História Hey, you have my baby! - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Big Bang, Black Pink, EXO, Monsta X, TWICE
Personagens Baekhyun, G-Dragon, Jisoo, Mina, Personagens Originais, Suga, V, Won Ho
Tags Bangtan Boys, Beyond The Scene, Bts, Comedia, Fantasia, Kim Taehyung, Monsta X, Romance, Tae, Taehyung, Yoongi, Yssschr_
Visualizações 1.371
Palavras 4.872
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo ♡

Capítulo 3 - A lista negra


- Taehyung. - Sua voz rouca soou, quase num sussurro.

- O que? - Voltei a olhar para ele e o vi sorrindo, encostando as pontas dos dedos em meu rosto e delicadamente pondo uma mecha de cabelo molhado meu atrás da orelha. 

- Meu nome. Você disse que não sabia, então... é Kim Taehyung. 

E lá estávamos nós, tão próximos que eu podia ver meu reflexo em seus olhos, assim como sua respiração quente soprando em minha pele. Eu estava paralisada igual uma pedra, tão literalmente que até prendi minha respiração - mania feia essa, hein, Somi? -; ele olhava intensamente em meus olhos, com um sorriso pequeno nos lábios e com espuma espalhada por cada uma de suas bochechas.

- Você tá bem? - Ele inclinou a cabeça, me olhando curioso e unindo as sobrancelhas. 

- Taehyung... - Repeti, com a voz baixa.

- Sim?  - Ele abriu um sorriso pequeno, ainda se mantendo sobre mim com os braços apoiados no chão, ao lado do meu corpo. 

- Será que você... PODE SAIR DE MIM AGORA?! DE CIMA! QUERO DIZER, PODE SAIR DE CIMA DE MIM?! 

Gritei escandalosamente - ou seja, berrei igual uma cabra -, o vendo arregalar os olhos assustado e dar um pulo para trás, sentando no chão e formando uma poça d'água ao seu redor. 

- D-Desculpa. - Ele deu um sorriso torto, coçando a nuca todo sem graça e com um rubor em suas bochechas. Uma risada ecoou pelo banheiro inteiro, nos chamando atenção para a pequena criaturinha ensaboada dentro da banheira de porcelana, que realmente parecia estar se divertido nos olhando. 

Bufei, revirando os olhos e me apoiando na tampa do vaso sanitário. Tomei um impulso, mas logo escorreguei outra vez de bunda no chão, fumaçando de raiva ao ver agora os dois desconhecidos rirem juntos. 

- Maldição... 

- Desculpa. - Taehyung colocou a mão na boca numa tentativa de segurar o riso. 

- Ainda não acredito que você pulou de roupa e tudo dentro da minha banheira e ainda por cima com um bebê dentro dela... - Resmunguei, vendo Taehyung se levantar, vir até mim completamente desequilibrado como se estivesse em uma corda bamba e estender novamente a palma da mão. 

- Era isso ou eu ia ficar cego. Como eu ia comprar meus pudins sem escutar?

- Você... não quis dizer "enxergar"? - Franzi a testa e ele negou com a cabeça.

- Não, é escutar mesmo. Sabe quando a gente bate com a colher no pudim e ele dá uns pulinhos e faz um estalinho? - Taehyung deu um sorriso brincalhão e uns pulinhos estranhos, me fazendo ter a absoluta certeza de que ele veio de outra estratosfera. 

Revirei os olhos e segurei sua mão, dessa vez tomando o máximo de cuidado para não cair. Enquanto me levantava meticulosamente, ouvi sua risada abafada e o encarei séria.

- O que foi agora? 

- Nada. - Ele riu outra vez, pondo a mão sobre a boca. 

Voltei ao que fazia e mais uma vez ele soltou uma risada abafada. O encarei de cara fechada e ele engoliu seco, contraindo os lábios.

- Desculpa, é que... você tá parecendo um anão surfando. 

- Que? 

