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História Hierarquia (Em revisão) - Capítulo 45


Escrita por: e girlseries


Capítulo 45 - Nos veremos novamente!


Fanfic / Fanfiction Hierarquia (Em revisão) - Capítulo 45 - Nos veremos novamente!

Apesar da vida nada segura em que Draco Malfoy vivia, eram raras às vezes em que algum de seus inimigos se atrevia a vir procurá-lo em sua casa. Era estranho eles o procurarem diretamente, de qualquer forma, sobretudo em sua casa, normalmente iam ao cartel, e sempre acompanhados de seus melhores homens. Justamente por isso que, – morreria dizendo o contrário –, mas, ficara abismado com a audácia de Harry Potter em encará-lo de frente, e ainda por cima o ameaçar. Com certeza um ato que até mesmo o próprio falecido Lúcio Malfoy, se impressionaria.

Malditos seja-os, os Potter’s, todos eles e sua inquestionável coragem!

Tinha se passado um dia desde a sua visita surpresa, e por mais que não fosse uma vontade sua, Draco não conseguia parar de pensar nas palavras ditas por Harry. Ele estava tão desesperado, aparentemente havia acabado de descobrir que Draco estava presente na noite em que sua filha foi levada, se não teria vindo antes fazer aquele interrogatório, que mais pareceu um jogo de roleta russa. Novamente, uma surpresa, o Potter-filho não era dito violento, pelo o que sabia, ele só poderia estar muito aflito para que praticasse esse ato de valentia. A filha. A tão famosa filha desaparecida dos Potter. Nunca tinha sido da sua conta, nunca tinha se importado, na verdade, não era um assunto seu, tampouco de seu interesse. Mas agora, estava tomado pela curiosidade.

Estranho, assim como tudo naquela família, pensou Draco com um gosto amargo na boca; era estranho o fato de os dois, Harry e Gina, ambos tão influentes na sociedade, nunca terem conseguido encontrar o paradeiro dessa criança. Sim, existiam inúmeros casos de desaparecimento jamais solucionados, só que mesmo assim, não era algo puro. Devia ter algo por trás disso, não era possível! Ou os responsáveis pelo caso eram totalmente imbecis. Ou quem a sequestrou fez o trabalho muito bem feito. Não há outras alternativas.

Draco havia dito a verdade a Harry, ele não tinha nada a ver com o desaparecimento de Lily Potter, ouvir os tiros foi uma ocorrência tão surpresa para ele quanto para Harry. Seu pai, sim, teria tido uma ideia dessas, Draco não, para ele quanto maior a distância com os Potter-Weasley, melhor.

Draco negou com a cabeça e terminou de secar seus cabelos com a toalha, pegou seu pente no armário do banheiro e junto dele o pote de gel. Estava atrasado para o café da manhã, o que não era algo que acontecia com frequência, a diferença era que na noite passada quase não tinha dormido, seus negócios estavam uma zona de guerra, e quando enfim foi se deitar, dormiu mais que a cama. Terminou de arrumar seus cabelos e saiu do quarto, disposto a caminhar até o closet e se despir do roupão preto que estava vestindo. Hoje é domingo, então não precisaria se preocupar em vestir seu tão formal terno e gravata.

- Draco, por favor, desça logo, ela vai me enlouquecer se não vier o mais breve possível. – a voz de Astoria foi levada do quarto até o closet, e se não soubesse do que se tratava, ele poderia ter se preocupado de verdade, já que a esposa demonstrava certa tensão.

Ele terminou de se vestir, optando por uma calça jeans escura e um suéter preto de linha. Voltou para o quarto, e Astoria estava de pé com a mão na maçaneta da porta, o esperando com uma cara nada boa.

- O que houve? – perguntou ele, inocente.

- Não ouse me fazer esta pergunta, sabe muito bem porquê! – ela exclamou com o rosto extremante vermelho - Vamos descer para o desjejum.

Draco comprimir os lábios, tentando esconder sua vontade de rir. Ele lhe deu um selinho nos lábios e em seguida riu da cara feia em que a esposa fez na direção do andar de baixo. Respirando fundo, ela saiu do quarto e Draco a seguiu, fechando a porta do quarto assim que deixou o cômodo.

Bom, se para Astoria, mulher de Draco há mais de vinte anos, uma dama, estava ruim, pode-se imaginar como estaria para uma outra em uma situação bem mais desfavorecida que a sua.

Algumas horas se passaram, e a chegada de Scorpius e Lily para um almoço de domingo imediatamente foi aguardada. Na sexta-feira à noite, depois da pequena reunião que tiveram, Astoria tentara convencê-los a passar a noite na mansão, alegando que estava tarde para que fossem para casa. Contudo, Scorpius sabia que Lily não se sentiria a vontade, pelo menos não naquela noite dormindo ali, então recusou o convite da mãe educadamente, mas não antes de fazê-los prometer que viriam almoçar no domingo, para que se “enturmassem” melhor. O pai e o filho dividiram a mesma expressão quando ela disse isso.

Scorpius, desde o último encontro de seu pai e Lily, estava se sentindo mais esperançoso em relação aos dois, pensava que eles poderiam se dar bem, quem sabe, tinham progredido, isso era um fato.

Bom, o pensamento de Scorpius continuava o mesmo, até mais positivo, – isso até ele e Lily entrarem na Mansão dos Malfoy e terem uma grande surpresa.

- Vovó? – proferiu Scorpius ao ver as costas de uma mulher alta e de cabelos enrolados na altura dos ombros.

Lily, que estava ao lado dele, se virou para o namorado em busca de sua feição. Tinha visto a mulher quando entraram, mas imaginara que fosse uma convidada de Draco e Astoria.

A mulher se virou para eles ao ouvir o chamado e, se Lily não tivesse visto o sorriso largo que a mulher abriu para Scorpius, jamais se atreveria a dizer que ela era mesmo a avó dele, o que aparentemente era.

- Meu neto querido – falou a mulher, Narcisa Malfoy, com os olhos levemente lacrimejados. Scorpius soltou a mão de Lily e caminhou de forma apressada até a avó, ele tomou as mãos dela nas suas e beijou ambas, juntas, em um cumprimento contido, porém extremamente afetuoso. Dava para ver em seus olhos, pensou Lily.

- Como a senhora está? Não sabia que viria – acrescentou ele, ainda com as suas mãos nas dela.

- Cheguei ontem a noite, era para eu ter chegado antes, entretanto, tive o imprevisto de meu voo atrasar. Draco pediu para que o motorista fosse me buscar. – respondeu Narcisa - Essas companhias áreas nunca mudam. – junto de seu acréscimo, veio um revirar de olhos, que fez o neto rir.

