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História "Hey, Little Girl?" - Imagine do Yoongi - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Espero que estejam gostando da fanfic. E se não for pedir muito,comentem. Obrigado, vamos lá.

Capítulo 2 - " I'm a Freak? "


Fanfic / Fanfiction "Hey, Little Girl?" - Imagine do Yoongi - Capítulo 2 - " I'm a Freak? "

{_____ P.O.V's}

•10/ 06/ 2021•

 

— Dizem que a mentira é não contar a verdade ou negar o conhecimento sobre alguma coisa que é verdadeira. A mentira é o ato de mentir, enganar, iludir ou ludibriar. — Dizia a professora. — Quando crianças, aprendemos que mentir é errado. Mas ainda existem os rebeldes que mentem aos pais, seja para esconder um erro. Omitir uma má nota. Enfim, todos sabemos que em algum momento a lábia termina. Daí se cria o ditado: "Mentira tem perna cur-" — O sino da saída toca fazendo todos os alunos se animarem com murmúrios de comemoração. A instrutora - uma mulher de meia idade, fardada e com os cabelos escuros presos em coque - bufou, enquanto os "ouvintes" saíam desesperadamente, em corrida. Ela cravou seu olhar em mim, enquanto eu apenas tentava copiar as anotações do quadro. — Decidiu não dormir hoje, senhorita Park? 

— A aula estava interessante. — Disse fechando meu caderno e colocando-o na bolsa junto a umas canetas de caligrafia coloridas, logo passando as alças pelos braços, cobertos pelo sobretudo da farda escolar. Ela fazia o mesmo com o próprio material. — Aliás, uma curiosidade, na sua opinião, qual é a pior mentira? O tipo mais comum.

— A pior mentira de todas é aquela que tentamos enganar a nós mesmos. Isto é fato. — Disse apoiando sua bolsa em seu ombro e se virando para me encarar. —Até porque, por mais que você tente, você vai olhar no espelho e lembrar que uma máscara nunca poderá esconder a sua verdade, porque você sabe que ela está ali, sem poder sair, mas tentando se libertar. — Ela pareceu pensativa por um momento, olhando para o nada. De repente deu um sorriso sem mostrar sua arcaria dentária, que se desfez em seguida, quando voltou a encarar-me. — Mas por que a pergunta?

Eu não sei. Sinceramente, realmente não sei, era como se uma parte de mim, desconhecida por mim mesma, quisesse saber. Mas por quê? Sinto que eu sabia, mas ainda não precisava saber, era estranho, mas uma necessidade. Caralho, por que eu não posso simplesmente ter ideias e pensamentos explicáveis ou que venham com um glossário? Ou eu sou só uma aberração sem explicação? 

— Curiosidade?... — Dei de ombros e a mulher também. Ela se virou e saiu, seus sapatos sociais faziam um som quase inaudível no piso de cerâmica.

Fiz quase a mesma coisa, exceto que em vez de ir à secretária fazer um relatório diário oral, fui à saída. Meu peito pesou por um momento, enquanto eu caminhava, como se tivesse sido esmurrado, o ar me faltou por um segundo, então, no momento seguinte, eu estava bem. Com dor de cabeça, mas bem. Olhei ao redor, não havia ninguém, mas então ouvi um grito histérico afastado, então passos em corrida e dois corpos em uma espécie de pega-pega. Eu já as havia visto, então, já sabendo quem viria em seguida me virei e voltei a caminhar em direção à saída para aguardar o motorista, não me atrasar como no dia anterior, e evitar qualquer conversa com a morena de ontem.

Já do lado de fora, pessoas caminhavam para a rua, depois dos portões gradeados, ou para os pontos de ônibus escolares, ou para carros estacionados. Após procurar rapidamente e confirmar que meu motorista ainda não havia chegado, andei até a lateral da entrada e me sentei entre as pilastras da estrutura escolar. Coloquei a mão sobre o rosto e tirei a máscara de pano. Para ser sincera, eu não sabia o porquê de usá-la, eu não tenho nenhuma doença contagiosa, nem rinite, e tenho uma imunidade aceitável. Ás vezes eu acho que tenho algum problema, faço coisas sem pensar, sem saber o motivo, sem entender. E fico criando porquês aleatórios para me sentir melhor. Em um lapso, minha cabeça voltou à noite de ontem, ao momento em que ouvi a "fofoca" de meu pai. 

