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História Hey,mom! (CATRADORA) - Capítulo 4


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Notas do Autor


Pronto postei saporra!

Capítulo 4 - Capítulo 3



Reino de Dryl



O caminho até Dryl fora barulhento e interminável. Jade gostava muito de Tália, mas as vezes esquecia o quanto crianças poderiam ser barulhentas, curiosas e pouco discretas. Sua paciência se esgotava celeremente, então entre bufadas e reviradas de olhos, partiram dos limites de Lua Clara para o reino da Rainha Entrapta.  Assim que Melog parou a felina foi a primeira a sair na frente, deixando Will com a tarefa de responder as mil perguntas que a princesa Tália fazia a cada cinco frações de segundo. 

Agora a menina falava de suas redes. 

- A mamãe Net treina muito comigo! Por isso elas são tão boas, mas os meus poderes com o vento deixam muito a desejar. - Suspirou encarando as palmas das mãos. - Ainda é perigoso demais me deixar mexer com furacões.

- Ouçam vocês dois! Vamos entrar pela janela. - Jade interrompeu. 

- O que diabos você tem contra portas? - Will disse levemente alterado. 

- Minha mãe tem olhos e ouvidos em cada cantinho de Etheria, a tia Entrapta não é a melhor em guardar segredo e ninguém pode sonhar que eu não estou dentro de casa. - Explicou aborrecida, aquilo já estava mais do que óbvio. - Nós vamos pela janela, buscamos o JC e depois vamos direto para o palácio de Lua Clara. 

- Eu geralmente fico bem assustado com as suas ideias,mas porque eu sinto que essa vai ser pior? - Will coçou a nuca e soou apreensivo. - Por que você precisaria de nós três para executar um simples plano? 

- Vai ser minha ultima tentativa de descobrir se a Angel gosta de mim. - A felina corou levemente desviando o olhar do ruivo. 

- Então vamos logo! Encontro vocês lá em cima! - Tália lançou uma de suas redes até a janela e passou a subir despreocupadamente. 

Jade sorriu determinada e a seguiu, porém ao seu modo costumeiro, escalando as arvores, Will sem escolha decidiu seguir por onde Tália ia. Não era muito chegado a altura das arvores, diferente dos seus irmãos que poderiam passar dias e dias morando nos galhos e folhas de uma. 

Tália foi a primeira a entrar pela janela, seguida de Jade e depois William. O quarto de JC sem dúvidas era o mais estranho de todos. Era um ambiente escuro, iluminado apenas pela tela de um enorme computador na maior parede, o resto da mobilha se resumia em fios, tomadas, protótipos de robôs e um compartimento de vidro transparente onde JC descansava seu sistema para não sobrecarrega-lo. Seus amigos já haviam entrado ali antes, mas a cada visita parecia ter uma novidade. Apesar da ansiedade para executar seus planos, Jade estava preocupada com seu amigo, ele não era de apagar do nada. Isso nunca havia acontecido antes então vê-lo ali, com sua inseparável mascara de solda, distraído com um de seus robôs foi um alivio. 

A felina se aproximou com cautela e tocou o ombro do rapaz. 

- Hey JayJay? - Chamou e em seguida tomou um susto com a virada brusca. 

- Jade! Você por aqui...- Foi então que notou a presença dos outros dois amigos. - Will! Tália! É uma festa?

- Não,idiota! Queremos saber como você está. O que foi aquilo na aula,cara? - Will tomou a frente enquanto o garoto se levantava e tirava a mascara. 

Tália curiosa começou a andar pelo ambiente sem falar com ninguém. 

- Meu sistema teve uma interrupção brusca e pesada demais. Minha mãe acha que foi um sinal forte vindo do espaço...Ela está trabalhando nisso agora mesmo. - O seu tom apesar de bem humano ainda era uniforme demais para uma pessoa normal. JC de fato não era bom com informalidades. - Achamos que alguma nave próxima ao nosso quadrante pode estar tentando fazer contato. 

- Que sinistro... Ouvi minhas mães conversando sobre uma possível tecnologia alienígena. - Jade debruçou sobre a mesa de trabalho e começou a mexer despretensiosamente em algumas ferramentas. 

- Você pode contar seu plano logo? Eu to ficando ansioso! - Will cruzou os braços. 