O pai de Scorpius estava atrás da mãe, à apenas alguns metros de distância com seu ombro apoiado no batente da porta, ele parecia se divertir com alguma coisa, o quê, Lily não fazia ideia. Astoria agora estava ao seu lado, perguntando-lhe como estava se sentindo.

- Me sinto muito bem, obrigada por perguntar. – não era totalmente verdade, tinha acordado com uma cólica infernal, mas não poderia dizer isso a ela, a mesma estava sendo muito gentil, seria uma falta de consideração. Sem falar em educação.

- Ah, que bom! Teremos carne para o almoço... – ela pareceu se lembrar de algo, pois se sobressaltou – Você come carne vermelha, certo?

- Hã, sim, claro, adoro carne vermelha. – afirmou Lily, sorrindo.

Narcisa, que ainda conversava com Scorpius, se virou para ela com uma expressão diferente, não rude, nem feliz – surpresa, poderia se encaixar muito bem.

- Você deve ser a nova namorada do meu neto, a quem meu filho se referiu no começo da semana passada, quando me ligou. – começou ela estudando cada parte do corpo e da feição de Lily com seus olhos azuis límpidos, poderiam ser confundidos com os de Scorpius e com os do pai dele, que eram cinza claro. – Você é muito bonita. – elogiou a mulher subitamente. Lily achava que nem mesmo ela esperava lhe dirigir um elogio.

- Muito obrigada, Sra. Malfoy. – agradeceu Lily sorrindo.

- Mas sabe que apenas um rosto bonito não a levara-la até o topo, certo? É preciso muito mais que isso. – seu tom fora gentil ao fazer sua observação, ao contrário do de seu filho.

Lily ficou sem saber o que dizer, se sentia sem-graça perante ela. Não havia sido como na noite em que enfrentara Draco, a mãe dele com certeza tinha algo que a fazia ter uma enorme sensação de respeito. De dever. E ela sabia disso, o que a fazia ser a pior de todos os presentes nesta sala.

- A senhora está certa. – respondeu Lily balançando a cabeça. – Darei o meu melhor para melhorar. – ela garantiu.

- Cuidarei para que isso aconteça, fique tranquila. – disse Narcisa dando uma piscadela para ela. Em seguida, a mesma se virou para a nora.

- Astoria, ajeite os cabelos, por favor, eles estão um verdadeiro horror.

Narcisa caminhou até o filho estava e pôs-se a conversar com ele, ignorando o olhar nada agradável que Astoria lhe dirigiu. Lily não via problema algum nos cabelos da mãe de Scorpius, estavam presos em um coque puxado para trás com alguns fios soltos, as madeixas lhe davam um ar bem mais jovem e bonito. A ruiva viu a morena respirar fundo e caminhar até o lavado, provavelmente para arrumar os cabelos, mas não antes de erguer um olhar de fúria a sogra, que estava de costas, então não poderia ver.

Lily negou com a cabeça, tudo aquilo era tão estranho. Scorpius agora voltava de um canto da sala com um copo de água na mão, ele parecia sorrir, e ela o conhecia bem o bastante para saber que estava com um ar de divertimento. Ele ofereceu o copo d’água a ela, que o agradeceu e bebeu de bom grado, rápido o suficiente para que passasse despercebido por Narcisa. Não queria correr o risco de ser reprendida logo na primeira vez em que conhecia a avó do namorado, seria humilhante. O que, decerto, sempre acontecia com Astoria.

A governanta, uma senhora bem alta que cumprimentou a primeira-dama-viúva com uma gentileza exagerada, pelo o que Lily perceberá, a mulher trabalhava na casa desde o casamento da viúva. Então eram suficientemente conhecidas. Ela anunciou que o almoço estava servido, isso uns trinta segundos depois de Astoria retornar ao ambiente, agora seus cabelos estavam totalmente puxados para trás em um coque apertado, sem qualquer fio solto. Era uma pena, a mesma estava tão bela, achava Lily. Narcisa tomou o “poder da situação”, convocou todos a se sentarem à mesa e aproveitarem o almoço caprichado, que segundo ela, o cardápio tinha sido escolhido a dedo por ela mesma na tarde anterior.

Scorpius apertou a mão de Lily em sinal para que ela o seguisse, e foi na frente com o pai e a avó. Ela seguiu seus passos até a mesma sala de jantar que haviam jantado na sexta-feira à noite, a diferença era que hoje as cortinas estavam abertas e muitos arranjos de tulipas holandesas estavam espalhados pelos cantos da sala. Um sol baixo, típico de inverno, iluminava o lugar.

- Essa é a sua primeira impressão, ela agiu da mesma forma comigo anos atrás, não caia nessa, ela é Satã em pessoa. – a futura sogra passou por Lily e sussurrou entre os dentes. Ela lhe sorriu quando Draco a chamou.

- Estou indo, querido – disse Astoria para ele, depois ela lhe deu um beijinho nos lábios. Draco sorriu, e de maneira discreta acariciou a cintura da esposa. Eram claramente um casal apaixonado, levando em conta os anos que estavam casados.

Lily teve certeza que ouvira os dentes de Narcisa trincar com a demonstração de afeto em público, ela se sentara de frente para a mulher, podendo assim observá-la por todo o almoço. A refeição fora boa, excelente na verdade, dessa vez seu futuro sogro não tinha feito, por enquanto, nenhuma piada a seu respeito, na verdade, não havia lhe dirigido a palavra desde que a cumprimentou quando chegara, todavia, Lily sentiu o olhar dele em si, mais avaliador do que o de costume. A viúva (Lily não conseguia parar de pensar nela desta forma, não desde que Scorpius contou a ela, detalhadamente, sobre a morte do avô e de como ela havia sofrido, embora ela não o amasse), falou pela maior parte do tempo, não o suficiente para ser julgada como uma tagarela, visto que ela era elegante e refinada demais para agir de forma tão desrespeitosa em um almoço com a família. Mesmo estando com os familiares, como o mencionado. Lily imaginava que estando em família pudesse se fazer qualquer coisa, falar o que quiser, dar altas gargalhadas sem se importar com qualquer regra de etiqueta, afinal eles eram parentes consanguíneos ou não. Não deviam se julgar, recriminar um ao outro, tornar o indivíduo uma piada. Bem, podia não ter tido uma família, mas não agiria desse modo na sua, o que era algo que iria mudar com certeza, nessa.

Ao final da refeição, quando já estavam na sobremesa, um creme verde gelado que na sua nada experimente opinião, não possuía nenhum sabor, Lily tinha aprendido algumas coisas.