- Nada! Eu não disse nada, você ouviu alguma coisa Taewon? - Taehyung ficou sério, apontou para o bebê que apenas riu e voltou para mim, encolhendo os ombros. - Eu também não ouvi nada. Você ouviu?! Eu não ouvi. 

- Você por acaso quer cair "acidentalmente" nesse chão de novo? - Sorri irônica e ele se curvou, deixando o rosto à centímetros do meu; e, sorrindo de lado, passou os dedos cheios de espuma em minha bochecha.

- Se for pra cair em cima de você de novo, eu quero. - Ele sorriu fofamente, pondo o dedo indicador melado de espuma na ponta de meu nariz. 

Engoli seco, sem reação alguma. Meu Deus, ele conseguia ser ainda pior que Yoongi.

Pelo menos Yoongi era apenas irritantemente sedutor, já Taehyung, de uma forma inexplicável, dava uma de sedutor e logo em seguida voltava a ser fofo de novo, me deixando totalmente perdida feat. confusa. 

- Você é maluco... - Ditei com a voz quase falhada, desviando de seu olhar. 

- Você já disse isso umas 5 vezes só hoje, sabia? 

- Ah, é? Advinha o porquê. - Fingi um sorriso e logo fiz careta, o empurrando para o lado, indo até a banheira e me agachando de frente para a criança, que ainda ria e tinha espuma por todo o cabelo e corpo. 

- Sabe dar banho em bebês? 

- Não deve ser difícil. - Falei, convencida. - Já falei que sou a secretária executiva do Plardium King? Meu chefe me fez assinar uma cláusula na qual eu preciso saber fazer tudo, ser boa em tudo e ser tudo. Ou seja, eu sou um faz-tudo.

Basicamente um contrato - escravo - que Yoongi me - obrigou - fez assinar quando comecei a trabalhar na empresa dele.

- Nossa, em tudo? - Ele se agachou ao meu lado e me olhou curioso.

- Uhum. 

- Ah, já sei! Você é tipo um daqueles oompas-loompas, né? 

- Claro, eu sou um... - Respirei fundo e rangi os dentes, controlando minha raiva. - Oompa-loompa... Oompa-loompa?!

- É, você sabe! Aqueles pigmeuzinhos de meio metro que fazem de tudo no filme da fábrica de chocolate. Você tem meio-metro e faz tudo!

- Eu estou seriamente pensando em te afogar dentro dessa banheira e jogar seu corpo em um... Ok, eu não posso ir pra cadeia, não posso... - Sussurrei, respirando fundo mais uma vez e expirando calmamente. 

Esperei alguns segundos e o observei apertar as bochechas do bebê, ao mesmo tempo em que tirava a espuma de seus cabelos. 

- Olha, se por acaso um dia você for pra cadeia, nunca peça pra cantarem uma música de ninar pra você, principalmente se for o Martelo. 

- Martelo? 

- Tem o Costelinha também, mas o Costelinha é gente boa. Só não chegue perto do Martelo, ele é... bizarro. 

- Meu Deus, o sujo falando do mal lavado. Essa é boa. - O fitei, incrédula. 

Olhei a criança e voltei a fitar Taehyung, e o mais engraçado de tudo era que toda vez o bebê parecia imitar suas caras e bocas sem ele nem mesmo perceber.

Acabei deixando escapar um sorriso pequeno por um momento e o vi arregalar os olhos, subitamente aproximando o rosto do meu uma outra vez. Abaixei a cabeça e senti minhas bochechas queimarem, me amaldiçoando mentalmente por isso.

- Então quer dizer que você também sabe sorrir? - Taehyung me encarou por longos segundos com aquele sorriso dele e eu quase cavei um buraco até a China para fugir dali. 

- C-Claro que sei, ué. O que você acha que eu sou? - Virei o rosto para o outro lado e me levantei, tossindo fraco. - Eu vou me trocar... Quando terminar aqui você limpa. 

Dei as costas e fui me apoiando nas paredes até chegar na porta, suspirando aliviada ao finalmente sair de perto daquelas duas crianças. Entrei no quarto e me escorei na porta fechada, tentando processar novamente tudo o que estava acontecendo. 