- Ah, sim! Verdade!- A felina sorriu e atraiu a atenção de todos. - Nós vamos até Lua Clara! Eu vou entrar no quarto da Angel e roubar o arco dela. Tália você precisa estar pronta pra me pegar com uma rede quando eu me jogar da janela, Will e JC, vocês vão segurar Julian, Jack e Jasmin... Eles não podem vir atrás de mim! Preciso ficar sozinha com ela, e vocês sabem que aquele pirata maldito vai querer bancar o herói. 

- Eu dou conta do Julian e do Jack com certeza, mas a Jasmin é imprevisível. Ela tem onze anos e não controla nenhum dos poderes dela ainda. - O ruivo argumentou. 

- É só deixar ela ir procurar a Tália. - A felina revirou os olhos. 

- Gente... Eu não sei se consigo usar meus poderes ao mesmo tempo que a Jasmin está perto. - A menor murmurou cabisbaixa. 

- Você vai conseguir. Confio em você... Quando eu pegar o arco eu vou correr floresta a dentro. Eu sou mais rápida que a Angel. JC calcule a distancia que eu posso me manter da Angel na minha maior velocidade. - Os olhos felinos fitaram o garoto atentamente. 

JC pensou por três segundos e ergueu a cabeça fitando a garota na mesma intensidade. 

- Baseado nos meus registros dos treinamentos, você consegue ficar a exatos doze metros da Angel em alta velocidade. - Respondeu simples. 

- Agora isso contando com a altura em que eu vou estar. Angel não vai se teletransportar pra cima de arvore nenhuma e eu vou conseguir levar ela até o templo dos primeiros na floresta. 

- Aquele lugar não é perigoso? - O tom infantil de Tália interrompeu todo o discurso quase que obcecado da felina. - Ele já não quase matou sua mãe duas vezes? 

- Não tem nada lá que eu já não tenha estudado. 

- E por que o templo dos primeiros? - Will sentou em uma cadeira próxima a JC. 

- Porque lá é um lugar especial para as minhas mães e se elas viveram bons momentos ali acho que Angel e eu também podemos ter alguma conexão especial. - Jade dera o primeiro sorriso leve e tímido. 

- Vocês eram melhores amigas quando eram crianças, todo mundo pensou que a relação de vocês fosse se desenvolver naturalmente. - JC deixou a cabeça tombar um pouco pro lado. - O que aconteceu? 

- Pra falar a verdade eu não sei. Angel começou a ficar distante de mim depois de uns anos... Ela não dormia mais na minha casa, nem contava mais segredos. Parou de fugir comigo pela janela, não ligava mais pros meus presentes e nem saia de casa pra brincar comigo. - Deu de ombros. 

- E ai você começou a criar caos por toda Etheria só pra chamar a atenção dela. - Will murmurou parecendo finalmente compreender o espirito caótico da felina. 

- Eu sei lá... Senti como se ela tivesse me abandonado. Por que ela gosta de sair com aquele pirata de meia tigela e comigo não? 

Notando a mudança de humor da amiga, Will se levantou e a abraçou por trás. 

- Nós vamos fazer um dos nossos melhores planos hoje! E prometemos que você vai ter o momento que você quer com ela. - A voz animada do ruivo e aquele tom determinado fez Jade respirar fundo. 

- JC calcule a porcentagem desse plano dar certo! 

- É de oito virgula dois por cento... - Respondeu prontamente. 

- Então perfeito! É só um por cento a menos que o ultimo. Temos tudo pro sucesso! Então vamos lá... Repassando o plano outra vez! 









Palácio de Lua Clara

- Angel, como é que nós vamos passar essa fronteira? - Julian encarava o tabuleiro a sua frente perplexo. - É impossível. 

- Nada é impossível se colocarmos fogo no barco deles! - Jack levantou o punho. 

- Paciência!  Eu sou o mestre aqui e você estão me desconcentrando. - A princesa repreendeu os amigos enquanto encarava o livro. 

Desde que o treino fora cancelado eles estavam ali, jogando aquele jogo de tabuleiro de guerra antigo. O RPG favorito de Bow, quando Angel era criança ele havia ensinado sua filha a jogar e após  a horda ser derrotada, ninguém usava a sala de guerra para nada.  Consequentemente se tornou o melhor lugar do castelo para jogar. Angel guiava o jogo como mestre e narradora, nada passava de seus olhos e a missão em que se encontravam era realmente complicada. 

- Nós vamos ter que recuar! - Jasmin levantou os braços aflita. 

- Não podemos! Levamos uma vida pra chegar aqui... Angel!! Faz alguma coisa! - Jackson choramingou dramaticamente.

- Okay que se dane! AVANTE! - Gritou ouvindo os amigos comemorarem. 

