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História Hierarquia - Bangtan Boys (BTS) - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Oioioi!!

Mais um capítulo de Hierarquia e as coisas vão começar a pegar fogo. Muahahauahah

Obs.: Quando esse sinal "*" aparecer ao final de um ponto de vista significa que ele acabou e que agora a narrativa está em terceira pessoa.

Tenham uma ótima leitura!
Xoxo, Aprya. 💜

Capítulo 3 - Novo alvo


Fanfic / Fanfiction Hierarquia - Bangtan Boys (BTS) - Capítulo 3 - Novo alvo

O garoto de cabelos escuros e bagunçados digitava rapidamente em seu teclado, fazendo a pesquisa sobre o empresário Zhang Yixing, que a garota deitada em sua cama lhe pediu um pouco antes de chegar em sua casa. A garota ainda trajava o uniforme escolar, fazendo parecer que tinha decidido passar ali de última hora.

Ele se sentia um pouco nervoso de tê-la ali em seu quarto. Era a primeira vez que uma garota ia lá, e mais importante ainda, era a primeira vez que ela ia lá — não pelos motivos que ele queria, mas já era um avanço.

A garota não havia dito muita coisa desde que chegou. Ela apenas se deitou com o corpo na horizontal na cama do garoto, com o antebraço sobre seus olhos. A loira talvez estivesse apenas pensativa, ou ela realmente teria adormecido ali mesmo?

— Está dormindo?

Ele pergunta com os olhos ainda fixos nas telas do computador.

— Estou pensando. — O garoto sente um certo alívio ao saber que ela não estava dormindo e que não precisaria acorda-la depois. — Falta muito para terminar?

— Não, já terminei. — Ele afasta a cadeira giratória da mesa e bota sua pesquisa para imprimir, em seguida ele estrala os dedos e o pescoço cansado. — Quer que encaderne para você?

— Preciso responder?

Ela se senta na cama arrumando o cabelo com as mãos enquanto repara ao redor. O quarto do moreno era consideravelmente pequeno para a garota, que era acostumada a viver em espaços grandes e luxuosos, mas era bem decorado e surpreendentemente arrumado. Todo o cômodo tinha uma decoração moderna nas cores cinza, vermelho e preto. A cama onde a garota estava agora sentada era de solteiro, o que lhe fazia ter uma breve idéia sobre como era a vida sexual do garoto.

— Você é virgem, Jeon?

Ela questiona com o intuito de provocá-lo, estava querendo rir um pouco. O garoto franze o cenho e vira a cadeira em sua direção com um sorriso convencido.

— Kim Ji Yeon com interesse na minha vida sexual?

— Aish... não se ache, eu só queria rir da sua cara. — Ela semicerra os olhos em sua direção que apenas solta um riso anasalado. — Mas agora estou curiosa. Você é?

— Eu não vou lhe responder isso.

Ele diz voltando a se virar para tela do computador e Ji Yeon revira os olhos dando de ombros. Ela se levanta e caminha até as prateleiras abarrotadas de mangás e revistas em quadrinhos, junto com alguns bonequinhos cabeçudos de personagens. Ela pega um bonequinho o analisando e faz careta. “Por que ele precisava ser tão cabeçudo?”, se pergunta. A loira o devolve ao seu devido lugar e dessa vez pega uma mangá. Ela ergue uma sobrancelha ao ver estampado na capa uma garota de curvas exageradas e roupas extremamente curtas que deixavam boa parte de seu corpo amostra. Ela solta o ar pelo nariz e abre um sorriso indignado.

— Eu deveria me sentir constrangida?

Ela ergue o hentai fazendo Jungkook arregalar os olhos quando vê o mangá na mãos da garota. As bochechas do moreno se enrubescem e ele levanta com pressa para tirar o hentai das mãos da loira. Ele puxa o quadrinho dela ainda com as bochechas levemente rosadas e o coloca de volta em seu lugar. Jeon se vira para ela com um semblante sério em sua face enquanto Ji Yeon ria surpresa.

— Você podia ser um pouco menos intrometida? — Ele dispara irritado.

— Sua mão de trabalhar muito, hein. — Ela ri tirando sarro da cara do mais alto mas de repente o seu riso é tomado por uma expressão assustada. — Você limpa aquilo?!

— O quê?

— Os seus fluidos estavam impregnados naquilo?! — Ela pergunta exasperada e pelo o silêncio do garoto ela tem sua resposta. — Eca. — A loira faz uma careta desgostosa, claramente com nojo. — Onde fica o banheiro?

— Segunda porta a esquerda.