Era coisa demais para um dia só. 

Um dia atrás, aliás, há horas atrás, eu era somente uma garota de 20 anos, independente, vivendo uma vida sossegada e agora, de repente, eu tenho um filho que nem pari e com um cara completamente desconhecido e estranho.

Suspirei cabisbaixa e tirei a blusa encharcada, ficando apenas de sutiã e me olhando no espelho. Notando pelo reflexo que eu estava cheia de espuma no corpo e até mesmo nas bochechas, suspirei, mordendo o lábio inferior. Eu estava precisando de um bom descanso. Também por causa do excesso de trabalho até ganhei novas olheiras, enfim, eu estava um completo desastre. 

De súbito, ouvi a porta ranger e arregalei os olhos, pondo as mãos sobre meus seios e dando o grito mais alto que eu já dei desde que sai do útero da minha mãe. 

- Não grita, o bebê vai chorar! - Sua voz rouca ficou ainda mais grave que o normal e ele arregalou os olhos, desviando da blusa encharcada que joguei nele. Mas era muito atrevido mesmo!

- SEU PERVERTIDO! - Berrei, ignorando tudo que ele falava e jogando todas as coisas que eu via pela frente em cima dele. - EU SABIA! EU SABIA QUE VOCÊ ERA UM TARADO! 

- EI, CUIDADO! MISERICÓRDIA, SANGUE DE JESUS TEM PODER, SOCORRO! - Ele se abaixou arregalando os olhos de novo ao ver um travesseiro voar por cima de sua cabeça. Taehyung correu para fora do quarto rapidamente e segurei o controle da tv na mão como se fosse uma espada, com os cabelos desgrenhados e a respiração descompassada. 

Encarei a porta, já sem fôlego e dei um passo, engolindo seco. 

- Eu só queria dizer que... - Ele reapareceu na porta e deu um grito quando eu arremessei o controle e gritei escandalosamente. 

- MORRE! MORRE, SEU PERVERTIDO! 

- VOCÊ É UM CÃO RAIVOSO É?! 

- Eu... O QUÊ?! VOCÊ QUER MESMO MORRER É?! 

- Espera, espera, espera! Calma, Somi! Eu tô com o bebê no colo! - Taehyung entrou no quarto de costas para mim. 

O rebuliço foi tanto que eu nem mesmo tinha percebido que esse tempo todo ele segurava o bebê nos braços. Ao ver Taehyung com o bebê no colo e vermelho igual um pimentão, acalmei um pouco meus nervos e peguei uma almofada, cobrindo meus seios e semicerrando os olhos. 

- Yah! Você não sabe bater na porta antes de invadir o quarto alheio não?!

- E como eu ia advinhar que você tava sem roupa?! Eu divido a casa com um bebê e ele não costuma reclamar quando tá nú!

- Aish... O que você quer, afinal?!

- Eu... ah, não, droga! - Ele choramingou assim que o bebê começou a chorar descontroladamente. - Eu disse que não era pra gritar! Agora ele não vai mais parar de chorar, aigoo!


                         (...)


- Onde desliga? 

- Ei, ele é um ser humano. - Taehyung fez careta para mim e eu retribui.

- Mas ele tá chorando faz meia hora já! A pilha já deveria ter acabado. 

 Estávamos nós dois em pé, de frente para o bebê chorão sentado no sofá que literalmente não parava de chorar fazia uns 30 minutos consecutivos. 

- Bebês não funcionam com pilha, sua desnaturada. - Ele resmungou indignado, sentando ao lado do outro e tentando animar ele com uns brinquedos e até mesmo com vídeos infantis de youtube, mas nada resolvia, e aquele choro fininho era extremamente irritante!

Cruzei os braços e bufei, tentando pensar em alguma alternativa que o fizesse parar de uma vez por todas. 

Olhei através da janela e sorri lentamente, pensando na pessoa perfeita!