Julian rolou os dados ansiosamente e o resultado seria totalmente definitivo, se não fosse por Glimmer se teletransportando para dentro da sala de guerra, atraindo a atenção de todos ali. Ela segurava um tablet em mãos e carregava no rosto uma expressão desconfiada. 

- Algum de vocês sabem onde está a Jade? Adora me ligou dizendo que ela fugiu do castigo. - Falou sem enrolações. 

Angel prontamente largou o livro de regras e encarou sua mãe. Simplesmente detestava quando a gata fazia isso, porque se ela não estava em casa e não avisou a ninguém onde ia era certo que iria aprontar. 

- A gata fugiu de novo? Será que ninguém pensou em colocar ela em uma coleira? - O rapaz de cabelos azuis revirou os olhos entediados e recebeu uma cotovelada da princesa em resposta. - EI!

- Não seja insensível! Relaxa, mãe. Nós vamos procurar ela e levar de volta pra tia Adora... - Angel levantou-se. - Eu só vou buscar o meu arco. 

- Qual é! Nós estamos a semanas lutando pra chegar nesse nível do jogo.  - Jack cruzou os braços irritado. - E você vai largar tudo pra ir limpar as besteiras que a gata fez de novo? 

- Eu prometi pros meus pais que cuidaria de Lua Clara e a Jade é uma ameaça em potencial. 

- Com isso nós temos que concordar... Mas você sempre larga tudo pra ir atrás dela.- O pirata protestou pela terceira vez.

- É porque ela gosta da Jade seu idiota. - Jasmin interrompeu. - Vai lá pegar o arco e nós esperamos você lá fora. 

A princesa assentiu. Glimmer encarou os movimentos de Angel cheia de esperança, a jovem levantou de sua cadeira e apenas dirigiu-se a porta saindo. Derrotada a rainha deixou os ombros caírem, a princesa nunca foi fã de usar seus poderes mágicos, tendia muito mais para o lado de Bow com as flechas e a tecnologia. 

Angel se apressou em correr pelos corredores. Quase nunca podia ver Jade,mas estava achando estranho estar quase no meio da tarde e ela não ter feito nada. Seu coração parecia querer sair pela boca, acelerou os passos para chegar mais rápido no quarto. Se perguntava ansiosamente, o que ela teria feito agora? Incendiado algo? Sequestrado algum pobre coitado? Passou pela porta do quarto já indo em direção do gancho onde pendurava seu arco. E foi então que notou que ele não estava lá. 

- Ah não... - Murmurou. 

- Hey, Angel. - A voz felina veio de trás da princesa. 

A princesa sorriu, ainda de costas para a gata, mas logo forçou seu rosto a ficar sério novamente, e virou-se com seu melhor olhar semicerrado. 

- Sua mãe já sabe que você fugiu. - Comentou procurando alguma expressão vulnerável na felina. 

- Eu imaginei que não fosse enganar ela pra sempre. - Analisou o arco em suas mãos. - Isso é seu? 

Jade estava sentada na janela, olhando o objeto dourado com desdém, então ficou de pé encostada e sorriu maliciosamente para a princesa. Aquele quarto era lindo, refletia toda a personalidade de Angel ali, mas o que Jade gostava mesmo era o cheiro. O cheiro de frutas cítricas, um frescor natural que só sentia quando ficava perto da garota. Farejou o ar discretamente fechando os olhos, para logo depois abri-los e fitar a princesa. 

- Me devolve isso! - Fechou os punhos. 

- Vem pegar! - Sorriu satisfeita e então simplesmente jogou-se para trás. 

Angel não podia nem sonhar como medo da felina de se jogar de uma altura daquelas, Jade fizera isso apenas confiando na pequena Tália que prontamente formou sua rede ali assim que viu a garota mais velha se jogar da janela. A princesa sentiu todo o corpo gelar assim que a gata se jogou da janela, correndo até lá imediatamente na esperança de encontra-la bem e de ser uma brincadeira idiota. 

Jade fora rápida o bastante para sair da rede e ficar de pé próxima a entrada da floresta. Sempre carregando toda aquela prepotência e presunção em sua pose. 

- JADE ISSO NÃO FOI ENGRAÇADO! - Gritou da janela. Olhando para baixo, notou que a rede de Tália ainda estava ali, pegou o compartimento com flechas e sem pensar duas vezes saltou da janela atrás da felina. 