Narcisa tinha passado os quinze anos seguintes à morte do marido no continente asiático, se dividindo entre a Rússia e a Turquia, não pisava na Europa tinha quase oito anos. E que somente tinha vindo porque seu filho a convocara imediatamente, pois era um caso de estrema urgência, palavras dela, não de Lily.

A outra coisa, e talvez a menos visível, era que existia uma enorme tensão na mesa, por mais que fosse imperceptível, ela existia. Draco não estava bem, ou pelo menos não estava presente ali. Toda vez que o olhava, sua testa estava vincada, e seu olhar perdido em alguma coisa não definida, sua mãe teve que chamá-lo diversas vezes para que prestasse atenção no que estavam falando, o mesmo estava perdido em um pensamento não detectável. Vez ou outra a olhava fixamente, mas isso não era uma novidade, ele sempre a encarou.

E, bem, Lily precisaria manter o sangue bem frio para que pudesse lidar com Narcisa Malfoy, ela era uma mulher vivida, experiente, e Lily não podia contra aquilo, teria que usar a sua não-experiência para poder lidar com ela, se não seria engolida viva. E todos sabiam que a sua presença na máfia não era uma das mais bem vistas.

Draco se retirou da sala de jantar, deu um beijo na testa da mãe e em seguida em Astoria, e depois pediu para que Scorpius o acompanhasse até o escritório. Ele estava junto a Lily próximo a escada que dava para o segundo andar da mansão, sua pretensão era levá-la até seu quarto, ignorar sua família e possuía-la lascivamente no andar de cima. Scorpius e Lily não tinham tido muito tempo para se dedicarem um ao outro desde a quinta-feira, na sexta assim que retornaram para casa, ela estava fria e seca com ele, e infelizmente sabia o motivo, e no sábado ela passara tanto o dia quanto a noite com a cara nos livros, estudando para as provas que teria. Portanto não tinham tido tempo.

Sentia a sua falta.

Scorpius pegou uma taça de champanhe e a entregou a Lily para que ela se distraísse enquanto ele estava com o pai. Beijou-a e pediu para que ela o esperasse junto de sua mãe e avó, pois em breve voltaria. Caminhou até o escritório e fechou a porta assim que entrou, seja o que for que Draco queira, ele não iria querer especuladores.

- Conte-me novamente sobre o passado da menina, quando e como ela foi encontrada pela tal mãe adotiva. – Draco servia para ele uma dose de conhaque, deu um gole e fitou o filho. - Não deixe escapar nenhum detalhe. – aconselhou.

Scorpius franziu o rosto, porém não comentou nada. Imaginava que seu pai só fosse mostrar interesse pelo caso dos pais biológicos de Lily, depois de ele insistir muito. Era comum Draco se esquecer das promessas que fazia quando lhe era conveniente.

O filho tentou descontrair sua postura rígida, se sentou no sofá que era de frente para a mesa do pai, passou suas mãos por cima da calça jeans, abaixou a cabeça por alguns instantes e após esse ato de “esclarecimento mental”, se voltou para o pai, que o aguardava com o rosto sério.

- Não tem muita coisa além do que te contei, ela foi encontrada na porta da casa da mãe adotiva, tinha um ano de idade e ela só tem um objeto que possa liga-la a família de sangue, uma pulseira. – explicou Scorpius com um dar de ombros – É isso, a mulher estava tentando encontrá-los, mas morreu no decorrer. Ela queria que a Lily descobrisse que eram eles.

- Sabe o dia em que ela foi encontrada? Data de aniversário? Algum sinal de nascença? – Draco bombardeou-o de perguntas, deixando Scorpius confuso e atônito, pois seu tom era de ansiedade e de um interesse claro.

- Não sei, é provável que ela também não saiba. Lily tem vários sinais no corpo, mas como poderíamos comparar com os de outra pessoa?, e a data de aniversário está gravada na pulseira, somente o dia e mês, e os primeiros nomes dela, sem sobrenome. – esclareceu Scorpius.

- Ela tem um nome do meio?

- Sim, Luna, Lilian Luna.

Draco ficou pensativo por um tempo, bebeu mais duas doses da bebida pelo tempo que se seguiu. Ele parecia estupefato, meio incerto. Até mesmo nauseado. O pai se jogou na cadeira de couro do escritório e inclinou sua cabeça para trás, fechou os olhos e negou com a cabeça.

- Pai – Scorpius o chamou se levantando – Tem alguma coisa que queira me contar? – ele perguntou, cautelosamente.

Draco negou sem erguer o olhar, ele pegou o celular sobre a mesa e checou às horas, eram quase três da tarde. O que significava que seu filho e Lily, ficariam em sua casa até às oito. Merda.

O que ele mais queria agora era ficar sozinho para raciocinar e ter certeza de suas próprias conclusões, muitíssimo precipitadas. E queria conversar com Astoria, ela sempre sabia como fazê-lo voltar a pensar do modo certo, e não ser levado por delírios e idealizações.

Por que, de fato, era muita coincidência.

- Faça com que a sua namorada interaja com a sua avó, minha mãe irá ensiná-la tudo o que precisa. Quer se casar com ela, não quer?

Ele não respondeu.

- Pode deixar – Scorpius já tinha pedido para que ela fizesse isso. E também imaginado que esse era o motivo da chegada repentina da avó.

- Agora saía, me deixe sozinho.

Assim que a porta bateu Draco rapidamente se levantou, foi até o armário de madeira em que guardava papéis e informações de cunho pessoal. Remexeu em algumas pastas antigas e pegou uma em especial, uma verde, que se destacava em meio à tantas pretas. Voltou para a mesa, depositou a pasta sobre ela e apanhou o seu notebook, item também pessoal. Não gostava de misturar os assuntos da máfia com os que não tinha nada relacionado, ou seja, os seus.

Abriu o computador, a pasta e estudou as informações que tinha guardado por anos; folhas de jornal de matérias antigas da época, fotos, números de telefone. Tudo o que poderia levar-lhe a encontrar alguma informação que pudesse, pelo menos, fazê-lo chegar a uma conclusão.

Tinha um dossiê completo de todas as informações da família Potter-Weasley, até mesmo alguns da época de seu pai, antes de Harry nascer. As últimas informações que possuía eram sobre James Potter, ele estava investigando o caso de Mercilessly, tinha encontrado várias provas que poderiam incriminá-los. Sua vontade, a princípio, era dar um susto nele da mesma forma em que fizera com o hacker que trabalhava com ele, mas imediatamente se lembrou da trégua que tinha com a família do investigador, se Draco mandasse alguém projetar um atentado, mesmo não sendo com a intenção de matar, Tiago Potter declararia uma batalha instantânea. O caso estava parado, tinha sabido por suas fontes na delegacia. E à esse ponto, o garoto já devia saber do envolvimento da família, por isso dera um tempo no caso.