Corri até a janela, a abri e atirei uma das pedrinhas do jarro no parapeito da janela vizinha. Tive que repetir isso pelo menos umas duas - ou 34 - vezes, já que Minari se torna quase que uma mula surda de noite.

- Somi? Por que você tá atirando suas pedrinhas de crack na minha janela? - Ela abriu a mesma e arqueeou a sobrancelha. 

- Eu já disse que as pedrinhas do meu jarro não parecem crack. 

- Tá, mas... que porra é isso atrás de você? - Ela apontou com o dedo indicador e olhei para trás, vendo Taehyung sorrir fofo acenando para Minari igual naquele dia que pensei que ele fosse um mendigo louco. - Ele é o traficante que te dá essas pedrinhas é? 

- Cala a boca e vem logo aqui em casa. 

- Mas eu... 

- 5 minutos! - Fechei a janela sem esperar sua resposta e encarei Taehyung com os braços cruzados. - Você sempre acena assim pra desconhecidos? 

- Claro, por que? É ser simpático. 

- Tem certeza que não precisa de tratamento? Um psiquiatra? Talvez Jesus? 

- Somi, você me acha doido? 

- Nossa, nem um pouco... - Murmurei.

- Ah, que bom então! Todo mundo costuma me chamar de alien, E.T, e essas coisas...  Eu não gosto, me sinto sei lá. Você entende? - Ele me parecia um tanto triste ao falar assim, além da voz mais fraca. 

- Claro, "sei lá". Todo mundo se sente "sei lá" as vezes, né? Entendi perfeitamemte. Quem nunca. - Sorri sarcástica. 

- E quem é ela? A garota vizinha. 

- Minha melhor amiga desde meus 15 anos. Ela é japonesa e um pouco doidinha, mas ela tem uma sobrinha bebê então deve saber o que fazer. - Falei e ouvi um bater na porta estilo metralhadora descontrolada que avisava a chegada da tranquila Minari. 

- Amiga! Tudo... - Ela uniu as sobrancelhas e deu uma pausa. - ...bem? Pediu demissão finalmente e agora trabalha de babá é? 

- Olha minha cara de quem faria isso. - A olhei séria e ela riu, cruzando os braços.

- Ah, e quem é a criança? - Ela sorriu, acenando.

- É um bebê de 2 anos e ele não quer mais parar de chorar...

- 2 anos? Legal. - Ela me interrompeu. - Mas eu tava falando da outra criança que não para de acenar mais. 

- Taehyung, essa é Minari. Mina, esse é Taehyung. - Disse, com cara de tédio. 

- E aquele é o Taewon, meu filho e da Somi. - Taehyung falou confiante e eu suspirei, vendo o queixo de Minari atravessar o subsolo. 

- Gente... choquei. - Ela ficou de queixo caído e nos entreolhamos. - Tô passada! Tô bege! Gente, então esse é o mendigo doido que você falou? 

- Aish. - Taehyung cruzou os braços e emburrou o rosto. - Eu não sou mendigo, poxa. 

- Tanto faz! Só, por favor, faz ele parar de chorar! - Fiz um bico e juntei as mãos, implorando pela misericórdia dela. 

- Fazer ele parar de chorar? Já tentou dar mingau? 

- Já. - Tae respondeu.

- Por que ele tá chorando? Vocês sabem? 

- Ele faz isso toda vez que escuta alguém gritar muito alto, é como se ele tivesse fobia, ou sei lá. 

- Há quanto tempo ele tá assim? - Ela sorriu, acariciando os cabelos do bebê que por um momento parou, mas imediatamente voltou a chorar ainda mais alto. 

- Uns 35 minutos. - Disse, vendo ela revistar o bebê como se ele fosse um apreendido da polícia. 

- E a pilha ainda não acabou? - Ela franziu a testa e eu bati as palmas das mãos. 

- Viu?! Ele tem pilha sim! - Sorri, convencida. 