Casa da Jade

Adora não podia acreditar naquilo, havia deitado para descansar com Catra por uma hora! Nesse meio tempo Jade tinha dado um jeito de fugir de casa e o pior é que não havia nem sinal dela. Já tinha ligado para Glimmer e nada, ligou para Perfuma e aparentemente Will também não esteve em casa depois do horário de treino. O que significava que os dois provavelmente estavam juntos. 

Catra estava de braços cruzados sentada na cama, enquanto Adora andava inquieta pelo quarto transbordando de fúria. 

- Talvez eles tenham ido ver o JC... - A felina tentou argumentar. 

- Não importa onde eles foram, Catra! Jade está de castigo! Ela não me respeita e saiu de casa sem permissão de novo! - Esbravejou. - Ela não ouve uma palavra que eu digo! Não tem como a filha da She Ra ficar andando por ai e sendo a maior causadora de problemas em Etheria. 

- Ela quer atenção! Ela só quer a atenção daquela princesa ! Você não pensa em nada que não seja essa coisa de boa impressão idiota? A sua filha gosta de uma menina já tem oito anos! Você nem notou como ela ficou triste quando a Angel afastou ela, não percebe que ela só faz essas coisas pra poder ter um pouco de tempo com a garota! Seus melhores amigos falam mal da sua filha e acham ela um problema! Qual é, Adora! - Catra levantou e começou a falar no mesmo tom. - Ela é sua filha! Você vive dizendo que ela pode falar com você a hora que precisar, mas você nunca escutou ela!

- Ser mãe é difícil, Catra! - Gritou com a gata, o que pareceu despertar mais raiva na mesma. 

- Eu sei, Adora!  Eu também sou mãe dela! Mas tem como você entender que mesmo que tudo isso não seja justificável ainda sim é compreensível?  Você não liga pra nada que não seja o seu trabalho! Parece que com o passar do tempo eu te vejo cada vez menos! - A felina avançou alguns passos vendo a loira recuar. - Você mal olha pra mim! Qual é o problema? Você não me quer mais?!

- O que? Catra! É óbvio que não é isso! Eu só estou ocupada e eu preciso ter mais de dois olhos e dois ouvidos já que a nossa filha é imprevisível! Quando ela tinha doze anos, abriu um buraco em uma represa no vilarejo, a represa inundou mais da metade das plantações! Quando ela fez quatorze pegou a mania de sequestrar pessoas! Sequestrar, Catra! Com cordas, amordaças e tudo mais! Ela não é normal! 

- E qual o problema disso? Você vai tratar a sua filha como uma criminosa e manter ela presa em casa apenas? Não vai nem conversar, nem tentar descobrir o motivo? Ela não é um monstro! 

- E-eu não sei o que fazer com ela... 

- Olha...Eu vou sair pra procurar a Jade. Você pode ficar ai trabalhando nas outras coisas que provavelmente são muito mais importante que sua mulher e sua filha. - Catra retrucou por fim, ignorando completamente qualquer outra coisa que Adora poderia dizer e deixou o quarto. 

- Catra espera! - A loira chamou, porém não obteve resposta. 

Adora deixou seu corpo cair na cama e passou a mão pelos cabelos. Não imaginava que Catra estava se sentindo assim, não tinha ideia que o trabalho havia aberto um abismo daquele tamanho entre ela e sua família. Porque não era assim que se imaginava a 16 anos atrás. 

FLASHBACK ON 

Adora acariciava as orelhas felpudas de sua esposa carinhosamente. Catra não iria dormir tão cedo naquela noite, tamanha era sua ansiedade. Após tanta insistência Adora havia aceitado passar pelo procedimento de fertilização mágica , no qual Glimmer estava treinando muito para aprender a pedido de Scorpia e Perfuma a alguns meses. Adora já tinha pensado na possibilidade de ter filhos com Catra, mas a ficha ainda não havia caído.  Naquele exato momento havia um serzinho, que era uma mistura das duas, se desenvolvendo dentro dela. Não sabia se seria humano ou hibrido, mas isso não importava.  Deitada naquela cama ela apenas refletia sobre como era possível amar tanto alguém quanto ela amava Catra e o que haviam construído juntas.  Depois de todos aqueles anos nada importava se ela não estivesse ao seu lado.  

- Da pra acreditar? - A voz da felina lhe tirou de seus devaneios. - Tem um pedaço de nós duas ai dentro de você. Será que vai ser um menino? 

- Eu adoraria que fosse uma menina... - Adora suspirou. - Ela teria seus olhos...Esse seu jeitinho vaidoso, teimosinha e seria tão linda. 