Ela sai apressada em direção ao banheiro com intuito de lavar suas mãos até que elas caiam. No caminho para o banheiro a herdeira acabada esbarrando em uma garota jovem de cabelos médios em um tom castanho chocolate, que olha para a loira desacreditada. Ji Yeon entra no banheiro e a garota se dirige até o quarto do moreno já que viu a loira saindo apressada de lá.

— Pode me explicar o que Kim Ji Yeon faz na nossa casa?

Ela pergunta pasma. A garota era completamente fascinada pelos artistas da MK Entertainment, em especial as modelos Kim Jennie e Kim Jisoo. Ela sabia tudo sobre elas, da data de nascimento até a árvore genealógica. O que fazia ela conhecer Ji Yeon, por ser prima das mesmas.

— Sai do meu quarto, Somi. — Ele diz indo até sua escrivaninha e pegando a pesquisa da herdeira já imprimida e encadernada. O garoto sabia que ela iria embora assim que saísse do banheiro.

Sua irmã, Somi, o segue ainda curiosa. Ela queria saber o porquê da Kim estar ali, em sua casa. Eles podiam ter uma boa condição financeira, mas estavam longe de serem ricos como os Kim. Não fazia sentido a herdeira ir até a sua residência. Que tipo de relação Ji Yeon tinha com o seu irmão?

— Vocês estão namorando?!

A garota quase grita exaltada o que faz seu irmão tapar sua boca para que ela deixasse de fazer tanto alarde.

— Quer gritar mais alto? Acho que ela não ouviu. — Ele diz irônico tirando a mão da boca dela logo depois. Somi encara ele de braços cruzados com uma expressão mal-humorada. — E respondendo a sua pergunta, mesmo não precisando de resposta já que é bem óbvio que ela nunca veria interesse em mim. Não, não estamos.

— Mas você gosta dela? — Somi pergunta desconfiada e quando o garoto iria abrir a boca para responder, Ji Yeon aparece na porta encarando ele com uma expressão impaciente em seu rosto. Jungkook lhe entrega a pesquisa e Ji Yeon a pega na ponta dos dedos cautelosa. Ela sorri forçada e quando iria se virar para ir embora, a voz do moreno a faz parar no meio do ato.

— Não quer que eu te leve até a porta?

Ela vira somente sua cabeça na direção do garoto.

— Não. Eu lembro muito bem o caminho até a porta. — Ela diz tranquila e se vira novamente já dando os primeiros passos. — Seu irmão está certo. Eu nunca me interessaria por ele.

Ela fala alto para que os dois possam ouvir e finalmente segue o caminho para sair da casa. Somi olha para seu irmão que fitava a porta aberta do próprio quarto e conclui o pensamento mais que óbvio.

— É, você gosta dela. — Ela se aproxima dele e põe a mão em seu ombro tentando demonstrar apoio. — Peça ajuda divina, porque só assim para você ter alguma chance.

Ela debocha dele que lhe lança um olhar fuzilante.

— Sai do meu quarto.

O moreno dita e sua irmã ergue as mãos num ato de rendimento logo saindo do quarto do garoto. Ele volta a se sentar na cadeira giratória, apoiando os cotovelos em cima da escrivaninha e colocando a mãos na cabeça enquanto solta o ar exausto. Se Ji Yeon não tivesse chegado naquele exato momento ele teria enfim admitido o que sente pela herdeira?

Ele se sente até aliviado por ela ter chegado naquele momento. Considerando as suas últimas palavras antes de sair, ele absolutamente não tinha chance, e revelar o que sente só iria trazer um clima péssimo para a relação dos dois.

Seria mentira dizer que as palavras dela não mexeram com ele, porque mexeram. Mexeram mais do quê ele queria admitir. Mas de certa forma ele sempre soube que era unilateral, porém se deixou iludir pensando que algum dia eles poderiam ser algo mais do quê eles são hoje.

O temperamento de Ji Yeon não a deixava ser sentimental, e ele sabia disso quando decidiu ajuda-lá à 2 anos atrás com a intenção de se aproximar da garota. Ele se apoiou em uma relação baseada em interesses dos dois lados, com uma base tão instável quanto um vulcão ativo, e acreditou que estaria tudo bem mas hoje ele percebeu que não estava.

Ele iria mesmo estar ao seu lado em todos os momentos limitando seu coração para que o que eles têm não vá por terra?

[...]

Como em todos os dias desde que ela virou sua gerente, a Srta. Park levava a herdeira até em casa. A loira depois que havia recebido a primeira missão por e-mail, pediu a Min-young que a levasse até a casa de um conhecido, e depois de alguns minutos lá ela voltou com um caderno na ponta de seus dedos, o jogando no banco de trás logo depois.