- Não toquem no meu filho, suas desumanas! Pilhas, pff... - Ele resmungou, e Mina riu. Me sentei ao lado de Taehyung, que colocou o bebê no colo, e a encarei.

- Já sei. -Ela sorriu maquiavelicamente e me aproximei de Taehyung.

- Eu já disse que quando ela sorri assim, é porque não é boa coisa? - Sussurrei, e ele balançou a cabeça negativamente, apreensivo. 

- Vai ser tiro e queda! - Minari esfregou as mãos uma na outra e suspirei, me preparando para o que iria ouvir. - Vamos fazer um pacto. 

- É O QUÊ? - Taehyung abraçou o bebê e arregalou os olhos. 

- Relaxa! Só vamos vender a alma dele em troca de silêncio. Eu só vou pegar as velas vermelhas, a galinha preta e... 

- Minari, esquece isso e pensa em algo que seja racionalmente possível pra se fazer com uma criança. - Apoiei o queixo na mão e ela fez uma careta triste, murmurando algo. 

- Tá, chatos. Então que tal ligar pra alguém que seja mais experiente? Sei lá, liga pra alguém que você conhece, Somi. 

- Alguém experiente? 


                      (...)


Ele entrou na casa - depois de fazer um estardalhaço quando eu disse que não ia pôr um tapete vermelho para ele na entrada da minha casa - de nariz empinado, com as mãos nos bolsos da calça social e olhos fechados.

Aqui vemos claramente um mané. 

- Eu disse alguém e não o Imperador da Soberbolândia. - Minari bufou, cruzando os braços. 

- Cadê o indivíduo? - Yoongi cessou os passos e me lançou o olhar. - Vamos, e diminui a luz por favor, preciso de concentração total. 

- Ele é seu chefe ou pai de santo? - Taehyung franziu a testa e Yoongi se virou para ele lentamente, trincando os dentes. 

- Nossa... o que você usa pra deixar a pele lisinha e branca assim? - Minari olhou para ele curiosa.

- Ignora eles, CEO Min. - Bocejei, fitando Taehyung, ele e Minari. - Vamos logo que eu tô com sono. 

- Quem é esse aí? - Yoongi fez uma careta para Taehyung. - Julgando pela raiva que ele faz, deve ser o carinha que você xingou no bar, né? 

- Você não quis logo me publicar no jornal não? - Taehyung sorriu irônico para mim e eu coçei a nuca, pigarreando. 

- T-Tanto faz, vamos logo com isso. - Dei de ombros. 

- Ok, cadê o indivíduozinho?! - Yoongi me olhou outra vez, sorrindo animado. - Cadê, cadê? 

- No sofá. - Apontei para o bebê que continuava chorando por quase uma hora inteira. Cheguei até a pensar que ele não tinha canais lacrimais e sim o Rio Nilo no lugar dos olhos. 

- Tá. - Ele vasculhou o sofá com os olhos, mantendo o sorriso largo e voltando a olhar para mim.  - Onde? 

Taehyung encarava de longe, escorado na porta com os braços cruzados e os olhos semicerrados acompanhando cada passo de Yoongi. 

- Ali, CEO Min. Não tá ouvindo o choro insuportável? - Uni as sobrancelhas e ele desmanchou o sorriso, encarando a - já desidratada - criança. 

- Esse cotoco de gente aqui? Tá brincando, né, Secretária Yoo? 

- Você me disse no telefone que sabia como cuidar de bebês. - Franzi o cenho. - Não foi?

- Bebês gatos! Filhotes felinos, gatinhos fofinhos em miniatura, não bebês seres-humanos! - Ele me olhou indignado e eu levei a mão até a testa, balançando a cabeça negativamente. 

- Mas você... 

- Porra... - Minari murmurou. 

- Você me ligou perguntado sobre bebês, Secretária Yoo. Você, a certinha Yoo Somi! Como eu ia adivinhar que era um bebê de verdade?! 

- E por que raios eu ia ter filhotes de gatos se eu não gosto nem dos adultos?! 