“Ela está exatamente como a idiota da mãe, não fala mais, sequer sai do próprio quarto, é gratificante que ela tenha notas boas, mas de quê servem sendo que é o fardo que é? Eu me lembro bem, aquela mulher fez a mesma coisa e depois se enforcou. Para falar a verdade, não vejo a hora dela fazer o mesmo”.

Me contive - pois estava em um local público, apesar de estar longe de todos os olhos - mas as lágrimas quiseram escorrer de qualquer jeito. Puxei meu celular do bolso e liguei na playlist algo para ouvir enquanto esperava minha carona. Optei por You can’t stop the girl, de Bebe Rexha, puxei meu fone do mesmo local de onde tirei o eletrônico, junto a um único, imagino que também seja o último, cigarro. Olhei para cada centímetro do objeto composto por fumo, e sorri. Sorri, não só por ter meu único amiguinho ali, mas também por ter algo que me tiraria mais alguns dias de vida, e era o que eu mais queria.

Conectei o fone ao celular e busquei meu isqueiro na mochila. O achei debaixo da agenda, e incendiei o cigarro, o colocando na boca sentindo o cheiro da fumaça invadir minhas narinas. Olhei para o chão a frente e ouvi em ambos os ouvidos a música tocar, ouvi os graves e agudos na voz de Bebe, a melodia, o sentimento passado pela letra e pelo tom do canto.

Um pouco depois do refrão fechei os olhos momentaneamente, sentindo o pouco calor de meio-dia - com o sol quase que completamente coberto pelas nuvens.

[...] Eles tentam fazer nossas escolhas
Então gritamos alto, alto, alto
E, ah, eu sei que você sente a luz. – [...]

 

Senti o objeto em minha boca ser arrancado da mesma, o cheiro forte de fumaça se afastou, abri os olhos arregalando-os para a pessoa estendida ali, com o meu cigarro em mãos. Levantei em um pulo e estendi a mão para ela.

— Devolve.

— Não! Tá’ doida? — Disse jogando-o no chão e pisoteando-o. E mais uma vez observei um companheiro ir embora.

—Merda! — Resmunguei vendo a mesma de cara fechada para mim. —Como me encontrou, Jennie?

— Eu te vi fugindo, e eu sei que era de mim, então te segui. Caralho, por que você fuma?

— Não te interessa, princesinha.

Dei meia volta, tirando ambos os fones e guardando-os junto ao aparelho eletrônico. Ela me chamou uma vez, enquanto colocava a mochila nas costas, me virei e comecei a andar, ela me chamou pela segunda vez. Antes que eu chegasse ao início do campus, um pouco mais vazio do que antes, ela me chamou pela terceira vez, junto a um xingamento, levantei a mão fechada em punho, com apenas o dedo do meio ereto. Olhei ao redor baixando a mão e procurando pelo motorista, nada. É, o jeito vai ser ir a pé.

 

[...]

 

Viver. Está é uma palavra muito forte. Eu prefiro existir, pois quem respira nem sempre está vivo, ás vezes é apenas um corpo obedecendo ordens, seguindo uma linha de vida. Como eu. E eu nunca percebera que caminhar sozinha era tão bom. Você tem um momento sem preocupações externas, sem alguém para te supervisionar. Você está sozinho com a única pessoa que te conhece bem. Você.

A alguns passos de passar pela porta principal, eu parei, respirei fundo e me preparei. Hoje era seu primeiro feriado do mês, o dia da criação da empresa, ao menos acho que seja. Mas de qualquer jeito, ele estaria ali, esparramado no sofá com cara de quem nunca fez nada. Mas claro, é aquele ditado “Se eu não lembro eu não fiz”. Alcancei a maçaneta e vi o motorista encarando o chão e seu rosto preocupado, as três empregadas da casa e a governanta estavam ali também. E o infeliz foi o primeiro a me notar.

— Querida! — Disse se aproximando, o nojo me possuiu no momento em que ele me abraçou. Todos os outros me observavam dentro daquele abraço, aliviados. Principalmente o motorista. — Onde esteve?