Por algum motivo, o trânsito antes tranquilo de Gangnam agora se encontrava congestionado. Os carros buzinavam uns para os outros e elas não saiam do lugar à uns 10 minutos.

— Não pode ir por outra rota? — Pergunta a herdeira impaciente com o congestionamento.

— Desculpe Srta. Kim, mas infelizmente não podemos sair do lugar.

A gerente diz educada e Ji Yeon bufa irritada. Sem muito o que fazer, a herdeira sai do carro e tenta ver o que tinha acontecido para deixar o trânsito parado daquele jeito quando ouve a sirene de uma ambulância vindo de longe. Um acidente, óbvio.

Ela revira os olhos e volta a entrar no carro ainda mais impaciente. Ela não tinha tempo para ficar parada no trânsito, ela precisava botar seu plano para conseguir o contrato do empresário chinês em prática o mais rápido possível. Ela tinha certeza que todos estavam na sua frente e ela não poderia continuar atrasada.

— Eu vou pedir um táxi em outra rua.

Ela avisa pegando a pesquisa no banco de trás e a botando em sua mochila. A Srta. Park apenas assente, ela entendia sua impaciência. Se ela esperasse por muito tempo ia ser deixada para trás, e a gerente já tinha percebido o quanto a presidência da KSL era importante para ela.

Antes dela sair Min-young toca seu ombro suavemente e com um sorriso apoiador nos lábios ela diz:

— Se precisar de qualquer tipo de ajuda pode me ligar. Boa sorte, Srta. Kim.

A loira acena breve com a cabeça e em seguida saí do carro seguindo pelo calçamento. Ela andava a passos apressados e em determinado ponto de sua caminhada ela para e encara o grupo de funcionários transportando várias coisas de dentro de um prédio — um prédio que ela conhecia. — até caminhões. Ela se aproxima lentamente e olha para a logo do prédio reconhecendo como um dos negócios de um parente seu.

Ela ouve perto dela a conversa do dono da empresa com um dos funcionários.

— Você não está entendendo, me dê só mais uma semana. Eu juro que vou resolver o problema dos patrocinadores.

— Juras não pagam o meu salário, Sr. Kim Jun-myeon. — O funcionário diz sério fechando as portas do caminhão. — Tenha um bom dia.

Ele entra no caminhão e sai deixando Jun-myeon irritadiço para trás. O homem de terno e cabelo perfeitamente arrumado em um topete agora se descabelava desesperado.

Ji Yeon tinha um bom palpite do que tinha acontecido mas ela queria comprovar sua teoria. Ela então se aproxima do parente e pigareia botando um sorriso gentil falso em seus lábios.

— Tio Jun-myeon?

Ele se vira surpreso para ela quando a ouve chama-lo e suaviza sua irritação e desespero para cumprimenta-la.

— Oh, Ji Yeon, o que faz por aqui?

— Estava procurando um táxi e acabei vendo o que aconteceu. — Ela sorri sem graça, mas tudo aquilo era falso. A loira não estava verdadeiramente sem graça com a situação, ela só precisava que ele pensasse que ela estava. — O senhor está bem?

— Eu estou, estou sim, só um pouco atordoado.

Ele arrasta os cabelos para trás com uma mão e solta o ar com força.

— Aconteceu algo com os patrocinadores? — Indaga a herdeira querendo chegar a raiz do problema. Jun-myeon hesita em responder, mas acaba cedendo.

— Sim, os patrocinadores pularam fora do projeto. — Ele diz com pesar.

— Sabe se alguém os fez desistirem?

A loira questiona sugestiva e a mente do homem parece se iluminar. Era tão óbvio, só podia ser aquilo. Estava mais que claro que ele havia sido boicotado por um de seus parentes e adversários.

— Merda!

Ele morde o lábio inferior com força enfurecido e parte para dentro do prédio sem se importar em se despedir da sobrinha.

No final, Ji Yeon estava certa. Ele havia sido boicotado por alguns dos parentes de ambos. Algo bem previsível.

Durante o período das missões, era normal que os participantes da competição boicotassem uns aos outros. Muitos desistiam no meio do caminho por conta dos boicotes, e a competição só ficava mais acirrada a medida que os meses se passassem. Os adversários pressionavam uns aos outros até desistirem, sendo fazendo sabotagens em seus negócios ou até mesmo lhes ameaçando. Tudo isso era permitido contanto que eles não fossem pegos, e se fossem, eles teriam que obrigatoriamente sair da competição.

No mundo dos negócios você teria que fazer de tudo para crescer, independe do que seja. Mas você tinha que saber esconder bem seus rastros caso fizesse algo politicamente incorreto. Ninguém queria estampar os jornais como alvo de uma polêmica.


