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História Hey, lawyer! - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Tudo bom com vocês?
Como prometido, trouxe mais uma oneshot jikook lemon, do jeito que o povo gosta!

AVISO: A HISTÓRIA da fanfic não me pertence. Eu peguei uma história já pronta, da escritora Má Marche (deixarei o link do tumblr dela e a versão original nas notas finais) e transformei a onsehot hétero dela em uma yaoi, fazendo algumas mudanças, adaptações (como na parte do lemon) e etc.

Enfim, espero que gostem e tenham uma boa leitura ❤ -Gio

Capítulo 1 - Capítulo único


PARK JIMIN

Jeon Jungkook era um exibido. Ele fazia questão de mostrar a todos que sabia muito sobre tudo, tinha sempre um comentário espertinho na ponta da língua e um adendo temporal a fazer em qualquer conversa. Como se andasse com o currículo tatuado na bunda, ele não sabia não se mostrar ser a pessoa com o maior Q.I. do recinto. Não sei qual era o problema dele; se seus pais o rejeitaram no berço, se teve uma infância difícil sofrendo bullying ou se alguma mulher qualquer o chamou de burro ao lhe dar um fora, mas pouco me importava. Seu jeito de moço sabichão era insuportável.

Eu observava com desprezo sempre que ele se aproximava da minha mesa de trabalho, já prevendo a quantidade de fatos e estatísticas que ele vomitaria em cima de mim, como se precisasse me diminuir. Como se tivesse a necessidade de se provar o grande maioral, ainda que eu não achasse mérito nenhum despejar conhecimentos tão aleatórios sobre como eu me sentava errado, ou sobre como o meu modo de escrever dizia muito sobre minha personalidade. Ele fazia questão de ler esses artigos na internet e esfregá-los na minha cara. Porque parecia que não bastava saber até o avesso de história, economia e política, ainda lhe restava espaço no cérebro de amendoim para aprender coisas desnecessárias que pudessem infernizar a minha vida.

Eu queria muito mesmo conseguir não dar ouvidos. Me concentrar no que quer que estivesse acontecendo na tela do meu computador ou nos diversos papéis de processos espalhados pela escrivaninha, mas nunca conseguia fazer o que ele dizia entrar por um ouvido e sair pelo outro. Era sútil. A próxima vez que assinasse um documento, repararia na inclinação da minha grafia, e na outra que fosse me sentar, policiaria a curvatura dos meus ombros. Porque Jeon Jungkook não podia apenas me irritar e dar o fora, ele tinha que penetrar minha mente e mexer com os meus sentidos até que eu explodisse de raiva longe de sua presença estarrecedora.

Às vezes eu observava sua boca se mexendo, derramando linhas de livros intelectuais e argumentos bem pautados, e me dava uma vontade grotesca de me levantar e calá-lo com qualquer artifício do qual eu pudesse fazer uso. Um pedaço de papel amassado, uma mordaça, uma maçã, minhas mãos, ou, quem sabe, minha própria boca.

Tudo bem, digamos que a ordem de preferência está um pouco invertida... E que, sim, enfiar minha língua na boca daquele homem irritantemente inteligente era, de fato, algo que eu desejava. Eu tinha certeza que não era louco: era apenas o modo que o meu corpo tinha encontrado de lidar com o ódio. Ele explodia nas minhas entranhas e lacrimejava para fora até deixar meu pau duro. Toda aquela sabedoria causava o esfregar inevitável das minhas coxas, era muito normal e biológico e tudo que eu precisava fazer era gritar para o meu tesão algumas vezes que nada iria acontecer, e que era melhor ele se aquietar. E aí, ele me gritava de volta que não era assim tão fácil, e que eu era obrigado a ajudá-lo de alguma forma. Me fazia pensar em Jeon sussurrando acontecimentos históricos ou qualquer outra merda no meu ouvido até atingir o clímax.

Enfim, não éramos muito bem resolvidos, meu tesão e eu, quando o assunto se tratava de Jungkook.

 

JEON JUNGKOOK

 

Park Jimin era a definição da cara de pau. Ele falava o que bem queria, na hora que queria, do jeito que lhe apetecia, e aí de quem ousasse contrariá-lo. Sua grosseria sem escrúpulos era de me tirar do sério. Entrava em uma sala como se fosse dono do lugar, proferia todo tipo de comentário sincero além da conta e lidava com as caretas de desgosto que recebia com o queixo erguido e ar de superior. Era um baita de um arrogantezinho de merda, que se achava tão bom que se dava ao direito de falar o que quer que rondasse sua cabeça.