Yoongi bufou e se curvou diante do bebê, com a cara de tédio dele de sempre. E como se fosse um milagre de Jeová, ele parou de chorar e começou a rir!

- Ué, e qual o problema? - Yoongi deu de ombros e se virou para mim. Automaticamente o bebê voltou a chorar, e eu me vi totalmente confusa. 

- Espera! - Taehyung correu até nós e agarrou a cabeça de Yoongi com as mãos, que arregalou os olhos ao ter a cabeça empurrada para a frente do bebê, o fazendo parar de chorar de imediato.

- Ei, o que acha que tá fazendo, seu doido?! - Yoongi quase gritou e Taehyung nem mesmo ligou, repetindo o mesmo ato várias e várias vezes. - Eu deveria te fazer ter horas extras no domingo, Secretária Yoo...

 Parecia que ele tinha sido hipnotizado por Yoongi! Cada vez que escondia o rosto dele o bebê chorava, e quando mostrava o rosto de novo o bebê parava e ria. 

- Uau, parece que ele gostou da minha majestosidade. - Yoongi sorriu de lado. - Crianças sabem reconhecer swag.

- Acho que ele gostou foi da sua cara tediante. Já pensou em fazer cinema mudo? - Taehyung sorriu, tirando e mostrando o rosto alheio para o bebê, fazendo Yoongi fumaçar de raiva. 

- E você, assim, sei lá... já pensou em tomar no cu? Só por curiosidade. - Yoongi empurrou Taehyung para o lado e ajeitou a gravata, pigarreando. 

-Caralho, nunca foi tão fácil pôr o Taewon pra dormir. Meus parabéns, poker face! - Taehyung deu um sorriso brilhante e Yoongi murmurou uns xingamentos, finalmente indo embora, seguido por Minari também. 

Suspirei aliviada, fechando os olhos ao fechar a porta e ouvir apenas o silêncio da noite dominar minha casa mais uma vez. A criança finalmente havia dormido depois de minutos encarando o rosto de Yoongi, era realmente um milagre divino. 

- Aigoo... - Taehyung sorriu minimamente, pondo o bebê nos braços e me fitando intensamente. 

- O que foi? - Perguntei baixo, estranhando. 

- Onde a gente vai dormir? 

- A gente?! - Coloquei as mãos sobre meus seios e dei um passo pra trás. 

- Eu e o bebê. 

- Ah... Eu não tinha pensado nisso. - Mordisquei os lábios, olhando por cima de seu ombro para as suas malas. - Você não trouxe o berço dele? 

- Ele não tem berço, berços são caros. 

- E como... 

- Ele dorme comigo, é mais seguro caso ele acorde. 

- E se ele cai da cama?! Você é maluco?! 

- Eu não deixo ele cair e bom, depois de ter ele, o meu último salário foi gasto todo com forro pra chão e protetores de tomadas. Infelizmente eu não pude trazer, porque né... 

- Tudo bem então, você pode dormir na minha cama hoje, eu durmo aqui no sofá. - Chorei por dentro, me sentando na beirada do sofá. - Mas você não pode mexer em nada do meu quarto, só dormir e pronto.

- Tem certeza de que vai dormir aqui?

- Claro... - Choraminguei. - ... mas, se voc... af. 

Revirei os olhos ao ouvir a porta de meu quarto bater.

    

                POV Taehyung 


Assim que acordei já não tinha mais ninguém em casa. Somi parecia acordar bem cedo para ir tabalhar e nem sequer deixou o café da manhã. 

Bocejei, coçando de leve a bunda enquanto caminhava até o espelho da sala de estar, ainda sonolento. Olhei para minhas roupas e sorri. Roupas confortáveis são muito melhores que roupas da moda! 

Amém, moletom. 

Coloquei Taewon em meus braços e ele fez um bico com os lábios, segurando na barra do meu moletom e a sacudindo fraco. Ele sempre fazia isso quando ficava com fome e eu só tinha alguns trocados para decidir se comprava meu café da manhã, o mingau para ele ou as fraldas. 