— Decidi caminhar um pouco hoje. — Respondi e me soltei indo para as escadas e subindo-as. — Bom dia para todos. — Todos responderam de uma vez, em uma só voz.

Entrei no meu quarto e fui direto ao closet fazer o mesmo de sempre, trocar de roupa e mandar o uniforme para roupa suja. O homem que me criou não era besta, e percebeu meu desconforto lá embaixo. Confirmei isso ao sair do mini cômodo e encontra-lo sentado na cama, olhando para o carpete do chão.

— O que aconteceu? — Foi o primeiro a se pronunciar. Fiquei em silêncio. — Você me ouviu ontem, não foi? — Olhou-me nos olhos duramente.

— Como? — Questionei olhando para a colcha da cama. — O que você disse ontem?

— Olhe na minha cara e me responda novamente. — Foi o que eu fiz, olhei diretamente nos seus olhos e consegui coragem, não sei de onde, mas consegui.

— Sim, eu ouvi. — Meus olhos lacrimejaram. Olhei para ele enquanto o mesmo negava com a cabeça e levanta vindo até minha direção.

— Você sabe que tem que ficar com a boca caladinha, não é? — Disse próximo a mim em um sussurro.

— Enquanto você fofoca para cada puta que você traz aqui? — Perguntei m um sussurro de ódio. Ele ergueu a mão e eu esperei pelo impacto. Mas, ele apenas alisou meu cabelo com a destra e segurou uma mecha, levantando-a para cheira-la, aproveitando para falar ao meu ouvido, algo que eu jamais esquecerei. No céu, no inferno, no purgatório, ou até no nada.

— Se mata logo. Não vai fazer falta. — Meus olhos se encheram com mais lágrimas do que cada um conseguia suportar. Ele se afastou com o rosto neutro.

A camiseta escura que eu vestia estava quase virando um vestido de tanto que eu a puxava para baixo. Ele saiu do quarto e os soluços começaram, o ódio me consumiu, por que comigo? Eu mereço isso?

Levantei a cabeça e dei meia volta, retornando para o closet. Dentro do mesmo tirei o short de pano que acabara de colocar, jogando-o em qualquer lugar. Puxei de um cabide uma calça jeans escura, passei uma perna de cada vez, tropeçando uma vez ou outra. Abotoei a mesma e peguei um moletom qualquer, era amarelo e tinha uma rosa bordada sobre o peito direito, volvi-me para o fim do cômodo para pegar uma bota aleatória. Saí do closet novamente e andei até a cama sentando-me para calçar o sapato. Acabei me embaralhando algumas vezes ao amarrar os cadarços por causa dos soluços. Depois de terminar fiquei de pé e fui até meu criado mudo, abrindo a primeira gaveta e tirando minha carteira e identidade. Caminhei até a varanda e observei o jardim a direita e o quintal a esquerda.

Espalmei as mãos no parapeito e levei as pernas para o lado contrário, para a queda de um andar. Apoiei os pés no piso pelo lado de fora e me joguei, caindo no chão gramado com as pernas doendo e um grande tropeço que me fez apoiar-me sobre as mãos fazendo-me ter dores fortes nas pernas e braços, limpei as lágrimas do rosto e olhei para cima novamente. Aí eu me pergunto, por que diabos não usei a porta da frente?

Andei lentamente pelo campo aberto do jardim até a garagem, rodando ambos os ombros para aliviar a dor impacto. Já na frente da garagem lembrei que estava sem as chaves, bati a mão contra a testa e voltei a andar, desta vez, para a saída lateral, a que dava aceso à cozinha. Passei pela porta encontrando o lugar vazio, sorte. Mais à frente a abertura que a ligava a sala. Ele estaria lá, então eu tinha que ser cuidadosa. Ok, eu acho que sei o que fazer. Fui silenciosamente até o armário e peguei um copo de alumínio qualquer. O som da TV invadia a cozinha, baixo por conta da distância. Fui até o limite de visão da divisória e lancei o copo no chão, ele fez um barulho e rolou até a sala, dei meia volta e me arrastei rapidamente para o outro lado do balcão central, escorando as costas ali. Passos se aproximaram e cessaram logo em seguida, o barulho do copo saindo do chão.