Seria muito bom poder dizer que, nada que saísse de seus lábios me afetava. Mas não havia como não dar atenção. Justamente por ser tão essencialmente sincero a beirar a rudeza, era imprudente duvidar do teor de suas críticas. Se ele te dizia que sua gravata estava amassada, ou que você parecia um moleque virgem em uma argumentação de assédio sexual, não importava que tivesse perdido a noite em claro passando a maldita da gravata e decorando os pontos principais do seu ataque: você precisaria arregar e pedir ajuda para um colega te auxiliar, tanto no processo quanto no empréstimo de uma gravata decente para a audiência.

E isso me tirava do sério. Como questionar ou criticar alguém que só é brutalmente honesto? Você pode espernear e discutir o quanto quiser. No fim do dia, ele tem a razão, e você é só um filho de mamãe pedindo por gentileza e mentiras confortáveis. E falar as coisas na lata dessa maneira só podia exigir uma de duas coisas: um coração de pedra ou uma coragem invejável. Eu tentava me convencer que o caso de Jimin era o primeiro. Que ele não passava de um mal-amado ranzinza, que vivia com vinte gatos e machucava os outros para se proteger de sua própria solidão agonizante. Mas, no fim do dia... No fim do dia, eu me pegava admirando sua coragem.

Eu sabia que solidão não era um problema do qual ele sofria. Sua autoestima estava sempre nas alturas, e não nego que o fato de ele ser gay assumido socialmente me deixava surpreso, afinal, ele estava sempre acompanhado dos mais cobiçados partidos do mundo jurídico, e aqueles lábios grossos e róseos, e suas coxas torneadas, não deixavam mentir que outros tantos faziam fila. Era bem resolvido e dono de uma beleza ímpar que gritava aos sete ventos a facilidade que qualquer um poderia ter para cair de quatro por ele, para apaixonar-se sem retorno.

Então, não importava o que eu sentia necessidade de afirmar para mim mesmo - a primeira opção não era a certa. Park Jimin estava longe de ser mal-amado. O que me deixava com a alternativa mais difícil de engolir: que ele era apenas corajoso e destemido daquele jeito, e que eu que não tinha tamanho para entender ou aceitar todo aquele monumento de homem.

E por isso eu o odiava ainda mais.

E o desejava na mesma proporção.

Sua fala ferina me dava vontade de jogá-lo contra uma mesa qualquer e rasgá-lo na frente de todo o escritório, para aprender a falar as verdades certas. Cada novo fato que eu aprendia para usar contra ele e deixá-lo sem fala servia para estimular minha mente masoquista, que pintava Park em um cenário diferente onde o loiro rosnava elogios certeiros e gemidos positivos sobre minha performance entre quatro paredes.

Tratava-se de uma guerra declarada, porém silenciosa e, ao mesmo tempo, uma dança sensual sútil regada a muita tensão sexual. Ou, pelo menos, era o que eu achava. Não sobre a parte da tensão sexual - isso era bem óbvio para mim, e tenho certeza que para ele também -, era a parte da sutileza a que eu me referia.

Eu achava que éramos sutis em nossas brigas veladas e olhadas de cobiça... Até aquela noite em especial.

Era uma festa do escritório para bajular os nossos grandes parceiros. Todos os advogados da firma estavam lá, com acompanhantes esbeltas e ternos caros, e eu não era exceção. A não ser pelo fato de que eu não tinha uma acompanhante e por isso podia cuidar da vida dos outros o quanto quisesse.

Ria sozinho dos homens carecas e barrigudos que ostentavam esposas como troféu, das damas de meia idade excessivamente arrumadas que traziam garotos de vinte ano, e de um ou outro estagiário cuja tremedeira era visível mesmo há distância.

Estava me divertindo especialmente observando um jovem franzino que pulava de roda de conversa em roda de conversa levando champanhe para todos como se aquela fosse a oportunidade da sua vida de conseguir um bom emprego. Eu sabia que meu chefe, o senhor Bong, odiava esse tipo solícito de puxa saquismo e, portanto, ria em silêncio encostado a uma parede próxima ao bar. Até que meus olhos foram atraídos sem aviso para a porta de entrada do salão.