Ponto de Vista de Kim Ye-rim

Chego na cafeteria que sempre íamos juntas e a vejo distraída me esperando na mesma mesa de sempre, ao lado da grande janela.

Irene esteve estranha comigo durante a semana inteira. Muitas vezes a peguei me fitando com desdém ou decepção em seu olhar.

Ela tinha sim motivos para me olhar assim, mas ela não sabia de nenhum deles, então não havia porquê me tratar com tanta frieza.

Eu me sento na cadeira em sua frente com um pequeno sorriso nos lábios, queria que aquele clima ruim entre nós passasse.

Irene me encara séria e fria. Admito que tenho medo das suas intenções ao me chamar para conversar aqui. Eu sentia que não iria gostar do que ela tinha a me dizer.

Uma garçonete chega em nossa mesa e anota os nossos pedidos, quer dizer, somente o meu, já que minha amiga não pediu nada. Ela apenas continua a me encarar com aquele olhar que me dava calafrios.

— Eu sei de tudo. — Ela diz inexpressiva assim que a garçonete vai embora. Sinto gotículas de suor se formarem em minha nuca e o meu coração bater acelerado. — Quando eu soube, eu tentei entender suas motivações, Yeri. Eu juro que tentei. Mas eu não encontrei motivos para você fazer isso comigo. Você é tão mau caráter assim? — Ela pergunta em um tom quase desapontado, mas eu identificava o desprezo em sua voz. — Eu confiei em você como minha amiga, te apoiei em cada momento difícil. Isso tudo foi em vão? Você não tem o mínimo de consideração por esta amizade? — Ela pergunta sorrindo afetada, mas eu percebia sua irritação pela coloração levemente avermelhada em todo o seu rosto.

E naquele momento, a culpa me atingiu. Me sentia confusa a respeito dos meus próprios sentimentos. Eu não conseguia lembrar exatamente o porquê de eu ter traído Irene daquela maneira. Foi pelo prazer? Pela ambição? Ou pela inveja e insegurança que eu sentia em relação a ela?

Enfim eu entendo que eu nunca havia tratado ela da maneira que ela merecia. Irene foi uma pessoa tão boa para mim. Ela me acolheu quando todos viraram as costas para mim; falou comigo quando todos me ignoraram; ela não me julgou pelos meus bens materiais, apenas pela pessoa que eu era. E eu reconheço que foi a escolha mais burra que ela já fez.

Eu sentia inveja dela, me sentia insegura por não ser como ela. Eu não era bonita como ela; eu não era estilosa como ela; eu não era popular como ela; eu não era a Irene. E isso só me fez querer ser ela mais ainda.

Não sei como aconteceu, mas quando me dei conta eu queria ter tudo o que ela tinha, inclusive Jin, e foi por isso que eu não recusei sair com o mesmo quando me convidou.

Agora eu me sentia tão arrependida. Eu não queria sentir todas aquelas coisas ruins por Irene, mas eu sentia e isso machucava meu coração. Meus olhos começam a ficar marejados e meu peito se aperta em dor. Eu sinto tanto, Irene...

— Me perdoe. — Digo com a voz embargada sentindo as lágrimas rolarem por minhas bochechas. — Eu sinto muito, Irene...

— Do quê adianta pedir desculpas agora? Isso não apaga o que você fez. — Ela diz fria. — Sinceramente, Yeri, tudo o que eu quero é que você se afaste, se afaste de mim e do Jin. Não quero mais lhe ver em mim frente, então se mantenha longe. — Ela pega a bolsa pequena em cima da mesa e a vasculha jogando em seguida alguns notas sobre a superfície da mesa. — O dinheiro do seu café. É a última coisa que vai ter de mim.

Ela segue para fora do estabelecimento me deixando sozinha naquela mesa. Meu peito doía tanto. Eu perdi minha melhor amiga e a culpa daquilo acontecer era minha. Fui tão ingrata com Irene, tão inconsequente, tão sem consideração, e agora eu perdi sua amizade para sempre.

Enquanto seco as lágrimas que escorriam dos meus olhos eu ouço o ruído de notificações vindas do meu celular. O pego e vejo que eram comentários em minhas redes sociais, todos de pessoas do colégio. Eles estavam me xingando, dizem palavras horríveis e eu não sabia o porquê. Rolo um pouco a barra de notificações e percebo que fui marcada em uma publicação de Irene. Era uma foto de nós duas, mas parte da foto — a parte onde eu estava. — era em preto e branco. A legenda dizia:

“É realmente triste quando pessoas que gostamos nós apunhalam pelas costas. @yerimiese”

Olhava o post em suas redes sociais paralisada. Admito que fiz algo horrível com Irene e ela tem todo o direito de ficar irritada comigo, mas isso já era demais.