O filho mais novo, um dos gêmeos, estava na faculdade de medicina, prestes a terminar o primeiro semestre. Ele havia feito umas três faculdades antes de finalmente se dedicar a medicina; Direito, administração e arquitetura. Não tinha chegado à completar sequer meio semestre de algumas delas. E, teria um filho com a prima nos próximos meses. Ou seja, um novo integrante da família de moluscos e mariscos chegaria em breve.

Contudo, no momento o seu único interesse era saber se existia a mínima possibilidade que fosse, da namorada de seu filho ser uma Potter.

Ela tinha todas as indicações, não só pelo cabelo ruivo que era típico da família da mãe dela, mas por sua história. E... Pelo nome. Lílian Luna era um nome incomum, em quê outro lugar se encontraria uma mulher com o mesmo nome, idade e a mesma aparência física em que a bebê desaparecida hoje teria?

Só podia ser coincidência, coincidência demais.

Por que justamente ela iria vir parar dentro de sua casa, com a possibilidade de fazer parte de sua família? Se não era um fato ou uma coincidência, era uma tragédia cômica de olho por olho, dente por dente, não havia outra explicação; porque estava claro que a situação criada na mente de Draco era verdadeira. Estava sentido a ponta da catástrofe se aproximando.

Só precisava da certeza, e teria de encontrá-la em meio à suas pesquisas. E, infelizmente, aprender a lidar com ela. Afinal, a veria novamente.

[...]

Desceu do carro e despediu-se do casal, antes do carro dar partida e sumir de seu campo de visão. Depois do jantar, Teddy e Victorie insistiram para deixá-la em casa, por mais que Dominique tenha afirmado que ficaria bem chamando um motorista pelo aplicativo de celular. Fitou sua casa e percebeu que a luz do quarto dos pais estava desligada, provavelmente já estavam dormindo, o que era bom para ela. Caminhou até a porta e entrou devagar, indo até seu quarto, evitando qualquer barulho que pudesse chamar atenção. Não queria encarar seus pais naquele momento, e o assunto já estava encerrado e ela já estava decidida, moraria com Alvo e criaria seu filho com ele. A briga com seus pais, de certa forma, incentivou na sua decisão de mudar-se, a loira não criaria um filho em uma casa onde ela não conseguia tomar suas próprias decisões sem ser questionada.

Foi tirada de seus pensamentos quando ouviu o telefone tocar, olhou o aparelho e sentiu o coração falhar uma batida ao ver o nome de Alvo junto a uma foto do mesmo na tela do celular.

- Hey, não sabia se ligaria – ela falou jogando-se na cama e relaxando pela primeira vez no dia.

- Desculpe o horário, tive um dia corrido.

- Não tem problema, estou feliz que ligou.

- Sua voz parece cansada, tudo bem?

- Meus pais descobriram que vou morar com você – ela desabafou.

- Descobriram? E como foi?- questionou ansioso, sabia que Gui e Fleur não gostavam muito de Alvo como seu genro.

- Foi horrível, primeiro eles ficaram surpresos e depois furiosos. Tentaram me proibir de ir morar com você e acabamos brigando, foi péssimo.

- Tentaram te proibir? - ele questionou pasmo.

- Tentaram, e ainda estamos sem nos falar. Por incrível que pareça, a única pessoa sana da casa, no momento, é o Louis – ela disse e os dois riram.

- Mas você ainda vem, não é? - questionou apreensivo.

- Sim. Isso já está decidido, vou morar com você – ela falou e ouviu um suspiro aliviado no outro lado da linha – Eu vou ter um bebê, não posso deixar os meus pais continuarem controlando tudo à minha volta.

- Então já está confirmado que você vem! Essa notícia merece uma comemoração. Que tal jantar no meu apartamento amanhã? - ele convidou e Dominique levantou-se rapidamente da cama.

- Sim! – ela falou animada – Quer dizer, pode ser. Claro – tentou se recompor – Mas eu só vou se tiver chocolate – disse brincando e Alvo riu.

- Combinado então. Amanhã de noite no meu apartamento. Tem algum pedido especial? Além do chocolate, claro – falou com ironia.

- Não senhor Potter, nenhum pedido, vou confiar nas suas habilidades culinárias.

- Combinado, senhorita Weasley – ele brincou – Nos vemos amanhã então?

- Claro, nos vemos amanhã – ela repetiu, reforçando o fato.

- Acho que vou dormir, depois do dia de hoje sinto que mereço uma boa noite de sono – ele comentou.

- Tudo bem, também vou deitar, amanhã vou começar a organizar minhas coisas para a mudança.

- Eu estou muito feliz que você vai morar comigo, obrigada por me dar uma segunda chance – falou - Por nos dar uma segunda chance – ele ressaltou e a loira abriu um sorriso enorme.

- Depois dos últimos meses, nós merecemos– falou e Alvo deu uma risada, eles realmente mereciam. Suspirou, os últimos dias haviam sido intensos para todos.

- Boa noite, Domi.

- Boa noite Al, nos falamos amanhã – ela disse e esperou ele desligar a ligação.

Jogou-se na cama com um sorriso enorme e ali acabou adormecendo. Durante o domingo ficou praticamente o tempo todo em seu quarto, até mesmo durante as refeições, não queria cruzar com seus pais e eles provavelmente não queriam conversar com ela também. O dia passou rápido e Dominique aproveitou seu tempo livre para começar a fazer as malas e organizar as coisas que iriam para o apartamento de Alvo.

A noite chegou, e com ela o nervosismo e expectativa que esse jantar lhe proporcionava. Depois de revirar seu guarda-roupa por inteiro, optou por usar um vestido de tirinha que havia ganhado de Victorie no natal anterior. Sua irmã era a pessoa com mais senso de moda que Dominique conhecia, se não soubesse o quanto Victorie adorava psicologia, Dominique diria que a irmã nasceu para trabalhar com moda.

Se olhou no espelho pela última vez e ensaiou um sorriso para quando chegasse ao apartamento. O nervosismo tomava conta de seu corpo, a última vez que tinha ido à casa de Alvo foi na celebração do casamento, na noite em que dormiram juntos. Ela sentia uma leve insegurança crescer em seu peito, os dois não haviam ficado sozinhos desde aquela noite, pelo menos não completamente sozinhos a ponto de ter privacidade para alguma coisa a mais que um beijo.

Desceu as escadas sorrateiramente, rezando para seus pais não estarem no hall da casa. Fitou o local atentamente antes de descer o último degrau e caminhar apressada para a porta.