Usando um terno preto, o qual parecia ter sido feito a medidas para seu corpo tentador, Jimin observava o ambiente com seu ar habitual de superioridade. Seus olhos marcantes estavam em fendas, como se assim a ajudassem a encontrar os problemas e alvos que iria criticar sem piedade. Um nó desagradável no meu estômago me informou o quanto eu não gostava daquele homem e de suas manias irritantes, ao mesmo passo que a gravata me parecia apertada demais com a súbita elevação da temperatura do local.

Seu olhar pousou em mim, e após um passeio minucioso dos meus pés até o último fio de cabelo, Jimin abriu o sorriso debochado que ele parecia reservar especialmente para mim. E algo naquele sorriso me fez ter certeza de que ele iria caminhar com graciosidade até onde eu estava e criticar até a alma da minha avó morta, se não o tivessem parado no meio do caminho.

Suspirei grande parte em agradecimento, e me virei para pegar um novo copo de uísque antes de fazer um social.

 

PARK JIMIN

 

Eu estava a um passo de ir perguntar a Jungkook se toda a pesquisa incessante de assuntos aleatórios que ele fazia não tinha lhe dito que não se usa sapato fosco em eventos de gala, por mais que ele seja social. E também, que era de péssimo gosto, carregar uma caneta no bolso do terno, independentemente do quão necessária ela viesse a ser: qualquer tralha que não fosse um lenço de seda havia de estar nos bolsos de dentro ou deveria ser deixada em casa. Ah, sim, o caso de amor dele com o Google não havia sido de muito uso agora, não é?

Ok, eu só queria deixá-lo perturbado. Não que ele não estivesse errado sobre o sapato e a caneta: estava; mas tenho certeza que eu era uma das poucas - se não a única - pessoas daquele recinto que reconheceriam suas falhas. E muito provavelmente era também a única que se daria ao trabalho de ir falar algo a respeito.

Mas, enfim, haviam interceptado minha marcha furiosa até ele, então eu teria que me calar por hora. Era um senhor que eu nunca tinha visto antes. Ele me dizia que admirava meu trabalho, comentava de uma audiência minha que assistiu da plateia, e eu logo tinha um sorriso no rosto enquanto ouvia seu relato. Afinal, se tinha algo que ganhava a minha simpatia era reconhecer meus méritos.

Podia observar Jungkook rindo alto em uma roda do outro lado do salão, entre duas mulheres bem arrumadas e um dos estagiários novos. Parecia ser um assunto interessante e eu me perdi imaginando o que poderia ser por um segundo. O cavalheiro com quem eu conversava sentiu a necessidade de chamar a minha atenção para si com um toque delicado na minha cintura.

E de uma hora para a outra o clima do diálogo mudou completamente.

Não sei se o homem achava que o motivo de eu ter esticado meu pescoço para o entorno era porque estava à caça ou se não foi necessário qualquer incentivo, mas a partir daquele momento ele fez questão de fazer investida atrás de investida. Elogiava meu terno e a cor dos meus lábios. Chegou a passar os dedos atrevidos pelo botão de meu terno e eu comecei a ficar verdadeiramente incomodado.

Se um homem elogia sua roupa, é porque está elogiando seu corpo. Se faz qualquer comentário sobre sua boca, é porque quer te beijar. Mas, quando o assunto envolvia toques sem consentimento, por mais que estes, sejam mínimos... ah, ele estava assumindo que eu havia lhe dado uma intimidade que não existia.

Eu ainda não sabia quem ele era. Era velho o suficiente para ter longa história no mundo jurídico e suas vestes eram caras o bastante para indicar sociedade ou parceria em algum escritório grande, de forma que eu achei por bem morder a minha língua e afastá-lo gentilmente. Ele pareceu pegar a dica por apenas dois segundos antes de voltar a fazer comentários inoportunos e tocar meus braços e costas sempre que achasse uma desculpa.

Tentei me lembrar das aulas de Yoga e incorporar qualquer Gedai que me impedisse de dizer qualquer desaforo extremamente pertinente e prejudicar a imagem da firma em que eu trabalhava.

Inspira, expira. Inspira, expira.