- Agora que você falou...É verdade. Essa criança teria muita sorte de vir igual a mim, eu sou linda demais! - A gata sorriu.

- Tinha que ser né? - Adora deu um tapa na testa da esposa enquanto ria de sua vaidade. - Eu te amo, sabia? 

- Eu sei, eu também me amo.

- Para, Catra! Eu to tentando ser fofa aqui. 

A felina riu divertida e se virou para ficar parcialmente em cima da loira, tomando seus lábios em um beijo surpresa. O que era pra ser apenas um beijinho, acabou se prolongando um pouco mais, tanto que ao separar as bocas tanto Adora quanto Catra estavam levemente ofegantes. 

- Eu também te amo, Adora. - Sussurrou. 

- Que nomes vamos dar pro bebê? - Abraçou a gata de lado. - Se for menino? 

- Se for menino chamamos de Samuel, assim podemos chamar ele de Sammy. - Sugeriu a felina. - O que acha? 

- Eu gosto de Sam. E se for menina? 

- Que tal Light?  Era o nome da...- Catra travou.

- Não. Nós não precisamos perdoa-la se não estivermos prontas e muito menos precisamos homenagear ela no nome da nossa filha. Ela nunca foi uma mãe para nós... Eu e você seremos o contrário de tudo o que ela foi. Vamos estar sempre aqui, vamos ouvir, aconselhar e orientar de verdade. - Adora falava confortando Catra instantaneamente com sua voz. - Nunca vai faltar amor e nem carinho. 

- Você está certa...E então que tal Jade? É um nome bonito e ela pode dar significado a ele.- A felina levou sua mão até a barriga da loira. - Ela vai ser incrível eu tenho certeza. 

- Perfeito! Sam ou Jade. - Adora pôs sua mão por cima. - Essa criança vai ser a mais feliz de toda Etheria. Ela vai ser corajosa, gentil e nunca vamos ficar entediadas. 

- Agora vem aqui! - Catra levou sua mão até o rosto da esposa e a trouxe pra o mais perto possível. 

E outra vez se beijaram. Nenhuma das duas imaginariam que seria tão felizes na vida assim, mas era a realidade. Finalmente a vida estava compensando as duas por toda a dor.  

FLASHBACK OFF

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Floresta do sussurro 

- Jade! Já chega! - Angel gritava enquanto corria atrás da garota que se mantinha alguns metros a frente sobre as arvores. - Você vai acabar se encrencando com as suas mães! 

- E dai? Eu me encrenco todos os dias com elas. - Jade saltou do galho mais alto direto no chão. - Acho que já estamos bem longe. 

- E você pelo menos liga? Tem algum motivo pra você se encrencar todos os dias? 

A pergunta pareceu simples para Angel,mas Jade congelou no lugar. 

- Eu...- Tentou formular uma frase,mas o barulho no mata lhe cortou. Talvez seus amigos estivessem próximos.

Olhou ligeiramente por cima dos ombros e logo depois encarou os olhos brilhantes da princesa Angel. 

- Por que você roubou meu arco e me trouxe pro meio da floresta, Jade?!- Angel perguntou visivelmente irritada. 

"Por que você roubou meu arco e me trouxe pro meio da floresta?" Por que? A gata franziu o cenho, ela podia jurar que tinha um bom motivo, mas mesmo que sua boca abrisse não saia nenhum som. Ela queria apenas ficar perto da princesa, talvez deixa-la irritada. Por que? Elas haviam se afastado por uma razão desconhecida pela felina. Por que? Ela engoliu em seco e então deixou as palavras escorregarem pra fora. 

- Eu não sei... - Respondeu como se sentisse algo estalando dentro de si. 

- Você não sabe?! - A princesa estava incrédula. - Como não sabe? Você fugiu de casa, pulou minha janela e simplesmente não sabe?! 

- P-por que você não é mais minha amiga? - A pergunta de Jade quase atravessou o peito de Angel como uma faca. 

Foi a vez da princesa não saber o que dizer.  Havia sim um motivo, mas não era algo que pudesse ser dito assim, Angel precisou refletir muito sobre isso para então decidir se afastar. 

- Jade... Eu... - Suspirou constatando que não havia saída apenas pela intensidade nos olhos felinos. Sustentou seu olhar e prosseguiu. - Minha avó a rainha Angella se foi quando minha mãe era só um pouco mais velha que eu. Ela teve que ser rainha de Lua Clara da noite pro dia. 

- E dai? 