Suspirei e coloquei o boné em sua cabeça, para que não pegasse sol. Respirei fundo, sentindo o cheiro agradável das plantas úmidas pela chuva recente e sorri. 

- Vamos lá comprar seu mingau! - Coloquei Taewon em meus ombros e o segurei firme, correndo pela calçada. 

Eu não conhecia nenhuma daquelas ruas e muito menos aquele bairro, então não foi nada fácil achar o maldito mercado para comprar o mingau. Ignorei minha barriga roncando e pedi para fazer o mingau ali mesmo no mercadinho, já que eu resolvi passar no trabalho da Somi e pedir dinheiro para comprar as fraldas. 

Eu definitivamente preciso de um emprego, aish! 

Tirei a mamadeira da mochila e coloquei o mingau de arroz na mesma, pondo Tae no chão e segurando suas mãos, enquanto esperava esfriar um pouco. 

- Tá com fome, hm? Papai vai já te entregar, ok? Vamos visitar a mamãe hoje e... uau. 

Entreabri a boca ao dar de cara com uma loja de penhores bem vintage, parecia até uma relíquia! Pela vitrine dava para ver as várias coisas antigas, que por sinal eu não fazia a mínima ideia do que eram. 

- Quer entrar? - Uma voz de idosa interrompeu meus pensamentos e vi uma velhinha magra de cabelos grisalhos, com um sorriso intrigante e misterioso. 

- Eu... - Coloquei Taewon nos braços e o entreguei a mamadeira. 

- Então eu lhe darei um presente. 

- Presente?

- Aceite ele como minhas boas-vindas à vizinhança para você. - Ela sorriu formando pequenas rugas em seus olhos e me entregou uma caixinha de papelão, fracamente colorida e um pouco empoeirada. Como ela sabia que eu era novo na vizinhança? Enfim, na tampa havia algo escrito como "wishes" e alguns fogos de artifíos acesos. - São velas estrelas de prata. Tem 10, você pode acender uma por vez e fazer pedidos. 

- Fazer pedidos?! Tipo, estrela cadente? - Sorri empolgado, olhando para a caixa em mãos. 

- Claro! Lembre-se, jovem, se tiver fé, tudo que quiser pode se tornar realidade. A fé é a mágica que move nosso mundo. - Ela deu um sorriso e se curvou, fiz o mesmo e saí, olhando para a caixa. 

- Mágica... Eu gosto de mágica, e você filho? - Sorri para Taewon que quase devorava a mamadeira sem dar importância para mim. - Espera, quantas velas são mesmo? Ei, Ahjum...huh?

Virei para trás e a velhinha havia desaparecido junto com a loja, e apenas um tilintar de sinos soou vagamente, me fazendo inclinar a cabeça e estranhar. Será que eu já tinha andado tanto assim? Parecia a mesma rua ainda... 

Tanto faz, tenho ainda que passar na empresa da Somi, porém não faço a mínima ideia de onde seja ou como chegar lá. Já sei, um táxi!

Depois de alguns minutos esperando um táxi passar no sinal, coloquei Taewon em meu colo e pedi ao Ahjussi que me levasse ao Plardium King, era esse o nome que a Somi tinha falado ontem, né? 

Droga, Taehyung, que memória de alzheimer da porra. 

- Chegamos, senhor! - O homem parou de frente à um prédio super-ultra-hiper-mega-gigante e bem chique, todo coberto por vidros espelhados e um jardim na entrada que era maior que a cidade em que eu nasci. 

Entrei, um pouco vislumbrado, segurando Taewon em meus ombros e recebendo olhares alheios. Sorri sem graça para algumas mulheres que cochichavam entre si e sorriam para mim. Me aproximei do balcão da recepção e uma mulher pigarreou, sorrindo e ajeitando a postura. 

- Posso ajudar, senhor? 

- Eu procuro por Yoo Somi. Ela trabalha aqui, né? 

- Secretária Yoo? - A mulher franziu a testa. - Só um momento, senhor. 