 

JEON JUNGKOOK

 

Eu estava convencido de que a qualquer momento um vento bateria e eu ficaria vesgo. Mentira, eu sabia que essa história era mito, mas era uma boa metáfora para o que eu estava fazendo no momento, que era basicamente olhar para o rosto das pessoas com quem conversava e ao mesmo tempo vigiar o que acontecia com Jimin do outro lado do salão.

A princípio eu o fazia porque ele estava deslumbrante e absurdamente gostoso naquele terno preto, e minha visão se cansava se ele não lhe era apresentado de tempos em tempos. Mas então eu notei uma movimentação suspeita entre ele e o homem com quem dialogava e... Algum alarme soou na minha cabeça.

Ele passava as mãos pela cintura dele, na cara de pau e suas caretas de incômodo eram bastante óbvias. Eu via o loiro se esquivando, empurrando o braço dele com sutileza e sabia que tinha algo errado. Park Jimin a quem eu estava acostumado já teria gritado algumas verdades na cara do sujeito e ele já estaria chorando em algum banheiro próximo há alguns minutos.

Havia algum motivo que me deixava claro que ele não estava conseguindo se livrar do homem sozinho, por mais que quisesse. E aconteceu de eu estar disponível para ajudar na empreitada, então... por que não o fazer, certo?

Pesei minhas opções e fingir ser seu acompanhante me pareceu a mais segura. Podíamos ter chegado separados, mas isso nada significava no mundo de hoje, e estar indisponível seria um motivo espetacular para que o velho o deixasse em paz. De quebra, eu quem ganharia a regalia de tocar sua cintura perfeita, ainda que apenas para o bem do teatro.

Respirei fundo e com um último sorriso educado para meus interlocutores, caminhei em sua direção.

 

PARK JIMIN

 

Eu já estava cansado de ser politicamente correto. Estava a um passo de mandar meu chefe para o inferno e enfiar o dedo na cara daquele senhor prepotente e gritar até que ele tivesse lágrimas nos olhos e arrependimento por toda uma vida.

Me segurei, até sua mão esbarrar em um acaso forçado na minha bunda que eu decidi fazer exatamente isso. Enchi o pulmão de ar na mesma hora que senti uma mão diferente perpassar minha cintura. Uma rápida olhada para trás para perceber ser Jungkook, e resolvi que lidaria com ele depois.

— Eu não sei quem o senhor pensa que é, com suas roupas caras e seu bigode grosso e tingido, mas se me tocar mais uma vez sem a minha autorização eu vou processá-lo por assédio sexual. — Rosnei na cara do sujeito, que assumiu um tom estranhamente alaranjado de vergonha e tratou de se desculpar.

— Senhor, eu não sei como pode pensar que eu...

— Eu não penso, querido, eu sei. Sei que não tirou os olhos de mim e que guardou a aliança no bolso da calça discretamente assim que decidiu começar a flertar comigo. Sei que acha que eu poderia ser um bom acompanhante como troféu pela quantidade de dinheiro certa e que talvez até aceitasse ir para a cama com você depois disso. Sei que é influente e se acha o dono do mundo por não ser mais do que deveria ser na sua idade avançada. Sei que me achou com cara de fácil, mas que já percebeu estar errado, e que vai se retirar da minha frente mudo e calado para que esse assunto nunca mais precise vir à tona. — Ele me olhava com os olhos arregalados e a boca seca agora. E eu já me sentia melhor depois de vomitar minhas verdades libertadoras. — Passar bem.

Dei as costas para o sujeito como indicação de que o assunto estava encerrado e logo topei com Jeon que ainda segurava minha cintura quase sem encostar e tinha o olhar perdido.

— E você, o que quer aqui? — Tratei de perguntar, querendo resolver tudo de uma vez. Estava naquela festa há mais de meia hora e ainda nem tinha conseguido pegar uma taça de champanhe caro.

— Eu tinha vindo ajudar. — Ele murmurou parecendo se lembrar do que o motivara a ir até mim. — Percebi que o cara estava sendo inconveniente e que você não estava conseguindo se livrar dele sozinho, e achei que um álibi como uma terceira pessoa inserida na equação pudesse resolver.

— Eu não preciso da sua ajuda, sabichão.

— Você sabe, toda essa grosseria ainda vai te deixar de cabelos brancos antes dos trinta. Aliás, você sabia que é possível dizer a idade de alguém pela orelha? Anda, vamos ver quão próximo você está da meia idade. — Ele zombou, empurrando meu cabelo para o lado e eu juro que tive vontade de morder seus dedos até tirar um pedaço.