- Como assim " E dai"?! Você realmente não se importa com absolutamente nada?- A princesa notou que seu tom não era maldoso, devia ser só o jeito da gata de expressar curiosidade. Suspirando a princesa respondeu. - E dai que eu não estava fazendo nada de bom. Eu e você perturbávamos os súditos e suas famílias , enquanto minha mãe já contribuía para toda uma rebelião na minha idade. Que tipo de exemplo eu sou para o meu reino se eu to sempre desestabilizando a paz que demorou tanto tempo pra ser conquistada em Etheria? 

De fato era uma enorme pressão que as histórias de Etheria jogavam sobre os ombros da doce Angel. 

- Vocês princesas são muito preocupadas com tudo. - A felina respondeu simples. - Você parou de andar comigo porque me acha um problema igual a todo mundo. 

- Jade! Você não pensa em ninguém além de si mesma! Você faz todas aquelas bobagens de graça? 

- Eu só queria ficar perto de você! Eu gosto de você e você sabe disso! Já fazem dois anos que você descobriu e eu nunca soube o que você sentia sobre isso! - Jade fechou os punhos e ficou em posição pronta de ataque. 

- Eu não posso ficar pensando nisso, Jade! Você não entende como é essa pressão? Sua mãe é a lendária She Ra! 

- Não! Minha mãe é a Adora e ela não é só uma guerreira lendária! Ela não teve escolha de nada grande parte da vida dela. Primeiro ela seguia a horda e depois ela teve que ser a salvadora de Etheria, ela nunca teve escolha, ela sempre teve um destino. - Abaixou o olhar e deixou os braços caírem na lateral do corpo. - Eu não tenho os poderes da She Ra e nem sou princesa. 

- Mas eu tenho um destino! 

- Não não tem! O seu pai foi orientado para ser historiador, e ele queria lutar por Etheria, ele mesmo contou isso pra nós. Sua mãe não queria ficar parada vendo tudo acontecer e fugiu um milhão de vezes para se divertir. Se a paz foi conquistada por que você desistiu de uma vida tranquila para seguir a uma tradição arcaica? - Jade falou mais alto do que gostaria. Aquilo estava se tornando uma briga. - Você tem escolha! 

- Você só está argumentando porque quer que eu volte a sair com você! Está querendo que eu escolha entre você e o meu reino?!

- O que? Não! Você é idiota?! Eu só quero te dizer o que eu sinto e...Saber o que você sente. 

- Eu sinto uma enorme vontade de ser como minha avó. Ela salvou a todos e deu outra chance ao mundo, eu só gostaria de ser lembrada um dia como ela foi. Eu quase nunca saio e eu me divirto em casa com os meninos...Só saio quando eu tenho que te levar pra sua mãe porque você está causando problemas por Etheria. - A princesa disse a ultima parte baixo, sabia que mesmo que Jade não admitisse, era muito sensível. 

- To te atrapalhando... - A felina constatou rapidamente. 

- Jade! Eu gosto de te ver, não me entenda mal, é só que...

- Eu to atrasando você, eu já entendi. - Jade jogou o arco nos pés da princesa e virou de costas. - Eu sinto muito, Angel. Não vou mais causar problemas pra você.

- Jade, eu adorava brincar com você quando eramos crianças, mas... Já está na hora de crescer e começar a entender que não é assim que a vida funciona. Nós assumimos responsabilidades e só porque você não tem nenhum poder não significa que a vida seja um grande " que se dane" 

Jade jamais conseguiria expressar em palavras o tamanho da angústia que crescia em seu peito. A sensação de um coração partido era totalmente desconhecida pela mesma, mas mesmo em pé ali encarando os os olhos cintilantes da princesa Angella, sentia que suas pernas poderiam ceder a qualquer momento pregando-a de joelhos no chão. Não fazia ideia de que sua amada Angel pensava essas coisas dela.

Virou-se para a floresta,mas era como se não conseguisse dar um passo.

- Eu já entendi. Não precisa dizer mais nada. - A gata por fim murmurou

Em um único impulso dobrou os joelhos e saltou para cima de um galho.  Angel sentiu-se imediatamente apreensiva, sabia que Jade poderia ter interpretado algo errado, mas quanto mais pensava mais a felina ia para longe saltando sobre os galhos. 

- Jade, espera! - Chamou, porém a garota sequer olhou para trás.

Angel sabia o que tinha que fazer. 