Ela sabe o quanto as pessoas — principalmente do colégio. — a idolatram. E mesmo sabendo disso ela postou aquilo, por livre e espontânea vontade, sem se importar se eu seria atacada ou não.

Aquilo foi o ato definitivo para determinar que não tinha mais volta. Ela tirou de mim o que eu mais prezava, o que me mantinha mínimamente relevante entre todas as pessoas da alta sociedade naquela instituição. Irene havia tirado meu status de sua melhor amiga, e sem meu status eu não era nada entre aquelas pessoas.

Eu estava sendo humilhada e excluída em minhas redes sociais. Comentários de ódio não paravam de chegar e meu número de seguidores só diminuía. Isso podia ser doloroso, mas quando chegasse no Archimedes na segunda feira, sabia que seria muito pior.

Sinto uma vertigem atingir meu estômago e engulo em seco. Definitivamente, eu não queria voltar ao colégio, eu não estava preparada para isso.

Irene me deixou sozinha no meio do deserto e não voltaria atrás em sua escolha. Talvez agora fosse a hora de pagar o preço pelas minhas ações.*

[...]

Em casa, Namjoon lia um livro deitado em sua cama. Já estava perto do anoitecer, e o jantar logo seria servido.

Em meio a leitura, sua mente começa a divagar. Seus pensamentos alternavam entre a missão e em como seus pais se sentiriam caso ele não conseguisse completá-la antes de todos.

Se Jin se interessasse mais pelos negócios e menos por farrear, Namjoon não estaria nessa sinuca de bico com os próprios pais.

E falando no Sr. Inconsequente, ele não aparecia em casa à um dia. Os pais do menino faltavam ter um ataque com a ausência de notícias do filho. Seu gerente se esforçava para bota-lo nos trilhos mas ele insistiam em voltar ao mau caminho.

Namjoon não via a próprio irmão à 3 dias, a última vez que o viu ele estava sendo carregado por Gong Yoo, já que não conseguia ao menos se manter em pé. Seria mentira se dissesse que ficou preocupado. Jin só estava sendo quem ele sempre foi durante os últimos 4 anos, e isso não surpreendia ou preocupava Namjoon.

Eles nunca tiveram um devida relação entre irmãos, mais pareciam apenas conhecidos.

— Filho, o jantar está pronto!

Ele ouve a voz de sua mãe do outro lado da porta e fecha seu livro, o qual nem estava lendo mais.

— Estou indo.

O garoto deixa o livro em cima da mesa de cabeceira e se levanta indo em direção à porta. Ele desce as escadas e vai até a sala de jantar, onde seus pais já se encontravam. Ele senta a mesa em frente a sua mãe, enquanto seu pai sentava na ponta. Namjoon olha para cadeira vazia ao seu lado.

— Ele ainda não voltou. — Diz sua mãe com pesar. — Sabe de alguma notícia dele, filho?

— Não, mãe. Na verdade, não vejo ele faz um tempo. — Diz Namjoon pegando os talheres para começar a comer.

— Eu falei que tínhamos que impor regras e você não me ouviu, agora não sabe nem onde seu próprio filho está. — Reclama o patriarca com ignorância para esposa, que apenas encara fixamente seu próprio prato de comida sem falar nada. — Como está se saindo na primeira missão, Namjoon?

— Acho que estou indo bem. Amanhã mesmo irei ver o empresário Zhang.

— E a concorrência? — O pai pergunta com interesse. — Já se livrou de alguém?

— Não acho que esse seja o caminho.

— Hum, entendi. Vai esperar que te tirem do caminho. Ótima estratégia. — O pai fala irônico e Namjoon respira fundo. Ele era sempre desse jeito, arrogante, ignorante e prepotente. E o herdeiro odiava isso.

— Sei o que eu estou fazendo, pai. Não se preocupe.

O garoto diz sério concentrado em sua comida. O pai encara ele sem expressão. “Ele vai começar de novo.”, pensa o herdeiro e como se previsse o futuro, é exatamente isso que acontece, o homem inicia outra discussão desnecessária.

— Não, você não sabe. Você acha que sabe. — Ele diz sério e os olhos de Namjoon se fecham aos poucos buscando paciência para lidar com o ser arrogante e que se acha o dono da verdade, que era seu pai. — Você é jovem e pode não saber, mas o mundo dos adultos é cheio de mentiras e traições. Você não pode confiar em ninguém e todos estão contra você. Na teoria, essa visão que você tem do mundo é linda, perfeita, ideal. Mas na realidade ela não funciona, porque as pessoas não se respeitam e vão sempre tentar passar por cima de você. — “Por favor, pare de falar.”, suplica mentalmente o herdeiro. — Você acha que as pessoas se importam com você mas não se importam, elas só se importam com elas mesmas. As únicas pessoas que se importam com você são eu, sua mãe e seu irmão, sua família. O resto é só resto.