— Seu insuportável! Saia de perto de mim! — Elevei a voz, irritado com sua presença insistente.

— Tudo bem, Jimin, pode admitir que prefere muito mais que eu esteja aqui do que seu companheiro anterior. — Disse com um sorriso falso rasgando a boca.

— Pelo menos com ele eu não era obrigado a olhar para esses sapatos fora de contexto. Você acha que está aonde, em uma conferência no interior? — Eu sabia que nada o deixava mais puto do que ouvir minhas críticas bem fundamentadas e não deixaria de usar esse artifício.

— Quer saber? Você é amargo assim por falta de alguém que saiba lidar com seu humor infeliz!

E, fácil assim, estávamos imersos em uma discussão a plenos pulmões em pleno salão de festas.

 

JEON JUNGKOOK

 

No momento não me interessava o quão maravilhoso aquele homem infernal estava, eu só queria pegá-lo pelo pescoço e esganá-lo até que ficasse roxo pedindo por misericórdia. Ele conseguia me tirar do sério com uma facilidade ímpar, com toda a sua arrogância e comentários ácidos.

Muito entretidos em soltar os cachorros em cima do outro, não vimos a reação das pessoas ao nosso redor à nossa discussão acalorada. De fato, não podíamos ligar menos para o ambiente onde estávamos ou quem poderia testemunhar aquela baixaria.

Isto é, até nosso chefe aparecer.

Sr. Bong segurou nós dois pelo braço e nos arrastou até a entrada do lugar sem dizer uma palavra. Interrompemos momentaneamente os xingamentos ao som de seus dentes rangendo, mas ambos sabíamos que estávamos longe de terminar.

— Chega! — Rosnou ao chegarmos ao lado de fora. — Eu não sei quantos anos vocês acham têm, mas essa palhaçada já deu para mim. Vocês vão se resolver e vai ser agora.

Ele abriu com alguma dose de violência a porta de uma limusine estacionada por ali. Fez um sinal para que um homem claramente vestido de chofer que fumava há alguns metros se aproximasse, e disse a ele:

— Dê algumas voltas com esses dois por aí. Não os traga de volta até que os gritos cessem. — Jimin revirou os olhos e eu estralei os dedos, impaciente.

— Sim, senhor.

— Quanto a vocês, — Disse, chamando nossa atenção de volta para si — Vocês vão se resolver e vai ser já. Não me interessa quem vai amaldiçoar a mãe de quem, quem é culpado e quem é inocente, eu só quero vocês dois de volta mansos e educados. Estamos entendidos? — Questionou apontando o dedo em nossas faces.

— Sim, senhor. — Ecoamos.

 

PARK JIMIN

 

Uma vez dentro do carro luxuoso, Jungkook e eu já nos preparávamos para gritar mais um bocado até perdermos a voz. E foi exatamente isso que fizemos a partir do momento que o veículo foi posto em movimento. Eu tinha que admitir que era divertido. Sentir a garganta arranhar e o calor no colo. Vê-lo com as veias do pescoço saltando e o olhar maníaco penetrante. Dava um combustível extra que faltava no dia-a-dia.

Brigar com Jeon era, sobretudo, questão de sobrevivência.

Sendo um advogado de alta classe, era preciso que eu me mantivesse sempre centrado, que falasse de maneira assertiva e ponderada, que não saísse do sério nunca. Era muito libertador poder ser tão... irracional, vez ou outra.

— E você é mal-educado, e mimado, e arrogante... — Ele continuava, cada vez mais fora de si. Escalava o banco de couro da limusine como se fosse realmente me atacar a qualquer momento. Me bater, chacoalhar, morder e arranhar.

— É? Bom, você é um exibido, um imaturo, insuportável... — Eu rebatia, tremendo a voz e o corpo de adrenalina, e me aproximando dele também para não me mostrar intimidado.

— Argh! — Gritou em fúria. — Você é impossível! Não tem jeito, Park, eu te odeio e você me odeia, não tem conversa no mundo que vá fazer isso mudar. — Exclamou derrotado, mas eu estava longe de querer cessar aquela discussão. Estava ficando cada vez melhor, mais excitante.