- Filha – Dominique ouviu e deu um pulo, assustada. Virou-se para a voz e viu Fleur sentada em uma poltrona pouco iluminada que ficava no canto da sala, a loira tinha os braços apoiados na poltrona e segurava um copo de whisky quase vazio. Ela parecia cansada – Aonde está indo?

- Vou jantar no apartamento do Alvo – Dominique avisou séria e andou até a porta – Não me esperem acordados – disse antes de sair. Suspirou assim que botou os dois pés para fora de casa. Aquela era a primeira vez que falava com sua mãe desde a briga no dia anterior e por mais que quisesse conversar e resolver toda a situação, não daria espaço para Fleur estragar sua noite.

Fitou o carro da família, que já a esperava na frente de casa e entrou no mesmo, dando o endereço de Alvo como ponto de chegada. Não demorou muito até já estar na frente do apartamento do moreno, e quando Dominique se deu conta, já estava na porta dele, somente criando coragem para bater. Respirou fundo e bateu três vezes na porta, dando um passo curto para trás e aguardando ser atendida. Não demorou muito e a porta foi aberta pelo moreno, que tinha um sorriso enorme no rosto.

- Você chegou! Entre, fique à vontade – Alvo falou abrindo espaço para a loira entrar. Dominique passou por ele e não pode deixar de sentir seu perfume, o qual havia ganhado dela em seu último aniversário. Deu um sorriso discreto ao constatar que aquela noite seria exclusivamente deles e nada nem ninguém poderia atrapalhá-los.

A loira fitou o apartamento por completo e seus olhos pararam na mesa da sala de jantar, onde a mesa estava posta os esperando pelo jantar com algumas velas acessas e outras apagadas.

- Você fez tudo isso sozinho? - ela perguntou impressionada.

- Sim. Ah, merda! - ele exclamou – Não deu tempo de acender todas as velas – Alvo explicou com uma careta e a loira riu.

- Não tem problema, eu adorei – ela falou e deu um sorriso. Se era fofo ele ter colocado velas no jantar deles? Muito.

- Então você vai gostar ainda mais – exclamou subindo as escadas – Espere aí – gritou do andar de cima. Minutos depois Alvo desceu com uma pequena caixa em mãos – Pegue, é para você – estendeu a caixa embrulhada até ela. Dominique apenas o fitou curiosa e pegou o presente.

- O que é? - ela perguntou balançando a caixa, tentando descobrir o presente.

- Apenas abra.

Dominique sentou-se no sofá e colocou o embrulho no seu colo, o abrindo sob o olhar atento de Alvo. Ela terminou de desembrulhar e deu um sorriso, ele havia comprado uma caixa de chocolate, sua caixa de chocolate favorita.

- Você comentou que só viria se tivesse chocolate, então aí está seu chocolate – ele falou e Dominique pulou do sofá o abraçando.

- Obrigada – ela falou – Mas você sabia que eu estava brincando, não é? E eu não lhe trouxe nada.

- Sabia sim, e não precisa me dar nada, não estou esperando um filho seu – Alvo falou brincando e Dominique deu uma gargalhada – Aceita beber alguma coisa? - questionou e Dominique apenas maneou afirmando. Alvo foi até a cozinha e saiu de vista por alguns segundos, e quando voltou, tinha um vinho, um espumante e duas taças em mãos.

- Alvo?

- Sim? - perguntou concentrado enquanto servia as taças.

- Eu não posso beber nada que tenha álcool.

- Eu sei, por isso comprei esse espumante sem álcool para você - entregou a taça para ela – E para mim, vinho. Venha, o jantar está quase pronto.

Os dois sentaram-se na mesa de frente um para o outro e se encararam por alguns segundos. Não demorou muito para o assunto fluir entre eles.

- Ouve essa! - ela exclamou animada - Ontem estava falando com Victorie e Teddy e você acredita que eles implicaram com todos nomes que eu sugeri? - Alvo deu uma risada e tomou um gole de seu vinho.

- Quais nomes você sugeriu?

- Bom, no começo eu sugeri Charles – ela falou divertida, esperando a reação do moreno.

- Você não namorou um garoto chamado Charles? - ele apontou rapidamente, a fitando com uma careta.

- Namorei, mas isso já faz muito tempo. E é um nome legal, você não acha? – ela argumentou segurando um riso. Ela já havia decidido que não colocaria esse nome no filho, só estava testando Alvo.

- Não, meu filho não vai ter o nome de um de seus namoradinhos, Dominique – Alvo falou emburrado e Dominique deu uma gargalhada – Qual a graça? - questionou ainda sério.

- Nada, eu só estava brincando com você – respondeu e Alvo revirou os olhos em resposta.

- Quais os outros?

- Os outros o que? - perguntou perdida.

- Os outros nomes que você sugeriu, Dominique – Alvo explicou rindo.

- Ah, isso! Eu disse Vicent e Nate, o que você acha?

- Acho que teremos que procurar novos nomes – ele disse rindo e se levantando da cadeira – Vou ver se a comida está pronta – avisou indo até a cozinha e voltando com um prato de vidro, colocando-o na mesa.

- O que é isso? - questionou curiosa.

- Receita de família – deu uma piscadela para ela.

- Receita do tio Harry?

- Sim, e é secreta. Só um Potter sabe fazer – ele deu um riso e começou a servi-los.

- E você vai ensinar ela para o nosso filho?

- Claro que vou, mas vamos ver se ele vai puxar a mim ou a você na questão culinária – ele implicou e Dominique revirou os olhos.

- Ei! Eu sei cozinhar – ela protestou e Alvo a fitou com deboche.

- Ah é? E você sabe fazer o que?

- Eu sei fazer… Bom, eu sei fazer… - ela se perdeu. A verdade era que Dominique era um desastre na cozinha – Bolo? - perguntou incerta e Alvo deu uma gargalhada.

- Certo, bolo. Vou querer provar então – ele a desafiou e Dominique deu um sorriso nervoso.

- Combinado – ela concordou e os dois começaram a comer.

- Humm, isso – ela apontou para o prato – está magnífico.

- Que bom que gostou, posso fazer sempre que quiser quando você se mudar.

- Olha que eu vou cobrar – ela avisou e voltou a comer – Sabe, acho que eu comi alguma comida parecida com essa ontem. Naquele restaurante, o Rules, conhece?

- Conheço, a comida de lá é maravilhosa.

- Ontem fui lá com o Teddy e a Vic e comi uma receita semelhante– ela comentou – Mas esse aqui está ótimo!

- Como eles estão? Digo, Victorie e Teddy.

- Estão bem, vieram ficar alguns dias de passagem. Falando neles, mostrei uma foto daquele sapatinho que você comprou. Victorie ficou enlouquecida.