Empurrou todos os medos para um lugar profundo dentro de si. Fechou os olhos e então seu corpo se desmaterializou deixando apenas pequenos pontos de luz para trás. Jade saltava por entre os galhos com a vista embaçada, sentia as lágrimas se formando em seus olhos. Nas copas das árvores era mais fácil se esconder da princesa. Não podia acreditar, não sabia ao certo a que sentimento dar voz primeiro. A tristeza colossal que tomava conta de seu coração, a angústia que apertava seu peito, a raiva de si mesma por acreditar que Angel poderia gostar dela também. Estava quase chegando a beira da floresta quando um peso em suas costas fez com que saltasse em falso. 

Angel havia se teletransportado para cima da gata na esperança de faze-la parar. Em uma tentativa sem treino, acabou jogando as duas direto para o chão. A princesa conseguiu saltar para outro galho a tempo, porém a felina acabou por cair sem posição alguma por cima de seu braço esquerdo. O som de seu osso se quebrando veio junto com um miado alto e agoniado. 

A dor física imensurável tomou conta de todo seu braço e quando a cabeça bateu no chão, atingiu no mesmo instante a inconsciência. 

-Jade! - A princesa correu para perto. 

Por sorte já estavam próximas a beira da floresta, e assim seus amigos felizmente se aproximaram e amontoaram-se em volta das duas. 

- Ela está bem? - Tália foi a primeira a perguntar. 

- Acho difícil, essa árvore deve ter uns quatro metros.- JC respondeu. 

- Quietos! Angel deixa que eu pego ela. - Will ajoelhou ao lado das garotas e então tirou o cabelo rebelde de seus olhos fechados. - O que aconteceu? 

- Ela fugiu de mim na floresta e eu tentei pega-la me teletransportando, mas eu sou péssima nisso! É tudo culpa minha. - A princesa tocou o braço da felina, onde havia uma enorme marca roxa. 

- Calma, Angel...Foi um acidente. - Julian se aproximou da amiga. - Ela está bem, só desmaiou pela queda. 

- Deve ser a primeira vez que eu vejo a gata selvagem quieta. Sabe que assim até que ela fica bonita? 

Will deixou Jade no chão por um minuto apenas para levantar um pouco a manga de sua camisa, fechar o punho e acertar com tudo o rosto do pirata. Sem hesitar também tocou sua cauda de escorpião no mesmo deixando-o inconsciente.

- Você também fica muito mais bonito assim. - O ruivo murmurou e tornou a pegar a amiga. 

- O que houve com ela?! - Era Catra correndo desesperadamente ao encontro do rapaz que tinha sua filha nos braços. - Jade! 

- Ela caiu do galho. Acho que machucou feio...- O garoto murmurou timidamente. 

A menor em seu colo resmungou abrindo levemente os olhos, mas eles pareciam pesados demais então fechou novamente. Catra passou a mão nos cabelos da filha, respirando aliviada para de todos os males ter acontecido apenas o menor. Beijou a testa da pequena felina e se levantou. 

- Will, pode levar ela pra casa comigo? - Pediu a mãe preocupada. 

- É claro. - O garoto respondeu simples. - Angel, leva a Tália pra casa por favor. 

A princesa não teve escolha se não assentir. Não poderia se aproximar, não tinha ideia da gravidade da situação. Apenas observou enquanto o ruivo e a felina caminhavam para longe da mata. 

Um pouco mais tarde

Os olhos heterocromáticos se abriram, o quarto estava escuro e dava pra ver pela janela apenas uma fraca luz. Algumas lembranças tomaram conta de sua mente e quase que no mesmo momento seus olhos se encheram de lágrimas. A dor em seu braço indicava que não havia sido um pesadelo e sim a dura realidade. Tentou se sentar,mas seu braço reclamou então teve que dar impulso com o outro. 

A porta se abriu e uma Catra apreensiva entrou com uma bandeja em mãos. Só então notou que estava na cama de suas mães. A mais nova sorriu fraco, sabia que estava encrencada,mas a tristeza que sentia não deixava a mesma ligar para o que quer que fosse.

- Oi meu amor... - A felina colocou a bandeja sobre o colchão. - Como está se sentindo? 

- Minha cabeça dói e meu braço também. - Murmurou. - Mas isso não importa. Meu coração dói mil vezes mais. 

Por mais que quisesse soar dramática para fazer sua mãe rir, seus olhos vermelhos apenas fizeram com que Catra puxasse sua filha para um abraço delicado. 

- Como é que foi? Will me contou o que você queria fazer...