— Ah, claro, o bebê mimado desistiu no segundo que as coisas ficaram difíceis. É tão típico de você querer parar porque não sabe escutar algumas verdades. Vai procurar abrigo nos braços do seu amado Google agora? Seu nerd dependente.

Eu soube que havia passado do ponto assim que as palavras saíram da minha boca. Os olhos de Jungkook incendiaram em lava fumegante e dessa vez eu tinha certeza que ia apanhar. Suas mãos subiram na altura dos ombros e desceram violentas na minha direção, que só pude apertar os olhos, temeroso. Senti mais do que vi elas segurarem pedaços generosos a calça de meu terno na altura da coxa, e não soube se era uma tentativa dele se controlar até que ele começasse a puxar uma mão para cada lado ao mesmo tempo que grunhia.

— Mas que porra?! — Gritei, esperneando.

— Já que você não fica quieto de jeito nenhum, vou te dar um motivo para falar, Park. — Ele murmurou, e, segurando minha cintura, puxou meu corpo até estar grudado ao dele, as pernas descansando em volta da sua cintura. — Vou te dar um motivo para falar no meu ouvido pelo resto da vida. — E com uma mão agarrando os cabelos da minha nuca, Jeon me empurrou para si e tomou minha boca na sua.

Tudo bem, hora da verdade. Para o espectador mais desavisado, ele poderia parecer um bruto, um sem noção que se aproveitou da situação para abusar de mim. Mas... Não era bem assim que o cenário se desenvolvia. Isso porque tudo ali, anteriormente, indicava o que aconteceria. Nossa proximidade, o calor, a ansiedade palpável no ar. Então eu estava bem avisado de que nos atracaríamos no banco traseiro da porcaria da limusine do nosso chefe.

E nem por isso deixou de ser surpreendente sentir, enfim, o gosto dos seus lábios. Eu não vou ser hipócrita também e dizer que me dei ao trabalho de ficar puto ou que fiz o recatado puritano. Pelo contrário: foi só saborear pela primeira vez o gosto daquele homem maldito, para que eu o puxasse pela camisa mais contra mim e o retribuísse em doses iguais de ódio, fúria e tesão aquele beijo.

Jeon chupava minha boca, mordia meus lábios, engolia meu sabor como se aquele fosse o último beijo que fosse dar na vida, e eu tive raiva. Raiva dele, por ser tão bom naquilo, por me deixar querendo mais antes mesmo de acabar. Por isso, arranhei seus ombros e puxei suas roupas, amassando-as o quanto pudesse para deixar claro que estava irritado.

Ele tentava parar as minhas mãos insanas - sem sucesso -, e nossa lutinha imbecil pareceu chamar a atenção do motorista, quem até então, havíamos ignorado com maestria. Ele limpou a garganta indicando que falaria alguma coisa e meu colega de trabalho odioso preferiu descer os beijos pelo meu pescoço, onde também deixava a respiração morna e acelerada, deixando com que eu lidasse com o homem.

— Está tudo bem aí atrás? Senhor Park, você precisa de alguma coisa? — Ah, ele estava preocupado. Não tinha entendido que as discussões com Jungkook me deixavam duro e suando, e que parar não era exatamente uma opção para mim naquele momento. Acabo por grunhir ao que ele, num único puxar, abriu os botões de meu terno de uma vez.

— Ah, s-sim... — Gaguejei ao senti-lo morder meu mamilo por cima do tecido fino da camisa social branca que eu usava abaixo do terno, e logo as mãos grandes do moreno, começaram a desabotoar também aquele tecido, com agilidade. —... tudo bem por aqui. — Olhei para baixo, já assistindo Jeon percorrer meu abdômen nu, com a língua quente e os dentes, me causando calafrios e arrepios incontroláveis.

O puxei pela gravata para cima e empurrei até que ele se sentasse corretamente no banco. Jeon me olhou em dúvida, mas bastou que eu retirasse o terno, passasse a camiseta pela cabeça e me ajoelhasse a sua frente para o entendimento iluminar seu rosto.

— Motorista, suba a divisória, por favor. — Jungkook murmurou sendo obedecido imediatamente. — Não precisamos que veja Jimin ajoelhado com a cabeça entre minhas pernas.

— Eu não estou...

— Ainda. — Interrompeu-me com um sorriso prepotente os lábios.