- Eu imagino, ela adora crianças – constatou Alvo – Só não entendi porque ela e Teddy ainda não estão cheios de crianças correndo pela casa. Eles pretendem ter filho, né?

- Pretendem! Eles só estão esperando ela terminar o mestrado de psicologia. Acho que depois disso eu serei mãe e tia, ou madrinha – comentou tomando um gole de seu espumante – Estive pensando nisso, e quem vamos convidar para padrinho e madrinha do bebê?

- Eu nem tinha pensado sobre isso, quem você sugere?

- Eu tinha pensado na Victorie para madrinha, mas queria falar com você antes de contar a ela.

- Eu sinceramente acho ótimo, ela já vai mimar essa criança, imagina sendo madrinha… Ela vai adorar saber.

- E o padrinho? Você têm alguém em mente?

- E o Teddy? - Alvo sugeriu – Ele e a Victorie já são um casal, e aposto que eles adorariam ser padrinhos do nosso filho.

- Eu acho incrível a ideia! Você sabe que o Teddy é como um irmão para mim – ela comentou, mas respirou fundo antes de falar o que lhe preocupava – Mas… - disse hesitante.

- Mas? - ele a incentivou a falar.

- Mas e o James? - ela soltou a pergunta antes que desistisse. Sabia que Alvo ainda estava chateado com o irmão.

- O que tem o James? - Alvo questionou desconfortável.

- Você pensou nele para padrinho? Quero dizer, eu vou chamar a Victorie, que é minha irmã, e pensei que talvez você quisesse convidar o seu – ela comentou tentando ficar calma.

- Não! E eu não quero falar sobre isso – ele falou sério – Só… Vamos esquecer disso, tudo bem?

- Tudo bem! Vamos falar sobre a mudança. Pode ser? - ela falou tentar acabar com o assunto e com a tensão que havia ficado entre os dois.

- Claro, desculpa a minha reação. Eu… Apenas não quero falar sobre isso agora – Alvo explicou e Dominique acenou – Mas, sobre a mudança? O que você queria falar? - incentivou-a.

– Sabe, estive olhando, e seu apartamento é um pouco – ela procurou a palavra para descrevê-lo – neutro de mais.

- Como assim? - questionou curioso.

- Seu apartamento é o típico apartamento de homem solteiro que mora sozinho – ela falou e Alvo olhou em volta prestando atenção no apartamento. Era verdade, o apartamento inteiro era em cores neutras, inclusive as cortinas – E eu pensei que poderíamos dar uma redecorada, para ficar um ambiente bom para ambos.

- Por mim não há problema, nunca liguei muito para essas coisas de decoração – ele deu de ombros já que realmente nunca deu muita importância para decoração do apartamento – E agora essa é sua casa também, então a decore como achar melhor – os dois se entreolharam e riram. A casa deles, soava bem para a loira.

- Que bom que você falou isso – ela falou animada – Andei pensando no quarto do bebê. O que acha de verde? Eu andei pesquisando na internet e tem cada quarto lindo de criança, Al – ela tagarelava e Alvo apenas a fitava com cara de bobo. Ele achava incrível a forma que os fios loiros e lisos de Dominique caíam pelas costas e formavam ondas nas pontas, ou como seus olhos extremamente azuis junto ao sorriso perfeitamente alinhado a deixavam ainda mais bonita, se isso fosse possível.

- Por que você está me olhando? - ela questionou parando de tagarelar – Eu estou falando de mais? Eu sempre faço isso, fico falando e falando e não deixo ninguém se expressar, desculpe eu não...

- Você é linda – ele a cortou , ainda admirando a loira, que corou e colou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

- Alvo – falou envergonhada – Obrigada – ela agradeceu ainda constrangida. A aquela altura os dois já haviam terminado de comer e estavam somente saboreando suas bebidas e desfrutando da companhia um do outro.

- Você quer mais alguma coisa? - ele questionou, se referindo ao jantar.

- Não, estou satisfeita, estava tudo maravilhoso – ela disse e pegou o celular para chegar o horário – Mas acho que já está na minha hora – disse e levantou-se, indo até o sofá e pegando sua bolsa.

- Deixa que eu te levo até a porta – Alvo se prontificou.

- Obrigada pelo jantar. Eu amei tudo, até as velas apagadas – ela brincou e os dois riram. Ela abriu a porta e já estava saindo quando virou-se para Alvo – Nos falamos?

- Sim, eu te ligo. E eu também adorei esse jantar – ele disse e viu Dominique dar um singelo sorriso, antes de preparar-se para ir embora – Hey – ele falou segurando o braço da loira e impedindo-a de sair do apartamento. Alvo a puxou para perto, pondo as duas mãos na cintura de Dominique e colando seus narizes. Ele estava incerto de dar o próximo passo, mas não precisou, porque em questão de segundou Dominique colou seus lábios num beijo profundo.

Os dois se afastaram da porta e o moreno a fechou com o pé, certificando-se de não descolar suas bocas, Dominique se afastou por um segundo a procura de ar e foi o suficiente para Alvo a prensar contra a parede e começar a beijá-la novamente.

- O que acha de ficar aqui – ele fez uma pausa e Dominique resmungou – E nós dois comermos aqueles chocolates – Alvo sussurrou enquanto distribuía beijos por toda extensão do pescoço de Dominique.

- Ah, sim! Os chocolates. Boa ideia – ela respondeu com um gemido baixo, os olhos fechados e a respiração irregular. A aquela altura ela nem sabia do que Alvo estava falando, estava entretida de mais aproveitando cada sensação de ser tocada por Alvo.

Ela desceu as mãos até a barra da camisa de Alvo e começou a levantá-la, enquanto Alvo continuava a provocá-la, mordiscando sua orelha e pescoço. Uma das mãos do moreno foram para a bunda de Dominique e ela arfou.

- Al – ela gemeu e viu que um sorriso provocante se formava no rosto de Alvo. Juntou todas as forças que restavam e empurrou o moreno até o sofá, caindo por cima do mesmo. As mãos dele deslizavam por todo corpo da loira e ela aproveitou para voltar a beijá-lo.

- Você quer…? - ele perguntou se afastando dela e a mesma deu um gemido frustrado, o puxando para um beijo desesperado.

- As vezes – disse e o beijou novamente – Você fala de mais – falou e se afastou dele, tirando o vestido e deitando-se por cima dele – Mas agora – chegou perto do ouvido dele e sussurrou: - Eu quero você.

A frase causou mais impacto em Alvo do que Dominique esperava e Alvo trocou as posições, ficando por cima dela e tirando seu sutiã, a olhando com desejo.

- Eu já disse que você é muito gostosa? - ele perguntou admirando todo corpo dela e a loira deu uma gargalhada, o puxando para mais perto.