Ela pegou o telefone e discou um número, falando apenas "sim" por alguns míseros segundos e desligando. 

- Ela vem já aqui, só um m...

- KIM TAEHYUNG?! - Escutei um grito ecoar pelo corredor e sorri largamente, me virando e a vendo toda descabelada e ofegante como se tivesse corrido uma maratona. 

- Já disse pra não gritar na frente do nosso fi... - Ela tapou minha boca com a mão, de olhos arregalados. 

- Eu... vou te matar... - Somi sussurrou, fingindo um sorriso e se curvando para as poucas pessoas que estavam ali. - Eu volto em 1 minuto! 

Ela começou a me empurrar e segurei com firmeza em Taewon para que ele não caísse. Somi me arrastou até o jardim e cruzou os braços, rangendo os dentes e batendo o pé no chão. Sorri minimamente, observando seus olhos brilharem com a luz fraca do Sol. 

Seus cabelos estavam presos em um coque elegante e ela usava roupas justas e compostas. Ela era totalmente o meu oposto quando se falava em aparência. Somi transmitia elegância, frescor e harmonia, um tanto de paz e transparência somente com o jeito de falar e andar. Já eu, sou a bagunça, a agitação e o alvoroço em forma de gente.

Talvez seja por isso que ficar perto dela me deixa quase que em êxtase. 

- Você tá me escutando?! Taehyung?! 

- Hã? Que? Ah... - Ela me tirou de meus devaneios e a ouvi suspirar. 

- Você ficou maluco em vir no meu trabalho? Se alguém... aish, deixa pra lá. Eu esqueci da coisa mais importante pra que possámos conviver em harmonia na minha casa já que você parece que vai passar um bom tempo por lá ainda. 

- Que coisa? 

- As regras de convivência que você não pode quebrar nunca. 

- Você quer dizer uma lista negra de coisas pra não fazer? Existem coisas desse tipo?

- Sim. E se quiser viver comigo por esse tempo, você vai ter que seguir à risca cada uma delas, entendeu? 

- E quais são?

- 1° regra: Nada de vir no meu trabalho! 

- 2° regra? - Me sentei em um banco do jardim e botei Taewon para sentar em meu colo. 

- Nunca, sob hipótese alguma, entrar em meu quarto sem permissão. 3° regra: Nenhum animal de estimação é permitido.

- Que? Mas animais são tão fofinhos!

- Não e não. Eles soltam muito pelo e fazem muitas fezes, e um monte de outras coisas para as quais não tenho paciência. 4° regra: Não trazer nenhuma garota ou garoto que eu não conheça pra minha casa, ou que eu conheça mesmo, a não ser que seja Minari ou Yoongi... 

- E por que? - A interrompi e ela deu de ombros, me fazendo rir baixo.

- 5° regra: Não invadir o espaço pessoal do outro, isso é sagrado. 6° regra: Nada de bebídas alcoólicas na minha casa, seja qual for. 

- É proibido beber?! Até Soju?!

- Até cerveja de cereja. Qualquer coisa que tenha teor alcoólico. 

Fiz um bico com os lábios e emburrei o rosto, me sentindo injustiçado. 

- Af.

- 7° regra: Não passar a noite fora sem avisar antes. 8° regra: Nada de dar festinhas ou coisas do tipo na minha casa, principalmente se for na minha ausência. 9° regra: Não invadir a privacidade da família do outro. Ou seja, sem perguntas, sem indagações, sem questionamentos, etc. 

- São quantas afinal? 

- São 10. Então, última regra: Não se meter na vida amorosa um do outro, isso é restritamente proibido e nem mesmo tem motivos, já que não temos nenhum relacionamento juntos além do bebê. 


Será? 


Notas Finais


Não mudei muita coisa porque estou terminando o capitulo 2 de "Às 03:00", eu quero postar hoje perto de 23hrs. Então obrigada por lerem outra vez ♡

https://spiritfanfics.com/historia/as-0300-9916710


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