— Convencido. — Disse desatacando todos os botões que encontrava de suas calças e descendo o zíper da calça o mais depressa possível. — Eu tenho nojo de você. — Murmuro, arrancando dele um gargalhar irônico. Logo suspirando ao ver seu pau libertar-se da boxer e segurá-lo nas mãos.

Acabo por roçar os lábios pela glande avermelhada alheia, provado de seu sabor devagar ao que começo a sugar, apreciando cada milímetro de pele dura e esticada de tesão por minha causa. Desci minha boca nele engolindo tudo o que conseguia, deixando bastante de minha saliva ali, com o intuito de o preparar para me receber; raspando os dentes de leve na cabecinha e utilizando minhas mãos na área que minha boca não alcançava numa masturbação lenta.

Mas, não estava com paciência para mais do que aquilo e logo me levantei, pronto para agradar finalmente meu tesão incontrolável. Agradecia a burguesia de meu estimado chefe, por ter um carro daqueles; o carro era alto, espaçoso, o que me permitia ficar ereto em cima daquele homem, já pensando o quanto eu poderia quicar no pau dele, sem me preocupar se minha cabeça bateria contra o teto. Agradeceu também a divisória, que nos isolava da área do motorista - mesmo sabendo que aquilo não o impedisse de escutar todos os sons.

Inclinei-me inteiro para cima de Jeon, beijando seu pescoço e mordendo sua orelha enquanto lhe rosnava que se despisse de uma vez. Retiro minha calça também, vendo que ele havia retirado quase toda a roupa, mas eu impedi que tocasse na gravata e me segurei a ela depois de feito para me sentar em seu colo, as pernas abertas uma de cada lado do quadril.

Para completar a atuação de homem das cavernas, ele optou por rasgar as laterais da minha cueca para livrar-se dela mais fácil. Bufei, irritado, olhando para o lado enquanto ele beijava meus mamilos, como se pedisse desculpas por algo que não se arrependia. Puxei os cabelos da sua nuca para que ele me olhasse e lambi seus lábios inchados dos meus beijos.

— Por que você é assim, homem demoníaco? — Ele sussurrou apertando minha bunda como se fosse sua propriedade, deixando-a certamente vermelha e me esfregando a seu membro ereto no processo.

— Não se faça de sonso, eu sei que você gosta desse tipo de homem. — Ri rebolando em seu colo lentamente, fazendo com que seu pau, roçasse entre minhas nádegas.

— É o único tipo que eu aceito. — Admitiu, e então, enfiou dois dedos em seus próprios lábios, sugando-os brevemente, - cena, que conseguiu arrepiar todos os pelos de meu corpo. Assim que ele parou, levou a mão para minha bunda, esguiando os dedos úmidos entre minhas nádegas. Roçou-os ali, arrancando arfares baixos de meus lábios, e não demorou muito para que ele escorregasse mais os dedos até me penetrar, fazendo-me gemer baixo. — Tem algum motivo para estar tão sensível assim? — Questionou sorrindo ladino, retirando os dedos dali, fitando-me nos olhos.

A pergunta era sexualmente estimulante além da conta e eu me peguei elevando o corpo e posicionando seu pau para que eu descesse contra ele de uma vez.

— Esse é o meu motivo. — Soprei contra seus lábios, a verdade explosiva sendo novamente minha marca característica.

Forço meu corpo para baixo, sentindo a extensão do pau do moreno, entrando rasgando com todo seu tamanho e grossura, arrancando um gemido alto. Nunca antes tinha me sentido tão preenchido e a sensação era melhor do que eu achava possível. Eu não ia durar muito antes de gozar, tinha certeza.

O motorista havia descido um pouco a divisória de forma a deixar uma pequena fresta com a desculpa do meu som alto. Mas eu tinha certeza de que ele estava tentando se concentrar para não bater uma ou bater o carro, e não me importei que tivéssemos companhia. Jeon, aparentemente, também não ligava.

Ele segurou meus quadris com força e me obrigou a começar o movimento; acabo soltando um grunhido, afinal, ainda estava me acostumando com seu tamanho em meu interior. Minha reação fora um prato cheio para que ele sorrisse sacana, e para descontar tal abuso, mordo seu lábio inferior fortemente, fazendo-o arfar.

— Maldito... — Sussurro rente a boca dele, lhe fitando os olhos, e então, comecei a subir e descer mais uma vez, e outra.