O herdeiro sente seus olhos cheios d’água e as palavras entaladas em sua garganta. Ele queria falar tanta coisa; queria gritar; queria dizer que só porque a vida de seu pai foi amargura, a dele não precisava ser igual. Mas ele segurava tudo aquilo e guardava dentro dele toda aquela mágoa.

Ao mesmo tempo que ele queria falar o que realmente achava, ele não queria discutir novamente, então ficou calado. Era melhor evitar brigar por besteiras.

— Querido, vamos, coma. Teve um dia cheio hoje, deve se alimentar bem.

A mãe intervém colocando um pedaço de carne na tigela de arroz do marido, o incentivando a comer e cortando o ar pesado deixado pelas palavras dele. Isso parece ter funcionado, já que ele não tocou mais no assunto até o final do jantar.

Depois de comer, o garoto sobe para o seu quarto e lá fica por muito tempo, com os fones no ouvido escutando alguma playlist musical que gostasse. Ele vê sua mãe entrar em seu quarto e se sentar na beira da cama o olhando. O herdeiro tira os fones e evita olhar para sua mãe. Ele sabia o que ela iria dizer, e estava cansado disso.

— Você sabe que seu pai só quer lhe proteger, não sabe? — Ela diz compreensiva e Namjoon continua da mesma maneira. — Ele está estressado por causa do trabalho. — “A mesma desculpa.”, pensa o herdeiro. — Mas ele só quer o seu bem, Namjoon. Quer que você seja o melhor. Você entende, filho?

— Entendo.

Ele mente. Namjoon realmente queria entender, mas ele não conseguia, porque para ele não fazia sentido. Então ele apenas fingia entender para não ter que se prolongar naquele assunto e gerar outra confusão.

— Você sabe que é muito importante para seu pai que você consiga o cargo de presidente da KSL. Não sabe, filho?

— Sei. — Ele diz cabisbaixo.

— Nós estamos confiando em você. — Ela olha com expectativa para ele e sorri acolhedora.

Aquilo era muita pressão para ele. E se ele não conseguisse? E se alguém o sabotar? E se ele simplesmente não quiser ser o que seus pais querem que ele seja?

A verdade era que Namjoon tinha medo, medo de decepcionar os próprios pais. Ele não sabia se estava preparado para aquilo; não tanto quanto os outros. Ele queria saber como seria sua vida se ele fizesse só o que quisesse, como Jin. Mas ele não podia. Ele tinha obrigações, ele tinha responsabilidades.

No fundo ele sabia que talvez não conseguisse, que comparado aos outros ele era fraco. Mas ele tinha que ir até o fim, porque seus pais estavam confiando nele.

[...]

Dia seguinte

— Não quer que eu acompanhe você? — A gerente pergunta enquanto a herdeira aplicava o lip tint vermelho em seus lábios. Ela solta o bob que prendia sua franja e arruma os fios de seu cabelo delicadamente com os dedos.

— Não acho que precise. Eu posso me virar sozinha. — Ela termina de checar seu visual no espelho e pega a bolsa de marca no banco de trás.

Ji Yeon tinha tudo planejado. Estava com um contrato mais que satisfatório em mãos e sabia exatamente como abordar o empresário Zhang, mas o nervosismo volta e a insegurança também. E se ele não escolhesse fechar contrato com ela? E Se algo desse errado? E se ela falhar?

Sua confiança vai murchando ao poucos e a preocupação vem tomando conta. Talvez seu maior medo fosse esse, falhar. Ela não podia falhar, ela não se permitia falhar. Ela só podia acertar, não tinha uma segunda opção, o fracasso não era uma escolha.

Ela fecha os olhos e respira fundo buscando o máximo de ar possível. A loira se sentia sufocada dentro daquele carro, como se todo o oxigênio fosse simplesmente sumindo.

Ji Yeon sente uma pontada de dor em sua cabeça e franze o cenho esperando aquela dor aos poucos passar. Ela ainda tinha dez minutos antes da sua reunião com o chinês, então não teria problema continuar ali por mais um tempo.

— Precisa de um analgésico? — Indaga a Srta. Park eficiente e a herdeira apenas acena que sim com a cabeça. A gerente puxa de sua bolsa um frasco de analgésicos e entrega um comprimido junto de garrafa d’água para a loira, que toma rapidamente o comprimido. — Você está bem?

— Estou, isso é normal.

— Como assim isso é normal? — Questiona Min-young surpresa e um pouco preocupada com a herdeira. — Com que frequência sente essas dores?