Ela não estava contando quantos sorrisos ele deram aquela noite, mas esperava que eles dessem muitos mais, e eles deram.

[...]

James estava exausto, tinha passado praticamente duas noites trancado em um quarto de hotel junto a Rose. Tinham feito de tudo, literalmente. E assim ele se via cada vez mais… apaixonado. Talvez fosse errado, mas estava. Será que somente ele enxergava que Rose não era só o que diziam, que ela não era só o que demonstrava, que ela era mais do que uma garota mimada e revoltada, que ela era melhor que isso.

Durante os dois dias com Rose, James viu um lado diferente na ruiva, um lado que ela não se permitia a mostrar a ninguém, nem mesmo a ele, a muito tempo. Os dois, desde crianças, sempre foram muito próximos, e não havia um motivo específico para isso, era uma simples questão de conexão. Quando foi morar em Nova York, James ouviu histórias sobre como Rose havia mudado, mas ele não sabia o quanto, até encontrá-la naquele bar, usando drogas e andando com traficantes. Aquilo o deixou pasmo, e ao longo dos meses Rose se mostrava cada vez mais como a garota mimada e irritada que a acusavam de ser. James estava quase desistindo de acreditar que sua Rose estava lá em algum lugar, isso até aquele final de semana.

Rose e James foram a extremos ao longo daqueles dois dias, eles conversaram sobre tudo, se divertiram e para a surpresa de James, eles até brincaram. E foi em uma dessas brincadeiras que ele lembrou que Rose Weasley detestava que fizessem cócegas nela. Certos detalhes dela não haviam mudado nada, e isso lhe deu a certeza que em algum lugar daquela Rose fechada, estava a ruiva que ele havia deixado antes de mudar-se para os Estados Unidos.

Estar com ela era… Libertador, essa palavra descrevia bem como ele sentia-se com ela. Com Rose ele podia ser James, não o James Potter que carregava um pesado sobrenome, não o policial James que tinha que ser correto e culto todo tempo, não o James filho que estava sempre pronto para ouvir os pais, e certamente não o James irmão que no momento não podia sequer aparecer na frente de Alvo sem sentir a fúria do mais novo, com Rose ele podia ser simplesmente James, tanto com suas qualidades quanto com seus defeitos. E ele sabia que Rose estava sendo Rose quando estavam juntos. Eles eram a válvula de escape um do outro. Era perfeito! Mas James tinha problemas, graves problemas, e não podia mais evitá-los e esperar que se resolvessem sozinhos.

Terminou de escovar os dentes e encarou seu reflexo no espelho do banheiro, estava cansado e preocupado, mas estava feliz. Saiu do banheiro e viu Rose jogada na cama lendo alguma coisa em seu celular, andou até ela e lhe deu um beijo no pescoço antes de se pronunciar.

- Tenho que ir – ele disse se afastando e Rose virou-se para o mesmo.

- Mas já? - disse chegando perto dele e o puxando para cama – Fique mais um pouco. A gente pode ver um filme – ela falou animada e sentou-se na cama mostrando o controle para ele.

- Eu adoraria – chegou perto dela – Mas não posso- afirmou e lhe deu um selinho.

- Não pode resolver depois? Se você não quiser ver filme, a gente pode conversar… ou transar – ela disse com um sorriso e James deu uma gargalhada.

- Tentador – falou e a ruiva deu um sorriso sedutor – Quase me convenceu – ele se afastou e Rose fez uma careta.

- E se jogarmos? – ela sugeriu.

- Certo. Rose, o que está acontecendo?

- É que… esse final foi ótimo, não quero que acabe – ela explicou e James sorriu.

- Eu também! Mas tenho alguns assuntos a resolver.

- O que é tão importante que você precisa resolver agora? - questionou curiosa e um pouco irritada.

- São só alguns assuntos – ele respondeu vagamente e Rose decidiu não forçá-lo a falar.

- Quando nos veremos novamente? - ela questionou mudando de assunto.

- Em breve – disse e a beijou.

- Vou sentir sua falta – disse fazendo careta ao se afastar do moreno.

- Não se preocupe, não pretendo ficar longe de você dessa vez – ele falou e ela sorriu.

-Antes de ir, que tal uma sessão de amassos? - ela perguntou divertida e James riu, a jogando na cama enquanto a beijava.

Rose inverteu as posições e beijou James com intensidade, enquanto o mesmo afagava sua cintura. James a girou na cama e voltou a ficar por cima, os dois estavam prestes a ir para o próximo passo, quando o telefone de James apitou, notificando uma nova mensagem.

- Temos que ir – ele falou se levantando e Rose deu um gemido frustrado - Você quer carona? Posso levá-la para casa – James ofereceu.

- Eu aceito – ela falou levantando-se e juntado seus pertences pelo quarto – Já que meu pai é um crápula que adora se meter na minha vida e agora me deixou sem meu carro e cartões – afirmou e James revirou os olhos, ele sabia que Rose merecia esses castigos – Falando nisso, o hotel é por sua conta – ela avisou e saiu pela porta do quarto.

James conferiu o quarto para ver se não havia esquecido de algo e saiu do quarto, indo até o hall de entrada e encontrando Rose, que lhe esperava.

- Vamos? - convidou ela. Dirigiu-se até a recepção e pagou a estadia de ambos.

- Seu carro lhe espera lá fora, Senhor Potter – o recepcionista avisou e James agradeceu, saindo do hotel com a ruiva.

Os dois entraram no carro e James deu a partida. Durante o caminho eles foram ouvindo alguma música aleatória e conversando sobre as coisas que tinham em comum, eles gostavam das mesmas bandas, dos mesmos tipos de vinho, dos mesmos tipos de festas e tinham uma relação um tanto conturbada com um de seus pais, ou seja, eles sempre teriam assunto. Estacionou em frente da casa e beijou Rose novamente, James nunca cansaria de beijá-la.

- Nos falamos? - ela questionou e desceu do carro, escorando-se na janela e dando um sorriso – Jay, eu adorei nosso final de semana – ela afirmou.

- Eu também – ele afirmou – Eu te ligo, pode ser?

- Espero que ligue mesmo, Potter – ela falou com um sorriso e deu um último selinho nele, afastando-se do carro e entrando em casa.

E bastaram dois dias para James Potter ter certeza, Rose Weasley era sua perdição.

[...]

- Harry? O que faz aqui à essa hora? Aconteceu alguma coisa?

Como o esperado, uma Hermione de roupão e pantufas apareceu na soleira da porta, ela não aparentava estar dormindo, mas com certeza estava se preparando. Por cima do ombro dela, Harry pôde ver Rony espiando por cima da cabeça da esposa. Ele não se surpreenderia se o melhor amigo estivesse com uma frigideira nas mãos com a intenção de atacá-lo.