— Só vai poder dizer isso depois, quando não conseguir andar direito por estar todo fodido por mim... — Ele disse no mesmo tom, e então, antes que eu pudesse reclamar daquele abuso, me puxou novamente para sua boca e iniciou outro beijo alucinado, enquanto apoiava os pés no chão e me ajudava impulsionando-se para cima de encontro a mim.

Atingia fundo e eu sentia necessidade de rebolar para fazê-lo atingir todos os pontos maravilhosamente sensíveis de minha entrada, principalmente, minha próstata, a qual era surrada de forma certeira, todas as vezes em que ele retornava ao meu interior. Os gemidos entre o ósculo eram constantes, junto as mordidas dávamos nos lábios um do outro, descontando o prazer em também apertos e arranhões nada sutis.

Aumentamos a velocidade do entra e sai, e eu quase chorava implorando pelo orgasmo em pensamento, e Jeon parecia igualmente furioso para gozar de uma vez. Segurou minha cintura com afinco e me jogou para o lado no banco. Ele se levantou e puxou meu tornozelo, me manuseando a seu bel-prazer. Ele se ajoelhou dessa vez para voltar a me penetrar. A liberdade de movimento da posição permitia que ele explorasse todas as curvas do meu corpo e que eu babasse nos movimentos de seu abdômen retesado, seu peitoral forte, os braços trabalhados e a clavícula proeminente. Puta merda, como o homem era gostoso.

Ele soltou meu mamilo de seus lábios, para segurar meu membro, e começar a masturba-lo rapidamente, tão rápido quanto a penetração, e logo eu estava berrando obscenidades sem conseguir controlar. Ele entrou, saiu e entrou mais algumas vezes e eu senti meu interior contrair, e uma onda de prazer dominar meu corpo; milhares de explosões por todos os meus nervos, relaxando de uma vez todos os meus músculos e nublando minha mente num êxtase aliviado, sujando meu próprio abdômen e a mão alheia com meu gozo.

Saí fora do ar alguns minutos e quando voltei ele tinha meu nome na ponta na língua, as veias do pescoço saltadas e corar característica no rosto. Retirou-se do meu interior quente e com aquilo, logo sinto sua porra escorrer pela minha coxa, atingindo ao banco de couro do carro de nosso chefe.

Jeon deu um passo para trás e sentou exausto na outra ponta do banco que agora colava em nossas peles. Nós nos olhamos cansados e ofegantes e então para a bagunça que ele tinha feito sem querer.

— Eu não tenho uma toalha. — Ofeguei o óbvio, e ele soltou a gravata ainda presa ao pescoço para passá-la por seu leite morno que acariciava minha perna. Então, abriu a janela apenas o suficiente e a jogou por ali, sem se importar com onde ela pousaria, arrancando de mim um sorriso travesso, meio a todo cansaço.

Não saberia dizer o que exatamente havia mudado, mas aquela não-tão-simples da transa tinha deixado sua marca. Prova daquilo é que rimos juntos quando peguei minha cueca, lembrando-me do rasgo que ele havia feito nela, deixando-a inutilizável. Recoloquei meu terno e ele fez o mesmo, ao que ambas as respirações se normalizaram.

Em uma programação perfeita, chegamos ao pátio de entrada do salão de festas assim que acabamos por colocar nossas roupas. Sr. Bong estava ali com outros dois senhores e uma senhora, fumando seu tradicional charuto cubano e desviou sua atenção a nós assim que descemos da limusine.

— E então, casal dinamite? Resolveram as suas diferenças ou eu vou precisar mudar um de vocês de escritório? — Nos perguntou, só então estranhando o estado em que nos encontrávamos: Jeon sem gravata, nós dois com as roupas todas incrivelmente amassadas, ambos com os cabelos bagunçados. Ele me olhou com atenção e eu lhe abri um sorriso singelo.

— Ele continua sendo um pirralho insuportável, mas vamos todos sobreviver. — Jeon disse brincalhão, beliscando minha bochecha ainda rosada da intensa atividade física.

— É, o senhor não tem com o que se preocupar. — Completei risonha, mordendo o lábio inferior ao que ele tocou meu rosto.

Talvez apenas com o fato de que estaríamos bastante ocupados em casos imaginários nas próximas semanas, trancados ora na sala de reunião, ora na sala de descanso, nos acertando da maneira que fazíamos melhor: Nos enterrando no corpo um do outro.


Notas Finais


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