— Quem está aí? — A voz grossa invadiu tudo. Estremeci, os passos voltaram, engatinhei para o fim do balcão e fui para a sua lateral, ele não me veria ali, mas eu não posso me mexer. Merda! Por que eu não lembrei desse detalhe? Um ranger de porta tirou-me de meus pensamentos. Alguém entrara pelo mesmo lugar por onde eu entrei.

— Senhor! — Era uma das empregadas. Ok, eu estava com MUITA sorte hoje. — O que faz aqui?

Ambos começaram um diálogo sobre a organização da casa, olhei para tudo ao meu redor e para o carrinho de refeições a minha frente. Aquilo era algo totalmente burguês e desnecessário, que era usado em casos de visitas. Mas, hoje, ele teria uma utilidade. O puxei com o pé coberto pela bota, ele veio silenciosamente sobre o carpete. O virei e fiquei atrás do mesmo, andei devagar ouvindo o diálogo de ambos os presentes na cozinha. Daqui a pouco estavam gemendo ali. Quase vomitei com o pensamento, que nojo.

Parei no meio da sala, onde não seria mais possível me ver da cozinha, levantei, ficando de pé e fui até a parede ao lado da porta onde havia uma pequena caixinha, dentro da parede. A destravei e puxei a chave da minha moto, fechei novamente o local lotado de chaves, me volvi e passei pela porta, a fechando em seguida. Olhei para o jardim iluminado pelo sol, depois comecei a andar em direção à garagem.

—  Que o garçom me aguente até o sol cair.

 

[...]

 

O vento entrava no capacete com força.

O mundo era apenas um borrão, a velocidade passava dos 100km/h. O barulho do vento virava um incômodo, minha carteira pesava no bolso único do moletom, apenas com documentos e recibos e dois cartões esgotados. As casas se tornaram mais espaçadas e longínquas, então algo brilhou contra a luz da rua, aquilo era um portão?

A moto bombeou, minha visão se ajustou por menos de um segundo, um muro. Eu estava indo em direção a um muro de tijolos brancos, escurecidos pela noite que se abria céu acima, eram umas onze da noite, beber a tarde inteira não foi uma das melhores ideias. Duas casas decoravam o fim da rua, minha cabeça girou, o muro estava muito próximo, então em um movimento totalmente coerente e calculado, também conhecido como não foi não, virei a direção do pneu que se arrastou no chão, me virei para o outro lado e soltei o volante, meu ombro bateu contra o asfalto e eu levantei os braços contra a cabeça para protege-la. Meu corpo ficou totalmente dolorido, ouvi a moto bater em algo e a carteira se libertar de meu bolso enquanto eu rolava no chão. Quando eu finalmente parei não conseguia me mexer, algo escorria pela lateral da minha cabeça. Minha visão já embaçada não me deixava ver nada, principalmente depois que meus olhos marejaram.

Ouvi passos em corrida. Em seguida gritos desesperados. E eu conhecia uma das vozes. Dois corpos apareceram da casa a direita, olhei para o outro lado da rua e vi minha moto esparramada sob uma placa de vende-se, um alívio, pessoas a menos para ver esta tragédia. Um dos indivíduos se abaixou perto de mim, o outro foi até minha carteira a levantando do chão. Ergui um pouco a cabeça e mãos delicadas tiravam meu capacete. Sabia que a conhecia de algum lugar.

— _____ ? — Seus olhos se encheram de água e brilharam, ela colocou minha cabeça sobre suas pernas e gritou pelo outro. —  Jungkook, liga para o Hospital!

— Não! — Tentei erguer a mão, mas não tinha forças nem para isso. Jennie se voltou para mim, só então percebi que a mesma estava de pijama. — Por favor, não. — Ela pareceu pensar um pouco. Olhou para o moreno que segurava o celular com uma mão e a carteira com a outra. Uma presilha segurava seu monte de madeixas e ele também aparentava estar com roupas de dormir.

— Liga pro Yoongi. — Ordenou voltando a olhar para mim. —  E manda trazer o Jin e o Nam. — Sorri. E então senti todas as minhas forças se esvaírem e meu corpo parar de funcionar.

 

Boa noite, querida Eu.

 

 

 

 

 

~Continua.


Notas Finais


Espero que gostem e deixem sua opinião e teoria nos comentários. Vejo vocês capítulo que vem. BYEEEEEEEEE
:3


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