- Posso entrar? – perguntou Harry, sem responder as perguntas feitas pela amiga, teriam tempo para isso quando entrasse e se aquecesse, conforme o mês terminava e o inverno se aproximava, parecia que as noites ficavam cada vez mais frias. Hermione balançou a cabeça e se afastou da frente da porta para que ele pudesse entrar.

Hermione fechou a porta, e se voltou para Harry, que estava no meio dela e de Rony.

- Me desculpem a hora, eu... preciso conversar. – disse Harry.

- O que houve, cara? – indagou Rony, se aproximando pela primeira vez desde que ele tinha chegado.

Os amigos o conheciam, melhor até mesmo que ele próprio, então sabiam por sua aparição repentina e também por seu tom de voz, que havia acontecido alguma coisa.

- Briguei com a Gina...

E então contou, tudo o que haviam falado, discutido, o que ela tinha lhe escondido, sua vista a Draco Malfoy, tudo, exceto que tinham transado em cima da mesa depois de uma briga, e mesmo assim ele foi embora. Sabia que mesmo ele sendo casado com a irmã de Rony há anos, o ruivo não aceitaria muito bem esse fato.

- Ai meu Deus! – exclamou Hermione levando os dedos até a boca entreaberta.

- Ela fez mesmo isso, e não contou a ninguém nesse tempo todo? – Rony bufou, pasmo.

Harry assentiu, concordando.

- E você saiu mesmo de casa? – perguntou Rony arqueando uma sobrancelha.

- Saí, eu não aguentaria ficar, preciso de mais tempo para pensar. – respondeu Harry, pensativo.

- Conhecemos a Gina, Harry, sabemos que ela só estava tentando te proteger. – retorquiu Hermione.

- Me proteger, Hermione? Estou me sentindo traído, de todas as formas possíveis; ela mentiu, me manipulou por vinte anos, beijou o ex-namorado dela, um cara que eu odeio. Isso é proteção?

- Ela só queria lhe poupar de um sofrimento maior, já que não faria diferença ela estar lá ou não, ela podia estar dormindo e mesmo assim a criança ser levada. – rebateu Hermione, calma e sensata.

Harry negou com a cabeça, embora soubesse que ela estava certa.

- Como foi com o Malfoy? O que ele disse? – questionou Rony, intrigado. Ele estava sentado no sofá de frente para Harry.

- Não acho que tenha sido ele, ele me pareceu sincero. – admitiu Harry.

Quando saiu da casa dele no dia anterior, Harry estava a beira de um transtorno. Queria gritar. Chorar. Mas não fez nenhuma das duas coisas, apenas voltou para o flat que havia alugado por até seis meses, era isso ou um ano, e não queria pensar que essa situação duraria mais que seis meses. Tinha de ligar para James e para Tiago, optou por falar com o pai primeiro, James com certeza tomaria partido da mãe, e eles não se viam desde a noite que contou para ele sobre o seu passado. O pai obviamente se defendeu, alegando que havia pedido que Gina contasse a Harry, mas como ele não estava com a mínima paciência para ouvir esse tipo de coisa, ele apenas disse a Tiago que estava decepcionado com ele por não tê-lo contado, e desligou. Passando todo o seu sábado deitado na cama, tomando sorvete de menta com chocolate em plena época de inverno, como se estivesse em uma das comédias românticas idiotas que gostava de assistir quando era adolescente. Que clichê, pensou ele.

- Você acreditou nele? Harry! Ele é um crápula! – bradou Rony.

- Também não é bem assim, Rony, Malfoy não fez mais nada depois que o pai dele morreu. E se o Harry disse que ele parecia estar sendo sincero, eu acredito, afinal se trata da filha dele. – disse Hermione, e o marido, mesmo incerto, foi obrigado a concordar com ela. – E o Percy, que história é essa?

- Espera, Mione, - começou Rony, consternado pela possibilidade de sua esposa estar cogitando isso, em relação ao seu irmão – você acredita nisso?!!!

- Eu não disse isso, só perguntei o que o Harry – ela frisou - acha.

- Não foi o que me pareceu.

Harry respirou fundo e revirou os olhos, teria que para-los agora, se não continuariam com esta discussão até o amanhecer.

Uma boa pergunta era a de Hermione, o que ele achava? Não duvidava nada que seu cunhado fosse capaz de “ferrar” Gina em qualquer coisa, principalmente se tratando do quesito financeiro. Entretanto, Harry não podia se deixar cegar por sua aversão a Percy e jogar a culpa (na qual ele não fazia ideia do que realmente era) nele. Não seria justo. O cunhado era culpado pelo superfaturamento dos contratos, isso já havia sido provado. Mas...nem ao menos sabiam o que ele tinha feito, não poderia ser julgado culpado por uma coisa que Harry não tinha conhecimento.

E em relação a Draco, ele de fato pareceu sincero, Harry não tinha baixado totalmente a guarda, é sempre bom manter o inimigo à sua frente, onde pudesse vê-lo de forma clara e assim acompanhar todos os seus movimentos, Sirius sempre lhe dizia isso. Os Malfoy eram serpentes rastejante. Sempre a espreita, o padrinho completava.

- Tenho que ir – declarou Harry se levantando do sofá.

Seus amigos o encararam sem acreditar.

- Você não pode ir embora assim! Tem que nos contar o resto, precisamos saber – exigiu Rony andando atrás de Harry, que caminhava em direção à porta.

- Rony está certo, Harry, se o Malfoy ou Percy forem realmente uma ameaça, não só para a Gina, mas para toda a família, nós precisamos saber.

Hermione incorporou a expressão mandona e sabichona que fazia quando ainda estavam na escola e ela exigia que Harry fizesse o que ela estava mandando.

A diferença era que Harry não era mais um menino, hoje era um homem adulto com mais aporrinhações do que qualquer pessoa. E eles só estavam preocupados consigo mesmos, não com Gina nem com ele. Tanto que Rony não ousou perguntar como a irmã estava, mesmo que Harry não soubesse, era o dever dele de irmão perguntar.

- Isso não diz respeito a vocês, sinceramente, não sei por que vim até aqui. É assunto meu.

- Harry, está sendo incoerente. – disse Hermione negando com a cabeça.

- Pensem o que quiserem, me desculpem a hora.

Harry tomou rumo pela noite, pensando em que rumo sua vida tomaria nos seis meses que ainda tinha pela frente. É, teria que fazer um bom trabalho, se não se arruinaria.


Notas Finais


Até o próximo, amores!!!


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