- Ela não gosta de mim. - Soluçou. - Ela me acha um problema como todo mundo acha. Eu não sei porque fiz isso tudo! Eu tinha que estar presa. 

- Claro que não meu amor..-Catra segurou o rosto da filha como costumava fazer em sua infância. - Você não é um problema. É o amor da minha vida e da sua mãe também. Nós amamos muito você. 

- Ela não gosta de mim porque acha que eu atrapalho ela. - Jade simplesmente não parava de soluçar, doía a cada palavra que proferia. 

- Olha só, sua mãe vai dar um jeito nesse seu braço e você vai tomar banho okay? - A mais velha acariciava os cabelos da filha enquanto sussurrava em seu ouvido. - Você não precisa ficar preocupada. Eu conversei com sua mãe e você não está mais de castigo,mas amor por favor...Pega leve com ela. 

Jade sorriu sem ânimo e assentiu. 

- Tudo bem, me desculpa por ter fugido mamãe...

- Conversamos depois sobre isso okay? Eu te amo. - Catra levantou. - Bebe a água que eu trouxe e coloca alguma coisa no estômago. 

Jade estendeu o braço intacto para pegar o copo. Catra jogou um beijo no ar antes de deixar o quarto.  

Não muito tempo depois Adora passou pela porta tendo que se curvar, pois estava na forma de She Ra e não dava para passar da porta. Jade se encolheu levemente, a imagem era majestosa,porém intimidadora.  Adora não sabia o que dizer, apenas sentou-se no colhão e estendeu a mão para a filha tentando encontrar alguma abertura em seu olhar.  Jade bebeu toda a água e deixou o copo de lado, em seguida levou o braço lesionado até as mãos de sua mãe. 

Adora respirou fundo e fechou os olhos deixando que uma áurea dourada tomasse conta de seu corpo e a transmitiu para a filha. Jade pode sentir um estranho formigamento em todo o braço, sentindo a dor se esvair e lodo dissipar-se por completo como fumaça.  Ao terminar a mulher soltou o braço da filha e voltou a forma normal. 

- Como você está, meu bem? - Se arriscou em perguntar. - Sua mãe contou o que aconteceu. 

- Não quero falar sobre isso...Eu converso com a mamãe depois. - Murmurou. 

- Eu sei que parece que eu não te escuto e eu sinto muito, filha, que eu tenha deixado parecer isso. - Suspirou. - Eu prometo que vou começar a dar mais atenção pra você e pra sua mãe. O meu trabalho não vai vir mais em primeiro lugar. 

- Eu sabia que uma hora ia dar merda com você e a mamãe. Vocês brigaram né? - A felina sabia só pelo olhar da mãe que algo estava errado. - Foi por minha causa?

- Não, meu bem. Sua mãe está certa e eu preciso passar mais tempo com vocês,mas eu não tenho ideia de como eu faço isso...Estava pensando se...Você não pode me ajudar com um dos seus planos.

- É claro! - Jade corrigiu sua postura e sorriu minimamente. - Eu...Só quero dormir agora okay? 

- Tudo bem. Pode ir tomar banho e depois vai pro seu quarto, eu enfrento a fera aqui na hora de dormir. - A loira passou a mão nos cabelos da filha. Tanto ela quanto Catra tinham essa mania. - Amanhã falamos desse seu plano ai enquanto fazemos o seu almoço preferido. 

- Amanhã eu não almoço em casa, eu tenho treino. 

-Humm você quebrou o braço, não pode ir treinar.- Adora cruzou os braços.

- Mas você me curou...- Jade franziu o cenho enquanto levantava. 

- Sim, mas o seu treinador não precisa saber disso. - Adora piscou para a filha. -  Agora vai logo tomar banho porque você está com um cheiro horrível de suor.

-   Ei! Eu não to nada! - Resmungou. 

- Anda! E da um beijo na sua mãe antes de ir pro quarto. Ela ficou muito preocupada com você hoje. 

- Pode deixar, mãe! Eu te amo...- Jade sorriu e deixou o quarto. 

- Ei! Mocinha! - Adora chamou e a felina retornou. - Leva seu prato pra você comer e coloca esse copo na pia.

A adolescente obedeceu a contra gosto. 

Passando pelo corredor Jade beijou o rosto de Catra que esperava a conversa terminar. 





Naquela noite Jade chorou a dor de um coração partido. Adora e Catra dormiram longe uma da outra da cama e quanto mais os minutos corriam, mais estavam próximas de conhecer a nova rota que seu destino tomaria. 















Notas Finais


A fic tbm é postada no wattpad


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