— Isso é irrelevante agora.

A loira abre a porta do carro e sai antes que a gerente pudesse perguntar algo mais. Ela entra na empresa do Zhang e se dirige até o balcão da recepcionista.

— Com licença, eu marquei uma reunião com o Sr. Zhang... — A recepcionista a interrompe.

— Décimo segundo andar. — Diz ela simplista com o olhar focado sobre a tela do computador.

A herdeira iria reclamar pela mulher tê-la interrompido mas sua atenção é tomada para uma pessoa específica que esperava o elevador. Ela caminha até ele e para ao seu lado.

— O que é isso, está me perseguindo? — Ele pergunta debochado e ela olha para ele de cima a baixo.

— Pelo menos está vestido decentemente.

Ele solta um riso anasalado pelo comentário da loira e eles permanecem em silencio até o elevador chegar. Os dois entram nele e ele aperta o botão do décimo segundo andar. Eles tinham o mesmo destino e o mesmo objetivo, a questão era: quem se sairia melhor?

O cubículo rapidamente chega ao andar desejado e abre as portas para uma sala de tamanho médio em tons neutros. Nela havia a mesa da secretária e do lado oposto dela várias cadeiras, onde podia se ver alguns Kim's esperando sua vez de ver o empresário Zhang.

— O Sr. Zhang logo irá vê-los. Por favor, se sentem e aguardem. — A empresária diz sorridente e eles seguem suas instruções sem questionar. Aquilo poderia demorar. — Se quiserem, tem café e água ali. — Ela aponta para uma bancada com uma máquina de café e um filtro d’água, ambos com um design moderno e chique.

Ji Yeon olha em volta e vê Namjoon sentado na primeira cadeira, provavelmente era o próximo a ver o empresário. Ao vê-lo ela se sente mais segura, afinal, ela sabia que ele não era competente o suficiente comparado a qualquer um naquela sala, e aquele pensamento maldoso a fazia se sentir melhor consigo mesma.

— Por que está sorrindo? — Questiona a pessoa a seu lado.

— Me deixa em paz, Taehyung. — Ela revira os olhos frustrada por ter seus pensamentos interrompidos pela voz do garoto. — Não posso mais sorrir?

— Você sorrindo me dá medo.

Ele comenta enquanto revisava o contrato que tinha preparado para o empresário. Ji Yeon repara nos papéis em sua mão e discretamente começa a ler o contrato de Taehyung. Um grito indignado fica preso em sua garganta quando vê a semelhança entre o contrato dela com o do garoto. Isso não podia acontecer, não agora. Ela tinha virado a noite elaborando aquele contrato para hoje ele estar com uma proposta quase igual? Ah não, não mesmo.

Tudo havia voltado mais uma vez: a insegurança, o medo, o nervosismo, tudo aquilo que ela podia estar sentindo naquele momento. Ela precisava pensar em algo para tirar Taehyung do seu caminho o mais rápido possível.

Vamos, Ji Yeon, pensa em alguma coisa! Eu só preciso atrasar ele por um tempo.

Seu pé começa a bater numa frequência frenética no chão enquanto ela reparava ao redor tentando encontrar algo para atrasar o garoto, e ela encontra. A máquina de café.

Ela se levanta e vai até a bancada onde estava a máquina e enche um copo de café quente. A loira caminha até determinado ponto com o corpo na mão e finge tropeçar, derrubando todo o café em cima de Taehyung, que urra de dor sentindo o café quente em contato com a sua pele.

A secretária sai de sua mesa desesperada e tenta ajudar o herdeiro que sentia sua pele arder.

— Omo! Me desculpe. Você está bem? — Ji Yeon pergunta com uma falsa preocupação em sua voz e ele encara a loira raivoso.

Taehyung se levanta e pede o elevador impaciente. Seu terno agora estava manchado de café e sua pele ardia, ele não podia entrar no escritório do empresário Zhang daquele jeito. Quando o elevador chega no andar ele entra na caixa de metal e tenta ir embora o mais rápido possível. Talvez se ele resolvesse logo seus problemas ainda voltasse a tempo da reunião.

A loira sorri aliviada e volta a se sentar na cadeira apenas esperando sua vez, que seria logo sem Taehyung ali. A herdeira só parecia se sentir confiante quando prejudicava ou interiorizava alguém, o que realmente era deprimente.

Taehyung chega no térreo e vai em direção ao carro do seu gerente irritado, mas não irritado com Ji Yeon, e sim consigo mesmo. Ele sabia como era o temperamento da loira e devia ter previsto que ela faria algo contra ele. O fato dele não ter se preocupado se ela iria fazer mesmo alguma coisa ou não era o que o deixava verdadeiramente irritado.

