guimba escapar por entre eles e fazer um caminho lento até o chão.

— Vamos, you jerk. Eu quero meu Lion-O.



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