— O que... — O gerente inicia confuso mas é interrompido pelo herdeiro.

— Preciso trocar de roupa e de uma pomada. — Ele diz rapidamente e encara o gerente impaciente por ele não estar fazendo nada. — O que está esperando? Vamos, dirija!

O gerente revira os olhos e solta todo o ar pelo o nariz cansado. “Mesmo com a pele queimada ele continua um doce!”, pensa Seo Joon irônico.

Ao chegar a vez de Namjoon entrar no escritório do chinês, ele fica nervoso. Ele repassava o texto que tinha decorado mentalmente enquanto se dirigia a cadeira em frente a grande e irreverente mesa do empresário. Ele se senta e encara o homem em sua frente sem saber o que fazer. Namjoon de forma nervosa põe o contrato sobre a mesa esperando que o empresário o pegue, o que ele não faz.

— B-bom dia Sr. Zhang, e-é... bom... eu estou aqui por que...

— Me poupe desse papo furado. — Interrompe Yixing encarando fixamente o herdeiro que não sabia o que dizer. — Qual o seu nome, garoto?

— N-namjoon.

— Sabe, Namjoon, eu já devo ter ouvido umas seis pessoas falarem sobre a mesma coisa hoje. Mas sabe qual é a diferença entre elas e você? — O empresário questiona e o garoto apenas acena que não com a cabeça. — Nenhuma deles ficou gaguejando e me fez perder tempo. Então se não tem nada de bom a oferecer, por favor, saia.

— NÃO! — O herdeiro grita desesperado mas logo é repreendido pelo olhar julgador do empresário. — Por favor, escute o que eu tenho a dizer. Eu não posso sair daqui sem esse contrato assinado. — Namjoon diz em um tom de voz normal mas eufórico. O empresário lhe dá abertura para falar e ele respira fundo procurando por onde começar, mas a verdade era que tudo aquilo era inútil, ou como o empresário dizia: papo furado. — Não pode apenas ler o contrato e assinar?!

— Sim, eu posso. — Diz o empresário sincero o que surpreende o herdeiro. — Sinceramente, não sei porquê não fiz isso no primeiro contrato que me propuseram. Inclusive, acho que vou vender todas as ações da minha empresa para algum cavalo dançarino na Rússia. — A esperança do herdeiro se esvai ao perceber que o empresário estava apenas sendo irônico. — Eu já vi muitos contratos bons hoje, Namjoon, mas o curioso é que todos eram da Kim Ship Line, e isso me intriga, porque eu não sei o que está acontecendo, e eu quero saber. Então... — Ele pega o contrato do herdeiro e lê rapidamente, apenas checando se o contrato era semelhante aos outros que havia visto naquela manhã. — Vamos fazer um acordo. Todos os contratos que me apresentaram hoje, em sua maioria são parecidos, mas para te diferenciar do resto você pode fazer o seguinte. — Ele coloca o contrato de volta na mesa e encara o herdeiro. — Me conte o que está acontecendo e porque precisa tanto da minha assinatura, então, ela será sua.

A respiração de Namjoon fica pesada. Então seria assim? Tão fácil? Era uma oportunidade muito boa para se deixar passar, e ele não iria deixar passar. Ele sabia que não era tão persuasivo para convencer o empresário assinar o seu contrato. Se Yixing deu essa chance para o herdeiro, por que desperdiça-la?

[...]

Sede da Kim Ship Line

1 semana depois

Todos os Kim estavam reunidos mais uma vez naquela enorme sala de conferências, somente esperando o momento em que o presidente Kim Dong Won finalmente anunciaria quem havia completado a missão, quem havia conseguido a assinatura do empresário chinês.

O presidente entra na sala acompanhado novamente das mesmas pessoas de antes e vai até a ponta da mesa. Ele analisa cada rosto naquele local e quando para em Namjoon ele sorri ladino, já sabendo que ele havia sido vitorioso.

— Essa primeira missão foi extremamente simples, uma coisa que o presidente de uma empresa sempre tem que fazer, uma coisa rotineira. Mesmo que muitos de vocês tenham se esforçado, apenas um se sobressaiu. — Ele encara o segundo neto mais velho. — E eu tenho orgulho de dizer, que foi meu neto, Kim Namjoon.

O silêncio predomina a sala e todos os olhares estavam focados no herdeiro, olhares de ódio, ameaçadores. Agora eles tinham um alvo, alguém que lhes ameaçava no jogo. 

Era melhor Kim Namjoon se preparar, porque ele pode ter vencido a primeira batalha, mas isso não garantia sua vitória na guerra.

Você é o próximo a cair, herdeiro.



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